


Há alguns meses fui levado por um amigo a descobrir um restaurantezinho meio escondido na Rua das Amoreiras, em Lisboa. Chama-se A Taverna, restaurante típico e passa praticamente despercebido na sua porta negra de metal, ali mesmo em frente ao jardim das Amoreiras.
O ambiente é acolhedor e recatado, bom para refeições sossegadas. A ementa está escrita à mão numa espécie de lampião, a decoração é sóbria, com algumas referências à Lisboa antiga, a puxar para o rústico e, talvez, para o ambiente das casas de fado.
Começámos por ir debicando nas entradas um queijo fresco que estava demasiado salgado, pelo que não agradou muito. Para os pratos as escolhas recaíram em petinga frita com açorda e no meu caso em entrecosto no forno. Vinha bem apaladado e acompanhado com batatas assadas e castanhas com uma cebolada por cima.
Para sobremesa optámos pela sericá/sericaia, que merece honras de destaque na casa, pois até existe um folheto explicativo da sua origem. Há algum tempo tivemos aqui um bate-boca com o Copo de 3 por causa disto, e afinal agora surge um folheto que nos diz que a sericaia foi trazida de Malaca pelos nossos marinheiros em 1511... A verdade é que fez jus ao que se espera, e ficámos satisfeitos.
O serviço é simpático e atento, sem grandes salamaleques mas eficaz. Pelo preço e pela qualidade vale a pena lá voltar.
Para acompanhar a refeição a escolha recaiu num Tinto da Ânfora, vinho alentejano produzido pela Bacalhôa na Herdade das Ânforas, perto de Arraiolos. Mostrou-se bem encorpado e predominantemente frutado, com um final persistente mas pecando (mais uma vez) pelo excesso de álcool que o tornava um bocado cansativo. Bebe-se sem sacrifício mas corre o risco de fartar.
Restaurante: A Taverna
Rua das Amoreiras, 47
1250-022 Lisboa
Telef: 21.387.49.00
Preço por refeição: 24 €
Nota (0 a 5): 4
Vinho: Tinto da Ânfora 2006 (T)
Região: Alentejo (Arraiolos)
Produtor: Bacalhôa Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Trincadeira
Preço em hipermercado: cerca de 6 €
Nota (0 a 10): 6,5
domingo, 29 de junho de 2008
No meu copo, na minha mesa 186 - Tinto da Ânfora 2006; A Taverna (Lisboa)
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quarta-feira, 25 de junho de 2008
No meu copo 185 - Dão Milénio, Touriga Nacional e Aragonês 2004
Certo dia, ao almoço num restaurante de Lisboa, vi a alguns lugares no balcão onde me encontrava uma garrafa de vinho com um rótulo e um nome que não conhecia: Milénio. Perguntei ao empregado que vinho era aquele e ele mostrou-me uma garrafa. Vinho do Dão, de Penalva do Castelo. Como na ocasião ia lá almoçar todos os dias, resolvi num dia subsequente em que tinha companhia pedir uma garrafa daquele para experimentar.
Devo dizer que desde sempre (quando comecei a beber vinho) fui um apreciador dos tintos do Dão, que não costumam ser devidamente valorizados. Aprecio a macieza, a suavidade, a elegância destes tintos, que acho que não tem igual no país. Mas a moda leva os consumidores por outros caminhos...
Provado este Milénio, feito com as castas Aragonês e Touriga Nacional, fiquei bastante agradado com o resultado (aliás, são as duas castas rainhas nas regiões mais a norte; só não percebi o porquê de o Aragonês não aparecer aqui com o nome de Tinta Roriz). Veio ao encontro do que eu esperava . Uma bela cor rubi, um aroma profundo num misto entre a flor e os frutos silvestres, muito redondo na boca mas com bom corpo e um final persistente mas suave.
Mais tarde procurei este vinho nas prateleiras dos supermercados e acabei por encontrá-lo a um preço muito convidativo e obviamente trouxe um exemplar para casa. Dentro dos vinhos bons a baixo custo, este foi um dos que mais me agradaram nos últimos tempos. Considero-o uma excelente aposta para o dia-a-dia e uma boa companhia para pratos de carne suaves e com algum requinte. Valerá a pena olhar melhor para os vinhos deste produtor, pois se este entra na gama baixa é capaz de haver produtos bem interessantes na gamas superiores.
Quanto a nós, é mais um nome que acrescentámos à nossa lista dos recomendáveis.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Milénio 2004 (T)
Região: Dão
Produtor: Adega Cooperativa de Penalva do Castelo
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7,5
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quarta-feira, 28 de maio de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XXIV)
No meu copo, na minha mesa 180 - .com 2005; São Rosas (Estremoz)

Foi a minha despedida do Alto Alentejo e das minhas actividades em Portalegre. Com o carro carregado até acima, saí à hora de almoço e em Estremoz fiz a segunda tentativa no São Rosas, o restaurante de Margarida Cabaço (produtora do vinho Monte dos Cabaços) e uma das principais referências gastronómicas da região, dentro das muralhas do castelo. Desta vez estava aberto. Lá deixei o carro com a bagagem à vista ali no largo junto à pousada e não me arrependi.
