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terça-feira, 28 de julho de 2009

No meu copo, na minha mesa 250 - Jantar Niepoort no restaurante Jacinto





Realizou-se há duas semanas no restaurante Jacinto, na zona antiga de Telheiras, em Lisboa, o muito aguardado jantar de degustação com vinhos Niepoort, promovido pela Wine O’Clock. Pela quantia de 50 euros os mastigantes e degustantes tiveram direito a uma entrada, um prato de peixe, dois de carne, duas sobremesas, 10 vinhos e uma aguardente, que incidiram basicamente nos que já tinham estado em prova na Wine O’Clock na semana anterior.
As Krónikas Vinícolas fizeram-se representar por este escriba e pelo Politikos, por sinal os primeiros a chegar ao restaurante. Começámos por ser brindados com um vinho do Porto branco Niepoort extra-seco de 1939! Um vinho castanho-cobre, a fazer lembrar um Tawny de 20 ou 30 anos, com uma frescura e intensidade aromática que nunca fariam supor estarmos perante um vinho com a idade do início da 2.ª Guerra Mundial! Notável!
Depois de completo o lote de participantes e já devidamente distribuídos pelas mesas, deu-se início às hostilidades. Tivemos a sorte de ficar na mesa do representante da Niepoort, José Teles, da área comercial, o que foi uma mais-valia, já que além do agradável convívio nos permitiu aprender um pouco mais, tendo mesmo ficado em aberto a visita a uma das quintas da Niepoort por altura das vindimas. A estratégia comercial das marcas passa hoje muito por (in)formar e aproximar os apreciadores/consumidores de vinho, e ainda bem.
Com o prato de entrada foi servido o Redoma rosé 2008, de momento o único rosé da Niepoort. Bastante equilibrado na boca, com aroma predominante a frutos vermelhos, boa estrutura e boa persistência. Fermentou em barricas novas de carvalho francês mas não foi submetido a qualquer estágio. Um vinho concebido para a mesa, mais do que para a esplanada, que casou bem com a salada de queijo de cabra com rúcula, que estava muito fresca e agradável.
Seguiu-se o prato de peixe, bacalhau confitado com pasta de azeitona, com o qual provámos dois vinhos brancos: o Tiara 2008 e o Redoma 2008. O Tiara, mais leve, mais aberto, mais suave e mais elegante, com um perfil mais mineral e cítrico, é um branco para pratos mais frescos e requintados. O Redoma, mais estruturado, resultado da fermentação em barricas de carvalho francês onde estagiou 9 meses, tem a madeira muito bem casada sem se sobrepor aos aromas nem retirar a frescura predominante. Pode ser um branco mais de Inverno que no entanto se enquadra bem no tempo mais quente e que fez boa parceria com os tacos de bacalhau. Em suma, dois brancos de perfis diferentes mas ambos muito agradáveis. Pelos preços anunciados, o Tiara será mais apetecível de comprar...
Finalmente, chegaram as carnes e os tintos, servidos aos pares: um representante da gama mais intermédia da Casa com outro da gama alta. Assim começámos com um Vertente 2007 e um Charme 2007, para acompanhar o mil-folhas de pato com alecrim. Em seguida, para o javali estufado com torta de legumes, uma parelha Redoma 2006 e Batuta 2007 (em garrafa ainda sem rótulo).
Tanto o Vertente como o Redoma são vinhos para um consumo mais imediato, com um perfil mais frutado e encorpado. O Vertente será talvez o mais simples e menos ambicioso, enquanto o Redoma apresenta outra complexidade. Sendo estes dois bons vinhos, não deixam de ser ofuscados pelos dois de topo. O Charme faz inteiro jus ao nome que ostenta: todo ele é charme desde a primeira impressão olfactiva até à prova de boca, marcada por extrema elegância, a pedir pratos plenos de requinte. Foi bem escolhido para o folhado de pato. Já o Batuta apresenta-se mais pujante e complexo, a pedir tempo para se mostrar em plenitude e a prometer longa vida e grandes voos.
Para as sobremesas ainda houve direito a um Porto Vintage de 2007, um Colheita de 98 e uma aguardente vínica. Só provei os Portos que não deixaram os créditos por copos alheios. Um dos primeiros Portos Vintage que me lembro de beber foi um Niepoort de 2003 que estava notável, e este não fugiu à regra. Grande corpo, grande profundidade, um vinho cheio de pujança que nunca mais acaba na boca, apresentando uma exemplar ligação entre a fruta e o álcool. Possivelmente um dos melhores Portos Vintage do país. O Colheita também não se saiu mal da função, com uma predominância a frutos secos e bastante elegante na prova. Já o Politikos, ainda molhou os lábios na aguardente vínica e reputou-a de excelente, aveludada e elegante, com a madeira muito presente mas sem ser agressiva.
Resta falar dos sólidos, onde não é fácil escolher, de tão bem confeccionados estavam. O bacalhau muito bem enquadrado com a pasta de azeitona, o mil-folhas de pato muito saboroso e macio e finalmente o javali, talvez o ponto alto da noite, bastante apetitoso e suculento.
Para as sobremesas veio uma encharcada alentejana em duelo com um pão de rala, irrepreensíveis, e para terminar com o Porto um Petit gâteau com gelado de baunilha que fechou a noite da melhor forma.
Serviço impecável, rápido e eficiente, tanto nos vinhos como nos pratos, não falhou nada nesta refeição magnífica onde todos estão de parabéns. A Wine o’clock porque promoveu, a Niepoort porque forneceu os vinhos, o Jacinto porque serviu, e nós, os felizardos que lá estivemos porque pudemos participar numa refeição notável. Parece que o Jacinto, que atravessou tempos difíceis, está de volta aos melhores dias e a tornar-se um ponto de referência na gastronomia lisboeta.

