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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

No meu copo 233 - Conde de Palma 2006

Este vinho foi adquirido com a Revista de Vinhos de Janeiro e desta vez resolvi fazer o que raramente faço: experimentar bebê-lo imediatamente para ver como está.

Depois das duas provas indicadas nos posts anteriores, aqui está o contra-ponto aos vinhos que tiveram tempo para crescer e amadurecer dentro da garrafa: um vinho ainda novo, com apenas dois anos de idade após a colheita. E confirmou-se aquilo que seria previsível: o vinho está muito “cru” para ser bebido, algo agreste, com os taninos ainda agressivos a torná-lo algo adstringente e difícil.

Parece ter potencial para melhorar e talvez daqui a 2, 3 anos o conjunto esteja mais redondo e polido e aí se possa apreciar melhor os aromas.

Assim se prova mais uma vez que esta tendência para beber os vinhos muito novos é extremamente limitativa do prazer que se obtém. Está na mão dos consumidores inverter esta tendência, ou terão de ser os produtores a tomar a iniciativa?

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Conde de Palma 2006 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Herdade Monte da Cal - Dão Sul/Global Wines
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 6,5


PS: Por coincidência o Pingas no Copo também apresentou há dias uma prova deste vinho. A opinião dele é mais favorável que a minha.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (XX)

No meu copo, na minha mesa 176 - Pedra Basta 2005; Monte da Penha Reserva 2003; Restaurante Sever (Marvão)

Não foi a minha última incursão gastronómica em Portalegre, mas foi o último local visitado: o Sever, num local chamado Portagem, a caminho de Marvão, cá em baixo no sopé da serra com um rio a embelezar a paisagem. Tinha-me sido muito recomendado principalmente pelos grelhados, mas preferi avançar para pratos mais tradicionais. E que pratos...
Enquanto se esperava, foram servidos uns deliciosos tortulhos (uma espécie de cogumelos) e uma omeleta de espargos, qual deles o melhor. Isto foi-nos aguçando o apetite para o que vinha aí. E o que vinha aí era nem mais nem menos que um coelho bravo com míscaros e o inevitável arroz de lebre. Simplesmente divinais! O arroz de lebre malandrinho, como convém, claramente melhor que o do Tomba Lobos. Dos melhores que já comi. Nas sobremesas escolhi desta vez uma mousse de chocolate que fez bem o seu papel.
Quanto aos vinhos, mantendo o princípio seguido ao longo desta estada, escolhi os da região e mais dois que não conhecia. Comecei pelo Pedra Basta de 2005, o outro vinho de Rui Reguniga, em parceria com Richard Mayson na Quinta do Centro, que não tinha tido oportunidade de provar no Tomba Lobos quando provei o Terrenus. Não me convenceu. Este, ao contrário do Terrenus, é o tal vinho moderno e de estilo europeu. Achei-o algo agressivo, demasiado adstringente, mais uma vez com excesso de álcool que o torna francamente cansativo. Se achei que o Terrenus é para repetir, este achei que é para esquecer.
Em seguida experimentei o Monte da Penha Reserva 2003, de Francisco Fino, um dos ex-proprietários da Tapada do Chaves. Também não me convenceu. Por um lado achei-o algo delgado de corpo e ao mesmo tempo demasiado marcado pela madeira, que se sobrepõe aos aromas. Um conjunto algo desequilibrado.
No fim, como remate do serão ainda nos foi oferecido pelo dono um brandy espanhol de nome Luís Felipe. Nunca fui apreciador deste tipo de bebidas, mas dados os encómios que lhe foram feitos lá experimentei. Este quase que levanta um morto. O aroma não pode ser aspirado, porque quase nos queima o nariz: é meter à boca e beber de um trago. Depois ficam ali os vapores que nunca mais de vão embora. A cor é assim parecida com o estanho, com o bordo quase a parecer queimado. De facto nunca tinha visto igual. Acredito que para os aficionados deve ser uma bebida magnífica.
Em suma, uma refeição magnífica regada por dois vinhos que não se mostraram à altura de tão deliciosos pitéus. Mas o local vale bem a pena. Um espaço amplo, arejado, num local aprazível (gostava de lá voltar de dia e com bom tempo, ao contrário da noite fria de Inverno em que lá fui) e com um serviço impecável. Excelente.

