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terça-feira, 14 de outubro de 2008

No meu copo, na minha mesa 205 - Monte da Peceguina 2007; O Casalinho (Praia da Rocha)

Outro jantar de férias, no passadiço da Praia da Rocha, junto à descida central da praia. Este restaurante era uma das referências há uns anos antes das obras na praia e da remodelação de todos os bares, e ali comi uma refeição fantástica confeccionada à vista e servida num carrinho. Agora tem duas salas separadas, uma mais restaurante e outra mais para pizzas e afins, mas fomos para a parte das pizzas para ficar mais à vontade e com mais espaço.
A escolha é extensa e variada, permitindo um leque de opções que podem ir desde a pizza ao bife pimenta passando por bacalhau no forno. Tal como há anos, escolhi o bife, enquanto outros escolheram um T-bone e bacalhau à Narcisa, que por sinal estava magnífico, talvez o melhor prato da noite.
O bife estava bastante tenro e suculento, mas o serviço não correspondeu ao que se esperava. Nem o serviço de mesa nem o serviço de vinhos, e o facto de estarmos na pizzaria não serve de desculpa. Primeiro o vinho escolhido veio morno para a mesa, pelo que foi necessário pedir um frappé. Depois, à segunda garrafa um dos empregados serviu vinho no copo de um dos comensais onde ainda estava vinho do copo anterior, o que como se sabe é um erro primário no serviço de vinhos.
Para fecho da noite, foi pedida uma sobremesa (crepes Suzete) que não pôde ser servida porque… a cozinheira estava ocupada com outras coisas e não tinha tempo para a fazer! Esta é original.
Para o vinho escolhemos um Monte da Peceguina, da Herdade da Malhadinha Nova, que se tem tornado notada pelo seu hotel com SPA, situada ali para os lados de Alberona, a sul de Beja, e próxima da Herdade dos Grous e da Casa da Santa Vitória. Já o tinha provado uma vez e não me encantou, e desta vez voltou a não encantar. É um vinho que se bebe com facilidade, com aquele perfil “moderno” que tantos (ainda) elogiam, ainda com o resquício do excesso de álcool e muita fruta. Estagiou parcialmente 7 meses em barricas de carvalho francês e é predominantemente frutado, sem que a madeira se sobreponha aos aromas e relativamente equilibrado entre a acidez e o álcool que neste caso está bem disfarçado. Em suma, fácil de beber mas que não é marcante.
Quanto ao restaurante, sinceramente esperava melhor. Para o nível de preços praticado e a sofisticação nos nomes dos pratos, exige-se algo mais. Mais profissionalismo e eficiência, sobretudo. Lembrei-me dos muitos restaurantes visitados em Portalegre e Estremoz no último ano, e talvez pudessem ensinar alguma coisa a estes.

Kroniketas, enófilo veraneante

Restaurante: O Casalinho
Areal da Praia da Rocha
Portimão
Preço por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 3,5

Vinho: Monte da Peceguina 2007 (T)
Região: Alentejo (Albernoa)
Produtor: Herdade da Malhadinha Nova
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Tinta Caiada
Preço em feira de vinhos: 9,65 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

No meu copo, na minha mesa 204 - Alvor Singular 2007 branco; Quinta do Barranco Longo Grande Escolha 2007 branco; A Ribeira (Alvor)

