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terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

No meu copo 90 - Pinheiro da Cruz


O primeiro contacto que tive com este vinho foi na já longínqua colheita de 1991, então através duma amiga que tinha contactos com alguém que adquiriu a garrafa directamente na produção. Tinha um carimbo no rótulo com o ano de colheita e a indicação original no brasão de que provinha da prisão de Pinheiro da Cruz, ali para os lados de Grândola e Melides.
Era um vinho surpreendente, com um perfil um pouco rústico, cheio de corpo e robustez, daqueles vinhos que se “mastigam” e nunca mais acabam. Rapidamente se revelou apropriado para se bater com pratos bem fortes e condimentados, e ao longo dos anos tive oportunidade de comprar e beber algumas vezes em restaurantes. Uma das melhores combinações que encontrei foi com um arroz de lebre muito condimentado, malandrinho e com um molho muito espesso que comia no Barrote Atiçado, na Pontinha, às portas de Lisboa (que entretanto mudou de nome para António do Barrote e de local para o Parque Colombo, em Carnide). “Aquele” Pinheiro da Cruz era perfeito para a pujança daquele prato.
Nessa altura era quase uma raridade e difícil de comprar fora da própria prisão, embora o Pingo Doce tivesse desde logo lançado a colheita de 1992 numa das suas feiras. Também por isso era caro quando aparecia. O exemplar de 1997 que aqui vos apresentamos foi um de 3 exemplares adquiridos por 2775$ (13,84 €) na feira de vinhos do Continente de 1999. Em 2005, no Corte Inglês, uma garrafa de 2002 custou 12,95 €.
Com a instauração de uma série de novas regiões vitivinícolas de norte a sul, nomeadamente a criação das DOC Alentejo, Ribatejo e Estremadura e ainda os vinhos regionais, o Pinheiro da Cruz, que entretanto alargara a produção, deixou de ser vinho de mesa como era originalmente e pretendeu também ser classificado com uma denominação de origem. Tinha todas as características do vinho alentejano, mas surpreendentemente começou a aparecer como Vinho Regional Terras do Sado a partir da colheita de 98. O rótulo estilizou-se, passou a haver informação no contra-rótulo e a indicação das castas utilizadas. E, para satisfazer as exigências da denominação de origem (certamente a burocracia impediu que fosse classificado como vinho alentejano), descaracterizou-se. A primeira colheita com o novo rótulo mostrou um vinho muito mais aberto e frutado que os anteriores, deixando de ser aquele vinho poderoso que fora até aí. Em suma, acabou por vulgarizar-se.
Deve ter sido também devido a isso que foi possível aumentar significativamente a produção e encontrá-lo agora à venda a uns módicos 6,44 € na feira de vinhos da Makro. É mais acessível, mas eu preferia o perfil antigo e mais caro.
Nos últimos meses fui à garrafeira buscar os exemplares que lá tinha, de 97, 99 e 2003. O primeiro e o último foram bebidos no recente jantar de javali com a “cambada”. O de 97 foi decantado com todos os cuidados para evitar a passagem de borras para os copos e para lhe dar tempo de respirar. Revelou-se ainda em excelente forma, a fazer lembrar os mais antigos, embora com esta idade tivesse já perdido a pujança inicial, mas ainda se bateu excelentemente com o javali. Já o de 2003, mais frutado e leve e sem aquela robustez anterior, ainda assim aguentou-se no balanço. Quanto à colheita de 99, bebida há algum tempo a acompanhar uma lebre, já não tinha a frescura inicial mas aproximava-se mais das características do de 97 e também se bateu bem com a caça.
Curioso é ver a informação do contra-rótulo, de que apresentamos aqui o de 2003 (clique na imagem para ampliar). O de 99 era composto pelas castas Periquita, Trincadeira, Alicante Bouschet e Aragonês, mas ao de 2003 ainda foram acrescentadas a Syrah e a Cabernet Sauvignon, ou seja, estamos perante as castas da moda para fazer um vinho que acompanhe a moda. Mais curioso ainda é observar a evolução do grau alcoólico de colheita para colheita: de 12,5% em 1997 para 13% em 1999 e 14% em 2003, a seguir a tendência da moda.
De realçar que deste último contra-rótulo desapareceu a frase assassina “A sua alma nasce do sentimento que os reclusos põem neste trabalho que os liberta”. Que o trabalho liberta era a frase que esperava os presos à entrada do campo da morte de Auschwitz. Há ideias que nunca se deviam ter.
Enfim, o Pinheiro da Cruz já não é aquele vinho que nos surpreende no primeiro impacto, mas ainda assim continuamos a achar que vale a pena tê-lo na garrafeira. Até porque agora se tornou bem mais acessível.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pinheiro da Cruz 97 (T)
Região: Vinho de mesa
Produtor: Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em feira de vinhos: 2775$
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Pinheiro da Cruz 99 (T)
Região: Terras do Sado (Grândola)
Produtor: Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz
Grau alcoólico: 13%
Preço: cerca de 12 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Pinheiro da Cruz 2003 (T)
Região: Terras do Sado (Grândola)
Produtor: Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonês, Syrah, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 6,44 €
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

