
Os brancos e rosés de férias (III)
Para uns grelhados ao ar livre com sardinhas, febras e costeletas levei dois verdes e alguns tintos, mas foram os verdes que tomaram a dianteira. Enquanto os comes iam saindo serviu-se primeiro um Portal do Fidalgo, Alvarinho de 2005 proveniente da sub-região de Monção. Foi muito bem recebido e de facto merece. Revelou-se muito equilibrado, suave e aromático, com aromas florais, acidez correcta a proporcionar uma grande frescura na boca, com um final persistente. Cor a tender para o amarelo palha, muito límpido e brilhante. Uma excelente aposta, que fez as delícias dos comedores de sardinhas, a um preço muito acessível. Dos melhores verdes que me lembro de ter bebido. Entrou para a lista dos obrigatórios.
Depois deste veio um Quinta de Azevedo de 2005, da quinta com o mesmo nome situada entre os rios Lima e Cávado, na freguesia de Barcelos. Claro que depois daquele Alvarinho, esta segunda prova ficou prejudicada (estas comparações podem ser injustas porque estamos a falar de dois vinhos completamente diferentes). De cor citrina muito clara, mais seco que o anterior e aroma menos exuberante, mas com uma mistura muito interessante de Loureiro e Pedernã, com um final muito suave e elegante. Um vinho mais discreto, indicado para pratos mais delicados, que foi um pouco abafado pela gordura das sardinhas. Merece uma nova oportunidade com prato mais adequado.
Cada um com o seu estilo próprio, duas boas companhias para as tardes de Verão.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Portal do Fidalgo, Alvarinho 2005 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Provam - Produtores de Vinhos Alvarinho de Monção
Grau alcoólico: 13%
Castas: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 4,98 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Quinta de Azevedo 2005 (B)
Região: Vinhos Verdes (Ponte de Lima)
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 10,5%
Castas: Loureiro, Pedernã
Preço em feira de vinhos: 2,97 €
Nota (0 a 10): 7,5
terça-feira, 25 de setembro de 2007
No meu copo 136 - Portal do Fidalgo, Alvarinho 2005; Quinta de Azevedo 2005
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
No meu copo 135 - Fritz Haag, Riesling 2002; Caspari-Kappel Riesling 2002

Os brancos e rosés de férias (II)
Uma incursão estival levou as Krónikas Vinícolas ao Chafariz do Vinho para matar saudades. Acerca do espaço já dissertámos longamente, pelo que não vale a pena estarmos a repetir-nos. Como ali há sempre uns vinhos que não é fácil encontrar no mercado, principalmente brancos, voltámos a escolher um branco, neste caso um Fritz Haag proveniente da Alemanha e da casta Riesling, com a qual nos temos cruzado algumas vezes.
O serviço, como sempre, esteve irrepreensível, mas o vinho surpreendeu um pouco. Esquecemo-nos que o Riesling tem sempre aquele teor adocicado que neste caso não ficou muito bem com os petiscos escolhidos, além de que o rótulo tem indicações que não sabemos o que significam. Só depois, em casa, pude investigar o que significa a indicação “Spätlese” que se segue à casta: é um vinho de colheita tardia. Embora suave, leve e agradável, aconselhava-se mais como refresco de esplanada do que a acompanhar paio de porco preto, perdiz de escabeche ou rolo de massa fresca com requeijão.
Noutro contexto, outro Riesling alemão e também Spätlese, um Caspari-Kapell, foi provado precisamente à tarde na esplanada entre dois dedos de conversa. Nenhuma surpresa, o perfil é o mesmo: leve, fresco, adocicado, com boa acidez e pouco grau alcoólico. Mais adequado, porventura, para acompanhar umas sobremesas. Mas bebe-se bem em dias de calor.
Ambos pertencem à região do rio Mosela e dos seus afluentes Sarre e Ruwer, cuja desiganação engloba os três nomes: Mosel-Saar-Ruwer.
De realçar que estes vinhos apresentam uma designação de qualidade que está acima da média na Alemanha: Quälitatswein Mit Prädikat (QmP), que é normalmente atribuída a vinhos de menor produção e, principalmente, de uvas adequadamente maduras. Os vinhos QmP têm atributos especiais e não têm adição de açúcar. Distribuem-se por seis categorias, das quais a Spätlese é a segunda na escala de doçura, acima da Kabinett, dos vinhos mais leves e secos.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Fritz Haag 2002 - Spätlese (B)
Região: Mosel-Saar-Ruwer (Alemanha)
Produtor: Weingut Fritz Haag - Brauneberg
Grau alcoólico: 8%
Castas: Riesling
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Caspari Kappel 2002 - Spätlese (B)
Região: Mosel-Saar-Ruwer (Alemanha)
Produtor: Caspari-Kappel
Grau alcoólico: 8%
Castas: Riesling
Nota (0 a 10): 7,5
PS: Pensando um pouco melhor, chegámos à conclusão que 6,5 não faz jus à qualidade do vinho, que embora não nos tenha encantado é bem melhor que isso. Por isso já rectificámos.
sábado, 15 de setembro de 2007
No meu copo 134 - Bucellas Caves Velhas 2005

Os brancos e rosés de férias
Nos brancos bebidos nas férias, outro destaque vai para o Bucellas Caves Velhas, outro dos meus preferidos. Aliás, já o disse aqui, os brancos de Bucelas são os meus preferidos do mercado nacional.
Com as características típicas dos brancos de Bucellas, acidez bem marcada pela predominância do Arinto, aroma frutado intenso com um ligeiro toque floral, num todo muito fresco e agradável. É outro que nunca engana, por um preço excelente.
E segundo a Revista de Vinhos, a colheita de 2006 é uma das melhores dos últimos 20 anos. Estou só à espera das feiras de vinhos para ir buscá-lo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Bucellas Caves Velhas 2005 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Caves Velhas
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto (75%), Esgana Cão, Rabo de Ovelha
Preço em feira de vinhos: 3,25 €
Nota (0 a 10): 7,5
Publicada por
Krónikas Vinícolas
à(s)
01:23
|
Etiquetas: Arinto, Brancos, Bucelas, Caves Velhas, Esgana Cao, Rabo Ovelha
terça-feira, 11 de setembro de 2007
No meu copo, na minha mesa 133 - João Pires 2005; A Grelha (Armação de Pêra)
O jantar de férias da cambadaUma rara coincidência de presenças no barlavento algarvio permitiu juntar à mesa uma delegação familiar do Grupo Gastrónomo-Etilista “Os Comensais Dionisíacos”, com a presença das respectivas (sim, porque tem de se deixá-las participar de vez em quando, para que elas percebam que quando dizemos que vamos jantar uns com os outros, vamos mesmo jantar uns com os outros...). De Alvor veio o Politikos, de Portimão o Kroniketas, da Senhora da Rocha o Mancha e de Armação de Pêra o Pirata e o Caçador. O bandalho do tuguinho, como não vai a lado nenhum, ficou algures entre a capital e a montanha.
Por questões de logística e transporte, o local escolhido foi Armação de Pêra e o restaurante A Grelha, numa rua perpendicular à que passa junto à praia, e onde já abanquei por mais de uma vez. Toda a gente foi para os pratos mais típicos, como o arroz de lingueirão, o bife de atum, cherne grelhado e, no meu caso, uma cataplana de amêijoas com carne de porco a meias com o Politikos. Por sinal estava óptima, em tomatada bem regada de molho apurado. O arroz de lingueirão não encantou, porque embora o arroz estivesse bom o dito lingueirão parecia borracha, enquanto o bife de atum apresentou algumas reservas acerca da genuinidade do animal.
Pelo meio ainda apareceram uns músicos a entreter o pessoal que no fim vieram com um chapéu pedir umas moedas, o que me deu vontade de lhes dizer que daria duas moedas se eles se calassem...
