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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Na Wine O’Clock 8 - Vinhos do Esporão

Uma visita à Wine o’Clock para uma Prova Esporão foi o pretexto para, à última hora, uma fracção do núcleo duro dos Comensais Dionisíacos – composta por Kroniketas, Mancha e Politikos, à qual só faltou (como habitualmente, aliás) o tuguinho – acertar um repasto tardio.
Na Wine o’Clock a prova foi, como se esperava, excelente, passando em revista o portefólio da gama superior do Esporão:
- Esporão Reserva Branco 2009, um vinho moderno e fresco, com uns taninos finais que se sentem mas logo se recolhem;
- Private Selection Branco 2008, um branco de grande nível, complexo, amadeirado; que pode passar por tinto e acompanhar tudo à mesa;
- Quatro Castas Tinto 2009, que nesta colheita mudou o perfil e as castas – agora Alicante Bouschet, Aragonês, Touriga Franca e Touriga Nacional – quase podendo passar por Douro (nós preferimos o antigo, com verdadeiro perfil do Alentejo);
- Esporão Reserva Tinto 2008, um nosso velho conhecido, e que continua um excelente vinho e a dar cartas, numa boa escolha entre custo/qualidade;
- Private Selection Tinto 2007, excelentíssimo, elegantíssimo e complexo, que quase se mastiga, mas que todos nós achámos que para poder ser apreciado na sua plenitude é capaz de ganhar em ser bebido a solo e só com conversa, por se poder perder um pouco com a comida e sobretudo quando servido depois de outros, quando os estômagos já estão saciados e os palatos cansados.
- Rematámos em beleza com um Late Harvest 2009, bem feito e menos enjoativo do que outros que já provámos, sobretudo os do Novo Mundo. Não se aguenta com uma encharcada alentejana ou a acompanhar sobremesas muito doces, mas irá muito bem com uma salada de frutas, gelado ou tarte, por exemplo.
Em suma, a Herdade do Esporão continua a dar cartas.
(continua)

Politikos e Kroniketas, enófilos rendidos ao Esporão

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Encontro com o Vinho e com os Sabores 2009


Começou hoje no Centro de Congressos de Lisboa (antiga FIL, na Junqueira), mais uma edição do evento anual organizado pela Revista de Vinhos. Durante este fim-de-semana, como já é tradição, vamos lá.
Se tivermos vontade e pachorra (o que cada vez vai faltando mais), aqui daremos conta de algumas impressões relevantes.

tuguinho (em pré-reforma) e Kroniketas (quase a caminho), os diletantes cada vez mais preguiçosos

terça-feira, 5 de maio de 2009

Vinum Callipole 2009

À terceira consegui comparecer neste evento organizado pelo Copo de 3 e que decorreu no passado dia 2 em Vila Viçosa. Tive oportunidade de provar os vinhos das Altas Quintas, Granacer (Tapada do Barão), Sociedade Agrícola Vale de Joana (Grou), Gravato, Quinta do Zambujeiro e Casal Figueira. Notadas foram as ausências da Herdade das Servas e da Herdade do Portocarro.
Para o fim ainda houve a possibilidade de degustar mais em recato quatro vinhos velhos: Bairrada Real Vinícola 82, J. P. 88, Portalegre 95 e um Gaeiras já mais morto que vivo. Em grande forma mostrou-se o Portalegre e o Bairrada era daqueles à moda antiga, quase eternos.
Notas de prova? Procurem-nas talvez no Copo de 3 ou no Pingamor, que levou um caderninho de apontamentos. Eu, pessoalmente, já deixei há muito tempo de tentar fazer notas de prova neste tipo de eventos. Prova-se muito em pouco tempo mas não se tem… tempo para apreciar o vinho devidamente, por isso não gosto de formar uma opinião muito elaborada. Fica-se com uma ideia para mais tarde se ter alguma orientação do que poderá interessar.
Apesar da curta permanência, gostei desta participação. Deu para conversar com calma com os produtores presentes, principalmente na mesa das Altas Quintas onde para além dos 7 vinhos provados o produtor João Lourenço estava acompanhado pelo director de vendas, João Cancella de Abreu, primo do conhecido enólogo Nuno Cancella de Abreu. Conversa puxa conversa e quase dava para passar ali toda a tarde. Numa próxima oportunidade tentarei certamente fazer uma estada mais prolongada, não para beber mais mas principalmente para conversar com os outros convivas.
O meu obrigado ao Copo de 3 e, quem sabe, até para o ano.
De caminho ainda tive oportunidade de almoçar em Arraiolos, no restaurante O Alpendre, de que darei conta em próximo post.

