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quinta-feira, 20 de março de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (XVI)

No meu copo, na minha mesa 170 - Terrenus 2005; Lima Mayer 2005; Tomba Lobos (Pedra Basta - Portalegre)

Os últimos tempos em Portalegre foram aproveitados para voltar a lugares marcantes. Um deles foi o Tomba Lobos, um dos primeiros que visitei e também um dos últimos. Propriedade de José Júlio Vintém, que se tem afirmado no panorama gastronómico do Alentejo e já se tornou uma referência incontornável, este restaurante fica numa pequena localidade à saída de Portalegre em direcção ao Reguengo, de nome Pedra Basta, onde aliás fica localizada a Quinta do Centro, de Rui Reguinga e Richard Mayson, e que deu o nome precisamente ao vinho ali produzido.
O Tomba Lobos fica numa espécie de vivenda com um pequeno jardim cá fora e um parque de estacionamento, e permite a entrada pelo balcão ou directamente para a sala de refeições. Deve o seu nome aos lobos que em tempos idos assolavam a região vindos de Espanha e dizimavam as ovelhas e os porcos, o que obrigou os homens a organizarem-se para dar caça aos lobos. E ao mais valente apelidaram-no de “tomba lobos”, alcunha que calhou a José Júlio Vintém.
Das duas vezes que lá fui estava pouca gente (o tempo frio durante a semana também não ajudava) mas a refeição justificou o regresso. Na primeira visita comi uma canja de perdiz e um arroz de lebre. Melhor a primeira que o segundo, que talvez por ter repousado no tacho enquanto ainda fervia, acabou por secar, mas estava bastante saboroso.
Para sobremesa comeu-se torrão real, um doce de amêndoa bastante consistente, e bolema de maçã com gelado de baunilha, uma combinação bastante agradável e bem conseguida.
A segunda visita foi um pouco mais elaborada (éramos três pessoas) e as escolhas também: começámos com uma excelente perdiz de escabeche, seguindo-se gamo ao alhinho, muito tenro, suculento e saboroso (difícil de parar de comer) e voltámos a terminar com o arroz de lebre, que voltou a secar depressa demais. O melhor da noite foi, indubitavelmente, o gamo ao alhinho, uma excelente revelação.
Para sobremesa tivemos uma mistura de pudim de queijo, bolo de chocolate e um fartes, também uma espécie de bolo com ovos e amêndoa.
O serviço deste restaurante é esmerado e atencioso, com o adicional de haver o aconselhamento dos clientes, tanto para os pratos como para os vinhos e as sobremesas, e nunca nos deixaram ficar mal. Mais um local a (re)visitar.
Quanto aos vinhos, foi aqui que tive o primeiro contacto (também aconselhado na casa) com o Terrenus 2005, produção individual de Rui Reguniga numa outra vinha que possui na serra de São Mamede. Nesta segunda visita voltei a ter a oportunidade única de voltar a provar este vinho. Uma boa revelação, tal como também aconteceu com o Casa de Alegrete. Um vinho bem encorpado mas também macio e muito aromático, elegante, equilibrado entre álcool, acidez e persistência. Os 13,5% certamente contribuem para esse perfil mais “soft” que a maioria dos muitos hiper-alcoólicos. Um vinho que promete altos voos.
Na segunda visita provou-se também outra garrafa, mais uma estreia com um vinho da região, o Lima Mayer 2005, das proximidades de Monforte. Este um pouco mais forte e mais dentro do muito que tenho apanhado por aí, mas sem se tornar agressivo nem cansativo. Aroma a frutos vermelhos, alguma especiaria, bastante encorpado e persistente, com os taninos bem domados e envolvidos numa acidez correcta. Pareceu-me, acima de tudo, aquilo que se poderia chamar um vinho honesto, que não pretende ser uma estrela mas que desempenha bem a sua função.

Kroniketas, enófilo itinerante

Restaurante: Tomba Lobos
Pedra Basta, Lote 16 - R/C
7300-529 Portalegre
Telef: 245.331.214
Preço médio por refeição: 30-35 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Terrenus 2005 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Rui Reguinga
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 19,50 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Lima Mayer 2005 (T)
Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Lima Mayer
Grau alcoólico: 14%
Castas: Syrah, Aragonês, Petit Verdot, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 18,50 €
Nota (0 a 10): 7/7,5

segunda-feira, 10 de março de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (XV)

No meu copo, na minha mesa 168 - Gloria Reynolds 2004; Vale Barqueiros Reserva 2005; Rolo Grill (Cabeço de Vide)

Já na recta final da minha permanência por terras de Portalegre, tenho feito algumas incursões por fora. A primeira levou-me às termas de Cabeço de Vide, perto de Fronteira, cerca de 20 km para sul de Portalegre, ao encontro do restaurante Rolo Grill, que antes se localizava no coração da cidade, no local onde agora se situa o Cobre, que por sinal foi a minha primeira visita desde que aqui assentei arraiais.
Usando um antigo edifício de servia de armazém à estação de comboios, o sr. Rolo estabeleceu aqui as novas instalações para o seu restaurante, onde dispõe duma enorme sala em que cabem as mesas, as prateleiras com vinhos a toda a volta da sala e, ao fundo da mesma, o grelhador onde o próprio dono cozinha os grelhados, a especialidade da casa.
Nesta primeira visita que fiz ao local, não escolhi vinhos nem ementa: o sr. Rolo tratou de sugerir o que se iria comer e beber. Para três pessoas, preparou uma lombeta de porco grelhada, uma espetada de novinho e um naco de novilho. Antes disso ainda nos fomos entretendo com algumas entradas quentes e frias num prato rotativo, que já davam para aconchegar os estômagos.
Mas quando chegaram os grelhados, ficámos esmagados pela qualidade. Comecei pela lombeta de porco, que estava tão tenra que quase se desfazia ao cortar. Passei para a espetada de novilho, que ao contrário do que acontece com a maioria das espetadas em que se apanha a carne seca e mais para o rijo, estava muito tenra e suculenta. Terminei com o naco de novilho, mal passado como se impõe, tenro, delicioso. Fiquei a pensar que talvez tenha sido o melhor bocado de carne de novilho que já comi. Aliás, o mesmo se aplica aos anteriores. Não me lembro de ter encontrado pratos de carne tão boa em algum local. Memorável e talvez irrepetível.
Para sobremesas tivemos acesso a um “buffet” onde se podia escolher entre vários doces tradicionais, entre os quais leite-creme, encharcada e sericaia.
O serviço é altamente eficiente, se bem que tratava-se de uma noite chuvosa de semana e só duas mesas estavam ocupadas. Ficou por saber como será em ocasiões de maior afluência, mas para já a impressão foi a melhor. Em suma, uma refeição soberba e um restaurante que merece figurar, de caras, na galeria dos melhores do país. Nem que tenha de me deslocar de propósito quando já não estiver por cá, mas hei-de lá voltar.
Quanto aos vinhos sugeridos pelo sr. Rolo, fomos para duas estreias, ambas da região: um Gloria Reynolds 2004, um vinho bastante conceituado por estas bandas, e depois um Vale Barqueiros Reserva 2005. Gostei mais do primeiro que do segundo, embora nenhum me tenha enchido as medidas.
O Gloria Reynolds 2004, apresentou-se mais suave e equilibrado, com uma cor rubi carregada, algum frutado na boca no primeiro ataque evoluindo depois para alguma predominância a especiarias. Dando-lhe algum tempo começam a sobressair os taninos que conferem alguma consistência ao conjunto sem contudo imporem a sua presença em demasia. É um vinho que precisa de algum tempo para se mostrar, tornando-se mais persistente quando se procuram as segundas e terceiras impressões.
Já o Vale Barqueiros Reserva 2005, um lançamento mais recente da casa, pareceu ir atrás dos ditames da moda, sendo mais um daqueles vinhos em que tudo é álcool, fruta e taninos a abafarem tudo o resto. Talvez mais alguns anos de garrafa o amaciem, mas para já achei-o algo desequilibrado e cansativo. Aliás, os 15 graus de álcool não enganam, e se é preciso um bom trabalho de enologia para que um vinho destes se torne agradável de beber, parece-me que neste caso o resultado da batuta de Paulo Laureano não foi muito bem conseguido. Já aqui o disse por mais de uma vez, mas para mim a mania do excesso de álcool já deu o que tinha a dar e não contem comigo para suportar essa moda.

