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quinta-feira, 20 de maio de 2010

No meu copo 274 - Douro Sogrape Reserva 2002; Casa de Santar Reserva 2005

(continuação)

Já com o almoço, composto por uns bifinhos de carne Angus à moda do Kroniketas passada no ponto, acompanhados por batatas fritas, tomaram assento à mesa os tintos em prova paralela com os quais fomos acompanhando a carne. O Douro Sogrape Reserva 2002, velho conhecido das nossas lides, cumpriu com brilhantismo a função, como aliás se esperava. É um daqueles jogadores que não sabe jogar mal e uma aposta segura para qualquer treinador. No copo mostrou uma cor granada límpida e no palato apresentou-se encorpado, pujante para a idade que tem e persistente na boca. Simultaneamente, os seus taninos, arredondados pela idade, conferem-lhe elegância e distinção. Bebeu-se agora mas poderia seguramente ficar mais uns anos que iria adquirir charme sem decair. Aliás, vai ficar, porque a garrafeira do Kroniketas tem lá mais de uma dúzia... São os restos desta excelente colecção de Reservas que a Sogrape detinha até há pouco tempo, com produções no Douro, Dão, Bairrada e Alentejo, e que tantas belas provas nos proporcionaram durante muitos anos.
Deixámos para o fim o Casa de Santar Reserva 2005, também um velho conhecido das nossas garrafeiras, que claramente nos convenceu. Apesar de ser um vinho de 2005, apresentou-se no copo com uma cor algo acobreada. Inicialmente fechado no nariz e algo concentrado na boca, foi evoluindo ao longo da refeição. Fomos conversando entre nós mas também com ele, como um velho amigo que se reencontra e com o qual vamos engrenando a conversa. Foi-nos evocando no nariz adegas velhas e vinhos antigos e na boca apresentou-se estruturado e elegante, sem, contudo, perder a personalidade típica do Dão. Um Dão clássico que, pela maior elegância, agradou mais ao Politikos do que um Cabriz Reserva 2006 bebido recentemente. A recuperar e confirmar as impressões de ambos em prova comparada num destes dias, à semelhança de experiências anteriores.
Um gelado de natas coberto com chocolate quente fechou a contenda com chave de ouro.

Politikos e Kroniketas, enófilos em libações intercalares por via da visita papal

Vinho: Douro Sogrape Reserva 2002 (T)
Região: Douro
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço: 10,98 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Casa de Santar Reserva 2005 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade Agrícola de Santar - Dão Sul
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 8,97 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

No meu copo 264 - Cabriz Reserva 2004

Já se tornou um clássico nas nossas escolhas, a par do Casa de Santar Reserva. Este Reserva da Dão Sul é um dos bons exemplos do que pode ser um vinho de qualidade acima da média por um preço que não escalda.

Esta colheita de 2004 foi degustada precisamente em pendant com o exemplar restante do Casa de Santar Reserva 2003, já aqui anteriormente apreciado. É uma prova que vale a pena fazer para comparar o perfil de dois vinhos com algumas semelhanças mas com diferenças evidentes.

Nesta prova comparada o Cabriz mostrou-se um pouco mais robusto, como seria de esperar, mas sem deixar de ser elegante. Muito frutado com predominância de frutos vermelhos e flores silvestres, com final persistente e um toque a especiarias. O Casa de Santar mostrou-se ainda em grande forma mas com mais elegância e um bouquet mais profundo. Foram servidos a acompanhar umas deliciosas costeletas de borrego grelhadas e quer um quer outro saíram-se muito bem da contenda. Vale a pena comprar e recomprar, porque são daqueles vinhos para os quais uso uma frase que gosto de repetir: nunca nos deixam ficar mal.

Kroniketas, fã do Dão e da Dão Sul

Vinho: Cabriz Reserva 2004 (T)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 6,95 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 28 de novembro de 2009

No meu copo 255 - Porta dos Cavaleiros Reserva, Touriga Nacional 2007

As Caves São João são uma das mais antigas empresas de produção de vinho em Portugal, com uma origem que remonta a 1920.
Alguns dos seus vinhos emblemáticos são nossos conhecidos há muitos anos, como o Frei João, o Frei João Reserva, o Caves São João Reserva e o Porta dos Cavaleiros. Já tivemos algumas experiências extraordinárias com algumas relíquias desta casa, como aconteceu com uma garrafa magnum de Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada de 1975. Nos últimos anos os vinhos destas caves andaram um pouco longe da ribalta, e durante algum tempo era praticamente impossível encontrar o Frei João Reserva, o Caves São João Reserva e o Porta dos Cavaleiros Reserva. O reencontro de certa forma ocorreu numa das últimas edições do Encontro com o vinho, onde a empresa estava representada com novos lançamentos destes vinhos. Neste momento já é possível encontrá-los à venda.
Há alguns meses experimentámos uma garrafa de Porta dos Cavaleiros Reserva 2002 que não convenceu, ficando em suspenso uma nova prova para tirar dúvidas. Mas entretanto encontrámos à venda uma versão monocasta deste vinho, que desde logo tratámos de adquirir.
Foi uma boa revelação. Trata-se de um vinho suave e aromático, com aroma predominantemente frutado e floral que lhe é conferido pela Touriga Nacional. Na boca é medianamente encorpado com boa persistência e final adocidado e aveludado, mas em que se notam taninos firmes.
Pareceu ter potencial para melhorar com mais um ou dois anos de garrafa, e tendo em conta o preço moderado parece ser uma boa opção de compra. Uma prova a repetir e uma marca a considerar nos recomendáveis.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Porta dos Cavaleiros Reserva, Touriga Nacional 2007 (T)
Região: Dão
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional (100%)
Preço em feira de vinhos: 5,85 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 13 de junho de 2009