O espaço não é muito amplo mas mostra-se bastante acolhedor, quase intimista (não tanto como na Cadeia Quinhentista, mas ainda assim...). A zona de refeições fica mais abaixo, à esquerda, e à direita fica um pequeno balcão com o bar, pelo que o visitante tem uma perspectiva de todo o estabelecimento quando franqueia a porta de entrada.
Estando sozinho, fui conduzido à mesa mais ao fundo, ao canto da sala e junto a uma série de prateleiras onde repousam variadas garrafas de vinho, com os respectivos locais devidamente catalogados. Para beber uma era só esticar um braço e tirá-la...
A ementa apresenta-nos uma enorme variedade de opções de pendor regional, mas sendo eu um amante da caça (no prato, não para ir caçar) voltei a optar por um prato de perdiz, tal como tinha feito na Cadeia Quinhentista. Desta vez com o nome Perdiz à Glória, estufada e regada com molho de azeite, acompanhada com batatas, couve e esparregado. Uma verdadeira delícia.
Na sobremesa voltei a deixar-me seduzir pelos doces conventuais e terminei em beleza com uma excelente encharcada.
Para acompanhar estes pitéus escolhi meia garrafa do vinho do “filho da patroa”, como lhe chamou o empregado que me atendeu: o .com, produção de Tiago Cabaço que resolveu voar sozinho. E parece fazê-lo bem. Apesar dos 14 graus de álcool, apresentou-se muito equilibrado, sem aquele perfil pesado e enjoativo que tenho notado em muitos destes vinhos hiper-alcoólicos. Predomina a fruta e mostra-se macio, os taninos estão bem domados e envolvidos por um bom corpo. Pareceu-me ser uma aposta simpática e bem conseguida.
O serviço é 5 estrelas, mais uma vez com grande profissionalismo e eficiência, sem qualquer falha. No final duma excelente refeição não deixei de dar os parabéns ao responsável. Foi o que se chama terminar em beleza e com a certeza de que hei-de lá voltar. Este entra no rol dos obrigatórios.
Kroniketas, gastro-enófilo viajante
Restaurante: São Rosas
Largo D. Diniz, 11
7100-509 Estremoz
Tel: 268.333.345
Preço por refeição: 33 €
Nota (0 a 5): 5
Vinho: .com 2005 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Tiago Cabaço
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 2,98 €
Nota (0 a 10): 7
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domingo, 18 de maio de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XXII)
No meu copo, na minha mesa 178 - Lóios 2006; Cadeia Quinhentista (Estremoz)

De passagem por Estremoz, depois da visita ao Monte da Caldeira de João Portugal Ramos, fui à procura do famoso restaurante São Rosas, junto à Pousada de Santa Isabel. Logo por azar estava fechado. Fiquei por ali a ver a paisagem lá em baixo, a dar uma vista de olhos à pousada quando o meu olhar pousou numa placa que indicava “Cadeia Quinhentista”, que já alguém me tinha referido, para uma rua estreitinha que saía junto da pousada. Fui ver o aspecto e entrei, atraído pelas opções de caça da ementa. Ainda cá fora, para além da ementa está uma explicação sobre a história do edifício. Ali funcionou a cadeia de Estremoz. Depois de abandonada, o actual dono, que entretanto tinha saído da Pousada de Santa Isabel, negociou com a Câmara Municipal a reconversão do edifício para restaurante, e assim nas antigas masmorras repousam agora as mesas do restaurante e um bar (no piso superior há outro bar).
O ambiente é acolhedor, estando o interior decorado com cores quentes, em tons de vermelho, há música ambiente a dar as boas vindas ao cliente. Era dia de semana, ao almoço, pelo que não havia muita gente. Fui conduzido por uma simpática senhora a uma mesa na sala mais interior e sentei-me junto a uma janela fechada a grades.
Estando sozinho, não havia grandes possibilidades de fazer escolhas muito complicadas, mas entre as elaboradíssimas opções existentes na carta comecei por uma canja de perdiz, seguindo-se como prato principal meia perdiz marinada em azeite, que veio decorada com pequeninos bagos de uva e castanhas. Ambos estavam excelentes, com a perdiz em azeite a mostrar aromas diferentes do habitual mas muito bem confeccionada.
Para sobremesa um doce incontornável do Alentejo, que repeti sempre que pude, tal como a encharcada: a sopa dourada, irrepreensível, um daqueles doces que fazem a delícia de quem gosta de doces à base de ovos.
Finalmente, o vinho. Tive que optar por meia garrafa e a escolha recaiu num vinho de João Portugal Ramos, o Lóios. Não sendo nada de extraordinário, faz parte daquele lote de vinhos que, sendo baratos, são agradáveis e fáceis de beber. Embora os 14% de álcool se façam sentir, mostra alguma macieza e uma predominância frutada, com alguma persistência final. Um vinho agradável sem grandes complexidades nem pretensões.
A par de tudo isto, um serviço excelente, competentíssimo, atento, eficiente e simpático. A meio da refeição o próprio dono veio ter comigo para saber se estava tudo a decorrer a contento. A senhora que me conduziu à mesa e me atendeu durante a refeição mostrou ter formação na matéria, tal o profissionalismo que demonstrou ao longo de todo o serviço. O preço faz-se sentir mas pela elevada qualidade do serviço acaba por não ser excessivo. É um local a voltar para uma refeição calma em ambiente recatado.