Kroniketas, enófilo viajante

Restaurante: Rolo Grelhados do Norte Alentejano
Sítio da Estação - Cabeço de Vide
Telef: 245.638.030
Preço por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 5

Vinho: Gloria Reynolds 2004 (T)
Região: Alentejo (Arronches - Portalegre)
Produtor: Julian Cuellar Reynolds
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vale Barqueiros Reserva 2005 (T)
Região: Alentejo (Alter do Chão)
Produtor: Sociedade Agrícola Vale de Barqueiros
Grau alcoólico: 15%
Castas: Trincadeira, Alicante Bouschet
Nota (0 a 10): 6

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Os vinhos da festa 2007-2008 (4)

No meu copo 166 - Tintos do Alentejo



Ainda continuamos com os vinhos provados durante a quadra festiva do Natal e Ano Novo. Tintos foram vários. Começamos pelos do Alentejo.

Dona Maria 2004 - Outro vinho que é “mais do mesmo”: muita concentração, muita fruta e álcool a mais. Começam a faltar-me palavras para caracterizar este tipo de vinhos, sobre os quais também já me falta paciência para escrever. Depois da saída dos vinhos da Quinta do Carmo das mãos de Júlio Bastos e do lançamento destes vinhos Dona Maria, não sei se com este perfil os novos vinhos irão fazer concorrência aos antigos... Nota: 6

Granja-Amareleja 2004 - Aconselhado no contra-rótulo a beber acompanhando pratos de caça. No entanto revelou um perfil pouco pujante para se bater de igual para igual com este tipo de comida. Talvez precise de uma segunda apreciação, mas apresentou-se com um corpo algo delgado para as pretensões anunciadas. Não deixando de se beber com agrado, ficou um pouco aquém das expectativas, com aroma algo discreto e sem grande persistência. Nota: 7

Herdade do Peso, Alfrocheiro 2000 - Já apreciado aqui, há algum tempo. Perdeu em exuberância aromática o que ganhou em elegância, mas continua a ser um belíssimo vinho. Alguém à mesa disse que seria um bom vinho para alguém que não aprecia vinho começar a provar. Juntamente com o Garrafeira dos Sócios e o Quatro Castas faz o triângulo dos vinhos de que ninguém fala e que fazem as nossas delícias sem custarem uma fortuna. E alguém disse que tem 14 graus? Nota: 9

José de Sousa 2003 - Um clássico do Alentejo, que há muitos anos se chamava “Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes - Tinto Velho”. Modernizou-se, perdeu algum excesso de madeira que por vezes se notava, está mais elegante e frutado. Mas talvez precisasse de um pouco mais de estrutura para se guindar de novo a outro patamar. Nota: 7,5

Singularis 2004 - Uma estreia deste vinho personalizado de Paulo Laureano, numa nova linha de produtos só com castas portuguesas, neste caso Aragonês e Trincadeira. Bom corpo e bastante fruto, alguma especiaria e boa persistência, com um toque de madeira a marcar o fim de boca. Um vinho equilibrado com potencial para acompanhar pratos condimentados. Nota: 7,5

Kroniketas, enófilo retinto

Vinho: Dona Maria 2004 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Júlio Tassara Bastos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Syrah, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 6,75 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Granja-Amareleja 2004 (T)
Região: Alentejo (Granja-Amareleja)
Produtor: Coop. Agrícola da Granja
Grau alcoólico: 14%
Castas: Moreto, Alfrocheiro, Aragonês
Preço em hipermercado: 9,98 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Herdade do Peso, Alfrocheiro 2000 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 14%
Casta: Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 13,50 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: José de Sousa 2003 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 13%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Grand Noir
Preço em feira de vinhos: 6,09 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Singularis, Aragonês e Trincadeira 2004 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Paulo Laureano
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira
Preço em hipermercado: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (XIII)

No meu copo, na minha mesa 165 - Monte da Cal Reserva 2004; A Gruta (Portalegre)

