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sábado, 14 de outubro de 2006

No meu copo 61 - Dão Grão Vasco 2003

Devo dizer que este vinho nunca me agradou. Toda a regra tem excepção e, neste caso, acho que é a excepção à qualidade aqui abundantemente elogiada dos vinhos da Sogrape.

Há uns meses tive a oportunidade de experimentar o novo Grão Vasco do Alentejo, que não deslustrou, mas este clássico do Dão, definitivamente, não me consegue convencer. Recentemente bebido em restaurante, continua a pecar pelo mesmo que sempre lhe achei, ou seja, um vinho com alguma falta de aroma, um pouco “chato”, daqueles vinhos com sabor quase neutro.

Posiciona-se na gama média/baixa, é um daqueles vinhos de “combate”, para o dia-a-dia, mas tanto a Sogrape tem vinhos melhores na gama como no Dão há vinhos muito melhores para o mesmo nível de preços. Por exemplo, o Quinta de Cabriz Colheita Seleccionada, que custa mais ou menos o mesmo e é bem melhor.

Definitivamente, acho que é das apostas menos conseguidas da Sogrape.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Grão Vasco 2003 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 12,5%

Castas: Jaen, Alfrocheiro, Tinta Pinheira, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 2,78 €
Nota (0 a 10): 5

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Na minha garrafeira 53 - Reserva Ferreirinha 1996

Um dia destes as Krónikas Vinícolas perderam o amor a uns cobres e abriram os cordões à bolsa. Já aqui falámos dos diversos vinhos da Casa Ferreirinha, dos melhores do país, e falta-nos um no currículo.
O Reserva Ferreirinha, anteriormente chamado Reserva Especial e que parece que vai passar a chamar-se apenas Colheita, é o filho mais pobre do Barca Velha, custando 4 vezes menos. É aquele que esteve guardado durante anos a evoluir e que, na prova final, não foi considerado merecedor do rótulo Barca Velha, pelo que leva o outro rótulo. Como também já referimos, parece que por vezes há enganos, pelo que se pode ter a sorte de apanhar um verdadeiro Barca Velha com outro rótulo e muito mais barato.
Passando pelo Jumbo, andámos durante umas semanas a mirar umas de 1996 que lá estavam a 39,99 €, depois desapareciam e depois voltava a haver. 10 anos para este vinho parece ser uma óptima idade para bebê-lo. Contactados os comparsas do costume, decidiu-se adquirir duas para degustar por quatro. Como havia mais duas, fiquei com elas para mim, para compor a garrafeira...
Agora ficam a repousar o resto do Verão nas melhores condições possíveis e lá mais para o Outono, quando já não está calor e não é necessário arrefecer o vinho, deverá ser a melhor altura para saboreá-las. Prometemos contar depois como foi.

Kroniketas, enófilo esclarecido

sexta-feira, 19 de maio de 2006

O feliz regresso do Barca Velha



Artigo publicado na “Revista de vinhos” nº 197 de Abril de 2006, assinado por João Afonso, que aqui reproduzimos com a devida vénia


«Depois de alguns anos de interregno, aí está mais um Barca Velha. Se é que se pode utilizar a expressão “mais um” a respeito desde tinto de 1999, um vinho portentoso que certamente ficará na história como um dos melhores Barca Velha de sempre.
Escrever sobre o Barca Velha, ou sobre qualquer outro ícone, tem sempre algo de redundante. Todos sabemos que é o vinho português mais conhecido, ou pelo menos aquele que é conhecido há mais anos como um dos exemplos da qualidade máxima portuguesa em vinhos. Mas neste caso a redundância é apenas uma questão de justiça...