O grupo gastrónomo-etilista “Os comensais dionisíacos” teve o jantar de fim de época no Tó do Marisco, em Julho, o jantar de férias em Agosto e o jantar da rentrée em Setembro.
No jantar de Agosto juntaram-se os que estavam de férias no Algarve. Faltaram o tuguinho e o Mancha. Serviu de anfitrião o Politikos em Alvor, onde abancámos, com filhos e tudo (tarde e a más horas, já passava das 10 da noite) no restaurante A Ribeira, junto à ribeira de Alvor e lado-a-lado com o muito citado nos guias Àbabuja.
Dado o adiantado da hora começámos por entreter-nos com umas entradas e umas travessas de amêijoas. Entretanto o dono lá veio mostrar-nos umas postas de peixe enormes, que davam para umas 8 pessoas, e quase todos optaram pelo robalo e a dourada na brasa. Eu e o Politikos resolvemos partilhar uma cataplana de marisco enquanto os mais novos optavam pelo arroz de marisco. Delicioso, por sinal, e em abundância, que ainda deu para provar umas colheradas. A cataplana estava boa mas a do ano passado, em Armação de Pêra, estava melhor, mais apurada.
Para acompanhar os peixes, depois de darmos uma olhadela à carta de vinhos, escolhemos o vinho da terra: um branco de nome Alvor Singular, da Quinta do Morgado da Torre, cuja vinha está ali a 5 quilómetros, junto ao hotel da Penina e entre a estrada nacional 125, o desvio para Alcalar e a A22. Há mais de 10 anos que não bebia um vinho do Algarve e aproveitei para conhecer uma das novas produções que têm aparecido. A verdade é que este Alvor de 2007 foi uma agradável surpresa. Suave, aromático, moderadamente alcoólico, como felizmente se está outra vez a tornar hábito, acompanhou na perfeição os diversos pratos de peixe e marisco que foram chegando à mesa.
A certa altura o dono sugeriu-nos que provássemos outro produto da região, o branco da Quinta do Barranco Longo, ao pé de Algoz. Este não se portou mal mas mostrou aquelas características que não aprecio particularmente nos brancos: muito álcool (14,5%) e fermentado em madeira, torna-se algo áspero para o meu gosto. Claro que um vinho com esta estrutura na boca se aguenta bem neste tipo de refeição, mas depois de acabada esta garrafa… voltámos ao Alvor para encerrar o repasto.
Quase pela meia noite lá abandonámos o restaurante, quando já só os donos e empregados ceavam a uma mesa do canto. No balanço da noite foi uma bela refeição, com as condicionantes próprias da época no Algarve, mas em que apesar do muito movimento e do restaurante cheio fomos alvo de todas as atenções e não se pode apontar nada ao serviço prestado. Grande simpatia e prontidão a responder aos pedidos, recomenda-se preferencialmente em época mais calma.

Kroniketas (enófilo refrescado) mais os outros bandalhos todos e os bandalhos que não estiveram lá e deviam ter estado

Restaurante: A Ribeira
Ribeira de Alvor
Preço por refeição: 35 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Alvor Singular 2007 (B)
Região: Algarve
Produtor: Quinta do Morgado da Torre
Grau alcoólico: 12%
Preço em garrafeira: 4,19 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta do Barranco Longo Grande Escolha 2007 (B)
Região: Algarve
Produtor: Rui Virgínia
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Arinto, Chardonnay
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 6,5

terça-feira, 19 de agosto de 2008

No meu copo, na minha mesa 196 - José de Sousa 2004; A Cantina (Olhos d'Água)















Depois de um dia passado num parque aquático com a família e uns amigos, saímos à procura de um local para jantar. Estando perto de Quarteira rumámos em direcção a Albufeira pela estrada nacional 125, passando por várias localidades, entre as quais Boliqueime, e por vários restaurantes de estrada. Acabámos por assentar arraiais num restaurante que os outros já conheciam, em Olhos d’Água, pertencente a um aparthotel.
A nossa figura a entrar no restaurante parecia um pouco deslocada: dois casais com filhos, tudo em calções e t-shirt, com chinelas e sacos de praia. O ambiente e os outros clientes pediam mais fato e gravata, porque aqui o estilo é mais selecto, talvez por isso havia mesas vagas em cima da hora de jantar. Mas é Verão e somos turistas na nossa própria terra, por isso abancámos calmamente, que a hora já ia adiantada e a fome apertava.
Sentámo-nos numa mesa redonda, junto ao armário de vinhos e perto do balcão. Bem decorada, com vários tipos de copos, os empregados vestidos a rigor. A ementa é vasta e variada. As escolhas recaem num bife Diana, um bife à cantina e costeletas de borrego com molho de hortelã. O bife à Cantina, alto e com um excelente molho, estava delicioso e suculento, acompanhado de batatas fritas e legumes salteados.
Para beber escolhemos o José de Sousa, da colheita de 2004. A primeira surpresa, pela positiva, foi o facto de o vinho ter vindo para a mesa à temperatura correcta, ligeiramente frio. Foi então explicado que os vinhos são mantidos no armário a uma temperatura constante, aquilo que todos os restaurantes que levam o vinho a sério deviam fazer em vez de os manterem “à temperatura ambiente”, de pé a apanhar o calor do fogão e a levar com as lâmpadas em cima. Um exemplo a seguir, esta forma de tratar os vinhos.
Este clássico alentejano da Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes, agora propriedade da José Maria da Fonseca, fermentou parcialmente em ânforas de barro. Apresentou um aroma frutado e complexo, um paladar cheio com taninos firmes mas suaves, com final de boca prolongado, tudo bem integrado com um ligeiro toque de madeira, que aqui aparece na conta certa: sente-se mas não abafa o resto. Em comparação com a colheita de 2003, que tínhamos provado há alguns meses, este revelou-se mais bem estruturado, um vinho mais completo, mais personalizado. Um bom parceiro para pratos de caça, mas esteve muito bem a acompanhar os nossos bifes, pois o frutado e a suavidade da prova equilibraram-se bem com a delicadeza das carnes. Parece estar de volta aos velhos tempos.
O preço da refeição, para a qualidade que teve, não foi nada exagerado, e tendo em conta a qualidade do serviço e da confecção este restaurante ficará como uma referência para possíveis visitas de Verão. Ainda bem que no meio da mediocridade que muitas vezes faz lei na restauração turística do nosso país ainda se conseguem encontrar estas ilhas de qualidade indiscutível. É a diferença que faz quem leva o negócio a sério.

