Mostrar mensagens com a etiqueta Estrangeiros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Estrangeiros. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 1 de maio de 2007

Krónikas duma viagem a Paris - 1



As férias escolares da Páscoa foram aproveitadas para uma deslocação a uma das cidades míticas do mundo: Paris. Por sinal, a única onde já me desloquei mais de uma vez. Já lá fui solteiro, recém-casado, e desta vez o objectivo foi levar os filhos para conhecerem a Eurodisney.
As constantes deambulações pela cidade e as deslocações ao parque Disneyland não deixaram grande folga para repastos de nouvelle cuisine e muito menos para degustações vinícolas a condizer. A primeira abordagem ocorreu logo no dia da chegada, já para lá das 3 da tarde, hora local.
Cansados da viagem e esfomeados, fora de horas para almoçar, demos uma volta pelo 17ème arrondissement à procura da salvação, e esta apareceu-nos num restaurante chinês tipo self-service, depois de conduzidos de táxi por um motorista chinês. Esta coincidência viria a revelar um padrão que se repetiu nos dias seguintes: em Paris, os chineses são os trabalhadores e os japoneses são os turistas...
No dito chinês, onde ainda voltaríamos num dos regressos da Disney, depois de escolhermos todas as massas e arrozes mais o pato, a galinha e as gambas, vi umas garrafas na vitrina que me chamaram a atenção. Resolvi experimentar meia de Côtes du Rhône. O vinho estava ligeiramente refrescado e, para minha surpresa, não se saiu nada mal com a comida chinesa. Revelou-se um vinho aberto, muito suave e aromático, extremamente fácil de beber. Pareceu-me ser apropriado para refeições não muito condimentadas.
Noutra ocasião, depois dum dia cansativo a percorrer a cidade desde Montmartre até Pigalle, desde a Torre Eiffel ao Arco do Triunfo, usando todas as linhas de metropolitano possíveis e passando ainda por um passeio de Bateau Parisien, com frio e chuva à mistura, acabámos a jantar num restaurante libanês, sob alguma desconfiança. Mas o atendimento simpático ajudou-nos a escolher umas brochettes (espetadas) de carne de porco, vaca e frango, acompanhadas com um arroz e uma salada à moda do local, e um vinho também do país. Um Clos St. Thomas de 2002, com 14% de álcool mas sem ser agressivo. Um vinho de perfil moderno, feito com as castas omnipresentes onde quer que se vá: Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e uma menos conhecida, Grenache. Bebeu-se bem, seguindo a tendência dos vinhos da moda.
Na segunda visita ao chinês ainda repeti o Côtes du Rhône e noutra ocasião experimentei um rosé barato. E por aqui ficou a experiência francesa no que toca a vinhos. Na véspera do regresso ainda fiz uma visita a um supermercado, de que darei conta na segunda parte desta croniqueta.

Kroniketas, enófilo viajante

domingo, 29 de abril de 2007

No meu copo 110 - Barolo

E agora outro vinho italiano, uma das marcas mais conceituadas do país. Os vinhos Barolo, assim como os vizinhos Barbaresco, são produzidos na região de Piemonte, do extremo norte de Itália, e usam essencialmente a casta Nebbiolo.

Apesar das expectativas, voltou a não me encher as medidas. O perfil é o habitual, aberto, macio e com algum corpo. Embora se note alguma estrutura de fundo e algum frutado, o aroma é pouco exuberante e o final é curto. A casta Nebbiolo supostamente produz vinhos de grande longevidade, mas não me pareceu ser o caso deste, que talvez seja da gama mais baixa.

Bebe-se bem com carnes grelhadas e talvez seja um bom tinto de verão. Em resumo, é bom… ma non troppo.

Kroniketas, enófilo esclarecido




Vinho: Lorenzo Sormani - Barolo (T)
Região: Barolo - Piemonte (Itália)
Produtor: Lorenzo Sormani - Gattinara
Grau alcoólico: 13%
Casta: Nebbiolo

Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 27 de abril de 2007

À volta dos vinhos italianos com Vítor Siborro



No passado sábado as Krónikas Vinícolas, acompanhadas pela presença sempre agradável do Polis&etc, deslocaram-se ao Corte Inglés de Lisboa para conhecer alguns vinhos italianos apresentados por Vítor Siborro, da Semidivinus, com quem a Revista de Vinhos apresentou uma reportagem no número do passado mês de Março. Tivemos oportunidade de entrar na enorme garrafeira do Clube del Gourmet e verificámos que só numa visita mais demorada poderemos fazer um apanhado da vasta oferta disponível e fazer o balanço do nível de preços existentes com a qualidade apresentada.
O anfitrião teve a amabilidade de nos apresentar e dar a provar 2 brancos e 5 tintos por si seleccionados e que serão representativos dum nível de qualidade superior nos vinhos italianos.
Sem entrar em grandes considerandos acerca de cada um dos vinhos provados, pudemos verificar que há muito mais para além do que se encontra normalmente nos hipermercados a preços mais acessíveis. Num patamar de preços elevado encontrámos vinhos de excelente qualidade, fugindo àquele perfil habitual dos vinhos italianos muito abertos e pouco encorpados, fazendo lembrar, alguns deles, os nossos vinhos do Douro. Foi curioso registar que quase todos os vinhos provados eram compostos por castas estrangeiras, como a Cabernet Sauvignon e a Merlot, no caso dos tintos, e a Chardonnay, no caso dos brancos.
Quando passámos às castas tipicamente italianas, como a Sangiovese, voltámos a encontrar os vinhos mais abertos e suaves, embora com bastante mais estrutura que o habitual. Também os brancos apresentaram um Chardonnay bem mais agradável que os portugueses e um Traminer (parente do Gewurztraminer) bastante aromático e adequado para entradas leves ou mesmo sobremesas.
Pelo meio ainda apareceu o nosso comparsa Chapim com a sua respectiva, que nos reconheceu na hora e com quem ainda trocámos dois dedos de conversa sobre o tema líquido em questão, com a promessa de não faltar aos futuros encontros que se hão-de seguir aos da York House e do Porto. E no fim comprámos uma garrafa, para recordação (espera-se que por pouco tempo), de Brunello di Montalcino 2000 (La Fuga) pela “módica” quantia de 42,50 €. Entre os provados, foi um dos que mais agradaram e que mais promete. E depois, um dia não são dias...

tuguinho e Kroniketas, enófilos e tudo

Vinhos provados

Brancos
Caparzo - Le Grance 2002 (75% Chardonnay, Sauvignon e Traminer)
Cabreo - La Pietra 2004 (Chardonnay)

Tintos
Maurizio Zanella 2001 (45% Cabernet Sauvignon, 30% Cabernet Franc, 25% Merlot)
Campo Al Mare - Bolgheri 2004 (60% Merlot, 20% Cabernet Sauvignon, 20% Cabernet Franc)
Cabreo - Il Borgo 2001 (70% Sangiovese, 30% Cabernet Sauvignon)
La Fuga - Brunello di Montalcino 2000 (Sangiovese Grosso)
La Casa - Brunello di Montalcino 2000 (Sangiovese Grosso)

sexta-feira, 16 de março de 2007

No meu copo 98 - Ochoa, Tempranillo 2002


Continuamos esta pequena ronda por vinhos estrangeiros para falar agora de um
espanhol, adquirido directamente no país de origem. Proveniente da região vinícola de Navarra, no norte de Espanha, na zona do país basco, este Ochoa é feito com a casta Tempranillo, o nome espanhol da nossa Tinta Roriz (a norte) ou Aragonês (a sul).

Este vinho mostrou um perfil na linha de outros que tenho experimentado feitos de Tempranillo, que é um pouco diferente dos que temos por cá. É um tipo de vinho que talvez se aproxime dos nossos vinhos do Douro, com as especiarias bem marcadas na prova assim como a presença da madeira, outra característica habitual.

Tem uma boa estrutura, cor retinta e bom fim de boca, parecendo adequado para pratos bem condimentados. No entanto, acho a madeira demasiado marcada, o que molda todo o perfil do vinho. Pessoalmente não é uma característica que me agrade muito, gosto de um toque de madeira na conta certa, mas quando ela sobressai não me seduz. Com menos madeira, seria um excelente vinho.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Ochoa, Tempranillo 2002 (T)
Região: Navarra (Espanha)
Produtor: Bodegas Ochoa - Navarra
Grau alcoólico: 13%
Casta: Tempranillo

Preço na origem: cerca de 8 €
Nota (0 a 10): 7

quarta-feira, 14 de março de 2007

No meu copo 97 - Chianti Clássico, Terraiolo 2004

Há algumas semanas voltei ao local do crime, o restaurante italiano Le Delizie (em Ferragudo, junto a Portimão), especializado em massas. Desta vez escolhemos um vinho tinto com outro nome, um Chanti Clássico da marca Terraiolo.

Finalmente um vinho italiano encheu-me as medidas. Desta vez não me apareceu um daqueles vinhos italianos tão habituais, meio aguados, com pouco corpo, pouco consistentes, demasiado delgados na boca, quase neutros no aroma. Este tem corpo, uma boa estrutura com final de boca longo, alguma especiaria no final, um vinho mais “quente” do que é habitual nos tintos italianos.

Sem perder o perfil característico da maior parte dos vinhos italianos que tenho provado, mostra-se contudo com outro porte, o que é desde logo indiciado por uma cor mais carregada que o habitual. Já tinha bebido outros exemplares de Chianti que não fugiam ao padrão habitual, mais aberto e leve, mas este, talvez por ser clássico, está claramente num outro patamar.
Um nome a fixar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Chianti Clássico, Terraiolo 2004 (T)
Região: Chianti (Itália)
Produtor: Tre Bi - Monteriggioni
Grau alcoólico: 12,5%
Preço no restaurante: 15 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 12 de março de 2007

