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quinta-feira, 14 de junho de 2007

Prova à Quinta - O oitavo


Montebérin, Lambrusco di Modena Rosato

Este desafio proposto pelo Copo de 3 foi o mais difícil para mim até agora, simplesmente porque sardinhas fazem parte do meu cardápio uma ou duas vezes por ano, no máximo, e com alguma relutância.
Curiosamente, calhou no passado fim-de-semana prolongado estar no Algarve num encontro de amigos que se realiza todos os anos por esta altura, aproveitando um dos feriados, e um dos almoços acaba sempre por ser uma sardinhada. Então lá faço um pouco de sacrifício para comer 3 ou 4 sardinhas bem disfarçadas por muita salada de tomate.
E qual foi o vinho usado para a prova? No meio de algumas cervejas e dum verde sem rótulo que por lá apareceu, socorri-me de um rosé italiano que comprei na feira de vinhos do Jumbo em 2006: leve, aberto, aromático quanto baste, ligeiramente frisante, com grau alcoólico muito baixo e muita frescura, um vinho de verão que se mostrou adequado para a época e até ligou muito bem com as sardinhas, de tal forma que o conteúdo da garrafa desapareceu rapidamente. Curiosamente foram as senhoras presentes que mais depressa o consumiram, enquanto alguns dos homens se mantiveram na cerveja até ao fim.
E pronto, assim cumpri a dupla função duma só vez: comi a minha sardinhada anual e arranjei um vinho para esta Prova à Quinta. Só não cumpri um dos requisitos do desafio, que era não ser um vinho de entrada de gama. Tenho muita pena, mas foi o que se pôde arranjar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Monteberín, Lambrusco di Modena (frisante) (R)
Região: Emilia Romagna (Itália)
Produtor: Monteberín - Modena
Grau alcoólico: 9%
Preço em feira de vinhos: 1,99 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Provas de Cabernet Sauvignon - O balanço


Fazendo o balanço das provas aqui colocadas pelos caríssimos comparsas eno-bloguistas e restantes enófilos, a conclusão é que... há gostos e gostos. Tal como na anterior Prova à Quinta vi tecer rasgados elogios a um vinho branco de que não gostei nada (Três Bagos, um Sauvignon Blanc feito pela Lavradores de Feitoria), agora vi provas de Cabernet Sauvignon que não agradaram nada e outras que agradaram bastante. Houve de tudo, o que só prova que não há conhecimento que resista ao paladar de cada um.
Parece que o grande pomo de discórdia em relação a esta casta prende-se com o aspecto vegetal que predomina em muitos vinhos, e nesses casos o veredicto é normalmente desfavorável. No entanto, também houve quem encontrasse bons motivos para elogiar os vinhos provados, precisamente aqueles em que a componente vegetal estava menos presente. O que se pode concluir daqui é que é necessário escolher o vinho certo, em qualquer casta ou em qualquer região, pois o que é elogiado por uns (que provaram o vinho certo) pode ser detestado por outros (que provaram o vinho errado).
Vejamos o que diz David Baverstock, enólogo da Herdade do Esporão, acerca do Cabernet Sauvignon no catálogo da Feira de Vinhos do Pingo Doce de 1998:

“A maior parte do vinho de qualidade produzido em todo o mundo é elaborado a partir de Cabernet Sauvignon. Esta casta francesa é bem sucedida em Bordéus e em quase todos os países vitícolas devido às suas características muito próprias. Possui pequenos bagos com uma película rica em fenóis, o que lhe permite apresentar uma boa relação de cor e taninos para a quantidade de mosto. Os vinhos, logo após a vinificação, apresentam-se de cor púrpura, fruta intensa e muito taninosos. (...) Os vinhos jovens são caracterizados por um aroma a pimentos verdes e fruta do tipo amoras e groselha preta, com uma boa estrutura de taninos. Possuem uma boa afinidade com o estágio em barricas novas de carvalho francês e, com algum tempo em garrafeira, podem ganhar aromas do tipo cedro e tabaco. Como é uma casta tardia, em climas menos quentes (como Bordéus, por exemplo) é necessário lotear Cabernet Sauvignon com Merlot para dar vinhos mais redondos e menos adstringentes. Em climas mais quentes (como no Alentejo, Austrália, Chile, Califórnia, etc.), o vinho tem ganho fama como monocasta, ou vinho varietal, dado que as uvas, por ficarem bem maduras, originam taninos mais ricos e mais álcool, o que ajuda a amaciar o paladar, sendo o fruto cheio e redondo com sabores a amoras, groselha preta e chocolate.”