Kroniketas, enófilo veraneante

Restaurante: A Cantina
Aparthotel Olhos d’Água
Olhos d’Água
8200 Albufeira
Telef: 289.580.385
Preço por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: José de Sousa 2004
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Grand Noir
Preço em feira de vinhos: 6,09 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

“Guilho” shrimps


Esta imagem está à porta de um restaurante em Alvor. Reparem bem no pormenor do “guilho” shrimps. Presume-se que são camarões à “Guilho”. O que eu não sei é que raio é o “guilho”, e presumo que os estrangeiros que passarem também não fazem ideia.
Isto mostra o rigor com que certas coisas são tratadas em Portugal, e no turismo é o que se sabe. O que eles querem dizer, mas na sua infinita ignorância nem imaginam, é que isto tudo começou com camarões “al ajillo”, ou seja, ao alhinho ou coisa que o valha. Mas como ninguém faz a mínima ideia daquilo que está a fazer, vai de começar a escrever que os camarões “al ajillo” são “à la guilho”, seja lá isso o que for.
Então sai esta maravilhosa tradução para inglês ver: temos os famosos “guilho” shrimps.
Como diria o Jô Soares, eu quero aplaudir.

Kroniketas a banhos

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Na minha mesa 195 - Mar à vista (Sagres)


Fim de tarde em Sagres, com vista do pôr-do-sol no cabo de São Vicente. A seguir jantar por ali, com mesa marcada no restaurante Mar à vista, na praia da Mareta.
Estamos no Algarve, em Agosto. Estão a ver o filme? Primeiro problema: mesmo tendo mesa marcada, espera-se uma eternidade até nos conseguirmos sentar. Os mais novos já estão doidos de fome e não há forma de os aguentar sossegados. Vamos esperando na esplanada, ao balcão, mirando os peixes e mariscos em exposição...
Quando finalmente nos sentamos e após mais um tempo imenso até pedir os pratos, encontramos alguns pratos “tipicamente algarvios”: bife pimenta, bacalhau com natas, rojões de porco... Além destes conseguimos desencantar uma cataplana de cherne e um esparguete com amêijoas.
Lá para as 10 e tal da noite lá se consegue comer qualquer coisa. A cataplana de cherne não estava má, assim como o esparguete com amêijoas. Os rojões e o bacalhau não estavam nada de especial. O bife sim, era um bife a sério.
Mas para um restaurante sobre a praia, cheio de peixes em exposição, esperava-se um maior leque de opções locais. No geral a qualidade não era distintiva e o serviço também não, aliás à boa maneira dos restaurantes algarvios no Verão, em que muitas vezes um jantar se transforma em ceia.
Parece que o Mar à vista é um dos mais afamados ali da zona, mas não me convenceu grandemente. Se calhar lá voltar fá-lo-ei, mas se não o fizer não vou sentir a falta.

Kroniketas, enófilo veraneante

Restaurante: Mar à Vista
Praia da Mareta
8650-361 Sagres
Telef: 282.624.247
maravistasagres@hotmail.com
Preço por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 3

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

No meu copo, na minha mesa 138 - Quinta da Alorna rosé, Touriga Nacional 2006; Restaurante Al Dente (Alvor)




Os brancos e rosés de férias (V)