No meu copo, na minha mesa 86 - Herdade dos Grous 2004; Três Bagos, Sauvignon Blanc 2003; Restaurante O Orelhas



Foi com alguma expectativa que me desloquei a este restaurante às portas de Lisboa, na localidade de Queijas, entre Carnaxide e o Estádio Nacional. Havia muitas e boas referências ao mesmo, quer em termos da comida quer da garrafeira, e até das possibilidades de conseguir uma vaga, pois só com marcação se consegue lá ir. E às vezes, quando as expectativas são muito altas, acabam por sair defraudadas.
Não digo que a minha visita ao Orelhas tenha sido decepcionante, mas ficou um pouco aquém do esperado. Desde logo, um aspecto desagradável é a má renovação do ar, pois os cheiros da cozinha, que fica à vista da sala, vão-se acumulando tornando-se um pouco sufocantes e entranhando-se na roupa. Quando se sai de lá, todos nós cheiramos a fumo de fritos ou grelhados.
Em termos de atenção, dificilmente seria melhor. Os empregados estão sempre em cima do acontecimento e respondem aos pedidos com rapidez. Nessa atenção está incluída a sugestão dos pratos e dos vinhos a escolher. E aqui é que as coisas se passam de modo diferente do habitual. Não há uma ementa para escolher: somos perguntados se queremos carne ou peixe e em função da preferência são dadas 2 ou 3 opções, que no caso da carne era só uma, costeletas de cabrito fritas em azeite e alho, em que recaiu a minha preferência. No caso do peixe, a escolha (largamente maioritária, aliás), foi robalo grelhado.
No meu caso as costeletas de cabrito cumpriram satisfatoriamente a função mas esperava mais, dada a qualidade da matéria-prima. Do robalo não posso falar porque não o provei, mas sei que 11 pessoas pagaram cerca de 255 € pelo peixe!
No caso dos vinhos, outra grande fama da casa, é de ficar sem respiração: a vasta carta, bem recheada com vinhos de qualidade de todas as regiões, é completamente proibitiva em termos de preços. A esmagadora maioria dos vinhos estão listados a mais de 100 € a garrafa, sendo que não mais de 5, no total, custavam menos de 20 €. Seguramente mais de 90% das opções custam mais de 50 €. Um despautério!
Assim sendo, as escolhas para quem não quer pagar por uma garrafa de vinho mais que o preço de todo o jantar, tem pouco por onde escolher. A nossa escolha seria um Duas Quintas branco, a 14 €, e um Monte da Peceguina tinto, a 15 €, mas o empregado que nos atendeu orientou-nos noutro sentido, e trouxe um Três Bagos, de Sauvignon Blanc, e um Herdade dos Grous.
O Três Bagos não agradou a ninguém. Um sabor enjoativo, demasiado amanteigado, e pouco aroma. Uma surpresa pela negativa. Tendo em conta experiências anteriores com esta casta, e à semelhança da Chardonnay, começo a desconfiar que estas castas brancas francesas não têm grandes condições para dar bons vinhos em Portugal, ao contrário das tintas, talvez devido ao clima. Provavelmente precisam de climas mais frios para darem vinhos com maior frescura e suavidade, ao passo que as tintas beneficiam de maior calor para dar vinhos mais macios. Recordo que ainda o ano passado bebi dois excelentes vinhos franceses destas castas, e não deve ser por acaso que não gostei das versões portuguesas.
Quanto ao tinto, um dos recentes vinhos alentejanos, de Albernoa, entre Beja e Castro Verde, portou-se bem. De cor carregada, aroma frutado, encorpado e macio na boca. Feito a partir das castas Aragonês, Alicante Bouschet, Syrah e Touriga Nacional, apresenta uma acidez bem equilibrada com a madeira e com o álcool, que foge à tendência actual do exagero, ficando-se por uns razoáveis 13,5 graus, que não abafam os aromas e paladares do vinho. Não me parecendo excepcional, mostrou-se elegante e equilibrado, tendo todas as condições para agradar. É um vinho de perfil moderno, fácil de beber já, que certamente vai merecer novas oportunidades de prova.
Globalmente, a refeição foi agradável mas as diversas condicionantes apontadas fizeram com que as expectativas saíssem algo defraudadas. As escolhas são demasiado limitadas e os preços, definitivamente, não são nada meigos. Por um preço semelhante comemos bem mais e melhor na Travessa do Rio.