Excelente estava, como sempre, o João Pires de 2005, escolha unânime e que muito bem acompanhou a refeição. Entre todos, marcharam 4 garrafitas bem fresquinhas, mantidas à temperatura adequada dentro do inevitável frappé. Cada vez gosto mais deste vinho, que para mim é uma referência incontornável e está no topo das minhas preferências. Foi o branco de eleição nestas férias e é presença obrigatória nas nossas escolhas.
Ainda se comeram umas sobremesas que não tiveram relevância especial e quase passaram despercebidas no meio da conversa (sim, porque às vezes os sentidos estão mais virados para as pessoas que temos à mesa do que para o que está no prato ou no copo). No final, passeou-se longamente pela marginal e ainda se parou numa esplanada à beira-mar até quase às 2 da manhã. E assim se acabou uma agradável noite algarvia de Agosto...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Restaurante: A Grelha
8365 Armação de Pêra
Telef: 282.312.245
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 3,5
Vinho: João Pires 2005 (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 11%
Castas: Moscatel
Preço em feira de vinhos: 4,89 €
Nota (0 a 10): 8
Publicada por
Krónikas Vinícolas
à(s)
01:09
|
Etiquetas: Algarve, Brancos, JM Fonseca, Moscatel, Restaurantes, Terras Sado
sexta-feira, 6 de julho de 2007
No meu copo 127 - Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2005
Depois do branco Chardonnay, que não agradou, tentei o Sauvignon Blanc. Na verdade, agradou pouco mais. Volto à mesma questão já aqui levantada: a estes brancos portugueses de castas estrangeiras falta frescura, elegância, vivacidade, em suma, finesse.
Embora mais fresco que o Chardonnay, apresentou-se também um pouco rústico, com aromas pouco exuberantes. Tentei apreciá-lo com vários pratos em diferentes dias, mas o resultado foi o mesmo. Não me convenceu. Definitivamente, tenho que procurar outros brancos de castas nacionais.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2005 (B)
Região: Trás-os-Montes (regional)
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 4,85 €
Nota (0 a 10): 6,5
Publicada por
Krónikas Vinícolas
à(s)
01:52
|
Etiquetas: Brancos, Real C Velha, Sauvignon Blanc, Tras-os-Montes
terça-feira, 3 de julho de 2007
No meu copo 126 - Porca de Murça Reserva branco 2005
Já conheço esta marca há muitos anos, praticamente desde que comecei a interessar-me por estas coisas e ainda não sabia quase nada. O Porca de Murça branco foi desde logo um dos meus preferidos. Com o passar dos anos fui conhecendo outras marcas e esquecendo este, mas mantive sempre a lembrança de ser um branco agradável.
Os Reserva nem existiam. Agora já existem. E este branco Reserva não me convenceu. Pouco apelativo, pouco aromático, um pouco rústico, que é coisa que eu não suporto num vinho branco. Falta-lhe elegância. Muito álcool mas pouco suportado pelo corpo e pela acidez. Parafraseando o nosso amigo Pingus Vinicus, quis falar com o vinho mas ele não me disse nada. E eu fiquei sem saber que mais lhe dizer.
Acho que na próxima ocasião vou tentar rever o branco normal, que era o tal de que eu gostava, para ver se ainda gosto. Se calhar, com menos pretensões, as memórias que guardei de há 15 ou 20 anos ainda lá estão.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Porca de Murça Reserva 2005 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Castas: Boal, Cerceal, Codega, Gouveio
Preço em feira de vinhos: 3,58 €
Nota (0 a 10): 5,5
quarta-feira, 27 de junho de 2007
No meu copo, na minha mesa 124 - Montevalle Reserva 02, Casa de Santar 03, Murganheira Branco Seco 06; Petisqueira do Gould (Paço d'Arcos)
Depois de espreitarmos à montra d’Os Arcos e da Petisqueira do Gould, ali a 100 metros um do outro, optámos por este último, ficando Os Arcos para próxima oportunidade. Franqueada a porta, encontrámos um espaço reduzido, quase intimista (a sala dispõe apenas de 30 lugares), onde somos conduzidos à mesa pelo anfitrião, o Sr. Amando Carvalho, dono daquele espaço.
Como entretém-de-boca apareceram na mesa umas tirinhas de presunto, pão de alho torrado e um creme à base de sapateira servido na própria concha.
Quando passamos à escolha dos pratos, a oferta, não sendo excessivamente extensa, é bastante variada, o que dificulta a escolha. Nos pratos do dia há arroz de garoupa com gambas, costeletinhas de borrego e posta mirandesa, entre outros. Como somos mais carnívoros, olhámos mais para o lado das carnes e chamou-nos a atenção a alheira de caça, o entrecôte grelhado e o tornedó, e ficámos ali a matutar no que escolher. Perante a nossa indecisão, o dono aproxima-se e sugere-nos a posta mirandesa, de carne certificada. Para fazer parelha acabámos por escolher o tornedó à portuguesa, frito em azeite e alho.
Os pratos foram apresentados num carrinho de servir e pedimos para dividir as doses em partes iguais, de modo partilhar os dois pratos. O dono acabou por servir-nos primeiro a posta mirandesa e guardou o tornedó na estufa. Obviamente, ambos mal passados.
A posta estava muito tenra, salpicada por um tempero original, em que se notaram algumas notas de canela e de ervas não identificadas pelos mastigantes.
Quanto ao tornedó, extremamente suculento e tenro, de carne de Lafões, sobressaiu precisamente pela simplicidade da confecção, que permitiu que a qualidade da carne se exibisse sem peias.
E quanto ao vinho? A decisão tinha sido esta: almoçar num restaurante desconhecido e beber um vinho desconhecido. A carta era extensa, principalmente no Douro e ainda mais no Alentejo. Estávamos de olho num Gouvyas quando o dono nos sugeriu um Montevalle Reserva 2002, da empresa Bago de Touriga, de Luís Soares Duarte e João Roseira. Trata-se de um vinho feito com uvas de vinhas velhas cultivadas em Soutelo, no Cima Corgo, e São João de Lobrigos, no Baixo Corgo. Fermentado 100% em lagar e engarrafado após 24 meses de estágio em barricas usadas, é um vinho de produção limitada, que não é habitual ver no circuito comercial. Em conversa connosco ao longo da refeição, o dono disse-nos que tinha encomendado 80 caixas mas que só lhe vão chegando a pouco e pouco.
O vinho foi servido inicialmente num copo de prova, sendo o resto decantado sem que fosse necessário pedi-lo. Pedimos, sim, um frappé porque o vinho se apresentou com a temperatura um pouco elevada. Após uns 10 minutos com o decanter dentro do balde com gelo, o vinho ficou à temperatura adequada, podendo então ser devidamente apreciado, para o que foram devidamente apresentados copos em forma de tulipa.
Fugindo um pouco ao habitual, este vinho não contém a quase omnipresente Touriga Nacional, ficando-se pelas habituais Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Apresenta uma cor com tonalidades violáceas, aroma frutado e a denotar alguma juventude. Na boca é medianamente encorpado e equilibrado, com uma acidez moderada e grau alcoólico não excessivo. Apesar dos 24 meses de estágio, a madeira não se sobrepõe no conjunto, deixando um fim de boca suave e fresco com um toque apimentado.
Como a garrafa se esgotou, ainda tivemos que recorrer a meia garrafa do que houvesse disponível, e a escolha recaiu num Casa de Santar 2003, que se mostrou bem à altura do desafio. Há cerca de um ano tínhamos provado uma garrafa desta colheita, e devemos dizer que esta meia garrafa nos surpreendeu favoravelmente. Muito equilibrado, muito macio mas suficientemente encorpado e persistente para não ficar perdido nas sobras do vinho anterior. Merece uma revisão da nota apresentada anteriormente.
Pelo meio, foram chegando mais uns reforços de pão torrado, batatas fritas às rodelas muito finas e os copos sempre preenchidos graças à extrema atenção do anfitrião, com quem fomos trocando algumas impressões acerca de outros vinhos, da origem das carnes e de outras sugestões que nos foi apresentando. Para finalizar, pedimos um delicioso e muito macio bolo de chocolate com gelado de nata, que rematou o repasto da melhor forma.
