
As coisas por aqui têm estado tendencialmente paradas. No passado dia 11 de Dezembro fizemos 5 anos de existência neste blog e 7 no seu irmão mais velho, o Krónikas Tugas, sem que, contrariamente a todos os outros anos, a efeméride tivesse sido assinalada. Outros interesses, outras solicitações, mudanças na rotina, o entusiasmo e o apelo para a escrita que já não são os mesmos do início, são tudo factores que têm contribuído para o decréscimo de publicações nestes blogues. É a vida. Mas a intenção, muitas vezes, ainda existe. A vontade é que nem tanto.
Desta vez, contudo, não quisemos deixar de partilhar com quem ainda nos vai visitando uma experiência que tivemos recentemente com um vinho de eleição e um dos nossos preferidos desde há alguns anos: o Quinta da Leda 2007, o terceiro vinho no topo da hierarquia dos vinhos da Casa Ferreirinha, a seguir ao Barca Velha e ao Reserva Especial.
A última vez que aqui escrevemos sobre este vinho, relativamente à colheita de 2001, as nossas expectativas saíram um pouco defraudadas. Daí para cá tivemos oportunidade de conhecer outras colheitas deste vinho e do Callabriga (que está no patamar imediatamente abaixo), sobre as quais nada escrevemos. Esta, contudo, é incontornável.
Aproveitando uma promoção da Garrafeira Nacional, que baixou o preço em 5 euros em relação ao actual, adquirimos duas garrafas a partilhar por cinco comparsas, e um destes fins-de-semana bebemo-las com umas costeletas de novilho.
Começámos por provar um branco que o Politikos adquiriu no Egipto, cujo rótulo é indecifrável. Não fazemos, por isso, a menor ideia das castas que o compõem, mas não foi mau. Alguma mineralidade, frescura e acidez quanto baste, não brilhou mas não desagradou de todo.
Enquanto petiscávamos uns acepipes como entrada bebericando o branco, tratámos do Quinta da Leda de duas formas diferentes: decantámos uma garrafa e deixámos a outra apenas aberta para comparar os dois. Quando passámos às costeletas atacámos então a primeira garrafa, a que estava decantada.
O resultado foi encantador; sentimo-nos esmagados por este vinho. Primeiro que tudo, a extrema elegância e um aroma profundo, com um ligeiro toque a caramelo e fruta adocicada. No prolongamento da prova de boca aparece a madeira muito ligeira e discreta, taninos de seda a envolverem um conjunto de grande harmonia. Finalmente surge a estrutura e persistência a dar um final longo e firme. No confronto com as costeletas de novilho mal passadas, a elegância marcou pontos com o suculento da carne enquanto a estrutura aguentou o tempero com um molho algo condimentado. Apesar de ainda jovem mostrou-se um vinho maduro e plenamente capaz para ser bebido. Poderia degustar-se por várias horas. Um dos comparsas chamou-lhe um Rolls Royce.
Ao passar à segunda garrafa, percebeu-se como foi avisado decantar a primeira. Esta estava com os aromas muito mais fechados que a primeira, sem a mesma exuberância. À medida que se foi esvaziando e arejando foi-se aproximando da anterior, sem nunca atingir o mesmo esplendor. A conclusão é que para usufruir deste vinho em toda a sua plenitude convém dar-lhe tempo para se libertar.
Finalmente, abrimos um Herdade das Servas 2008 que o mais recente comparsa quis partilhar com os restantes comensais. Depois dum Rolls Royce era difícil brilhar, mas ainda deu para perceber uma boa estrutura e um vinho potente e poderoso, capaz de se bater com pratos fortes. Um vinho a rever a solo e uma aposta interessante por um preço aceitável.
Kroniketas, enófilo preguiçoso
Vinho: Quinta da Leda 2007 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço: 24,90 €
Nota (0 a 10): 9,5
Vinho: Herdade das Servas 2008 (T)
Região: Alentejo (Borba - Estremoz)
Produtor: Herdade das Servas
Grau alcoólico: 15%
Castas: Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Aragonês, Syrah
Preço: cerca de 8 €
Nota (0 a 10): 8
quinta-feira, 10 de março de 2011
No meu copo 277 - Quinta da Leda 2007; Herdade das Servas 2008
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quinta-feira, 4 de março de 2010
No meu copo 270 - Vinha da Nora, Syrah 2005
Nem de propósito: o último programa da Hora de Baco, transmitido no passado fim-de-semana (e a nossa querida RTP continua na prática ancestral de mudar constantemente o horário dos programas sem aviso prévio), esteve à conversa com José Bento dos Santos na Quinta do Monte d’Oiro, onde o produtor falou dos seus vinhos, da nova imagem dos rótulos do vinho, sobre as tendências actuais da culinária e do vinho e deu mais uma magistral lição de ligações entre o vinho e a comida.
Por coincidência, há poucos dias eu tinha provado a última colheita do Vinha da Nora, talvez o vinho emblemático da casa. Nas anteriores colheitas já era feito exclusivamente com Syrah mas só agora a casta teve direito a menção específica no rótulo.
Tal como das vezes anteriores, ficou-me a sensação (e ocorreu-me novamente a mesma expressão) de estar perante um vinho aristocrático. É duma suavidade extrema, elegante sem deixar de ser bem estruturado e persistente, com notas de fruta madura e compotas, adequado para pratos requintados.
A primeira vez que ouvi falar do Vinha da Nora foi há bastantes anos num debate na RTP, em que foi referido que era o vinho recomendado num dos melhores restaurantes de Paris. Provando-o percebe-se porquê. E o preço é bastante convidativo, pelo que é um vinho sempre a revisitar.
Curiosamente, no portefólio de vinhos apresentado este não foi referido. Será para desaparecer? Esperemos que não.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Vinha da Nora, Syrah 2005 (T)
Região: Estremadura (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 14%
Casta: Syrah
Preço em feira de vinhos: 9,24 €
Nota (0 a 10): 8,5
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
No meu copo 261 - .Beb Premium 07, Herdade do Paço do Conde Reserva 05; São Rosas (Estremoz)


Como se comprovou, a escolha não poderia ter sido melhor. O São Rosas voltou a mostrar o nível de excelência que eu lhe tinha descortinado na anterior visita. Serviço impecável, rápido, eficiente, atencioso, sem falhas. Dois ou três funcionários revezando-se para o serviço de mesa e um especificamente para o serviço de vinhos, que não se coíbe de aconselhar, sugerir e trocar impressões com os clientes. E, desta vez, até fomos recebidos pela própria Margarida Cabaço, proprietária e criadora daquele espaço.
A primeira dificuldade prendeu-se com a escolha do almoço, dada a variedade de opções. Resolvemos fazer uma partilha de pratos, começando por uma tarte de perdiz, a que seguiram umas migas com entrecosto e, já com o estômago quase cheio, umas burras estufadas. Difícil dizer qual estava melhor, tão boa era a confecção de todos. O erro aqui foi ter pedido três pratos e não apenas dois, pois com a «vaquinha» efectuada acabámos por ficar mais fartos devido à mistura de pratos e à espera entre eles.