Outro restaurante que teve direito a repetição, tão boa foi a impressão da primeira visita. A Gruta tem sido o restaurante que representa o norte do Alentejo no festival de gastronomia de Santarém e é um dos incontornáveis da cidade.
Logo na entrada, um corredor profusamente preenchido com livros, revistas e garrafas, tudo relacionado com o vinho. Ao entrar na sala, deparamos com um cenário ainda mais preenchido. Algumas das paredes estão repletas de estantes com dezenas de garrafas, existem várias mesas com entradas e sobremesas, o que nos faz sentir quase como estando num santuário gastronómico. Para o cliente mais interessado, estão ali praticamente todos os vinhos alentejanos que se possa imaginar. Foi numa dessas prateleiras que encontrei o Garrafeira dos Sócios de 96 que começou a acompanhar esta refeição, e que já mereceu um post à parte (se ampliarem a segunda foto e olharem bem para a estante mais à direita, podem encontrar lá a garrafa junto a uns varietais do Esporão...).
Passando aos sólidos, a mesa já estava preenchida com uns pratinhos de presunto Pata Negra. A escolha do prato foi difícil, tão variadas e tentadoras eram as propostas, pelo que nos aconselhámos com o sr. Felício, o dono do local. As opções incidem sobretudo nos pratos regionais, como é óbvio, com alguns toques de requinte.
Acabámos por escolher uma canja de pombo para começar, seguindo-se um polvo à Lagareiro e eu escolhi nacos de porco preto, que estavam tenríssimos e muito bem apaladados. Entre as várias sobremesas optei por um doce Dom Duarte, que é uma espécie de fatia de bolo de doce de ovos com cobertura de amêndoa.
Quando o Garrafeira dos Sócios acabou, mudámos radicalmente e experimentámos o Monte da Cal Reserva 2004. É proveniente da Herdade Monte da Cal, próximo de Fronteira. Sinceramente não me despertou grande simpatia. É mais um vinho hiperalcoólico e hiperfrutado, com grande predominância a especiarias. Enfim, começa a ser “mais do mesmo” sempre que encontro este tipo de vinhos que já cansa. Acho que vou começar a olhar para o grau alcoólico antes de comprar, pois esta profusão de vinhos com 14 graus ou mais já começa a não ter graça. Nos últimos tempos, então, principalmente com as colheitas de 2003 e 2004, tem sido demais. Já começo a estar farto.
A segunda visita à Gruta pautou-se por um jantar diferente, em grupo e com ementa já escolhida mas com um buffet de frios e quentes à disposição. Tivemos uma grelhada mista de porco e a acompanhar vinho da casa, em jarro. Como quase sempre acontece com estes vinhos, era bebível... e só isso. Para terminar, buffet de sobremesas à discrição.
Em suma, um restaurante com um excelente serviço e excelente confecção. Tudo levado muito a sério e com muita qualidade. Um local a repetir se houver oportunidade para isso.

Kroniketas, enófilo itinerante

Restaurante: A Gruta
Bairro do Atalaião Velho, 8-A
7300 Portalegre
Telef: 245.201.402
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Monte da Cal Reserva 2004 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Herdade Monte da Cal
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Syrah, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 22 €
Nota (0 a 10): 6

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (XI)

No meu copo, na minha mesa 163 - Muachos Reserva 2003; Casa de Alegrete 2005; O Escondidinho (Portalegre)

Este foi um dos restaurantes a merecer repetição. Fica perto duma das praças principais da cidade, o Rossio, mas à entrada duma rua estreitinha onde quase passa despercebido ao olhar dos transeuntes. Ao entrar deparamos com uma pequena sala com 4 mesas, prolongando-se o espaço para a direita, onde se encontra um bar, a cozinha e as casas de banho e uma sala mais espaçosa, e para a esquerda onde fica a sala mais recatada e acolhedora.
A primeira visita foi antes do Natal e fi-la sozinho. Seguindo a sugestão da casa, escolhi uma das especialidades da casa, um bife vira-vira de coentrada, frito em azeite e temperado com coentros. Extremamente tenro e saboroso. Para sobremesa escolhi um doce tradicional, o fidalgo, uma fatia de doce de ovos, verdadeiramente irresistível. Estando sozinho, não houve grande originalidade na escolha do vinho, tendo optado por um jarro de meio-litro de vinho da casa, da Fundação Abreu Callado. Nada de extraordinário mas perfeitamente aceitável por apenas 2,50 €.
Enquanto jantava na sala mais recatada, fui reparando num armário perto da minha mesa onde algumas garrafas se encontravam em exposição. Foi ali que vi pela primeira vez o Casa de Alegrete, já referido mais atrás, e que mais tarde se tornaria escolha recorrente.
A segunda visita já foi mais preparada, merecendo reserva e encomenda antecipada. Lebre com feijão foi o prato de resistência, não sem que antes aparecessem na mesa alguns acepipes para entrada, entre os quais pernas de rã (sinceramente, não fiquei fã). Como mandam os cânones, a lebre vinha em tacho de barro e deu para ir comendo, comendo, comendo... até fartar. Para sobremesa repetiu-se o inevitável fidalgo, certamente um dos melhores doces à base de ovo que existem, complementado por um bolo de chocolate regado com creme de chocolate que mais parecia mousse... É de lamber os beiços!
O serviço é esmerado e cuidado, sem nada a apontar. Escolhidos os petiscos certos, pode-se ter ali uma excelente refeição com um óptimo atendimento.
Para o vinho, não resisti a repetir o Casa de Alegrete 2005. Confirmou a excelente impressão da primeira prova, e voltou-se a beber quase com sofreguidão. Para complementar com algo diferente escolheu-se um Herdade dos Muachos Reserva 2003. De cor rubi bastante intensa, mostrou bom corpo e estrutura, suave e aromático, com taninos bem domados mas a suportarem um todo persistente sem deixar de ter alguma elegância. Um vinho equilibrado que se bateu bem com o prato de lebre mas que também pode mostrar-se com outros pratos um pouco mais delicados. A rever noutra ocasião.
Em resumo, duas boas refeições, bem acompanhadas por dois bons representantes dos vinhos de Portalegre. Um local que vale a pena (re)visitar.

Kroniketas, enófilo itinerante

Restaurante: O Escondidinho
Travessa das Cruzes, 1 e 3
7300 Portalegre
Preço por refeição: 20-25 €
Nota (0 a 5): 4

Vinho: Casa de Alegrete 2005 (T)
Preço no restaurante: 15 €

Vinho: Muachos Reserva 2003 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: José Carvalho - Sociedade Agrícola (Herdade dos Muachos)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Alfrocheiro, Cabernet Sauvignon (15%)
Preço em hipermercado: cerca de 9 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (X)

No meu copo, na minha mesa 161 - Casa de Alegrete 2005; Caldeirão de Sabores (Portalegre)