A grande surpresa aconteceu apenas três dias depois. Há coisas que não se preparam antecipadamente, simplesmente acontecem porque calha. Encontrámo-nos nesse fim-de-semana a propósito dum evento cultural ali para os lados de São Domingos de Rana e, já cerca das 21 horas, com os estômagos meio vazios depois de termos enganado a fome com uns croquetes e rissóis, resolvemos ir petiscar qualquer coisa para fechar a noite. Tinha-se pensado num belo bife, mas dado o adiantado da hora achámos melhor ficar por uma coisa mais leve, pensando-se então no peixe. Como já dissemos, não somos grandes piscícolas, pelo que não é fácil escolher o que comer. A hipótese de ir para o peixe grelhado, sugerida pelo tuguinho, foi desde logo liminarmente rejeitada. Queria-se peixe, sim, mas qualquer coisa que soubesse bem. Estando ali pela zona, acabámos por voltar ao local do crime, e fomos outra vez parar a Paço d’Arcos. Toca a fazer a mesma volta do outro dia, e na montra d’Os Arcos os preços do peixe eram algo assustadores. Com alguma renitência do tuguinho, fomos outra vez bater à porta da Petisqueira!
Fomos outra vez magnificamente atendidos, voltando a trocar alguns dedos de conversa com o Sr. Amando Carvalho, aproveitando o facto de termos ficado noutro ponto da sala onde pontificam alguns recortes de jornais para nos inteirarmos da origem daquele espaço. Ficámos a saber que a Petisqueira surgiu depois da ourivesaria que a antecedeu ter sido assaltada e os proprietários despojados dos seus pertences. Para refazerem o negócio montaram um restaurante com um desenho interior que mereceu um prémio da Câmara Municipal de Oeiras.
Quase com as 10 horas da noite a bater, olhámos então, desta vez, para os peixes, e optámos pelos filetes de peixe-galo com arroz mariscado. Estavam soberbos, muito saborosos, assim como o arroz, malandrinho como convém. Desta vez rejeitámos as entradas e ficámos suficientemente preenchidos sem exagerar, que era o que se pretendia.
Para terminar, repetimos a sobremesa. Não havia opção que nos agradasse mais.
Quanto ao vinho, voltámos a seguir a sugestão do Sr. Amando e escolhemos o Murganheira Branco Seco. Confirmou tudo o que se esperava: um vinho de grande elegância, com grande frescura na boca devido a uma acidez correcta e um grau alcoólico adequado (12%), que aumenta o prazer de beber sem nos pesar nem se tornar enjoativo, como muitos brancos fermentados em madeira e cheios de álcool que temos encontrado ultimamente. Este, sim, é mais ao nosso gosto. Frutado quanto baste, com alguma predominância floral que é proporcionada pela Malvasia Fina, uma casta que temos encontrado em brancos muito elegantes.
Quanto ao preço, tratando-se de duas refeições muito diferentes, o dispêndio também acabou por sê-lo. Na primeira pagámos 45 € por cada refeição, com uma garrafa de vinho a 26 € e ainda mais meia, enquanto na segunda, sem entradas, com apenas uma garrafa de vinho a 10 € e sem cafés, ficámo-nos por uns singelos 20 € por cabeça. Donde se conclui facilmente que é precisamente nas entradas e nos vinhos, mais que nos pratos, que se estabelece a diferença de preços. Mas não custa pagar o que pagámos da primeira vez quando se sai dum restaurante com o nível de satisfação que este nos proporcionou.
Perante este serviço de pratos e de vinhos irrepreensível, a qualidade da confecção e a atenção, afabilidade e simpatia do dono, só podemos considerar este restaurante como excelente. No final de duas visitas, prometemos voltar, não com três dias de intervalo, mas este local tornou-se visita obrigatória para nós. Não é preciso grandes poses para se atingir a excelência - apenas simpatia, competência e qualidade.
tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos
Restaurante: A Petisqueira do Gould
Rua Costa Pinto, 93
2770-213 Paço de Arcos
Telef: 21.443.33.76
Preço médio por refeição: 35 €
Nota (0 a 5): 5
Vinho: Montevalle Reserva 2002 (T)
Região: Douro
Produtor: Bago de Touriga Vinhos Lda.
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço no restaurante: 26 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Casa de Santar 2003 (T) (garrafa de 375 ml)
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Murganheira Branco Seco 2006 (B)
Região: Távora-Varosa
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa
Grau alcoólico: 12%
Castas: Malvasia Fina, Cerceal, Gouveio Real
Preço no restaurante: 10 €
Nota (0 a 10): 8
Publicada por
Krónikas Vinícolas
à(s)
01:02
|
Etiquetas: Bago Touriga, Brancos, Cerceal, Dao, Dao Sul, Douro, Gouveio, Lisboa, Malvasia Fina, Murganheira, Paco d'Arcos, Restaurantes, Santar, Tavora-Varosa, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Tintos, Touriga Franca
terça-feira, 12 de junho de 2007
No meu copo 120 - Herdade Penedo Gordo: branco 2006, tinto 2005
O branco de 2006 foi bebido com o prato de peixe, um arroz de marisco com tamboril, ou arroz de tamboril com marisco... Como me acontece quase sempre com os brancos alentejanos, não me agradou. É rústico, pouco aromático, falta-lhe elegância, como a (se calhar, digo eu...) 99% dos brancos alentejanos. Não deixa memórias.
Quanto ao tinto de 2005, a acompanhar lombinhos de porco com castanhas, embora bem mais bebível, também não trouxe nada de novo. Mostrou um carácter predominantemente frutado, tanto no nariz como na boca, embora tivesse evoluído, ao fim de algum tempo, para um fim de boca mais prolongado e marcado por especiarias. Só que... no meio de tantos, ficou-me a sensação de ser apenas mais um para engrossar a interminável lista de novos produtores, mas que dificilmente marcará alguma diferença. Até porque no panorama actual não é fácil.
Não faço ideia do preço destes vinhos, mas pelo seu perfil calculo que andem pelos 4 ou 5 euros. Posicionam-se, certamente, na gama média ou média-baixa. A verdade é que uma semana depois já não me lembrava do nome. Se não fossem as fotos tinham passado rapidamente ao esquecimento.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: António M. Esteves Monteiro
Vinho: Herdade Penedo Gordo 2006 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Antão Vaz, Roupeiro
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 5
Vinho: Herdade Penedo Gordo 2005 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Touriga Nacional
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 6
Publicada por
Krónikas Vinícolas
à(s)
02:05
|
Etiquetas: Alentejo, Alicante Bouschet, Antao Vaz, Aragonez, Borba, Brancos, Penedo Gordo, Roupeiro, Tintos, Touriga Nacional, Trincadeira
quinta-feira, 31 de maio de 2007
Prova à Quinta - O sétimo
Para este desafio lançado em tempo oportuno pelo Vinho da Casa, para encontrar vinhos produzidos por casas com mais de 20 anos, resolvemos seleccionar dois vinhos, a exemplo do que já fizemos nos dois desafios anteriores, em que apresentámos 4 na prova de Cabernet Sauvignon e 2 na prova de brancos varietais. Escolhemos um branco e um tinto com tradição secular: o Pera-Manca e o Periquita.
No caso do Pera-Manca, estamos perante um dos vinhos brancos mais famosos (e caros) do país. Já existe desde o século XV e obteve medalhas de ouro em Bordéus nos já longínquos anos de 1897 e 1898. Contudo, andei anos (não desde o século XV...) para me decidir a comprá-lo por duvidar que valesse o elevado preço que custa, até pela minha desconfiança em relação aos brancos alentejanos, que já tive oportunidade de referir em mais que uma ocasião. Mas como a vida também é feita de alguns mitos, por vezes é preciso ir ao seu encontro para sabermos da razão ou não da sua existência. No caso dos vinhos trata-se, tão-somente e na maior parte dos casos, de abrir os cordões à bolsa.