No meu copo 247 - Dão Pipas 96

Outro clássico do Dão, que também anda algo perdido. Vem dos primeiros tempos da Sogrape na região, com o nome Vinícola do Vale do Dão, ainda antes do projecto da Quinta dos Carvalhais. Na minha fase de descoberta provei muitas colheitas da década de 80 e 90 a par com os primeiros Reservas Sogrape.
Esta garrafa magnum foi encontrada na Makro e tentei reencontrar nela memórias de outros tempos. Também já tivemos outras provas magníficas com garrafas magnum dos anos 70. Tivemos oportunidade de fazer algumas provas de confronto com o Reserva Sogrape e este Dão Pipas mostrou-se sempre um pouco mais macio que o Reserva. Este magnum de 96 mostrou-se ainda em boa forma, com um bouquet bastante pronunciado, bom corpo e boa persistência mas sempre marcado pela elegância. Vai-se espraiando no copo ao longo do tempo mas, dada a idade, já não sobe mais alto por muito tempo.
Ainda andam por aí umas garrafas de 99 mas começam também a reaparecer colheitas mais recentes, pelo que será também uma marca a revisitar proximamente.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Dão Pipas 96 (T) (garrafa magnum)
Região: Dão
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em hipermercado: 16,49 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 9 de junho de 2009

No meu copo 246 - Porta dos Cavaleiros Reserva 2002

Este é um clássico do Dão que há muito tempo eu não bebia. As Caves São João andaram numa espécie de hibernação durante alguns anos, com alguns dos seus produtos mais emblemáticos, como Caves São João Reserva, Frei João Reserva e Porta dos Cavaleiros Reserva, a desaparecerem das prateleiras. Em tempos mais ou menos distantes, alguns destes vinhos, como uma garrafa magnum de Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada de 1975, proporcionaram-nos magníficos momentos de convívio e de prova.
No penúltimo “Encontro com o vinho e sabores”, em 2007, falei com alguém no stand das Caves São João, onde voltaram a aparecer alguns dos produtos habituais e onde me foi dito que estava a ser criado um novo fôlego para o relançamento das marcas da casa. E ultimamente eles voltaram a aparecer, pelo que aproveitei para revisitar o Porta dos Cavaleiros Reserva.
Devo dizer que me decepcionou um pouco. Talvez não o tenha apreciado devidamente ou preparado a prova nas melhores condições, mas achei-o um pouco curto e algo discreto de aromas. Mas como agora já está no mercado a colheita de 2005 dentro em breve vou aproveitar para voltar à carga e refazer a prova com todo o cuidado. Não fiquei convencido com esta prova.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Porta dos Cavaleiros Reserva 2002 (T)
Região: Dão
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em feira de vinhos: 4,95 €
Nota (0 a 10): 7

quarta-feira, 27 de maio de 2009

No meu copo 242 - Quinta do Peru branco 2008; Dão Borges, Touriga Nacional 2005

Uma surtida com o tuguinho e o Politikos levou-nos aos Arcos, já um lugar obrigatório pela excelência do serviço e da culinária, para repetir o saboroso robalo no capote e o bife Wellington, desta vez complementados com um delicioso e suculento bife pimenta. Tal como nas visitas anteriores, 5 estrelas.
Para os líquidos, com uma vasta escolha à disposição, estivemos algo indecisos. O objectivo, como fazemos muitas vezes nestas ocasiões, era experimentar vinhos que não conhecêssemos, e assim acabámos por seguir a sugestão do escanção de serviço, quer para o acompanhamento do peixe quer da carne.
Deste modo travámos conhecimento com um Quinta do Peru branco de 2008, produzido em Azeitão, que fomos bebericando enquanto esperávamos pacientemente pela confecção do robalo no capote. Apresentou-se um vinho com bom aroma como é habitual nos brancos da península de Setúbal que, apesar dos seus 13,5 graus de álcool, não se mostrou pesado nem com o teor alcoólico excessivamente marcado. Uma pouco habitual combinação de duas castas que começam a impor-se um pouco por todo o lado, Viosinho e Verdelho, resultou neste branco em que uma acidez correcta, boca fresca, corpo e final medianos, cor entre o citrino e o palha e algumas notas de frutos brancos foram as características mais evidentes. Acompanhou com agrado o robalo e os entreténs-de-boca, de tal modo que ainda tivemos que pedir um reforço antes de passarmos aos substanciais bifes.
Para os bifes, seguindo novamente a sugestão do escanção, apontámos ao Dão para um Touriga Nacional da Borges de 2005 que foi uma belíssima revelação. Era um vinho debaixo de olho há muito tempo mas ainda não tinha calhado cruzar-me com ele. Veio na melhor altura, batendo-se em grande estilo com os bem temperados bifes. Tivemos aqui um exemplar da Touriga Nacional ao melhor nível, fugindo um pouco ao habitual floral e marcado por uma evidente robustez e taninos bem firmes. Ganhou com a decantação e foi-se revelando em aromas frutados ao longo da refeição, mantendo sempre uma admirável persistência. Ficámos rendidos a este belíssimo representante do novo fôlego do Dão.
Ainda deixámos umas gotas para o misto de sobremesas que encerrou o magnífico repasto, onde fomos reencontrar algumas já provadas nas anteriores visitas. O preço foi bem puxado (53 € por cabeça), mas caramba, para aquele nível até não se pode considerar chocante.

Kroniketas, com tuguinho e Politikos em trânsito pela marginal

Vinho: Quinta do Peru 2008 (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: Sociedade Agrícola Ribeira da Várzea
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Viosinho, Verdelho
Preço em hipermercado: 9,46 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Borges, Touriga Nacional 2005 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em hipermercado: 22,90 €
Nota (0 a 10): 8,5

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

No meu copo 223 - Quinta dos Carvalhais 2002

Devo estar com azar. Ainda não acertei com um destes novos vinhos da Quinta dos Carvalhais que me enchesse as medidas. Com esta colheita de 2002 voltou a acontecer. Achei alguma falta de intensidade aromática, de estrutura, de persistência, em suma desiludiu-me.
De um vinho da Sogrape espera-se sempre mais e melhor e tratando-se do Dão espera-se principalmente um aroma profundo e elegância. Mas aqui não encontrei nada de especial. Achei-o demasiado simples e linear. Vamos aguardar por outros produtos. Decididamente, este não faz esquecer o desaparecido Dão Sogrape Reserva.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta dos Carvalhais 2002 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

No meu copo 220 - Reservas Sogrape: o adeus


Foram cerca de 15 anos e quase 30 colheitas diferentes provadas entre 4 regiões: Douro, Dão, Bairrada e Alentejo (talvez não por acaso, um dos vinhos da Sogrape que nos encantou e que referimos mais de uma vez chamava-se precisamente Quatro Regiões). Foi um caso de amor à primeira vista e de paixão duradoura e correspondida, daquelas “até que a morte nos separe”. Neste caso, a separação foi decidida pelo produtor ao decretar a morte destes vinhos.