Para o final, já bem saciados, apenas se pediu uma encharcada para sobremesa que foi dividida entre dois dos comensais.
Quanto aos líquidos, tendo eu provado na anterior visita um vinho de Tiago Cabaço, filho da proprietária do restaurante, de nome .Com, deparámos agora com um outro na prateleira chamado .Beb 2007, um patamar acima. Não deslustrou. É um vinho jovem, com um aroma predominantemente frutado, corpo médio e um final algo discreto. Tem uma designação original, aliás como os irmãos .Com e Blog, o último dos quais parece ser o topo de gama da marca. Rótulo e contra-rótulo apresentam um design clean. Tudo ali anda, pois, de mão dada, o carácter do vinho e a roupa exterior da garrafa. Um vinho que, não sendo brilhante, é honesto e não defrauda. Terminada a primeira garrafa, a dificuldade de escolha da segunda. Encontrámos na carta uma das nossas paixões, um Sogrape Reserva, escolha desde logo secundada por outro dos convivas, mas infelizmente o escanção não encontrou as garrafas, pelo que acabámos por experimentar, por sugestão do mesmo, um Herdade do Paço do Conde Reserva 2005. Um vinho produzido próximo de Beja, na zona de Baleizão (a terra onde Catarina Eufémia foi morta por um tenente da GNR em 1954). Este mostrou-se mais complexo do que o anterior, com aromas mais profundos, um outro corpo e outra persistência na boca.
No final, saímos plenamente satisfeitos com o magnífico repasto que nos foi proporcionado, por um preço que, não sendo barato, não escandaliza e faz pleno jus à qualidade da casa. Não correrei o risco de errar de forma escandalosa se disser que este deve ser um dos melhores restaurantes do país.
Saídos do restaurante, depois de desfrutarmos um pouco da amenidade da tarde e da paisagem que se avista do castelo de Estremoz, rumámos finalmente ao Monte Seis Reis para a aguardada visita às instalações seguida da prova de vinhos. Mas aí a história já foi outra.
Kroniketas, com Politikos, gastrónomos de barriga cheia
Vinho: .beb Premium 2007 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Tiago Cabaço
Grau alcoólico: 14%
Castas: Cabernet Sauvignon, Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 7,45 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Herdade Paço do Conde Reserva 2005 (T)
Região: Alentejo (Beja)
Produtor: Sociedade Agrícola Encosta do Guadiana
Grau alcoólico: 14%
Castas: Syrah, Touriga Nacional, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 17 €
Nota (0 a 10): 7,5
Restaurante: São Rosas
Nota (0 a 5): 5
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
No meu copo 256 - Quatro Castas Reserva 2005
Ainda com as colheitas de 2002 e 2003 em casa, uma passagem pela Makro fez-nos deparar com a colheita de 2005 já à venda, que aproveitámos para comprar e beber de imediato ao jantar. Mais uma vez este tinto do Esporão, feito com as melhores quatro castas de cada ano (daí o nome) e que temos seguido desde o seu lançamento, encheu-nos as medidas, guindando-se a um patamar que rivaliza com o ícone da casa, o Esporão Reserva.
Não tendo decantado previamente a garrafa, o vinho começou por se apresentar um pouco fechado e com os aromas escondidos. Parecia algo curto e delgado na boca. Mas logo o tempo se encarregou de corrigir a situação. Meia hora e meia garrafa depois, aí estava ele em todo o seu esplendor, a mostrar toda a sua estrutura e robustez e a soltar toda uma panóplia de aromas. Mantém o perfil a que nos habituou, com um corpo e uma exuberância aromática notáveis, taninos bem firmes mas elegantes, madeira muito equilibrada e o álcool muito bem disfarçado e integrado no conjunto.
Correndo o risco de repetir o que já disse acerca deste vinho em posts anteriores, continuo a considerar que se bate de igual para igual com a marca que ostenta o nome da casa e por vezes o supera. São vinhos de perfis diferentes mas ambos excelentes. As recentes provas de ambos levam-nos a considerar para uma ocasião propícia uma prova comparada dos dois. Estou certo de que vai valer a pena.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quatro Castas Reserva 2005 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Syrah (em partes iguais)
Preço em feira de vinhos: 12,26 €
Nota (0 a 10): 9
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quarta-feira, 13 de maio de 2009
Perdizes por um, perdizes por mil
No meu copo 238 - Hexagon 2000; Cartuxa 2006; Porto Taylor’s Vargellas Vintage 2005

Os Comensais Dionisíacos, braço político gastro-etilista que integra os escribas das KV, além dos repastos “oficiais” entre membros celebra também refeições não menos bem regadas, mas mais alargadas em termos de mastigantes, sendo estes supranumerários geralmente os familiares mais próximos.
Sendo caçador um dos associados, é normal que por vezes nestas refeições intervenham como mastigados espécimes das nobres raças abatidas pelo dito cujo ou pelo grupo de caçadores a que se junta na função, geralmente perdizes, lebres ou javalis. Fomos portanto reunidos em casa do Kroniketas (que não é o membro caçador – é mais deglutidor) para degustar um grupo de perdizes incautas, cozinhadas pela consorte do caçador de formas simples mas saborosas: umas com um molho à base de natas e whisky com cogumelos, outras envolvidas em couve lombarda acolitada por tirinhas de bacon.
Outro objectivo que se mantém nestes repastos alargados é acompanhá-los de bons néctares – também conhecido no meio como “desbaste da garrafeira”! Para este em particular escolheram-se, além de alguns brancos sortidos e fresquinhos – provenientes da sempre bem recheada garrafeira do anfitrião (Alvor 2007, Quinta de Camarate branco seco 2007, Murganheira 2007) – para acompanharem as entradas, um Esporão Reserva de 2006, um Hexagon de 2000 em formato magnum (o tal vinho das 6 castas e 6 gerações) e um Cartuxa de 2006 que apareceu à última hora pela mão de um dos convivas. Para as sobremesas abriu-se um Porto Taylor’s Vargellas Vintage de 2005.
Coleccionando as reacções dos presentes, poderá dizer-se que o Esporão Reserva, após a recente experiência, re-deslumbrou, depois de uma travessia do deserto em algumas colheitas anteriores, com o Alicante Bouschet a dar-lhe um toque muito especial. Definitivamente um regressado aos mais altos lugares da nossa consideração vínica. O Hexagon, completamente diferente do anterior, mostrou-se um vinho de alto gabarito, com um perfil austero, ainda mais depois da festa que o Esporão tinha provocado no nariz e na boca dos beberrões, mas com uma estrutura extraordinária e a deixar-nos desconfiados de que ainda havia por ali muita coisa escondida. Comprem e bebam, porque é assim que um vinho excelente deve ser (uma das maneiras de o ser, como é óbvio). (Mete aqui a colherada o Kroniketas para ser mais generoso mas sucinto nos encómios. Só uma palavra: extraordinário!).
