Mostrar mensagens com a etiqueta JP Ramos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta JP Ramos. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Perdizes por um, perdizes para dez

No meu copo 251 - Veuve Roth, Pinot Gris 2007; Delicato, Chardonnay 2005; Delicato, Zinfandel 2005 rosé; Herdade do Pinheiro 2007 rosé; Herdade do Perdigão Reserva 2005; Quinta da Viçosa 2003; Herdade do Meio Garrafeira 2003; Vieux Magon 2001




E pronto, para assinalar o fim do ano de trabalho e ajudar a esgotar o stock de perdizes do caçador de serviço, juntando mais uma operação da missão nunca terminada de “desbaste da garrafeira”, o plenário dos Comensais Dionisíacos reuniu-se em versão familiar para o que já começa a ser um “must” na primeira metade do Verão: o “jantar de fim de época”, desta vez em versão caseira com o Politikos e respectiva consorte e descendência a servirem de anfitriões para o repasto. Compareceram à chamada quase todos os membros efectivos, só havendo faltas por impossibilidade justificada.
Enquanto as senhoras se dedicavam à confecção das aves, os homens entretinham-se com a selecção das garrafas. Para começar optou-se por um Veuve Roth, Pinot Gris 2007, um branco francês que tinha provado há algum tempo na Wine O’Clock. Muito macio, delicado e de grande suavidade, ligeiramente adocicado mas com uma excelente acidez que o torna muito fresco e equilibrado, já me tinha conquistado na prova anterior e voltou a fazê-lo. Não é um vinho para grandes refeições mas como aperitivo ou entrada ou com pratos delicados vai francamente bem.
Seguiu-se um Delicato Chardonnay 2005, desta vez um branco californiano que apareceu mais suave do que a maioria dos Chardonnay, mais frutado e sem aquele amanteigado que marca muitos dos vinhos da casta, com aromas tropicais e sem a habitual marca da madeira que o torna demasiado pesado para o meu gosto.
Passou-se depois para os rosés. O anfitrião insistiu em que experimentássemos outro Delicato que não fez o pleno das opiniões. Um verdadeiro rosé de esplanada, adocicado e não muito gastronómico. No entanto algumas das senhoras preferem os mais doces pelo que ainda houve aproveitamento do conteúdo da garrafa. Passou-se imediatamente a outro rosé que já estava preparado, um Herdade do Pinheiro 2007. Mais seco, persistente e com maior acidez, agradou à generalidade dos presentes.
Quando as perdizes vieram para a mesa, confeccionadas em duas variedades já experimentadas com sucesso (estufadas com couve lombarda e com cogumelos em molho de natas de soja) passou-se então ao painel dos tintos, constituído por belos vinhos do Alentejo. A escolha para início das hostilidades recaiu num Herdade do Perdigão Reserva 2005. Foi um sucesso. Alvo dos maiores encómios, mostrou-se um vinho de grande carácter, pujante, persistente, muito vivo mas arredondado, a mostrar que está para durar. Sem dúvida um vinho a repetir.
Seguiu-se um Quinta da Viçosa 2003, um dos vinhos especiais de João Portugal Ramos. É feito com a melhor casta portuguesa e a melhor casta estrangeira da colheita de cada ano. Neste caso temos uma combinação algo “sui generis “de Touriga Nacional e Merlot, tal como já houve outras combinações improváveis como Aragonês e Petit Verdot ou Trincadeira e Syrah. Este 2003 apresentou-se essencialmente elegante e suave, em claro contraste com o Herdade do Perdigão. Um vinho mais aconselhado para pratos delicados e requintados, talvez pouco adequado para a caça que tínhamos no prato mas que também merece outra oportunidade.
Continuando no Alentejo, experimentámos depois um Herdade do Meio Garrafeira 2003, uma promoção da feira de vinhos do Continente de 2008. A prova anterior desta casa não agradou mas este mostrou outro nível. Muito bem estruturado, encorpado e persistente, com taninos firmes mas domados. Uma bela surpresa pelo preço que custou.
Por fim, o anfitrião ainda fez questão de nos brindar com uma garrafa de vinho da Tunísia, produzido na região da antiga Cartago. Contra as expectativas mais pessimistas, não defraudou. Apresentou-se elegante e suave na boca, medianamente encorpado, com boa concentração de cor e alguma persistência de madeira. Não sendo excepcional, não é de menosprezar.
Para fecho da noite, já atirados a uma mousse e a um gelado de chocolate, tivemos o ponto alto com a abertura duma relíquia que o Politikos tinha lá em casa: um Lacrima Christi sem data, mas com uma indicação de 1908 no contra-rótulo! Sublime! Não há palavras para descrevê-lo. E ainda houve tempo para os mais resistentes provarem uma aguardente de figo da Tunísia, Boukha Gold, com 36% de álcool.
Depois ainda se seguiram algumas baforadas de charuto e cachimbo para os mais aficionados, mas isso são outras histórias... Agora vamos a banhos.