Uma das incursões de férias, como já vem sendo habitual, foi a um restaurante italiano (também houve uma a um restaurante indiano, mas essa não é para aqui chamada; aliás, não saberia o que dizer...). Já tínhamos ficado de olho nele o ano passado, numa passagem por Alvor, e desta vez fomos mesmo lá.
O espaço é amplo e frondoso, numa espécie de esplanada interior, a dar para uma varanda que pode ser destapada nas noites mais quentes (não foi o caso deste Verão, certamente), salpicada por várias pequenas árvores espalhadas pelo recinto. Como é habitual na época, mesmo com mesa marcada espera-se... e espera-se... e espera-se... até nos podermos sentar e até sermos atendidos e poder começar a refeição. Mas quanto a isso, já percebi que não há nada a fazer. É ir preparado para começar às 10 da noite.
De qualquer modo, acabou por valer a pena a espera. A ementa é bastante variada, com várias carnes para além da enorme profusão de massas e pastas. E assim se pediram coisas tão variadas como macarrão tostado, regina gratinata, bifinhos de porco panados, bife Veneza, involtini e se terminou com tiramisu, crepe com chocolate e crepe com mel e nozes. E toda a gente ficou agradada com a qualidade da confecção.
O atendimento também é simpático e eficiente, descontado o tempo de espera já referido.
E para acompanhar tão variadas iguarias, a pedido de várias famílias fomos para o rosé. Porque era Verão, porque era comida italiana. As opções não eram muitas e resolvi estrear este Quinta da Alorna, que não conhecia. Agora que os rosés estão na moda e que se faz vinho rosé um pouco por todo o país, já quase não há um produtor conceituado que não tenha o seu rosézito. E este saiu muito bem. Bastante aromático, ligeiramente floral e com predominância de frutos vermelhos no aroma e no paladar (sente-se ali um toque a morangos ou framboesa), medianamente encorpado e muito fresco na prova de boca, com alguma persistência a marcar um final suave e seco. Uma boa surpresa para primeiras impressões.
Claro que saindo das mãos do enólogo Nuno Cancella de Abreu só podia ser bom. Não o tenho visto por aí à venda, mas vou ficar atento.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Alorna 2006 (R)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço no restaurante: 12 €
Nota (0 a 10): 7,5

Restaurante: Al Dente (italiano)
Quinta da Praia, Lote 4 - Loja 16
8500 Alvor
Telef: 282.457.555
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4

terça-feira, 11 de setembro de 2007

No meu copo, na minha mesa 133 - João Pires 2005; A Grelha (Armação de Pêra)

O jantar de férias da cambada



Uma rara coincidência de presenças no barlavento algarvio permitiu juntar à mesa uma delegação familiar do Grupo Gastrónomo-Etilista “Os Comensais Dionisíacos”, com a presença das respectivas (sim, porque tem de se deixá-las participar de vez em quando, para que elas percebam que quando dizemos que vamos jantar uns com os outros, vamos mesmo jantar uns com os outros...). De Alvor veio o Politikos, de Portimão o Kroniketas, da Senhora da Rocha o Mancha e de Armação de Pêra o Pirata e o Caçador. O bandalho do tuguinho, como não vai a lado nenhum, ficou algures entre a capital e a montanha.
Por questões de logística e transporte, o local escolhido foi Armação de Pêra e o restaurante A Grelha, numa rua perpendicular à que passa junto à praia, e onde já abanquei por mais de uma vez. Toda a gente foi para os pratos mais típicos, como o arroz de lingueirão, o bife de atum, cherne grelhado e, no meu caso, uma cataplana de amêijoas com carne de porco a meias com o Politikos. Por sinal estava óptima, em tomatada bem regada de molho apurado. O arroz de lingueirão não encantou, porque embora o arroz estivesse bom o dito lingueirão parecia borracha, enquanto o bife de atum apresentou algumas reservas acerca da genuinidade do animal.
Pelo meio ainda apareceram uns músicos a entreter o pessoal que no fim vieram com um chapéu pedir umas moedas, o que me deu vontade de lhes dizer que daria duas moedas se eles se calassem...
Excelente estava, como sempre, o João Pires de 2005, escolha unânime e que muito bem acompanhou a refeição. Entre todos, marcharam 4 garrafitas bem fresquinhas, mantidas à temperatura adequada dentro do inevitável frappé. Cada vez gosto mais deste vinho, que para mim é uma referência incontornável e está no topo das minhas preferências. Foi o branco de eleição nestas férias e é presença obrigatória nas nossas escolhas.
Ainda se comeram umas sobremesas que não tiveram relevância especial e quase passaram despercebidas no meio da conversa (sim, porque às vezes os sentidos estão mais virados para as pessoas que temos à mesa do que para o que está no prato ou no copo). No final, passeou-se longamente pela marginal e ainda se parou numa esplanada à beira-mar até quase às 2 da manhã. E assim se acabou uma agradável noite algarvia de Agosto...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: A Grelha
8365 Armação de Pêra
Telef: 282.312.245
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 3,5

Vinho: João Pires 2005 (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 11%
Castas: Moscatel
Preço em feira de vinhos: 4,89 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Na minha mesa 62 - Falésia (Praia da Rocha)