Kroniketas, enófilo itinerante

Restaurante: Sever
Portagem - Marvão
7330-347 São Salvador de Aramenha
Telef: 245.993.318
Preço por refeição: 37 €
Nota (0 a 5): 5

Vinho: Pedra Basta 2005 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Sonho Lusitano Vinhos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço no restaurante: 19,50 €
Nota (0 a 10): 4

Vinho: Monte da Penha Reserva 2003 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Francisco Fino
Grau alcoólico: 13%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira
Preço no restaurante: 25 €
Nota (0 a 10): 4,5

terça-feira, 1 de abril de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (XVIII)

Na minha mesa 172 - O Álvaro (Urra)


Esta foi outra visita quase de última hora a um dos locais recomendados na zona de Portalegre. A localidade da Urra fica a cerca de 10 km para sul e numa praça da rua principal fica o Álvaro. Começou por ser uma casa de petiscos que foi ganhando fama e clientes até se afirmar como restaurante.
O espaço não é muito amplo e a entrada está separada da sala de refeições. Na ementa estava recomendado o lacão assado, uma espécie de pernil de porco, e foi essa a escolha feita. Veio acompanhado com ovo mexido e batatas às rodelas, numa dose generosa perfeitamente adequada para duas pessoas. Para sobremesa optou-se por uma mousse de chocolate que não desmereceu.
Em destaque estava o vinho do mês, que já aqui elogiámos, o Casa de Alegrete, e foi a escolha óbvia. Mais uma vez saiu-se a preceito da função e correspondeu às expectativas.
Não sendo a última maravilha ao cimo da terra, foi uma boa refeição, que contudo não pode ombrear com outras servidas noutros locais. Talvez o Álvaro continue a ser mais vocacionado para os petiscos, embora como restaurante não desagrade. O preço também não choca, aliás foi mais caro o vinho (15 €) que o prato (9,5 €).

Kroniketas, enófilo itinerante

Vinho: Casa de Alegrete 2005 (T)

Restaurante: O Álvaro
Largo Capitão António Manuel Simão Redondo, 58
7300-589 Urra
Telef: 245.382.283
Preço por refeição: 17,5 €
Nota (0 a 5): 3

quinta-feira, 20 de março de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (XVI)

No meu copo, na minha mesa 170 - Terrenus 2005; Lima Mayer 2005; Tomba Lobos (Pedra Basta - Portalegre)

Os últimos tempos em Portalegre foram aproveitados para voltar a lugares marcantes. Um deles foi o Tomba Lobos, um dos primeiros que visitei e também um dos últimos. Propriedade de José Júlio Vintém, que se tem afirmado no panorama gastronómico do Alentejo e já se tornou uma referência incontornável, este restaurante fica numa pequena localidade à saída de Portalegre em direcção ao Reguengo, de nome Pedra Basta, onde aliás fica localizada a Quinta do Centro, de Rui Reguinga e Richard Mayson, e que deu o nome precisamente ao vinho ali produzido.
O Tomba Lobos fica numa espécie de vivenda com um pequeno jardim cá fora e um parque de estacionamento, e permite a entrada pelo balcão ou directamente para a sala de refeições. Deve o seu nome aos lobos que em tempos idos assolavam a região vindos de Espanha e dizimavam as ovelhas e os porcos, o que obrigou os homens a organizarem-se para dar caça aos lobos. E ao mais valente apelidaram-no de “tomba lobos”, alcunha que calhou a José Júlio Vintém.
Das duas vezes que lá fui estava pouca gente (o tempo frio durante a semana também não ajudava) mas a refeição justificou o regresso. Na primeira visita comi uma canja de perdiz e um arroz de lebre. Melhor a primeira que o segundo, que talvez por ter repousado no tacho enquanto ainda fervia, acabou por secar, mas estava bastante saboroso.
Para sobremesa comeu-se torrão real, um doce de amêndoa bastante consistente, e bolema de maçã com gelado de baunilha, uma combinação bastante agradável e bem conseguida.
A segunda visita foi um pouco mais elaborada (éramos três pessoas) e as escolhas também: começámos com uma excelente perdiz de escabeche, seguindo-se gamo ao alhinho, muito tenro, suculento e saboroso (difícil de parar de comer) e voltámos a terminar com o arroz de lebre, que voltou a secar depressa demais. O melhor da noite foi, indubitavelmente, o gamo ao alhinho, uma excelente revelação.
Para sobremesa tivemos uma mistura de pudim de queijo, bolo de chocolate e um fartes, também uma espécie de bolo com ovos e amêndoa.
O serviço deste restaurante é esmerado e atencioso, com o adicional de haver o aconselhamento dos clientes, tanto para os pratos como para os vinhos e as sobremesas, e nunca nos deixaram ficar mal. Mais um local a (re)visitar.
Quanto aos vinhos, foi aqui que tive o primeiro contacto (também aconselhado na casa) com o Terrenus 2005, produção individual de Rui Reguniga numa outra vinha que possui na serra de São Mamede. Nesta segunda visita voltei a ter a oportunidade única de voltar a provar este vinho. Uma boa revelação, tal como também aconteceu com o Casa de Alegrete. Um vinho bem encorpado mas também macio e muito aromático, elegante, equilibrado entre álcool, acidez e persistência. Os 13,5% certamente contribuem para esse perfil mais “soft” que a maioria dos muitos hiper-alcoólicos. Um vinho que promete altos voos.
Na segunda visita provou-se também outra garrafa, mais uma estreia com um vinho da região, o Lima Mayer 2005, das proximidades de Monforte. Este um pouco mais forte e mais dentro do muito que tenho apanhado por aí, mas sem se tornar agressivo nem cansativo. Aroma a frutos vermelhos, alguma especiaria, bastante encorpado e persistente, com os taninos bem domados e envolvidos numa acidez correcta. Pareceu-me, acima de tudo, aquilo que se poderia chamar um vinho honesto, que não pretende ser uma estrela mas que desempenha bem a sua função.