Uma das surtidas gastronómicas resultou numa completa revelação, quer a nível do restaurante quer a nível do vinho. O restaurante Caldeirão de Sabores, no bairro dos Assentos, junto à entrada de Portalegre pelo lado sul, é um espaço relativamente pequeno onde tive oportunidade de degustar uma refeição magnífica.
Depois dumas entradas à base de peixe que não fizeram as minhas delícias, passou-se àquilo que interessa: uma empada de lebre e um “magret” de pato (uma espécie de pato estufado fatiado). Tudo acompanhado com uma salada mista para desenjoar.
Ambos estavam excelentes, com natural realce para a empada de lebre, muito macia e apetitosa. Para sobremesa as escolhas foram mais prosaicas: mousse de chocolate e requeijão com doce de abóbora, que cumpriram na perfeição.
O serviço é de grande qualidade e eficiência, apenas com um senão de alguma demora nos pratos, mas dada a especificidade da empada de lebre talvez fosse inevitável essa demora. Um local que se recomenda, portanto.
Conhecido o restaurante, o vinho foi, então, a grande revelação da noite. Já o tinha visto numa montra doutro restaurante e aqui foi a escolha imediata: um Casa de Alegrete, aqui dos arredores (Alegrete é uma povoação que fica na encosta da serra de S. Mamede, uns 10 quilómetros para sueste da cidade). A impressão foi excelente. Um vinho macio, aberto e suave, em que os 14% de álcool estão perfeitamente disfarçados, o que faz com que não se torne cansativo ao contrário de muitos com este grau alcoólico. É um bom exemplo de como um vinho com 14 graus pode ser aveludado. O estágio de 12 meses em madeira dá-lhe alguma consistência, aparecendo aquela bem integrada com os aromas de fruta predominantes no primeiro ataque na boca. As castas Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet (talvez a grande “coqueluche” do Alentejo nesta altura) em harmonia quase perfeita.
É um daqueles vinhos que vão melhorando com o tempo de abertura da garrafa, desenvolvendo uma persistência e um fim de boca prolongado e ao mesmo tempo macio, tornando-se mais apetitoso à medida que os copos se sucedem. Por isso torna-se um vinho guloso, que se bebe com prazer sem se dar por isso, de tal forma que duas pessoas beberam duas garrafas... É um vinho quase desconhecido no panorama nacional, dada a pouca produção que praticamente se esgota no mercado da região, dum produtor (João Torres Pereira) e dum enólogo (Paulo Fiúza Nigra) que desconhecia por completo, mas do qual é praticamente impossível não gostar. Tem um perfil que me agrada sobremaneira, persistente e ao mesmo tempo elegante, aquilo que vai faltando em muitos vinhos “da moda”, particularmente no Alentejo. Decididamente, uma aposta a rever na primeira oportunidade que tiver enquanto ainda estou por cá.
Em suma, uma daquelas refeições para não esquecer: restaurante e vinho excelentes, numa combinação exemplar.

Kroniketas, enófilo itinerante

Restaurante: Caldeirão de Sabores
Travessa Luís Pathe, 12
Bairro dos Assentos
7300-037 Portalegre
Telef: 966.795.751
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Casa de Alegrete 2005 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: João Torres Pereira
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 13 €
Nota (0 a 10): 8,5

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

No meu copo 158 - Quatro Castas Reserva 2001

Há uns 6 anos deparámos com um novo vinho da Herdade do Esporão, denominado Quatro Castas. Tal como acontece com os vinhos da Sogrape, todos os vinhos desta proveniência interessam-nos sobremaneira e este não fugiu à regra.
Rapidamente tratámos de o adquirir e degustar com todo o interesse. O resultado foi... esmagador! Durante algum tempo considerámo-lo um dos melhores vinhos do país (dentro daqueles que conhecíamos, obviamente). E até hoje, excluindo o Torre do Esporão e os Private Selections, que ainda não bebemos, consideramo-lo sem dúvida o melhor vinho da herdade, acima do Esporão Reserva. Convém referir que há mais de 10 anos que conhecemos todos os outros vinhos da Herdade do Esporão, desde o Esporão Reserva, que foi uma das nossas primeiras preferências, passando pelo Monte Velho (de que acompanhámos praticamente todas as colheitas, quando ainda era um VQPRD com 11,5 graus de álcool macio e suave), o Alandra, todos os monocasta (a começar pelo Cabernet Sauvignon, seguindo pelo Aragonês e o Trincadeira, até aos neófitos Bastardo, Syrah, Touriga Nacional e Alicante Bouschet) e o mais recente Vinha da Defesa, sem esquecer os brancos.
O Quatro Castas foi uma surpresa, com um corpo, um bouquet, uma profundidade aromática, uma complexidade e uma persistência extraordinários, e as sucessivas provas confirmaram esta impressão: para nós, tornou-se inquestionavelmente o melhor vinho do Esporão. É um vinho feito com as melhores quatro castas de cada ano vinificadas em partes iguais, pelo que nunca sabemos que castas lá estão em cada colheita (essa informação não é mencionada no contra-rótulo, apenas no site para a colheita apresentada), mas a tendência é para ser entre Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Syrah, Alicante Bouschet, Bastardo e Cabernet Sauvignon (esta ultimamente abandonada nos varietais por, segundo os responsáveis, “perder a tipicidade”). É fermentado durante uma semana a temperaturas controladas em cubas de inox, com maceração prolongada, seguindo-se um estágio de 6 meses em barricas novas de carvalho americano e francês e mais 6 meses em garrafa. Normalmente chega ao mercado já com cerca de 3 anos de idade.
Agora, desde que temos o blog, as provas são mais diversificadas pelo que as oportunidades de repetir são menores. Mas um dia destes provámos a colheita de 2001, que confirmou tudo o que pensamos deste vinho. Não apresentou a exuberância de outros tempos, porque o tempo também não perdoa e nos vinhos do Alentejo ainda menos, mas continua (para nós) a ser um vinho de excepção: o bouquet já é mais discreto, o frutado menos pronunciado e a persistência menos prolongada. Mas as características originais estão todas lá. Além disso, tem um grau alcoólico elevadíssimo mas que não se sente na prova, pois como é apanágio dos vinhos do Esporão, está tão bem feito que não se sente o álcool. Tomara muitos dos vinhos da moda conseguirem ser assim.
Como ainda temos em stock as colheitas de 2002 e 2003, um dia destes vamos voltar à carga com uma comparação das várias colheitas. Porque este é outro daqueles vinhos que quase passam despercebidos, como o Garrafeira dos Sócios de que falámos noutro dia. Porque, como aquele, também não é um vinho da moda, daqueles que nos querem impingir à viva força como sendo os que os consumidores “preferem” (isso ainda está por provar). Pedimos desculpa pelo incómodo e por continuar a fugir à moda, mas para nós este é um vinho de excepção. E ninguém nos desvia daqui.

tuguinho e Kroniketas, enófilos e tal

Vinho: Quatro Castas Reserva 2001 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 15%
Castas: quatro destas, conforme o ano - Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah, Bastardo, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 10,79 €
Nota (0 a 10): 9

sábado, 22 de dezembro de 2007

Krónikas do Alto Alentejo (VII)