Este foi comprado numa feira de vinhos em 2004 e ficou à espera de uma oportunidade que justificasse abri-lo. Foi num almoço de família à volta dum pargo assado no forno, tendo havido o cuidado de o refrescar de véspera, para garantir que à hora de bebê-lo não íamos encontrar um vinho meio morno.
Perante tão grande expectativa, o mínimo que posso dizer é que o vinho não defraudou. De facto, apresenta alguma elegância que é raro encontrar nos brancos alentejanos, sem deixar de fazer prevalecer um corpo com alguma pujança, um aroma frutado e complexo em equilíbrio com uma boa acidez, que resultam num fim de boca fresco e prolongado. Sem dúvida um vinho adequado para pratos de peixe elaborados, como o pargo ou o bacalhau no forno. Feito com 85% de Antão Vaz e 15% de Arinto, a sua boa estrutura e acidez permitem uma boa ligação com os sabores intensos e a gordura destes pratos. Como ainda não o tinha provado, não sei se mudou o perfil ou não, mas não é, seguramente, um vinho da moda.
Continuo, contudo, a ser mais fã de outro tipo de brancos, mas não rejeito a hipótese de voltar a este Pera-Manca, porque estes brancos também fazem falta. E também podemos deliciar-nos com a arte do rótulo, que é uma coisa rara. Como entretanto mudaram o rótulo, esta garrafa ficou como recordação.
No caso do Periquita, é apenas a marca de vinho mais antiga comercializada em Portugal, desde 1850, daí a razão da nossa escolha. Segundo a José Maria da Fonseca, é também o vinho tinto português mais vendido no estrangeiro. Também há algum tempo que não o consumia, mas o vinho modernizou-se um pouco, seguindo agora o perfil dos vinhos com muito álcool (embora sem exagero, apesar de tudo), com algum frutado. Na boca é medianamente encorpado com taninos suaves e bem integrados com um toque discreto de madeira e apresenta um fim prolongado, com bastante especiaria. É um vinho que pede pratos grelhados ou assados com algum condimento, embora sem exageros.
A garrafa também se modernizou, passando da tradicional borgonhesa que durante décadas marcou a imagem do vinho para a bordalesa que ostenta agora. Sendo agora um vinho mais moderno, não sei, contudo, se é melhor do que era. Se calhar tornou-se igual a muitos outros.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Pera-Manca 2003 (B)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 14%
Castas: Antão Vaz, Arinto
Preço em feira de vinhos: 12,89 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Periquita 2004 (T)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 13%
Castas: Castelão, Aragonês, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 3,29 €
Nota (0 a 10): 6
Publicada por
Krónikas Vinícolas
à(s)
01:17
|
Etiquetas: Alentejo, Antao Vaz, Aragonez, Arinto, Brancos, Cartuxa, Castelao, Evora, JM Fonseca, Terras Sado, Trincadeira
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Prova à Quinta - O quinto
Comecemos pelo Alvarinho, um Encostas de Paderne. Tratando-se de um Alvarinho, esperava-se muito melhor. Dum Alvarinho espera-se sempre. Mas a verdade é que este desiludiu. Falta-lhe a elegância e a frescura tão típicas da casta. Pareceu algo rústico, muito longe da generalidade dos Alvarinhos que há por aí. Se tivesse outro rótulo qualquer pensar-se-ia que se tratava de um qualquer verde vulgar.
Terá sido azar com a garrafa? Ficamos sem saber a resposta, mas esta prova não convenceu.
Por sua vez, o Loureiro é um Ponte de Lima. É um dos verdes que conheço há mais tempo e sempre me agradou. Aliás, a casta Loureiro é uma das mais conceituadas da região dos Vinhos Verdes, produzindo vinhos de grande frescura, com um bom equilíbrio entre o álcool e a acidez, predominantemente secos e muito agradáveis. Este mostrou uma bela cor citrina brilhante e um aroma entre o frutado e o floral, um ligeiro gaseificado com bolha muito fina e uma grande leveza na prova que o torna um excelente acompanhante para pratos de marisco. E como é barato, é sempre uma excelente aposta para uma compra rápida sem grande risco.
Esta dupla prova demonstra que há mais vida na região dos Vinhos Verdes para além do Alvarinho. Muitas vezes as outras castas são subalternizadas em favor do Alvarinho, mas é sempre preciso conhecer o produto final e, no caso de castas como a Loureiro e a Trajadura, também se obtêm excelentes vinhos, mais leves e menos alcoólicos mas caracterizados por uma grande frescura, pelo que podem constituir excelentes apostas. No caso vertente, dou preferência a este Loureiro que a este Alvarinho.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Encostas de Paderne, Alvarinho 2004 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Manuel da Rosa
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Nota (0 a 10): 5
Vinho: Loureiro Ponte de Lima 2005 (B)
Região: Vinhos Verdes (Ponte de Lima)
Produtor: Adega Cooperativa de Ponte de Lima
Grau alcoólico: 11,5%
Casta: Loureiro
Nota (0 a 10): 7
Publicada por
Krónikas Vinícolas
à(s)
01:40
|
Etiquetas: AC Ponte Lima, Alvarinho, Brancos, Loureiro, Moncao, Ponte Lima, Prova à 5ª, Revista Vinhos, Verdes
segunda-feira, 9 de abril de 2007
No meu copo 103 - Catarina 2005
Um dos vinhos brancos mais conceituados da península de Setúbal tem este nome singelo, simplesmente Catarina, em homenagem a D. Catarina de Bragança.
Produzido na Quinta da Bacalhôa com as castas Fernão Pires e Chardonnay e fermentado parcialmente em barricas de carvalho, apresenta aquela acidez tão típica do Chardonnay combinada com a madeira que nos vinhos portugueses os torna por vezes um pouco difíceis de beber, perdendo um pouco a elegância.
Já aqui apreciei vários exemplares de Chardonnay portugueses e franceses e tenho sempre esta dificuldade com os Chardonnay portugueses. Em conversa com o tuguinho, comentava ele “tu e o Chardonnay…”. De facto, ainda não encontrei nenhum que me agradasse plenamente. Neste caso, a combinação com o Fernão Pires torna-o mais frutado e macio, mantendo-se uma boa estrutura na boca e um final prolongado.
Pelo que fica dito, não é dos meus brancos de eleição mas pode ser uma boa aposta com pratos de peixe algo complexos, entradas, patés, não tanto com comidas leves. No entanto, o preço justifica a compra.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Catarina 2005 (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: Bacalhôa Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Fernão Pires, Chardonnay
Preço em feira de vinhos: 3,18 €
Nota (0 a 10): 7
Publicada por
Krónikas Vinícolas
à(s)
01:10
|
Etiquetas: Bacalhoa, Brancos, Chardonnay, Fernao Pires, Terras Sado
segunda-feira, 26 de março de 2007
As 100 primeiras provas - Vinhos do Porto, verdes e espumantes
As nossas apreciações a vinhos do Porto, verdes, espumantes e rosés:
Verdes
Deu La Deu, Alvarinho 2004 - 7
Espumantes e champanhes
Codorníu (Espanha) - 7
Moët et Chandon (França) - 9
Murganheira Bruto Reserva 2002 - 7
Torre de Menagem 2004 (Verde espumante) - 9
Veuve Clicquot (França) - 9
Rosé
Conde de Vimioso 2004 - 5
Lancers 2005 - 6,5
Mateus - 6,5
Quinta do Monte d'Oiro Clarete 2003 - 8
Vinha da Defesa 2005 - 6,5
Vinhos do Porto
Niepoort Vintage 2003 - 8,5
Quinta do Infantado LBV 2001 - 6,5
Ramos Pinto LBV 98 (nota não atribuída)
Real Companhia Velha Vintage 2001 - 7,5
Publicada por
Krónikas Vinícolas
à(s)
00:22
|
Etiquetas: Balanços, Brancos, Champanhe, Espumantes, Rosé, Verdes, Vinho do Porto
sábado, 24 de março de 2007
Vinhos brancos nacionais - prós e contras
O comparsa do Saca-a-rolha deu o mote: prós e contras nos vinhos brancos nacionais, e foi buscar como exemplo dois posts publicados recentemente aqui nas KV e no Pingas no Copo, deixando no ar a hipótese de termos, eu e o Pingus, opiniões contrárias acerca dos brancos portugueses.