Kroniketas, enófilo e gastrónomo satisfeito, com Politikos

Restaurante: O Jacinto
Av. Ventura Terra, 2 (Telheiras)
1600 Lisboa
Telef: 21.759.17.28
Nota (0 a 5): 4,5


Região: Douro
Produtor: Niepoort Vinhos

Vinho: Redoma 2008 (R)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Amarela, Touriga Franca, 50% outras
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Tiara 2008 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Codega, Rabigato, Donzelinho, Viosinho, Cercial
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Redoma 2008 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Codega, Rabigato, Donzelinho, Viosinho, Arinto
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vertente 2007 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Amarela, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Redoma 2006 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinto Cão
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Charme 2007 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Batuta 2007 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Porto Niepoort Vintage 2007
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Porto Niepoort Colheita 1998
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Na minha mesa 234 - O Ganhão (Venda Nova)

Vamos então falar do Ganhão, local de peregrinação do núcleo duro dos Comensais Dionisíacos e um dos vários restaurantes alentejanos bem referenciados na zona da capital.
Eu já lá tinha passado um dia ao almoço para conhecer o espaço. Deparei com uma sala quase “forrada” a aguardentes, conhaques e whiskies, além de uma enorme garrafeira descrita numa extensa carta de vinhos com bastantes raridades e alguns restos de colecção que por ali estão à espera que alguém repare neles. Foi nessa ocasião que reparei, numa prateleira elevada a um canto da sala, numa garrafa de litro e meio de Reguengos Garrafeira dos Sócios de 97 que desde logo ficou marcada para a primeira oportunidade.
Tendo-se juntado quatro comensais, lá rumámos à Venda Nova para uma refeição em regra. O Ganhão fica logo a seguir às portas de Benfica, junto aos laboratórios Vitória. O estacionamento é relativamente fácil de encontrar do outro lado da rua, junto aos prédios aí existentes.
A garrafa já estava à nossa espera e à temperatura adequada e veio para a mesa enquanto nos entretínhamos com os primeiros acepipes. Perante as sugestivas propostas que nos foram apresentadas, resolvemos fazer uma vaquinha e pedir três pratos para dividir por todos: bacalhau à Ganhão, no forno, ensopado em azeite com cobertura de alho e batatas fritas às rodelas; grelhada mista de secretos e vitela; e lombinhos de porco com migas de espargos. Qual deles o mais apetitoso. O bacalhau naturalmente comeu-se primeiro e foi um bom início das hostilidades, enquanto o Garrafeira dos Sócios se começava a mostrar nos copos. Em seguida vieram as carnes que se foram intercalando uma com a outra e chegaram para as despesas. Excelentes lombinhos e migas e muito bons grelhados.
Para as sobremesas escolheu-se a inevitável encharcada, a que aderiram três dos comensais, mais uma torta de canela. No final ainda houve direito à prova de duas aguardentes (oferta da casa).
Com o prolongar do serão, as nossas conversas foram-se cruzando com as dos donos, que entretanto se sentavam noutra mesa para cear. Já só restávamos nós na sala e já bem para lá da meia-noite falava-se de provas de vinhos, de lojas e restaurantes, de críticos e revistas, de vinhos caros e baratos. Enfim, o serão podia-se prolongar pela noite dentro.
Ficaram os contactos para futuras divulgações e a promessa de lá voltarmos. Para além da boa qualidade da confecção e da simpatia do serviço, o destaque foi o fim da noite em amena cavaqueira, coisa que não é vulgar acontecer. Assim vale a pena lá estar e nem dá vontade de vir embora. Um local a revisitar com frequência, até porque a casa dispõe ao lado de uma loja e também faz apresentações de vinhos, pelo que há mais motivos para outras visitas.