VINHO DE PACIÊNCIA
“Eu levo tempo a ter certezas!” São palavras de José Maria Soares Franco, líder da equipa de enologia da Casa Ferreirinha que por vezes também usa a pergunta ao contrário, “ou será o próprio vinho que leva tempo a ter certezas?!”
Esperar e voltar a esperar. Procurar sentir se o vinho que está há anos dentro da garrafa merece ou não ser abençoado com a distinta graça de “Barca Velha”. Em média a espera ronda os 7 anos mas há casos em que leva mais tempo.
E esperar é coisa que já não se faz nesta sociedade. Simplesmente porque não há tempo para esperar. O tempo fugiu-nos, deixámos de o ter. A todos nós mas não ao Barca Velha. Este ainda tem todo o tempo de que precisa. De tal modo que o de 1999 foi aprovado e lançado mas há uma colheita anterior (1998) que, segundo a equipa de enologia, pode ainda “vir a palco”. É tudo uma questão de prova, de entendimento (vinho / enólogos)... e de tempo.
Por oposição a este conceito temos a grande maioria dos outros vinhos que parecem autênticos adolescentes - sempre com a perninha a tremer, desejosos de sair à rua e de se mostrar.
À pressa deste mundo moderno junta-se a banalização e estandardização de tudo. Chamam-lhe globalização. Todos diferentes e todos iguais lutando com as mesmas armas de capitalização de recursos sem termos tempo de olhar para trás ou para pensar se de facto é este o caminho que nos interessa. São as necessidades de um mercado voraz cada vez mais castrador de vontades e sonhos próprios. Produtos novos, de preferência todos os dias, se possível com a imagem melhorada e peço rebaixado e, claro está, sempre fáceis - porque andar ou mesmo pensar é coisa que se usa cada vez menos. Na questão da bebida, que é o nosso tema de sempre, prefere-se o doce, pouco ácido, nada rugoso e, de preferência, NOVO. É isto que se vende. Entre duas colheitas do mesmo vinho a maioria dos consumidores levará o mais jovem. Novidade é sempre a novidade.
Mas o Barca Velha mantém-se vivo e bem vivo apesar de alheio a este rodopio de conceitos e conteúdos mais ou menos vazios. A ele, conceito e conteúdo não lhe faltam.

VINHO DE CONCEITO
As melhores uvas das castas Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinto Cão vindas principalmente da Quinta da Leda foram totalmente desengaçadas, suavemente esmagadas e vinificadas em cubas de inox. Durante a fermentação fizeram-se remontagens intensas, e depois desta terminar, uma maceração a quente durante mais três semanas cuidou de que “tudo” o que de bom as uvas transportavam consigo fosse deixado no vinho. Depois de terminada a fase de “embrião” o vinho foi transportado para V.N. de Gaia e acondicionado em barricas de carvalho francês novo durante 12 a 18 meses. Durante este período foi acompanhado de muito perto e no final, depois de inúmeras provas e análises de lotes e das barricas existentes, decidiu-se engarrafar o potencial Barca Velha que assim entrou no período de "gestação". Mas foram os 5 anos seguintes que determinaram se o Barca Velha 1999 chegaria ou não a nascer.
É aqui que reside a nobreza deste vinho e deste conceito criado por Fernando Nicolau de Almeida e escrupulosamente honrado e seguido pelos enólogos da Casa Ferreirinha - esperar para ter certezas de que o consumidor é servido apenas com o melhor!

VINHO DE EXCELÊNCIA
Não é suficiente ter excelentes uvas e excelentes barricas, como normalmente acontece com a maioria dos vinhos Premium que hoje se comercializam, também é preciso que o tempo não arraste consigo o pequeno quinhão de eternidade que lhe é próprio. Durante as primeiras 4 décadas de história houve quatro Barca Velha nos anos 50s, três nos 60s, apenas um nos 70s, quatro nos 80s e três nos 90s. Em cerca de 50 oportunidades este vinho só viu a luz do dia em 15 colheitas.
Os vinhos das décadas de 80 e princípios de 90 foram muitas vezes desconsiderados injustamente. Saíam a mercado na fase em que os aromas primários tinham dado o lugar aos secundários e a concentração de prova tinha dado lugar à elegância. E o público irreverente e cada vez mais entusiasta dos vinhos novos, gordos e cheios de fruto argumentava – “o Barca Velha já não é o que era”.
Mas o enorme prestígio construído e cimentado neste conceito de exclusividade resistiu a modas menos favoráveis e o lançamento de cada novo Barca Velha nunca deixou de ser um acontecimento. Este último é-o duplamente.
O novo Barca Velha 1999 além de ser um grande vinho é uma “bofetada” de luva branca em todos aqueles que nos últimos anos se entretiveram a menosprezar este “velho senhor”. Com sete anos de idade tem tudo para se lhe chamar um vinho jovem. Exuberante no seu porte, atlético, requintado e clássico representa tudo o que a nobre tradição tem para oferecer a este Mundo desenfreado - uma lição de saber e de tempo.
Nota: Não se esqueça de colocar em pé a sua garrafa de Barca Velha (deste ou qualquer outro) no dia anterior ao seu consumo e de decantar cuidadosamente o vinho uns momentos antes de o servir. Seja exigente e rigoroso com a temperatura de serviço - nunca fora dos 17°-18°. Faça Verão ou Inverno.»