Kroniketas, enófilo itinerante

Restaurante: Tomba Lobos
Pedra Basta, Lote 16 - R/C
7300-529 Portalegre
Telef: 245.331.214
Preço médio por refeição: 30-35 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Terrenus 2005 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Rui Reguinga
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 19,50 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Lima Mayer 2005 (T)
Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Lima Mayer
Grau alcoólico: 14%
Castas: Syrah, Aragonês, Petit Verdot, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 18,50 €
Nota (0 a 10): 7/7,5

segunda-feira, 10 de março de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (XV)

No meu copo, na minha mesa 168 - Gloria Reynolds 2004; Vale Barqueiros Reserva 2005; Rolo Grill (Cabeço de Vide)

Já na recta final da minha permanência por terras de Portalegre, tenho feito algumas incursões por fora. A primeira levou-me às termas de Cabeço de Vide, perto de Fronteira, cerca de 20 km para sul de Portalegre, ao encontro do restaurante Rolo Grill, que antes se localizava no coração da cidade, no local onde agora se situa o Cobre, que por sinal foi a minha primeira visita desde que aqui assentei arraiais.
Usando um antigo edifício de servia de armazém à estação de comboios, o sr. Rolo estabeleceu aqui as novas instalações para o seu restaurante, onde dispõe duma enorme sala em que cabem as mesas, as prateleiras com vinhos a toda a volta da sala e, ao fundo da mesma, o grelhador onde o próprio dono cozinha os grelhados, a especialidade da casa.
Nesta primeira visita que fiz ao local, não escolhi vinhos nem ementa: o sr. Rolo tratou de sugerir o que se iria comer e beber. Para três pessoas, preparou uma lombeta de porco grelhada, uma espetada de novinho e um naco de novilho. Antes disso ainda nos fomos entretendo com algumas entradas quentes e frias num prato rotativo, que já davam para aconchegar os estômagos.
Mas quando chegaram os grelhados, ficámos esmagados pela qualidade. Comecei pela lombeta de porco, que estava tão tenra que quase se desfazia ao cortar. Passei para a espetada de novilho, que ao contrário do que acontece com a maioria das espetadas em que se apanha a carne seca e mais para o rijo, estava muito tenra e suculenta. Terminei com o naco de novilho, mal passado como se impõe, tenro, delicioso. Fiquei a pensar que talvez tenha sido o melhor bocado de carne de novilho que já comi. Aliás, o mesmo se aplica aos anteriores. Não me lembro de ter encontrado pratos de carne tão boa em algum local. Memorável e talvez irrepetível.
Para sobremesas tivemos acesso a um “buffet” onde se podia escolher entre vários doces tradicionais, entre os quais leite-creme, encharcada e sericaia.
O serviço é altamente eficiente, se bem que tratava-se de uma noite chuvosa de semana e só duas mesas estavam ocupadas. Ficou por saber como será em ocasiões de maior afluência, mas para já a impressão foi a melhor. Em suma, uma refeição soberba e um restaurante que merece figurar, de caras, na galeria dos melhores do país. Nem que tenha de me deslocar de propósito quando já não estiver por cá, mas hei-de lá voltar.
Quanto aos vinhos sugeridos pelo sr. Rolo, fomos para duas estreias, ambas da região: um Gloria Reynolds 2004, um vinho bastante conceituado por estas bandas, e depois um Vale Barqueiros Reserva 2005. Gostei mais do primeiro que do segundo, embora nenhum me tenha enchido as medidas.
O Gloria Reynolds 2004, apresentou-se mais suave e equilibrado, com uma cor rubi carregada, algum frutado na boca no primeiro ataque evoluindo depois para alguma predominância a especiarias. Dando-lhe algum tempo começam a sobressair os taninos que conferem alguma consistência ao conjunto sem contudo imporem a sua presença em demasia. É um vinho que precisa de algum tempo para se mostrar, tornando-se mais persistente quando se procuram as segundas e terceiras impressões.
Já o Vale Barqueiros Reserva 2005, um lançamento mais recente da casa, pareceu ir atrás dos ditames da moda, sendo mais um daqueles vinhos em que tudo é álcool, fruta e taninos a abafarem tudo o resto. Talvez mais alguns anos de garrafa o amaciem, mas para já achei-o algo desequilibrado e cansativo. Aliás, os 15 graus de álcool não enganam, e se é preciso um bom trabalho de enologia para que um vinho destes se torne agradável de beber, parece-me que neste caso o resultado da batuta de Paulo Laureano não foi muito bem conseguido. Já aqui o disse por mais de uma vez, mas para mim a mania do excesso de álcool já deu o que tinha a dar e não contem comigo para suportar essa moda.