tuguinho e Kroniketas com Politikos e Mancha, os Comensais Dionisíacos

Restaurante: O Ganhão
Rua Elias Garcia, 24/26
Venda Nova
2700-327 Amadora
Telef: 21.474.62.26
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

No meu copo, na minha mesa 221 - Neethlingshof, Merlot 2001; Stellenzicht, Shiraz 2000; Restaurante A Carvoaria










Um regresso à Carvoaria, restaurante sul-africano de Cascais, para responder ao desafio de comer um bife tártaro: estamos a falar de carne crua picada. O prato tem de ser encomendado de véspera para que a carne seja devidamente preparada de modo a ficar comestível.
Antes do início das hostilidades o dono veio trazer-nos uma pequena porção para darmos a nossa impressão acerca dos temperos. Um deles era um picante intenso, de que eu abdiquei. Mesmo assim o meu prato estava picante, embora menos que os dos outros comparsas.
Em pequenas garfadas lá se foi comendo o bife tártaro, sem fazer grande sacrifício. Como eu gosto de bifes mal passados o facto de a carne estar crua não me repugna. Valeu como experiência mas, de qualquer modo, não fiquei grande fã. Apesar de tudo prefiro algum cozinhado, mesmo que pouco.
Para acompanhar voltámos aos vinhos sul-africanos, tal como na visita anterior. Entre vários nomes totalmente desconhecidos, começámos por escolher um monocasta de Merlot. Apresentou-se com uma cor rubi aberta, macio e suave, com corpo e persistência média, medianamente frutado com nuances de cereja e alguma hortelã, grau alcoólico elevado razoavelmente disfarçado. Aconselhado para pratos não muito robustos.
Esgotada a primeira garrafa, optámos a seguir por outro varietal mas desta vez de Syrah (ou Shiraz na designação do rótulo). Fermentado em carvalho francês e americano, apresentou-se mais encorpado, com notas marcantes a especiarias e bouquet mais profundo, com boa persistência final. Muito mais adequado aos sabores do bife tártaro e capaz de se bater com o picante.
Ambos os vinhos são originários da região de Stellenbosch, situada na província de Western Cape na costa sudoeste do país e no coração da região vitivinícola que circunda a Cidade do Cabo. No caso do segundo, as vinhas estão situadas na costa oeste da montanha Helderberg, entre a cidade de Stellenbosch e o mar em False Bay, a sul de Cape Town.
Neste regresso à Carvoaria repeti as impressões colhidas anteriormente. É um restaurante que se recomenda, onde se come bem e o serviço é simpático e eficiente. Em suma, um lugar agradável de onde se sai satisfeito.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: A Carvoaria (sul-africano)
Rua João Luís de Moura, 24
2750-387 Cascais
Telef: 21.483.04.06
Preço por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Neethlingshof, Merlot 2001 (T)
Região: Stellenbosch (África do Sul)
Produtor: Neethlingshof
Grau alcoólico: 14%
Casta: Merlot
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Stellenzicht, Shiraz 2000 (T)
Região: Stellenbosch (África do Sul)
Produtor: Stellenzicht
Grau alcoólico: 14%
Casta: Shiraz
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