No meu copo, na minha mesa 154 - Monte das Servas, Escolha 2005; Adega do Isaías (Estremoz)
Num trajecto de fim-de-semana para Portalegre, parei em Estremoz para almoçar na Adega do Isaías. Era sábado e antes do meio-dia telefonei para marcar uma mesa para 6, mas já não havia, o que diz bem da procura por este local emblemático da cidade. Arriscámos à mesma e fomos procurá-lo. Fica numa rua estreita perto do centro turístico e é relativamente fácil lá chegar a pé (e o Mappy dá uma ajuda). Quase não se dá por ele quando se encontra um local com gente à porta e lá está escrito o nome.
Não havia mesas nem lista de espera, mas resolvemos ficar. Era tarde para tentar outro local. Quando finalmente nos sentámos, após quase uma hora de espera, já havia uma fila na rua. À entrada um grelhador junto á montra. O acesso faz-se por uma passagem estreita. A sala é ao fundo, com mesas corridas e bancos corridos de madeira. Não há janelas nem ventilação. Todos os cheiros dos grelhados ficam impregnados na sala, que começa a ficar com fumo. Dá ideia que era uma taberna que começou a servir petiscos e foi crescendo até se tornar um restaurante com serviço à carta. Mas o estilo continua a ser de adega.
Para o repasto escolhemos migas de espargos com carne do alguidar, burras de porco (o mesmo que as bochechas só que com todo o osso junto) com batatas assadas e depois ainda foi necessário mandar vir um reforço com plumas de porco preto.
As burras não eram muito fartas, pois metade era osso, mas estavam saborosas. Acabaram-se depressa. As migas com carne também apaladadas, mas as plumas que vieram no fim estavam salgadas.
Nas sobremesas, dois clássicos do Alentejo: encharcada e sericaia. Eu optei pela encharcada, um dos meus doces favoritos. Irrepreensível.
O serviço de vinhos também está próximo da taberna. Pedimos um Monte das Servas Escolha, ali de perto, mas os copos eram quadrados, iguais aos da água. Ainda pedi copos para vinho e trouxeram outros iguais. Desisti, não valia a pena explicar o que queria, apesar de haver mesas à volta a beber vinho em copos decentes.
Este Monte das Servas, que há alguns anos conheci com outro rótulo, parece agora mais estilizado. Mais frutado, com mais especiarias, mais taninos e persistência. No entanto, aparece como mais um vinho carregado de álcool. Bateu-se bem com os pratos deglutidos, mas temo que se torne um pouco cansativo.
Quando bebi este vinho pela primeira vez, era muito carregado, muito encorpado, com aromas mais fechados, pujante e com boa persistência mas sem ser agressivo. Agora o álcool abafa quase tudo. Confesso que começo a ficar um pouco saturado destes vinhos com 14 graus, o que no Alentejo é corriqueiro. Felizmente, parece que a tendência está a desaparecer, para que voltemos a ter mais aromas e mais vinhos diferenciados. Com tanto álcool, tanta concentração e tanta fruta, começo a não conseguir distingui-los uns dos outros.
Acabámos por sair sem perceber bem as razões de tanta fama para este restaurante. A comida não é nada de extraordinário, o serviço tão-pouco, e as condições de segurança deixam muito a desejar. Não há portas de emergência, não há janelas, toda a gente está acantonada no fundo da sala, donde se houver um acidente não se consegue sair, pois o único acesso é estrangulado. Pode ter sido uma casa muito típica que fez o seu nome assim, mas actualmente não me pareceu que marque a diferença.

Kroniketas, enófilo itinerante

Restaurante: Adega do Isaías
Rua do Almeida, 21
7100-537 Estremoz
Telef: 268.322.318
Preço médio por refeição: 14 €
Nota (0 a 5): 3

Vinho: Monte das Servas, Escolha 2005 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Herdade das Servas
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 4,48 €
Nota (0 a 10): 7

domingo, 16 de dezembro de 2007

Krónikas do Alto Alentejo (VI)

No meu copo, na minha mesa 152 - Dom Martinho 2004; Restaurante Poeiras (Portalegre)
Mais uma visita gastronómica em Portalegre. Desta vez não foi nenhuma escolha preparada, tratava-se apenas de encontrar um local para jantar. Passando à porta de alguns, olhando lá para dentro e para a ementa, escolhemos um em pleno centro histórico, ao lado do Governo Civil, na Praça da República, local de esplanadas, bares e estudantes, talvez o local mais movimentado na pouca animação nocturna da cidade.
Franqueadas as portas de vidro, deparámo-nos com um restaurante de aspecto mais ou menos comum, onde duas televisões transmitiam um jogo de futebol do campeonato, de dimensão média, sem grandes sofisticações mas acolhedor.
A ementa não é muito vasta mas a oferta é simpática. Comecei por uma cremosa sopa de feijão generosamente servida no prato fundo, enquanto esperava por umas bochechas de porco estufadas com batatas salteadas. A carne estava tenríssima e muito saborosa, separada dos ossos, em dose avantajada que ainda dava para outra refeição.
Para sobremesa havia a tentação da encharcada, mas foi escolhido um caseiro Doce São Bernardo, feito à base de amêndoa, ovo e canela. Um doce muito consistente, algo enjoativo como acontece muitas vezes com os doces de amêndoa, mas agradável de comer se não for em quantidade exagerada.
Em resumo, outro restaurante onde se pode almoçar ou jantar com qualidade, ter um bom atendimento e não pagar um preço excessivo.
Para acompanhar continuei nos vinhos norte-alentejanos, desta vez descendo um pouco até Estremoz, concretamente à Quinta do Carmo. Escolhi o parente mais pobre do Quinta do Carmo, um Dom Martinho de 2004, que deve o seu nome a uma parcela da Quinta do Carmo com o mesmo nome.
É um vinho frutado e com algum aroma floral, com corpo e final médio. Não apresenta nenhuma característica que se destaque, pelo que se fica pela mediania. Bebe-se com facilidade, não desagrada e também não encanta.