Como se vê, é tudo uma questão de tratar bem o vinho para anular a predominância do vegetal. O que provámos do Esporão vem mais ao encontro das características descritas na parte final, e é este aspecto que mais nos agrada nesta casta. Mas eu também não me tenho dado bem com os Chardonnay portugueses, pelo que não me surpreende que haja quem se dê mal com o Cabernet.


Em resumo, tivemos as seguintes apreciações:
- Encosta do Sobral 2003 – 16 e 17
- Aliança Galeria 97 – 17
- Solar dos Loendros 2003 – 13,5
- Tapada da Falca 2001 – Bom
- Dom Hermano 2003 – Médio
- Quinta do Valdoeiro PN11 2001 – 13,5
- Alfaraz 2004 – 16,5
- Fiúza 2004 (também provado por nós) – Médio/fraco

Portanto, parece que o Cabernet ou se ama ou se detesta. Ou quase isso.

Kroniketas, enófilo esclarecido

PS: Novo desafio lançado no Vinho da Casa

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Prova à Quinta - O sexto


Cabernet Sauvignon portugueses

Para este desafio aqui lançado há duas semanas, as Krónikas Vinícolas foram às garrafeiras vasculhar o que havia de Cabernet Sauvignon, escolheram, escolheram, foram às várias regiões, reuniram e provaram não um, não dois, não três, mas quatro vinhos, a saber:

- Cabernet Sauvignon do Esporão 98, do Alentejo
- Quinta do Poço do Lobo 91, da Bairrada
- Fiúza Cabernet Sauvignon 2004, do Ribatejo
- Caves Velhas Cabernet Sauvignon 2000, da Estremadura

Estes vinhos representam as regiões onde têm sido feitos monovarietais de Cabernet com maior regularidade, faltando apenas os de Terras do Sado. Tivemos três vinhos já com alguma idade e um mais recente. De fora ficaram o Casa Cadaval de 99 e o Quinta de Pancas de 2001, por já terem sido feitas provas de exemplares desses vinhos, e para não ficarmos completamente embriagados no final...

Cabernet Sauvignon (Esporão) 1998
Começámos pelo Cabernet Sauvignon do Esporão. Apresentou-se macio, muito bem integrado e com aroma a frutos secos. A madeira estava bem casada no aroma e sem excessos, com um ligeiro fumado. Na boca mostrou um fundo de frutos muito maduros, ainda alguma adstringência e fim de boca prolongado e suave. Não se nota o álcool e a acidez está correcta. Um vinho com bom corpo, sendo já do ano de 1998.

Quinta do Poço do Lobo, Cabernet Sauvignon 1991
Este vinho foi comprado numa das feiras mais recentes, apesar da idade, e com o único intuito de ver como estaria um vinho desta casta com esta idade. Foi decantado cerca de uma hora antes da refeição e vertido para o copo com uns minutos de antecedência, para que pudesse abrir mais. Apesar de denotar a idade, mostrou estrutura e sabor ainda agradável, embora já não no seu auge. De cor granada escura, foi uma boa experiência, embora em circunstâncias normais já se devesse ter bebido.

Fiúza, Cabernet Sauvignon 2004
O Fiúza presenteou-nos com um aroma agressivo no bom sentido (pujante) e um fundo de erva fresca muito agradável. A boca estava no ponto, com alguns taninos e, se bem que curto, o fim de boca mostrou-se saboroso e com um ataque forte.
Ao fim de uma hora, como seria de esperar, estava muito mais macio, sem a tal agressividade inicial. Bom corpo. Bebeu-se o que restou no almoço do dia seguinte (esteve devidamente rolhado com rolha de vácuo) e mostrou-se algo decaído.