Kroniketas, enófilo viajante

Restaurante: Rolo Grelhados do Norte Alentejano
Sítio da Estação - Cabeço de Vide
Telef: 245.638.030
Preço por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 5

Vinho: Gloria Reynolds 2004 (T)
Região: Alentejo (Arronches - Portalegre)
Produtor: Julian Cuellar Reynolds
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vale Barqueiros Reserva 2005 (T)
Região: Alentejo (Alter do Chão)
Produtor: Sociedade Agrícola Vale de Barqueiros
Grau alcoólico: 15%
Castas: Trincadeira, Alicante Bouschet
Nota (0 a 10): 6

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (XIV)

Altas Quintas




Finalmente o momento há tanto tempo esperado: a visita às Altas Quintas. Na realidade o local chama-se Quinta da Queijeirinha e fica na estrada de Portalegre para Alegrete. Passei lá várias vezes mas só há pouco tempo tive oportunidade de visitar o local, sob a orientação do próprio João Lourenço, o produtor que vendeu a Herdade do Perdigão e encontrou ali, a meio da serra de São Mamede, o local ideal para o seu novo projecto.
Toda a zona envolvente, um pouco acima de Portalegre, está situada num planalto ali a meia encosta, que é por onde se distribuem as várias quintas de produção vitivinícola por onde passei nestes últimos meses: a Herdade dos Muachos, a Herdade do Porto da Bouga, a Adega da Cabaça, a Quinta do Centro, de Rui Reguniga e Richard Mayson, a Quinta do Seixo, de Jorge d’Avillez, e esta Quinta da Queijeirinha. O Monte das Cortês, berço do Casa de Alegrete, já fica lá no alto da encosta.
Estava um dia de sol e céu limpo, depois de várias semanas de frio intenso e nevoeiro, e o ar que se respirava até revigorava a alma. Enquanto esperava que João Lourenço dispusesse de alguns minutos do seu tempo para me atender, dei uma volta pelo casario, olhei a vinha ao longe, agora despida de folhas, mais ao longe ainda uma pequena barragem, algumas árvores de fruto a integrarem-se na vegetação da encosta e uma pequena segunda quinta mais acima, donde saiu o nome Altas Quintas. Ali ao pé alguns cavalos davam o toque do que resta da antiga vocação agro-pecuária da quinta. Por instantes fiquei a pensar como será viver ali, na própria quinta, levantar e já estar no local de trabalho, com uma paisagem paradisíaca para olhar e livre do bulício das cidades...
Desde 2003 que a propriedade foi reconvertida para a produção vitivinícola. Dessa altura resta alguma cultura de laranjeiras, castanheiros e oliveiras. A vinha domina, com 80 hectares em produção e 25 novos. As instalações existentes foram igualmente aproveitadas para o novo projecto. A antiga vacaria foi reconvertida em sala de barricas, enquanto ao lado vai surgir uma sala de provas. Noutra casa encontram-se as cubas de fermentação para tintos, brancos e rosés, à mistura com alguns balseiros de madeira igualmente destinados à fermentação dos tintos, numa sucessão impressionante de salas repletas do mais moderno equipamento que me foi dado observar. Numa parede um painel mostra a temperatura das cubas, controlada por computador.
Por uma porta sai-se duma sala de fermentação e entra-se na zona de engarrafamento e embalamento. A linha de engarrafamento é maior que a da Adega Cooperativa de Portalegre e da Herdade dos Muachos e totalmente automatizada. Na altura estavam na ponta da linha os rótulos dum novo vinho a ser lançado pela casa: Mensagem de Aragonês, que tinha lançamento previsto, já com algum atraso devido a problemas com a feitura do original rótulo, para o final de Janeiro (nesta altura, a confirmarem-se segundo as previsões do produtor, já deverá ter chegado ao mercado e o Pingas no Copo já apresentou uma prova). O embalamento e arrumação do vinho em caixas passa-se numa antiga sala de gado caprino. Saindo por outra porta entra-se na adega onde repousam milhares de garrafas. Mais ao lado ainda há uma entrada em rampa para camiões.
A produção anual ronda as 200.000 garrafas, havendo muito trabalho na vinha para limitar a produção e melhorar a qualidade. Todos os tintos fermentam em madeira, entre 6 meses e 1 ano. As castas predominantes são as tradicionais Aragonês, Trincadeira, Alfrocheiro e Alicante Bouschet, esta muito por influência do enólogo Paulo Laureano. Nos tintos em produção encontram-se o Crescendo, o Altas Quintas e o Altas Quintas Reserva, e agora o Mensagem de Aragonês. Nos restantes a aposta para já limita-se ao Crescendo.
Pelo que tive oportunidade de ver o vinho Altas Quintas já chegou ao oriente: numa prateleira no escritório estão alguns exemplares representativos de garrafas do Reserva exportado para a China e Hong-Kong. No final, João Lourenço ainda teve a amabilidade de me presentear com uma garrafa do novel Mensagem de Aragonês dentro duma caixinha toda catita. Está guardada à espera duma boa ocasião para a abrir.
Foi uma visita bastante enriquecedora, onde pude ver a grandiosidade duma empreitada destas, que deve ter custado umas boas dezenas ou centenas de milhares de euros, com a mais alta tecnologia ao serviço da elaboração dum grande produto. Só me restou agradecer a atenção dispensada e a oferta que me foi feita e desejar continuação do sucesso que a marca Altas Quintas tem vindo a obter no pouco tempo que tem de existência no mercado.