Kroniketas, enófilo esforçado

Restaurante: O Orelhas
Rua Cesário Verde, 80 - Loja F
2795 Queijas
Telef: 21.416.45.97
Preço médio por refeição: 35 €
Nota (0 a 5): 3,5

Vinho: Três Bagos, Sauvignon Blanc 2003 (B)
Região: Douro
Produtor: Lavradores de Feitoria
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 4

Vinho: Herdade dos Grous 2004 (T)
Região: Alentejo (Albernoa)
Produtor: Herdade dos Grous
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Touriga Nacional, Syrah
Preço em feira de vinhos: 8,40 €
Nota (0 a 10): 7

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

No meu copo 81 - Tinto da Talha Grande Escolha, Syrah e Touriga Nacional 2004

Um dos melhores, ou mesmo o melhor produto da Roquevale, este Tinto da Talha Grande Escolha. Numa gama de vinhos em que o Tinto da Talha aparece na gama média-baixa, o Grande Escolha é claramente uma aposta para cima a um preço bastante acessível.
Começa por mostrar uma cor rubi brilhante e aroma muito marcado pelos frutos e uma leve lembrança a compotas. Na boca o primeiro ataque é algo violento e áspero, com os 14% de álcool a marcarem o terreno. É preciso dar-lhe tempo para respirar e libertar-se da garrafa. Meia-hora mais tarde aí temos o vinho a mostrar-se em pleno, com muita juventude no paladar a trazer consigo os taninos ainda por domar, mas ao mesmo tempo com grande elegância e complexidade. Com o decorrer da refeição vai-se tornando cada vez mais macio e aberto, sem deixar de mostrar a sua garra e mantendo sempre grande vivacidade da prova. Foi bebido a acompanhar um lombo de porco assado no forno e fez as delícias de todos presentes.
É um vinho ao mesmo tempo pujante e elegante, com a pujança certamente a vir da casta Syrah e a elegância e complexidade a serem-lhe dadas pela Touriga Nacional, e está pronto para acompanhar os grandes pratos alentejanos como borrego no forno ou migas com carne de porco. Sendo ainda muito jovem, poderá melhorar na garrafa ganhando maior consistência aromática, desde que a acidez se mantenha equilibrada para envolver o álcool.
Um excelente produto da Roquevale. Daqueles que já provei, situo-o no segundo patamar, logo a seguir ao Roquevale de rótulo preto, parecendo-me um produto mais bem conseguido que os varietais desta casa. Está de parabéns a enóloga Joana Roque do Vale. É mais uma presença garantida nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tinto da Talha Grande Escolha, Syrah e Touriga Nacional 2004 (T)
Região: Alentejo (Redondo)
Produtor: Roquevale
Grau alcoólico: 14%
Castas: Syrah, Touriga Nacional

Preço em feira de vinhos: 6,61 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Prova à Quinta - O segundo