No meu copo, na minha mesa 219 - Dona Berta 2005; Restaurante Isaura



Parece mentira mas passaram 12 anos (!!!) desde a última visita a este restaurante de Lisboa, situado entre a Avenida Almirante Reis e a Praça de Londres. Não por nenhuma razão especial mas porque sempre que se falava em ir aqui acabava-se sempre por escolher outro. E como tínhamos memórias das visitas anteriores… Foi aqui que pela primeira vez provámos o Luís Pato Vinhas Velhas, foi aqui que em Fevereiro de 96 decidimos provar o Barca Velha de 83, foi aqui que assistimos a um fascinante ritual de decantação e serviço do vinho num carrinho com os copos e o decanter aquecidos e com uma vela por baixo. O que nós aprendemos desde essa altura...
Finalmente decidi-me a lá voltar. O famoso escanção Sr. Costa continua lá a brindar-nos com o seu desvelo pelo vinho, a garrafeira continua incomparável, a carta de vinhos é mais uma enciclopédia que uma carta. Para os amantes do vinho é indispensável fazer uma visita a este verdadeiro templo de Baco e deixar-se guiar pelos sábios conselhos do Sr. Costa.
Quanto à ementa, destaque para as carnes, com diversos tipos de bifes. Aqui a opção recaiu no bife à Isaura, com um molho especial e ovo a cavalo, acompanhado por batatas fritas e esparregado. Mal passado e muito tenro e suculento, irrepreensível.
No que respeita ao vinho, olhámos para as imensas prateleiras repletas de garrafas, vimos o preço na enorme carta e tentámos escolher um que não queimasse muito (felizmente no Isaura os preços do vinho, ao contrário da generalidade dos restaurantes portugueses, não são obscenos e pode-se escolher bons vinhos por preços relativamente acessíveis). Como apontámos para um vinho do Douro, o Sr. Costa interveio e sugeriu-nos o Dona Berta Reserva 2005, que disse que iria bem com os bifes. Assim se fez.
Aqui começou o ritual. Lá veio o carrinho de serviço com o decanter e os copos adequados, o vinho foi cuidadosamente vertido com a vela por baixo para ver se não escorre nenhum depósito do vinho e finalmente foi colocada uma pinga em cada copo, previamente agitado e cheirado pelo Sr. Costa antes de ser colocado na mesa para os comensais provarem. Serviço 5 estrelas!
Quanto ao vinho, prima mais pela suavidade que pela pujança e a exuberância frutada que marcam a tendência actual, e apresenta um grau alcoólico aceitável, o que é uma ilha no meio da corrente. Contudo pareceu-me algo curto na prova de boca, deixando a ideia que ganharia com mais alguma estrutura e persistência. Será adequado para pratos não muito carregados de temperos. É um vinho correcto e agradável, pronto a deixar-se beber, mas talvez um pouco linear. Pelo preço que custa espera-se um pouco mais.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Isaura
Avenida de Paris, 4-B
1000-228 Lisboa
Telef: 21.848.08.38
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Dona Berta Reserva 2005 (T)
Região: Douro
Produtor: Hernâni Verdelho
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca, Tinto Cão
Preço no restaurante: 22 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 29 de novembro de 2008

No meu copo, na minha mesa 216 - Frei João 2003; Vasku’s Grill















Este continua a ser um local de regresso recorrente e presença assídua aqui nas Krónikas Vinícolas. Uma ocasião de efeméride familiar proporcionou uma deslocação ao local para comer o excelente fondue do lombo da casa, um verdadeiro “must” daquela ementa. Para mim, o melhor fondue da zona de Lisboa. Carne excelente, os molhos e as frutas muito bem combinados com os sabores da carne, um verdadeiro pitéu. De todas as vezes que lá vou fico indeciso entre comer o fondue ou outra coisa qualquer. Normalmente vou alternando, vez-sim vez-não.
Como estava acompanhado do núcleo familiar e praticamente só eu é que ia beber vinho, escolhi um dos mais baratos e a opção recaiu no Frei João, colheita de 2003, que sempre se porta muito bem com este prato. Desta forma pude também rever um dos meus vinhos preferidos na gama de entrada, que nunca me desiludiu.
Esta colheita mantém mais ou menos o perfil habitual, bem encorpado e com alguma robustez mas sem exagero. Macio quanto baste e com os taninos arredondados para ser bebível com relativa facilidade (os não apreciadores dos vinhos da Bairrada acham-no sempre áspero), está um pouco mais modernizado sem deixar de ter a marca dum bairradino clássico. Apresenta cor granada, algumas notas de frutos secos bem ligados com madeira muito discreta. Continua a agradar-me muito e a entrar na minha lista dos recomendáveis e, francamente, sempre achei que ele vale bem mais do que aquilo que o preço indica. Quem disse que um vinho barato não pode ser bom?
Quanto ao Vasku’s, mantém o nível de sempre. A qualidade do serviço tem sido apurada e o serviço de vinhos também. Vale a pena lá voltar para comer o fondue ou um dos muitos bifes de alcatra, lombo ou vazia.

Kroniketas, enófilo carnívoro

Restaurante: Vasku’s Grill
Rua Passos Manuel, 30
Telef.: 21.352.22.93
1150-260 Lisboa
Preço por refeição: 20 a 25 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Frei João 2003 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13%
Castas: Baga, Touriga Nacional, Camarate
Preço em feira de vinhos: 1,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 29 de junho de 2008

No meu copo, na minha mesa 186 - Tinto da Ânfora 2006; A Taverna (Lisboa)