As férias já acabaram há algum tempo, o Verão também, mas ainda não se esgotaram os ecos de algumas incursões gastronómicas por terras algarvias. Uma das mais marcantes foi uma estreia absoluta. Um restaurante situado mesmo na falésia por cima da Praia da Rocha, muito apropriadamente chamado Falésia. Há anos que o conhecia por fora, agora fiquei a conhecê-lo por dentro.
Situado na avenida marginal, na zona dos bares e restaurantes, para entrar sobem-se umas escadas a partir da rua, que vão desembocar num terraço com vista directamente sobre a praia, em toda a sua extensão. Como paisagem, não se pode querer melhor. Esta espécie de varanda tem uma zona coberta e outra descoberta, e como o tempo convidava ficámos cá fora, em vez de ir para a sala, e optámos pela zona descoberta. Jantámos ao relento sobre a praia.
O atendimento é simpático e a ementa é extensa e variada. Dá para todos os gostos. Depois de muitas hesitações pediu-se um bife da vazia com molho Diana e um arroz de tamboril para dois.
O bife correspondeu às explicações pedidas, com carne tenra e um molho suculento, embora a pessoa que o comeu tenha incorrido naquele pecado habitual, que torna a carne de vaca quase incomestível, que é pedir o bife muito bem passado. Fica como sola, mas enfim, quem prefere assim acaba por estragar o melhor da carne mas fica com a vontade feita.
No meu caso partilhei o arroz de tamboril com outro comparsa, e só vos digo: foi o melhor arroz de tamboril que já comi na minha vida. Um tempero irrepreensível, delicioso como é difícil descrever, no ponto de cozedura correcto, com muito caldo como convém. E estava tão bem feito que, quando fomos para a segunda volta, mesmo estando tapado no tacho, o restante arroz não secou nem amoleceu. Pode-se dizer, portanto, que foi feito com mão de mestre.
Nos finais os comensais pediram um Shandy, uma daquelas variantes de gelado com bolo e chocolate derretido por cima, que também colheu o agrado dos presentes, e duas mousses de chocolate que não comprometeram, embora sem também encantar.
De realçar que o serviço às mesas, embora tenha sido algo demorado devido à feitura do arroz, se mostrou eficiente, com realce para o facto de os pratos serem trazidos para a mesa num carrinho com as travessas, onde depois são servidos quando é caso disso. A maioria dos empregados é ainda jovem e parece ter alguma formação no ramo, o que será sempre um sinal positivo (já tinha ficado com a mesma impressão no restaurante Lusitano, de que aqui dei conta há uns meses).
Para acompanhar o repasto bebeu-se um João Pires (pago ao triplo do preço normal, como é habitual), que calhou lindamente com o arroz de tamboril, e cuja apreciação já fizemos em devida altura. Sem dúvida um valor sempre seguro e referência obrigatória das Krónikas Vinícolas.
Os preços no Falésia podem ser um pouco dissuasores à partida, mas depois de comer uma refeição destas dá-se o dinheiro por muito bem empregue. Paga-se bem mas come-se melhor. Pelo menos, para estreia tivemos sorte. Vai ser visita a repetir, e aquele arroz de tamboril... Divino!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Falésia
Avenida Tomás Cabreira, Edifício Falésia, loja 12
Praia da Rocha
8500-802 Portimão
Telef: 282.412.917
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 5

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Na minha mesa 59 - O Galeão (Lagos)



Uma das habituais saídas de férias já vem de longa data. Trata-se do restaurante “O Galeão”, em Lagos, de que sou frequentador há cerca de 20 anos. A visita anual durante as férias algarvias é quase obrigatória, com raras excepções.
Este é um restaurante no centro de Lagos que ao longo dos anos tem mantido sempre o mesmo nível, sem que os preços tenham subido excessivamente. Há um padrão que não se tem alterado e por isso dá sempre garantias.
A ementa tem um toque de internacionalismo a par com alguns pratos regionais. Temos opções variadas para as entradas, os peixes e as carnes. Nas entradas destaca-se o “abacate com camarão” e os “espargos com molho holandês”. Servem muito bem para entreter enquanto se espera pelo prato principal. Para quem prefere os regionalismos há uma excelente “sopa de peixe”, feita com aletria, com um ligeiro toque picante que torna a refeição mais quente, mas é muito bem apaladada.
Passando aos pratos mais substanciais, nos peixes há as opções de cataplana, “linguado ao meunier” e até a “lagosta à thermidor”, esta a um preço fora do comum. Mas é nas carnes que se atinge o esplendor: “tornedó Rossini”, com um molho espesso e uma noz de paté por cima, “tornedó com molho bearnês”, “entrecote café-Paris”, com um molho feito à base de muitas especiarias, “strogonoff”, “lombinhos de porco com ervas aromáticas”, enfim, a escolha é imensa. Em todas as minhas visitas, divido-me sempre entre o “tornedó Rossini” e o “entrecote café-Paris”, quanto a mim os expoentes máximos das carnes. São normalmente acompanhados com batatas fritas e legumes salteados, nomeadamente cenouras e feijão-verde.
Os pratos são confeccionados à vista, pois a cozinha fica ao fundo da sala e é aberta para os clientes verem. Assim se pode apreciar a confecção das sobremesas, onde o grande destaque é o “crepe Copacabana”, que cobre duas bolas de gelado e é “flambeado” em rum, vindo para a mesa com um molho caramelizado daí resultante. Normalmente é uma sobremesa que vale a pena pedir para dividir por dois, depois da lauta refeição que os pratos nos proporcionam. Estando no Verão, quem quiser uma opção mais fresca pode sempre pedir a “taça Dinamarca”, uma taça de gelado com chocolate derretido por cima.
A carta de vinhos não é muito ampla mas dá para as necessidades. Optou-se por um Evel tinto, que estava um pouco acima da temperatura ideal e se pediu para arrefecer, mas com a distracção da conversa acabou por arrefecer demais, pelo que deixamos a sua apreciação para outra altura.
O ambiente é acolhedor, quase familiar, pois a sala não é muito grande: cerca de 40 lugares. À entrada há um pequeno balcão que serve como bar, para quem se quiser entreter enquanto espera por mesa. Mas no pino do Verão é obrigatório reservar, sob pena de só conseguir mesa lá para as 10 da noite...
Para mim continua a ser visita quase obrigatória, mesmo que seja anual. Por aquele tornedó e aquele entrecote vale a pena ir lá.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: O Galeão
Rua da Laranjeira, 1
8600-697 Lagos
Telef: 282.763.909
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 4,5