Kroniketas, enófilo viajante
Restaurante: Cadeia Quinhentista
Rua Rainha Santa Isabel
7100 Estremoz
Telef: 268.323.400
Preço por refeição: 35 €
Nota (0 a 5): 5
Vinho: Lóios 2006 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Castelão e outras
Preço em feira de vinhos: 2,64 €
Nota (0 a 10): 6,5
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quinta-feira, 8 de maio de 2008
No meu copo 177 - Herdade do Peso Reserva 2002; Herdade do Peso Trincadeira 2000

Aproveitando uma folga de ambos, os bandalhos que fazem este blog resolveram fazer uns bifes a acompanhar umas garrafas. A escolha dos líquidos recaiu em dois vinhos da Herdade do Peso, a propriedade da Sogrape no Alentejo, na zona da Vidigueira, perto das Cortes de Cima e do novo projecto de Paulo Laureano.
Em provas anteriores já tínhamos apreciado o Alfrocheiro e o Aragonês e há algumas semanas estive numa prova de alguns destes vinhos na Wine O’Clock, na qual se destacou naturalmente o Reserva, que é feito precisamente com uma combinação daquelas duas castas e nesta prova mais demorada não nos decepcionou. Mostrou um aroma profundo com destaque a frutos vermelhos, alguma especiaria mas bastante discreta, bem estruturado na boca com a madeira muito bem casada e taninos muito firmes mas bem domados, terminando suave, longo e persistente.
De realçar que tratando-se dum vinho com 12 meses de estágio em madeira e 14% de grau alcoólico, nenhuma dessas características sobressaiu na prova, tendo-se apresentado muito equilibrado e prometendo alguma longevidade. No entanto, a pujança apresentada agora a par com o polimento de todas as arestas parece-nos indicar que está no ponto óptimo para ser bebido... e apreciado.
Passámos depois ao Trincadeira, já mais envelhecido e muito menos apelativo. Apresentou-se mais redondo mas também discreto, parecendo um pouco monocórdico quando comparado com o Reserva. Mostrou algum fundo vegetal típico da casta mas faltou-lhe algum corpo e aquela estrutura que muitas vezes suporta as outras castas mais exuberantes. Talvez demasiado linear e sem a complexidade que se esperava.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape
Vinho: Herdade do Peso Reserva 2002 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 19,49 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Herdade do Peso, Trincadeira 2000 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 16,78 €
Nota (0 a 10): 7
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quarta-feira, 30 de abril de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XX)
No meu copo, na minha mesa 176 - Pedra Basta 2005; Monte da Penha Reserva 2003; Restaurante Sever (Marvão)

Não foi a minha última incursão gastronómica em Portalegre, mas foi o último local visitado: o Sever, num local chamado Portagem, a caminho de Marvão, cá em baixo no sopé da serra com um rio a embelezar a paisagem. Tinha-me sido muito recomendado principalmente pelos grelhados, mas preferi avançar para pratos mais tradicionais. E que pratos...
Enquanto se esperava, foram servidos uns deliciosos tortulhos (uma espécie de cogumelos) e uma omeleta de espargos, qual deles o melhor. Isto foi-nos aguçando o apetite para o que vinha aí. E o que vinha aí era nem mais nem menos que um coelho bravo com míscaros e o inevitável arroz de lebre. Simplesmente divinais! O arroz de lebre malandrinho, como convém, claramente melhor que o do Tomba Lobos. Dos melhores que já comi. Nas sobremesas escolhi desta vez uma mousse de chocolate que fez bem o seu papel.
Quanto aos vinhos, mantendo o princípio seguido ao longo desta estada, escolhi os da região e mais dois que não conhecia. Comecei pelo Pedra Basta de 2005, o outro vinho de Rui Reguniga, em parceria com Richard Mayson na Quinta do Centro, que não tinha tido oportunidade de provar no Tomba Lobos quando provei o Terrenus. Não me convenceu. Este, ao contrário do Terrenus, é o tal vinho moderno e de estilo europeu. Achei-o algo agressivo, demasiado adstringente, mais uma vez com excesso de álcool que o torna francamente cansativo. Se achei que o Terrenus é para repetir, este achei que é para esquecer.
Em seguida experimentei o Monte da Penha Reserva 2003, de Francisco Fino, um dos ex-proprietários da Tapada do Chaves. Também não me convenceu. Por um lado achei-o algo delgado de corpo e ao mesmo tempo demasiado marcado pela madeira, que se sobrepõe aos aromas. Um conjunto algo desequilibrado.
No fim, como remate do serão ainda nos foi oferecido pelo dono um brandy espanhol de nome Luís Felipe. Nunca fui apreciador deste tipo de bebidas, mas dados os encómios que lhe foram feitos lá experimentei. Este quase que levanta um morto. O aroma não pode ser aspirado, porque quase nos queima o nariz: é meter à boca e beber de um trago. Depois ficam ali os vapores que nunca mais de vão embora. A cor é assim parecida com o estanho, com o bordo quase a parecer queimado. De facto nunca tinha visto igual. Acredito que para os aficionados deve ser uma bebida magnífica.
Em suma, uma refeição magnífica regada por dois vinhos que não se mostraram à altura de tão deliciosos pitéus. Mas o local vale bem a pena. Um espaço amplo, arejado, num local aprazível (gostava de lá voltar de dia e com bom tempo, ao contrário da noite fria de Inverno em que lá fui) e com um serviço impecável. Excelente.