Caves Velhas, Cabernet Sauvignon 2000
Para o fim ficou o Caves Velhas de 2000, um dos melhores na prova. Aroma muito fumado, com fundo vegetal omnipresente mas sem subjugar os outros odores e uma cor rubi muito agradável.
Sabor a couro e vegetal, macio na boca mas persistente, com uma adstringência suave. Fim de boca longo com fundo de frutos secos. Mediano de corpo. Ao contrário do Fiúza, no dia seguinte mostrou-se ainda melhor.

Em conclusão, tivemos vinhos com algumas semelhanças devido à casta e até devido à idade algo avançada que lhes retirou alguma vivacidade, mas com perfis um pouco diferentes. Os mais equilibrados foram o do Esporão e o das Caves Velhas, com um bom balanço entre a acidez, o corpo e os aromas. O Poço do Lobo mostrou-se algo cansado e o Fiúza, embora vivo e mais exuberante que os outros, acabou por mostrar algum excesso de álcool, conquanto não chegasse a desequilibrar o vinho.

No conjunto, o do Esporão confirmou aquilo que se esperava dele, com um frutado ainda marcante e um belo corpo, sem dar sinais de exagero na componente vegetal, mais presente no Fiúza. De todo o modo, não se notou qualquer predominância dos famigerados pimentos verdes, que como diz o Copo de 3 parecem ensombrar os vinhos desta casta e parecem também tomar conta do imaginário dos enófilos. Como dissemos num comentário no post onde lançámos o desafio, um vinho bem feito não deve saber a pimentos verdes, senão algo está mal. Nesse aspecto, o Cabernet do Esporão, que entretanto deixou de ser feito, pede meças a qualquer outro, pois sempre teve uma predominância a frutos secos e vermelhos muito bem integrada com a madeira, com uma acidez correcta e um grau alcoólico moderado.

É pena que os caríssimos eno-bloguistas já não o possam provar (a não ser que ainda haja à venda nalgum sítio esquecido, ou na Herdade do Esporão), pois aqueles que não gostam desta casta talvez mudassem de ideia. Nós conhecemos este vinho desde o seu lançamento, com a colheita de 91, e acompanhámo-lo até ao fim, já em garrafas de meio-litro. As últimas sete, desta colheita de 98, foram compradas numa garrafeira da Praia da Rocha, em 2003, a 11 € cada uma. Ainda nos restam 2, para saborear os últimos prazeres.

Em conclusão, se esta casta é plantada em todo o mundo por alguma razão há-de ser. E para encontrar bons exemplares, mesmo portugueses, só há que procurá-los.

tuguinho e Kroniketas, enófilos esforçados e esclarecidos

Vinho: Cabernet Sauvignon (Esporão) 98 (T) (garrafa de ½ litro)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 13%
Preço: 11,37 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Caves Velhas, Cabernet Sauvignon 2000 (T)
Região: Estremadura
Produtor: Caves Velhas
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em feira de vinhos: 4,81 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Fiúza, Cabernet Sauvignon 2004 (T)
Região: Ribatejo
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 14,5%
Preço em feira de vinhos: 3,92 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Quinta do Poço do Lobo, Cabernet Sauvignon 91 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13%
Preço em feira de vinhos: 4,35 €
Nota (0 a 10): 6

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Desafio Prova à Quinta - 6ª ronda


Cabernet Sauvignon portugueses

Propomos aos caros enófilos um novo desafio: tintos portugueses monocasta, feitos com Cabernet Sauvignon. Esta casta, como sabem, é provavelmente a casta tinta mais famosa a nível mundial, sendo usada, salvo melhor informação, em todo o mundo, tendo actualmente uma clara predominância nos países produtores do novo mundo.