Ficou o Cartuxa para o final – uma ou outra ordem teria sempre justificação ou recusa – e não se deixou diminuir perante os outros dois. Sendo mais novo que o Hexagon e da mesma colheita que o Esporão, justificou-se plenamente a vivacidade exuberante, mostrando-se mais corpulento, mais fechado e mais robusto que o seu compadre alentejano, disse bem alto que estava ali para lutar: um vinho excelente que seria o centro das atenções se estivesse só. Teve um pouco de azar com os competidores.
Enfim, para não vos causar mais inveja, direi que, embora pessoalmente prefira os Vintage com um perfil como o utilizado pela Ramos Pinto, o Porto Vintage Vargellas cumpriu em pleno. Um festival de aromas a frutos vermelhos, de grande exuberância na boca e no nariz, pleno de vigor e juventude, a mostrar que está ali pronto para altos voos e longa vida na garrafa. O nosso único problema é comprá-lo e esperar uns 10 ou 20 anos até voltar a prová-lo. A verdade é que nem os morangos, nem a mousse de chocolate ou o bolo rançoso se queixaram.
Em resumo, um repasto que se pautou pela delícia gastronómica e pela excelência vínica. Para recordar.
tuguinho, enófilo impenitente e bloguista intermitente
Vinho: Hexagon 2000 (T) (garrafa magnum)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Syrah e Tannat
Preço em supermercado: 53,89 €
Nota (0 a 10): 9,5
Vinho: Cartuxa 2006 (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alfrocheiro, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 13,95 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Porto Taylor’s Vargellas Vintage 2005
Região: Douro/Porto
Produtor: Taylor’s
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: 33,48 €
Nota (0 a 10): 9
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009
No meu copo 231 - Quatro Castas Reserva 2001
Perdoem-me a insistência, mas beber este vinho é um prazer sempre renovado. Tinha provado a última da mesma colheita há cerca de um ano e agora parece que melhorou. Curiosamente, no blog Os Vinhos existe uma prova da colheita de 2002, onde o Pedro Rafael Barata refere que já passou o seu auge e o final é mediano.
Pois este de 2001, passado um ano, ainda está melhor. Mediano é que o final não é e pelo contrário talvez esteja, agora sim, no auge. O tempo em garrafa só lhe tem feito bem. Um corpo que nunca mais acaba, uma profundidade aromática espantosa, com aromas ainda exuberantes a fruta e algum toque a tostados e especiarias, com boa integração com a madeira e os taninos polidos mas ainda sólidos a darem grande firmeza a um conjunto homogéneo e equilibrado. E nem os 15 graus de álcool destoam do conjunto, tão bem disfarçados estão.
Definitivamente, um vinho que faz sempre os meus encantos por um preço que fica bem abaixo do que se poderia esperar. Para mim é incontornável e, repito o que disse há um ano, o melhor vinho do Esporão daqueles que já provei (continua a faltar o Private Selection e o caríssimo Torre do Esporão...).
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quatro Castas Reserva 2001 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 15%
Castas (não mencionadas no contra-rótulo) - as quatro melhores do ano em partes iguais entre estas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah, Bastardo, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 10,79 €
Nota (0 a 10): 9
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Na minha mesa, no meu copo 227 - Fialho (Évora); Chaminé 2007


Na mesma volta do Chico, a passagem por Évora deu-me a oportunidade de voltar ao Fialho, onde tinha estado apenas uma vez em 1997. Em todo este tempo tive oportunidade de ouvir muitas opiniões díspares acerca do Fialho. Que já não é o que era, que há restaurantes melhores em Évora, que é muito caro, que há outros onde se come melhor, que as pessoas que conhecem bem os restaurantes vão a outros... Ouvi falar no Luar de Janeiro, na Cozinha de Santo Humberto, etc.Entretanto muita coisa aconteceu. Os guias de restaurantes, os críticos como José Quitério, a Internet, os sites dedicados à gastronomia. No site do Expresso surgiu a secção “Boa cama, boa mesa” e os comentários dos leitores. Antes de preparar este passeio andei a ler o que encontrei sobre estes restaurantes que referi e mais alguns para estabelecer comparações. Mesmo assim mantive a intenção de voltar ao Fialho e marquei mesa para o almoço com dois dias de antecedência. Em boa hora o fiz!
Depois de regressar de lá, voltei a ir ao site do Expresso ler outra vez os comentários acerca do Fialho, e fiquei sem perceber o que é que o pessoal quer. Ao almoço, com a família, tivemos uma refeição simplesmente fabulosa! Perdiz à Fialho, estufada com cogumelos, divinal! Medalhões de porco preto com migas de espargos, saborosíssimos. Bochechas de porco preto em vinho tinto, tenríssimas e deliciosas. Serviço rápido, simpático, atencioso, eficiente, e isto com a casa cheia, sempre com clientes a chegar. Pede-se alguma coisa e demora 2 minutos no máximo. As doses são bem servidas, o suficiente para se ficar plenamente satisfeito. Querem mais o quê? Que nos calcem umas pantufas, nos limpem a boca e nos levem à casa de banho?
Numa volta nocturna pela cidade estive a espreitar outras ementas em Évora, nomeadamente a da Cozinha de Santo Humberto, ali mesmo junto à Praça do Giraldo, e ficam a léguas da do Fialho.
No final paga-se bem? Claro que sim: paga-se pela qualidade que se obtém, mas paga-se por uma refeição magnífica. Agora pergunto eu: há melhor em Évora? Em que aspecto? Servem doses maiores, daquelas tipo farta-brutos? Há mais baratos? Acredito que sim. Mas melhores que este? Em termos de serviço e qualidade da confecção? Mostrem-me onde é que eu vou lá.
O que é ridículo é criticar um restaurante destes por causa do... cherne! Um dos comentários depreciativos que li dizia que o cherne é congelado e que nem nos passa pela cabeça o que se acontece naquela cozinha. Engraçado. Vai-se a um dos locais emblemáticos da cozinha alentejana pedir cherne e depois queixa-se porque o peixe é congelado! Se querem comer peixe talvez fosse melhor ideia pedir uma sopa de cação, esse sim, um dos pratos representativos do Alentejo. Se querem cherne vão a um restaurante ao pé do mar. É como ir a uma marisqueira e depois dizer mal do cozido à portuguesa... Tenham juízo!
Resta falar das sobremesas e do vinho. Mandámos vir uns ovos-moles ferrados, um leite-creme e um pudim de requeijão, e os estômagos já não davam para mais, até porque também aqui tínhamos umas empadinhas de galinha à nossa espera para entrada. Todos estavam muito saborosos, com a particularidade de os ovos-moles serem servidos à moda do leite-creme, queimados com o ferro (daí o ferrados). Original, sem dúvida.
Para o vinho tive novamente que me refugiar em meia-garrafa e a escolha desta vez recaiu num Chaminé, das Cortes de Cima. Não sendo nada de extraordinário, desempenha-se bem da sua missão. Bom corpo e estrutura mediana, persistente quanto baste, aroma muito jovem e com predominância frutada, um daqueles vinhos que podem servir como aposta para o dia-a-dia.
