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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O gosto formatado e a ZLTN


Não sei se repararam, pelo menos aqueles que lêem a Revista de Vinhos, mas na página 32 da edição de Novembro, dedicada às “notas soltas”, vêm dois apontamentos que vale a pena transcrever, com a devida vénia, e ler.
Num deles João Afonso fala do “gosto formatado” pelos vinhos da moda actual, sempre iguais. No outro Luís Lopes escreve em defesa da criação de uma ZLTN, Zona Livre de Touriga Nacional, que já qualifica quase como uma epidemia que alastrou a todo o território nacional e invadiu todo e qualquer vinho. Diz ele que depois da prova de vinhos do Douro já deitava Touriga Nacional pelos olhos mas que a prova de tintos do Alentejo, deste número, não lhe aliviou, pelo contrário, a touriguite aguda de que já padecia.
De facto, valia a pena criar uma Zona Livre de Touriga Nacional para ver se voltávamos a beber vinhos diferenciados outra vez. Não há cão nem gato que, seguindo a moda do gosto formatado, queira pôr o seu vinho a cheirar a flores. Já chateia. Num país que tem a bênção de possuir um território diversificado, com diferentes solos e climas que permitem a produção de vinhos tão diferentes entre os Vinhos Verdes, Douro, Dão, Bairrada, Estremadura, Ribatejo, Península de Setúbal, Alentejo e Algarve, porque raio é que se há-de apostar sempre na mesma casta em vez de tentar realçar as castas mais típicas de cada região, como Aragonês, Trincadeira, Tinta Caiada, Baga, Castelão, Alfrocheiro, Jaen, Touriga Franca, Tinto Cão ou Tinta Barroca, por exemplo? Estaremos condenados à touriguização do país?
Na página 84 da mesma edição, na introdução à prova de tintos do Alentejo, João Afonso volta ao tema da “cada vez mais ubíqua Touriga Nacional” e conta que num almoço com duas dezenas de convidados um “conhecido crítico de vinhos” dizia que a Trincadeira não é uma casta para o Alentejo, argumentando que não conhece nenhum bom vinho alentejano da casta Trincadeira. E acrescentava que o Aragonês também não é uma casta do Alentejo!!! Dizia o tal crítico que as castas alentejanas são a Cabernet Sauvignon, a Syrah, essas... Claro, as mesmas da África do Sul, da Califórnia, do Chile, da Austrália, da Nova Zelândia (e como eu gosto de Cabernet...). E remata João Afonso (de novo com a devida vénia): “Parece que não são só as vinhas que estão a mudar. As mentalidades, o credo e a prosápia também. E nós – cansados de apregoar lá fora que somos diferentes porque temos castas diferentes – estamos cada vez mais parecidos com aqueles com quem não nos queremos parecer”.
Ao ler isto fico a pensar que o tal crítico (que é capaz de ser um pateta ou um convencido que se acha importante... ou as duas coisas) deve perceber menos de vinhos do que eu e talvez fizesse bem em mudar de vida... E será que alguém lê o que ele escreve? Ou será que já desistiu de escrever para o grande público?

Kroniketas, enófilo ignorante

domingo, 22 de junho de 2008

No meu copo 184 - Quinta do Encontro, Preto Branco 2004

A Quinta do Encontro é uma das muitas quintas que a Dão Sul, empresa sedeada em Carregal do Sal, já possui em várias regiões do país (Dão, Douro, Bairrada, Estremadura e Alentejo), numa estratégia de expansão que a torna já uma das principais produtoras a nível nacional. Neste caso falamos da propriedade situada no coração da Bairrada, em S. Lourenço do Bairro, Anadia, que foi recentemente objecto de investimento substancial.
Desta quinta já tínhamos tido a oportunidade de provar o Quinta do Encontro Merlot-Baga e agora provámos este vinho adquirido o ano passado com um dos números da Revista de Vinhos. Apresenta um conceito invulgar, pois é feito com duas castas tintas e uma casta branca. Não sendo um Bairrada clássico, não deixa de surpreender de alguma forma pela pujança que apresenta, a fazer lembrar outros estilos, embora com um perfil mais moderno e frutado sem deixar de se apresentar algo fechado. A Baga faz sempre notar os seus efeitos. Boa estrutura na boca, com taninos firmes mas bem domados, acidez muito equilibrada e boa persistência.Enfim, não sendo de encantar não deixa de ser um vinho capaz de fazer boa figura perante pratos robustos ao mesmo tempo que pode cativar os mais renitentes perante os vinhos bairradinos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Encontro, Preto Branco 2004 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta do Encontro
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Touriga Nacional, Bical
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7,5


