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domingo, 27 de abril de 2008

No meu copo 175 - Quinta de São Francisco branco 2005

Os vinhos da Estremadura eram até aos anos 90 sinónimo de vinho a granel, de muita produção e pouca qualidade. Quando comecei a apreciar vinhos com mais atenção rapidamente me apercebi que era uma região a evitar.
Com a alteração das denominações de origem nos últimos anos dessa década, em que foi criada uma quantidade significativa de novas regiões com Indicação de Proveniência Regulamentada (IPR) e as regiões demarcadas já instituídas, como o Douro, o Dão, a Bairrada, Colares, Bucelas, entre outras, passaram a ter Denominação de Origem Controlada (DOC), diversas sub-regiões na Estremadura, no Ribatejo e no Alentejo adquiriram um novo estatuto para a produção de VQPRD (Vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada), passando por um período de afirmação de qualidade após o qual poderiam aspirar a ascender ao estatuto de DOC. E foi assim que, a par com um aumento significativo da área de vinha plantada em várias regiões, se assistiu ao aparecimento duma nova fornada de vinhos certificados que fizeram subir gradualmente (e significativamente) a qualidade dos produtos lançados para o mercado. As regiões onde, porventura, mais se assistiu a uma viragem na imagem do produto foram precisamente o Ribatejo (mais conotado com o carrascão dos garrafões de 5 litros) e a Estremadura.
Embora ainda haja algum caminho a percorrer para afirmar definitivamente o prestígio destas regiões junto do consumidor, é possível encontrar algumas marcas já com garantia de qualidade. É o caso da Casa Cadaval, da Fiúza e da Quinta da Alorna, no Ribatejo, ou da Quinta do Monte d’Oiro e da Quinta de Pancas, na Estremadura, e esta de que agora falamos, a Companhia Agrícola do Sanguinhal, com sede no concelho de Bombarral.
Fundada nos anos vinte por Abel Pereira da Fonseca, que em 1937 transformou a empresa em sociedade por quotas e propriedade actual dos seus descendentes, a Companhia Agrícola do Sanguinhal produz 60 milhões de litros por ano e explora três quintas na região DOC de Óbidos, num total de 8 mil hectares: a Quinta do Sanguinhal, a Quinta das Cerejeiras e a Quinta de São Francisco (informação disponível no site da empresa).
Foi da Quinta de São Francisco, com 50 hectares de vinha situada no concelho de Cadaval, que tive oportunidade de provar um branco (a minha memória de brancos desta região remonta a um Gaeiras), depois de há precisamente um ano ter provado o tinto e de já ter provado também um tinto da Quinta do Sanguinhal. Este branco de 2005 revelou-se com uma cor citrina e aroma entre o floral e o frutado, sendo suave na prova de boca e medianamente encorpado. Não sendo muito exuberante nos aromas, é um vinho que se bebe com muito agrado e que fará muito boa companhia a pratos delicados de peixe, um vinho guloso que se bebe sem dar por isso, no que é ajudado pelo seu grau alcoólico moderado.
Fiquei convencido com este Quinta de São Francisco branco, que a juntar às provas anteriores me desperta a atenção para provar mais vinhos desta casa.
Teve entrada directa para as nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de São Francisco 2005 (B)
Região: Estremadura (Óbidos)
Produtor: Companhia Agrícola do Sanguinhal
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Vital, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 2,45 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 26 de abril de 2007

No meu copo 109 - Quinta de São Francisco 2004

Em tempos havia vinhos conhecidos por aqui. Lembro-me dum bom branco da Casa das Gaeiras, que entretanto ficou meio esquecida e parece agora estar a querer renascer. A vulgarização dos vinhos da Estremadura há pouco mais de uma década criou uma imagem de falta de qualidade na região que só nos últimos anos, depois da instituição das Denominações de Origem Controlada, tem sido alterada, a começar por outras zonas, como Alenquer, e outros produtores, como a Quinta do Monte d’Oiro e a Quinta de Pancas, a resgatarem um prestígio que, na realidade, andou sempre muito por baixo, quando a Estremadura tinha talvez os piores vinhos do país. Agora têm aparecido outros produtores da região a ganhar algum protagonismo, entre os quais este, a Cooperativa Agrícola do Sanguinhal, com sede no Bombarral, que produz este vinho DOC Óbidos.
Há alguns meses tivemos oportunidade de fazer uma primeira abordagem a um vinho deste produtor, o Quinta do Sanguinhal de 98, que agradou bastante. Agora temos o Quinta de São Francisco de 2004, um vinho bastante mais jovem e frutado mas igualmente satisfatório. Tem uma boa cor rubi e alguma predominância de frutos vermelhos, sendo suave na prova mas com corpo e estrutura suficientes para fazer um bom fim de boca. Um vinho feito para agradar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de São Francisco 2004 (T)
Região: Estremadura (Óbidos)
Produtor: Companhia Agrícola do Sanguinhal
Grau alcoólico: 13%
Castas: Aragonês, Castelão, Touriga Nacional