Kroniketas, tuguinho, e os outros todos

Vinho: Veuve Roth, Pinot Gris 2007 (B)
Região: Alsácia (França)
Produtor: Les Caves de La Route du Vin
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Pinot Gris
Preço: 9,50 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Delicato, Chardonnay 2005 (B)
Região: Califórnia (EUA)
Produtor: Delicato Family Vineyards - Manteca - Califórnia
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Chardonnay
Preço: 4,22 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Delicato, Zinfandel 2005 (R)
Região: Califórnia (EUA)
Produtor: Delicato Family Vineyards - Manteca - Califórnia
Grau alcoólico: 10%
Casta: White Zinfandel
Preço: 3,96 €
Nota (0 a 10): 5,5

Vinho: Herdade do Pinheiro 2007 (R)
Região: Alentejo (Ferreira)
Produtor: Sociedade Agrícola Silvestre Ferreira
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço: 4,88 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Herdade do Perdigão Reserva 2005 (T)
Região: Alentejo (Monforte)
Produtor: Herdade do Perdigão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço: 12,50 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Quinta da Viçosa 2003 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Merlot
Preço: 22,10 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Herdade do Meio Garrafeira 2003 (T)
Região: Alentejo (Portel)
Produtor: Casa Agrícola João & António Pombo - Herdade do Meio
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Castelão
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vieux Magon 2001 (T)
Região: Mornag (Tunísia)
Produtor: Les Vignerons de Carthage - Tunis
Grau alcoólico: 13%
Preço: 9 €
Nota (0 a 10): 7

domingo, 18 de maio de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (XXII)

No meu copo, na minha mesa 178 - Lóios 2006; Cadeia Quinhentista (Estremoz)














De passagem por Estremoz, depois da visita ao Monte da Caldeira de João Portugal Ramos, fui à procura do famoso restaurante São Rosas, junto à Pousada de Santa Isabel. Logo por azar estava fechado. Fiquei por ali a ver a paisagem lá em baixo, a dar uma vista de olhos à pousada quando o meu olhar pousou numa placa que indicava “Cadeia Quinhentista”, que já alguém me tinha referido, para uma rua estreitinha que saía junto da pousada. Fui ver o aspecto e entrei, atraído pelas opções de caça da ementa. Ainda cá fora, para além da ementa está uma explicação sobre a história do edifício. Ali funcionou a cadeia de Estremoz. Depois de abandonada, o actual dono, que entretanto tinha saído da Pousada de Santa Isabel, negociou com a Câmara Municipal a reconversão do edifício para restaurante, e assim nas antigas masmorras repousam agora as mesas do restaurante e um bar (no piso superior há outro bar).
O ambiente é acolhedor, estando o interior decorado com cores quentes, em tons de vermelho, há música ambiente a dar as boas vindas ao cliente. Era dia de semana, ao almoço, pelo que não havia muita gente. Fui conduzido por uma simpática senhora a uma mesa na sala mais interior e sentei-me junto a uma janela fechada a grades.
Estando sozinho, não havia grandes possibilidades de fazer escolhas muito complicadas, mas entre as elaboradíssimas opções existentes na carta comecei por uma canja de perdiz, seguindo-se como prato principal meia perdiz marinada em azeite, que veio decorada com pequeninos bagos de uva e castanhas. Ambos estavam excelentes, com a perdiz em azeite a mostrar aromas diferentes do habitual mas muito bem confeccionada.
Para sobremesa um doce incontornável do Alentejo, que repeti sempre que pude, tal como a encharcada: a sopa dourada, irrepreensível, um daqueles doces que fazem a delícia de quem gosta de doces à base de ovos.
Finalmente, o vinho. Tive que optar por meia garrafa e a escolha recaiu num vinho de João Portugal Ramos, o Lóios. Não sendo nada de extraordinário, faz parte daquele lote de vinhos que, sendo baratos, são agradáveis e fáceis de beber. Embora os 14% de álcool se façam sentir, mostra alguma macieza e uma predominância frutada, com alguma persistência final. Um vinho agradável sem grandes complexidades nem pretensões.
A par de tudo isto, um serviço excelente, competentíssimo, atento, eficiente e simpático. A meio da refeição o próprio dono veio ter comigo para saber se estava tudo a decorrer a contento. A senhora que me conduziu à mesa e me atendeu durante a refeição mostrou ter formação na matéria, tal o profissionalismo que demonstrou ao longo de todo o serviço. O preço faz-se sentir mas pela elevada qualidade do serviço acaba por não ser excessivo. É um local a voltar para uma refeição calma em ambiente recatado.