Em resumo, este Fialho é seguramente um dos melhores restaurantes do país, digam o que disserem. Nos últimos três anos (desde a existência deste blog) tive oportunidade de visitar alguns restaurantes de altíssimo nível, nomeadamente enquanto estive em Portalegre (lembro-me do Cobre, da Gruta, do Rolo Grill, do Sever, do Tomba Lobos, do São Rosas e da Cadeia Quinhentista, além da Petisqueira do Gould, dos Arcos, da Cozinha Velha, do Vallecula, do Cortiço, da Falésia, da Cantina) e depois de estar no Fialho quase me apetece dizer que ainda está num patamar acima dos outros todos. Como sabem usamos uma escala de 0 a 5 para pontuar os restaurantes, mas a este apetece-me dar... 7!
Para terminar, volto ao Expresso e a uma crónica de José Quitério na edição de 22 de Novembro de 2008 para deixar a palavra ao especialista. Eis alguns excertos:
“Fialho, sempre!” (título do artigo)
“Cozinha regional portuguesa no seu melhor”
“Na cozinha dos irmãos Fialho, já septuagenários, honram-se os produtos alentejanos” (subtítulos)
“Serviço profissional e gentil”
“Tenho a impressão que esta casa não é tão falada e valorizada quanto merece (eu próprio há 19 anos que não escrevia uma palavrinha). Será por ter aura de cara? Ora, adeus... Vai-se a ver e, à excepção dos praticados ao quilo, os preços dos peixes oscilam entre €13,50 e €19, e os das carnes entre €13 e €18. Será porque andam para aí uns gabirus a maldizer a cozinha regional portuguesa, que é o factor que mais nitidamente nos diferencia de outros povos e culturas? Por Zeus, o pós-modernismo e a estupidez não têm tanto poder...
Seja como for, aquilo a que a consciência obriga é a proclamar bem alto que os irmãos Amor e Gabriel Fialho, já septuagenários, continuam, sempre fiéis à grande matriz, a saber fazer do seu Fialho um magnífico restaurante alentejano, que o mesmo é dizer, português.”
Mais palavras para quê? Deixemo-nos de tretas. O Fialho é um templo da gastronomia.
Kroniketas, gastrónomo viajante
Restaurante: Fialho
Travessa dos Mascarenhas, 16
7000-557 Évora
Telef: 266.703.079
Preço por refeição: 25 a 35 €
Nota (0 a 5): 5
Vinho: Chaminé 2007 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Cortes de Cima
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Syrah, Touriga Nacional, Trincadeira, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 4,89 €
Nota (0 a 10): 6
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
No meu copo, na minha mesa 221 - Neethlingshof, Merlot 2001; Stellenzicht, Shiraz 2000; Restaurante A Carvoaria
Um regresso à Carvoaria, restaurante sul-africano de Cascais, para responder ao desafio de comer um bife tártaro: estamos a falar de carne crua picada. O prato tem de ser encomendado de véspera para que a carne seja devidamente preparada de modo a ficar comestível.Antes do início das hostilidades o dono veio trazer-nos uma pequena porção para darmos a nossa impressão acerca dos temperos. Um deles era um picante intenso, de que eu abdiquei. Mesmo assim o meu prato estava picante, embora menos que os dos outros comparsas.
Em pequenas garfadas lá se foi comendo o bife tártaro, sem fazer grande sacrifício. Como eu gosto de bifes mal passados o facto de a carne estar crua não me repugna. Valeu como experiência mas, de qualquer modo, não fiquei grande fã. Apesar de tudo prefiro algum cozinhado, mesmo que pouco.
Para acompanhar voltámos aos vinhos sul-africanos, tal como na visita anterior. Entre vários nomes totalmente desconhecidos, começámos por escolher um monocasta de Merlot. Apresentou-se com uma cor rubi aberta, macio e suave, com corpo e persistência média, medianamente frutado com nuances de cereja e alguma hortelã, grau alcoólico elevado razoavelmente disfarçado. Aconselhado para pratos não muito robustos.
Esgotada a primeira garrafa, optámos a seguir por outro varietal mas desta vez de Syrah (ou Shiraz na designação do rótulo). Fermentado em carvalho francês e americano, apresentou-se mais encorpado, com notas marcantes a especiarias e bouquet mais profundo, com boa persistência final. Muito mais adequado aos sabores do bife tártaro e capaz de se bater com o picante.
Ambos os vinhos são originários da região de Stellenbosch, situada na província de Western Cape na costa sudoeste do país e no coração da região vitivinícola que circunda a Cidade do Cabo. No caso do segundo, as vinhas estão situadas na costa oeste da montanha Helderberg, entre a cidade de Stellenbosch e o mar em False Bay, a sul de Cape Town.
Neste regresso à Carvoaria repeti as impressões colhidas anteriormente. É um restaurante que se recomenda, onde se come bem e o serviço é simpático e eficiente. Em suma, um lugar agradável de onde se sai satisfeito.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Restaurante: A Carvoaria (sul-africano)
Rua João Luís de Moura, 24
2750-387 Cascais
Telef: 21.483.04.06
Preço por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5
Vinho: Neethlingshof, Merlot 2001 (T)
Região: Stellenbosch (África do Sul)
Produtor: Neethlingshof
Grau alcoólico: 14%
Casta: Merlot
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Stellenzicht, Shiraz 2000 (T)
Região: Stellenbosch (África do Sul)
Produtor: Stellenzicht
Grau alcoólico: 14%
Casta: Shiraz
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 8
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terça-feira, 25 de novembro de 2008
No meu copo 215 - Vinha da Nora 2001
Não tenho sido um consumidor assíduo dos vinhos de José Bento dos Santos. Até agora só bebi o Vinha da Nora 2002 e o Clarete 2003. De resto, só algumas provas anuais no Encontro com o Vinho.
Este Vinha da Nora 2001 estava guardado há vários anos e receei que já estivesse em declínio ao fim de tanto tempo. Para grata surpresa apareceu bastante saudável, sem denotar quaisquer sinais de cansaço e a dar a sensação de estar no ponto ideal para ser bebido (curiosamente, espreitando o contra-rótulo este indicava que deveria atingir o auge 6 a 7 anos depois da colheita, pelo que o momento pareceu ter sido bem escolhido).
Apresentou-se com uma cor rubi ainda bastante concentrada, muito elegante e aromático mas ao mesmo tempo persistente e bem estruturado, com fruta madura bem presente, grau alcoólico elevado (superior ao de 2002) mas bem integrado numa boa acidez, a madeira muito discreta a conferir apenas maior complexidade ao conjunto e os taninos muito redondos. Depois de ter provado a colheita de 2002 e esta de 2001, quase me apetece classificá-lo como vinho “aristocrático”. Todo ele é elegância e sem dúvida recomendado para refeições requintadas e quiçá com o seu quê de exóticas. Um vinho que se destaca por estar desalinhado das modas.