Kroniketas, enófilo itinerante
Restaurante: Sever
Portagem - Marvão
7330-347 São Salvador de Aramenha
Telef: 245.993.318
Preço por refeição: 37 €
Nota (0 a 5): 5
Vinho: Pedra Basta 2005 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Sonho Lusitano Vinhos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço no restaurante: 19,50 €
Nota (0 a 10): 4
Vinho: Monte da Penha Reserva 2003 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Francisco Fino
Grau alcoólico: 13%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira
Preço no restaurante: 25 €
Nota (0 a 10): 4,5
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segunda-feira, 21 de abril de 2008
No meu copo, na minha mesa 174 - Ensaios Filipa Pato 2006; Soberana 2004; Casa da Dízima (Paço d'Arcos)

O centro histórico de Paço de Arcos organiza-se em torno de dois pólos: os antigos Fornos da Cal e a Rua Costa Pinto, que praticamente liga os citados fornos à zona do antigo porto fluvial, no término da qual também se encontra o Palácio dos Arcos e a antiga casa da alfândega que ao tempo cobrava impostos sobre as mercadorias que por ali passavam.
A Rua Costa Pinto actual, bem como a zona histórica envolvente, foi toda recuperada, ganhou novo empedrado e deixou de ter edifícios degradados. Mas já antes era conhecida por ter muitos restaurantes, tradição que mantém e que até foi reforçada com a abertura há alguns (poucos) anos da Casa da Dízima, restaurante que se acoita entre as paredes do antigo edifício da alfândega, e que manteve tudo o que podia da antiga edificação, o que concedeu um ambiente sui-generis à casa.
Foi nele que fomos cair num sábado à noite, as Krónikas Vinícolas completas e um compincha semi-ocasional. Dispensadas as entradas, porque dois terços dos amesendados vinham directos de uma prova de vinhos em Sintra, passou-se à escolha dos pratos principais e dos vinhos.
Eu, que não vinha de prova nenhuma e já conhecia o restaurante, tentei orientar um pouco os companheiros de mesa, mas nem precisava porque o serviço, além de eficiente, é conhecedor.
Os pratos vêm apresentados com esmero, mas não tão armados que nos impeçam de os comer, e tanto a carne de novilho de um, como a caça de outro e o bacalhau do terceiro se mostraram saborosos e bem confeccionados. O lombo de novilho foi servido acolitado por esparregado, legumes salteados e ligeiramente glaceados, queijo da serra derretido num chapeuzinho folhado e batata frita em palha (sempre incómoda de comer sem usar as mãozinhas…).
A codorniz recheada com alheira e acompanhada com um puré também com um ligeiro aroma a alheira e grelos atados num molho estava excelente, tenra e saborosa, ainda por cima já desossada. O bacalhau apresentou-se inserido num folhado, guarnecido com camarões e acompanhado por cenouras. Excelente aroma e uma combinação de sabores menos habitual tornam o prato invulgar e apetecível.
Para a sobremesa só as Krónikas se apresentaram à chamada, tendo deglutido em uníssono um “petit gâteau” de chocolate (sólido por fora, líquido por dentro) morninho, confrontado com uma bola de gelado de menta.
Passemos aos líquidos. Já se sabe que em antros de restauração a moderação tem de imperar, não tanto por motivos mais nobres, mas mais por motivos financeiros. Resolveu começar-se por um Bairrada dos modernos, para ver o que a filha de Luís Pato andaria a congeminar por aquelas bandas (sim, nós sabemos que o vinho é Regional Beiras; também os do pai o foram durante vários anos por causa das restrições da região, supomos que os da filha ainda o sejam por causa desse passado recente). O Ensaios Filipa Pato 2006 mostrou-se aberto, frutado, de taninos quase ausentes e cor violácea, corpo mediano para o delgado e gritava “bebei-me que fui feito para beber já e agradar a palatos cosmopolitas” – de Bairrada não vimos lá nada, de Baga quase também não porque além dessa casta o grosso do vinho era Touriga Nacional e Alfrocheiro. Não se pense que o vinho era mau! Até se mostrou bastante agradável e decididamente está bem feito mas pronto, nós esperávamos que fosse Bairrada…
Sinceramente, não sei se será por este caminho que os vinhos desta zona devem seguir, agora que se pode fazer quase tudo, desde que ainda seja vinho. Desde a ditadura da casta Baga até à quase total arbitrariedade na utilização de qualquer casta, passou-se do 8 para o 80 e hoje em dia ser um vinho da Bairrada pode não querer dizer absolutamente nada. Dizem por aí que os da casta Baga passaram a ter a denominação “Bairrada clássico”, mas a verdade é que até agora não os tenho visto. Quem gosta dos verdadeiros Bairradas não é com estes que se vai encantar, e quem não gostava dos outros também não vai ficar a saber o que é a Bairrada com os novos.
Para segundo vinho deslocámo-nos para sul, ainda nas Terras do Sado mas já a tresandar Alentejo por todo o lado. Estamos a falar do Torrão, ainda em pleno Alentejo e do Soberana 2004, marca intermédia do produtor, que já tínhamos tido a hipótese de provar há poucas semanas. Mais uma vez as questões burocráticas em que o nosso país é fértil obrigam-no a surgir com a denominação de Regional Terras do Sado, à semelhança do que já tinha acontecido com o Pinheiro da Cruz. Qualquer semelhança com os vinhos das Terras do Sado é mera coincidência.