No meu copo 96 - Barons de Rothschild, Saga R 2005

Nas feiras de vinhos de 2006 aproveitei alguns bons preços de vinhos estrangeiros no Jumbo para adquirir umas quantas garrafas de vinhos espanhóis, franceses e italianos por pouco dinheiro. Consumo habitualmente poucos vinhos destes porque não costumo comprá-los. Seguindo um pouco a lógica de não sobrecarregar demasiado a vasta lista de compras, escolhi alguns brancos, tintos e rosés dentro das opções disponíveis, uns com algum conhecimento de causa e outros apostando um pouco no escuro.
Dentro destes apareceu um branco de Bordéus da famosa casa Barons de Rothschild, o que tornou a aposta menos incerta. Um destes fins-de-semana, perante um apetitoso pargo no forno (sim, no forno aquilo até se come muito bem, não é tuguinho?), refresquei esta garrafa para acompanhar a refeição. Posso dizer que em boa hora o fiz, porque me saiu uma excelente surpresa. Duma assentada bebi meia garrafa ao almoço. É destes brancos que eu gosto. Uma cor citrina aberta e brilhante, cristalina, um aroma entre o frutado e o floral, com grande elegância e suavidade, fez uma excelente companhia ao peixe com batatas às rodelas e molho espesso.
Como refere o contra-rótulo, este vinho feito de Sauvignon e Sémillon tem aquilo que falta quase sempre nos brancos portugueses de castas estrangeiras que tenho apreciado aqui no blog: a finesse. É isso mesmo que não encontro nos Chardonnay e Sauvignon Blanc portugueses, que me aparecem sempre agressivos, enjoativos e com álcool em excesso. Cada vez que provo um branco francês, mais me convenço que o nosso país não é, definitivamente, um país de brancos na maior parte das regiões, e que estas castas estrangeiras não são adequadas para o nosso clima. O excesso de calor tira-lhes a frescura e a elegância, ao contrário do que acontece com as tintas, como a Cabernet Sauvignon, para as quais o clima é propício a um maior amadurecimento que lhes arredonda os taninos.
Este Saga R de 2005 vai ficar com uma referência de destaque para futuras compras. Pareceu-me ser um branco muito versátil, próprio para pratos de peixe mais fortes como o pargo no forno, ou mais leves, dada a sua elegância. A não esquecer: um branco com finesse.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Saga R 2005 (B)
Região: Bordéus (França)
Produtor: Les Domaines Barons de Rothschild - Bordéus
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Sauvignon, Sémillon

Preço em feira de vinhos: 6,14 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

No meu copo, na minha mesa 82 - Text Cabernet-Merlot; A Carvoaria (Cascais)


Um restaurante e um vinho surpreendentes. A Carvoaria fica em Cascais num bairro de ruas estreitas junto ao Pavilhão do Dramático, que nos anos 70 e 80 era a catedral dos concertos de rock em Portugal. Algures por ali encontra-se este restaurante à base de carne confeccionada à moda da África do Sul. As opções são imensas mas todas à volta de pratos sul-africanos, com destaque para uma série de bifes com nomes ingleses.
Para duas pessoas escolhemos dois bifes “Charolais” com molho de natas e pimenta verde, mal passados como se impunha. Vieram duas peças de carne alta e rosada muito tenra e saborosa, com um molho espesso e não excessivamente apimentado. Outra surpresa foi um acompanhamento de rodelinhas de cebola frita, muito saborosa, que ao contrário do que eu esperava não provocou mau hálito nem dificuldades de digestão.
Na parte dos vinhos, a carta não é muito extensa mas as opções são boas e suficientes para vários gostos e preços. Também aqui havia a opção de vinhos sul-africanos, embora dois dos quatro da lista não existissem (um péssimo hábito cada vez mais comum em Portugal), acabando por ser escolhido um que não constava da lista sugerido pelo chefe, único funcionário a atender os clientes (aparentemente é o dono do local).
O vinho escolhido, completamente desconhecido, dava pelo nome de “Text” e era composto por um lote das castas Cabernet Sauvignon e Merlot. Mostrou uma cor rubi bastante concentrada. Ao primeiro contacto olfactivo sobressaíram desde logo os aromas a frutos vermelhos, pimentos verdes, groselha, um pouco achcolatados, tão típicos da Cabernet. É um aroma que me apaixona e parece ir buscar quaisquer memórias escondidas sempre que cheiro os vinhos desta casta.
Na boca o vinho apresentou-se macio, pois a Merlot equilibra a adstringência natural da Cabernet e retirou-lhe a predominância habitual de especiarias que esta apresenta quando vinificada em extreme. Um corpo suave e elegante, embora suficientemente poderoso para encher o palato e proporcionar um final de boca prolongado mas macio.
Em resumo, é um vinho de perfil moderno, que se bebe com facilidade. Para mim é daqueles vinhos que apetece ir bebendo quase sem se dar por isso, até porque não segue a moda, tão em voga em Portugal, do álcool excessivo, ficando-se por uns aceitáveis 13 graus, que estão perfeitamente ajustados para o corpo e a acidez moderada do vinho.
O restaurante é daqueles onde vale a pena ir para almoçar ou jantar sossegadamente, num ambiente quase intimista. O espaço não é grande, tem apenas 40 lugares, o ambiente é calmo e sossegado, o serviço rápido e atencioso, a confecção é excelente. Tem tudo para nos sentirmos lá bem e sairmos melhor.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: A Carvoaria (sul-africano)
Rua João Luís de Moura, 24
2750-387 Cascais
Telef: 21.483.04.06
Preço médio por refeição: 20 a 25 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Text, Cabernet Sauvignon e Merlot (T) (sem data de colheita)
Região: Western Cape (África do Sul)
Produtor: Text Wine - Craighall
Grau alcoólico: 13%
Castas: Cabernet Sauvignon, Merlot
Preço no restaurante: 13,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