Ao longo dos 3 anos que este blog hoje completa (e por isso agendámos a publicação deste post para esta data, por uma questão de simbolismo), os vinhos da Sogrape, e estes Reservas em particular, foram os que tiveram direito a mais posts publicados. A nossa paixão pelos vinhos da Sogrape começou precisamente pela descoberta destes Reservas, já referida nos posts 99 e 100.

Desde o Dão 85 e o Douro 87, procurámos sempre ir acompanhando com regularidade as colheitas lançadas, e daí partimos para o alargamento dos nossos conhecimentos dos vinhos da empresa. Quando comecei a constituir uma garrafeira em casa, o Douro Reserva e o Dão Reserva sempre estiveram presentes. Pelo meio foram aparecendo, de forma mais esparsa, alguns Reservas da Bairrada e já no dealbar do século XXI apareceram os Reservas do Alentejo, após o começo da produção de vinho na Herdade do Peso.

Com a diversificação da gama de vinhos nas várias regiões, a empresa decidiu acabar com estes Reservas, um fim que vi anunciado pela primeira vez num dos guias de João Paulo Martins. A princípio custou-me a acreditar mas depois confirmou-se numa das provas de vinhos Sogrape na Wine o’clock. Os Reservas do Douro vão ficar sob a alçada da Casa Ferreirinha, sendo o Vinha Grande o seu sucessor natural (embora, insisto, o ache inferior), os Reservas do Dão são substituídos pela gama da Quinta dos Carvalhais e os Reservas do Alentejo ficam naturalmente integrados na nova linha da Herdade do Peso. Os Reservas da Bairrada sempre foram mais escassos e actualmente a empresa apenas investe na marca Terra Franca e ainda há um garrafeira por aí.

É claro que esta nova gama, bastante alargada, teoricamente substitui com vantagem cada um dos vinhos referidos. No entanto, daqueles que já tive oportunidade de provar, nenhum tem o mesmo perfil dos Reservas. São novos e são mais, mas são diferentes, por isso vou sentir a falta daqueles.

Estando o nosso stock a chegar ao fim, os Comensais Dionisíacos reuniram-se à mesa a pretexto de um Benfica-Sporting para degustar os últimos exemplares do Douro 2001, Dão 2000 e Alentejo 2001.

Já aqui falámos do Douro 2001 e do Dão 2000 noutros posts. Mantiveram aquilo que se esperava e, na minha opinião (que não foi unânime), o Douro continuou a mostrar-se o melhor, com um bouquet profundo e exuberante a fruto maduro, grande elegância e boa estrutura na prova de boca.

O Dão continua com um perfil um pouco menos polido mas mesmo assim bastante redondo e adequado para pratos de carne requintados mas com alguma pujança.

Finalmente o Alentejo, com duas colheitas algo diferentes. O 2001 com bom corpo mas com o aroma algo discreto, talvez a colheita menos conseguida das que provámos. Esquecida estava a última garrafa de 2000, já consumida noutra ocasião, que confirmou a prova anterior: uma grande estrutura e aromas exuberantes, um vinho com tudo no sítio. A primeira vez que provei um destes Reservas, no fim-de-ano de 2003, foram duas garrafas de 1999 e a primeira sensação foi precisamente essa: um vinho com tudo no sítio certo. Pena que tenha tido uma vida tão curta.
Em comum entre estes vinhos está o facto de todos terem um estágio de um ano em madeira seguido de mais algum tempo em garrafa, no mínimo 6 meses. Daí resulta saírem para o mercado já com alguns anos de existência e com os aromas bem casados. Não nos vamos repetir nas apreciações feitas anteriormente, pelo que quem quiser ler mais considerandos pode encontrá-los nos posts indicados:

- Douro Sogrape Reserva 2001
- Douro Sogrape Reserva 2000
- Dão Sogrape Reserva 2000
- Dão Sogrape Reserva 99
- Bairrada Sogrape Garrafeira 99
- Alentejo Sogrape Reserva 2000
- Quatro Regiões 97 (1) e (2)

Para perpetuar a memória, guardei uma garrafa do último Dão e do último Alentejo como recordação do rótulo algo “sui generis”. E para contrariar o destino, ainda me deparei com umas garrafas do Douro Reserva 2002 no Jumbo e na Makro (deve ser mesmo a última colheita à venda), e tratei de abastecer a garrafeira antes que acabem. Assim ainda posso prolongar o prazer por mais algum tempo, bebendo-as com parcimónia e com a companhia adequada. E entretanto encontrei um restaurante com uns restos de colecção, mas não vou dizer qual é. Pode ser que ainda consiga ir lá gastá-las...

Kroniketas, enófilo saudoso

Produtor: Sogrape

Vinho: Douro Sogrape Reserva 2001 (T)
Região: Douro
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Último preço: 10,74 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Dão Sogrape Reserva 2000 (T)
Região: Dão
Grau alcoólico: 12,5%
Último preço: 9,89 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Alentejo Sogrape Reserva 2001 (T)
Região: Alentejo
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro
Último preço: 11,16 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Alentejo Sogrape Reserva 2000 (T)
Região: Alentejo
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro
Último preço: 8,19 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

No meu copo 209 - Quinta do Cerrado, Malvasia Fina 2006; Quinta das Maias, Malvasia Fina 2007

Mais dois brancos de bom recorte que não conhecia. Não sou comsumidor habitual dos brancos do Dão mas há coisas interessantes para descobrir. Neste caso trata-se de dois brancos monocasta feitos de Malvasia Fina.
Já tive oportunidade de o referir algumas vezes, sou um fã desta casta pelo seu perfil aromático e floral, que dá aos vinhos uma elegância que me agrada. Mais uma vez isso aconteceu com estes dois vinhos do Dão, algo semelhantes.
O Quinta do Cerrado estagiou dois meses em barrica, não aparecendo a madeira muito marcada. Tem uma cor citrina ligeiramente esverdeada, aroma algo citrino, corpo médio mas ao mesmo tempo com uma estrutura média na boca, com final suave, elegante e equilibrado.
O Quinta das Maias tem 10% da casta fermentada em carvalho francês, apresenta uma cor amarelo-palha, igualmente com estrutura e complexidade médias e uma boa acidez que lhe confere frescura e equilíbrio.
Em ambos os casos encontramos vinhos muito frescos na prova de boca em que não se sente excesso de álcool e em que a madeira está bem doseada, sem excessos. A sua estrutura permite-lhes acompanhar pratos mais elaborados não deixando de ser aceitáveis em refeições mais leves. Em suma, dois bons resultados, a repetir sempre que possível.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Dão