Bom, meus caros, eu mantenho aquilo que disse em relação às castas estrangeiras usadas nos brancos portugueses, e também em relação a não sermos um país de grandes brancos. De facto, as provas que tenho feito é que me conduziram a essa opinião, porque não tenho nenhum “parti-pris” em relação aos vinhos brancos, como não tenho em relação a nenhum tipo de vinho, seja ele verde, rosé, espumante ou generoso. Nos primeiros tempos das Krónikas Vinícolas tive oportunidade de reproduzir alguns textos que já tinha escrito anteriormente nas Krónikas Tugas a esse respeito, intitulados “Reflexões à volta da garrafa”. Podem lê-los aqui:
Reflexões à volta da garrafa (1) - O preço é só um começo
Reflexões à volta da garrafa (2) - Os fundamentalistas
Reflexões à volta da garrafa (3) - Fácil de beber é mau?
Reflexões à volta da garrafa (4) - Vinho é tinto, branco é refresco e verde é a cor da garrafa?
Reflexões à volta da garrafa (5) - Beber tinto à temperatura ambiente?
Embora o tinto seja o meu tipo de vinho preferido, não rejeito qualquer outro. Aliás, um dos artigos que escrevi começava precisamente com aquela frase onde às vezes se diz, meio a sério meio a brincar, que vinho é tinto, branco é refresco e verde é a cor da garrafa.
Repescando algumas opiniões então expressas, referi até que acho mais fácil (e mais “aceitável”, digamos) acompanhar carne com vinho branco do que peixe com vinho tinto. No Verão, principalmente, e com algumas carnes brancas, já tenho optado por vinho branco com bons resultados. Foi o que fiz na minha última visita ao Chafariz do Vinho. Com as entradas, se o repasto for em casa, também prefiro servir um branco. Aliás, sendo o branco normalmente mais leve, também se pode tornar mais versátil que o tinto. Por exemplo, Frei João branco com bife na pedra. Só a ideia choca, não choca? Mas só experimentando é que se sabe, e olhem que não fica nada mal.
A questão está em saber “que” brancos é que temos, e continuo a achar que a qualidade média é claramente inferior à dos tintos. Se calhar também não é tão fácil fazer um bom branco como um bom tinto, devido à diferente matéria-prima (ausência das películas das uvas no processo de fermentação dos brancos, sabendo-se que é à película que os tintos vão buscar boa parte das suas características mais importantes). Mas por isto ou por aquilo, tenho provado muitos brancos que têm ficado longe de me agradar. Em relação aos alentejanos, por exemplo (eu que sou fã dos tintos do Alentejo) não há nenhum que me tenha agradado até agora, nem o Esporão que é sempre considerado um dos melhores (ainda não provei o Pêra-Manca, mas tenho uma garrafa à espera). Acho-os sempre rústicos, agrestes, amargos. Nesse aspecto vou até pela opinião mais radical do João Paulo Martins que acha que o Alentejo só devia produzir tintos.
O problema que encontro nos nossos brancos é precisamente a tal falta de “finesse” que encontrei no Saga, dos Rothschild, que raramente se encontra nos portugueses, e que é mais evidente quando comparamos vinhos feitos com castas como a Chardonnay ou Sauvignon Blanc. A explicação mais lógica é precisamente a de que o nosso clima não propicia vinhos brancos elegantes e frescos, tornando-os pesados e ásperos, além de que se continua inexplicavelmente a exagerar no grau alcoólico. No entanto, se procurarem mais para trás nos posts que escrevemos sobre brancos, verão que tenho alguns brancos de eleição em Portugal, concretamente em duas regiões: Terras do Sado e, principalmente, Bucelas, que para mim tem os melhores brancos nacionais (isto em termos genéricos, naturalmente). Se calhar porque têm o perfil que mais me agrada, a tal “finesse”. Também tenho encontrado alguns bons no Dão, na Bairrada e no Douro (ainda não provei o Redoma, por exemplo, que tem sido muito elogiado, mas hei-de lá ir qualquer dia).
Conclusões? Podem vocês tirá-las, se quiserem, mas a minha é que não sou propriamente contra, corroboro até a opinião do Pingus de que os nossos brancos estão a ganhar o seu espaço, mas também acho que lhes falta percorrer um grande caminho até atingirem a excelência. Talvez as regiões mais altas sejam a melhor aposta para se chegar lá.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Veja aqui as nossas apreciações a vinhos brancos, nacionais e estrangeiros:
Portugueses
Adega de Pegões, Colheita Seleccionada 2005 - 6,5
Bucellas, Arinto 2004 - 6,5
Bucellas Caves Velhas 2003 - 7,5
Casa de Santar 2004 - 6,5
Dão Caves Velhas 2003 - 5,5
João Pires 2004 - 8
Planalto - 7
Prova Régia, Arinto 2004 - 8
Quinta da Alorna, Colheita Tardia 2003 - 6,5
Quinta de Cabriz, Experiência VL-1 99 - 7
Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2004 - 6
Três Bagos, Sauvignon Blanc 2003 - 4
Vinha Grande 2005 - 6
Estrangeiros
Barons de Rothschild, Saga R 2005 (França) - 8
Cimarosa, Chardonnay (Chile) - 6
Trebbiano 2005 (Itália) - 5,5
William Fevre 2004 (França) - 7,5
William Fevre, Sauvignon Blanc 2004 (França) - 8,5
segunda-feira, 12 de março de 2007
No meu copo 96 - Barons de Rothschild, Saga R 2005
Nas feiras de vinhos de 2006 aproveitei alguns bons preços de vinhos estrangeiros no Jumbo para adquirir umas quantas garrafas de vinhos espanhóis, franceses e italianos por pouco dinheiro. Consumo habitualmente poucos vinhos destes porque não costumo comprá-los. Seguindo um pouco a lógica de não sobrecarregar demasiado a vasta lista de compras, escolhi alguns brancos, tintos e rosés dentro das opções disponíveis, uns com algum conhecimento de causa e outros apostando um pouco no escuro.
Dentro destes apareceu um branco de Bordéus da famosa casa Barons de Rothschild, o que tornou a aposta menos incerta. Um destes fins-de-semana, perante um apetitoso pargo no forno (sim, no forno aquilo até se come muito bem, não é tuguinho?), refresquei esta garrafa para acompanhar a refeição. Posso dizer que em boa hora o fiz, porque me saiu uma excelente surpresa. Duma assentada bebi meia garrafa ao almoço. É destes brancos que eu gosto. Uma cor citrina aberta e brilhante, cristalina, um aroma entre o frutado e o floral, com grande elegância e suavidade, fez uma excelente companhia ao peixe com batatas às rodelas e molho espesso.
Como refere o contra-rótulo, este vinho feito de Sauvignon e Sémillon tem aquilo que falta quase sempre nos brancos portugueses de castas estrangeiras que tenho apreciado aqui no blog: a finesse. É isso mesmo que não encontro nos Chardonnay e Sauvignon Blanc portugueses, que me aparecem sempre agressivos, enjoativos e com álcool em excesso. Cada vez que provo um branco francês, mais me convenço que o nosso país não é, definitivamente, um país de brancos na maior parte das regiões, e que estas castas estrangeiras não são adequadas para o nosso clima. O excesso de calor tira-lhes a frescura e a elegância, ao contrário do que acontece com as tintas, como a Cabernet Sauvignon, para as quais o clima é propício a um maior amadurecimento que lhes arredonda os taninos.