Vinha da Nora 2002

Nesta segunda Prova à Quinta, o desafio lançado pelo Vinho da Casa era o de provar um vinho português de 2002. Escolhi o Vinha da Nora, um vinho que já conhecia de nome, mas que nunca tinha provado a não ser no último Encontro com o vinho, depois e antes de muitos outros. Tal como dizia o anúncio do brandy Constantino há umas décadas, é fama que vem de longe. A primeira vez que ouvi falar neste vinho foi num programa da RTP, onde foi referido que era o vinho recomendado na carta dum dos mais prestigiados restaurantes de Paris.
Agora proporcionou-se bebê-lo à refeição, a acompanhar uma excelente empada de coelho no forno, e veio a calhar para esta prova por ser de 2002. Foi aberto com antecedência, mas teria valido a pena ser decantado para mostrar todo o seu potencial, pois foi melhorando ao longo da refeição. Os copos usados, infelizmente, não foram os melhores para o efeito, pois eram mais largos na boca, o que poderá ter prejudicado a prova, principalmente em termos aromáticos, mas mesmo assim não deixámos de apreciar este vinho.
Produzido exclusivamente com a casta Syrah, tem uma bela cor rubi aberta, é medianamente encorpado, mostrando um carácter frutado, com os taninos suaves e a madeira discreta, sem se sobrepor aos aromas. Inicialmente mostrou-se mais fechado mas depois foi libertando os aromas secundários e marcando um final de boca cada vez mais persistente, que com muita pena minha atingiu o auge quando a garrafa estava a acabar...
No seu conjunto, é um vinho de grande elegância, com um perfil bastante apelativo, sem ter excesso de álcool a impor-se e permitindo assim desfrutar dos seus sabores e aromas na plenitude, além de ser uma óptima companhia para pratos requintados e não excessivamente condimentados. Sem dúvida um vinho que no panorama actual parece “fora de moda”, pelo seu corpo aberto e grau alcoólico moderado, e ainda bem que assim é. Felizmente ainda há quem faça vinhos que se podem saborear. Não o coloco já na nossa lista de escolhas porque precisa de uma segunda oportunidade, com todas as condições de prova no ponto ideal, mas mesmo assim já mostrou muito daquilo que é.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha da Nora 2002 (T)
Região: Estremadura (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 13%
Casta: Syrah

Preço em feira de vinhos: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

No meu copo 67 - Vinha da Defesa Rosé 2005

Uma refeição diferente levou-me, um destes fins-de-semana, a fazer uma prova diferente com o núcleo duro dos “Comensais dionisíacos”. Planeada a confecção dos saborosos filetes de robalo com agrião, para fugir à “ditadura” das carnes, decidi aproveitar a ocasião para fugir também à “ditadura” dos tintos e provar uns rosés que comprei nas feiras de vinhos.
Compareceram à ocasião um Clarete da Quinta do Monte d’Oiro, que o tuguinho já analisou em tempos, e um Vinha da Defesa, rosé, da Herdade do Esporão.
O tempo ainda estava quente e o arrefecimento dos líquidos não se processou como era desejável, apesar das várias horas que as garrafas estiveram no frigorífico e de ainda terem passado pelo congelador. Já estou a ver algumas pessoas a arrepelarem-se com esta heresia. Pois é, às vezes o recurso ao congelador, mau grado o que dizem os cânones expressos nos livros, é inevitável e a única solução para arrefecer um vinho até ao ponto desejado (mesmo os tintos no Verão, que normalmente estão mornos). E olhem que alguns críticos menos dogmáticos já o escreveram: um bocado de congelador não traz mal nenhum ao mundo nem ao vinho, desde que não nos esqueçamos dele lá...
Utilizado o termómetro de vinho no Clarete, este acusava 16 graus, que é uma boa temperatura para os tintos. Nem mesmo a manga de refrigeração chegou a tempo. Desta forma, apesar de apresentar uma suavidade assinalável, o Clarete não fez as delícias dos presentes.
A seguir experimentou-se o Vinha da Defesa, que tinha ficado no frio mais algum tempo e já se conseguiu baixar até aos 12 graus (embora o contra-rótulo aconselhasse entre os 8 e os 10). Depois do Clarete, mais seco, este Vinha da Defesa, mais adocicado, feito com as castas Aragonês e Syrah, também não fez o consenso à mesa, parecendo um pouco deslocado naquele filme. O próprio contra-rótulo o indica como bom aperitivo, mas valia a pena ver como se comportava com um prato de peixe, com agrião, ovo cozido, natas e pimenta. Apesar de também não ter brilhado, a metade que sobrou voltou para o frigorífico e no dia seguinte, mais fria, foi consumida com uma tarte de bacalhau com espinafres, e a sensação foi substancialmente diferente. Sem a pimenta e o ovo cozido a baralhar os sabores, o Vinha da Defesa pôde mostrar ali a sua verdadeira face, com outra frescura e os aromas muito mais exuberantes, notando-se algum frutado e um toque a frutos vermelhos.
É de facto um bom vinho para aperitivo, dada a sua delicadeza, pelo que poderá ser convenientemente apreciado com entradas não muito condimentadas, mas que merecerá, certamente, uma segunda prova para tirar as dúvidas. Sobretudo depois de devidamente refrescado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha da Defesa 2005 (R)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Aragonês, Syrah