Vinho: Quinta do Cerrado, Malvasia Fina 2006 (B)
Produtor: União Comercial da Beira
Grau alcoólico: 13%
Casta: Malvasia Fina
Preço em feira de vinhos: 4,65 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta das Maias, Malvasia Fina 2007 (B)
Produtor: Sociedade Agrícola Faldas da Serra
Grau alcoólico: 13%
Casta: Malvasia Fina
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

No meu copo 206 - Cabriz rosé 2007; Periquita rosé 2007; Quinta da Alorna, Touriga Nacional rosé 2007

As férias de Verão também foram aproveitadas para provar alguns rosés dentre os muitos que têm aparecido. Neste caso foram duas repetições e uma estreia. Já temos falado do crescendo dos rosés entre nós e, tal como os brancos, a sua qualidade tem vindo a crescer o que tem ajudado (e de que maneira) ao aumento da procura por estes dois tipos de vinho ainda há poucos anos tão mal amados, principalmente este de que agora falamos, que alguns nem consideravam vinho. Aliás, parece que para alguns produtores isso ainda é verdade pois ainda fazem os seus rosés a partir de sangrias de cuba. Mas o panorama é, actualmente, francamente animador e dá aos enófilos um bom leque de escolhas variadas.
Começamos pelo Periquita rosé 2007, uma das recentes apostas da José Maria da Fonseca na renovação desta marca secular. É o típico vinho de Verão, de esplanada, com um toque adocicado, bom para entradas ou simplesmente para beber como aperitivo num dia quente.
O Cabriz rosé 2007, uma repetição depois de já ter provado o de 2006, mantém a mesma linha leve e suave, com aroma floral e de frutos vermelhos. Mais personalizado que o Periquita e também um pouco mais versátil porque é mais seco. Igualmente bom para entrada, aperitivo ou para beber a solo mas também com pendor gastronómico.
Finalmente, o Quinta da Alorna rosé, Touriga Nacional 2007, para mim um dos melhores rosés do momento. No Verão do ano passado já me tinha encantado com o de 2006, e agora tive oportunidade de provar o de 2007, que me pareceu ainda melhor. Muito aromático e elegante, com aroma pronunciado a morangos e framboesas, seco e elegante na boca mas bem estruturado, ou seja, tudo no sítio neste belo rosé ribatejano, onde se conjugam nas doses certas o fruto, o álcool, o corpo, a acidez e a frescura. Um rosé para ter sempre na garrafeira.

Kroniketas, enófilo rosado

Vinho: Cabriz 2007 (R)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 12%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 3,98 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Periquita 2007 (R)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 11,5%
Castas: Castelão, Trincadeira, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 4,25 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Quinta da Alorna, Touriga Nacional 2007 (R)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 25 de junho de 2008

No meu copo 185 - Dão Milénio, Touriga Nacional e Aragonês 2004

Certo dia, ao almoço num restaurante de Lisboa, vi a alguns lugares no balcão onde me encontrava uma garrafa de vinho com um rótulo e um nome que não conhecia: Milénio. Perguntei ao empregado que vinho era aquele e ele mostrou-me uma garrafa. Vinho do Dão, de Penalva do Castelo. Como na ocasião ia lá almoçar todos os dias, resolvi num dia subsequente em que tinha companhia pedir uma garrafa daquele para experimentar.
Devo dizer que desde sempre (quando comecei a beber vinho) fui um apreciador dos tintos do Dão, que não costumam ser devidamente valorizados. Aprecio a macieza, a suavidade, a elegância destes tintos, que acho que não tem igual no país. Mas a moda leva os consumidores por outros caminhos...
Provado este Milénio, feito com as castas Aragonês e Touriga Nacional, fiquei bastante agradado com o resultado (aliás, são as duas castas rainhas nas regiões mais a norte; só não percebi o porquê de o Aragonês não aparecer aqui com o nome de Tinta Roriz). Veio ao encontro do que eu esperava . Uma bela cor rubi, um aroma profundo num misto entre a flor e os frutos silvestres, muito redondo na boca mas com bom corpo e um final persistente mas suave.
Mais tarde procurei este vinho nas prateleiras dos supermercados e acabei por encontrá-lo a um preço muito convidativo e obviamente trouxe um exemplar para casa. Dentro dos vinhos bons a baixo custo, este foi um dos que mais me agradaram nos últimos tempos. Considero-o uma excelente aposta para o dia-a-dia e uma boa companhia para pratos de carne suaves e com algum requinte. Valerá a pena olhar melhor para os vinhos deste produtor, pois se este entra na gama baixa é capaz de haver produtos bem interessantes na gamas superiores.
Quanto a nós, é mais um nome que acrescentámos à nossa lista dos recomendáveis.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Milénio 2004 (T)
Região: Dão
Produtor: Adega Cooperativa de Penalva do Castelo
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Os vinhos da festa 2007-2008 (3)

No meu copo 162 - Brancos



Ao longo da quadra festiva provámos mais uns quantos brancos que apreciámos assim:

Cabriz Colheita Seleccionada 2006 - Um branco despretensioso e agradável, na mesma linha do tinto com o mesmo nome. Bom acompanhante de peixe no forno, apresentando um bom equilíbrio entre corpo e estrutura, por um lado, e aroma e suavidade por outro. Feito com algumas das melhores castas brancas do Dão. Nota: 7

Prova Régia, Arinto 2005 - Do Prova Régia não há muito de novo a dizer. É sempre uma aposta segura, um dos meus brancos preferidos de Portugal. A frescura e acidez típicas do Arinto, com um aroma floral e notas de fruta tropical. Nota: 8

Quinta da Romeira, Chardonnay e Arinto 2005 - Em comparação com o Prova Régia, achei-o algo decepcionante. A mistura com o Chardonnay e a fermentação de 30% em barricas de carvalho dão-lhe aquele travo de que não sou grande fã, ligeiramente agreste para o meu gosto. Nota: 6,5