Kroniketas, enófilo viajante

Restaurante: Cadeia Quinhentista
Rua Rainha Santa Isabel
7100 Estremoz
Telef: 268.323.400
Preço por refeição: 35 €
Nota (0 a 5): 5

Vinho: Lóios 2006 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Castelão e outras
Preço em feira de vinhos: 2,64 €
Nota (0 a 10): 6,5

domingo, 11 de maio de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (XXI)

João Portugal Ramos




Uma das minhas visitas mais desejadas por terras do Alto Alentejo era às instalações de João Portugal Ramos, em Estremoz. Situada junto à estrada nacional para Arraiolos a cerca de 3 km de Estremoz, ainda antes da Herdade das Servas, a entrada para o Monte da Caldeira passa quase despercebida ao viajante pois o portão está afastado da estrada e fica logo a seguir a uma curva, pelo que só com atenção se percebe o que ali está. A própria placa com o nome do produtor não está muito visível.
Passei por lá num dia de semana de manhã em que regressava a Portalegre. Cheguei à porta e resolvi entrar. Dirigi-me à recepção e perguntei como eram as visitas. Disseram-me que se quisesse podia fazê-la naquela hora, e lá fui.
João Portugal Ramos é um dos mais conceituados enólogos do país e do Alentejo em particular, com vários vinhos de renome no panorama nacional, tendo já inclusivamente sido premiado. Possui também uma empresa no Ribatejo, a Falua, tendo-se estabelecido em Estremoz em 1988 e plantado a primeira vinha em 1990, depois de vários anos como consultor em diversas empresas de norte a sul do país.
O Monte da Caldeira é a sede da empresa de João Portugal Ramos no Alentejo, onde tem várias parcelas de vinha num total de 450 hectares, estando ainda em fase de plantação uma parcela na encosta por baixo do castelo de Estremoz. Está em funcionamento desde 2003 e todas as instalações do Monte da Caldeira foram construídas de raiz, pelo que foi possível criar todas as facilidades pretendidas, uma das quais é um túnel de trasfega do vinho para a linha de engarrafamento... por baixo da rua! Actualmente produz cerca de 6 milhões de garrafas por ano.
Na zona dos escritórios está a sala de cubas e, junto a esta, a sala de barricas. Existem também alguns lagares de mármore destinados à pisa de parte da produção dos melhores tintos. Em 2005 foram adquiridas novas cubas destinadas à remontagem do vinho de entrada de gama. Existem também balseiros de madeira para fermentação e estágio dos tintos, que vão ser usados durante 10 anos.
O primeiro vinho produzido por João Portugal Ramos no Monte da Caldeira foi o Vila Santa, a que se foram seguindo os restantes produtos que actualmente conhecemos. Os tintos estagiam em madeira, durante períodos que vão decrescendo de acordo com a gama de posicionamento do vinho: 1 ano para o Marquês de Borba Reserva, 9 meses para o Vila Santa, 6 meses para os monocastas Aragonês, Trincadeira, Syrah e Tinta Caiada, 5 meses para o Marquês de Borba. Só o Lóios não tem estágio em madeira.
Para além destes tintos existe ainda uma produção especial proveniente da outra parcela de vinha situada a caminho de Sousel, a Quinta da Viçosa, que resulta da combinação da melhor casta portuguesa e estrangeira de cada ano. Daqui já resultaram combinações muito curiosas como Trincadeira-Syrah, Aragonês-Petit Verdot (parece que esgotou num ápice) e a mais recente Touriga Nacional-Merlot. O Quinta da Viçosa estagia um ano em madeira.
Atravessando a rua entra-se na linha de engarrafamento, totalmente automatizada, desde a colocação das garrafas até ao embalamento nas caixas. Ali a intervenção humana é praticamente inexistente a não ser para vigiar o bom funcionamento do processo. Curiosamente enquanto lá estive uma das garrafas tombou, pelo que foi necessário parar a linha para recolocar as garrafas todas no sítio. Um momento raro, certamente.
Tal como para a Herdade das Servas, o desejo expresso no final da visita (onde não tive oportunidade de falar com o próprio, que andava por terras do oriente juntamente com outros produtores) foi o de que nos continue a brindar com belíssimos vinhos e alguns dos melhores tintos do Alentejo.