Kroniketas, enófilo itinerante

Restaurante: Poeiras
Praça da República, 9 a 15
7300-109 Portalegre
Telef: 245.201.862
Preço médio por refeição: 12 €
Nota (0 a 5): 3,5

Vinho: Dom Martinho 2004 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Quinta do Carmo
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Syrah
Preço em feira de vinhos: 5,54 €
Nota (0 a 10): 6,5

terça-feira, 24 de julho de 2007

No meu copo 131 - Vale de Ancho Reserva 2004

Tudo tem a sua época: há a época da caça, a época do futebol, a época das comezainas… E foi mesmo com o intuito de encerrar a época (isto apesar de no defeso se realizarem sempre uns repastos particulares e de preparação) que voltámos ao local do crime, salvo seja. Sim, adivinharam, voltámos à Petisqueira do Gould! Aliás, já perguntámos ao proprietário se não tinha nenhum sistema de passe ou de refeições pré-compradas. E a Petisqueira porquê? Porque só o núcleo duríssimo dos Comensais Dionisíacos conhecia o amesendamento e os outros membros já andavam aguados... Juntou-se assim a cambada, 5 bandalhos (pois, não reunimos o pleno...) à mesa de jantar numa sexta-feira de um Verão mesquinho, dispostos a passar um bom bocado (embora alguns preferissem o pastel de nata...). Já aqui avaliámos o restaurante, pelo que apenas vou referir o que foi deglutido pelos mastigadores impiedosos: um par optou pelo tornedó à portuguesa, suculento e no ponto, acolitado por batata às rodelas finas e por grelos salteados, outro por uma alheira de caça e um outro par optou pelo peixe, no caso filetes de peixe galo com arroz mariscado e pregado frito com açorda de ovas. Para beber pedimos um Vale de Ancho Reserva, que já nos andava debaixo de olho, além de já nos ter sido recomendado por outros apreciadores.
De uma cor granada, sem ser retinto, o vinho mostrou um excelente corpo e taninos suaves e sem arestas, completamente pronto a beber. Na boca revelou sabor a ameixa muito suave e, quando agitado e provado a seguir, apresentou couro, com um ligeiro fumado por trás (devo dizer que não mastigámos o couro, pois era rijo como tudo...). O aroma, não sendo exuberante, tinha lá tudo o que um vinho moderno e bem feito consegue tirar das duas castas de que este Vale de Ancho também foi feito. Ainda se bebeu também um Convento da Tomina, mas isso são outras histórias, e sobre esse já aqui falámos há quase um ano.
Em suma, belo vinho, prontíssimo a beber, forte sem ser agressivo, de bons aromas e melhores sabores. O único senão é o preço, mas aqui aplicam-se as regras do mercado: quando a produção é limitada, se o produto é bom o preço é alto. Mas, correndo o risco de nos repetirmos, um dia não são dias, a vida é curta e assim por diante, portanto, que se lixe!
À vossa!

tuguinho, enófilo esforçado e porta-voz fiel do grupelho

Vinho: Vale de Ancho Reserva 2004 (T)
Região: Alentejo (Montemor-o-Novo)
Produtor: Soc. Agrícola Gabriel Francisco Dias & Irmãs
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 68 €
Nota (0 a 10): 8,5

terça-feira, 12 de junho de 2007

No meu copo 120 - Herdade Penedo Gordo: branco 2006, tinto 2005


Uma cerimónia religiosa seguida do tradicional almoço trouxe-me ao copo dois vinhos alentejanos cuja existência eu desconhecia. Para localizar a sua origem tive que fazer uma pesquisa de modo a localizar Orada no código postal 7150. Resultado: concelho de Borba. E lá provámos o branco e o tinto da Herdade do Penedo Gordo.
O branco de 2006 foi bebido com o prato de peixe, um arroz de marisco com tamboril, ou arroz de tamboril com marisco... Como me acontece quase sempre com os brancos alentejanos, não me agradou. É rústico, pouco aromático, falta-lhe elegância, como a (se calhar, digo eu...) 99% dos brancos alentejanos. Não deixa memórias.
Quanto ao tinto de 2005, a acompanhar lombinhos de porco com castanhas, embora bem mais bebível, também não trouxe nada de novo. Mostrou um carácter predominantemente frutado, tanto no nariz como na boca, embora tivesse evoluído, ao fim de algum tempo, para um fim de boca mais prolongado e marcado por especiarias. Só que... no meio de tantos, ficou-me a sensação de ser apenas mais um para engrossar a interminável lista de novos produtores, mas que dificilmente marcará alguma diferença. Até porque no panorama actual não é fácil.
Não faço ideia do preço destes vinhos, mas pelo seu perfil calculo que andem pelos 4 ou 5 euros. Posicionam-se, certamente, na gama média ou média-baixa. A verdade é que uma semana depois já não me lembrava do nome. Se não fossem as fotos tinham passado rapidamente ao esquecimento.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Borba)
Produtor: António M. Esteves Monteiro

Vinho: Herdade Penedo Gordo 2006 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Antão Vaz, Roupeiro
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 5

Vinho: Herdade Penedo Gordo 2005 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Touriga Nacional
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 6

sexta-feira, 20 de abril de 2007

No meu copo 107 - Quinta da Alorna 2004


No meio de tantos vinhos de gama baixa que não passam da vulgaridade que temos apreciado nas últimas semanas, encontrámos outro no Ribatejo que se destaca da mediana: o Quinta da Alorna 2004. Não é Reserva, não é Colheita Seleccionada, não é monocasta, é simplesmente o Alorna. E é bom.

Tem outro aroma logo na prova, outra estrutura na boca, outra complexidade, outro final, com um leve toque a especiarias e ligeiro frutado, com taninos redondos mas presentes, a pedir uma carne mais bem temperada ou mesmo um prato de caça.

Não sendo excepcional nem deixando de ser um vinho da mesma gama dos anteriores, neste a matéria-prima parece ter sido mais bem tratada, o que confirma a razão pela qual muitas vezes temos preferências pelos vinhos de certas casas. São aquelas em que mesmo os vinhos menos bons... são sempre bons. É o caso desta Quinta da Alorna com esta entrada de gama que não envergonha ninguém.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quinta da Alorna 2004
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Syrah, Castelão, Alicante Bouschet

Preço em feira de vinhos: 2,68 €
Nota (0 a 10): 7

terça-feira, 17 de abril de 2007

No meu copo, na minha mesa 106 - Casal da Coelheira Reserva 2003; Chico Elias (Tomar)