William Fevre, Sauvignon Blanc 2004 - Uma prova repetida de um excelente branco francês. É outra loiça. Já apreciado aqui. Nota: 8,5

Kroniketas, enófilo branqueado

Vinho: Cabriz, Colheita Seleccionada 2006 (B)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Malvasia Fina, Encruzado, Cerceal Branco, Bical
Preço em feira de vinhos: 2,79 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Prova Régia, Arinto 2005 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Companhia das Quintas - Quinta da Romeira
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 2,97 €

Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta da Romeira, Chardonnay e Arinto 2005 (B)
Região: Regional Estremadura (Bucelas)
Produtor: Companhia das Quintas - Quinta da Romeira
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Chardonnay, Arinto
Preço em feira de vinhos: 5,39 €
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: William Fevre, Sauvignon Blanc 2004 (B)
Região: Saint-Bris (França)
Produtor: William Fevre - Chablis
Grau alcoólico: 12%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em garrafeira: 14,90 €
Nota (0 a 10): 8,5

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

No meu copo 145 - Dão Sogrape Reserva 99

O stock vai-se esgotando, com grande pena nossa. Já aqui dissemos que somos fãs de longa data dos Sogrape Reserva, primeiro no Dão e no Douro e mais tarde no Alentejo. Fizemos questão de escrever o 99º e o 100º post de prova neste blog sobre os Reservas do Douro e do Dão, de 2000. Agora tivemos à mesa uma garrafa de Dão 99 que tinha ficado guardada em casa de um amigo.
Abrimo-la com uns bifes à café, e estava excelente. Devido à idade podia apresentar alguns sinais de cansaço, como já tinha acontecido com outras com idades semelhantes. Mas a verdade é que se mostrou em plena forma, com todos os aromas bem presentes, aquela pujança elegante (se é que se pode dizer assim) que o caracteriza a mostrar-se na plenitude. De cor ainda muito carregada, os taninos presentes mas já bem arredondados, uma persistência notável para um vinho com 8 anos e um fim de boca longo.
Bebemo-lo, melhor, sorvemo-lo avidamente até à última gota, tentando guardar na memória as últimas lembranças dum vinho anunciado para acabar. Agora só nos resta uma de 2000 na garrafeira e já não encontramos nenhuma à venda. Ainda há uns restos do Dão Pipas, um clássico de que um dia falaremos, e a partir daí teremos que enveredar pelo Quinta de Carvalhais. Como a primeira experiência não foi famosa, ficámos um pouco de pé atrás, mas continuamos a esperar que a nova marca faça jus à tradição dos vinhos dali saídos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Dão Sogrape Reserva 99 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em feira de vinhos: 9,89 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 10 de novembro de 2007

No meu copo 144 - Casa de Santar Reserva 2003; Quinta de Cabriz Reserva 2003


Já este ano tínhamos provado estes dois vinhos do Dão, referenciados entre os melhores no painel de tintos até 10 € da Revista de Vinhos. Mas um jantar entre amigos proporcionou a oportunidade de prová-los em conjunto, com a curiosidade acrescida de agora serem ambos propriedade da Dão Sul e poder compará-los.
O vinho é um mundo de surpresas, já todos o sabemos, e muitas vezes o que damos por adquirido transforma-se completamente perante uma prova surpreendente que vem abalar de alto a baixo as nossas convicções. Não foi bem o caso, mas foi quase.
De facto, as provas anteriores mostravam-nos claramente um Casa de Santar Reserva uns furos acima do Quinta de Cabriz Reserva. Enquanto aquele tinha mais estrutura, mais corpo, aromas mais complexos e maior persistência, este apresentava-se mais frutado, mais aberto, em suma um vinho um pouco mais fácil. Mas eis senão quando... nesta prova os papéis inverteram-se, para grande surpresa minha. Dentro da garrafa há sempre alterações inesperadas, e desta vez o Cabriz levou a melhor sobre o Santar. Convém referir que as colheitas provadas foram as mesmas da prova anterior, daí a surpresa ser maior. Não sei se foi aquele que melhorou em relação à garrafa provada anteriormente ou se foi este que decresceu, mas a verdade é que o Cabriz mostrou, desta vez, maior complexidade na prova gustativa, um toque levemente especiado e foi desenvolvendo aromas terciários ao longo da refeição. Por sua vez o Santar apareceu mais linear, mais “liso”, digamos assim, sem perder a macieza que o caracteriza mas parecendo que alguma acidez se tinha ido embora.
Nas provas anteriores tinha classificado o Santar com 8 pontos e o Cabriz com 7,5. Se tivesse que fazê-lo de novo, por esta prova, talvez os classificasse ao contrário. Mas vou acreditar que o Santar não perdeu qualidades (até porque ainda há uma garrafa da mesma colheita cá em casa) e, a fazer fé no painel de prova da Revista de Vinhos, é um dos melhores tintos até 10 €. Eu também acho, pelo que espero que as próximas provas e as próximas colheitas confirmem as expectativas que este vinho sempre levanta. E já agora, que confirmem também a melhoria do Cabriz.

Notas de prova da Revista de Vinhos:

Casa de Santar Reserva 2004: Muito bem de aromas, fruta concentrada e densa, com notas anisadas. A boca mostra-se com muito boa estrutura e classe, taninos afinados, fruta final a marcar presença. Nota: 17

Cabriz Reserva 2004: Denso na cor, fruto preto, tudo algo fechado e sem se mostrar muito, ligeiro rebuçado e licorados; muito bem na boca, cheio e com estrutura, ligeiramente doce mas bem proporcionado, é um belo tinto de final prolongado. Nota: 16

Comentário: uma descrição que confirma exactamente o que se espera destes dois vinhos, e que no caso do Cabriz se aproxima da sensação colhida nesta segunda prova. Definitivamente, dois vinhos para nunca faltarem na garrafeira.


Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 30 de julho de 2007

No meu copo 132 - Cabriz Rosé 2006

Neste tempo de calor calha sempre bem aproveitar a versatilidade de um vinho rosé para refrescar o corpo e a alma. Os rosés estão na moda e cada vez há mais marcas no mercado e mais empresas de norte a sul do país a produzir vinho rosé, mesmo aquelas com décadas de história e que até há 2 ou 3 anos só faziam brancos e tintos.
Um dia destes fui à procura de um rosé para acompanhar um lanche ajantarado na casa de um amigo. Actualmente já começa a haver a dificuldade da escolha, dada a proliferação de vinhos rosé nas prateleiras, pelo que resolvi apostar num daqueles produtores que são sempre apostas seguras, e fui para a Quinta de Cabriz.
Agora com o nome vinhos reduzido apenas para Cabriz por questões de marketing (desde que a Dão Sul ficou com a gestão da Casa de Santar, esta passou a ser a grande aposta da empresa em termos de vinhos de quinta), os vinhos da Quinta de Cabriz têm-se tornado uma referência importante na região do Dão, com uma qualidade média bastante aceitável e sem grandes oscilações, pelo que dão sempre alguma garantia de não defraudar o consumidor. E foi o que aconteceu com este rosé, uma aposta recente da casa. É um daqueles rosés como eu gosto, com um perfil leve e suave, sem o excesso de álcool que também já começava a ameaçar estes vinhos, com aroma predominante a frutos vermelhos e algum floral, ligeiramente seco e com um final de grande frescura na boca e com alguma persistência.
Sem dúvida que vou voltar a apostar nele. É uma bela companhia para estes dias quentes, quer à refeição quer como aperitivo ou apenas para entreter na esplanada.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cabriz 2006 (R)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivnícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 12%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro
Preço em hipermercado: 3,90 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 27 de junho de 2007

No meu copo, na minha mesa 124 - Montevalle Reserva 02, Casa de Santar 03, Murganheira Branco Seco 06; Petisqueira do Gould (Paço d'Arcos)




Continuando nos arredores da capital, aproveitámos uma folga para dar um saltinho a Paço d’Arcos. Indo pela Avenida Marginal em direcção a Cascais, sai-se na primeira saída para Paço d’Arcos, desembocando-se logo na Rua Costa Pinto, onde o nº 47 aloja o restaurante Os Arcos e alguns metros à frente, no nº 93, se encontra a Petisqueira do Gould. Na mesma zona, quase em frente, há a Casa Gallega e ainda um restaurante italiano e, num patamar mais abaixo, a Marítima e um restaurante asiático. Há muito por onde escolher.
Depois de espreitarmos à montra d’Os Arcos e da Petisqueira do Gould, ali a 100 metros um do outro, optámos por este último, ficando Os Arcos para próxima oportunidade. Franqueada a porta, encontrámos um espaço reduzido, quase intimista (a sala dispõe apenas de 30 lugares), onde somos conduzidos à mesa pelo anfitrião, o Sr. Amando Carvalho, dono daquele espaço.
Como entretém-de-boca apareceram na mesa umas tirinhas de presunto, pão de alho torrado e um creme à base de sapateira servido na própria concha.
Quando passamos à escolha dos pratos, a oferta, não sendo excessivamente extensa, é bastante variada, o que dificulta a escolha. Nos pratos do dia há arroz de garoupa com gambas, costeletinhas de borrego e posta mirandesa, entre outros. Como somos mais carnívoros, olhámos mais para o lado das carnes e chamou-nos a atenção a alheira de caça, o entrecôte grelhado e o tornedó, e ficámos ali a matutar no que escolher. Perante a nossa indecisão, o dono aproxima-se e sugere-nos a posta mirandesa, de carne certificada. Para fazer parelha acabámos por escolher o tornedó à portuguesa, frito em azeite e alho.
Os pratos foram apresentados num carrinho de servir e pedimos para dividir as doses em partes iguais, de modo partilhar os dois pratos. O dono acabou por servir-nos primeiro a posta mirandesa e guardou o tornedó na estufa. Obviamente, ambos mal passados.
A posta estava muito tenra, salpicada por um tempero original, em que se notaram algumas notas de canela e de ervas não identificadas pelos mastigantes.
Quanto ao tornedó, extremamente suculento e tenro, de carne de Lafões, sobressaiu precisamente pela simplicidade da confecção, que permitiu que a qualidade da carne se exibisse sem peias.
E quanto ao vinho? A decisão tinha sido esta: almoçar num restaurante desconhecido e beber um vinho desconhecido. A carta era extensa, principalmente no Douro e ainda mais no Alentejo. Estávamos de olho num Gouvyas quando o dono nos sugeriu um Montevalle Reserva 2002, da empresa Bago de Touriga, de Luís Soares Duarte e João Roseira. Trata-se de um vinho feito com uvas de vinhas velhas cultivadas em Soutelo, no Cima Corgo, e São João de Lobrigos, no Baixo Corgo. Fermentado 100% em lagar e engarrafado após 24 meses de estágio em barricas usadas, é um vinho de produção limitada, que não é habitual ver no circuito comercial. Em conversa connosco ao longo da refeição, o dono disse-nos que tinha encomendado 80 caixas mas que só lhe vão chegando a pouco e pouco.
O vinho foi servido inicialmente num copo de prova, sendo o resto decantado sem que fosse necessário pedi-lo. Pedimos, sim, um frappé porque o vinho se apresentou com a temperatura um pouco elevada. Após uns 10 minutos com o decanter dentro do balde com gelo, o vinho ficou à temperatura adequada, podendo então ser devidamente apreciado, para o que foram devidamente apresentados copos em forma de tulipa.