Kroniketas, enófilo esclarecido

domingo, 14 de maio de 2006

Krónikas duma viagem ao Douro - 5

No meu copo, na minha mesa 44 - Planalto; Cacho D’Oiro (Régua)

De passagem por Peso da Régua, uma sugestão dum guia de restaurantes encaminha-nos para o centro da cidade à procura do restaurante Cacho D’Oiro. A procura não é grande, porque aparece uma placa a indicar o restaurante num beco sem saída. Há uns quantos lugares para estacionar, mas é preciso fazer umas quantas manobras para virar o carro no pouco espaço disponível sem bater nos que lá estão.
Franqueada a porta, encontramos um espaço amplo, com escada para um andar superior e mesas em quantidade. É sábado ao almoço, pelo que é fácil sentar, mas a pouco e pouco começam a chegar grupos de pessoas que acabam por lotar o espaço.
A ementa é variada dentro dos pratos normais na região. Escolheu-se uns filetes de polvo e um cabrito assado. Os filetes são tenros e saborosos, mas trazem um acompanhamento pouco adequado, batatas fritas, o que torna necessário pedir arroz branco. Não há mais nenhum, nem de tomate nem de feijão, o que se lamenta. O cabrito cumpre aquilo que sempre se espera deste prato, com acompanhamento de batatas e legumes.
Para acompanhar pediu-se vinho branco Planalto, da Sogrape. É um vinho de cor citrina seco e aromático, frutado quanto baste, com boa acidez que vai muito bem com os filetes e bebe-se de forma gulosa. Não sendo muito leve, acompanha pratos de peixe com algum tempero, mas não convém exagerar. Convém mantê-lo num frappé ou numa manga de refrigeração para que não aqueça durante a refeição.
O atendimento é simpático e eficiente, com pessoal jovem e solícito que responde rapidamente às chamadas. A refeição é satisfatória, mas nada de extraordinário nem de nos deixar de boca aberta. Ou seja, estando na Régua vale a pena ir lá, mas não valerá ir lá de propósito como a Valhelhas para ir ao Vallecula.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Cacho D’Oiro
Rua Branca Martinho
5050-292 Peso da Régua
Telef: 254.321.455
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 3

Vinho: Planalto (B)
Região: Douro
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 12,5%

Castas: Malvasia Fina, Viosinho, Gouveio
Preço em feira de vinhos: 3,95 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 7 de abril de 2006

No meu copo 38 - Mateus Rosé

Eis-nos finalmente chegados à prova do famoso Mateus Rosé, o vinho português mais vendido no estrangeiro e principal receita da Sogrape, a empresa produtora.
Consta que até Saddam Hussein bebia Mateus Rosé, que é um vinho pouco apreciado em Portugal. Talvez por estar a meio caminho entre o branco e o tinto, o rosé é muitas vezes desconsiderado entre nós.
Pessoalmente gosto de beber rosé da mesma forma que branco ou tinto, desde que a ocasião seja adequada. No caso do Mateus, sendo um vinho leve e com pouca graduação alcoólica (apenas 11%), serve tanto como aperitivo, como acompanhante de entradas ou para refeições leves, ficando igualmente muito bem a acompanhar comida italiana ou chinesa. Pode mesmo dizer-se que é um vinho mais versátil que o branco e o tinto, pois não choca com quase nada. E como se bebe fresco ainda pode servir para beber calmamente como refresco numa esplanada.
A última prova foi com um prato de bacalhau no forno com azeite e cebola acompanhado de batatas às rodelas. Como já tive ocasião de referir, não sou grande apreciador de vinho tinto com bacalhau e pensei que me ia arrepender da escolha dum rosé, pois estava mais inclinado para um verde. Mas a verdade é que o Mateus se saiu muito bem da prova, tão bem que ainda foi pedida uma segunda garrafa para apenas duas pessoas. A sua leveza e frescura tornam-no adequado praticamente para qualquer circunstância.
Nós próprios nos esquecemos dos rosés nas nossas sugestões, mas este merece lá estar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Mateus (R) - Vinho de mesa sem data de colheita
Região: Trás-os-Montes (sem denominação de origem)
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 11%