Há meia-dúzia de anos foi usada em vinhos varietais em quase todas as regiões do sul do país, tendo depois passado a moda. Já aqui o disse, tenho uma paixão por esta casta e tenho obtido alguns momentos de grande prazer com estes vinhos. Por isso, vamos lá desencantar o que ainda houver por aí feito exclusivamente com Cabernet Sauvignon, e vamos ver como é que, depois do grande boom de há alguns anos, esta casta está a ser usada actualmente em extreme.

As vossas opiniões deverão ser colocadas neste post até ao dia 17 de Maio. Boas provas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

PS: Continuem a deixar aqui as vossas provas. Amanhã colocaremos a nossa com alguns comentários e um apanhado das vossas opiniões. Entretanto vão pensando na próxima. Alguém se chegue à frente, por favor.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Prova à Quinta - O quinto


Encostas de Paderne, Alvarinho 2004; Loureiro Ponte de Lima 2005

Para este desafio, há alguns meses esquecido, lançado pelo Pingas no Copo, pedia-nos o Pingus Vinicus para avaliarmos um vinho branco monocasta. Depois de equacionar várias hipóteses, resolvi apresentar uma prova não de um, mas de dois vinhos brancos, neste caso dois verdes, um Alvarinho e um Loureiro, para percebermos que nem sempre os nomes, só por si, valem o que está dentro da garrafa.
Comecemos pelo Alvarinho, um Encostas de Paderne. Tratando-se de um Alvarinho, esperava-se muito melhor. Dum Alvarinho espera-se sempre. Mas a verdade é que este desiludiu. Falta-lhe a elegância e a frescura tão típicas da casta. Pareceu algo rústico, muito longe da generalidade dos Alvarinhos que há por aí. Se tivesse outro rótulo qualquer pensar-se-ia que se tratava de um qualquer verde vulgar.
Terá sido azar com a garrafa? Ficamos sem saber a resposta, mas esta prova não convenceu.
Por sua vez, o Loureiro é um Ponte de Lima. É um dos verdes que conheço há mais tempo e sempre me agradou. Aliás, a casta Loureiro é uma das mais conceituadas da região dos Vinhos Verdes, produzindo vinhos de grande frescura, com um bom equilíbrio entre o álcool e a acidez, predominantemente secos e muito agradáveis. Este mostrou uma bela cor citrina brilhante e um aroma entre o frutado e o floral, um ligeiro gaseificado com bolha muito fina e uma grande leveza na prova que o torna um excelente acompanhante para pratos de marisco. E como é barato, é sempre uma excelente aposta para uma compra rápida sem grande risco.
Esta dupla prova demonstra que há mais vida na região dos Vinhos Verdes para além do Alvarinho. Muitas vezes as outras castas são subalternizadas em favor do Alvarinho, mas é sempre preciso conhecer o produto final e, no caso de castas como a Loureiro e a Trajadura, também se obtêm excelentes vinhos, mais leves e menos alcoólicos mas caracterizados por uma grande frescura, pelo que podem constituir excelentes apostas. No caso vertente, dou preferência a este Loureiro que a este Alvarinho.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Encostas de Paderne, Alvarinho 2004 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Manuel da Rosa
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 3,79 €
Nota (0 a 10): 5

Vinho: Loureiro Ponte de Lima 2005 (B)
Região: Vinhos Verdes (Ponte de Lima)
Produtor: Adega Cooperativa de Ponte de Lima
Grau alcoólico: 11,5%
Casta: Loureiro
Preço em feira de vinhos: 2,78 €
Nota (0 a 10): 7

sábado, 13 de janeiro de 2007

E depois do encontro...

Como é, companheiros, quem é que lança o próximo “Desafio Prova à Quinta”?