Não há dúvida que é um grande vinho e merece bem os encómios que as revistas da especialidade lhe têm dedicado. Como referimos há algumas semanas, foi um dos destaques da Blue Wine no seu top 100 relativo a 2007. Confirmou o que já nos mostrara antes, um belo corpo e aromas complexos, um fundo leve de couro tanto no aroma como no sabor, cor profunda, final de boca longo e taninos ainda pungentes, apesar de dobrados. Um excelente trabalho de Paulo Laureano, num vinho que não será fácil para o iniciado mas que indicia uma provável boa evolução nos próximos tempos, apesar de já estar mais que bebível. É sempre a velha questão de qual será a melhor altura para os beber…
Também nesta área o serviço é atencioso, sem ser aborrecido, e sabedor do que sugerir e daquilo que tem na garrafeira. Tomáramos nós que fosse assim nos outros restaurantes!
Concluindo, boa comida, bons vinhos e bom serviço. Pois, não é barato mas também não é nenhum roubo, tendo em conta tudo o que mencionámos antes.
tuguinho, enófilo esforçado
Restaurante: Casa da Dízima
Rua Costa Pinto, 17
2770-046 Paço de Arcos
Telef: 21.446.29.65
Preço por refeição: 40 €
Nota (0 a 5): 4,5
Vinho: Ensaios Filipa Pato 2006 (T)
Região: Regional Beiras
Produtor: Filipa Pato
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Alfrocheiro, Touriga Nacional
Preço em hipermercado: 7,50 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Soberana 2004 (T)
Região: Terras do Sado (Torrão)
Produtor: Soc. Agro-Pecuária das Soberanas
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Alfrocheiro
Preço em hipermercado: 15 €
Nota (0 a 10): 8,5
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terça-feira, 1 de abril de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XVIII)
Na minha mesa 172 - O Álvaro (Urra)

Esta foi outra visita quase de última hora a um dos locais recomendados na zona de Portalegre. A localidade da Urra fica a cerca de 10 km para sul e numa praça da rua principal fica o Álvaro. Começou por ser uma casa de petiscos que foi ganhando fama e clientes até se afirmar como restaurante.
O espaço não é muito amplo e a entrada está separada da sala de refeições. Na ementa estava recomendado o lacão assado, uma espécie de pernil de porco, e foi essa a escolha feita. Veio acompanhado com ovo mexido e batatas às rodelas, numa dose generosa perfeitamente adequada para duas pessoas. Para sobremesa optou-se por uma mousse de chocolate que não desmereceu.
Em destaque estava o vinho do mês, que já aqui elogiámos, o Casa de Alegrete, e foi a escolha óbvia. Mais uma vez saiu-se a preceito da função e correspondeu às expectativas.
Não sendo a última maravilha ao cimo da terra, foi uma boa refeição, que contudo não pode ombrear com outras servidas noutros locais. Talvez o Álvaro continue a ser mais vocacionado para os petiscos, embora como restaurante não desagrade. O preço também não choca, aliás foi mais caro o vinho (15 €) que o prato (9,5 €).
Kroniketas, enófilo itinerante
Vinho: Casa de Alegrete 2005 (T)
Restaurante: O Álvaro
Largo Capitão António Manuel Simão Redondo, 58
7300-589 Urra
Telef: 245.382.283
Preço por refeição: 17,5 €
Nota (0 a 5): 3
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quinta-feira, 20 de março de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XVI)
No meu copo, na minha mesa 170 - Terrenus 2005; Lima Mayer 2005; Tomba Lobos (Pedra Basta - Portalegre)

Os últimos tempos em Portalegre foram aproveitados para voltar a lugares marcantes. Um deles foi o Tomba Lobos, um dos primeiros que visitei e também um dos últimos. Propriedade de José Júlio Vintém, que se tem afirmado no panorama gastronómico do Alentejo e já se tornou uma referência incontornável, este restaurante fica numa pequena localidade à saída de Portalegre em direcção ao Reguengo, de nome Pedra Basta, onde aliás fica localizada a Quinta do Centro, de Rui Reguinga e Richard Mayson, e que deu o nome precisamente ao vinho ali produzido.O Tomba Lobos fica numa espécie de vivenda com um pequeno jardim cá fora e um parque de estacionamento, e permite a entrada pelo balcão ou directamente para a sala de refeições. Deve o seu nome aos lobos que em tempos idos assolavam a região vindos de Espanha e dizimavam as ovelhas e os porcos, o que obrigou os homens a organizarem-se para dar caça aos lobos. E ao mais valente apelidaram-no de “tomba lobos”, alcunha que calhou a José Júlio Vintém.
Das duas vezes que lá fui estava pouca gente (o tempo frio durante a semana também não ajudava) mas a refeição justificou o regresso. Na primeira visita comi uma canja de perdiz e um arroz de lebre. Melhor a primeira que o segundo, que talvez por ter repousado no tacho enquanto ainda fervia, acabou por secar, mas estava bastante saboroso.
Para sobremesa comeu-se torrão real, um doce de amêndoa bastante consistente, e bolema de maçã com gelado de baunilha, uma combinação bastante agradável e bem conseguida.