PS: outra prova deste vinho no Copo de 3

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Os vinhos da festa 2007-2008 (2)

No meu copo 160 - Verdes

Foram estes os verdes provados na quadra festiva:

Borges, Verde Alvarinho 2005 - Um excelente vinho verde da casta Alvarinho, muito aromático, bem estruturado, persistente e ao mesmo tempo com alguma elegância. Um dos melhores Alvarinhos que já provei. Nota: 8,5

Quinta do Ameal, Verde Loureiro 2005 - Muito aberto, suave, ligeiramente gaseificado, com grande frescura na prova e um toque floral. Um bom exemplar da casta Loureiro. Nota: 7,5

Kroniketas, enófilo esverdeado




Vinho: Borges, Alvarinho 2005 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 13%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 7,15 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Quinta do Ameal, Loureiro 2005 (B)
Região: Vinhos Verdes (Ponte de Lima)
Produtor:
Quinta do Ameal
Grau alcoólico: 11,5%
Casta: Loureiro
Preço em feira de vinhos: 5,35 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 25 de setembro de 2007

No meu copo 136 - Portal do Fidalgo, Alvarinho 2005; Quinta de Azevedo 2005

Os brancos e rosés de férias (III)

Para uns grelhados ao ar livre com sardinhas, febras e costeletas levei dois verdes e alguns tintos, mas foram os verdes que tomaram a dianteira. Enquanto os comes iam saindo serviu-se primeiro um Portal do Fidalgo, Alvarinho de 2005 proveniente da sub-região de Monção. Foi muito bem recebido e de facto merece. Revelou-se muito equilibrado, suave e aromático, com aromas florais, acidez correcta a proporcionar uma grande frescura na boca, com um final persistente. Cor a tender para o amarelo palha, muito límpido e brilhante. Uma excelente aposta, que fez as delícias dos comedores de sardinhas, a um preço muito acessível. Dos melhores verdes que me lembro de ter bebido. Entrou para a lista dos obrigatórios.
Depois deste veio um Quinta de Azevedo de 2005, da quinta com o mesmo nome situada entre os rios Lima e Cávado, na freguesia de Barcelos. Claro que depois daquele Alvarinho, esta segunda prova ficou prejudicada (estas comparações podem ser injustas porque estamos a falar de dois vinhos completamente diferentes). De cor citrina muito clara, mais seco que o anterior e aroma menos exuberante, mas com uma mistura muito interessante de Loureiro e Pedernã, com um final muito suave e elegante. Um vinho mais discreto, indicado para pratos mais delicados, que foi um pouco abafado pela gordura das sardinhas. Merece uma nova oportunidade com prato mais adequado.
Cada um com o seu estilo próprio, duas boas companhias para as tardes de Verão.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Portal do Fidalgo, Alvarinho 2005 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Provam - Produtores de Vinhos Alvarinho de Monção
Grau alcoólico: 13%
Castas: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 4,98 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Quinta de Azevedo 2005 (B)
Região: Vinhos Verdes (Ponte de Lima)
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 10,5%
Castas: Loureiro, Pedernã
Preço em feira de vinhos: 2,97 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Brancos de Verão fora de tempo