Fugindo um pouco ao habitual, este vinho não contém a quase omnipresente Touriga Nacional, ficando-se pelas habituais Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Apresenta uma cor com tonalidades violáceas, aroma frutado e a denotar alguma juventude. Na boca é medianamente encorpado e equilibrado, com uma acidez moderada e grau alcoólico não excessivo. Apesar dos 24 meses de estágio, a madeira não se sobrepõe no conjunto, deixando um fim de boca suave e fresco com um toque apimentado.
Como a garrafa se esgotou, ainda tivemos que recorrer a meia garrafa do que houvesse disponível, e a escolha recaiu num Casa de Santar 2003, que se mostrou bem à altura do desafio. Há cerca de um ano tínhamos provado uma garrafa desta colheita, e devemos dizer que esta meia garrafa nos surpreendeu favoravelmente. Muito equilibrado, muito macio mas suficientemente encorpado e persistente para não ficar perdido nas sobras do vinho anterior. Merece uma revisão da nota apresentada anteriormente.
Pelo meio, foram chegando mais uns reforços de pão torrado, batatas fritas às rodelas muito finas e os copos sempre preenchidos graças à extrema atenção do anfitrião, com quem fomos trocando algumas impressões acerca de outros vinhos, da origem das carnes e de outras sugestões que nos foi apresentando. Para finalizar, pedimos um delicioso e muito macio bolo de chocolate com gelado de nata, que rematou o repasto da melhor forma.
A grande surpresa aconteceu apenas três dias depois. Há coisas que não se preparam antecipadamente, simplesmente acontecem porque calha. Encontrámo-nos nesse fim-de-semana a propósito dum evento cultural ali para os lados de São Domingos de Rana e, já cerca das 21 horas, com os estômagos meio vazios depois de termos enganado a fome com uns croquetes e rissóis, resolvemos ir petiscar qualquer coisa para fechar a noite. Tinha-se pensado num belo bife, mas dado o adiantado da hora achámos melhor ficar por uma coisa mais leve, pensando-se então no peixe. Como já dissemos, não somos grandes piscícolas, pelo que não é fácil escolher o que comer. A hipótese de ir para o peixe grelhado, sugerida pelo tuguinho, foi desde logo liminarmente rejeitada. Queria-se peixe, sim, mas qualquer coisa que soubesse bem. Estando ali pela zona, acabámos por voltar ao local do crime, e fomos outra vez parar a Paço d’Arcos. Toca a fazer a mesma volta do outro dia, e na montra d’Os Arcos os preços do peixe eram algo assustadores. Com alguma renitência do tuguinho, fomos outra vez bater à porta da Petisqueira!
Fomos outra vez magnificamente atendidos, voltando a trocar alguns dedos de conversa com o Sr. Amando Carvalho, aproveitando o facto de termos ficado noutro ponto da sala onde pontificam alguns recortes de jornais para nos inteirarmos da origem daquele espaço. Ficámos a saber que a Petisqueira surgiu depois da ourivesaria que a antecedeu ter sido assaltada e os proprietários despojados dos seus pertences. Para refazerem o negócio montaram um restaurante com um desenho interior que mereceu um prémio da Câmara Municipal de Oeiras.
Quase com as 10 horas da noite a bater, olhámos então, desta vez, para os peixes, e optámos pelos filetes de peixe-galo com arroz mariscado. Estavam soberbos, muito saborosos, assim como o arroz, malandrinho como convém. Desta vez rejeitámos as entradas e ficámos suficientemente preenchidos sem exagerar, que era o que se pretendia.
Para terminar, repetimos a sobremesa. Não havia opção que nos agradasse mais.
Quanto ao vinho, voltámos a seguir a sugestão do Sr. Amando e escolhemos o Murganheira Branco Seco. Confirmou tudo o que se esperava: um vinho de grande elegância, com grande frescura na boca devido a uma acidez correcta e um grau alcoólico adequado (12%), que aumenta o prazer de beber sem nos pesar nem se tornar enjoativo, como muitos brancos fermentados em madeira e cheios de álcool que temos encontrado ultimamente. Este, sim, é mais ao nosso gosto. Frutado quanto baste, com alguma predominância floral que é proporcionada pela Malvasia Fina, uma casta que temos encontrado em brancos muito elegantes.
Quanto ao preço, tratando-se de duas refeições muito diferentes, o dispêndio também acabou por sê-lo. Na primeira pagámos 45 € por cada refeição, com uma garrafa de vinho a 26 € e ainda mais meia, enquanto na segunda, sem entradas, com apenas uma garrafa de vinho a 10 € e sem cafés, ficámo-nos por uns singelos 20 € por cabeça. Donde se conclui facilmente que é precisamente nas entradas e nos vinhos, mais que nos pratos, que se estabelece a diferença de preços. Mas não custa pagar o que pagámos da primeira vez quando se sai dum restaurante com o nível de satisfação que este nos proporcionou.
Perante este serviço de pratos e de vinhos irrepreensível, a qualidade da confecção e a atenção, afabilidade e simpatia do dono, só podemos considerar este restaurante como excelente. No final de duas visitas, prometemos voltar, não com três dias de intervalo, mas este local tornou-se visita obrigatória para nós. Não é preciso grandes poses para se atingir a excelência - apenas simpatia, competência e qualidade.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Restaurante: A Petisqueira do Gould
Rua Costa Pinto, 93
2770-213 Paço de Arcos
Telef: 21.443.33.76
Preço médio por refeição: 35 €
Nota (0 a 5): 5