A segunda visita foi um pouco mais elaborada (éramos três pessoas) e as escolhas também: começámos com uma excelente perdiz de escabeche, seguindo-se gamo ao alhinho, muito tenro, suculento e saboroso (difícil de parar de comer) e voltámos a terminar com o arroz de lebre, que voltou a secar depressa demais. O melhor da noite foi, indubitavelmente, o gamo ao alhinho, uma excelente revelação.
Para sobremesa tivemos uma mistura de pudim de queijo, bolo de chocolate e um fartes, também uma espécie de bolo com ovos e amêndoa.
O serviço deste restaurante é esmerado e atencioso, com o adicional de haver o aconselhamento dos clientes, tanto para os pratos como para os vinhos e as sobremesas, e nunca nos deixaram ficar mal. Mais um local a (re)visitar.
Quanto aos vinhos, foi aqui que tive o primeiro contacto (também aconselhado na casa) com o Terrenus 2005, produção individual de Rui Reguniga numa outra vinha que possui na serra de São Mamede. Nesta segunda visita voltei a ter a oportunidade única de voltar a provar este vinho. Uma boa revelação, tal como também aconteceu com o Casa de Alegrete. Um vinho bem encorpado mas também macio e muito aromático, elegante, equilibrado entre álcool, acidez e persistência. Os 13,5% certamente contribuem para esse perfil mais “soft” que a maioria dos muitos hiper-alcoólicos. Um vinho que promete altos voos.
Na segunda visita provou-se também outra garrafa, mais uma estreia com um vinho da região, o Lima Mayer 2005, das proximidades de Monforte. Este um pouco mais forte e mais dentro do muito que tenho apanhado por aí, mas sem se tornar agressivo nem cansativo. Aroma a frutos vermelhos, alguma especiaria, bastante encorpado e persistente, com os taninos bem domados e envolvidos numa acidez correcta. Pareceu-me, acima de tudo, aquilo que se poderia chamar um vinho honesto, que não pretende ser uma estrela mas que desempenha bem a sua função.
Kroniketas, enófilo itinerante
Restaurante: Tomba Lobos
Pedra Basta, Lote 16 - R/C
7300-529 Portalegre
Telef: 245.331.214
Preço médio por refeição: 30-35 €
Nota (0 a 5): 4,5
Vinho: Terrenus 2005 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Rui Reguinga
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 19,50 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Lima Mayer 2005 (T)
Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Lima Mayer
Grau alcoólico: 14%
Castas: Syrah, Aragonês, Petit Verdot, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 18,50 €
Nota (0 a 10): 7/7,5
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segunda-feira, 10 de março de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XV)
No meu copo, na minha mesa 168 - Gloria Reynolds 2004; Vale Barqueiros Reserva 2005; Rolo Grill (Cabeço de Vide)



Já na recta final da minha permanência por terras de Portalegre, tenho feito algumas incursões por fora. A primeira levou-me às termas de Cabeço de Vide, perto de Fronteira, cerca de 20 km para sul de Portalegre, ao encontro do restaurante Rolo Grill, que antes se localizava no coração da cidade, no local onde agora se situa o Cobre, que por sinal foi a minha primeira visita desde que aqui assentei arraiais.
Usando um antigo edifício de servia de armazém à estação de comboios, o sr. Rolo estabeleceu aqui as novas instalações para o seu restaurante, onde dispõe duma enorme sala em que cabem as mesas, as prateleiras com vinhos a toda a volta da sala e, ao fundo da mesma, o grelhador onde o próprio dono cozinha os grelhados, a especialidade da casa.
Nesta primeira visita que fiz ao local, não escolhi vinhos nem ementa: o sr. Rolo tratou de sugerir o que se iria comer e beber. Para três pessoas, preparou uma lombeta de porco grelhada, uma espetada de novinho e um naco de novilho. Antes disso ainda nos fomos entretendo com algumas entradas quentes e frias num prato rotativo, que já davam para aconchegar os estômagos.
Mas quando chegaram os grelhados, ficámos esmagados pela qualidade. Comecei pela lombeta de porco, que estava tão tenra que quase se desfazia ao cortar. Passei para a espetada de novilho, que ao contrário do que acontece com a maioria das espetadas em que se apanha a carne seca e mais para o rijo, estava muito tenra e suculenta. Terminei com o naco de novilho, mal passado como se impõe, tenro, delicioso. Fiquei a pensar que talvez tenha sido o melhor bocado de carne de novilho que já comi. Aliás, o mesmo se aplica aos anteriores. Não me lembro de ter encontrado pratos de carne tão boa em algum local. Memorável e talvez irrepetível.
Para sobremesas tivemos acesso a um “buffet” onde se podia escolher entre vários doces tradicionais, entre os quais leite-creme, encharcada e sericaia.
O serviço é altamente eficiente, se bem que tratava-se de uma noite chuvosa de semana e só duas mesas estavam ocupadas. Ficou por saber como será em ocasiões de maior afluência, mas para já a impressão foi a melhor. Em suma, uma refeição soberba e um restaurante que merece figurar, de caras, na galeria dos melhores do país. Nem que tenha de me deslocar de propósito quando já não estiver por cá, mas hei-de lá voltar.
