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domingo, 6 de dezembro de 2009

No meu copo 257 - Bétula 2008; Duas Quintas Reserva 2003; Concha y Toro Late Harvest, Reserva Privada 2006

O último Sporting-Benfica, que já vimos escrito algures ter sido o pior derby de sempre, levou a mais uma reunião gastrónomo-etilista do grupo restrito dos Comensais Dionisíacos, ou seja, os suspeitos do costume. E se o jogo foi fraquinho, o repasto não o foi, sobretudo ao nível dos bebes, como adiante se verá. Abriu-nos as portas e disponibilizou o ecrã gigante o confrade tuguinho.

Na abertura provámos um branco duriense de seu nome Bétula, ofertado pelo produtor às Krónikas Vinícolas, o que publicamente agradecemos. Talvez por aqui já se tenha dito – mas não é demais repetir e também foi dito ao produtor – que somos todos amantes e amadores do vinho. Somos compradores e bebedores e não críticos, só que gostamos de escrever e de partilhar as provas. Não estimulamos as ofertas mas aceitamo-las, porque nos permitem conhecer novidades, não significando a aceitação das mesmas, como é bom de ver, nenhuma garantia de uma apreciação mais favorável. Aqui não se fazem jeitos. 10 000 euros, caixas de robalos ou equipamentos desportivos não são endereçáveis a esta confraria...

Posto isto e dito assim de forma crua, atirámo-nos ao Bétula 2008 bem fresco, virgens de espírito e sem nenhumas expectativas. Ao mesmo tempo fomos debicando umas lascas de presunto e de outros enchidos, acompanhadas de pão escuro. E o Bétula passou com distinção na prova! Trata-se de um vinho feito com as castas Viognier, fermentada em carvalho francês, e Sauvignon Blanc, fermentada em inox. Apresenta-se com uma cor citrina carregada, madeira ligeira, muito discreta e muito bem integrada no vinho. A madeira nos vinhos é um pouco como o tempero nos alimentos, tem de ser usada na conta certa sob pena de os descaracterizar, e neste Bétula a madeira está presente na dose certa, conferindo-lhe alguma complexidade mas permitindo-lhe manter a fruta, de notas tropicais, a frescura e uma acentuada mineralidade. O Bétula é um daqueles vinhos que provam que se podem fazer bons brancos portugueses. Degustámos apenas uma garrafa, deixando a outra para uma próxima oportunidade.

Prontas a comer vieram umas costeletinhas de novilho grelhadas que de diminutivo só tinham mesmo o nome, tal a generosidade das doses, acolitadas por arroz branco e batatas fritas. A acompanhá-las abrimos duas garrafas de Duas Quintas Reserva 2003, que tínhamos em stock na garrafeira dos Comensais. É um vinho com seis meses de estágio em pipas de carvalho novo, que depois de engarrafado na Quinta dos Bons Ares envelheceu dois anos em garrafa. Apresentou-se retinto na cor, exuberante nos aromas, já com algum bouquet, uma grande estrutura, onde predominam os frutos vermelhos, e um final de boca muito prolongado. A madeira está lá mas nem se nota. Os taninos, ligeiros e muito bem domados, completam o leque. É um vinho de grande, grande nível, diríamos quase perfeito. Houve grandes loas ao dito por parte dos comensais. Um ou outro aventuraram-se mesmo a dizer que está no lote dos melhores vinhos portugueses que já beberam. Temos também umas garrafitas do Duas Quintas Reserva Especial (adquiridas para a comunidade pelo Kroniketas depois de ter conhecido o vinho numa prova com João Nicolau de Almeida, na Wine O’Clock) no qual, após esta prova, depositamos legitimamente grandes expectativas. É um daqueles vinhos na presença dos quais se percebe melhor a expressão popular: «que grande pomada!». É realmente um vinho untuoso, que se mastiga e que escorrega como mel. Um êxtase para os sentidos.

Para finalizar, aletria, arroz doce e uma mousse de chocolate negro com natas, debruada de farripas de chocolate igualmente negro, permitiram-nos provar um Concha Y Toro Late Harvest Reserva Privada 2006, da região de Maule Valley no Chile - um verdadeiro néctar, com notas de mel, passas e fruta muito madura. Muito doce e muito exuberante no olfacto e no palato. Para alguns de nós foi uma estreia na prova destes Colheitas Tardias e uma revelação. A exuberância no nariz e na boca é tão grande que quase passa por licoroso.

Politikos, artista amador e convidado, a puxar a carroça do KV, com Kroniketas, tuguinho e Mancha

Vinho: Bétula 2008 (B)
Região: Douro (Regional Duriense)
Produtor: Catarina Montenegro - Quinta do Torgal
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Viognier (50%), Sauvignon (50%)
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Duas Quintas Reserva 2003 (T)
Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional (2/3), Touriga Franca, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 19,59 € (comprado em 2007)
Nota (0 a 10): 9,5

Vinho: Late Harvest Reserva Privada 2006 (B)
Região: Maule Valley (Chile)
Produtor: Concha Y Toro
Grau alcoólico: 12%
Casta: Sauvignon Blanc
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

No meu copo 71 - Quinta da Alorna branco, Colheita tardia 2003

Um vinho difícil é a primeira coisa que se pode dizer deste, que segue um pouco a moda actual de fazer vinhos deste género, em que as uvas são colhidas em Outubro ou Novembro, em estado de sobrematuração, normalmente naquilo que se convencionou chamar de podridão nobre.
Estes vinhos resultam muito concentrados de corpo e muito doces, com elevado grau alcoólico, dando-lhes um perfil quase de vinhos generosos, adequados para acompanhar sobremesas. Dada a sua elevada concentração e doçura, normalmente são apresentados em garrafas de meio litro e não de 7,5 dl.
Este Quinta da Alorna segue essa linha, com uma cor quase de mel, a tender para o caramelizado. No nariz, a primeira sensação parece realmente de algo apodrecido, o que estranha quem não está habituado. Depois prova-se e vamos tentando habituar o paladar àqueles sabores adocicados fora do vulgar. Aqui a sensação tende para as compotas ou mais para o mel, mas sempre com um certo travo de fungos ou bolor lá no fundo.
Como experiência é interessante, mas confesso que não fiquei fã do género. É necessária bastante habituação a estes aromas, o que, dada a pouca frequência com que se prova um vinho destes, não deve ser fácil de conseguir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Alorna, Colheita tardia 2003 (B)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Casta: Fernão Pires

Preço em feira de vinhos: 8,5 €
Nota (0 a 10): 6,5