Kroniketas, enófilo em trânsito

sábado, 29 de novembro de 2008

Semana gastronómica da caça no Alentejo


Começou hoje e vai decorrer até ao dia 5 de Dezembro em várias localidades do distrito de Beja (Aljustrel, Almodôvar, Barrancos, Beja, Castro Verde, Mértola, Odemira, Ourique e Serpa), onde diversos restaurantes apresentam pratos alusivos ao tema, à volta de perdiz, lebre, coelho, veado e javali.
No Portal do caçador podem ver mais detalhes e consultar a lista de restaurantes participantes e respectivas ementas. É de fazer crescer água na boca.

Kroniketas, caçador só no prato

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Encontro com o Vinho/Encontro com os Sabores 2008



Começou hoje mais uma edição deste evento já obrigatório, organizado pela Revista de Vinhos. Decorre até Domingo para o público e nós, claro, vamos lá amanhã, sábado.

tuguinho e Kroniketas, enófilos e tudo

sábado, 18 de outubro de 2008

Eventos eno-gastronómicos

Festival Nacional de Gastronomia na Casa do Campino, em Santarém, até 2 de Novembro.

Encontro com o Vinho/Encontro com os Sabores na Feira das Indústrias (antiga FIL), em Lisboa, de 31 de Outubro a 3 de Novembro.

domingo, 20 de julho de 2008

Na Wine O’Clock 5 - Com a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo



Numa das habituais provas de sábado de manhã, desloquei-me mais uma vez com o Politikos à Wine O’Clock para provar os vinhos da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo. Anterior propriedade da Burmester, começou há alguns anos a produzir os seus vinhos autonomamente, ao mesmo tempo que desenvolvia um projecto de enoturismo.
Situada perto do Pinhão, a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo tem vindo a afirmar o seu nome recentemente através duma gama de vinhos que vão desde os brancos e rosés até aos tintos e vinhos do Porto. Nesta apresentação tivemos oportunidade de provar um total de 9 vinhos: o 3 Pomares branco, rosé e tinto, que constituem a entrada de gama, vinhos relativamente simples e fáceis de beber; o Grainha branco e tinto, vinhos já com alguma complexidade situados num patamar médio em que o tinto se apresenta com uma relação preço/qualidade muito interessante; o Quinta Nova tinto e o Quinta Nova Reserva, estes já num patamar superior em que o Reserva precisa de mais tempo para se mostrar na plenitude; e finalmente dois exemplares de vinhos do Porto, um Ruby Reserva e um Vintage, dois bons exemplares dos melhores Portos.
Claro que a curta duração destas provas não permitem grandes dissertações sobre os líquidos provados e não propriamente degustados, mas pudemos ficar com uma ideia aproximada do que podem valer. Neste sentido pareceu-nos que o Grainha talvez seja a melhor aposta, sem descurar o Reserva. Os dois vinhos do Porto também pareceram muito bem conseguidos, em especial o Ruby que tinha quase um perfil de LBV.
Curiosamente, esta Quinta Nova era um local que eu tinha considerado como hipótese para fazer um passeio na altura dos feriados de Junho, pelo que esta prova veio aguçar um pouco mais o apetite para conhecer o local. Enquanto isso não acontece, vamos ficar com mais estas referências para uma apreciação mais demorada quando for possível.
Mais informações em http://www.quintanova.com/