terça-feira, 22 de agosto de 2006

No meu copo, na minha mesa 58 - Trebbiano, Sangiovese; Pizzeria “Le Delizie”







Uma das deambulações de férias trouxe-me a um local onde tinha estado há 2 anos, mas do qual não tinha guardado referências. Agora voltámos ao “local do crime” para recuperar impressões.
Trata-se dum restaurante italiano denominado “Le Delizie”, situado em Ferragudo, do outro lado do rio Arade. Para quem sai de Portimão pela ponte velha, junto ao cais, vira-se à direita no cruzamento para Ferragudo, estaciona-se (se se conseguir) na praça central da povoação, entra-se pelo largo e segue-se por uma ruela à direita. Uns 30 ou 40 metros à frente encontramos o dito restaurante.
O espaço não é muito amplo mas é acolhedor. Na época de verão convém marcar mesa senão é difícil arranjar lugar.
Embora o nome do restaurante indique “Pizzeria”, este é muito mais que uma simples pizzaria (aliás, se assim não fosse eu nem perdia tempo a ir lá, porque pizza é coisa que não me passa pelo estreito e acho o maior desperdício estar a perder tempo e dinheiro num restaurante para comer coisa tão desinteressante…). A oferta é variada em termos de massas e pastas, e é por aí que se deve seguir.
No grupo presente (4 adultos e 3 crianças) escolheu-se o “4 Crostino misto” para entrada. Eram umas tostas do tipo pão-de-alho com várias guarnições por cima. Provei 3 e só uma não consegui engolir, parece que era de anchovas. As outras eram óptimas.
Nos pratos, para além duma inevitável pizza-não-sei-de-quê (de que aliás sobraram 5 das 6 fatias…), escolhemos o “Ravioli al funghi porcini”, uma “Gratinata no forno com molho bolonhesa”, uma “Carbonara” e uma “Paglia e Fieno”. Como se vê, bem diferentes das tradicionais pizzas, lasanhas e esparguete à bolonhesa.
A “Gratinata no forno” é um prato de massa gratinada com molho bolonhesa que calha sempre bem (antepenúltima foto). O “Ravioli al funghi porcini”, com cogumelos, também estava saboroso. A Carbonara (esparguete, natas e bacon) não tem muito de novo mas come-se bem. Mas a surpresa da noite, escolhida já à última, foi a “Paglia e Fieno” (penúltima foto), com os espinafres a fazerem a diferença no panorama geral e desenjoando das natas e dos molhos.
Para finalizar apenas se pediu um magnífico crepe com gelado de chocolate e chantilly, que nunca deixa ninguém ficar mal (última foto)!
Para os líquidos, os adultos escolheram os dois vinhos italianos da casa, um branco e um tinto, ambos da Sicília. O branco, de nome Trebbiano, de 2005, estava na linha de muitos brancos que temos por cá, um pouco vulgar. Algum aroma floral mas pouco elegante na prova de boca. Poderá safar-se se estiver bem fresco, mas não é vinho para encantar.
O tinto, Sangiovese, também está na linha dos tintos italianos vulgares, com aquele aspecto meio aguado que os caracteriza, muito longe do corpo e da estrutura pujante dos tintos portugueses. É mesmo um vinho adequado para comida italiana, embora um Mateus Rosé não ficasse pior.
Em suma, nenhum deles era nada de especial, mas pelo preço que custaram (8 €) não se podia esperar mais. Há outras escolhas na carta de vinhos, como Chianti, o Lambrusco ou o Valpolicella, com preços na ordem dos 15, 20 e até 30 €, que talvez experimentemos noutra visita. Porque este é, sem dúvida, um local a revisitar. Para uma boa refeição à italiana vale a pena ir a Ferragudo. Foi a segunda vez que estive no local e pretendo voltar. O atendimento é simpático e o ambiente descontraído. Ou seja, sentimo-nos bem e comemos bem. É o que se deseja. Uma referência a anotar no panorama medíocre dos restaurantes para turistas no verão.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pasqua, Trebbiano 2005 (B)
Região: Sicília (Itália)