Há alguns meses fui levado por um amigo a descobrir um restaurantezinho meio escondido na Rua das Amoreiras, em Lisboa. Chama-se A Taverna, restaurante típico e passa praticamente despercebido na sua porta negra de metal, ali mesmo em frente ao jardim das Amoreiras.
O ambiente é acolhedor e recatado, bom para refeições sossegadas. A ementa está escrita à mão numa espécie de lampião, a decoração é sóbria, com algumas referências à Lisboa antiga, a puxar para o rústico e, talvez, para o ambiente das casas de fado.
Começámos por ir debicando nas entradas um queijo fresco que estava demasiado salgado, pelo que não agradou muito. Para os pratos as escolhas recaíram em petinga frita com açorda e no meu caso em entrecosto no forno. Vinha bem apaladado e acompanhado com batatas assadas e castanhas com uma cebolada por cima.
Para sobremesa optámos pela sericá/sericaia, que merece honras de destaque na casa, pois até existe um folheto explicativo da sua origem. Há algum tempo tivemos aqui um bate-boca com o Copo de 3 por causa disto, e afinal agora surge um folheto que nos diz que a sericaia foi trazida de Malaca pelos nossos marinheiros em 1511... A verdade é que fez jus ao que se espera, e ficámos satisfeitos.
O serviço é simpático e atento, sem grandes salamaleques mas eficaz. Pelo preço e pela qualidade vale a pena lá voltar.
Para acompanhar a refeição a escolha recaiu num Tinto da Ânfora, vinho alentejano produzido pela Bacalhôa na Herdade das Ânforas, perto de Arraiolos. Mostrou-se bem encorpado e predominantemente frutado, com um final persistente mas pecando (mais uma vez) pelo excesso de álcool que o tornava um bocado cansativo. Bebe-se sem sacrifício mas corre o risco de fartar.

Restaurante: A Taverna
Rua das Amoreiras, 47
1250-022 Lisboa
Telef: 21.387.49.00
Preço por refeição: 24 €
Nota (0 a 5): 4

Vinho: Tinto da Ânfora 2006 (T)
Região: Alentejo (Arraiolos)
Produtor: Bacalhôa Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Trincadeira
Preço em hipermercado: cerca de 6 €
Nota (0 a 10): 6,5

domingo, 25 de maio de 2008

No meu copo, na minha mesa 179 - Kopke branco 2006; Os Arcos (Paço d’Arcos)



Por ocasião desta última ponte, o núcleo duríssimo dos Comensais Dionisíacos (leia-se os autores das Krónikas Vinícolas) resolveu ter um almoço mais saudável do que uma dose cavalar de entrecôte ou filet mignon. Com esse objectivo demandou novamente Paço de Arcos, desta vez para penetrar no quase homónimo Os Arcos, porventura o decano dos restaurantes da zona, mas continuando no topo, como se comprova pelas salas sempre cheias e pelos Mercedes à porta.
Ultrapassada a luta com um parquímetro que não dava trocos (isso aqui há uns tempos chamava-se roubo, mas agora deve ser arredondamento que se diz), lá descemos a rua Costa Pinto em direcção ao escolhido.
Depois da consulta necessária ao cardápio, secção do peixe - e de se ter evitado uma recaída do Kroniketas para o lado das carnes - optámos por um robalo de mar no capote, devidamente acolitado por feijão verde salteado e batatas a murro. O capote mais não é que uma envoltura em massa de pão que permite manter os sucos do animalejo enquanto é cozido, resultando numa preparação assaz suculenta quando comparada com algumas grelhaduras que o deixam firme e hirto como uma barra de ferro.
Não nos arrependemos da escolha, e até o envoltório de pão se finou pela garganta abaixo dos mastigantes, com evidente satisfação (dos mastigantes, não do pão).
Para beber com o nadador compulsivo escolhemos um branco relativamente recente no mercado, da casa Kopke, anteriormente produtora exclusiva de vinhos do Porto. Com um discreto aroma floral e uma magnífica cor amarelo-citrino, mostrou-se na boca suave, com um fundo mineral que complementou muito bem as notas florais que em primeiro se mostraram, tudo muito bem envolvido por uma acidez tão equilibrada quanto discreta. Álcool muito bem integrado com uma graduação certíssima (e raríssima nos tempos mais recentes), temperatura de serviço ideal e mais um branco do Douro a ter em conta quando formos às compras, até porque é barato (no mercado deverá andar por baixo dos 4 €).
Para compensar o pecado do peixe (muito mais grave a nosso ver que o pecado da carne!), escolhemos para sobremesa uma surpresa de chocolate, fatia com base de bolo de chocolate húmido e recheio estilo mousse de chocolate, que apesar desta constituição não se mostrou enjoativa.
Pode dizer-se que esta primeira arremetida contra Os Arcos se saldou por nota muito positiva, em que teremos de incluir o serviço atencioso e esmerado, que trata clientes e produtos servidos muito bem. Havemos de voltar para atacar uma posta à mirandesa da qual nos foram tecidas loas muito atraentes. Ou então um valente bife... O preço é bem puxado, mas vale aquilo que custa.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Restaurante: Os Arcos
Rua Costa Pinto, 47
2780-582 Paço de Arcos
Telef: 21.443.33.74
Preço por refeição: 40 €
Nota (0 a 5): 5

Vinho: Kopke 2006 (B)
Região: Douro
Produtor: Kopke
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Gouveio
Preço no restaurante: 12 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 21 de abril de 2008