Kroniketas, enófilo visitante

sábado, 7 de junho de 2008

Na Wine O’Clock 4 - Brancos e rosés





Mais uma prova na Wine O’Clock a um sábado, desta vez subordinada aos vinhos de um distribuidor. Tivemos a presença unicamente de vinhos brancos e rosés, com os produtores Companhia das Quintas, Herdade Grande e Quinta do Casal Branco.
A prova começou pelos rosés da Herdade Grande e da Quinta do Cardo, ambos de 2007. Este mais leve e aromático, proveniente duma quinta situada a 700 metros de altitude em Figueira de Castelo Rodrigo, uma das 7 pertencentes à Companhia das Quintas (as outras são a Quinta da Romeira, em Bucelas; a Quinta de Pancas, em Alenquer; a Quinta de Pegos Claros, em Palmela; a Herdade da Farizoa, em Elvas; a Quinta da Fronteira, no Douro; e as Caves Borlido, na Bairrada); aquele mais encorpado e com mais estrutura, proveniente da planície alentejana, na zona da Vidigueira.
Seguiram-se os brancos, onde tivemos oportunidade de voltar a provar o Herdade Grande, o Falcoaria, da Quinta do Casal Branco, e três brancos fermentados em madeira da Companhia das Quintas: o Quinta de Pancas Chardonnay Reserva, o Quinta do Cardo Síria Reserva e o Morgado de Sta. Catherina Reserva, todos de 2006. Estes brancos reserva têm a curiosidade de terem os seus rótulos homogeneizados para transmitir a imagem que daquilo a que a Companhia das Quintas chamou “The Quinta Collection”.
Pessoalmente não sou grande fã dos brancos fermentados em madeira pelo que o que mais me agradou foi o Falcoaria, muito suave e aromático e não fermentado em madeira, feito à base da casta Fernão Pires. Não deixa de ser interessante o Quinta do Cardo Síria, o mesmo nome da casta Roupeiro no Alentejo, um branco com a frescura da altitude. O Morgado de Sta. Catherina tem aquela força da acidez do Arinto de Bucelas e esta nova versão do Quinta de Pancas Chardonnay tem aquela untuosidade habitual no Chardonnay mas mantém uma certa frescura, talvez mais do que o de 2005 que tinha provado no Hotel da Penha Longa, tal como o Herdade Grande. Este último foi, assim, uma repetição, pelo que não trouxe novidades.
Em conjunto foi um painel interessante que nos trouxe alguns produtos que vale a pena conhecer e que de certa forma representam a retoma dos brancos em Portugal e o crescente apelo que os rosés têm vindo a transmitir. Pelo meio algumas conversas com os produtores presentes (o próprio António Manuel Lança esteve lá e falou-nos da sua Herdade Grande na Vidigueira) e com o director comercial da Companhia das Quintas, que ainda nos apresentou uma comparação entre o panorama dos vinhos nos anos 80 e agora a partir dum documento que encontrou com a referência aos vinhos vendidos há cerca de 25 anos. Como as coisas mudaram...

Kroniketas, enófilo esbranquiçado

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Prova de vinhos no Hotel da Penha Longa (2)

Depois da primeira incursão ao Hotel da Penha Longa, um fim-de-semana destes voltámos ao local do crime. O nosso anfitrião, Julian Milisse, desta vez preparou uma prova horizontal de vinhos tintos de 2005, de diferentes regiões e feitos com diferentes castas, de modo a estabelecer as diferenças entre eles.
Tivemos um Villa Romanu, da Herdade do Perdigão, do Alentejo; um Bridão Merlot, da Adega Cooperativa do Cartaxo, do Ribatejo; um Quinta do Peru, de Terras do Sado; um Dão Cativelos; e um Casa Burmester Reserva, do Douro.
O grupo de convivas desta vez era mais extenso e nem todos habituais bebedores, pelo que houve opiniões muito discrepantes nas provas. Pessoalmente achei o Villa Romanu um vinho fácil de beber e adequado para o dia-a-dia; o Bridão Merlot mais fechado e com um certo fundo vegetal que não agradou por aí além; o Quinta do Peru com a madeira demasiado marcada, coisa aliás habitual em muitos vinhos das Terras do Sado, mas houve quem gostasse assim; para os menos habitués, o Dão Cativelos cativou-os. Muito suave e com aroma frutado muito elegante. Por último, o Casa Burmester, mais complexo mas menos fácil numa primeira abordagem, mas certamente o mais equilibrado e completo de todos.
Conversa puxa conversa, fala-se dos vinhos preferidos e eis que vem à conversa o Duas Quintas e o Bons Ares. A certa altura Julian Milisse pergunta-nos se qual dos dois queremos provar e sugerimos... ambos. E ambos deixaram os presentes convencidos.
Pelo meio ainda nos foi pregada uma partida com uma garrafa tapada, que continha um vinho oxidado, que nos apanhou completamente de surpresa. Não estava propriamente azedo, mas cheirava a um bálsamo que se costumava friccionar no peito para a tosse...
Foram quase duas horas de animada conversa e mais uma vez ficou a promessa de voltarmos para outras provas e outras conversas.

Kroniketas, enófilo assíduo

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Na Wine O’Clock 3 - Com Paulo Laureano