Não sei se já disse, mas sou assinante da Revista de Vinhos há 4 anos, pelo que vou estando a par das notícias importantes, das novidades, dos painéis de prova, das visitas aos produtores, das sugestões de restaurantes, etc. Mas a revista de Agosto não chegou. Deveria estar na caixa do correio quando voltei de férias no final de Agosto, mas nada. Passaram duas semanas, e nada. Até que telefonei a saber o que se passava, e lá me enviaram (ou reenviaram) a revista. Mas isso são contratempos que às vezes acontecem.
O maior contratempo, contudo, é o painel de prova deste número. Brancos de Verão a menos de 4 €, tal como no número de Junho tinham feito um painel de verdes e em Julho um painel Alvarinhos e outro de tintos a menos de 4 €. Até aqui tudo bem, mas brancos no número de Agosto, que sai no final do mês? Não teria sido mais acertado fazer esta prova precisamente em Junho ou Julho, ou seja, ANTES dos consumidores beberem os vinhos no verão? De que serve fazer um painel de prova “para o Verão que vem aí” quando o Verão já se está a ir embora?
No meio de tudo, a grande surpresa é que no dito painel não figurem vinhos como o BSE ou os brancos de Bucelas, que os há bons a menos de 4 €. Seria esquecimento, não os encontraram a menos de 4 € ou acham que eles não merecem figurar no painel? Nós temos aqui preços desses vinhos a menos de 4 €, é só consultar as nossas escolhas.
Francamente...

Kroniketas, enófilo esclarecido

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Prova à Quinta - O quinto


Encostas de Paderne, Alvarinho 2004; Loureiro Ponte de Lima 2005

Para este desafio, há alguns meses esquecido, lançado pelo Pingas no Copo, pedia-nos o Pingus Vinicus para avaliarmos um vinho branco monocasta. Depois de equacionar várias hipóteses, resolvi apresentar uma prova não de um, mas de dois vinhos brancos, neste caso dois verdes, um Alvarinho e um Loureiro, para percebermos que nem sempre os nomes, só por si, valem o que está dentro da garrafa.
Comecemos pelo Alvarinho, um Encostas de Paderne. Tratando-se de um Alvarinho, esperava-se muito melhor. Dum Alvarinho espera-se sempre. Mas a verdade é que este desiludiu. Falta-lhe a elegância e a frescura tão típicas da casta. Pareceu algo rústico, muito longe da generalidade dos Alvarinhos que há por aí. Se tivesse outro rótulo qualquer pensar-se-ia que se tratava de um qualquer verde vulgar.
Terá sido azar com a garrafa? Ficamos sem saber a resposta, mas esta prova não convenceu.
Por sua vez, o Loureiro é um Ponte de Lima. É um dos verdes que conheço há mais tempo e sempre me agradou. Aliás, a casta Loureiro é uma das mais conceituadas da região dos Vinhos Verdes, produzindo vinhos de grande frescura, com um bom equilíbrio entre o álcool e a acidez, predominantemente secos e muito agradáveis. Este mostrou uma bela cor citrina brilhante e um aroma entre o frutado e o floral, um ligeiro gaseificado com bolha muito fina e uma grande leveza na prova que o torna um excelente acompanhante para pratos de marisco. E como é barato, é sempre uma excelente aposta para uma compra rápida sem grande risco.
Esta dupla prova demonstra que há mais vida na região dos Vinhos Verdes para além do Alvarinho. Muitas vezes as outras castas são subalternizadas em favor do Alvarinho, mas é sempre preciso conhecer o produto final e, no caso de castas como a Loureiro e a Trajadura, também se obtêm excelentes vinhos, mais leves e menos alcoólicos mas caracterizados por uma grande frescura, pelo que podem constituir excelentes apostas. No caso vertente, dou preferência a este Loureiro que a este Alvarinho.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Encostas de Paderne, Alvarinho 2004 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Manuel da Rosa
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 3,79 €
Nota (0 a 10): 5