Kroniketas, enófilo itinerante

Altas Quintas, Produção de Vinhos
Quinta da Queijeirinha, Estrada de Alegrete
7300-563 Portalegre

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (XIII)

No meu copo, na minha mesa 165 - Monte da Cal Reserva 2004; A Gruta (Portalegre)

Outro restaurante que teve direito a repetição, tão boa foi a impressão da primeira visita. A Gruta tem sido o restaurante que representa o norte do Alentejo no festival de gastronomia de Santarém e é um dos incontornáveis da cidade.
Logo na entrada, um corredor profusamente preenchido com livros, revistas e garrafas, tudo relacionado com o vinho. Ao entrar na sala, deparamos com um cenário ainda mais preenchido. Algumas das paredes estão repletas de estantes com dezenas de garrafas, existem várias mesas com entradas e sobremesas, o que nos faz sentir quase como estando num santuário gastronómico. Para o cliente mais interessado, estão ali praticamente todos os vinhos alentejanos que se possa imaginar. Foi numa dessas prateleiras que encontrei o Garrafeira dos Sócios de 96 que começou a acompanhar esta refeição, e que já mereceu um post à parte (se ampliarem a segunda foto e olharem bem para a estante mais à direita, podem encontrar lá a garrafa junto a uns varietais do Esporão...).
Passando aos sólidos, a mesa já estava preenchida com uns pratinhos de presunto Pata Negra. A escolha do prato foi difícil, tão variadas e tentadoras eram as propostas, pelo que nos aconselhámos com o sr. Felício, o dono do local. As opções incidem sobretudo nos pratos regionais, como é óbvio, com alguns toques de requinte.
Acabámos por escolher uma canja de pombo para começar, seguindo-se um polvo à Lagareiro e eu escolhi nacos de porco preto, que estavam tenríssimos e muito bem apaladados. Entre as várias sobremesas optei por um doce Dom Duarte, que é uma espécie de fatia de bolo de doce de ovos com cobertura de amêndoa.
Quando o Garrafeira dos Sócios acabou, mudámos radicalmente e experimentámos o Monte da Cal Reserva 2004. É proveniente da Herdade Monte da Cal, próximo de Fronteira. Sinceramente não me despertou grande simpatia. É mais um vinho hiperalcoólico e hiperfrutado, com grande predominância a especiarias. Enfim, começa a ser “mais do mesmo” sempre que encontro este tipo de vinhos que já cansa. Acho que vou começar a olhar para o grau alcoólico antes de comprar, pois esta profusão de vinhos com 14 graus ou mais já começa a não ter graça. Nos últimos tempos, então, principalmente com as colheitas de 2003 e 2004, tem sido demais. Já começo a estar farto.
A segunda visita à Gruta pautou-se por um jantar diferente, em grupo e com ementa já escolhida mas com um buffet de frios e quentes à disposição. Tivemos uma grelhada mista de porco e a acompanhar vinho da casa, em jarro. Como quase sempre acontece com estes vinhos, era bebível... e só isso. Para terminar, buffet de sobremesas à discrição.
Em suma, um restaurante com um excelente serviço e excelente confecção. Tudo levado muito a sério e com muita qualidade. Um local a repetir se houver oportunidade para isso.