Este Saga R de 2005 vai ficar com uma referência de destaque para futuras compras. Pareceu-me ser um branco muito versátil, próprio para pratos de peixe mais fortes como o pargo no forno, ou mais leves, dada a sua elegância. A não esquecer: um branco com finesse.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Saga R 2005 (B)
Região: Bordéus (França)
Produtor: Les Domaines Barons de Rothschild - Bordéus
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Sauvignon, Sémillon
Preço em feira de vinhos: 6,14 €
Nota (0 a 10): 8
Publicada por
Krónikas Vinícolas
à(s)
13:48
|
Etiquetas: Bordeus, Brancos, Estrangeiros, França, Rothschild, Sauvignon Blanc, Semillon
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
No meu copo, na minha mesa 86 - Herdade dos Grous 2004; Três Bagos, Sauvignon Blanc 2003; Restaurante O Orelhas

Não digo que a minha visita ao Orelhas tenha sido decepcionante, mas ficou um pouco aquém do esperado. Desde logo, um aspecto desagradável é a má renovação do ar, pois os cheiros da cozinha, que fica à vista da sala, vão-se acumulando tornando-se um pouco sufocantes e entranhando-se na roupa. Quando se sai de lá, todos nós cheiramos a fumo de fritos ou grelhados.
Em termos de atenção, dificilmente seria melhor. Os empregados estão sempre em cima do acontecimento e respondem aos pedidos com rapidez. Nessa atenção está incluída a sugestão dos pratos e dos vinhos a escolher. E aqui é que as coisas se passam de modo diferente do habitual. Não há uma ementa para escolher: somos perguntados se queremos carne ou peixe e em função da preferência são dadas 2 ou 3 opções, que no caso da carne era só uma, costeletas de cabrito fritas em azeite e alho, em que recaiu a minha preferência. No caso do peixe, a escolha (largamente maioritária, aliás), foi robalo grelhado.
No meu caso as costeletas de cabrito cumpriram satisfatoriamente a função mas esperava mais, dada a qualidade da matéria-prima. Do robalo não posso falar porque não o provei, mas sei que 11 pessoas pagaram cerca de 255 € pelo peixe!
No caso dos vinhos, outra grande fama da casa, é de ficar sem respiração: a vasta carta, bem recheada com vinhos de qualidade de todas as regiões, é completamente proibitiva em termos de preços. A esmagadora maioria dos vinhos estão listados a mais de 100 € a garrafa, sendo que não mais de 5, no total, custavam menos de 20 €. Seguramente mais de 90% das opções custam mais de 50 €. Um despautério!
Assim sendo, as escolhas para quem não quer pagar por uma garrafa de vinho mais que o preço de todo o jantar, tem pouco por onde escolher. A nossa escolha seria um Duas Quintas branco, a 14 €, e um Monte da Peceguina tinto, a 15 €, mas o empregado que nos atendeu orientou-nos noutro sentido, e trouxe um Três Bagos, de Sauvignon Blanc, e um Herdade dos Grous.
O Três Bagos não agradou a ninguém. Um sabor enjoativo, demasiado amanteigado, e pouco aroma. Uma surpresa pela negativa. Tendo em conta experiências anteriores com esta casta, e à semelhança da Chardonnay, começo a desconfiar que estas castas brancas francesas não têm grandes condições para dar bons vinhos em Portugal, ao contrário das tintas, talvez devido ao clima. Provavelmente precisam de climas mais frios para darem vinhos com maior frescura e suavidade, ao passo que as tintas beneficiam de maior calor para dar vinhos mais macios. Recordo que ainda o ano passado bebi dois excelentes vinhos franceses destas castas, e não deve ser por acaso que não gostei das versões portuguesas.
Quanto ao tinto, um dos recentes vinhos alentejanos, de Albernoa, entre Beja e Castro Verde, portou-se bem. De cor carregada, aroma frutado, encorpado e macio na boca. Feito a partir das castas Aragonês, Alicante Bouschet, Syrah e Touriga Nacional, apresenta uma acidez bem equilibrada com a madeira e com o álcool, que foge à tendência actual do exagero, ficando-se por uns razoáveis 13,5 graus, que não abafam os aromas e paladares do vinho. Não me parecendo excepcional, mostrou-se elegante e equilibrado, tendo todas as condições para agradar. É um vinho de perfil moderno, fácil de beber já, que certamente vai merecer novas oportunidades de prova.
Globalmente, a refeição foi agradável mas as diversas condicionantes apontadas fizeram com que as expectativas saíssem algo defraudadas. As escolhas são demasiado limitadas e os preços, definitivamente, não são nada meigos. Por um preço semelhante comemos bem mais e melhor na Travessa do Rio.
Kroniketas, enófilo esforçado
Restaurante: O Orelhas
Rua Cesário Verde, 80 - Loja F
2795 Queijas
Telef: 21.416.45.97
Preço médio por refeição: 35 €
Vinho: Três Bagos, Sauvignon Blanc 2003 (B)
Região: Douro
Produtor: Lavradores de Feitoria
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Nota (0 a 10): 4
Vinho: Herdade dos Grous 2004 (T)
Região: Alentejo (Albernoa)
Produtor: Herdade dos Grous
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Touriga Nacional, Syrah
Nota (0 a 10): 7
Publicada por
Krónikas Vinícolas
à(s)
01:22
|
Etiquetas: Alentejo, Alicante Bouschet, Aragonez, Brancos, Douro, Feitoria, Grous, Lisboa, Restaurantes, Sauvignon Blanc, Syrah, Tintos, Touriga Nacional
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
No meu copo 84 - Adega de Pegões, Colheita Seleccionada branco 2005
Na região da península de Setúbal, cujos vinhos têm a denominação habitual de Terras do Sado, para além dos monstros José Maria da Fonseca e Bacalhôa, nos últimos anos tem-se vindo a impor a Cooperativa Agrícola de Santo Isidro Pegões, com vinhos de boa qualidade a baixo preço, que têm ganho espaço junto dos consumidores por se apresentarem bastante apelativos pois aparentemente valem bem mais do que aquilo que custam.
Pela primeira vez vamos falar dum vinho desta casa, um branco com algumas semelhanças com o anterior que analisámos (o Vinha Grande), embora de região totalmente diferente, e bem mais barato que o anterior. Também com estágio em madeira, também com grau alcoólico elevado. No entanto, parece-me claramente um vinho mais equilibrado que o Vinha Grande branco.
Este Adega de Pegões branco, Colheita Seleccionada de 2005, apresenta-se com uma cor citrina e forte estrutura na boca bem equilibrada com uma boa acidez, que compensa os 14º de álcool. É tipicamente um branco de Inverno, que casa muito bem com peixes assados no forno, com molho, ou com pratos de bacalhau bem regados com azeite. A sua equilibrada acidez, conjugada com o corpo e o álcool vão bater-se muito bem com o paladar marcante e intenso destes pratos.
Uma referência que já tínhamos fixado e que tem lugar nas nossas escolhas, e que se apresenta como um dos bons representantes da Região de Terras do Sado, embora com um perfil bastante diferente dos mais elegantes e aromáticos João Pires ou BSE, mas que é uma escolha acertada por um preço extremamente convidativo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Adega de Pegões, Colheita Seleccionada 2005 (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: Cooperativa Agrícola Santo Isidro de Pegões
Grau alcoólico: 14%
Castas: Chardonnay, Arinto, Pinot Blanc, Antão Vaz
Preço em feira de vinhos: 2,87 €
Nota (0 a 10): 7,5
Publicada por
Krónikas Vinícolas
à(s)
01:30
|
Etiquetas: Antao Vaz, Arinto, Brancos, Chardonnay, Pegoes, Pinot Blanc, Terras Sado
segunda-feira, 29 de janeiro de 2007
No meu copo 83 - Vinha Grande branco 2005
O Vinha Grande 2005 é o primeiro branco da Casa Ferreirinha, actualmente propriedade do grupo Sogrape. Segundo informações apresentadas no guia de João Paulo Martins para 2007 (que naturalmente carecem de confirmação prática), este branco vem substituir o Douro Reserva Sogrape, à semelhança do que vai acontecer com os outros vinhos de reserva da marca, que serão substituídos por outras marcas já existentes na empresa.