No meu copo, na minha mesa 79 - Quinta do Sanguinhal 98; William Fevre 2004; Restaurante O Jacinto



Este é um dos restaurantes de Lisboa que conheço há mais tempo. Situa-se numa vivenda em Telheiras, na zona da antiga Quinta de S. Vicente, junto à Azinhaga das Galhardas. Para lá chegar, a melhor forma é apanhar a 2ª circular no sentido Aeroporto-Benfica e sair na primeira a seguir ao Campo Grande. Entra-se directamente na azinhaga e chega-se imediatamente a uma espécie de alameda onde fica o restaurante. Indo do lado de Benfica, ou se vai ao Campo Grande e volta-se para trás para usar esta saída, ou tem de se entrar por Telheiras e, algures nuns semáforos a seguir à escola, virar à direita e andar por umas ruelas sem grande identificação até chegar à rua do restaurante.
Em tempos recuados tinha uma das melhores açordas de marisco da capital, senão a melhor. Valia a pena ir lá para comer a açorda. Também havia uns croquetes quentinhos para entrada que eram uma delícia. Na década de 80 atravessou uma crise que pode ter sido justificada por cortar nos ingredientes. Lembro-me duma açorda que em vez de marisco tinha apenas delícias do mar. Actualmente tem marisco, embora pouco e cortado ao meio, mas a açorda continua a ter aquele paladar que fez as minhas delícias há 30 anos. A verdade é que nas últimas visitas a casa estava cheia, e na última assim aconteceu.
Além da inevitável açorda de marisco, ainda vieram para a mesa um caril de gambas, uma picanha e uma perna de porco assada no forno. Destes só provei a picanha, porque fui lá de propósito para comer a açorda de marisco (isto porque ir ao Pap’Açorda no Bairro Alto nem sempre é prático). A picanha cumpriu como é habitual. A açorda também. Muito bem temperada, com muita salsa, bastante aromática, na consistência certa. Enfim, apesar de modesta na quantidade de marisco, soube bem comer e deixou-me plenamente satisfeito, assim como os restantes comensais que optaram pelo prato.
Para sobremesa vieram apenas duas encharcadas de ovo, talvez um dos melhores doces de ovos que existem. Tal como no Alqueva, comeu-se e ficou a apetecer mais.
O serviço é atencioso, simpático, rápido e eficaz, o ambiente acolhedor, a ementa variada. Não será o melhor restaurante de Lisboa, mas tem todas as condições para ser um dos melhores, e só não será se os responsáveis não quiserem.
Para os líquidos, como havia peixes e carnes, pediu-se um branco e um tinto, e tentámos fugir ao mais habitual, pedindo dois vinhos menos vistos. Apesar de uma carta de vinhos extensa (embora pobre nalgumas regiões), como é frequente nos restaurantes portugueses pede-se um vinho que está na carta e depois não existe na garrafeira. Assim voltou a acontecer por duas vezes, e acabámos por ficar por um William Fevre (branco) e um Quinta do Sanguinhal (tinto).
Foi a minha segunda experiência com um William Fevre. A primeira tinha sido no Chafariz do Vinho, com um Sauvignon Blanc de 2004. Desta vez não era mencionada a casta, mas no contra-rótulo vinha a indicação de ser apenas Chardonnay. Tinha uma bela cor amarelo palha, era frutado como quase todos os Chardonnay, mas desta vez sem ser enjoativo, com um toque floral e bastante equilibrado em termos de corpo e acidez, denotando bastante frescura no paladar. Agradou a todos os presentes, embora eu tivesse gostado mais do Sauvignon Blanc por ser mais suave.
Para o tinto escolhemos este da região de Óbidos, que em tempos já teve algum destaque com o Gaeiras (branco e tinto), mas que na última década tem andado mais ou menos desaparecida. A verdade é que este Quinta do Sanguinhal, de 1998, já com alguma evolução bem presente, revelou-se ainda em grande forma e foi uma agradável surpresa. Bom corpo, uma cor retinta e bons taninos, bom equilíbrio entre o carácter frutado e a madeira nova de carvalho francês, suave e elegante no paladar. Ficámos curiosos acerca deste vinho com menos dois ou três anos, poderá ser um caso a ter muito em conta. Sem dúvida um vinho a rever.

tuguinho e Kroniketas, enófilos esforçados e esclarecidos

Restaurante: O Jacinto
Av. Ventura Terra, 2 (Telheiras)
1600 Lisboa
Telef: 21.759.17.28
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 4

Vinho: William Fevre 2004 (B)
Região: Chablis (França)
Produtor: William Fevre - Chablis
Grau alcoólico: 12%
Castas: Chardonnay
Preço no restaurante: 27,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta do Sanguinhal 98 (T)
Região: Estremadura (Óbidos)
Produtor: Companhia Agrícola do Sanguinhal
Grau alcoólico: 12%
Castas: Castelão, Tinta Miúda, Carignan
Preço no restaurante: 15,50 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

No meu copo 73 - Lambrusco Dell’Emilia - Torre Colle


Na última feira de vinhos do Jumbo havia alguns vinhos estrangeiros a preços
baratos e resolvi experimentar alguns para ver o que dava. Um dos escolhidos foi um Lambrusco, em que nem sequer reparei com atenção no rótulo. Só antes de abrir a garrafa e observando o contra-rótulo é que reparei que se tratava dum vinho frisante, sem data de colheita, aconselhado para acompanhar massas ou queijos e para beber fresco. E assim se fez.