Kroniketas, enófilo itinerante

J. Portugal Ramos Vinhos, S. A.
Monte da Caldeira
7100-149 Estremoz
Telef: 268.339.910

quarta-feira, 5 de março de 2008

Os vinhos da festa 2007-2008 (5)

No meu copo 167 - Outros tintos


Últimos tintos provados durante as já longínquas festividades de Natal e Ano Novo. Tem demorado terminar o balanço, mas outros afazeres têm tirado o tempo e a disposição para escrever e compor estes posts, assim como as últimas visitas em Portalegre. Cá vai.

Conde de Vimioso Reserva 2000 - Um vinho da Falua, a empresa de João Portugal Ramos no Ribatejo, muito conceituado nos guias de vinhos. Pareceu-nos contudo em perda. Com a cor ainda muito concentrada mas o corpo a esvair-se e os aromas a ficarem algo perdidos no copo. Talvez tenha passado tempo demais antes de ser bebido, mas pelo preço que custou esperava-se muito melhor. Nota: 7

Finca Flichman, Malbec 2003 - De cor rubi e suave de corpo, com aroma marcadamente frutado e final discreto mas com alguma persistência, pareceu-nos vinho que ainda estava ali para se aguentar por mais uns tempos. Uma boa surpresa de uma casta e de um país que deveríamos conhecer melhor. Nota: 7,5

Beaujolais 2004 - Um dos tipos de vinho emblemáticos de França, mas em que este exemplar se fica pela mediania. É preciso notar que se tratou de uma compra a baixo preço, pelo que poderá não se tratar do melhor representante do vinho em causa. Trata-se de um vinho jovem e aberto, com cor mais de clarete que de tinto, adequado para acompanhar queijo ou charcutaria e a beber ligeiramente fresco. Portou-se bem com as entradas da refeição. Sem grandes pretensões, pode ser um bom acompanhante se não se esperar dele mais do que pode dar. Nota: 6,5

Kroniketas, enófilo vagaroso

Vinho: Conde de Vimioso Reserva 2000 (T)
Região: Ribatejo
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 15,95 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Finca Flichman, Malbec 2003 (T)
Região: Mendoza (Argentina)
Produtor: Finca Flichman
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Malbec
Preço em feira de vinhos: 4,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Beaujolais 2004 (T)
Região: Beaujolais (França)
Produtor: Pierre Chanau - Rhône
Grau alcoólico: 12%
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 6,5

sexta-feira, 23 de março de 2007

A má notícia e a boa notícia


A má notícia já era conhecida, é que José Maria Soares Franco deixou a Sogrape, o que deixa os apreciadores algo órfãos, mas a boa notícia é que se juntou a João Portugal Ramos para fazerem um projecto comum de vinhos no Douro. Vem tudo explicado pelos próprios na Revista de Vinhos deste mês, que recebi anteontem em casa.
Sabendo o que estes dois enólogos são capazes de produzir, só se pode esperar um resultado de altíssima qualidade. Vamos ficar à espera cheios de curiosidade e de interesse, e de certeza que o que sair... vamos provar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Diz quem sabe