Kroniketas, enófilo itinerante

Restaurante: A Gruta
Bairro do Atalaião Velho, 8-A
7300 Portalegre
Telef: 245.201.402
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Monte da Cal Reserva 2004 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Herdade Monte da Cal
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Syrah, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 22 €
Nota (0 a 10): 6

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (XII)

Casa de Alegrete


Para lá da povoação de Alegrete a caminho de Besteiros, bem lá no alto da serra de S. Mamede para cima dos 600 metros de altitude, fica a vinha donde sai o Casa de Alegrete, a grande revelação desta minha permanência por terras de Portalegre. O dono, João Torres Pereira, era um vendedor de maquinaria industrial em Lisboa, onde viveu durante 37 anos, até que o sogro, proprietário de 60 hectares de vinha no Monte das Cortês, um terreno de xisto em plena encosta da serra, pôs a propriedade em nome da filha.
Durante anos as uvas eram vendidas à Adega Cooperativa de Portalegre, até que em 2003, apercebendo-se de algumas dificuldades por que passava a Adega, João Torres Pereira propôs à mulher que fizessem o seu próprio vinho com aquelas uvas. Para isso chamou o enólogo Paulo Fíuza Nigra (da família Fiúza, produtora de vinhos no Ribatejo) para avaliar as potencialidades das uvas. E assim se avançou para a produção do primeiro vinho na colheita de 2004. Não dispondo de equipamento próprio para a vinificação das uvas (o terreno e o casario era essencialmente destinado ao pastoreio de ovelhas), estas foram transportadas para a adega da Farizoa, na Terrugem, propriedade da Companhia das Quintas. Para fazer face às necessidades de produção (e minimizar os custos que a produção à distância acarreta), João Torres Pereira, que entretanto se apaixonou pela vinha e pelo Alentejo, está a planear a construção de uma adega no antigo casario do monte.
A evolução do vinho, acompanhada pelo enólogo, recomendou a aquisição de barricas para lhe permitir um estágio de modo a desenvolver as suas potencialidades. O estágio acabou por chegar a um ano antes de ser engarrafado. Com uma produção inicial pouco acima das 10.000 garrafas, a primeira colheita foi desde logo um êxito na região, seguindo-se a de 2005, já mais volumosa, que já tive oportunidade de provar por três vezes. As seguintes, 2006 e 2007, ainda aguardam o que o futuro lhes irá reservar.
Composta por três parcelas de vinhas com 10, 20 e 30 anos com as castas tradicionais misturadas, começa agora uma fase de alguma reconversão e melhoramento na vinha com a implantação de novas cepas e a instalação de varas e arames de modo a aumentar a altura das cepas e melhorar a exposição solar. Para já não é feita rega da vinha, deixando ao solo e ao clima o desenvolvimento da uva, pois o produtor considera que o terreno lhe dá todas as possibilidades de obter um excelente produto. Para ajudar a natureza é dada muita atenção à poda, o que implica deitar muita uva para o chão, limitando a produção. A colheita de 2006 rendeu 25.000 garrafas, enquanto 2007 irá render apenas 16.000, pois a aposta é na manutenção dum nível de qualidade que permita afirmar a marca sem procurar crescer desmesuradamente em quantidade.
A intenção de João Torres Pereira é manter os pés bem assentes na terra e não querer chegar ao céu rapidamente. A julgar pelas provas que fiz deste vinho, parece-me que vai no bom caminho e tem todas as condições para se afirmar no mercado, mantendo um preço muito aceitável. Consegui comprar ao produtor a 7 € por garrafa.
Fixem este nome, pois é muito bem capaz de vir a dar que falar.