Casta: Trebbiano
Nota (0 a 10): 5,5

Vinho: Pasqua, Sangiovese 2005 (T)
Região: Sicília (Itália)
Casta: Sangiovese

Nota (0 a 10): 6

Restaurante: Pizzeria “Le Delizie”
Rua Vasco da Gama, 25
8400 Ferragudo
Telef: 282.461.868
Preço médio por refeição: 12,5 - 15 €
Nota (0 a 5): 4,5

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

No meu copo, na minha mesa 56 - Convento da Tomina 2005; Lusitano (Praia da Rocha)







Já aqui falámos há alguns meses dum restaurante na Praia da Rocha (Portimão) a propósito do réveillon 2005-2006. Agora com a chegada do Verão, como frequentador indefectível do local, as oportunidades de passar por outros restaurantes da zona são imensas. Recentemente tive oportunidade de conhecer outro restaurante perto do anterior. Chama-se este Lusitano, abriu há alguns meses e por enquanto não tem grande frequência. Mas o aspecto, visto de fora, é bom e convida a uma visita.
À porta está um mapa de Portugal, onde são anunciados pratos regionais que cobrem praticamente todo o país, desde a posta mirandesa à carne de porco com amêijoas, passando pela açorda de marisco e pelos grelhados de porco preto, chegando até à espetada à madeirense. Talvez demasiado ambicioso, mas nada como experimentar. Por enquanto deparamo-nos com uma sala praticamente vazia, que só se compõe um pouco para lá das 21 horas, mas mesmo assim ainda fica menos de meia.
Entre os comensais presentes escolheram-se os rojões à minhota, duas espetadas madeirenses e, no meu caso, um bife à Marrare, obviamente mal passado.
O bife estava excelente de tempero, o molho espesso e no ponto certo de feitura, ainda meio ensanguentado. Veio acompanhado com batatas fritas e grelos cozidos, que ligaram na perfeição.
Quanto às espetadas, acompanhadas com uma maçaroca de milho, pecaram por estar, ao contrário do bife, demasiado passadas, para mais sendo carne de vaca. Os rojões, acompanhados com castanhas, pelo menos de aspecto, também estavam satisfatórios.
Para sobremesa, também abarcando todas as regiões, a preferência caiu numas encharcadas do Convento de Santa Clara e em dois D. Rodrigos. A encharcada estava apetitosa, polvilhada com canela, embora talvez demasiado sólida, pois é um doce que se come à colher e não deve necessitar de ser cortado.
O serviço primou pelo esmero e pela atenção. O encarregado do atendimento à mesa, ainda novo, não pareceu ser um novato nestas andanças, ou pelo menos amador. Pelo contrário, pela postura revelada pareceu ser alguém com formação na área e não um biscateiro para os meses de Verão. Sempre atento às necessidades e com a preocupação de saber se estava tudo em ordem ao longo da refeição, não hesitando em aconselhar nas escolhas, quer dos pratos quer dos vinhos. Foi precisamente seguindo uma sugestão sua que escolhemos o vinho, um Convento da Tomina 2005, regional alentejano, de Francisco Nunes Garcia (que apareceu com um vinho com o seu próprio nome a um preço exorbitante). Também neste aspecto o serviço mereceu boa nota, pois ao servir o vinho para prova, já vinha munido com uma manga de refrigeração, prevendo desde logo que a temperatura não seria a adequada. Que diferença para 95% dos restaurantes portugueses, que no Verão nos tentam impingir vinho quente dizendo que está bom porque é à temperatura ambiente!
Depois de arrefecido para a temperatura adequada, o Convento da Tomina pôde então ser apreciado nas melhores condições, a que não faltaram os copos de pé alto e boca larga (outra raridade). Nas primeiras impressões mostrou um aroma profundo e intenso, a que não serão alheios os 14,5% de álcool, uma cor rubi carregada, a que se seguiu uma prova de corpo cheio, com um toque ligeiramente frutado e alguma predominância de especiarias que prolongam o final de boca. Devidamente acompanhado por pratos com algum requinte mas também generosamente temperados, para aguentar o corpo e o álcool, é um vinho que pode fazer excelente figura numa grande refeição e que não é excessivamente caro para o que vale. Podemos colocá-lo sem dificuldade na gama média-alta, ao nível dos grandes vinhos que não custam fortunas.
Em resumo, o restaurante Lusitano merece ser novamente visitado, restando saber como se comportará o serviço no pico do Verão com a afluência maciça de veraneantes. Não me parece, contudo, que se dirija aos turistas estrangeiros, pois o menu virado para os produtos regionais será chamariz apenas para o cliente português que quer experimentar produtos diversos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Lusitano
Avenida Tomás Cabreira - Edifício Casa da Praia
Praia da Rocha - Portimão
Telef: 282.412.177
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 4