Nas últimas feiras de vinhos tive oportunidade de adquirir ainda a colheita de 2002 por um bom preço (outra vez o Jumbo…) mas no Encontro com o Vinho já encontrei a colheita de 2005 que, pelo que me foi dado perceber e pela informação obtida, mudou o perfil para ser um vinho de consumo mais fácil. Não sei se terá sido uma boa ideia... Será que a moda também já chegou ali?
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Vinha da Nora 2001 (T)
Região: Estremadura (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 14%
Casta: Syrah
Preço em feira de vinhos: 9,24 €
Nota (0 a 10): 8,5
PS - uma pergunta a quem possa interessar: para quando a remodelação do site com informção actualizada? Quem lá entrar não encontra informação posterior a 2003 nem vinhos posteriores a 2000.
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008
No meu copo 197 - Quinta de D. Carlos 2004
De regresso das férias, aproveito para pôr em dia alguma escrita atrasada enquanto não saem os posts das provas de Agosto.
Este vinho da Estremadura apresentou-se com álcool em excesso e desequilibrado, ao mesmo tempo adstringente em demasia, ou seja, se há vinhos que nos agradam mais e outros menos mas raramente, hoje em dia, se encontra um vinho do qual que se possa dizer claramente “não gosto”, neste caso foi mesmo isso que aconteceu. Andei por ali às voltas com ele insistentemente e não lhe consegui encontrar nada para elogiar.
Daqui se conclui que não basta ter a matéria-prima, é preciso saber trabalhá-la. Neste caso tivemos um lote de Cabernet Sauvignon e Syrah, que teoricamente tinha tudo para dar certo, mas por alguma razão o resultado não foi famoso.
Kroniketas, enófilo regressado
Vinho: Quinta de D. Carlos 2004 (T)
Região: Estremadura (Alenquer)
Produtor: Quinta de D. Carlos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Syrah
Preço em feira de vinhos: 4,72 €
Nota (0 a 10): 3
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quinta-feira, 20 de março de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XVI)
No meu copo, na minha mesa 170 - Terrenus 2005; Lima Mayer 2005; Tomba Lobos (Pedra Basta - Portalegre)

Os últimos tempos em Portalegre foram aproveitados para voltar a lugares marcantes. Um deles foi o Tomba Lobos, um dos primeiros que visitei e também um dos últimos. Propriedade de José Júlio Vintém, que se tem afirmado no panorama gastronómico do Alentejo e já se tornou uma referência incontornável, este restaurante fica numa pequena localidade à saída de Portalegre em direcção ao Reguengo, de nome Pedra Basta, onde aliás fica localizada a Quinta do Centro, de Rui Reguinga e Richard Mayson, e que deu o nome precisamente ao vinho ali produzido.O Tomba Lobos fica numa espécie de vivenda com um pequeno jardim cá fora e um parque de estacionamento, e permite a entrada pelo balcão ou directamente para a sala de refeições. Deve o seu nome aos lobos que em tempos idos assolavam a região vindos de Espanha e dizimavam as ovelhas e os porcos, o que obrigou os homens a organizarem-se para dar caça aos lobos. E ao mais valente apelidaram-no de “tomba lobos”, alcunha que calhou a José Júlio Vintém.
Das duas vezes que lá fui estava pouca gente (o tempo frio durante a semana também não ajudava) mas a refeição justificou o regresso. Na primeira visita comi uma canja de perdiz e um arroz de lebre. Melhor a primeira que o segundo, que talvez por ter repousado no tacho enquanto ainda fervia, acabou por secar, mas estava bastante saboroso.
Para sobremesa comeu-se torrão real, um doce de amêndoa bastante consistente, e bolema de maçã com gelado de baunilha, uma combinação bastante agradável e bem conseguida.
A segunda visita foi um pouco mais elaborada (éramos três pessoas) e as escolhas também: começámos com uma excelente perdiz de escabeche, seguindo-se gamo ao alhinho, muito tenro, suculento e saboroso (difícil de parar de comer) e voltámos a terminar com o arroz de lebre, que voltou a secar depressa demais. O melhor da noite foi, indubitavelmente, o gamo ao alhinho, uma excelente revelação.
Para sobremesa tivemos uma mistura de pudim de queijo, bolo de chocolate e um fartes, também uma espécie de bolo com ovos e amêndoa.
O serviço deste restaurante é esmerado e atencioso, com o adicional de haver o aconselhamento dos clientes, tanto para os pratos como para os vinhos e as sobremesas, e nunca nos deixaram ficar mal. Mais um local a (re)visitar.
Quanto aos vinhos, foi aqui que tive o primeiro contacto (também aconselhado na casa) com o Terrenus 2005, produção individual de Rui Reguniga numa outra vinha que possui na serra de São Mamede. Nesta segunda visita voltei a ter a oportunidade única de voltar a provar este vinho. Uma boa revelação, tal como também aconteceu com o Casa de Alegrete. Um vinho bem encorpado mas também macio e muito aromático, elegante, equilibrado entre álcool, acidez e persistência. Os 13,5% certamente contribuem para esse perfil mais “soft” que a maioria dos muitos hiper-alcoólicos. Um vinho que promete altos voos.
Na segunda visita provou-se também outra garrafa, mais uma estreia com um vinho da região, o Lima Mayer 2005, das proximidades de Monforte. Este um pouco mais forte e mais dentro do muito que tenho apanhado por aí, mas sem se tornar agressivo nem cansativo. Aroma a frutos vermelhos, alguma especiaria, bastante encorpado e persistente, com os taninos bem domados e envolvidos numa acidez correcta. Pareceu-me, acima de tudo, aquilo que se poderia chamar um vinho honesto, que não pretende ser uma estrela mas que desempenha bem a sua função.
Kroniketas, enófilo itinerante
Restaurante: Tomba Lobos
Pedra Basta, Lote 16 - R/C
7300-529 Portalegre
Telef: 245.331.214
Preço médio por refeição: 30-35 €
Nota (0 a 5): 4,5
Vinho: Terrenus 2005 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Rui Reguinga
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 19,50 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Lima Mayer 2005 (T)
Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Lima Mayer
Grau alcoólico: 14%
Castas: Syrah, Aragonês, Petit Verdot, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 18,50 €
Nota (0 a 10): 7/7,5
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domingo, 17 de fevereiro de 2008
Os vinhos da festa 2007-2008 (4)
No meu copo 166 - Tintos do Alentejo

Ainda continuamos com os vinhos provados durante a quadra festiva do Natal e Ano Novo. Tintos foram vários. Começamos pelos do Alentejo.