Vinho: Montevalle Reserva 2002 (T)
Região: Douro
Produtor: Bago de Touriga Vinhos Lda.
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço no restaurante: 26 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Casa de Santar 2003 (T) (garrafa de 375 ml)
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Murganheira Branco Seco 2006 (B)
Região: Távora-Varosa
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa
Grau alcoólico: 12%
Castas: Malvasia Fina, Cerceal, Gouveio Real
Preço no restaurante: 10 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 11 de maio de 2007

No meu copo, na minha mesa 112 - Dão Meia Encosta Garrafeira 73, Quinta de Cabriz Reserva 2003; Curral dos Caprinos



Este restaurante é um clássico. Um nome que é sempre de considerar para uma refeição bem preparada mesmo ao pé da serra de Sintra, a pedir um passeio após o repasto. Para além disso há uma enorme garrafeira onde se podem encontrar verdadeiras relíquias, com mais de 30 anos, em bom estado de conservação sem ser a preços obscenos. Rumando a Sintra, há que tomar a estrada em direcção a Colares e à Praia das Maçãs e pouco à frente sair no cruzamento em direcção a Cabriz e Várzea de Sintra.
Há dois pisos com salas, sendo o piso superior bem mais agradável que o térreo, pois é todo rodeado de janelas, ao contrário do outro que é completamente interior e mais acanhado em termos de espaço.
Uma das especialidades da casa é o cabrito no forno, que vem cortado em pequenos pedaços rodeados de batatinhas e regados com molho do assado. Não é o melhor cabrito que já comi mas cai bem. Existem, contudo, muitas outras opções em duas páginas repletas de especialidades e pratos do dia.
Antes de se escolher a refeição somos quase inundados por uma série de entradas quentes, como rissóis e croquetes, para além de outras frias como o queijo fresco e fatias de presunto. Difícil de resistir quando a fome aperta.
Nas sobremesas também há imensas escolhas, com a curiosidade de algumas terem nomes bem sugestivos como “pijama”, pijaminha” e “cuequinha”, que são pratos com misturas de doces, frutas e gelados, com variadas combinações. Pode-se sempre optar pelos mais tradicionais, como o pudim de gemas ou a mousse de chocolate.
Mas a grande atracção é a garrafeira. Para além de se poder pedir uma garrafa de bom vinho por 13 ou 14 euros, bem longe dos 30 ou 40 que se vêem por aí, ainda encontramos vinhos de Reserva e Garrafeira dos anos 70, 80 e 90 pelo mesmo preço. Não resisti à curiosidade de experimentar uma dessas relíquias e pedi um Dão Meia Encosta Garrafeira de 1973. Foi aberto com todos os cuidados (não sem que a rolha se partisse, mas sem cair na garrafa) e posteriormente decantado. Mostrou uma cor ainda a revelar saúde embora com o acastanhado típico de um vinho desta idade. Houve que deixá-lo respirar algum tempo para vê-lo evoluir, mas estava em plena forma, sem qualquer sinal de declínio nem de estar a ficar “passado”. Claro que um vinho destes não é apreciado por toda a gente, há que conhecer as suas características para poder usufruir de tão nobre envelhecimento. Já não vai melhorar, mas pareceu estar num patamar estável de conservação.
Para compensar a velhice deste Meia Encosta pediu-se um mais novo, um Quinta de Cabriz Reserva de 2003. Trinta anos mais novo e a mostrar bem essa juventude. Uma bela cor rubi ainda fechada, com um aroma pronunciado a frutos vermelhos e silvestres, a fazer lembrar amora e cereja, e uma grande frescura na boca, onde o frutado e a acidez se equilibram bem com um teor alcoólico elevado. O mais curioso é que estes vinhos custaram 14 e 13 €, respectivamente, o que deve ser caso único em Portugal.
À saída ainda houve a oportunidade de trazer a garrafa do Dão Meia Encosta e, no remate da conversa, adquiri outro Garrafeira de 1977 pelo preço módico de 10 euros! Disse-me o chefe que prefere vendê-las baratas, se os clientes as quiserem levar, do que tê-las guardadas a estragarem-se sem que ninguém lhes pegue. E acho que faz bem. Quando quiser outra, já sei onde ir buscá-la. Só espero que esta de 77 esteja com tão boa saúde como a de 73 que lá bebi.
Como nota menos positiva realce-se a demora do serviço, principalmente nos pratos pedidos. Parece que ao fim-de-semana dispensam parte do pessoal e ficam com 3 pessoas a atender uma sala para cerca de 130 clientes. Depois o serviço ressente-se...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Curral dos Caprinos
Rua 28 de Setembro, 13
Cabriz - Várzea de Sintra
Telef: 21.923.31.13
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4

Vinho: Dão Meia Encosta Garrafeira 73 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12%
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Quinta de Cabriz Reserva 2003 (T)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alfrocheiro, Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 6,98 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 21 de março de 2007

No meu copo 100 - Dão Sogrape Reserva 2000

Fazemos hoje o 100º post sobre vinhos e restaurantes neste blog, e atingimos a centena da melhor maneira, com mais uma prova da Sogrape. Um bom parceiro do Reserva do Douro, referido no post anterior, é o Reserva do Dão, outra das nossas referências incontornáveis desde há mais de uma década.
Habitualmente menos exuberante que o Douro em termos de aroma, um pouco mais frutado e, curiosamente, com a mesma idade o Dão apresentou-se com um perfil mais jovem, com uma cor mais fechada. Não deixa de ser igualmente curioso que os Reservas do Douro estejam a ser comercializados primeiro que os do Dão para colheitas do mesmo ano, o que significa que estão a evoluir mais depressa. Nesta dupla prova de reservas da Sogrape confirmou-se uma clara maior evolução do Douro, que foi adquirido em 2003, enquanto o Dão foi adquirido em 2006.
Comparativamente, este Dão Reserva sempre foi menos fino que o Douro Reserva, embora fizesse também uma boa parceria para a maioria dos pratos de carne. Nas variadas experiências que tivemos com este vinho, atingiu o seu esplendor com pratos requintados de carne como tornedó, faisão, perdiz, assados no forno e costeletas de novilho muito mal passadas. Um bom corpo, uma acidez correcta, frutado quanto baste, um grau alcoólico moderado e um bom fim de boca, fazem dele uma boa companhia para quase todas as ocasiões.
A Sogrape tem também, há muitos anos, outro Reserva no Dão conhecido por Dão Pipas, de que já apanhámos algumas relíquias com mais de 30 anos, que estão num patamar semelhante a este Reserva. Não sabemos se ambos irão desaparecer para dar lugar apenas aos Quinta dos Carvalhais, o que será uma pena. Se assim for, que a nova aposta supere a anterior, porque essa perspectiva para o Douro ainda está longe de lá chegar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Dão Sogrape Reserva 2000 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em feira de vinhos: 9,89 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 5 de março de 2007

No meu copo 94 - Casa de Santar Reserva 2003

Continuamos no Dão para falar de um vinho que já é um clássico e uma das marcas mais prestigiadas da região: o Casa de Santar Reserva, neste caso a colheita de 2003.

A Casa de Santar passou recentemente para a gestão da Dão Sul, que se tornou a empresa mais representativa da região e tem-se pautado pela produção de bons vinhos que têm ajudado a recuperar o prestígio da região. Espera-se que na Casa de Santar prossiga essa política e não descaracterize os vinhos da marca.

No caso deste Reserva de 2003, trata-se dum vinho com aquela elegância típica e inigualável do Dão. Já em tempos falámos do Casa de Santar normal, que é um vinho bastante agradável, mas este, sendo um Reserva, naturalmente está noutro patamar.

Tem uma boa estrutura na boca, sem deixar de ser macio, aberto e suave. Uma bela cor rubi, brilhante, com um frutado não muito pronunciado e um bom equilíbrio entre o álcool e a acidez. Tem sido uma aposta segura e um daqueles vinhos que nunca desiludem. Uma presença garantida nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa de Santar Reserva 2003 (T)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Soc. Agrícola de Santar
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro

Preço em feira de vinhos: 8,27 €
Nota (0 a 10): 8