Kroniketas

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Prova à Quinta - O quarto


A. C. Borba, Alfrocheiro 2002

Para o desafio lançado pelo Elixir de Baco, de apreciar um vinho varietal de uma casta portuguesa fora das habituais Aragonês/Tinta Roriz, Baga, Touriga Nacional e Trincadeira, escolhemos para a prova um Alfrocheiro da Adega Cooperativa de Borba, provado num jantar no restaurante Alqueva.
Não temos provado muitos monocasta de Alfrocheiro, mas os últimos deixaram-nos encantados. Já tínhamos provado o da Herdade do Peso, que por sinal também teve a companhia de um Aragonês, e agora bebemos novamente um Alfrocheiro seguido de um Aragonês, e o primeiro voltou a ganhar.
O Alfrocheiro 2002 da A. C. Borba mostrou um aroma exuberante logo no primeiro contacto, apresentando depois um corpo cheio e bem suportado por taninos sólidos mas não agressivos. Contrariando a moda, não tem um teor alcoólico excessivo (12,5%, uma raridade nos tempos que correm, principalmente no Alentejo), o que realça ainda mais os aromas e a estrutura do vinho, assim como o fim de boca bem prolongado. Não é um vinho excepcional mas está muito acima da vulgaridade e merece, seguramente, uma nova apreciação.
Não deixa de ser curioso que nesta segunda comparação que fazemos entre o Alfrocheiro e o Aragonês da mesma casa, a casta menos famosa supere a sua congénere em todos os parâmetros. Donde se pode concluir que temos muito boas castas fora daquelas quatro e com potencialidades para fazer grandes vinhos. Este Alfrocheiro, parece-nos, tem tudo para se tornar mais uma casta de referência no panorama nacional, pois até há pouco tempo estava sempre ofuscada pelas outras com que era misturada, o que prova a importância de conhecer os vinhos varietais para melhor apreciar as potencialidades de cada casta “de per si”.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Alfrocheiro 2002 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Adega Cooperativa de Borba
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alfrocheiro
Preço no restaurante: 12,75 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Prova à Quinta - O terceiro


Bairrada Messias Garrafeira 95

Para o desafio aqui lançado há duas semanas, onde se pedia para encontrar tintos da Bairrada feitos com a casta Baga, fomos buscar um clássico: um Messias Garrafeira de 95, feito exclusivamente com a casta Baga.
Dada a idade já avançada, o vinho mostrou sinais evidentes de evolução, já com uma cor granada desmaiada e aberta com leves nuances acastanhadas. Os aromas mostraram-se fechados no início, mas após decantação libertaram-se e desenvolveram-se alguns aromas secundários e terciários tão típicos dos grandes Bairradas, embora sem grande exuberância. Apesar da idade, o vinho não apresentou quaisquer sinais de mofo nem de estar “passado”.
Na boca apresentou um corpo já delgado, com os taninos discretos mas ainda presentes e amaciados e um fim de boca longo sem ser agressivo. Algumas notas de especiarias e fruta discreta marcam um conjunto suave e equilibrado. É um vinho que já deverá ter passado o seu ponto óptimo, sendo que a partir de agora já não melhorará na garrafa, pois já perdeu a pujança dos taninos e grande parte do corpo. Beba-se, pois, antes que se perca.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Messias Garrafeira 95 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial dos Vinhos Messias
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Baga

Preço: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7


PS: Novo desafio lançado no Elixir de Baco

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Desafio Prova à Quinta - 3ª ronda


Como ninguém se chegou à frente entretanto, nós avançamos. Propomos para a próxima prova um tinto da Bairrada com casta Baga. Pode ser exclusivamente de Baga ou misturada com outras, mas tem de ter Baga. Isto porque actualmente, depois da alteração da legislação, onde antes quase só se podia fazer vinho de Baga agora pode-se fazer de praticamente tudo, de tal forma que há vinhos sem Baga.
Vamos, pois, à procura dos Bairrada clássicos, à moda antiga, em que a Baga era rainha. Esperamos as vossas respostas até ao dia 14. E esperamos também que não se distraiam como na 2ª ronda, com a prova proposta pelo Vinho da casa.