Dona Maria 2004 - Outro vinho que é “mais do mesmo”: muita concentração, muita fruta e álcool a mais. Começam a faltar-me palavras para caracterizar este tipo de vinhos, sobre os quais também já me falta paciência para escrever. Depois da saída dos vinhos da Quinta do Carmo das mãos de Júlio Bastos e do lançamento destes vinhos Dona Maria, não sei se com este perfil os novos vinhos irão fazer concorrência aos antigos... Nota: 6
Granja-Amareleja 2004 - Aconselhado no contra-rótulo a beber acompanhando pratos de caça. No entanto revelou um perfil pouco pujante para se bater de igual para igual com este tipo de comida. Talvez precise de uma segunda apreciação, mas apresentou-se com um corpo algo delgado para as pretensões anunciadas. Não deixando de se beber com agrado, ficou um pouco aquém das expectativas, com aroma algo discreto e sem grande persistência. Nota: 7
Herdade do Peso, Alfrocheiro 2000 - Já apreciado aqui, há algum tempo. Perdeu em exuberância aromática o que ganhou em elegância, mas continua a ser um belíssimo vinho. Alguém à mesa disse que seria um bom vinho para alguém que não aprecia vinho começar a provar. Juntamente com o Garrafeira dos Sócios e o Quatro Castas faz o triângulo dos vinhos de que ninguém fala e que fazem as nossas delícias sem custarem uma fortuna. E alguém disse que tem 14 graus? Nota: 9
José de Sousa 2003 - Um clássico do Alentejo, que há muitos anos se chamava “Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes - Tinto Velho”. Modernizou-se, perdeu algum excesso de madeira que por vezes se notava, está mais elegante e frutado. Mas talvez precisasse de um pouco mais de estrutura para se guindar de novo a outro patamar. Nota: 7,5
Singularis 2004 - Uma estreia deste vinho personalizado de Paulo Laureano, numa nova linha de produtos só com castas portuguesas, neste caso Aragonês e Trincadeira. Bom corpo e bastante fruto, alguma especiaria e boa persistência, com um toque de madeira a marcar o fim de boca. Um vinho equilibrado com potencial para acompanhar pratos condimentados. Nota: 7,5
Kroniketas, enófilo retinto
Vinho: Dona Maria 2004 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Júlio Tassara Bastos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Syrah, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 6,75 €
Nota (0 a 10): 6
Vinho: Granja-Amareleja 2004 (T)
Região: Alentejo (Granja-Amareleja)
Produtor: Coop. Agrícola da Granja
Grau alcoólico: 14%
Castas: Moreto, Alfrocheiro, Aragonês
Preço em hipermercado: 9,98 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Herdade do Peso, Alfrocheiro 2000 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 14%
Casta: Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 13,50 €
Nota (0 a 10): 9
Vinho: José de Sousa 2003 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 13%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Grand Noir
Preço em feira de vinhos: 6,09 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Singularis, Aragonês e Trincadeira 2004 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Paulo Laureano
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira
Preço em hipermercado: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7,5
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XIII)
No meu copo, na minha mesa 165 - Monte da Cal Reserva 2004; A Gruta (Portalegre)

Logo na entrada, um corredor profusamente preenchido com livros, revistas e garrafas, tudo relacionado com o vinho. Ao entrar na sala, deparamos com um cenário ainda mais preenchido. Algumas das paredes estão repletas de estantes com dezenas de garrafas, existem várias mesas com entradas e sobremesas, o que nos faz sentir quase como estando num santuário gastronómico. Para o cliente mais interessado, estão ali praticamente todos os vinhos alentejanos que se possa imaginar. Foi numa dessas prateleiras que encontrei o Garrafeira dos Sócios de 96 que começou a acompanhar esta refeição, e que já mereceu um post à parte (se ampliarem a segunda foto e olharem bem para a estante mais à direita, podem encontrar lá a garrafa junto a uns varietais do Esporão...).
Passando aos sólidos, a mesa já estava preenchida com uns pratinhos de presunto Pata Negra. A escolha do prato foi difícil, tão variadas e tentadoras eram as propostas, pelo que nos aconselhámos com o sr. Felício, o dono do local. As opções incidem sobretudo nos pratos regionais, como é óbvio, com alguns toques de requinte.
Acabámos por escolher uma canja de pombo para começar, seguindo-se um polvo à Lagareiro e eu escolhi nacos de porco preto, que estavam tenríssimos e muito bem apaladados. Entre as várias sobremesas optei por um doce Dom Duarte, que é uma espécie de fatia de bolo de doce de ovos com cobertura de amêndoa.
Quando o Garrafeira dos Sócios acabou, mudámos radicalmente e experimentámos o Monte da Cal Reserva 2004. É proveniente da Herdade Monte da Cal, próximo de Fronteira. Sinceramente não me despertou grande simpatia. É mais um vinho hiperalcoólico e hiperfrutado, com grande predominância a especiarias. Enfim, começa a ser “mais do mesmo” sempre que encontro este tipo de vinhos que já cansa. Acho que vou começar a olhar para o grau alcoólico antes de comprar, pois esta profusão de vinhos com 14 graus ou mais já começa a não ter graça. Nos últimos tempos, então, principalmente com as colheitas de 2003 e 2004, tem sido demais. Já começo a estar farto.
A segunda visita à Gruta pautou-se por um jantar diferente, em grupo e com ementa já escolhida mas com um buffet de frios e quentes à disposição. Tivemos uma grelhada mista de porco e a acompanhar vinho da casa, em jarro. Como quase sempre acontece com estes vinhos, era bebível... e só isso. Para terminar, buffet de sobremesas à discrição.
Em suma, um restaurante com um excelente serviço e excelente confecção. Tudo levado muito a sério e com muita qualidade. Um local a repetir se houver oportunidade para isso.
Kroniketas, enófilo itinerante
Restaurante: A Gruta
Bairro do Atalaião Velho, 8-A
7300 Portalegre
Telef: 245.201.402
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5
Vinho: Monte da Cal Reserva 2004 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Herdade Monte da Cal
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Syrah, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 22 €
Nota (0 a 10): 6
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terça-feira, 8 de janeiro de 2008
No meu copo 158 - Quatro Castas Reserva 2001
Há uns 6 anos deparámos com um novo vinho da Herdade do Esporão, denominado Quatro Castas. Tal como acontece com os vinhos da Sogrape, todos os vinhos desta proveniência interessam-nos sobremaneira e este não fugiu à regra.
Rapidamente tratámos de o adquirir e degustar com todo o interesse. O resultado foi... esmagador! Durante algum tempo considerámo-lo um dos melhores vinhos do país (dentro daqueles que conhecíamos, obviamente). E até hoje, excluindo o Torre do Esporão e os Private Selections, que ainda não bebemos, consideramo-lo sem dúvida o melhor vinho da herdade, acima do Esporão Reserva. Convém referir que há mais de 10 anos que conhecemos todos os outros vinhos da Herdade do Esporão, desde o Esporão Reserva, que foi uma das nossas primeiras preferências, passando pelo Monte Velho (de que acompanhámos praticamente todas as colheitas, quando ainda era um VQPRD com 11,5 graus de álcool macio e suave), o Alandra, todos os monocasta (a começar pelo Cabernet Sauvignon, seguindo pelo Aragonês e o Trincadeira, até aos neófitos Bastardo, Syrah, Touriga Nacional e Alicante Bouschet) e o mais recente Vinha da Defesa, sem esquecer os brancos.