No meu copo, na minha mesa 174 - Ensaios Filipa Pato 2006; Soberana 2004; Casa da Dízima (Paço d'Arcos)




O centro histórico de Paço de Arcos organiza-se em torno de dois pólos: os antigos Fornos da Cal e a Rua Costa Pinto, que praticamente liga os citados fornos à zona do antigo porto fluvial, no término da qual também se encontra o Palácio dos Arcos e a antiga casa da alfândega que ao tempo cobrava impostos sobre as mercadorias que por ali passavam.
A Rua Costa Pinto actual, bem como a zona histórica envolvente, foi toda recuperada, ganhou novo empedrado e deixou de ter edifícios degradados. Mas já antes era conhecida por ter muitos restaurantes, tradição que mantém e que até foi reforçada com a abertura há alguns (poucos) anos da Casa da Dízima, restaurante que se acoita entre as paredes do antigo edifício da alfândega, e que manteve tudo o que podia da antiga edificação, o que concedeu um ambiente sui-generis à casa.
Foi nele que fomos cair num sábado à noite, as Krónikas Vinícolas completas e um compincha semi-ocasional. Dispensadas as entradas, porque dois terços dos amesendados vinham directos de uma prova de vinhos em Sintra, passou-se à escolha dos pratos principais e dos vinhos.
Eu, que não vinha de prova nenhuma e já conhecia o restaurante, tentei orientar um pouco os companheiros de mesa, mas nem precisava porque o serviço, além de eficiente, é conhecedor.
Os pratos vêm apresentados com esmero, mas não tão armados que nos impeçam de os comer, e tanto a carne de novilho de um, como a caça de outro e o bacalhau do terceiro se mostraram saborosos e bem confeccionados. O lombo de novilho foi servido acolitado por esparregado, legumes salteados e ligeiramente glaceados, queijo da serra derretido num chapeuzinho folhado e batata frita em palha (sempre incómoda de comer sem usar as mãozinhas…).
A codorniz recheada com alheira e acompanhada com um puré também com um ligeiro aroma a alheira e grelos atados num molho estava excelente, tenra e saborosa, ainda por cima já desossada. O bacalhau apresentou-se inserido num folhado, guarnecido com camarões e acompanhado por cenouras. Excelente aroma e uma combinação de sabores menos habitual tornam o prato invulgar e apetecível.
Para a sobremesa só as Krónikas se apresentaram à chamada, tendo deglutido em uníssono um “petit gâteau” de chocolate (sólido por fora, líquido por dentro) morninho, confrontado com uma bola de gelado de menta.
Passemos aos líquidos. Já se sabe que em antros de restauração a moderação tem de imperar, não tanto por motivos mais nobres, mas mais por motivos financeiros. Resolveu começar-se por um Bairrada dos modernos, para ver o que a filha de Luís Pato andaria a congeminar por aquelas bandas (sim, nós sabemos que o vinho é Regional Beiras; também os do pai o foram durante vários anos por causa das restrições da região, supomos que os da filha ainda o sejam por causa desse passado recente). O Ensaios Filipa Pato 2006 mostrou-se aberto, frutado, de taninos quase ausentes e cor violácea, corpo mediano para o delgado e gritava “bebei-me que fui feito para beber já e agradar a palatos cosmopolitas” – de Bairrada não vimos lá nada, de Baga quase também não porque além dessa casta o grosso do vinho era Touriga Nacional e Alfrocheiro. Não se pense que o vinho era mau! Até se mostrou bastante agradável e decididamente está bem feito mas pronto, nós esperávamos que fosse Bairrada…
Sinceramente, não sei se será por este caminho que os vinhos desta zona devem seguir, agora que se pode fazer quase tudo, desde que ainda seja vinho. Desde a ditadura da casta Baga até à quase total arbitrariedade na utilização de qualquer casta, passou-se do 8 para o 80 e hoje em dia ser um vinho da Bairrada pode não querer dizer absolutamente nada. Dizem por aí que os da casta Baga passaram a ter a denominação “Bairrada clássico”, mas a verdade é que até agora não os tenho visto. Quem gosta dos verdadeiros Bairradas não é com estes que se vai encantar, e quem não gostava dos outros também não vai ficar a saber o que é a Bairrada com os novos.
Para segundo vinho deslocámo-nos para sul, ainda nas Terras do Sado mas já a tresandar Alentejo por todo o lado. Estamos a falar do Torrão, ainda em pleno Alentejo e do Soberana 2004, marca intermédia do produtor, que já tínhamos tido a hipótese de provar há poucas semanas. Mais uma vez as questões burocráticas em que o nosso país é fértil obrigam-no a surgir com a denominação de Regional Terras do Sado, à semelhança do que já tinha acontecido com o Pinheiro da Cruz. Qualquer semelhança com os vinhos das Terras do Sado é mera coincidência.
Não há dúvida que é um grande vinho e merece bem os encómios que as revistas da especialidade lhe têm dedicado. Como referimos há algumas semanas, foi um dos destaques da Blue Wine no seu top 100 relativo a 2007. Confirmou o que já nos mostrara antes, um belo corpo e aromas complexos, um fundo leve de couro tanto no aroma como no sabor, cor profunda, final de boca longo e taninos ainda pungentes, apesar de dobrados. Um excelente trabalho de Paulo Laureano, num vinho que não será fácil para o iniciado mas que indicia uma provável boa evolução nos próximos tempos, apesar de já estar mais que bebível. É sempre a velha questão de qual será a melhor altura para os beber…
Também nesta área o serviço é atencioso, sem ser aborrecido, e sabedor do que sugerir e daquilo que tem na garrafeira. Tomáramos nós que fosse assim nos outros restaurantes!
Concluindo, boa comida, bons vinhos e bom serviço. Pois, não é barato mas também não é nenhum roubo, tendo em conta tudo o que mencionámos antes.