Kroniketas, enófilo itinerante

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (XI)

No meu copo, na minha mesa 163 - Muachos Reserva 2003; Casa de Alegrete 2005; O Escondidinho (Portalegre)

Este foi um dos restaurantes a merecer repetição. Fica perto duma das praças principais da cidade, o Rossio, mas à entrada duma rua estreitinha onde quase passa despercebido ao olhar dos transeuntes. Ao entrar deparamos com uma pequena sala com 4 mesas, prolongando-se o espaço para a direita, onde se encontra um bar, a cozinha e as casas de banho e uma sala mais espaçosa, e para a esquerda onde fica a sala mais recatada e acolhedora.
A primeira visita foi antes do Natal e fi-la sozinho. Seguindo a sugestão da casa, escolhi uma das especialidades da casa, um bife vira-vira de coentrada, frito em azeite e temperado com coentros. Extremamente tenro e saboroso. Para sobremesa escolhi um doce tradicional, o fidalgo, uma fatia de doce de ovos, verdadeiramente irresistível. Estando sozinho, não houve grande originalidade na escolha do vinho, tendo optado por um jarro de meio-litro de vinho da casa, da Fundação Abreu Callado. Nada de extraordinário mas perfeitamente aceitável por apenas 2,50 €.
Enquanto jantava na sala mais recatada, fui reparando num armário perto da minha mesa onde algumas garrafas se encontravam em exposição. Foi ali que vi pela primeira vez o Casa de Alegrete, já referido mais atrás, e que mais tarde se tornaria escolha recorrente.
A segunda visita já foi mais preparada, merecendo reserva e encomenda antecipada. Lebre com feijão foi o prato de resistência, não sem que antes aparecessem na mesa alguns acepipes para entrada, entre os quais pernas de rã (sinceramente, não fiquei fã). Como mandam os cânones, a lebre vinha em tacho de barro e deu para ir comendo, comendo, comendo... até fartar. Para sobremesa repetiu-se o inevitável fidalgo, certamente um dos melhores doces à base de ovo que existem, complementado por um bolo de chocolate regado com creme de chocolate que mais parecia mousse... É de lamber os beiços!
O serviço é esmerado e cuidado, sem nada a apontar. Escolhidos os petiscos certos, pode-se ter ali uma excelente refeição com um óptimo atendimento.
Para o vinho, não resisti a repetir o Casa de Alegrete 2005. Confirmou a excelente impressão da primeira prova, e voltou-se a beber quase com sofreguidão. Para complementar com algo diferente escolheu-se um Herdade dos Muachos Reserva 2003. De cor rubi bastante intensa, mostrou bom corpo e estrutura, suave e aromático, com taninos bem domados mas a suportarem um todo persistente sem deixar de ter alguma elegância. Um vinho equilibrado que se bateu bem com o prato de lebre mas que também pode mostrar-se com outros pratos um pouco mais delicados. A rever noutra ocasião.
Em resumo, duas boas refeições, bem acompanhadas por dois bons representantes dos vinhos de Portalegre. Um local que vale a pena (re)visitar.

Kroniketas, enófilo itinerante

Restaurante: O Escondidinho
Travessa das Cruzes, 1 e 3
7300 Portalegre
Preço por refeição: 20-25 €
Nota (0 a 5): 4

Vinho: Casa de Alegrete 2005 (T)
Preço no restaurante: 15 €

Vinho: Muachos Reserva 2003 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: José Carvalho - Sociedade Agrícola (Herdade dos Muachos)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Alfrocheiro, Cabernet Sauvignon (15%)
Preço em hipermercado: cerca de 9 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (X)

No meu copo, na minha mesa 161 - Casa de Alegrete 2005; Caldeirão de Sabores (Portalegre)