Mais uma visita à Wine O’Clock desta vez para uma prova de vinhos de Paulo Laureano, um dos enólogos da moda, com participação em diversos projectos no Alentejo a agora também com um projecto próprio no baixo Alentejo, na zona da Vidigueira, onde é vizinho das Cortes de Cima e da Herdade do Peso.
Foi o próprio Paulo Laureano que esteve presente a mostrar os seus vinhos, subordinados ao seu lema das castas portuguesas. Foram apresentados 4 brancos e 6 tintos que cobrem toda a gama dos vinhos com o seu nome. Alguns varietais, outros em lote, desde o Clássico que na restauração aparece com o nome Singularis, até ao Reserve passando pelo Splendidus e pelo Premium. No final lá apareceu a casta estrangeira da paixão do enólogo, a Alicante Bouschet que ele adoptou como casta portuguesa e alentejana em particular.
É difícil dissertar sobre 10 vinhos provados em tão pouco tempo, porque o mais importante foram as explicações do próprio Paulo Laureano à medida que os vinhos iam sendo provados. Uma autêntica lição.
Os brancos eram de um modo geral bastante frescos, com alguma mineralidade e boa estrutura de boca, sendo o Paulo Laureano Clássico classificado pelo próprio como “vinho de varanda”, para beber e namorar, aparecendo depois alguns mais fechados e com aromas tropicais.
No caso dos tintos as diferenças eram um pouco mais acentuadas dadas as diferentes concepções dos vinhos. Um traço ficou patente: um perfil médio de boa qualidade, mesmo nos mais baratos. São vinhos fáceis sem serem simples, que denotam algum cuidado na sua feitura e que merecem ser apreciados com alguma calma.
Por mim vou ficar atento aos vinhos deste produtor e experimentá-los com mais tempo à medida que for possível.
E no próximo sábado há uma prova de brancos que é capaz de também valer a pena.

Kroniketas, enófilo atento

sábado, 3 de maio de 2008

Prova de vinhos no Hotel da Penha Longa (1)


No mesmo fim-de-semana em que me desloquei à Wine O’Clock de manhã, para uma prova de vinhos da Quinta dos Carvalhais, e à Casa da Dízima à noite para um repasto das Krónikas, os dois eventos ainda foram entrecortados por uma prova no Hotel da Penha Longa, a partir de um contacto bem colocado.
Numa sala especialmente vocacionada para o efeito, decorada com umas quantas dezenas de garrafas, eu e mais dois comparsas fomos recebidos pelo escanção da casa, o simpático Julião Milisse que nos apresentou um conjunto de vinhos escolhidos por si. Na nossa frente um painel de vinhos composto por um espumante, dois brancos e dois tintos, e ainda uma garrafa tapada para descobrir no fim.
Começámos por um espumante Prova Real, que por acaso eu já tinha provado por ocasião da quadra natalícia, pelo que não tenho nada de novo a acrescentar à prova feita na altura. Seguiram-se os dois vinhos brancos, que provámos em conjunto de modo a poder compará-los ainda no copo. O primeiro foi um Herdade Grande Colheita Seleccionada 2006, o segundo um Quinta de Pancas Chardonnay 2005. Embora bem feito, o Herdade Grande revelou mais uma vez aquela característica de rusticidade que os brancos alentejanos apresentam quase sempre, que me arranha na garganta e não me deixa gostar de quase nenhum. Não há volta a dar-lhe. Acho sempre que lhes falta frescura e elegância. O Pancas mostrou outro perfil, mais encorpado e com mais estrutura na boca e com alguns aromas tropicais, o que lhe é dado pelo estágio em madeira, bom para pratos fortes de peixe ou algumas carnes. Mas também não é dos meus preferidos.
Passámos aos tintos em que Julião Milisse fez o grande elogio do Incógnito 2003, um dos ícones (e dos mais caros) das Cortes de Cima, que disse ser um dos seus vinhos de eleição. A par deste provámos o Douro Borges Reserva 2003. As opiniões penderam claramente para o Incógnito, sem dúvida um vinho exuberante e capaz de fazer as delícias dos apreciadores, mas o Borges foi, quanto a mim, um pouco desvalorizado. É mais discreto mas mais elegante, precisa de uma prova mais calma para lhe ser dado o devido valor, pois tem uma complexidade que não aparece logo às primeiras impressões.
Para o fim, a prova cega em copo preto. No nariz mostrou logo que era um branco, pois apresentava alguns aromas com algo de citrino, característicos dos brancos. Na prova de boca também não enganou, com corpo e sabores típicos de brancos. Restava tentar descobrir donde seria. A primeira sugestão foi para Terras do Sado, mas não me pareceu. Bucelas também não pois não tinha a acidez típica da região. Por outro lado apresentava mais frescura e acidez que os alentejanos, pelo que me inclinei para que fosse claramente mais a norte, Dão ou Douro. Descoberta a garrafa, era um Gouvyas Reserva 2004. Parece-me que vale a pena revê-lo. Bem equilibrado em todas as suas componentes.
No fim de uma hora e meia bem passada entre provas e uma amena cavaqueira, ficou a promessa de lá voltarmos para fazer outra prova. Julião dispôs-se de imediato a apresentar os vinhos por nós escolhidos se assim o quisermos, segundo um tema, uma região, um produtor, uma casta, ou uma mistura à escolha dele próprio como foi esta. Melhor ainda será juntar a prova com um jantar, desde que o preço não seja proibitivo. Nesta altura um dos comparsas já está a tratar de organizar o próximo. E terminado o evento, lá seguimos, dois de nós, a caminho da Casa da Dízima ao encontro do tuguinho...