Pela parte que me toca, para já acho que não ficamos a ganhar. O Douro Sogrape Reserva branco era um dos nossos brancos preferidos (aliás faz parte das nossas sugestões) e este Vinha Grande não me convenceu. Enquanto aquele apresentava uma boa estrutura e robustez na boca mas era equilibrado no seu conjunto, este Vinha Grande pareceu-me ainda pouco moldado e algo rústico.
Tem uma cor citrina carregada e algum frutado, mas como às vezes acontece nos brancos com madeira, esta pareceu-me um pouco sobreposta aos sabores do vinho. Tem alguma complexidade e poderá bater-se com peixes gordos ou mesmo com algumas carnes brancas, mas achei-o algo áspero.
Definitivamente, não sou grande fã dos brancos com madeira, mas curiosamente, por contraste, depois deste provei um outro branco de que falarei no próximo post e, embora com mais álcool e também com madeira, me pareceu mais bem conseguido.
Quanto a esta substituição dos Reservas Sogrape por outras marcas, a confirmar-se, vamos ver se a maior empresa de vinhos do país conseguirá apostas tão certeiras como foram ao longo de mais de uma década os Reservas Douro, Dão, Bairrada e Alentejo. Vou sentir falta deles. Tenho de fazer um reforço do stock antes que desapareçam.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Vinha Grande 2005 (B)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13%
Castas: Malvasia Fina, Viosinho, Gouveio
Preço em feira de vinhos: 8,57 €
Nota (0 a 10): 6
Publicada por
Krónikas Vinícolas
à(s)
02:08
|
Etiquetas: Brancos, Douro, Ferreirinha, Gouveio, Malvasia Fina, Sogrape, Viosinho
sábado, 13 de janeiro de 2007
I Encontro de Eno-blogs - O evento
E esta noite deu-se o grande acontecimento. Na York House, às Janelas Verdes, encontraram-se os autores de vários blogs vinícolas mais respectivos convidados e alguns independentes que se quiseram associar à iniciativa (e muito bem), o que proporcionou momentos de animado convívio e trocas de opiniões, a prova de algumas boas pingas e um jantar repleto de deliciosas iguarias.
Se não me falham as contas, registámos a presença do Copo de 3, do Saca-a-rolha, de Os vinhos, do Vinho a copo, além do promotor da iniciativa, o Pingas no Copo e os independentes Chapim, AJS, Pedro Sousa (PT) e Chicão (peço desculpa se me faltou alguém, mas no primeiro encontro é difícil fixar os nomes e as caras de toda a gente e associá-los desde logo aos pseudónimos usados nos blogs). O comparsa madeirense do Elixir de Baco também quis associar-se através de duas garrafitas de Verdelho da Madeira, que marcharam logo na prova, provocando algumas opiniões divergentes devido à discrepância entre o agrado da prova de boca e o seu final quase instantâneo. Mas valeu a pena a prova. Uma saúde para ti, companheiro. E que a próxima nos permita contar com a tua presença.
As Krónikas Vinícolas fizeram-se representar em peso, pois levaram 3 convidados que participam habitualmente nos repastos do Grupo Gastrónomo-Etilista “Os Comensais Dionisíacos” (entre eles o Politikos, do Polis&Etc), pelo que, juntamente com o Vinho a Copo, fomos o blog mais representado.
No meio de tantos vinhos degustados antes e durante o jantar, como não tirámos notas é difícil sistematizar tudo o que foi provado, mas salvaguardados os diferentes gostos e preferências de cada um, para mim houve um claro vencedor da noite: o Hexagon, da José Maria da Fonseca, numa garrafa de litro e meio, que me encheu as medidas mais que qualquer outro (devo dizer que esta opinião não é sequer unânime entre o grupo das Krónikas Vinícolas, é puramente pessoal). Grande corpo, grande estrutura, excelente exuberância aromática, este topo de gama criado, como sempre, sob a batuta de Domingos Soares Franco, que deve ter um preço proibitivo aí no mercado. Não me lembro quem levou o vinho, mas em boa hora o fez e tiro-lhe o meu chapéu.
Do lado contrário, a decepção da noite foi um Dão Casa de Santar Tinto Superior, de 2001. Dado o patamar de qualidade a que esta casa nos habituou, esperava-se que este Tinto Superior, que suponho estar situado num patamar acima do Reserva (que já é um vinho de superior qualidade), estivesse próximo do sublime, mas afinal acabou por revelar-se vulgar, sem encantar, ao que me pareceu, nenhum dos presentes. O meu comentário na hora foi que lhe faltava corpo... e alma, e está tudo dito.
No final da refeição houve dois vinhos do Porto para comparar, um Colheita de 91 (da Niepoort) e um LBV (da Warre's), e o meu veredicto é... X. Gostei de ambos, cada um com o seu perfil., embora não sejam comparáveis, mas não consigo pender para qualquer dos lados. Para mais pormenores, aconselho a leitura dos outros blogs presentes, onde certamente haverá uma descrição mais detalhada das muitas provas realizadas.
Quanto ao repasto, a entrada de folhado de pato estava saborosíssima, os filetes de linguado excelentes (marcharam enquanto o diabo esfrega um olho), e as presas de porco (que substituíram as costeletas de borrego devido a imponderáveis de última hora) também se comeram bem, embora fossem o prato mais vulgar dos três. Também a tarte estava muito boa, com um gelado e um toque de canela bastante agradáveis.
No final de tudo, o regresso processou-se de táxi, tal como a ida, para não arriscar, mas afinal não estávamos tão afectados como seria de supor, pois bebeu-se com moderação e sem exageros. Afinal, somos todos amantes dos néctares de Baco mas não alcoólicos.
Só me resta agradecer ao anfitrião da York House, José Tomaz de Mello Breyner, pela disponibilidade demonstrada para acolher esta iniciativa, ao Pingus Vinicus por ter dinamizado a coisa e concentrado a informação para os preparativos do acto, e a todos os comparsas que escrevem, lêem e comentam os nossos blogs, e que tive o prazer de conhecer neste encontro e com os quais troquei opiniões bastante interessantes, enriquecendo mais um pouco os meus conhecimentos sobre este mundo tão fascinante que é o do vinho. Faço votos para que esta tenha sido apenas a primeira de muitas iniciativas do género que se repitam pelo tempo fora. Um brinde a vocês todos.
À nossa!
Kroniketas, enófilo esclarecido e ainda sóbrio
Publicada por
Krónikas Vinícolas
à(s)
02:28
|
Etiquetas: Brancos, Dao, Dao Sul, Encontros, JM Fonseca, Lisboa, Madeira, Niepoort, Restaurantes, Santar, Terras Sado, Tintos, Verdelho, Vinho do Porto
quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
No meu copo, na minha mesa 79 - Quinta do Sanguinhal 98; William Fevre 2004; Restaurante O Jacinto
Em tempos recuados tinha uma das melhores açordas de marisco da capital, senão a melhor. Valia a pena ir lá para comer a açorda. Também havia uns croquetes quentinhos para entrada que eram uma delícia. Na década de 80 atravessou uma crise que pode ter sido justificada por cortar nos ingredientes. Lembro-me duma açorda que em vez de marisco tinha apenas delícias do mar. Actualmente tem marisco, embora pouco e cortado ao meio, mas a açorda continua a ter aquele paladar que fez as minhas delícias há 30 anos. A verdade é que nas últimas visitas a casa estava cheia, e na última assim aconteceu.
Além da inevitável açorda de marisco, ainda vieram para a mesa um caril de gambas, uma picanha e uma perna de porco assada no forno. Destes só provei a picanha, porque fui lá de propósito para comer a açorda de marisco (isto porque ir ao Pap’Açorda no Bairro Alto nem sempre é prático). A picanha cumpriu como é habitual. A açorda também. Muito bem temperada, com muita salsa, bastante aromática, na consistência certa. Enfim, apesar de modesta na quantidade de marisco, soube bem comer e deixou-me plenamente satisfeito, assim como os restantes comensais que optaram pelo prato.
