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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

No meu copo 231 - Quatro Castas Reserva 2001

Perdoem-me a insistência, mas beber este vinho é um prazer sempre renovado. Tinha provado a última da mesma colheita há cerca de um ano e agora parece que melhorou. Curiosamente, no blog Os Vinhos existe uma prova da colheita de 2002, onde o Pedro Rafael Barata refere que já passou o seu auge e o final é mediano.

Pois este de 2001, passado um ano, ainda está melhor. Mediano é que o final não é e pelo contrário talvez esteja, agora sim, no auge. O tempo em garrafa só lhe tem feito bem. Um corpo que nunca mais acaba, uma profundidade aromática espantosa, com aromas ainda exuberantes a fruta e algum toque a tostados e especiarias, com boa integração com a madeira e os taninos polidos mas ainda sólidos a darem grande firmeza a um conjunto homogéneo e equilibrado. E nem os 15 graus de álcool destoam do conjunto, tão bem disfarçados estão.

Definitivamente, um vinho que faz sempre os meus encantos por um preço que fica bem abaixo do que se poderia esperar. Para mim é incontornável e, repito o que disse há um ano, o melhor vinho do Esporão daqueles que já provei (continua a faltar o Private Selection e o caríssimo Torre do Esporão...).

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quatro Castas Reserva 2001 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 15%
Castas (não mencionadas no contra-rótulo) - as quatro melhores do ano em partes iguais entre estas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah, Bastardo, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 10,79 €
Nota (0 a 10): 9

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

No meu copo 158 - Quatro Castas Reserva 2001

Há uns 6 anos deparámos com um novo vinho da Herdade do Esporão, denominado Quatro Castas. Tal como acontece com os vinhos da Sogrape, todos os vinhos desta proveniência interessam-nos sobremaneira e este não fugiu à regra.
Rapidamente tratámos de o adquirir e degustar com todo o interesse. O resultado foi... esmagador! Durante algum tempo considerámo-lo um dos melhores vinhos do país (dentro daqueles que conhecíamos, obviamente). E até hoje, excluindo o Torre do Esporão e os Private Selections, que ainda não bebemos, consideramo-lo sem dúvida o melhor vinho da herdade, acima do Esporão Reserva. Convém referir que há mais de 10 anos que conhecemos todos os outros vinhos da Herdade do Esporão, desde o Esporão Reserva, que foi uma das nossas primeiras preferências, passando pelo Monte Velho (de que acompanhámos praticamente todas as colheitas, quando ainda era um VQPRD com 11,5 graus de álcool macio e suave), o Alandra, todos os monocasta (a começar pelo Cabernet Sauvignon, seguindo pelo Aragonês e o Trincadeira, até aos neófitos Bastardo, Syrah, Touriga Nacional e Alicante Bouschet) e o mais recente Vinha da Defesa, sem esquecer os brancos.
O Quatro Castas foi uma surpresa, com um corpo, um bouquet, uma profundidade aromática, uma complexidade e uma persistência extraordinários, e as sucessivas provas confirmaram esta impressão: para nós, tornou-se inquestionavelmente o melhor vinho do Esporão. É um vinho feito com as melhores quatro castas de cada ano vinificadas em partes iguais, pelo que nunca sabemos que castas lá estão em cada colheita (essa informação não é mencionada no contra-rótulo, apenas no site para a colheita apresentada), mas a tendência é para ser entre Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Syrah, Alicante Bouschet, Bastardo e Cabernet Sauvignon (esta ultimamente abandonada nos varietais por, segundo os responsáveis, “perder a tipicidade”). É fermentado durante uma semana a temperaturas controladas em cubas de inox, com maceração prolongada, seguindo-se um estágio de 6 meses em barricas novas de carvalho americano e francês e mais 6 meses em garrafa. Normalmente chega ao mercado já com cerca de 3 anos de idade.
Agora, desde que temos o blog, as provas são mais diversificadas pelo que as oportunidades de repetir são menores. Mas um dia destes provámos a colheita de 2001, que confirmou tudo o que pensamos deste vinho. Não apresentou a exuberância de outros tempos, porque o tempo também não perdoa e nos vinhos do Alentejo ainda menos, mas continua (para nós) a ser um vinho de excepção: o bouquet já é mais discreto, o frutado menos pronunciado e a persistência menos prolongada. Mas as características originais estão todas lá. Além disso, tem um grau alcoólico elevadíssimo mas que não se sente na prova, pois como é apanágio dos vinhos do Esporão, está tão bem feito que não se sente o álcool. Tomara muitos dos vinhos da moda conseguirem ser assim.
Como ainda temos em stock as colheitas de 2002 e 2003, um dia destes vamos voltar à carga com uma comparação das várias colheitas. Porque este é outro daqueles vinhos que quase passam despercebidos, como o Garrafeira dos Sócios de que falámos noutro dia. Porque, como aquele, também não é um vinho da moda, daqueles que nos querem impingir à viva força como sendo os que os consumidores “preferem” (isso ainda está por provar). Pedimos desculpa pelo incómodo e por continuar a fugir à moda, mas para nós este é um vinho de excepção. E ninguém nos desvia daqui.