Kroniketas, enófilo esclarecido

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Na Wine O’Clock 2 - Com a Sogrape (Quinta dos Carvalhais)


Ultimamente temos andado numa de provas quando a ocasião se proporciona. No último sábado voltei a deslocar-me à Wine O’Clock de Lisboa, acompanhado do Politikos, para uma prova de vinhos da Quinta dos Carvalhais com a Sogrape. Há algumas semanas já tínhamos tido a oportunidade de participar numa prova com vinhos da Herdade do Peso. Agora a expectativa era um pouco maior porque a Quinta dos Carvalhais é quase um ex-libris da Sogrape e foi uma espécie de motor da reabilitação dos vinhos do Dão. Aí tive o prazer de reencontrar, mais de um ano depois, o nosso comparsa Pedro Rafael Barata, do blog Os Vinhos, que foi ficando por ali ao pé de nós durante a prova.
Há uns 10 anos conhecíamos dois vinhos da Sogrape no Dão: o Reserva e o Pipas, que entretanto foram sendo substituídos pela nova marca Quinta dos Carvalhais, só restando por aí à venda alguns exemplares dos antigos vinhos em locais esparsos. Agora há uma gama alargada de brancos, tintos e espumantes, que vão desde os vinhos para consumo imediato até aos reservas de grande qualidade.
Esta prova da Quinta dos Carvalhais começou com dois brancos, o Duque de Viseu e o Quinta dos Carvalhais Encruzado. Ambos mostraram alguma elegância e um ligeiro aroma floral, embora o Encruzado com um perfil um pouco mais austero e a mostrar-se capaz de ter alguma longevidade e bater-se com pratos com alguma pujança, características que lhe são conferidas pelo estágio em madeira.
Passando aos tintos, começámos pelo Quinta dos Carvalhais Colheita, seguindo-se três varietais (Alfrocheiro, Tinta Roriz e Touriga Nacional), sendo que o Alfrocheiro foi o que mais nos surpreendeu, voltando a mostrar, à semelhança das últimas provas, uma intensidade que não lhe tem sido reconhecida na generalidade das regiões. Parece-me ser uma casta injustamente mal-amada ou porventura não suficientemente valorizada. Após 4 tintos, chegou o Reserva de 2000, já um vinho para altos voos e ainda com uma frescura assinalável para a idade, para terminarmos com uma revelação que deixou todos os presentes rendidos: uma colheita única de 2005 que recebeu o nome de... Único. Difícil descrever o perfil deste vinho, mas uma palavra nos ocorre à mente: fabuloso! Com algumas notas licorosas no primeiro ataque aromático, para depois se abrir num perfume de frutos, flores, compotas, uma explosão de aromas e sabores que motivaram do Politikos o comentário de que daria um grande Vintage. De facto, este Único fez lembrar os melhores vinhos do Porto que já tive oportunidade de provar, e sugeriu-me que, se a Sogrape pretende criar nos Carvalhais uma espécie de Barca Velha do Dão, este único parece ser o predestinado para lá chegar. Assim tenha longevidade para tanto, mas o potencial parece estar lá todo.
No final da prova, ao compararmos os aromas que foram ficando nos copos, verificámos que o Reserva tinha desaparecido ao pé do Único. É o que nos ajuda a distinguir os vinhos excelentes dos sublimes. Este Único, de facto, é Único! Oxalá possa vir a deixar de ser o único produzido na Quinta dos Carvalhais.
E assim ficámos de apetite aguçado para a prova que se seguirá dentro de algumas semanas com os vinhos da Casa Ferreirinha. Lá estaremos seguramente. Obrigado à Wine O’Clock por estes momentos magníficos que nos tem proporcionado.