Quanto aos vinhos sugeridos pelo sr. Rolo, fomos para duas estreias, ambas da região: um Gloria Reynolds 2004, um vinho bastante conceituado por estas bandas, e depois um Vale Barqueiros Reserva 2005. Gostei mais do primeiro que do segundo, embora nenhum me tenha enchido as medidas.
O Gloria Reynolds 2004, apresentou-se mais suave e equilibrado, com uma cor rubi carregada, algum frutado na boca no primeiro ataque evoluindo depois para alguma predominância a especiarias. Dando-lhe algum tempo começam a sobressair os taninos que conferem alguma consistência ao conjunto sem contudo imporem a sua presença em demasia. É um vinho que precisa de algum tempo para se mostrar, tornando-se mais persistente quando se procuram as segundas e terceiras impressões.
Já o Vale Barqueiros Reserva 2005, um lançamento mais recente da casa, pareceu ir atrás dos ditames da moda, sendo mais um daqueles vinhos em que tudo é álcool, fruta e taninos a abafarem tudo o resto. Talvez mais alguns anos de garrafa o amaciem, mas para já achei-o algo desequilibrado e cansativo. Aliás, os 15 graus de álcool não enganam, e se é preciso um bom trabalho de enologia para que um vinho destes se torne agradável de beber, parece-me que neste caso o resultado da batuta de Paulo Laureano não foi muito bem conseguido. Já aqui o disse por mais de uma vez, mas para mim a mania do excesso de álcool já deu o que tinha a dar e não contem comigo para suportar essa moda.
Kroniketas, enófilo viajante
Restaurante: Rolo Grelhados do Norte Alentejano
Sítio da Estação - Cabeço de Vide
Telef: 245.638.030
Preço por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 5
Vinho: Gloria Reynolds 2004 (T)
Região: Alentejo (Arronches - Portalegre)
Produtor: Julian Cuellar Reynolds
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Vale Barqueiros Reserva 2005 (T)
Região: Alentejo (Alter do Chão)
Produtor: Sociedade Agrícola Vale de Barqueiros
Grau alcoólico: 15%
Castas: Trincadeira, Alicante Bouschet
Nota (0 a 10): 6
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quarta-feira, 5 de março de 2008
Os vinhos da festa 2007-2008 (5)
No meu copo 167 - Outros tintos

Últimos tintos provados durante as já longínquas festividades de Natal e Ano Novo. Tem demorado terminar o balanço, mas outros afazeres têm tirado o tempo e a disposição para escrever e compor estes posts, assim como as últimas visitas em Portalegre. Cá vai.
Conde de Vimioso Reserva 2000 - Um vinho da Falua, a empresa de João Portugal Ramos no Ribatejo, muito conceituado nos guias de vinhos. Pareceu-nos contudo em perda. Com a cor ainda muito concentrada mas o corpo a esvair-se e os aromas a ficarem algo perdidos no copo. Talvez tenha passado tempo demais antes de ser bebido, mas pelo preço que custou esperava-se muito melhor. Nota: 7
Finca Flichman, Malbec 2003 - De cor rubi e suave de corpo, com aroma marcadamente frutado e final discreto mas com alguma persistência, pareceu-nos vinho que ainda estava ali para se aguentar por mais uns tempos. Uma boa surpresa de uma casta e de um país que deveríamos conhecer melhor. Nota: 7,5
Beaujolais 2004 - Um dos tipos de vinho emblemáticos de França, mas em que este exemplar se fica pela mediania. É preciso notar que se tratou de uma compra a baixo preço, pelo que poderá não se tratar do melhor representante do vinho em causa. Trata-se de um vinho jovem e aberto, com cor mais de clarete que de tinto, adequado para acompanhar queijo ou charcutaria e a beber ligeiramente fresco. Portou-se bem com as entradas da refeição. Sem grandes pretensões, pode ser um bom acompanhante se não se esperar dele mais do que pode dar. Nota: 6,5
Kroniketas, enófilo vagaroso
Vinho: Conde de Vimioso Reserva 2000 (T)
Região: Ribatejo
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 15,95 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Finca Flichman, Malbec 2003 (T)
Região: Mendoza (Argentina)
Produtor: Finca Flichman
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Malbec
Preço em feira de vinhos: 4,99 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Beaujolais 2004 (T)
Região: Beaujolais (França)
Produtor: Pierre Chanau - Rhône
Grau alcoólico: 12%
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 6,5
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domingo, 17 de fevereiro de 2008
Os vinhos da festa 2007-2008 (4)
No meu copo 166 - Tintos do Alentejo

Ainda continuamos com os vinhos provados durante a quadra festiva do Natal e Ano Novo. Tintos foram vários. Começamos pelos do Alentejo.