Este é um daqueles restaurantes que aparecem em todos os roteiros gastronómicos, tendo granjeado tal fama que só se consegue lá ir marcando mesa com antecedência. Fica situado no lugar de Algarvias, na periferia de Tomar.
Fui lá almoçar num domingo e cheguei cedo, quando o restaurante ainda estava vazio. Existe uma primeira sala que dá acesso à sala maior, decorada com alguns motivos alusivos ao Ribatejo. Uma das principais referências da ementa é o coelho na abóbora e foi esse o prato previamente encomendado. O dito animal vem cozinhado dentro duma abóbora, cujo tamanho varia com o tamanho da dose, sendo acompanhado por batatas e grelos cozidos. Para quatro adultos e duas crianças calhou-nos uma abóbora… enorme, donde sobrou quase metade.
O coelho vem cozido num molho muito espesso que só é entrecortado pelos legumes do acompanhamento. Come-se, come-se, e aquilo nunca mais acaba. Convém não esquecer que antes do prato propriamente dito, vêm para a mesa uma série de entradas que desde logo enchem metade do estômago se formos atrás do engodo: feijoada de caracóis (picante), morcela de arroz e petingas no forno.
Quando finalmente somos derrotados pela quantidade de comida, abre-se outro leque de escolhas para a sobremesa, onde acabámos por cair no tradicional leite-creme.
E depois deste fartanço, perguntam vocês, qual é o balanço? Pois digo que todos esperávamos... não mais, mas melhor. Tudo em grande quantidade, mas a qualidade não é nada de extraordinário que justifique tanta fama. Estaremos perante um daqueles casos em que se adormece à sombra da fama adquirida, ou será que a fama é mais artificial do que merecida? Já me aconteceram outros casos de grandes famas não corresponderem à realidade encontrada, como foi o caso do Ramalhão, em Montemor-o-Velho. Enfim, vale a pena a experiência, mas fica aquém da expectativa criada por tanta publicidade. O Expresso, por exemplo, deu-lhe “garfo de ouro” em 2004, 2005 e 2006. Vale a pena ir ao site do jornal e ver os comentários dos leitores na secção “Boa cama, boa mesa”.
Quanto ao vinho, as opções não eram muito variadas, e mais uma vez houve alguma dificuldade para encontrar um vinho da região (Ribatejo) de qualidade, como já tinha acontecido no Almourol. Para não cairmos sempre nos alentejanos, escolhemos um tinto Casal da Coelheira Reserva de 2003. Diga-se que não passa da mediania. É um vinho medianamente encorpado, não muito robusto e não muito aromático. Está longe de outros como os Fiúza, os Casa Cadaval ou o Falcoaria, por exemplo, e também não parece querer ir muito mais além.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Chico Elias
Rua Principal, 70 - Algarvias
2300-302 Tomar
Telef: 249.311.067
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 3,5

Vinho: Casal da Coelheira Reserva 2003 (T)
Região: Ribatejo
Produtor: Centro Agrícola de Tramagal
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvigon, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 10 €
Nota (0 a 10): 5,5

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

No meu copo 90 - Pinheiro da Cruz


O primeiro contacto que tive com este vinho foi na já longínqua colheita de 1991, então através duma amiga que tinha contactos com alguém que adquiriu a garrafa directamente na produção. Tinha um carimbo no rótulo com o ano de colheita e a indicação original no brasão de que provinha da prisão de Pinheiro da Cruz, ali para os lados de Grândola e Melides.
Era um vinho surpreendente, com um perfil um pouco rústico, cheio de corpo e robustez, daqueles vinhos que se “mastigam” e nunca mais acabam. Rapidamente se revelou apropriado para se bater com pratos bem fortes e condimentados, e ao longo dos anos tive oportunidade de comprar e beber algumas vezes em restaurantes. Uma das melhores combinações que encontrei foi com um arroz de lebre muito condimentado, malandrinho e com um molho muito espesso que comia no Barrote Atiçado, na Pontinha, às portas de Lisboa (que entretanto mudou de nome para António do Barrote e de local para o Parque Colombo, em Carnide). “Aquele” Pinheiro da Cruz era perfeito para a pujança daquele prato.
Nessa altura era quase uma raridade e difícil de comprar fora da própria prisão, embora o Pingo Doce tivesse desde logo lançado a colheita de 1992 numa das suas feiras. Também por isso era caro quando aparecia. O exemplar de 1997 que aqui vos apresentamos foi um de 3 exemplares adquiridos por 2775$ (13,84 €) na feira de vinhos do Continente de 1999. Em 2005, no Corte Inglês, uma garrafa de 2002 custou 12,95 €.
Com a instauração de uma série de novas regiões vitivinícolas de norte a sul, nomeadamente a criação das DOC Alentejo, Ribatejo e Estremadura e ainda os vinhos regionais, o Pinheiro da Cruz, que entretanto alargara a produção, deixou de ser vinho de mesa como era originalmente e pretendeu também ser classificado com uma denominação de origem. Tinha todas as características do vinho alentejano, mas surpreendentemente começou a aparecer como Vinho Regional Terras do Sado a partir da colheita de 98. O rótulo estilizou-se, passou a haver informação no contra-rótulo e a indicação das castas utilizadas. E, para satisfazer as exigências da denominação de origem (certamente a burocracia impediu que fosse classificado como vinho alentejano), descaracterizou-se. A primeira colheita com o novo rótulo mostrou um vinho muito mais aberto e frutado que os anteriores, deixando de ser aquele vinho poderoso que fora até aí. Em suma, acabou por vulgarizar-se.
Deve ter sido também devido a isso que foi possível aumentar significativamente a produção e encontrá-lo agora à venda a uns módicos 6,44 € na feira de vinhos da Makro. É mais acessível, mas eu preferia o perfil antigo e mais caro.
Nos últimos meses fui à garrafeira buscar os exemplares que lá tinha, de 97, 99 e 2003. O primeiro e o último foram bebidos no recente jantar de javali com a “cambada”. O de 97 foi decantado com todos os cuidados para evitar a passagem de borras para os copos e para lhe dar tempo de respirar. Revelou-se ainda em excelente forma, a fazer lembrar os mais antigos, embora com esta idade tivesse já perdido a pujança inicial, mas ainda se bateu excelentemente com o javali. Já o de 2003, mais frutado e leve e sem aquela robustez anterior, ainda assim aguentou-se no balanço. Quanto à colheita de 99, bebida há algum tempo a acompanhar uma lebre, já não tinha a frescura inicial mas aproximava-se mais das características do de 97 e também se bateu bem com a caça.
Curioso é ver a informação do contra-rótulo, de que apresentamos aqui o de 2003 (clique na imagem para ampliar). O de 99 era composto pelas castas Periquita, Trincadeira, Alicante Bouschet e Aragonês, mas ao de 2003 ainda foram acrescentadas a Syrah e a Cabernet Sauvignon, ou seja, estamos perante as castas da moda para fazer um vinho que acompanhe a moda. Mais curioso ainda é observar a evolução do grau alcoólico de colheita para colheita: de 12,5% em 1997 para 13% em 1999 e 14% em 2003, a seguir a tendência da moda.
De realçar que deste último contra-rótulo desapareceu a frase assassina “A sua alma nasce do sentimento que os reclusos põem neste trabalho que os liberta”. Que o trabalho liberta era a frase que esperava os presos à entrada do campo da morte de Auschwitz. Há ideias que nunca se deviam ter.
Enfim, o Pinheiro da Cruz já não é aquele vinho que nos surpreende no primeiro impacto, mas ainda assim continuamos a achar que vale a pena tê-lo na garrafeira. Até porque agora se tornou bem mais acessível.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pinheiro da Cruz 97 (T)
Região: Vinho de mesa
Produtor: Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em feira de vinhos: 2775$
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Pinheiro da Cruz 99 (T)
Região: Terras do Sado (Grândola)
Produtor: Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz
Grau alcoólico: 13%
Preço: cerca de 12 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Pinheiro da Cruz 2003 (T)
Região: Terras do Sado (Grândola)
Produtor: Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonês, Syrah, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 6,44 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

No meu copo 88 - Herdade da Figueirinha 2004

No meio da profusão de marcas de vinho alentejano que invadem as prateleiras dos supermercados, fomos encontrar este com o selo de “Melhor compra de 2006” da Revista de Vinhos.