Kroniketas, enófilo embevecido

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Na Wine O’Clock 1 - Com João Nicolau de Almeida

Tendo feito o registo no site da Wine O’Clock, agora recebo a newsletter que me informa dos eventos que vão ocorrendo. Um destes dias tive oportunidade de participar numa prova na loja de Lisboa com João Nicolau de Almeida, enólogo e administrador da Ramos Pinto, o “maestro do Douro” segundo a newsletter. Uma oportunidade que não podia perder.
Foi cerca de uma hora e meia de conversa à volta do copo e da garrafa, onde João Nicolau de Almeida (JNA) falou da sua experiência familiar, pessoal e profissional ligada ao mundo do vinho. Falou do pai, do irmão gémeo que vive em França, da sua própria formação em França, da Quinta de Ervamoira e da barragem que não se fez, dos vinhos que faz e dos que gosta.
Os lugares destinados àqueles que fizeram reserva (12) estavam todos ocupados e ainda havia mais alguns participantes de pé. Segundo Carlos Jorge, gerente da loja, foi uma das provas mais concorridas até hoje, sinal de que o nome do convidado “mexe com as pessoas”. Pelo meio fomos provando uns copos que nos eram servidos pelo anfitrião, com os rótulos das garrafas tapados.
Começámos por provar um branco, que JNA desde logo identificou como sendo do norte da Europa, dadas as suas características bem marcadas de acidez com alguma doçura, difíceis de encontrar em Portugal, mesmo nas regiões mais frias. Fomos tentando, em conjunto, descobrir que castas conteria o vinho e de que região seria. Falou-se em Riesling, Gewurztraminer, Chardonnay e Sauvignon Blanc, sendo que nenhuma delas se enquadrava no perfil do vinho. JNA ainda falou na Pinot Noir e Pinot Gris, de passagem. Falou-se da Alsácia e da Alemanha. Quando a garrafa foi revelada, descobrimos que era mesmo Pinot Gris... da Alsácia. Veuve Roth, Pinot Gris 2006. Um grande branco à venda na loja por apenas 7,50 €!
Seguiram-se dois tintos, de novo em prova cega. O primeiro desde logo revelou um perfil que pareceu não ser muito português. Por tentativas chegámos lá: alguém sugeriu que seria de Espanha. Depois a região: pareceu-me ser Ribera del Duero. Alguém sugeriu ter Cabernet, mas parecia mais Tempranillo. E de facto assim era. Quando se destapou o rótulo, a grande surpresa de se descobrir o mito dos vinhos espanhóis: um Vega Sicília Valbuena 5º de 2002! Curioso não ter feito os encantos de ninguém. Quando nos perguntaram quanto daríamos por aquele vinho, ninguém pareceu querer abrir os cordões à bolsa, mas o preço de referência era de 98 €!
Ainda com este vinho no copo foi servido o segundo tinto, para podermos comparar. Um perfil muito mais concentrado, que no primeiro cheiro me pareceu exalar alguns aromas de vinho do Porto. Aos poucos foi-se libertando e revelando uma grande persistência. Depressa se percebeu ser um vinho eminentemente gastronómico, e JNA disse que com um belo bife marcharia na perfeição. Ficámos cientes de estar perante um grande vinho, que merecia ser decantado. Quando se destapou a garrafa, a grande surpresa que Carlos Jorge tinha prometido: era um Duas Quintas Reserva Especial 2003, um vinho que nem o próprio João Nicolau de Almeida identificou às cegas e que mereceu a explicação de tentar fazer um vinho com os mesmos métodos usados para o vinho do Porto, que só será produzido... quando calhar. Preço de venda: 68 €.
Foi uma prova muito interessante, pelos vinhos provados e pelo convidado, uma figura incontornável do panorama vitivinícola nacional, onde se falou de vinho e do prazer que esta bebida nos pode proporcionar. E não foi preciso falar de aromas balsâmicos ou notas de torrefacção com aparas de chocolate preto e bolacha Maria...

Kroniketas, enófilo embevecido

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Pouco “show” e ainda menos “gourmet”