Castas: Baga, Rufete, Tinta Barroca, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 2,40 €
Nota (0 a 10): 6,5

terça-feira, 28 de março de 2006

Sogrape anuncia Barca Velha de 1999

No site da Sogrape pode-se ler a notícia do lançamento da 15ª edição do famoso vinho. Desta vez esperaram menos de 10 anos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

No meu copo 34 - Grão Vasco Alentejo 2004

Depois dumas incursões por vinhos brancos e por outras regiões, vamos dar mais um saltinho ao Alentejo para experimentar uma novidade da Sogrape: o Grão Vasco, vinho que existia como marca de referência no Dão. Este apareceu há poucos meses no mercado, proveniente da Herdade do Peso, a propriedade da Sogrape de cujos vinhos vamos dando conta regularmente.
Como vinho da gama média a Sogrape tem há muitos anos no Alentejo o Vinha do Monte, pelo que este Grão Vasco se posiciona mais abaixo. Percebe-se desde logo que pretende encaixar-se no segmento de mercado do Monte Velho, do Monsaraz, do Borba, para falar de alguns dos mais conhecidos, embora o preço não seja de feira de vinhos. Neste caso, movidos pela curiosidade aproveitámos a feira de queijos, enchidos e vinhos do Continente, mas é possível que esteja um pouco inflacionado em relação a outros preços de referência de outros que temos na nossa lista.
Neste caso, não sei se este Grão Vasco vem acrescentar alguma coisa de novo às centenas que já existem no Alentejo (não é fácil). É um vinho com 14% de álcool, o que se está a tornar moda e me parece exagerado, encorpado e aromático quanto baste e com alguma presença de taninos que lhe confere uma certa robustez e uma certa vivacidade na prova.
Um vinho adequado para o dia-a-dia, que poderá acompanhar pratos de carne bem temperados, mas que talvez precise duma segunda apreciação para o compararmos melhor com outros do mesmo patamar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Grão Vasco 2004 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alfrocheiro, Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 3,59 €
Nota (0 a 10): 6