O Quatro Castas foi uma surpresa, com um corpo, um bouquet, uma profundidade aromática, uma complexidade e uma persistência extraordinários, e as sucessivas provas confirmaram esta impressão: para nós, tornou-se inquestionavelmente o melhor vinho do Esporão. É um vinho feito com as melhores quatro castas de cada ano vinificadas em partes iguais, pelo que nunca sabemos que castas lá estão em cada colheita (essa informação não é mencionada no contra-rótulo, apenas no site para a colheita apresentada), mas a tendência é para ser entre Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Syrah, Alicante Bouschet, Bastardo e Cabernet Sauvignon (esta ultimamente abandonada nos varietais por, segundo os responsáveis, “perder a tipicidade”). É fermentado durante uma semana a temperaturas controladas em cubas de inox, com maceração prolongada, seguindo-se um estágio de 6 meses em barricas novas de carvalho americano e francês e mais 6 meses em garrafa. Normalmente chega ao mercado já com cerca de 3 anos de idade.
Agora, desde que temos o blog, as provas são mais diversificadas pelo que as oportunidades de repetir são menores. Mas um dia destes provámos a colheita de 2001, que confirmou tudo o que pensamos deste vinho. Não apresentou a exuberância de outros tempos, porque o tempo também não perdoa e nos vinhos do Alentejo ainda menos, mas continua (para nós) a ser um vinho de excepção: o bouquet já é mais discreto, o frutado menos pronunciado e a persistência menos prolongada. Mas as características originais estão todas lá. Além disso, tem um grau alcoólico elevadíssimo mas que não se sente na prova, pois como é apanágio dos vinhos do Esporão, está tão bem feito que não se sente o álcool. Tomara muitos dos vinhos da moda conseguirem ser assim.
Como ainda temos em stock as colheitas de 2002 e 2003, um dia destes vamos voltar à carga com uma comparação das várias colheitas. Porque este é outro daqueles vinhos que quase passam despercebidos, como o Garrafeira dos Sócios de que falámos noutro dia. Porque, como aquele, também não é um vinho da moda, daqueles que nos querem impingir à viva força como sendo os que os consumidores “preferem” (isso ainda está por provar). Pedimos desculpa pelo incómodo e por continuar a fugir à moda, mas para nós este é um vinho de excepção. E ninguém nos desvia daqui.
tuguinho e Kroniketas, enófilos e tal
Vinho: Quatro Castas Reserva 2001 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 15%
Castas: quatro destas, conforme o ano - Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah, Bastardo, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 10,79 €
Nota (0 a 10): 9
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domingo, 16 de dezembro de 2007
Krónikas do Alto Alentejo (VI)
No meu copo, na minha mesa 152 - Dom Martinho 2004; Restaurante Poeiras (Portalegre)
Mais uma visita gastronómica em Portalegre. Desta vez não foi nenhuma escolha preparada, tratava-se apenas de encontrar um local para jantar. Passando à porta de alguns, olhando lá para dentro e para a ementa, escolhemos um em pleno centro histórico, ao lado do Governo Civil, na Praça da República, local de esplanadas, bares e estudantes, talvez o local mais movimentado na pouca animação nocturna da cidade.
Franqueadas as portas de vidro, deparámo-nos com um restaurante de aspecto mais ou menos comum, onde duas televisões transmitiam um jogo de futebol do campeonato, de dimensão média, sem grandes sofisticações mas acolhedor.
A ementa não é muito vasta mas a oferta é simpática. Comecei por uma cremosa sopa de feijão generosamente servida no prato fundo, enquanto esperava por umas bochechas de porco estufadas com batatas salteadas. A carne estava tenríssima e muito saborosa, separada dos ossos, em dose avantajada que ainda dava para outra refeição.
Para sobremesa havia a tentação da encharcada, mas foi escolhido um caseiro Doce São Bernardo, feito à base de amêndoa, ovo e canela. Um doce muito consistente, algo enjoativo como acontece muitas vezes com os doces de amêndoa, mas agradável de comer se não for em quantidade exagerada.
Em resumo, outro restaurante onde se pode almoçar ou jantar com qualidade, ter um bom atendimento e não pagar um preço excessivo.
Para acompanhar continuei nos vinhos norte-alentejanos, desta vez descendo um pouco até Estremoz, concretamente à Quinta do Carmo. Escolhi o parente mais pobre do Quinta do Carmo, um Dom Martinho de 2004, que deve o seu nome a uma parcela da Quinta do Carmo com o mesmo nome.
É um vinho frutado e com algum aroma floral, com corpo e final médio. Não apresenta nenhuma característica que se destaque, pelo que se fica pela mediania. Bebe-se com facilidade, não desagrada e também não encanta.
Kroniketas, enófilo itinerante
Restaurante: Poeiras
Praça da República, 9 a 15
7300-109 Portalegre
Telef: 245.201.862
Preço médio por refeição: 12 €
Nota (0 a 5): 3,5
Vinho: Dom Martinho 2004 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Quinta do Carmo
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Syrah
Preço em feira de vinhos: 5,54 €
Nota (0 a 10): 6,5
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
No meu copo 151 - Monte dos Cabaços 2003
Começou por uma vinha que vendia as uvas. Filha de pai alentejano da zona de Estremoz, Margarida Cabaço regressou da Holanda, onde estudava, aos 16 anos, para junto da família que voltava a Estremoz. Aí viria a casar com um proprietário local que possuía uma vinha. O tempo que sobrava do tratamento da vinha começou a ser aproveitado para organizar uns almoços e jantares para os amigos, mais tarde casamentos e baptizados, e daí até um restaurante foi um pequeno passo. Assim viria a nascer o São Rosas, um dos actuais ex-libris gastronómicos da cidade.
A seguir ao restaurante veio o vinho próprio para servir no restaurante, e assim as uvas que eram vendidas passaram a ser usadas na produção do Monte dos Cabaços, tinto e branco. Tive oportunidade de adquirir por 5,95 € uma garrafa do tinto de 2003 com a Revista de Vinhos.
De cor muito carregada e aroma marcado por notas minerais, muito cheio na prova de boca com predominância de fruta e especiarias, é um daqueles vinhos chamados de “perfil moderno”, com muita fruta, muita concentração e muito álcool, que alguns dizem que é o que vai ao encontro do gosto do consumidor actual. Apetece-me sempre perguntar: será mesmo isto que o consumidor quer, ou é o que estão a tentar impingir-lhe? É que, a mim, estes vinhos cansam-me. Bebem-se bem algumas vezes mas depois começam a saturar, porque se tornam todos iguais. Nada os diferencia, e os que tenho provado ultimamente deste género acabam por ser “mais do mesmo”. Por isso é que acabamos sempre por voltar aos clássicos que já conhecemos há muito tempo..
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Monte dos Cabaços 2003 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Maragarida Cabaço
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah
Preço em hipermercado:9,99 €
Nota (0 a 10): 7
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quinta-feira, 21 de junho de 2007
No meu copo 122 - Hexagon 2003
O fascínio por este vinho vem desde o 1º encontro de eno-blogs, realizado em Janeiro na York House. Na altura, para mim foi a grande surpresa da noite.