Para sobremesa vieram apenas duas encharcadas de ovo, talvez um dos melhores doces de ovos que existem. Tal como no Alqueva, comeu-se e ficou a apetecer mais.
O serviço é atencioso, simpático, rápido e eficaz, o ambiente acolhedor, a ementa variada. Não será o melhor restaurante de Lisboa, mas tem todas as condições para ser um dos melhores, e só não será se os responsáveis não quiserem.
Para os líquidos, como havia peixes e carnes, pediu-se um branco e um tinto, e tentámos fugir ao mais habitual, pedindo dois vinhos menos vistos. Apesar de uma carta de vinhos extensa (embora pobre nalgumas regiões), como é frequente nos restaurantes portugueses pede-se um vinho que está na carta e depois não existe na garrafeira. Assim voltou a acontecer por duas vezes, e acabámos por ficar por um William Fevre (branco) e um Quinta do Sanguinhal (tinto).
Foi a minha segunda experiência com um William Fevre. A primeira tinha sido no Chafariz do Vinho, com um Sauvignon Blanc de 2004. Desta vez não era mencionada a casta, mas no contra-rótulo vinha a indicação de ser apenas Chardonnay. Tinha uma bela cor amarelo palha, era frutado como quase todos os Chardonnay, mas desta vez sem ser enjoativo, com um toque floral e bastante equilibrado em termos de corpo e acidez, denotando bastante frescura no paladar. Agradou a todos os presentes, embora eu tivesse gostado mais do Sauvignon Blanc por ser mais suave.
Para o tinto escolhemos este da região de Óbidos, que em tempos já teve algum destaque com o Gaeiras (branco e tinto), mas que na última década tem andado mais ou menos desaparecida. A verdade é que este Quinta do Sanguinhal, de 1998, já com alguma evolução bem presente, revelou-se ainda em grande forma e foi uma agradável surpresa. Bom corpo, uma cor retinta e bons taninos, bom equilíbrio entre o carácter frutado e a madeira nova de carvalho francês, suave e elegante no paladar. Ficámos curiosos acerca deste vinho com menos dois ou três anos, poderá ser um caso a ter muito em conta. Sem dúvida um vinho a rever.
tuguinho e Kroniketas, enófilos esforçados e esclarecidos
Restaurante: O Jacinto
Av. Ventura Terra, 2 (Telheiras)
1600 Lisboa
Telef: 21.759.17.28
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 4
Vinho: William Fevre 2004 (B)
Região: Chablis (França)
Produtor: William Fevre - Chablis
Grau alcoólico: 12%
Castas: Chardonnay
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Quinta do Sanguinhal 98 (T)
Região: Estremadura (Óbidos)
Produtor: Companhia Agrícola do Sanguinhal
Grau alcoólico: 12%
Castas: Castelão, Tinta Miúda, Carignan
Nota (0 a 10): 8
Publicada por
Krónikas Vinícolas
à(s)
02:32
|
Etiquetas: Brancos, Carignan, Castelao, Chardonnay, Estrangeiros, Estremadura, França, Lisboa, Obidos, Restaurantes, Sanguinhal, Tinta Miuda, Tintos, W.Fevre
quarta-feira, 3 de janeiro de 2007
No meu copo, na minha mesa 78 - João Pires 2004; Vinha da Defesa 2004; A Travessa do Rio

Tratando-se de um grupo alargado com outros comensais e mais alguns descendentes, depois de alguns entreténs-de-boca como rissóis, queijos, presunto, ovas e filetes, o pessoal já estava meio jantado quando passámos à ementa. As opções eram variadas e para todos os gostos, mesmo não sendo em número muito elevado. Por consenso entre todos, para 8 adultos e 3 crianças pediram-se 3 doses de filetes de peixe-galo com arroz de marisco e 3 de palleta de cordeiro assada no forno.
Sem ser necessário pedi-lo expressamente, foram servidos primeiro os filetes, que estavam deliciosos assim como o arroz, que veio a acompanhar num prato à parte, malandrinho e de comer e chorar por mais. Rapidamente a minha dose de arroz desapareceu, e o mestre de serviço imediatamente se prontificou a trazer um reforço, mesmo sem eu pedir.
Terminada a função com o peixe, passámos então à carne, que cumpriu o que se esperava. Uns excelentes bocados de cabrito com batatinhas assadas e grelos cozidos, que marcharam até ao fim, embora nesta fase o apetite já fosse desaparecendo, mas perante tão deliciosos pitéus é difícil resistir.
Para acompanhar a refeição pedimos um vinho branco e um tinto. Dados os preços obscenos para o vinho que se continua a praticar nos restaurantes, cada vez é mais difícil escolher vinhos decentes sem ser por valores indecentes. Mas conseguimos fazer duas boas escolhas, dois vinhos que têm lugar assegurado nas nossas sugestões. Para o branco escolheu-se um João Pires, a 9,50 € (preço em feira de vinhos: 4,48 €), por sinal um dos meus brancos preferidos, e para o tinto um Vinha da Defesa, da Herdade do Esporão (que por coincidência foi o vinho bebido há exactamente um ano, na passagem-de-ano anterior), por 14,50 € (preço em feira de vinhos: 6,28 €). Ambos da colheita de 2004.
Como se esperava, estavam os dois excelentes. Já tínhamos feito uma apreciação ao João Pires de 2004. O Vinha da Defesa 2004 tem mais álcool que o de 2003, 14,5%, mostrando um aroma mais exuberante logo de início. Mantém o carácter frutado, com os taninos bem presentes, típicos do Aragonês, mas muito disfarçados por um corpo cheio e um leve toque caramelizado que lhe é dado pelo Castelão. Parece ter melhorado em relação ao de 2003, estar mais apurado, embora quanto a mim continue a verificar-se um excesso de álcool.
Como se aproximava a meia-noite e ainda havia uns doces para degustar em casa com o espumante, abdicámos das sobremesas.
A Travessa do Rio fica num beco entre a Estrada de Benfica e a Avenida Gomes Pereira. A pé pode-se entrar por baixo das arcadas da Estrada de Benfica e está-se imediatamente junto à porta. De carro entra-se pela avenida Gomes Pereira e vira-se para a Travessa do Rio, a última perpendicular antes da Estrada de Benfica. Foi a minha terceira vista a este restaurante, e esta foi a que mais me agradou em termos de refeição e de serviço. Casa cheia e, apesar de tudo, serviço eficiente, pronto, atencioso. Sempre que faltava algo na mesa (nas entradas, nas bebidas ou no prato) logo alguém se prontificava a trazer mais. O serviço de vinhos não é excepcional mas houve o cuidado de servir o vinho tinto em copos adequados, de pé alto, boca larga e em forma de tulipa para podermos arejar e aspirar o aroma do vinho.
Na conta é que fiquei com dúvidas sobre se tínhamos pago mais do que aquilo que comemos nas entradas, pois não sei se todas as doses foram encetadas. Os preços dos pratos não são suaves, na casa dos 15 euros ou mais, mas a qualidade dos mesmos e do serviço compensa largamente. De resto, numa refeição com menos entradas pode-se conseguir pagar um pouco menos. Uma referência a fixar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Restaurante: A Travessa do Rio
Travessa do Rio, 6
1500-551 Lisboa
Telef: 21.716.05.43
Preço por refeição: 30 a 35 €
Nota (0 a 5): 5
Vinho: João Pires 2004 (B)
Vinho: Vinha da Defesa 2004 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Castelão
Preço em feira de vinhos: 6,28 €
Nota (0 a 10): 8
Publicada por
Krónikas Vinícolas
à(s)
01:55
|
Etiquetas: Alentejo, Aragonez, Brancos, Castelao, Esporao, JM Fonseca, Lisboa, Moscatel, Reguengos, Restaurantes, Terras Sado, Tintos