Vinho: Loureiro Ponte de Lima 2005 (B)
Região: Vinhos Verdes (Ponte de Lima)
Produtor: Adega Cooperativa de Ponte de Lima
Grau alcoólico: 11,5%
Casta: Loureiro
Preço em feira de vinhos: 2,78 €
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Diz quem sabe


Hoje recebi a Revista de Vinhos deste mês e desde logo me entretive a ler uma conversa de João Paulo Martins “à mesa com” o produtor e enólogo João Portugal Ramos, autor de excelentes vinhos alentejanos.
Entre vários considerandos acerca da produção de vinho em Portugal e a afirmação de que “o Alentejo é imbatível”, a conversa terminou com uma bombástica:
“Confesso também que começo a ficar farto dos vinhos virtuais do Douro, que são muito bons mas não existem. E até dou de barato que, nos topos de gama, o Douro tenha mais vinhos que o Alentejo, mas a região em si, em termos de qualidade média, e até das cooperativas, não tem sequer comparação, é muito inferior”.
Fiquei pasmado por finalmente encontrar alguém que tem uma opinião igual à minha acerca deste tema. Já o disse e escrevi, neste blog e nas Krónikas Tugas, que não considero os vinhos do Douro, em termos de qualidade média, assim tão bons como se apregoa por aí. Já tive até a oportunidade de referir várias grandes decepções tidas com vinhos do Douro apresentados como muito bons, e nada baratos. Foi até agora a região com cujos vinhos apanhei mais decepções. Há, de facto, vinhos muito bons no Douro, mas também eu já tinha chegado à conclusão que esses são os caros, porque quando vamos para a gama média, aqueles de 4 ou 5 €, não há nada que os recomende mais que os de outra região qualquer, antes pelo contrário. Até me sinto, às vezes, um pouco incomodado por ver tamanha unanimidade à volta dos vinhos do Douro que eu não partilho. No programa “A hora de Baco” os convidados, invariavelmente, quando falam do seu vinho preferido, vão cair no Douro, principalmente, e no Alentejo. Palavra que estou cansado de ouvir sempre a mesma coisa, Douro-Alentejo, Douro-Alentejo, Douro-Alentejo. Gostava de ver aparecer alguém com uma opinião diferente destas, para variar.
Agora vem o produtor/enólogo mais premiado dos últimos anos lançar esta “bomba”. Ele certamente sabe do que fala, o que me deixa extremamente confortado porque a opinião do especialista é igual à minha. Aleluia! Houve alguém que teve a coragem de desmistificar a auréola que se criou em torno dos vinhos do Douro. Porque é preciso não esquecer que quando falamos do Douro, dum modo geral, não estamos a falar de Barca Velha.

Kroniketas, enófilo esclarecido

(Imagens retiradas da Revista de Vinhos nº 202, de Setembro de 2006, com a devida vénia)

Veja aqui as nossas apreciações a alguns vinhos do Douro:
Planalto
Passadouro e Bons Ares
Quinta dos Aciprestes (1)
Quinta dos Aciprestes (2)
Vinha Grande
Quinta do Portal
Duas Quintas

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Estamos na Revista de Vinhos!




















A ausência foi longa, devido a afazeres tele-futebolísticos e outros, mas agora regressámos, e logo com aquilo que se pode considerar uma menção honrosa.

Imaginem que no número de Junho da Revista de Vinhos, de que sou assinante, a páginas 76 há um artigo intitulado “Os vinhos na blogosfera”, de que aqui apresentamos o “fac-simile” nas imagens acima. Então não é que este vosso escriba deparou lá com a menção às Krónikas Vinícolas em termos que se podem considerar elogiosos? Não só é feita uma apreciação positiva a este blog como ainda, no meio do texto, é citado o nosso lema.

Não há dúvida, estamos a ficar famosos. Em 10 referências a blogs acerca de vinhos, logo havia de nos calhar também o brinde! O João Paulo Martins que se cuide...
Claro que isto só nos responsabiliza no sentido de continuarmos a não entornar os néctares de Baco. Até porque um tipo entornado não escreve nada em condições...

Kroniketas, enófilo esclarecido