sexta-feira, 24 de março de 2006

Na minha garrafeira 33 - Os vinhos da Casa Ferreirinha


A Casa Ferreirinha é habitualmente mais conhecida pela produção de vinhos do Porto, associados à marca Porto Ferreira. Recentemente o nome tornou-se mais familiar pela produção duma série televisiva acerca da vida de D. Antónia Ferreira, a Ferreirinha. No século XIX a Ferreirinha teve um papel importante na luta contra a filoxera, uma doença que dizimou as vinhas da Europa, ao enxertar cepas americanas, resistentes à doença, com as cepas portuguesas existentes.
Actualmente a Casa Ferreirinha, à semelhança de outras grandes casas do Douro, é propriedade da Sogrape mas continua a produzir os seus vinhos com a marca da casa. Na Casa Ferreirinha é produzido aquele que os críticos consideram habitualmente o rei dos vinhos portugueses, o mítico Barca Velha, criado por Fernando Nicolau de Almeida em 1952. Trata-se dum vinho que é raro encontrar à venda e, quando aparece, é sempre por preços exorbitantes (digamos, para cima dos 100 ou mesmo 200 euros), pelo que não está ao alcance do consumidor comum ter acesso a este vinho.
O Barca Velha estagia normalmente durante quase 10 anos em garrafa, e só ao fim desse tempo os enólogos da Casa Ferreirinha decidem se o vinho vai ser colocado à venda como Barca Velha. Quando não é considerado como de qualidade excepcional de modo a justificar esse rótulo, é-lhe colocado outro rótulo e vendido como Reserva Especial Ferreirinha, que recentemente passou a chamar-se Colheita em vez de Reserva. Daqui resulta que por vezes acontece que o vinho acaba por evoluir na garrafa de tal modo que justificava ser um Barca Velha e é vendido como Reserva/Colheita. Segundo João Paulo Martins, isso já aconteceu e os enólogos da casa equivocaram-se nalgumas avaliações, vendendo verdadeiros Barca Velha com outro rótulo. Pelo que quem puder ter acesso a um Reserva ou Colheita pode aproveitar para tentar comprar um Barca Velha em segunda versão. Curiosamente, foi há dias anunciado que vai sair o novo Barca Velha, acerca do qual se pode ler um artigo no Diário de Notícias.
Em termos de hierarquia, segue-se um vinho que as Krónikas Tugas descobriram há cerca de 2 anos no “Encontro com o vinho e sabores”, o Quinta da Leda, e outro que provámos quase por acaso numa feira de vinhos da Makro em 2004, o Callabriga. São dois vinhos excepcionais dos quais, a seu tempo, quando voltarmos a bebê-los (neste momento algumas garrafas repousam tranquilamente nas nossas garrafeiras), vos daremos conta.
Descendo mais um pouco na escala, encontramos dois vinhos mais populares, já na gama de preços mais acessíveis. O Vinha Grande, na gama média-alta, e o Esteva, na gama média-baixa, abaixo dos 5 euros.
Um destes dias as Krónikas Vinícolas reuniram e abriram uma garrafa de Vinha Grande de 2001, adquirido por 5,95 € numa promoção da Revista de Vinhos em Fevereiro de 2005. Prudentemente decantou-se o líquido para o arejar e evitar algum depósito que existisse no fundo da garrafa, e em boa hora o fizemos porque de facto havia depósito.
Este vinho é feito com aquilo que habitualmente se chamam as castas tradicionais do Douro, mas desta vez mencionadas no contra-rótulo: a omnipresente Touriga Nacional, a Touriga Franca, a Tinta Barroca e a Tinta Roriz (chamada Aragonês no Alentejo). As uvas são obtidas em várias quintas da empresa, situadas em diversos locais do Douro, na região do Cima-Corgo, perto do Pinhão, e mais acima, no Douro Superior, entre as quais a já famosa Quinta da Leda, junto a Barca d’Alva.
Depois de algumas decepções que de vez em quando vou tendo com vinhos do Douro, apeteceu-me dizer: “este sim”. Uma bela cor rubi brilhante, que encantou desde logo a vista dos provadores, um aroma intenso e frutado, na boca um corpo bem estruturado e equilibrado, sem se notar em demasia os 13,5% de álcool, formando um conjunto de grande elegância. Por isso aconselha-se para acompanhar pratos delicados de carne, não excessivamente pesados nem condimentados.
Não se tratando de um vinho excepcional, é uma marca a ter em conta, que seguramente não deixará ninguém ficar mal. Por esse motivo, a partir deste momento passa a fazer parte das nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha Grande 2001 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 8,98 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 11 de março de 2006

Na minha garrafeira 27 - Herdade do Peso, Alfrocheiro 2000

Há oportunidades que não se podem perder. E quando elas surgem por acaso, ainda menos. Foi o que aconteceu esta 6ª feira. Num hipermercado Jumbo deparámos com o Herdade do Peso, da casta Alfrocheiro, produção da Sogrape no Alentejo, a um preço imbatível: 7,99 €.
Para quem leu a apreciação que fizemos a este vinho e ao seu irmão da casta Aragonês, recordamos que o pontuámos com a nota máxima: 10! Achámo-lo sublime e desde logo o colocámos entre os nossos eleitos. O preço? 13,89 €. Ora se ele hoje se estava a rir para nós a 7,99 €, o que é que se havia de fazer a não ser comprá-lo? Ainda por cima só havia 5 garrafas no expositor, pois calcula-se que a este preço devem voar. Foi o que fizemos sem mais delongas. As Krónikas Vinícolas apossaram-se dos 5 exemplares que restavam, não vá ser o fim do stock, e assim cada duas ficaram pelo preço da que tínhamos comprado anteriormente.
Por isso, aconselha-se a quem visitar um supermercado Jumbo ou Pão de Açúcar nos próximos dias a procurar este vinho por lá e, se tiver a sorte de encontrá-lo a este preço, não hesite: leve umas duas garrafinhas para casa e trate-as com todo o carinho até as beber. Por este preço, não creio que consiga encontrar melhor.