Saiu-me um vinho do tipo espumante tinto, mas com muito menos graduação (apenas 7,5º de álcool) e menos gás, ligeiramente adocicado e que acaba quase por se beber como refresco... a acompanhar massas. Trata-se de um vinho leve, não muito aromático, que serve para beber despreocupadamente e certamente mais aconselhado para os dias quentes de Verão.

Não há muito mais a dizer, porque ele também não nos diz mais nada. Ficou a experiência e o pouco que custou.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Lambrusco Torre Colle (frisante) (T)
Região: Emília Romagna (Itália)
Produtor: Chiarli - Modena
Grau alcoólico: 7,5%
Preço em feira de vinhos: 1,57 €
Nota (0 a 10): 5

terça-feira, 22 de agosto de 2006

No meu copo, na minha mesa 58 - Trebbiano, Sangiovese; Pizzeria “Le Delizie”







Uma das deambulações de férias trouxe-me a um local onde tinha estado há 2 anos, mas do qual não tinha guardado referências. Agora voltámos ao “local do crime” para recuperar impressões.
Trata-se dum restaurante italiano denominado “Le Delizie”, situado em Ferragudo, do outro lado do rio Arade. Para quem sai de Portimão pela ponte velha, junto ao cais, vira-se à direita no cruzamento para Ferragudo, estaciona-se (se se conseguir) na praça central da povoação, entra-se pelo largo e segue-se por uma ruela à direita. Uns 30 ou 40 metros à frente encontramos o dito restaurante.
O espaço não é muito amplo mas é acolhedor. Na época de verão convém marcar mesa senão é difícil arranjar lugar.
Embora o nome do restaurante indique “Pizzeria”, este é muito mais que uma simples pizzaria (aliás, se assim não fosse eu nem perdia tempo a ir lá, porque pizza é coisa que não me passa pelo estreito e acho o maior desperdício estar a perder tempo e dinheiro num restaurante para comer coisa tão desinteressante…). A oferta é variada em termos de massas e pastas, e é por aí que se deve seguir.
No grupo presente (4 adultos e 3 crianças) escolheu-se o “4 Crostino misto” para entrada. Eram umas tostas do tipo pão-de-alho com várias guarnições por cima. Provei 3 e só uma não consegui engolir, parece que era de anchovas. As outras eram óptimas.
Nos pratos, para além duma inevitável pizza-não-sei-de-quê (de que aliás sobraram 5 das 6 fatias…), escolhemos o “Ravioli al funghi porcini”, uma “Gratinata no forno com molho bolonhesa”, uma “Carbonara” e uma “Paglia e Fieno”. Como se vê, bem diferentes das tradicionais pizzas, lasanhas e esparguete à bolonhesa.
A “Gratinata no forno” é um prato de massa gratinada com molho bolonhesa que calha sempre bem (antepenúltima foto). O “Ravioli al funghi porcini”, com cogumelos, também estava saboroso. A Carbonara (esparguete, natas e bacon) não tem muito de novo mas come-se bem. Mas a surpresa da noite, escolhida já à última, foi a “Paglia e Fieno” (penúltima foto), com os espinafres a fazerem a diferença no panorama geral e desenjoando das natas e dos molhos.
Para finalizar apenas se pediu um magnífico crepe com gelado de chocolate e chantilly, que nunca deixa ninguém ficar mal (última foto)!
Para os líquidos, os adultos escolheram os dois vinhos italianos da casa, um branco e um tinto, ambos da Sicília. O branco, de nome Trebbiano, de 2005, estava na linha de muitos brancos que temos por cá, um pouco vulgar. Algum aroma floral mas pouco elegante na prova de boca. Poderá safar-se se estiver bem fresco, mas não é vinho para encantar.
O tinto, Sangiovese, também está na linha dos tintos italianos vulgares, com aquele aspecto meio aguado que os caracteriza, muito longe do corpo e da estrutura pujante dos tintos portugueses. É mesmo um vinho adequado para comida italiana, embora um Mateus Rosé não ficasse pior.
Em suma, nenhum deles era nada de especial, mas pelo preço que custaram (8 €) não se podia esperar mais. Há outras escolhas na carta de vinhos, como Chianti, o Lambrusco ou o Valpolicella, com preços na ordem dos 15, 20 e até 30 €, que talvez experimentemos noutra visita. Porque este é, sem dúvida, um local a revisitar. Para uma boa refeição à italiana vale a pena ir a Ferragudo. Foi a segunda vez que estive no local e pretendo voltar. O atendimento é simpático e o ambiente descontraído. Ou seja, sentimo-nos bem e comemos bem. É o que se deseja. Uma referência a anotar no panorama medíocre dos restaurantes para turistas no verão.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pasqua, Trebbiano 2005 (B)
Região: Sicília (Itália)