tuguinho e Kroniketas, enófilos e tudo

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Prova à Quinta - O segundo


Vinha da Nora 2002

Nesta segunda Prova à Quinta, o desafio lançado pelo Vinho da Casa era o de provar um vinho português de 2002. Escolhi o Vinha da Nora, um vinho que já conhecia de nome, mas que nunca tinha provado a não ser no último Encontro com o vinho, depois e antes de muitos outros. Tal como dizia o anúncio do brandy Constantino há umas décadas, é fama que vem de longe. A primeira vez que ouvi falar neste vinho foi num programa da RTP, onde foi referido que era o vinho recomendado na carta dum dos mais prestigiados restaurantes de Paris.
Agora proporcionou-se bebê-lo à refeição, a acompanhar uma excelente empada de coelho no forno, e veio a calhar para esta prova por ser de 2002. Foi aberto com antecedência, mas teria valido a pena ser decantado para mostrar todo o seu potencial, pois foi melhorando ao longo da refeição. Os copos usados, infelizmente, não foram os melhores para o efeito, pois eram mais largos na boca, o que poderá ter prejudicado a prova, principalmente em termos aromáticos, mas mesmo assim não deixámos de apreciar este vinho.
Produzido exclusivamente com a casta Syrah, tem uma bela cor rubi aberta, é medianamente encorpado, mostrando um carácter frutado, com os taninos suaves e a madeira discreta, sem se sobrepor aos aromas. Inicialmente mostrou-se mais fechado mas depois foi libertando os aromas secundários e marcando um final de boca cada vez mais persistente, que com muita pena minha atingiu o auge quando a garrafa estava a acabar...
No seu conjunto, é um vinho de grande elegância, com um perfil bastante apelativo, sem ter excesso de álcool a impor-se e permitindo assim desfrutar dos seus sabores e aromas na plenitude, além de ser uma óptima companhia para pratos requintados e não excessivamente condimentados. Sem dúvida um vinho que no panorama actual parece “fora de moda”, pelo seu corpo aberto e grau alcoólico moderado, e ainda bem que assim é. Felizmente ainda há quem faça vinhos que se podem saborear. Não o coloco já na nossa lista de escolhas porque precisa de uma segunda oportunidade, com todas as condições de prova no ponto ideal, mas mesmo assim já mostrou muito daquilo que é.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha da Nora 2002 (T)
Região: Estremadura (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 13%
Casta: Syrah

Preço em feira de vinhos: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Prova à Quinta - O primeiro


Cister da Ribeira 2001

Respondendo ao desafio lançado pelo Copo de 3 (tinto português com menos de 13% de álcool) as Krónikas Vinícolas associam-se à iniciativa. Para esta primeira prova, e por falta de oportunidade para uma escolha mais criteriosa, aproveitei um vinho que me ofereceram à saída do Encontro com o Vinho. É um Douro da região de Cima Corgo, um Cister da Ribeira de 2001, da Quinta de Ventozelo, situada em Ervedosa do Douro, perto de São João da Pesqueira. É feito com as castas mais representativas da região do Douro: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca.
Apesar de ter boa matéria-prima, o resultado é francamente pobre. Tem uma cor rubi carregada, o aroma é discreto, a prova na boca pouco exuberante, com algumas notas de especiarias muito pouco pronunciadas, talvez um pouco de couro e um final curto, corpo delgado e acidez talvez um pouco acima do ideal para a graduação do vinho: 12,5%.
Em suma, pareceu-me um vinho um pouco desequilibrado nas suas componentes, que não deixa grandes memórias. É mais uma daquelas experiências do Douro que me deixam de pé atrás quando saímos dos topos de gama. Fui depois consultar os catálogos das feiras de vinhos e percebi porque é que este vinho custa o que custa. Mas na gama mais baixa, e por esse preço, pode-se comprar e beber muito melhor.
Enfim, para começar a prova não foi uma escolha muito feliz, vamos ver se para as próximas tenho mais sorte.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cister da Ribeira 2001 (T)
Região: Douro
Produtor: Quinta de Ventozelo
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca

Preço em feira de vinhos: 1,68 €
Nota (0 a 10): 5