Preço em feira de vinhos: 4,85 €
Nota (0 a 10): 7


PS: prova de um Quinta de São Francisco 2000 no Saca a rolha

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

No meu copo, na minha mesa 79 - Quinta do Sanguinhal 98; William Fevre 2004; Restaurante O Jacinto



Este é um dos restaurantes de Lisboa que conheço há mais tempo. Situa-se numa vivenda em Telheiras, na zona da antiga Quinta de S. Vicente, junto à Azinhaga das Galhardas. Para lá chegar, a melhor forma é apanhar a 2ª circular no sentido Aeroporto-Benfica e sair na primeira a seguir ao Campo Grande. Entra-se directamente na azinhaga e chega-se imediatamente a uma espécie de alameda onde fica o restaurante. Indo do lado de Benfica, ou se vai ao Campo Grande e volta-se para trás para usar esta saída, ou tem de se entrar por Telheiras e, algures nuns semáforos a seguir à escola, virar à direita e andar por umas ruelas sem grande identificação até chegar à rua do restaurante.
Em tempos recuados tinha uma das melhores açordas de marisco da capital, senão a melhor. Valia a pena ir lá para comer a açorda. Também havia uns croquetes quentinhos para entrada que eram uma delícia. Na década de 80 atravessou uma crise que pode ter sido justificada por cortar nos ingredientes. Lembro-me duma açorda que em vez de marisco tinha apenas delícias do mar. Actualmente tem marisco, embora pouco e cortado ao meio, mas a açorda continua a ter aquele paladar que fez as minhas delícias há 30 anos. A verdade é que nas últimas visitas a casa estava cheia, e na última assim aconteceu.
Além da inevitável açorda de marisco, ainda vieram para a mesa um caril de gambas, uma picanha e uma perna de porco assada no forno. Destes só provei a picanha, porque fui lá de propósito para comer a açorda de marisco (isto porque ir ao Pap’Açorda no Bairro Alto nem sempre é prático). A picanha cumpriu como é habitual. A açorda também. Muito bem temperada, com muita salsa, bastante aromática, na consistência certa. Enfim, apesar de modesta na quantidade de marisco, soube bem comer e deixou-me plenamente satisfeito, assim como os restantes comensais que optaram pelo prato.
Para sobremesa vieram apenas duas encharcadas de ovo, talvez um dos melhores doces de ovos que existem. Tal como no Alqueva, comeu-se e ficou a apetecer mais.
O serviço é atencioso, simpático, rápido e eficaz, o ambiente acolhedor, a ementa variada. Não será o melhor restaurante de Lisboa, mas tem todas as condições para ser um dos melhores, e só não será se os responsáveis não quiserem.
Para os líquidos, como havia peixes e carnes, pediu-se um branco e um tinto, e tentámos fugir ao mais habitual, pedindo dois vinhos menos vistos. Apesar de uma carta de vinhos extensa (embora pobre nalgumas regiões), como é frequente nos restaurantes portugueses pede-se um vinho que está na carta e depois não existe na garrafeira. Assim voltou a acontecer por duas vezes, e acabámos por ficar por um William Fevre (branco) e um Quinta do Sanguinhal (tinto).
Foi a minha segunda experiência com um William Fevre. A primeira tinha sido no Chafariz do Vinho, com um Sauvignon Blanc de 2004. Desta vez não era mencionada a casta, mas no contra-rótulo vinha a indicação de ser apenas Chardonnay. Tinha uma bela cor amarelo palha, era frutado como quase todos os Chardonnay, mas desta vez sem ser enjoativo, com um toque floral e bastante equilibrado em termos de corpo e acidez, denotando bastante frescura no paladar. Agradou a todos os presentes, embora eu tivesse gostado mais do Sauvignon Blanc por ser mais suave.
Para o tinto escolhemos este da região de Óbidos, que em tempos já teve algum destaque com o Gaeiras (branco e tinto), mas que na última década tem andado mais ou menos desaparecida. A verdade é que este Quinta do Sanguinhal, de 1998, já com alguma evolução bem presente, revelou-se ainda em grande forma e foi uma agradável surpresa. Bom corpo, uma cor retinta e bons taninos, bom equilíbrio entre o carácter frutado e a madeira nova de carvalho francês, suave e elegante no paladar. Ficámos curiosos acerca deste vinho com menos dois ou três anos, poderá ser um caso a ter muito em conta. Sem dúvida um vinho a rever.

tuguinho e Kroniketas, enófilos esforçados e esclarecidos

Restaurante: O Jacinto
Av. Ventura Terra, 2 (Telheiras)
1600 Lisboa
Telef: 21.759.17.28
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 4

Vinho: William Fevre 2004 (B)
Região: Chablis (França)
Produtor: William Fevre - Chablis
Grau alcoólico: 12%
Castas: Chardonnay
Preço no restaurante: 27,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta do Sanguinhal 98 (T)
Região: Estremadura (Óbidos)
Produtor: Companhia Agrícola do Sanguinhal
Grau alcoólico: 12%
Castas: Castelão, Tinta Miúda, Carignan
Preço no restaurante: 15,50 €
Nota (0 a 10): 8