Casta: Trebbiano
Nota (0 a 10): 5,5

Vinho: Pasqua, Sangiovese 2005 (T)
Região: Sicília (Itália)
Casta: Sangiovese

Nota (0 a 10): 6

Restaurante: Pizzeria “Le Delizie”
Rua Vasco da Gama, 25
8400 Ferragudo
Telef: 282.461.868
Preço médio por refeição: 12,5 - 15 €
Nota (0 a 5): 4,5

quinta-feira, 27 de julho de 2006

No meu copo, na minha mesa 54 - William Fevre, Sauvignon Blanc 2004; Chafariz do Vinho - Enoteca




Uma saída de fim-de-semana antes de férias levou-me a um local que não visitava há algum tempo e que tem sido alvo de conversas intra e interbloguistas. À falta de quórum bloguista, vai-se com a família. Senhoras e senhores, apresento-vos o Chafariz do Vinho, na Mãe d’Água, entre a Praça da Alegria e o Príncipe Real. Construído nas rochas da antiga mãe d’água de Lisboa, foi erguido dentro do edifício um espaço com 3 pisos onde se vê a água a correr por dentro da gruta. Em dias bons, chegando cedo, ainda se pode optar pela esplanada cá fora.
O Chafariz do Vinho - Enoteca, como o próprio nome indica, é antes de mais nada um local de degustação de vinho, onde se pode comer uns petiscos para acompanhar o líquido, mas é este o centro de todas as atenções na casa. A lista é imensa, com centenas de vinhos, portugueses e estrangeiros, certamente maior que mais de 90% dos restaurantes portugueses. Leva-se mais tempo a escolher o vinho que as comidas. Um dos proprietários é o nosso bem conhecido João Paulo Martins, crítico de vinhos, cronista da Revista de Vinhos e autor dum dos mais conceituados anuários de vinhos, e naturalmente a selecção de vinhos é feita por ele. Claro que os vinhos ali presentes são todos de qualidade acima da média, com preços a condizer, pelo que não se pode esperar ir lá para beber Monte Velho, Frei João ou Porca de Murça (estou a citar alguns vinhos baratos de que gosto, para que se não pense que estou a denegri-los). Tem ainda a particularidade de servir vinho e champanhe a copo. Para quem quer beber pouco mas provar bom, pode ser uma boa opção.
Das vezes que lá fui aproveitei para beber vinhos que não conhecia, com predominância para os estrangeiros. Alemães e franceses (brancos) têm sido escolhas recorrentes, porque é mais fácil encontrá-los bons do que bons brancos portugueses. Desta vez optei por um branco francês (até porque o tempo assim convida), da casta Sauvignon Blanc.
Não há dúvida que os franceses sabem fazer vinho, e este prova-o claramente. Com uma cor citrina desmaiada, quase incolor, um aroma frutado profundo, elegante e suave na boca mas ao mesmo tempo encorpado, com um fim de boca que nos deixa à espera do próximo trago. Bebe-se um e apetece logo outro. Mais convivas houvera e mais garrafas se despejara... Perante este vinho, fica-se com a certeza de que há mesmo vinhos brancos bons, apesar de haver quem pense o contrário e de em Portugal serem poucos.
Claro que os copos usados, do tipo flute, também ajudaram, assim como a temperatura a que o vinho foi mantido, desde logo colocado num frappé. O serviço de vinhos é esmerado ao máximo, como não podia deixar de ser.
Claro que se comeu qualquer coisa a imitar um jantar. Algumas entradas com patés e pães diversos enquanto se espera pelos mini-pratos. Um rolo de massa fresca com requeijão e espinafres, bastante suave; uma trouxa de couve com alheira de caça, bastante temperada e ligeiramente picante, a puxar mais para a bebida; e uma opção do dia, perdiz desfiada em molho de escabeche, saborosíssima. Vai-se petiscando devagar para fazer render enquanto se aprecia o vinho.
Por fim, uma surpresa: um bolo de chocolate que não estava no programa. Só vos digo que deve ter sido o melhor bolo de chocolate que já comi. Cremoso como se fosse mousse, de comer e chorar por mais. Parece que é feito em Lisboa, numa pastelaria de Campo de Ourique. Tenho que descobrir onde é.
No fim, paga-se bem mas com a sensação de que valeu a pena. Pelas comidas e pelas bebidas. Para dois adultos e duas crianças pagou-se 64,50 €. Definitivamente, é um local a colocar no roteiro de qualquer apreciador de vinhos e de quem goste de petiscos fora do comum.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: William Fevre, Sauvignon Blanc 2004 (B)
Região: Saint-Bris (França)
Produtor: William Fevre - Chablis
Casta: Sauvignon Blanc

Preço na Enoteca: 25,00 €
Nota (0 a 10): 8,5

Local visitado: Chafariz do Vinho - Enoteca
Chafariz da Mãe d’Água
Rua da Mãe d’Água à Praça da Alegria
1250-154 Lisboa
Telef: 21.342.20.79
Preço médio por refeição: 20 a 30 €