Kroniketas, enófilo esclarecido

domingo, 19 de fevereiro de 2006

No meu copo 20 - Quatro Regiões 1997

O tempo é lixado! Coisas que pareciam perfeitas há algum tempo manifestam agora debilidades nunca achadas. Vem isto a propósito da contra-prova que este sábado fizemos ao Quatro Regiões, vinho de mesa da Sogrape devido à sua peculiar forma de produção.
Este vinho é constituído por 4 lotes de uvas vinificadas em separado, provenientes de quatro emblemáticas regiões vinícolas do país: do Douro, a casta Touriga Francesa; do Dão, a casta Touriga Nacional; da Bairrada, a casta Baga; e do Alentejo, a casta Trincadeira. Depois de fermentados a temperatura controlada e sujeitos a maceração prolongada, os mostos estagiaram 8 meses em barricas de carvalho. Após o estágio, os quatro vinhos foram loteados para formarem este Quatro Regiões, vinho de mesa apenas, porque a lei portuguesa não prevê estes casos de vinhos de qualidade “trans-fronteiriços”, aproveitando o melhor de cada região.
Da colheita de 1997, este era um vinho de 9 quando o provámos pela primeira vez, há cerca de três anos. Mas como disse, o tempo não perdoa: há algumas semanas tínhamo-lo provado e decidimos não atribuir nota sem uma contra-prova, que fizemos este sábado, suportada por um singelo entrecote com alho.
O vinho, embora continue com um nível excelente como se depreende pela nota atribuída, já não é o vinho de topo que foi. Perdeu uma boa parte dos aromas e o sabor simplificou-se, detectando-se por vezes um certo fundo de decadência que pode indiciar o declínio total dentro de pouco tempo.
Portanto, em conclusão, se possui garrafas destas na sua garrafeira, beba-as agora todas, porque o vinho ainda é um bom vinho. E não há necessidade de o deixar estragar.

tuguinho, enófilo esforçado

Vinho: Quatro Regiões, 1997 (T)
Região: Vinho de Mesa
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 12,5%

Castas: Baga, Touriga Nacional, Touriga Francesa, Trincadeira
Preço em hipermercado: 12,77 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

No meu copo 16 - Herdade do Peso, Alfrocheiro e Aragonês 2000

Voltamos ao Baixo Alentejo e paramos na Vidigueira para voltar a visitar a Sogrape, a maior empresa produtora de vinhos em Portugal e uma referência permanente deste blog.
Da Herdade do Peso sai o Sogrape Alentejo Reserva, de que já demos conta noutro post. Mais recentemente começaram a sair também vinhos com o próprio nome da herdade. Aqueles de que agora vos damos conta são os monocasta Alfrocheiro e Aragonês de 2000.
Começamos pelo Alfrocheiro, uma casta com pouca divulgação quando comparada com o Aragonês e a Trincadeira. A primeira prova deste vinho deixou-nos... esmagados! Um aroma extraordinário, um corpo que se mastiga, uma estrutura, um paladar e um fim de boca que nunca mais tem fim... É difícil encontrar palavras para descrever as sensações que este vinho nos provocou... E só bebemos uma garrafa! Fiquei na expectativa sobre o que seria este vinho se decantado com tempo suficiente para libertar todos os aromas que lá estão guardados! Um espanto, merecedor de nota máxima! A Sogrape ao seu melhor nível, como estamos sempre à espera (aqui para nós que ninguém nos ouve, acho que a Sogrape nos devia dar uma comissão pela publicidade que lhe fazemos...).
Claro que entrou directamente para a nossa lista de sugestões, na secção dos sublimes, porque o é de facto. Apesar do preço elevado, é daqueles vinhos que merece uma pequena extravagância e comprá-lo tapando a etiqueta com o preço.
Naturalmente que, ao pé dum vinho de excepção, o Aragonês fica prejudicado. Comparado com um vinho que nos encantou, este parece vulgar. Sendo um bom vinho (até porque a Sogrape, como sabemos, só sabe fazer vinhos bons), não tem a exuberância aromática e de corpo do seu irmão Alfrocheiro, daqueles grandes, grandes vinhos que se revelam ao primeiro trago na boca. Este Aragonês tem tudo no sítio certo, mas já não é sublime, e deste modo é difícil considerá-lo merecedor do gasto de mais de 13 €. É um vinho bem feito e correcto mas que, ao mesmo preço do Alfrocheiro, se torna caro para o que nos proporciona.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape

Vinho: Herdade do Peso, Alfrocheiro 2000 (T)
Grau alcoólico: 14%

Castas: Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 13,89 €
Nota (0 a 10): 10

Vinho: Herdade do Peso, Aragonês 2000 (T)
Grau alcoólico: 14%

Castas: Aragonês
Preço em feira de vinhos: 13,95 €
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

No meu copo, na minha mesa: Quinta da Terrugem 97; Herdade Grande 02; Aragonês Esporão 02; Sogrape Alentejo Reserva 00; Murganheira Bruto Reserva 02




Fomos atraídos por duas lebres, quais cães de caça em serviço. A diferença foi que neste caso as lebres já tinham entregue a alma ao criador e esperavam por nós dentro da panela, na casa do anfitrião, o famigerado Kroniketas.
Isto que vos vou contar foi no passado sábado, ao jantar, e tratou-se de uma reunião plenária do Grupo Gastrónomo-Etilista “Os Comensais Dionisíacos”, acrescentados das consortes e respectiva filiação. Ao todo onze crescidos, que são os que nos interessam para o caso, porque as criancinhas não degustaram os vinhos que acompanharam as lebres ao seu local de descanso final, os estômagos dos convivas.
Os lagomorfos (a terminação “morfos” não tem nada a ver com comida) estavam devidamente separados em pedaços em jeito de ensopado, com batata cozida e molho espesso, de que não guardo o segredo – só comi, não cozinhei! Também compareceram, para abrilhantar a festa, três perdizes perdidas escondidas no meio de lombarda e assaz (não assadas) apetitosas.
Os vinhos provieram dessa afamada adega que é a vasta garrafeira do Kroniketas (se bem que a do tuguinho não lhe fique atrás), reforçada com umas ofertas de peso.
Depois das cervejolas da praxe e das entradas, iniciou-se o repasto propriamente dito com um Quatro Regiões 97 da Sogrape. A apreciação do néctar foi díspar, e portanto resolvemos não atribuir nota. Iremos abrir outra botelha proximamente e então diremos de nossa justiça. Os pormenores sobre este vinho peculiar serão escalpelizados nessa próxima nota de prova.
Continuámos com um Quinta da Terrugem 97 das Caves Aliança, que se mostrou um tanto delgado para o que se esperava dele. Boa cor, aroma razoável. Talvez seja já da idade, demasiado avançada para um vinho alentejano.
A saga prolongou-se num Herdade Grande 2002, um Vidigueira produzido por António Manuel Lança, que nos surpreendeu pela positiva: excelente corpo, bom aroma e uma estrutura sólida com um fim de boca razoável provaram-nos mais uma vez que não é apenas o preço que distingue os vinhos.
Antes que nos chamem bêbedos, lembrem-se que eram onze pessoas, das quais sete beberam vinho tinto. É incrível como uma garrafa se esvazia depressa nestas circunstâncias!
O percurso etílico atravessou um Aragonês 2002 do Esporão, que cumpriu, como aliás é hábito. Um ligeiro aroma a mofo desvaneceu-se rapidamente no copo e deixou apreciar na sua plenitude este monocasta que é um valor seguro, com bom aroma característico da variedade, com evolução, e uma cor espessa que teve tradução na boa estrutura e nos taninos.
Finalmente, fizemos uma paragem numa garrafa de Sogrape Alentejo Reserva 2000. E em boa hora o deixámos para o fim! Ao contrário do esperado, suplantou o Aragonês do Esporão e guindou-se ao posto de melhor vinho da noite. Uma estrutura espantosa para um Alentejo com cinco anos, uma cor retinta, aromas secundários e terciários para dar e vender. Acima das expectativas portanto, se bem que as iniciais já fossem boas.
Houve também um D.O.A. (Death On Arrival), um Vale Barqueiros de 1998 que, pelo odor e pela cor quase de tijolo, serviria apenas para temperar qualquer coisa, não para beber.
Para aquela zona dos brindes e da sobremesa, começámos com um espumante Murganheira Bruto Reserva 2002, de bolha fina e sabor elegante, que não causou estragos nos estômagos já quase repletos.
A sobremesa propriamente dita constou de bolo rançoso e de charlote de chocolate – tudo coisas sem calorias e que não engordam de forma nenhuma. Para as acompanhar, além do dito espumante, um Porto Vintage 2001 da Real Companhia Velha – um vintage moderno, sem arestas, de cor carmim carregado e ainda com laivos de doce, que se portou muito bem –, e um whisky de malte Famous Grouse Single Malt de 12 anos, para os comensais que apreciam. Ainda vi por lá passar uma garrafa de aguardente bagaceira do I.V.V., com cerca de 13 anos de idade e bastante para contar sobre os cascos que a tornaram amarela.
E pronto. Depois de muita conversa animada que prolongou o plenário quase até às duas, cada um foi para sua casa com a sensação do dever cumprido.
Sim, porque nós somos uns escravos do dever!