tuguinho e Kroniketas, enófilos e tal

Vinho: Quatro Castas Reserva 2001 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 15%
Castas: quatro destas, conforme o ano - Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah, Bastardo, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 10,79 €
Nota (0 a 10): 9

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

No meu copo 12 - Carmim, Bastardo e Cabernet Sauvignon 2000

Na região de Reguengos são produzidos alguns dos melhores vinhos não só do Alentejo mas de Portugal (na opinião das Krónikas Vinícolas, obviamente). À semelhança da vizinha Herdade do Esporão (sempre uma referência incontornável nas nossas escolhas), a Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz também produz alguns vinhos de grande nível, quer para a região quer para o país, abrangendo também uma gama alargada de produtos que vão desde a gama baixa até ao topo (e já agora, sem os preços obscenos praticados noutras zonas), começando no Terras d’El-Rei e no Reguengos para os produtos de combate, seguindo-se o Monsaraz já no ponto intermédio, depois o Reserva, os varietais e o Garrafeira dos Sócios lá em cima.
Seguindo uma prática muito em voga desde há alguns anos, também a CARMIM (sigla adoptada pela cooperativa porque, estranhamente, deixou que alguém registasse antes a sigla CARM) enveredou pela produção de vinhos varietais. No passado fim-de-semana tive oportunidade de degustar e saborear (e poucas vezes o termo será tão adequado) dois destes tintos: o Bastardo 2000 e o Cabernet Sauvignon 2000. Foram convidados para acompanhar uma feijoada de lebre e, posso garantir-vos, bateram-se galhardamente.
Começámos pelo Cabernet Sauvignon, casta francesa com berço na região de Bordéus que encontrou em Portugal (e no Alentejo em particular) um meio excelente para a sua implantação, devido ao elevado amadurecimento conseguido, que permite amaciá-la. Devo confessar que sou fã dos vinhos desta casta, seja em que região for. Tem um aroma frutado que muito me agrada (deve ser aquilo a que os especialistas chamam “frutos maduros” ou “frutos vermelhos”) combinado com um toque a especiarias e uma força de taninos que lhe conferem grande pujança e longevidade. Daqui resulta que tenho bebido vinhos de Cabernet com características muito diferenciadas, que vão desde os muito macios aos extremamente adstringentes.
Este Cabernet de 2000 mostrou bem a sua faceta mais exuberante, com corpo cheio, aroma intenso, uma combinação equilibrada entre a fruta e as especiarias, final de boca prolongado e taninos ainda bem presentes, alguma complexidade dada pela madeira no ponto certo. Merecia ter sido decantado meia-hora antes de se beber, até para libertar os seus 14% de álcool, mas infelizmente não houve tempo. Mas mostrou que estava ali para durar mais uns anos na garrafa.
Já o Bastardo de 2000, também conhecido como Tinta Caiada e igualmente com 14% de álcool, mostrou um carácter mais suave embora também tenha revelado um corpo e uma estrutura assinaláveis e aguentou valorosamente o ligeiro picante do prato. Tanto um como outro justificaram amplamente a sua presença entre os nossos eleitos.
Por último, importa destacar que os varietais da CARMIM já estiveram no mercado a preços exorbitantes (em 2001 cheguei a comprá-los a 2200$), mas passada a euforia especulativa, e quando os produtores começaram a pôr os pés na terra, estes vinhos desceram para um patamar normal e actualmente já se conseguem comprar abaixo dos 5 euros (ver As nossas escolhas). Infelizmente nos últimos anos não tenho visto estas duas variedades à venda, mas tem havido umas caixas com uma garrafa de Aragonês e uma de Trincadeira (as outras duas castas produzidas) que costumam estar à venda pelo Natal por pouco mais de 6 €. Mas estes dois monocastas ficam reservados para uma próxima ocasião.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Carmim (Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz)

Vinho: Bastardo 2000 (T)
Grau alcoólico: 14%

Castas: Bastardo
Preço em feira de vinhos: 6,79 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Cabernet Sauvignon 2000 (T)
Grau alcoólico: 14%

Castas: Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 6,79 €
Nota (0 a 10): 8,5