Nota (0 a 5): 5

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

No meu copo, na minha mesa 21 - Nero d’Avola 2002; La Campania
















Hoje vamos falar duma experiência um pouco diferente. Uma refeição italiana e um vinho italiano.
Não se trata duma dessas pizzarias que há por aí aos pontapés, muito menos a Pizza Hut. Trata-se dum restaurante digno desse nome, bem no coração de Lisboa (na Rua da Artilharia 1, junto ao famigerado túnel do Marquês), com um ambiente acolhedor e uma ementa a preceito. A sala não é muito grande mas está bem aproveitada, conseguindo albergar cerca de 60 pessoas. A iluminação é discreta e suave.
Passando à ementa, as escolhas são vastas, a começar pelas sugestões do chefe logo na primeira página. Depois vêm as inevitáveis massas, pastas e antipastas, numa variedade que passa pelas pizzas, lasanhas, spaghetti, canelloni, fetuccine, tagliatelle e “tutti quanti”. Além destes mais tradicionais ainda há várias alternativas em que se incluem uns “scalopini alla crema”, “osso buco” (uma especialidade), bifes do lombo e chateaubriand e, imaginem, até um bacalhau!
Vieram para a mesa umas lasanhas normais e verdes, um fetucine verde bolognese, um “scalopini alla crema” e um das sugestões do chefe, “scalopini alla marsala”. Depois de se provar estas variedades, ninguém mais tem vontade de encomendar lasanhas na Pizza Hut! As massas estavam excelentes, assim como os dois pratos de “scalopini”.
Na sobremesa comi bolo de chocolate recheado com camadas de chantilly, o que o torna extremamente fofo e apetecível, misturado com gelado de chocolate e baunilha. Experimentei misturar os dois e o resultado foi óptimo. Da próxima vez que lá for tenho que me lembrar desta! As escolhas também são variadas, não faltando o inevitável tiramisu, além de algumas tartes e bavaroises.
Para acompanhar a refeição optámos por vinho italiano. A oferta era enorme em termos de vinhos alentejanos, mais do que todos os outros vinhos portugueses, enquanto dos italianos havia apenas 6 ou 7 marcas, de que só reconheci o Chianti, o Barolo e o Valpolicella, que já tinha provado naquele mesmo local. Na dúvida pedimos ao mestre de serviço à mesa que nos aconselhasse um vinho italiano, ao que ele, curiosamente, torceu o nariz, “com tantos vinhos bons que temos cá”. Mas a refeição era para ser italiana em tudo, e depois de perguntar se tínhamos a certeza que era mesmo isso que queríamos aconselho-nos um vinho da Sicília, de seu nome Nero d’Avola, do ano 2002, por cerca de 10 euros.
Como é habitual nos vinhos italianos que tenho bebido, revelou-se um vinho aberto, de cor rubi clara, pouco encorpado e com pouca acidez, apesar dos 13% de álcool. Bebeu-se bem com os pratos italianos, ligando melhor com as massas que com os pratos de carne. Tal como também tenho notado, parece que falta a estes vinhos alguma estrutura que os torne mais cheios. Não se pode dizer que são vinhos maus, mas até hoje ainda não provei um vinho italiano que me encantasse, nem sequer que batesse claramente os vinhos portugueses. Pode ser que nos topos de gama isso aconteça, mas em termos de qualidade média, até prova em contrário, estou convencido que os vinhos portugueses são melhores.
Em resumo, um restaurante com um serviço rápido, atencioso e eficiente, onde vale a pena voltar para comer pratos italianos bem confeccionados, e uma carta de vinhos extensa onde os vinhos portugueses estão bem representados. O preço também não é nada de assustar, se não se exagerar nas entradas e nos digestivos come-se por cerca de 15 a 20 € por pessoa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Zonin, Nero d’Avola 2002 (T)
Região: Sicília (Itália)
Produtor: Casa Vinícola Zonin - Gambellara
Casta: Nero d'Avola

Grau alcoolico: 13%
Preço no restaurante: cerca de 10 €
Nota (0 a 10): 6

Restaurante: La Campania (italiano)
Rua da Artilharia 1, 30 - Lisboa
Telef: 21.385.03.45
Nota (0 a 5): 4

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

No meu copo 10 - Cimarosa (Chile)

Uma oferta trouxe ao meu copo este vinho branco chileno, para mim desconhecido. Feito a partir da casta Chardonnay e fermentado em madeira, segundo a indicação do contra-rótulo, juntamente com os 13,5º de álcool, revelou-se apropriado para carnes brancas ou peixes no forno, pois revelou uma estrutura robusta (para o que é habitual nos vinhos brancos), com corpo cheio e um paladar intenso.

Os vinhos brancos fermentados em madeira ganham uma intensidade e uma adstringência na boca que os torna apropriados para pratos bem apaladados, batendo-se perfeitamente com alguns pratos de carne. Por outro lado, a casta Chardonnay dá aos vinhos um corpo e um aroma (às vezes enjoativo) que se sobrepõe a pratos muito delicados.

Experimentei-o, por exemplo, com um prato de massa com carne do tipo italiano, e o sabor do vinho sobrepôs-se ao do prato.