Um dia destes, numa visita à Makro deparámo-nos com este à venda, tendo sido adquirida uma singela garrafa para dividir por dois. E não perdemos muito tempo a bebê-la. Fizemo-lo a acompanhar umas costeletas de novilho grelhadas.
É curiosa a referência ao nome do vinho no contra-rótulo: os seis lados do hexágono relacionados com seis castas e seis gerações da família José Maria da Fonseca, onde agora predomina como enólogo Domingos Soares Franco. “Hexagon é a procura da excelência que tem marcado a minha geração e a minha família ao longo dos tempos”, diz Soares Franco. E com este vinho conseguiu-a.
Não decantámos o vinho, mas ele merecia. Fomo-lo degustando calmamente e ao longo de uma hora desenvolveu aromas fantásticos, apresentando um fim de boca que nunca mais acaba. Um vinho que nos enche a boca e que apetece ficar ali a saborear por tempo indeterminado. Taninos bem firmes mas redondos, madeira bem integrada num conjunto de grande complexidade de aromas e sabores. É o topo de gama da José Maria da Fonseca, e está lá muito bem.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Hexagon 2003 (T)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah, Tinto Cão, Trincadeira, Tannat
Preço em hipermercado: 33,04 €
Nota (0 a 10): 9
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terça-feira, 1 de maio de 2007
Krónikas duma viagem a Paris - 1
As férias escolares da Páscoa foram aproveitadas para uma deslocação a uma das cidades míticas do mundo: Paris. Por sinal, a única onde já me desloquei mais de uma vez. Já lá fui solteiro, recém-casado, e desta vez o objectivo foi levar os filhos para conhecerem a Eurodisney.
As constantes deambulações pela cidade e as deslocações ao parque Disneyland não deixaram grande folga para repastos de nouvelle cuisine e muito menos para degustações vinícolas a condizer. A primeira abordagem ocorreu logo no dia da chegada, já para lá das 3 da tarde, hora local.
Cansados da viagem e esfomeados, fora de horas para almoçar, demos uma volta pelo 17ème arrondissement à procura da salvação, e esta apareceu-nos num restaurante chinês tipo self-service, depois de conduzidos de táxi por um motorista chinês. Esta coincidência viria a revelar um padrão que se repetiu nos dias seguintes: em Paris, os chineses são os trabalhadores e os japoneses são os turistas...
No dito chinês, onde ainda voltaríamos num dos regressos da Disney, depois de escolhermos todas as massas e arrozes mais o pato, a galinha e as gambas, vi umas garrafas na vitrina que me chamaram a atenção. Resolvi experimentar meia de Côtes du Rhône. O vinho estava ligeiramente refrescado e, para minha surpresa, não se saiu nada mal com a comida chinesa. Revelou-se um vinho aberto, muito suave e aromático, extremamente fácil de beber. Pareceu-me ser apropriado para refeições não muito condimentadas.
Noutra ocasião, depois dum dia cansativo a percorrer a cidade desde Montmartre até Pigalle, desde a Torre Eiffel ao Arco do Triunfo, usando todas as linhas de metropolitano possíveis e passando ainda por um passeio de Bateau Parisien, com frio e chuva à mistura, acabámos a jantar num restaurante libanês, sob alguma desconfiança. Mas o atendimento simpático ajudou-nos a escolher umas brochettes (espetadas) de carne de porco, vaca e frango, acompanhadas com um arroz e uma salada à moda do local, e um vinho também do país. Um Clos St. Thomas de 2002, com 14% de álcool mas sem ser agressivo. Um vinho de perfil moderno, feito com as castas omnipresentes onde quer que se vá: Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e uma menos conhecida, Grenache. Bebeu-se bem, seguindo a tendência dos vinhos da moda.
Na segunda visita ao chinês ainda repeti o Côtes du Rhône e noutra ocasião experimentei um rosé barato. E por aqui ficou a experiência francesa no que toca a vinhos. Na véspera do regresso ainda fiz uma visita a um supermercado, de que darei conta na segunda parte desta croniqueta.
Kroniketas, enófilo viajante
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02:42
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Etiquetas: Cabernet Sauvignon, Estrangeiros, França, Grenache, Libano, Merlot, Syrah, Viagens
sexta-feira, 20 de abril de 2007
No meu copo 107 - Quinta da Alorna 2004

No meio de tantos vinhos de gama baixa que não passam da vulgaridade que temos apreciado nas últimas semanas, encontrámos outro no Ribatejo que se destaca da mediana: o Quinta da Alorna 2004. Não é Reserva, não é Colheita Seleccionada, não é monocasta, é simplesmente o Alorna. E é bom.
Tem outro aroma logo na prova, outra estrutura na boca, outra complexidade, outro final, com um leve toque a especiarias e ligeiro frutado, com taninos redondos mas presentes, a pedir uma carne mais bem temperada ou mesmo um prato de caça.
Não sendo excepcional nem deixando de ser um vinho da mesma gama dos anteriores, neste a matéria-prima parece ter sido mais bem tratada, o que confirma a razão pela qual muitas vezes temos preferências pelos vinhos de certas casas. São aquelas em que mesmo os vinhos menos bons... são sempre bons. É o caso desta Quinta da Alorna com esta entrada de gama que não envergonha ninguém.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta da Alorna 2004
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Syrah, Castelão, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 2,68 €
Nota (0 a 10): 7
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Krónikas Vinícolas
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12:08
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Etiquetas: Alicante Bouschet, Alorna, Castelao, Ribatejo, Syrah, Tinta Roriz, Tintos
sexta-feira, 6 de abril de 2007
No meu copo 102 - Serras de Azeitão 2005

Foi este o vinho bebido na refeição descrita no post anterior. Produzido pela Bacalhôa Vinhos, é um vinho aberto, macio, com pouco corpo e ainda com muita juventude que lhe dá alguma frescura na prova, adequado para refeições mais simples. Com pratos de confecção complexa perde-se no meio de tantos sabores porque não tem estrutura nem aromas que possam enfrentar a riqueza daqueles pratos.
Sendo barato, posiciona-se no fundo da gama de vinhos da Bacalhôa. É um vinho simples e honesto, uma aposta para o dia-a-dia, sem pretensões a grandes voos e nesse patamar bebe-se bem, tanto assim que o incluímos nas nossas sugestões.
Bom para uns grelhados ao ar livre em tarde de sol, é o que o perfil deste vinho me traz à ideia. Provavelmente num dia de verão e ligeiramente refrescado.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Serras de Azeitão 2005 (T)
Região: Terras do Sado
Produtor: Bacalhôa Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Syrah, Merlot
Preço em feira de vinhos: 2,35 €
Nota (0 a 10): 6
Publicada por
Krónikas Vinícolas
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01:02
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Etiquetas: Aragonez, Bacalhoa, Merlot, Syrah, Terras Sado, Tintos, Touriga Nacional