No passado dia 24 de Novembro desloquei-me pela primeira vez ao Convento do Beato para visitar o Porto e Douro Wine Show e Lisboa Gourmet. Nos claustros do convento (sim, o mesmo local onde os Scorpions gravaram o memorável concerto acústico a que não fui assistir) estavam montadas as bancas dos expositores, ocupando todo o espaço. Em volta mais algumas bancas com aquilo que deveria ser a parte gourmet do evento.
Descontando o facto de que a parte gourmet pressuporia apenas a existência de alguns petiscos para provar e pouco mais, a verdade é que não esperávamos tão pouco. O que havia para provar eram rebuçados de ovo, bolachas de chocolate, Água das Pedras com sabor a limão e pouco mais. Depois lá havia um exíguo espaço onde se confeccionava uns pratos de arroz e noutra sala o chefe Rui Paula, do restaurante DOC em Folgosa do Douro, fazia uma demonstração de confecção de chamuças de alheira que depois deu a provar aos que assistiam, acompanhando com um vinho de Domingos Alves de Sousa. E por aqui se ficou o Lisboa Gourmet. Os próprios expositores se queixavam de que, tendo de estar lá até às 10 da noite, não tinham onde comer nada.
Não deixa de ser estranho que num evento daqueles se descure completamente a parte gastronómica, que não só manteria os visitantes mais entretidos como permitiria aconchegar os estômagos de modo a poder fazer mais provas. Assim, de estômago vazio e com duas crianças a acompanhar, ao fim de uma hora e meia demos o fora e dirigimo-nos a casa para jantar.
Quanto ao Porto e Douro Wine Show, embora estivessem representados muitos produtores importantes, como Sogrape, Ramos Pinto, Real Compahia Velha, também estranhei a ausência de nomes de peso no sector do Vinho do Porto: Symington, Taylor’s, Fonseca, Niepoort e todos os outros “Douro Boys” primaram pela ausência. Será por perceberem a pouca expressão do evento?
Requer-se mais cuidado na organização para que o público não se afaste e o evento não morra. Pelo que vi, não ficou grande entusiasmo para voltar.
A meio do percurso, como já vem sendo habitual, voltei a encontrar o “casal Chapim”. Não estamos combinados mas lá vamos frequentando os mesmos lugares onde decorrem eventos gastro-etílicos. Será que um dia destes nos vamos encontrar numa visita ao novo espaço do Wine O’Clock em Lisboa?

Kroniketas, enófilo esfomeado

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Porto e Douro Wine Show e Lisboa Gourmet


Nos próximos dias 24 e 25, no Convento do Beato, em Lisboa.
Informações em http://www.portodourowineshow.com/

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Depois do encontro

No passado dia 3 uma delegação do Grupo Gastrónomo-Etilista “Os Comensais Dionisíacos” deslocou-se à Feira das Indústrias, na antiga FIL, para mais uma edição do Encontro com o Vinho e com os Sabores.
Foi uma longa jornada em que se provou muito e se registou pouco. Desta vez estivemos menos atentos às marcas, mais aos produtores e às conversas, por isso não há grande registo dos vinhos provados, até porque seria impossível enumerar todos.
Em destaque colocamos, logo de entrada, alguns espumantes da PROVAM, em especial um Coto de Mamoelas, feito exclusivamente com a casta Alvarinho, e que mostrou ser excelente. Claro que os Murganheira também não deixaram os créditos por mãos alheias, enquanto outros não convenceram tanto, como o Tapada do Chaves (as Caves da Montanha optaram por uma acção de marketing com meninas muito destapadas a oferecer uns copos de espumante aos passantes, mas a Soraia Chaves não estava lá...).
Recordamos em especial um branco dos Cozinheiros, da Quinta dos Cozinheiros, de grande estrutura e grande corpo e enorme persistência, um branco para carnes, assim como o Poeirinho, um Bairrada à moda antiga. Tivemos oportunidade de passar pela Quinta do Monte d’Oiro e descobrir o novo Clarete, pelas Caves de S. João e revisitar alguns clássicos, pela Niepoort e escolher dois ou três dos muitos presentes, de mirar a vasta oferta de dois dos nossos produtores de referência, a Sogrape e a Herdade do Esporão, terminando inevitavelmente com os Porto Vintage da Fonseca (em que, além da excelência dos vinhos, impera a simpatia e o gosto pela conversa - nota 20 para tudo!). Pelo caminho pudemos também trocar algumas impressões com produtores e enólogos presentes, como José Bento dos Santos ou Paulo Laureano, o próprio.
(Cabe aqui referir a aversão do Kroniketas à causa queijal, e por isso não pode apreciar o belo exemplar serpense que o tuguinho comprou no stand da Quinta dos Coteis; também nos ficou na alembradura uma bela empada de frango e legumes de uma nova loja gourmet chamada Apetitices, e que parece merecer visita à sede).
Inevitável seria o reencontro com alguns comparsas eno-bloguistas. Logo de entrada topámos com o Pingas no Copo, pouco depois apareceu o Copo de 3, logo a seguir o companheiro Chapim e respectiva cara-metade, um independente que não falha e com quem já nos tínhamos cruzado no Clube del Gourmet do Corte Inglês, numa apresentação de vinhos italianos. Fomo-nos cruzando aqui e ali, trocando impressões e comentando os vinhos provados.
No fim lá conseguimos voltar sãos e salvos para casa, mais bebidos que comidos. O tuguinho queria comprar um Colares mas desistiu. Já era vinho demais...