Dona Maria 2004 - Outro vinho que é “mais do mesmo”: muita concentração, muita fruta e álcool a mais. Começam a faltar-me palavras para caracterizar este tipo de vinhos, sobre os quais também já me falta paciência para escrever. Depois da saída dos vinhos da Quinta do Carmo das mãos de Júlio Bastos e do lançamento destes vinhos Dona Maria, não sei se com este perfil os novos vinhos irão fazer concorrência aos antigos... Nota: 6
Granja-Amareleja 2004 - Aconselhado no contra-rótulo a beber acompanhando pratos de caça. No entanto revelou um perfil pouco pujante para se bater de igual para igual com este tipo de comida. Talvez precise de uma segunda apreciação, mas apresentou-se com um corpo algo delgado para as pretensões anunciadas. Não deixando de se beber com agrado, ficou um pouco aquém das expectativas, com aroma algo discreto e sem grande persistência. Nota: 7
Herdade do Peso, Alfrocheiro 2000 - Já apreciado aqui, há algum tempo. Perdeu em exuberância aromática o que ganhou em elegância, mas continua a ser um belíssimo vinho. Alguém à mesa disse que seria um bom vinho para alguém que não aprecia vinho começar a provar. Juntamente com o Garrafeira dos Sócios e o Quatro Castas faz o triângulo dos vinhos de que ninguém fala e que fazem as nossas delícias sem custarem uma fortuna. E alguém disse que tem 14 graus? Nota: 9
José de Sousa 2003 - Um clássico do Alentejo, que há muitos anos se chamava “Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes - Tinto Velho”. Modernizou-se, perdeu algum excesso de madeira que por vezes se notava, está mais elegante e frutado. Mas talvez precisasse de um pouco mais de estrutura para se guindar de novo a outro patamar. Nota: 7,5
Singularis 2004 - Uma estreia deste vinho personalizado de Paulo Laureano, numa nova linha de produtos só com castas portuguesas, neste caso Aragonês e Trincadeira. Bom corpo e bastante fruto, alguma especiaria e boa persistência, com um toque de madeira a marcar o fim de boca. Um vinho equilibrado com potencial para acompanhar pratos condimentados. Nota: 7,5
Kroniketas, enófilo retinto
Vinho: Dona Maria 2004 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Júlio Tassara Bastos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Syrah, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 6,75 €
Nota (0 a 10): 6
Vinho: Granja-Amareleja 2004 (T)
Região: Alentejo (Granja-Amareleja)
Produtor: Coop. Agrícola da Granja
Grau alcoólico: 14%
Castas: Moreto, Alfrocheiro, Aragonês
Preço em hipermercado: 9,98 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Herdade do Peso, Alfrocheiro 2000 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 14%
Casta: Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 13,50 €
Nota (0 a 10): 9
Vinho: José de Sousa 2003 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 13%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Grand Noir
Preço em feira de vinhos: 6,09 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Singularis, Aragonês e Trincadeira 2004 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Paulo Laureano
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira
Preço em hipermercado: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7,5
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XI)
No meu copo, na minha mesa 163 - Muachos Reserva 2003; Casa de Alegrete 2005; O Escondidinho (Portalegre)


Este foi um dos restaurantes a merecer repetição. Fica perto duma das praças principais da cidade, o Rossio, mas à entrada duma rua estreitinha onde quase passa despercebido ao olhar dos transeuntes. Ao entrar deparamos com uma pequena sala com 4 mesas, prolongando-se o espaço para a direita, onde se encontra um bar, a cozinha e as casas de banho e uma sala mais espaçosa, e para a esquerda onde fica a sala mais recatada e acolhedora. Enquanto jantava na sala mais recatada, fui reparando num armário perto da minha mesa onde algumas garrafas se encontravam em exposição. Foi ali que vi pela primeira vez o Casa de Alegrete, já referido mais atrás, e que mais tarde se tornaria escolha recorrente.
A segunda visita já foi mais preparada, merecendo reserva e encomenda antecipada. Lebre com feijão foi o prato de resistência, não sem que antes aparecessem na mesa alguns acepipes para entrada, entre os quais pernas de rã (sinceramente, não fiquei fã). Como mandam os cânones, a lebre vinha em tacho de barro e deu para ir comendo, comendo, comendo... até fartar. Para sobremesa repetiu-se o inevitável fidalgo, certamente um dos melhores doces à base de ovo que existem, complementado por um bolo de chocolate regado com creme de chocolate que mais parecia mousse... É de lamber os beiços!
O serviço é esmerado e cuidado, sem nada a apontar. Escolhidos os petiscos certos, pode-se ter ali uma excelente refeição com um óptimo atendimento.
Para o vinho, não resisti a repetir o Casa de Alegrete 2005. Confirmou a excelente impressão da primeira prova, e voltou-se a beber quase com sofreguidão. Para complementar com algo diferente escolheu-se um Herdade dos Muachos Reserva 2003. De cor rubi bastante intensa, mostrou bom corpo e estrutura, suave e aromático, com taninos bem domados mas a suportarem um todo persistente sem deixar de ter alguma elegância. Um vinho equilibrado que se bateu bem com o prato de lebre mas que também pode mostrar-se com outros pratos um pouco mais delicados. A rever noutra ocasião.
Em resumo, duas boas refeições, bem acompanhadas por dois bons representantes dos vinhos de Portalegre. Um local que vale a pena (re)visitar.
Kroniketas, enófilo itinerante
Restaurante: O Escondidinho
Travessa das Cruzes, 1 e 3
7300 Portalegre
Preço por refeição: 20-25 €
Nota (0 a 5): 4
Vinho: Casa de Alegrete 2005 (T)
Preço no restaurante: 15 €
Vinho: Muachos Reserva 2003 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: José Carvalho - Sociedade Agrícola (Herdade dos Muachos)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Alfrocheiro, Cabernet Sauvignon (15%)
Preço em hipermercado: cerca de 9 €
Nota (0 a 10): 7,5
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Krónikas Vinícolas
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