Uma das surtidas gastronómicas resultou numa completa revelação, quer a nível do restaurante quer a nível do vinho. O restaurante Caldeirão de Sabores, no bairro dos Assentos, junto à entrada de Portalegre pelo lado sul, é um espaço relativamente pequeno onde tive oportunidade de degustar uma refeição magnífica.
Depois dumas entradas à base de peixe que não fizeram as minhas delícias, passou-se àquilo que interessa: uma empada de lebre e um “magret” de pato (uma espécie de pato estufado fatiado). Tudo acompanhado com uma salada mista para desenjoar.
Ambos estavam excelentes, com natural realce para a empada de lebre, muito macia e apetitosa. Para sobremesa as escolhas foram mais prosaicas: mousse de chocolate e requeijão com doce de abóbora, que cumpriram na perfeição.
O serviço é de grande qualidade e eficiência, apenas com um senão de alguma demora nos pratos, mas dada a especificidade da empada de lebre talvez fosse inevitável essa demora. Um local que se recomenda, portanto.
Conhecido o restaurante, o vinho foi, então, a grande revelação da noite. Já o tinha visto numa montra doutro restaurante e aqui foi a escolha imediata: um Casa de Alegrete, aqui dos arredores (Alegrete é uma povoação que fica na encosta da serra de S. Mamede, uns 10 quilómetros para sueste da cidade). A impressão foi excelente. Um vinho macio, aberto e suave, em que os 14% de álcool estão perfeitamente disfarçados, o que faz com que não se torne cansativo ao contrário de muitos com este grau alcoólico. É um bom exemplo de como um vinho com 14 graus pode ser aveludado. O estágio de 12 meses em madeira dá-lhe alguma consistência, aparecendo aquela bem integrada com os aromas de fruta predominantes no primeiro ataque na boca. As castas Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet (talvez a grande “coqueluche” do Alentejo nesta altura) em harmonia quase perfeita.
É um daqueles vinhos que vão melhorando com o tempo de abertura da garrafa, desenvolvendo uma persistência e um fim de boca prolongado e ao mesmo tempo macio, tornando-se mais apetitoso à medida que os copos se sucedem. Por isso torna-se um vinho guloso, que se bebe com prazer sem se dar por isso, de tal forma que duas pessoas beberam duas garrafas... É um vinho quase desconhecido no panorama nacional, dada a pouca produção que praticamente se esgota no mercado da região, dum produtor (João Torres Pereira) e dum enólogo (Paulo Fiúza Nigra) que desconhecia por completo, mas do qual é praticamente impossível não gostar. Tem um perfil que me agrada sobremaneira, persistente e ao mesmo tempo elegante, aquilo que vai faltando em muitos vinhos “da moda”, particularmente no Alentejo. Decididamente, uma aposta a rever na primeira oportunidade que tiver enquanto ainda estou por cá.
Em suma, uma daquelas refeições para não esquecer: restaurante e vinho excelentes, numa combinação exemplar.

Kroniketas, enófilo itinerante

Restaurante: Caldeirão de Sabores
Travessa Luís Pathe, 12
Bairro dos Assentos
7300-037 Portalegre
Telef: 966.795.751
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Casa de Alegrete 2005 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: João Torres Pereira
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 13 €
Nota (0 a 10): 8,5

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (IX)

Herdade dos Muachos





A Herdade dos Muachos fica situada na freguesia da Urra, uma povoação a alguns quilómetros de Portalegre seguindo pela estrada para Elvas.
Entrando na Urra e tomando o caminho para Assumar, entramos em pleno campo, numa estrada estreita pelo meio de olivais e montados. Há vacas, porcos e ovelhas a pastar e algumas placas a indicar a certificação de Carnalentejana. Depois de passar a linha de comboio, numa passagem de nível sem guarda, aparece à direita a entrada da Herdade dos Muachos. Estamos já no meio de nada, a cerca de 5 km da Urra.
A entrada é feita entre videiras e oliveiras até se encontrar os edifícios da adega. A visita começou por um edifício em frente à adega onde decorrem obras para a construção da futura sala de provas, que será equipada com uma cozinha que permitirá a realização de outros eventos como casamentos e baptizados.
A Herdade dos Muachos tem cerca de 239 hectares, onde existe gado e montado para além dos 50 hectares de vinha, dos quais 18 plantados em 2005. A produção de vinho começou pelo pai, José Maria Pombo Carvalho, e dois filhos, tendo a primeira colheita sido produzida em 2003. Produz cerca de 200.000 litros por ano, com base nas castas tintas Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet, Alfrocheiro, Aragonês, Syrah e Carignan, e nas brancas Arinto, Roupeiro, Chardonnay e Sauvignon Blanc.
O portefólio de vinhos é constituído pelo Herdade dos Muachos branco Regional e Colheita Seleccionada, um tinto DOC, um Reserva tinto e um Garrafeira tinto, que sai para o mercado no mínimo 3 anos após a colheita e após um ano em garrafa. Também é produzido o Portal de Alegrete no formato bag-in-box.
Na cave do edifício principal estão as cubas de fermentação, a adega onde o vinho estagia e a linha de engarrafamento. O branco fermenta em balseiros de carvalho francês e americano, sendo utilizados uma única vez após o que passam a ser utilizados para estágio dos tintos.
A produção é supervisionada pelo enólogo António Saramago, que também dirige os trabalhos na Herdade do Porto da Bouga, a alguns quilómetros dali junto à povoação de Caia.

Kroniketas, enófilo itinerante

José Carvalho - Sociedade Agrícola
Herdade dos Muachos
Telef: 245.204.256/7
7300-575 Urra - Portalegre