Kroniketas, enófilo quase sóbrio (com acrescentos de tuguinho, menos água e mais vinho)

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Encontro com o Vinho e Encontro com os Sabores 2007



Começa amanhã na Feira das Indústrias e nós vamos estar lá a partir das 15 h.

tuguinho, Kroniketas e outros Comensais Dionisíacos

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Encontro com o vinho e os sabores 2007

Já estão anunciadas pela Revista de Vinhos as datas de realização do próximo evento: 3 e 4 de Novembro para o público em geral. O que significa que teremos dois fins-de-semana consecutivos altamente vínicos: no anterior será o encontro de eno-blogs. E, ou muito me engano, ou pelo meio ainda é capaz de haver o Festival de Gastronomia de Santarém.
Muita actividade gastronómica vai haver por esses dias...

Kroniketas, eno-gastrónomo

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

II encontro de eno-blogs

O Copo de 3 lançou aqui a ideia, e nós apoiamos. Depois do primeiro encontro de eno-blogs realizado em Janeiro, prepara-se um regresso ao local do crime (pelo meio houve um evento organizado pela Revista de Vinhos que contou com uma larga de participação de blogs, mas não sei se pode ser incluída na contagem oficial). A data sugerida foi 26 de Outubro, daqui a um mês, e o local o mesmo, a York House. Todos os enófilos são bem-vindos, tenham blogs ou não, pelo que devem manifestar o seu interesse no post do Copo de 3 relativo ao assunto.
E já agora, os bloguistas que ainda não o fizeram, façam favor de ser chegar à frente.
Nós vamos estar lá.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

sexta-feira, 27 de abril de 2007

À volta dos vinhos italianos com Vítor Siborro



No passado sábado as Krónikas Vinícolas, acompanhadas pela presença sempre agradável do Polis&etc, deslocaram-se ao Corte Inglés de Lisboa para conhecer alguns vinhos italianos apresentados por Vítor Siborro, da Semidivinus, com quem a Revista de Vinhos apresentou uma reportagem no número do passado mês de Março. Tivemos oportunidade de entrar na enorme garrafeira do Clube del Gourmet e verificámos que só numa visita mais demorada poderemos fazer um apanhado da vasta oferta disponível e fazer o balanço do nível de preços existentes com a qualidade apresentada.
O anfitrião teve a amabilidade de nos apresentar e dar a provar 2 brancos e 5 tintos por si seleccionados e que serão representativos dum nível de qualidade superior nos vinhos italianos.
Sem entrar em grandes considerandos acerca de cada um dos vinhos provados, pudemos verificar que há muito mais para além do que se encontra normalmente nos hipermercados a preços mais acessíveis. Num patamar de preços elevado encontrámos vinhos de excelente qualidade, fugindo àquele perfil habitual dos vinhos italianos muito abertos e pouco encorpados, fazendo lembrar, alguns deles, os nossos vinhos do Douro. Foi curioso registar que quase todos os vinhos provados eram compostos por castas estrangeiras, como a Cabernet Sauvignon e a Merlot, no caso dos tintos, e a Chardonnay, no caso dos brancos.
Quando passámos às castas tipicamente italianas, como a Sangiovese, voltámos a encontrar os vinhos mais abertos e suaves, embora com bastante mais estrutura que o habitual. Também os brancos apresentaram um Chardonnay bem mais agradável que os portugueses e um Traminer (parente do Gewurztraminer) bastante aromático e adequado para entradas leves ou mesmo sobremesas.
Pelo meio ainda apareceu o nosso comparsa Chapim com a sua respectiva, que nos reconheceu na hora e com quem ainda trocámos dois dedos de conversa sobre o tema líquido em questão, com a promessa de não faltar aos futuros encontros que se hão-de seguir aos da York House e do Porto. E no fim comprámos uma garrafa, para recordação (espera-se que por pouco tempo), de Brunello di Montalcino 2000 (La Fuga) pela “módica” quantia de 42,50 €. Entre os provados, foi um dos que mais agradaram e que mais promete. E depois, um dia não são dias...

tuguinho e Kroniketas, enófilos e tudo

Vinhos provados

Brancos
Caparzo - Le Grance 2002 (75% Chardonnay, Sauvignon e Traminer)
Cabreo - La Pietra 2004 (Chardonnay)

Tintos
Maurizio Zanella 2001 (45% Cabernet Sauvignon, 30% Cabernet Franc, 25% Merlot)
Campo Al Mare - Bolgheri 2004 (60% Merlot, 20% Cabernet Sauvignon, 20% Cabernet Franc)
Cabreo - Il Borgo 2001 (70% Sangiovese, 30% Cabernet Sauvignon)
La Fuga - Brunello di Montalcino 2000 (Sangiovese Grosso)
La Casa - Brunello di Montalcino 2000 (Sangiovese Grosso)