tuguinho, enófilo esforçado

Restaurante: Casa da Dízima
Rua Costa Pinto, 17
2770-046 Paço de Arcos
Telef: 21.446.29.65
Preço por refeição: 40 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Ensaios Filipa Pato 2006 (T)
Região: Regional Beiras
Produtor: Filipa Pato
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Alfrocheiro, Touriga Nacional
Preço em hipermercado: 7,50 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Soberana 2004 (T)
Região: Terras do Sado (Torrão)
Produtor: Soc. Agro-Pecuária das Soberanas
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Alfrocheiro
Preço em hipermercado: 15 €
Nota (0 a 10): 8,5

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

No meu copo, na minha mesa 155 - Moinhos do céu, Cabernet Sauvingon 2005; O Fuso (Arruda dos Vinhos)










Num fim-de-semana de vindimas meti-me no carro com a família e fomos passear pela Estremadura, à descoberta de lugares desconhecidos. Primeiro objectivo: Arruda dos Vinhos para almoçar no Fuso.
Lá chegados encontrámos logo num balcão a famosa posta de bacalhau de que já tínhamos ouvido falar. Mas encontrámos também uma volumosa e apetitosa costela de boi tamanho-gigante!
Entrámos numa sala de grande dimensão, que foi enchendo com o avanço da hora mas que mesmo assim ainda ficou com lugares livres. E ainda há outras salas ligadas à primeira, pelo que mesmo em dias de grande afluxo de clientes, como era o caso, é possível que se consiga arranjar lugar sem marcar mesa.
Outro aspecto que me chamou a atenção logo na entrada foi a existência de armários de vinho, onde este é guardado a temperatura controlada. Uma raridade nos restaurantes portugueses, que evita que venha para a mesa vinho morno...
Perante a vasta oferta gastronómica, os olhos do cliente balançam entre as postas de bacalhau e as costelas de boi. Como sou mais carnívoro consegui convencer a família a escolhermos a costela de boi grelhada. E veio uma peça enorme, muito alta e mal passada (só eu é que a consegui comer assim, o resto voltou para trás para passar melhor), em cima duma tábua donde se corta directamente para o prato. A carne é de altíssima qualidade, deliciosa e suculenta. Ideal para comilões. Deu para quatro e ainda sobrou.
O serviço é bastante expedito para a dimensão do restaurante, a confecção boa. Ficaram-nos ainda no olho as travessas de bacalhau assado na brasa, com batatas e regado com azeite, que também parecem dar para umas 4 pessoas. É um lugar a revisitar quando se tiver tempo para uma refeição longa e despreocupada.
Para beber pedi um vinho da região, da região de Arruda. Chamou-me desde logo a atenção a existência dum Cabernet Sauvignon (como sabem sou fã destes vinhos) e resolvi experimentar. Chama-se Moinhos do Céu e não me desiludiu. Aliás, os vinhos de Cabernet normalmente não me desiludem. De cor granada, mostrou o aroma ligeiramente vegetal que normalmente está associado a esta casta, mas sem sombra dos famigerados pimentos de que tanto se fala. Mostrou fruto bem maduro, taninos redondos e uma boa estrutura na boca sem deixar de ter alguma elegância, com um final de persistência média. Um vinho tranquilo mas suficientemente pujante para se bater bem com a carne grelhada. Estagiou 7 meses em barricas de carvalho francês e 4 meses em garrafa.
Terminada a refeição, demos uma volta pela localidade antes de nos fazermos de novo à estrada, em direcção a Sobral de Monte Agraço. Pelo caminho fomos passando por diversas vinhas situadas junto à estrada, numa zona profusamente preenchida por esta cultura. Estávamos, portanto, no coração da região vitivinícola da Estremadura, tendo passado à porta de propriedades conhecidas como a Quinta de Chocapalha, a Quinta do Gradil e a Casa Santos Lima. Mas fomos seguindo até encontrar a Quinta do Monte d’Oiro. Chegámos à porta e tocámos à campainha. Era sábado. Ninguém respondeu. Estava tudo fechado. Mais tarde, no Encontro com o Vinho, tive oportunidade de perguntar ao próprio José Bento dos Santos se a quinta estava mesmo fechada ao sábado, e fiquei a saber que só mesmo com marcação prévia é que poderia encontrar lá alguém ao fim-de-semana, ou se estivessem em vindima. Portanto, para lá voltar só durante a semana.
Voltámos assim à estrada e dirigimo-nos para Alenquer. Pelo caminho deparámos com uma placa a indicar a Quinta de Pancas e resolvemos entrar. Encontrámos uma propriedade que parece meio degradada e abandonada. Ao que nos explicaram dois estagiários que lá estavam, a empresa passa por dificuldades financeiras, pelo que depois do capital da quinta ter mudado de mãos (adquirida pela Companhia das Quintas) estão a ser feitas remodelações a vários níveis, pelo que de momento está-se numa fase de transição. De qualquer modo esperava encontrar um espaço um pouco mais bem cuidado. Ainda vimos uma cuba de fermentação onde repousava um lote de uvas Syrah e uma cave de armazenamento, mas acabou por ser um pouco decepcionante o panorama que encontrámos, tendo em conta que é uma casa com vinhos conceituados.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: O Fuso
Rua Cândido dos Reis, 94
2630-216 Arruda dos Vinhos
Telef: 263:975.121
Preço médio por refeição: 25/30 €
Nota (0 a 5): 4