tuguinho, enófilo sóbrio e escravo do dever
Kroniketas, anfitrião famigerado

Nota: Para ver as imagens das garrafas mais nítidas clique na foto

Vinho: Quinta da Terrugem 97 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Caves Aliança
Preço em feira de vinhos: 17,5 €
Nota (0 a 10): 6,5


Vinho: Herdade Grande 2002 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: António Manuel Lança
Preço em feira de vinhos: 9,79 € (preço da colheita de 2000)
Nota (0 a 10): 7,5


Vinho: Aragonês (Esporão) 2002 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Preço em feira de vinhos: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8


Vinho: Sogrape Alentejo Reserva 2000 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape
Preço em feira de vinhos: 9,89 €
Nota (0 a 10): 8,5


Vinho: Murganheira Espumante Bruto Reserva 2002 (T)
Região: Távora-Varosa
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa
Preço em feira de vinhos: 8,75 €
Nota (0 a 10): 7


Vinho: Porto Vintage Real Companhia Velha 2001 (T)
Região: Douro/Porto
Produtor: Real Companhia Velha
Preço em feira de vinhos: 17,5 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 20 de dezembro de 2005

No meu copo 1 - Quinta dos Carvalhais, Touriga Nacional - 2000

No passado sábado eu e o Kroniketas decidimos pastar uma late ceia após o jogo do Glorioso. Amancebaram-se umas costeletas de novilho com umas batatas fritas e um arroz branco e escolheu-se para molha-goelas um Dão, comprado há cerca de dois anos no Pingo doce pelo método "thifty-thifty" (porque não é um vinho barato - custou 19,85€ na Feira de Vinhos de 2003).
E o que sói dizer-se sobre este líquido etílico? Numa palavra: esperávamos mais (esta da palavra única era chalaça, não sei se entenderam).
De perfil clássico, embora um tanto ou quanto diferente por ser um monocasta, o corpo era apenas mediano e o fim de boca demasiado curto para o que se esperaria de um vinho deste pretenso calibre. Boa cor, bons aromas, sem espantarem - também aqui acreditávamos num aroma mais complexo e exuberante.
Outro percalço surgiu com a rolha, que se desfez mostrando a má qualidade da cortiça usada - para nosso espanto - e obrigou a filtrar o vinho para poder ser bebido.
Concluindo, a Sogrape não nos habituou a isto, tanto no que toca à rolha como na qualidade do vinho. Não estou com isto a dizer que o vinho era mau, muito longe disso! Mas, definitivamente, esperávamos mais...

tuguinho, enófilo esforçado

Vinho: Quinta dos Carvalhais, Touriga Nacional 2000 (T)
Região: Dão

Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 12,5%

Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 19,85 €
Nota (0 a 10): 6,5