Vinho: Convento da Tomina 2005 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Francisco Nunes Garcia
Grau alcoólico: 14,5%

Preço em feira de vinhos: cerca de 6 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Na minha mesa 7 - Vinhos & Comidas (Praia da Rocha)

A pretexto do rally Lisboa-Dakar, o réveillon fez-se na Praia da Rocha, Portimão. Deu para ver alguns veículos estacionados e ainda ir fora de horas fotografar os que estavam no parque de viaturas.
Para um grupo de 22 pessoas marcou-se um restaurante sobranceiro à Praia da Rocha, onde se passa diariamente no verão ao sair da praia. Visto de fora, o aspecto é bom.
Os problemas começam logo quando se está limitado no horário. Numa noite de fim de ano, foi-nos dito que o jantar podia ser das 20 às 22 horas, ou das 22 à meia-noite. Ficámos com o turno das 20 h, porque assim não tínhamos de estar à espera que outros saíssem. Mas logo com os pedidos as coisas começaram a complicar-se. Houve pedidos enganados, outros trocados, outros que não chegaram, o que quer dizer que às 21 ainda havia pessoas sem o prato na mesa.
Dado o nível de preços, com pratos entre 10 e 15 euros, esperava-se uma qualidade acima da média. Pedi um tornedó mal passado mas, como acontece sempre nestas ocasiões, tive azar com o que me veio parar à mesa, que de mal passado não tinha nada, perdendo toda a graça. Houve vários pedidos de lombinhos de porco que foram entregues com a indicação “lombinhos de porco com não-sei-quê”. Ou seja, os empregados nem sabiam o que estavam a trazer para a mesa.
Quando chegou às sobremesas, mais complicações: não havia quase nada do que foi pedido, o que quer dizer que, para um jantar de fim de ano, o restaurante não providenciou o número de sobremesas suficientes para o número de pessoas que lá queria meter.
Finalmente, para alguns beberem café, tiveram que pegar no pedido e ir para junto do balcão buscar os cafés. Enquanto isto, um grupo enorme esperava na rua. Quando saímos do restaurante já passava das 11 e um quarto. Mais interessante ainda, o grupo que esperava tinha sido enviado para ali de outro restaurante do mesmo dono!
Não sei como será o restaurante num dia normal, mas a lição que se tira daqui é sempre a mesma no que ao turismo diz respeito : o turismo à portuguesa é feito por amadores, que não percebem nada do que andam a fazer. No Algarve, no Verão, é trágico: não se consegue comer bem, a horas decentes e com bom serviço quase em lado nenhum. Já cheguei a esperar mais de 2 horas por um jantar no mês de Agosto.
Estes “profissionais” da restauração querem ter muito lucro com pouco investimento. No restaurante onde jantámos estariam cerca de 80 clientes para... 3 empregados a servir à mesa. Como é que se pode prestar um serviço de qualidade nestas condições? E depois ainda querem servir dois turnos de jantares? Baralhando os pedidos, deixando acabar as sobremesas? No Verão a desculpa é a mesma: “temos a casa cheia e temos pouco pessoal”. Se querem ter uma casa cheia contratem pessoas; se não podem ter mais pessoas a trabalhar também não podem ter clientes. Nesse caso fechem o estaminé, porque quem não tem competência não se estabelece. Para mim a desculpa do turismo sazonal não pega, porque ao abrirem um restaurante no Algarve já sabem o que vão encontrar, portanto têm de criar condições para servir esse turismo que lhes enche os bolsos nos meses de Verão. Do resto não tem o cliente culpa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Vinhos & Comidas
Avenida Tomás Cabreira - Edifício Varandas do Sol
Praia da Rocha - Portimão
Nota (0 a 5): 2,5