Melhor compra porquê, perguntam vocês? Talvez pelo preço, pouco mais de 3 euros. Mas no conjunto não pareceu acrescentar grande coisa às centenas de marcas já existentes. Não tendo excesso de álcool (parece estar a tornar-se cada vez mais frequente o reaparecimento de vinhos com teor de álcool “normal”), mesmo assim pareceu não ter corpo nem acidez para aguentar os 13,5º, fazendo uma prova de boca algo desequilibrada, onde o álcool se sente em demasia. Ao contrário do que é dito no contra-rótulo.

Seguindo também a tendência da moda, utiliza a casta Alicante Bouschet, cada vez mais implantada nos vinhos alentejanos, além de Cabernet Sauvignon, Aragonês e Trincadeira. A matéria-prima é promissora mas... parece ficar aquém de mais qualquer coisa. Algo delgado e a tender para o vulgar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Herdade da Figueirinha 2004 (T)
Região: Alentejo (Beja)
Produtor: Sociedade Agrícola do Monte Novo e Figueirinha
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon

Preço: cerca de 3,30 €
Nota (0 a 10): 5,5

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

No meu copo, na minha mesa 86 - Herdade dos Grous 2004; Três Bagos, Sauvignon Blanc 2003; Restaurante O Orelhas



Foi com alguma expectativa que me desloquei a este restaurante às portas de Lisboa, na localidade de Queijas, entre Carnaxide e o Estádio Nacional. Havia muitas e boas referências ao mesmo, quer em termos da comida quer da garrafeira, e até das possibilidades de conseguir uma vaga, pois só com marcação se consegue lá ir. E às vezes, quando as expectativas são muito altas, acabam por sair defraudadas.
Não digo que a minha visita ao Orelhas tenha sido decepcionante, mas ficou um pouco aquém do esperado. Desde logo, um aspecto desagradável é a má renovação do ar, pois os cheiros da cozinha, que fica à vista da sala, vão-se acumulando tornando-se um pouco sufocantes e entranhando-se na roupa. Quando se sai de lá, todos nós cheiramos a fumo de fritos ou grelhados.
Em termos de atenção, dificilmente seria melhor. Os empregados estão sempre em cima do acontecimento e respondem aos pedidos com rapidez. Nessa atenção está incluída a sugestão dos pratos e dos vinhos a escolher. E aqui é que as coisas se passam de modo diferente do habitual. Não há uma ementa para escolher: somos perguntados se queremos carne ou peixe e em função da preferência são dadas 2 ou 3 opções, que no caso da carne era só uma, costeletas de cabrito fritas em azeite e alho, em que recaiu a minha preferência. No caso do peixe, a escolha (largamente maioritária, aliás), foi robalo grelhado.
No meu caso as costeletas de cabrito cumpriram satisfatoriamente a função mas esperava mais, dada a qualidade da matéria-prima. Do robalo não posso falar porque não o provei, mas sei que 11 pessoas pagaram cerca de 255 € pelo peixe!
No caso dos vinhos, outra grande fama da casa, é de ficar sem respiração: a vasta carta, bem recheada com vinhos de qualidade de todas as regiões, é completamente proibitiva em termos de preços. A esmagadora maioria dos vinhos estão listados a mais de 100 € a garrafa, sendo que não mais de 5, no total, custavam menos de 20 €. Seguramente mais de 90% das opções custam mais de 50 €. Um despautério!
Assim sendo, as escolhas para quem não quer pagar por uma garrafa de vinho mais que o preço de todo o jantar, tem pouco por onde escolher. A nossa escolha seria um Duas Quintas branco, a 14 €, e um Monte da Peceguina tinto, a 15 €, mas o empregado que nos atendeu orientou-nos noutro sentido, e trouxe um Três Bagos, de Sauvignon Blanc, e um Herdade dos Grous.
O Três Bagos não agradou a ninguém. Um sabor enjoativo, demasiado amanteigado, e pouco aroma. Uma surpresa pela negativa. Tendo em conta experiências anteriores com esta casta, e à semelhança da Chardonnay, começo a desconfiar que estas castas brancas francesas não têm grandes condições para dar bons vinhos em Portugal, ao contrário das tintas, talvez devido ao clima. Provavelmente precisam de climas mais frios para darem vinhos com maior frescura e suavidade, ao passo que as tintas beneficiam de maior calor para dar vinhos mais macios. Recordo que ainda o ano passado bebi dois excelentes vinhos franceses destas castas, e não deve ser por acaso que não gostei das versões portuguesas.
Quanto ao tinto, um dos recentes vinhos alentejanos, de Albernoa, entre Beja e Castro Verde, portou-se bem. De cor carregada, aroma frutado, encorpado e macio na boca. Feito a partir das castas Aragonês, Alicante Bouschet, Syrah e Touriga Nacional, apresenta uma acidez bem equilibrada com a madeira e com o álcool, que foge à tendência actual do exagero, ficando-se por uns razoáveis 13,5 graus, que não abafam os aromas e paladares do vinho. Não me parecendo excepcional, mostrou-se elegante e equilibrado, tendo todas as condições para agradar. É um vinho de perfil moderno, fácil de beber já, que certamente vai merecer novas oportunidades de prova.
Globalmente, a refeição foi agradável mas as diversas condicionantes apontadas fizeram com que as expectativas saíssem algo defraudadas. As escolhas são demasiado limitadas e os preços, definitivamente, não são nada meigos. Por um preço semelhante comemos bem mais e melhor na Travessa do Rio.

Kroniketas, enófilo esforçado

Restaurante: O Orelhas
Rua Cesário Verde, 80 - Loja F
2795 Queijas
Telef: 21.416.45.97
Preço médio por refeição: 35 €
Nota (0 a 5): 3,5

Vinho: Três Bagos, Sauvignon Blanc 2003 (B)
Região: Douro
Produtor: Lavradores de Feitoria
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 4

Vinho: Herdade dos Grous 2004 (T)
Região: Alentejo (Albernoa)
Produtor: Herdade dos Grous
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Touriga Nacional, Syrah
Preço em feira de vinhos: 8,40 €
Nota (0 a 10): 7