Hoje recebi a Revista de Vinhos deste mês e desde logo me entretive a ler uma conversa de João Paulo Martins “à mesa com” o produtor e enólogo João Portugal Ramos, autor de excelentes vinhos alentejanos.
Entre vários considerandos acerca da produção de vinho em Portugal e a afirmação de que “o Alentejo é imbatível”, a conversa terminou com uma bombástica:
“Confesso também que começo a ficar farto dos vinhos virtuais do Douro, que são muito bons mas não existem. E até dou de barato que, nos topos de gama, o Douro tenha mais vinhos que o Alentejo, mas a região em si, em termos de qualidade média, e até das cooperativas, não tem sequer comparação, é muito inferior”.
Fiquei pasmado por finalmente encontrar alguém que tem uma opinião igual à minha acerca deste tema. Já o disse e escrevi, neste blog e nas Krónikas Tugas, que não considero os vinhos do Douro, em termos de qualidade média, assim tão bons como se apregoa por aí. Já tive até a oportunidade de referir várias grandes decepções tidas com vinhos do Douro apresentados como muito bons, e nada baratos. Foi até agora a região com cujos vinhos apanhei mais decepções. Há, de facto, vinhos muito bons no Douro, mas também eu já tinha chegado à conclusão que esses são os caros, porque quando vamos para a gama média, aqueles de 4 ou 5 €, não há nada que os recomende mais que os de outra região qualquer, antes pelo contrário. Até me sinto, às vezes, um pouco incomodado por ver tamanha unanimidade à volta dos vinhos do Douro que eu não partilho. No programa “A hora de Baco” os convidados, invariavelmente, quando falam do seu vinho preferido, vão cair no Douro, principalmente, e no Alentejo. Palavra que estou cansado de ouvir sempre a mesma coisa, Douro-Alentejo, Douro-Alentejo, Douro-Alentejo. Gostava de ver aparecer alguém com uma opinião diferente destas, para variar.
Agora vem o produtor/enólogo mais premiado dos últimos anos lançar esta “bomba”. Ele certamente sabe do que fala, o que me deixa extremamente confortado porque a opinião do especialista é igual à minha. Aleluia! Houve alguém que teve a coragem de desmistificar a auréola que se criou em torno dos vinhos do Douro. Porque é preciso não esquecer que quando falamos do Douro, dum modo geral, não estamos a falar de Barca Velha.

Kroniketas, enófilo esclarecido

(Imagens retiradas da Revista de Vinhos nº 202, de Setembro de 2006, com a devida vénia)

Veja aqui as nossas apreciações a alguns vinhos do Douro:
Planalto
Passadouro e Bons Ares
Quinta dos Aciprestes (1)
Quinta dos Aciprestes (2)
Vinha Grande
Quinta do Portal
Duas Quintas

terça-feira, 18 de julho de 2006

No meu copo 51 - Conde de Vimioso 2002

Este é um vinho regional ribatejano da empresa de João Portugal Ramos em Almeirim, a Falua, que se posiciona na gama abaixo dos 5 euros, portanto na zona média-baixa. João Portugal Ramos é um nome bem conhecido a cujos vinhos já aqui fizemos referência em diversas ocasiões, nomeadamente aqueles que produz em Estremoz.

Da Falua já provámos o Conde de Vimioso Rosé e para uma próxima ocasião ficará o Conde de Vimioso Reserva.

O Conde de Vimioso tinto de 2002, comprado em 2004, é um vinho com alguma robustez, como é característico dos vinhos do Ribatejo, sem contudo ser agressivo. Bom corpo e aroma algo discreto, adequa-se a pratos de carne bem temperados, mas não excessivamente. Um borrego no forno é uma boa combinação.

Não sendo um vinho de encantar, também não desagrada e pode ser uma boa aposta para vinho do dia-a-dia, que se bebe com agrado, especialmente para os apreciadores de vinhos bastante encorpados. Beba-se desde já.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Conde de Vimioso 2002 (T)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 13%

Castas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 3,20 €
Nota (0 a 10): 6

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

No meu copo 11 - Conde de Vimioso Rosé 2004

Experimentei este vinho com um prato massa com carne picada, do tipo italiano, e com bacalhau à Zé do Pipo. Gostei mais com o bacalhau. Trata-se dum vinho rosé com algum corpo e um grau alcoólico acentuado (13,5%), o que o torna apropriado para pratos um pouco mais pesados do que é habitual nos vinhos rosé, como por exemplo o famoso Mateus.

Este Conde de Vimioso é um vinho regional ribatejano, produzido por Falua, a empresa de João Portugal Ramos (de cujos vinhos já falámos noutro post) em Almeirim. Feito a partir de três castas tintas famosas: Tinta Roriz, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon. São excelentes castas para fazer tintos, mas neste caso parece-me que usá-las para fazer um rosé é um pouco de desperdício. Pessoalmente gosto (talvez por hábito) de vinhos rosé mais leves e suaves. Não sou daqueles que acham que rosé não é vinho, mas dada a sua especificidade acho que é um tipo de vinho mais adequado a entradas, massas ou comida chinesa.