Pessoalmente gosto mais dos brancos leves e abertos, mas para quem gosta deste género só é preciso acertar com o prato: peixe no forno, bacalhau, carnes grelhadas, poderão ser boas apostas para acompanhar este branco chileno.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cimarosa, Chardonnay, Reserva Privada 2003 (B)
Região: Central Valley (Chile)
Produtor: Chaval, S. A. - Santiago - Chile
Grau alcoólico: 13,5%

Casta: Chardonnay
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 6

No meu copo 9 - Espumante Codorníu (Cava)

Para finalizar a época festiva de 2005 falta apenas referir mais um espumante usado num repasto. Perante a vasta oferta que nesta época sempre aparece nos supermercados, há muito por onde escolher e neste caso, deixando de lado o champanhe francês (não pode ser todos os dias) optou-se pelo preço, uma caixa de 2 garrafas a 5,99 €. Tratava-se do espumante Codorníu, de origem espanhola, que ali recebe o nome de Cava.

É um espumante (bruto, naturalmente) que tem bastantes semelhanças com os melhores espumantes que se fazem por cá. Tomando sempre como referência o Murganheira, posso dizer que este Codorníu não envergonha. É leve, suave, com bolha fina, agradável para uma ocasião festiva como se pede a um espumante.

Para quem quiser fazer saltar a rolha mas saborear uma bebida agradável por bom preço entre os festejos, pode deixar de lado a rivalidade ibérica e comprar este espumante espanhol.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cava Codorníu - espumante bruto
Região: Penedès (Espanha)
Produtor: Codorníu S. A. - Barcelona – Espanha
Grau alcoólico: 11,5%

Preço em hipermercado: 5,99 € (caixa de 2 garrafas)
Nota (0 a 10): 7

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

No meu copo 4 - Champanhe: Veuve Clicquot e Moët & Chandon



Para o jantar de Natal usou-se champanhe. Estou a falar do francês, o verdadeiro, e não do espumante a que muitos erradamente chamam também champanhe, que na realidade não o é. O nome champanhe só pode ser usado para os vinhos produzidos na região francesa com esse nome, Champagne, situada próximo de Reims, a nordeste de Paris. Em Portugal produzem-se alguns bons espumantes, que não envergonham, mas... champanhe é champanhe. E é desse que vos quero falar agora.
Devo dizer que quando provei espumante pela primeira vez (e nas vezes seguintes) não gostei nada e não percebia como é que as pessoas podiam gostar tanto daquilo. Mais tarde, quando provei champanhe francês, percebi a diferença. E ainda mais tarde, quando me tornei apreciador de vinhos, percebi uma outra diferença: é que o espumante que toda a gente bebia, um tal Raposeira, é um dos piores que se produz em Portugal. Quando provamos o Murganheira, o Vértice, o Danúbio, ou o Aliança Particular Bruto Zero, só para citar estes exemplos, percebemos porque é que o Raposeira não serve de exemplo para nada.
Pior exemplo ainda é o dos espumantes italianos que há por aí em festas, que são normalmente doces e até usam rolhas de plástico. O seu carácter doce só lhes permite servir (e mal) para acompanhar sobremesas, e qualquer semelhança com o produto verdadeiro será mera coincidência. Os Asti, Moscato e “tutti quanti” não passam, para mim, duma espécie de Seven-Up com álcool. Champanhe ou espumante a sério deve ser bruto, que é o que não tem adição de açúcar.
Voltando ao motivo deste post, os dois champanhes saboreados no Natal familiar são dois néctares de eleição. Para além de não serem excessivamente gasosos (não estamos a beber uma gasosa), têm bolha muito fina, paladar elegante e aromático, frescura e elegância. São, por isso, expoentes máximos da categoria e, para quem gosta do género, podem perfeitamente ser bebidos com qualquer refeição. Aliás, o seu uso é tão vasto que podem acompanhar uma refeição do princípio ao fim, do aperitivo à sobremesa.
O Veuve Clicquot é talvez um pouco mais aromático e encorpado, enquanto o Moët & Chandon (este é da mesma casa que produz o Don Pérignon, porventura o melhor champanhe do mundo que deve o seu nome ao frade criador desta bebida) é mais leve e mais aberto, embora seja difícil dar preferência a um deles. Curiosamente, são produzidos a partir das mesmas castas: Chardonnay, Pinot Noir (duas castas também cultivadas em Portugal, sendo esta última de uvas tintas) e Pinot Meunier.
Dado o seu elevado preço, são bebidas para serem consumidas em ocasiões festivas (a não ser que se tenha muito dinheiro para gastar) e, principalmente, por quem realmente aprecie aquilo que está a beber. Não se gasta dinheiro numa bebida destas só por exibicionismo!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Veuve Clicquot - Champagne Brut (B)
Região: Champagne (França)
Produtor: Veuve Clicquot Ponsardin - Reims - França
Grau alcoólico: 12%

Preço em hipermercado: cerca de 35 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Moët & Chandon - Champagne Brut (B)
Região: Champagne (França)
Produtor: Champagne Moët & Chandon - Épernay - França
Grau alcoólico: 12%

Preço em hipermercado: cerca de 35 €
Nota (0 a 10): 9