Vinho: Moinhos do Céu, Cabernet Sauvignon 2005 (T)
Região: Estremadura (Arruda)
Produtor: Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Cabernet Sauvignon
Preço no restaurante: 10 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Na minha mesa 128 - Estrela do Bico (Massamá - Queluz)


Há vários anos que conheço este restaurante em Massamá, onde me desloco com alguma frequência para almoçar com um amigo quando ambos temos tempo. A sala não é muito grande mas é simpática, com um viveiro de marisco logo na entrada. Há uma garrafeira exposta e um balcão tipo-bar a partir do qual é gerido o serviço de mesas. O atendimento é rápido e simpático.
Na ementa existe uma escolha variada de peixes e carnes, mas o aspecto mais curioso é estar dividida em várias secções pelo tipo de comida, com alguns arranjos gráficos feitos a computador. No meio das escolhas, a nossa opção mais frequente vai para os bifinhos de vitela com diversos tipos de molho: pimenta, natas e cogumelos, mostarda, camarão. Já experimentei vários excepto o de camarão. Os bifinhos, em pequenas tiras do género de escalopes, vêm servidos num daqueles pratos compridos tipo-travessa, acompanhados com batata frita, arroz e salada. Normalmente ainda pedimos uma dose de esparregado para compor o ramalhete e enquanto esperamos vamo-nos entretendo com um queijinho fresco acompanhado com umas bolas de pão estaladiço.
Nalgumas ocasiões já optámos por um misto de maminha e picanha na pedra, cortadas em tirinhas, com os inevitáveis molhos a acompanhar, que não fica nada atrás de outros similares existentes em locais de renome e de preço mais elevado. Ocasionalmente, quando o tempo quente pede mais um vinho branco que um tinto, já provámos a açorda de marisco, que cumpre o que se espera deste prato e confirma que só na região de Lisboa é que se pode comer uma açorda de marisco decente, pois quando se sai daqui, por mais que tentem, não conseguem fazê-la comestível.
Para rematar a refeição, temos uma escolha imutável há muito tempo: um “brownie” de chocolate com gelado, coberto com chantilly e regado com chocolate quente. Custa quase 5 euros mas vale bem a pena.
A carta de vinhos não é extensa mas permite escolher entre os vinhos de gama média, por preços entre os 5 e os 10 euros, e alguns outros de qualidade superior já mais caros.
No fim de tudo consegue-se fazer a festa por 20 € e sair bem tratado. E com vontade de voltar, o que vamos fazendo. Basta sair do IC19 na saída para Massamá e na primeira rotunda, após entrar na localidade, virar na última saída para a Avenida Azedo Gneco e estacionar algures por ali junto à Igreja. O restaurante está logo à vista.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Estrela do Bico
Rua 4 - Lote 61 - Loja B - Massamá
2745 Queluz
Telef: 21.437.59.93
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4