Para quem gostar deste tipo de rosé pode ser uma compra interessante, mas prefiro outros dentro do género.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Conde de Vimioso 2004 (R)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%

Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço com a Revista de Vinhos: 4,50 €
Nota (0 a 10): 5

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

No meu copo 6 - Os varietais de João Portugal Ramos



João Portugal Ramos é um nome que nos últimos anos se tornou uma referência no panorama vinícola nacional, e no Alentejo em particular. Começando por ser enólogo de várias empresas, acabou por criar em Estremoz a sua própria produção donde saem actualmente alguns dos melhores vinhos alentejanos e mesmo do país. À semelhança do que acontece com alguns dos grandes nomes que nas Krónikas Vinícolas consideramos garantias de qualidade (como a Sogrape e a Herdade do Esporão), alguns vinhos de João Portugal Ramos também já entram nesse lote, como é o caso do Marquês de Borba.
Na época festiva que agora terminou, houve aniversário comemorado com um jantar de fondue e bife na pedra. Para acompanhar as carnes foram escolhidos os 4 vinhos varietais (ou monocasta, como preferirem) de João Portugal Ramos: Aragonês, Trincadeira, Tinta Caiada e Syrah. Sendo alentejanos, o seu carácter encorpado e elevado grau alcoólico (entre 14 e 14,5º) garantiam, à partida, pujança suficiente para suportar os fritos e grelhados bem como os molhos de acompanhamento.
E o que se pode dizer de quatro vinhos provados de seguida? Não defraudaram as expectativas dos comensais, embora se possam estabelecer algumas diferenças significativas entre eles. Todas as garrafas foram abertas com alguma antecedência de forma a permitir aos vinhos arejar um pouco antes de serem bebidos.
No meu caso, o que mais me agradou foi o Trincadeira (de 2002), o mais bem estruturado e mais pujante na prova, com um toque de especiarias que lhe confere uma vivacidade muito interessante e presença de madeira quanto baste para não se tornar excessiva. Parece estar ainda apto a durar algum tempo na garrafa, embora com os vinhos alentejanos não se deva exagerar no tempo de guarda (2 ou 3 anos depois da compra já é bom).
Logo a seguir o Aragonês (de 2001), que segue a linha do seu parceiro, embora estivesse um pouco mais macio, talvez por já estar aberto há mais tempo.
O Tinta Caiada (de 2001) foi o primeiro a ser bebido, tendo-se mostrado bastante suave e já pronto para ser bebido, não me parecendo estar vocacionado para guardar muito mais tempo.
Finalmente o Syrah (de 2001), o último a ser bebido, que me causou uma sensação que já anteriormente tinha sentido com uma garrafa da mesma casta proveniente da Herdade do Esporão, curiosamente também numa prova antecedida por outros vinhos (no caso eram o Callabriga e o Quinta da Leda, do Douro): achei-o muito delgado de corpo, com final curto e parco de aroma. Não sei se o Syrah se dá mal com outras provas e tem que ser apreciado isoladamente, ou se é a casta que perde força no Alentejo, porque na Estremadura, por exemplo, encontram-se vinhos bastante adstringentes e até difíceis de beber, num contraste absoluto com o que agora encontramos nestas variedades alentejanas. Por tudo isto, o Syrah foi o que menos agradou e embora não se possa considerar um mau vinho, para a mesma gama de preços fica a perder para os seus irmãos das outras variedades.
Em resumo, fazendo jus à tradição alentejana, as castas habituais Aragonês e Trincadeira parecem continuar a dar cartas e marcar a sua importância na feitura dos vinhos da região. Tanto se portam bem sozinhas como acompanhadas, não sendo por acaso que quase todos os vinhos alentejanos denotam a presença de pelo menos uma delas. Estes monocasta são ideais para acompanhar pratos de carne bem temperados.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos

Vinho: João Portugal Ramos, Aragonês 2001 (T)
Casta: Aragonês

Preço em feira de vinhos: 8,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: João Portugal Ramos, Trincadeira 2002 (T)
Casta: Trincadeira

Preço em feira de vinhos: 9,35 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: João Portugal Ramos, Tinta Caiada 2001 (T)
Casta: Tinta Caiada

Preço em feira de vinhos: 9,22 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Vinho: João Portugal Ramos, Syrah 2001 (T)
Casta: Syrah

Preço em feira de vinhos: 11,22 €
Nota (0 a 10): 6