Preço em feira de vinhos: 4,58 €
Nota (0 a 10): 6,5

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

No meu copo 6 - Os varietais de João Portugal Ramos



João Portugal Ramos é um nome que nos últimos anos se tornou uma referência no panorama vinícola nacional, e no Alentejo em particular. Começando por ser enólogo de várias empresas, acabou por criar em Estremoz a sua própria produção donde saem actualmente alguns dos melhores vinhos alentejanos e mesmo do país. À semelhança do que acontece com alguns dos grandes nomes que nas Krónikas Vinícolas consideramos garantias de qualidade (como a Sogrape e a Herdade do Esporão), alguns vinhos de João Portugal Ramos também já entram nesse lote, como é o caso do Marquês de Borba.
Na época festiva que agora terminou, houve aniversário comemorado com um jantar de fondue e bife na pedra. Para acompanhar as carnes foram escolhidos os 4 vinhos varietais (ou monocasta, como preferirem) de João Portugal Ramos: Aragonês, Trincadeira, Tinta Caiada e Syrah. Sendo alentejanos, o seu carácter encorpado e elevado grau alcoólico (entre 14 e 14,5º) garantiam, à partida, pujança suficiente para suportar os fritos e grelhados bem como os molhos de acompanhamento.
E o que se pode dizer de quatro vinhos provados de seguida? Não defraudaram as expectativas dos comensais, embora se possam estabelecer algumas diferenças significativas entre eles. Todas as garrafas foram abertas com alguma antecedência de forma a permitir aos vinhos arejar um pouco antes de serem bebidos.
No meu caso, o que mais me agradou foi o Trincadeira (de 2002), o mais bem estruturado e mais pujante na prova, com um toque de especiarias que lhe confere uma vivacidade muito interessante e presença de madeira quanto baste para não se tornar excessiva. Parece estar ainda apto a durar algum tempo na garrafa, embora com os vinhos alentejanos não se deva exagerar no tempo de guarda (2 ou 3 anos depois da compra já é bom).
Logo a seguir o Aragonês (de 2001), que segue a linha do seu parceiro, embora estivesse um pouco mais macio, talvez por já estar aberto há mais tempo.
O Tinta Caiada (de 2001) foi o primeiro a ser bebido, tendo-se mostrado bastante suave e já pronto para ser bebido, não me parecendo estar vocacionado para guardar muito mais tempo.
Finalmente o Syrah (de 2001), o último a ser bebido, que me causou uma sensação que já anteriormente tinha sentido com uma garrafa da mesma casta proveniente da Herdade do Esporão, curiosamente também numa prova antecedida por outros vinhos (no caso eram o Callabriga e o Quinta da Leda, do Douro): achei-o muito delgado de corpo, com final curto e parco de aroma. Não sei se o Syrah se dá mal com outras provas e tem que ser apreciado isoladamente, ou se é a casta que perde força no Alentejo, porque na Estremadura, por exemplo, encontram-se vinhos bastante adstringentes e até difíceis de beber, num contraste absoluto com o que agora encontramos nestas variedades alentejanas. Por tudo isto, o Syrah foi o que menos agradou e embora não se possa considerar um mau vinho, para a mesma gama de preços fica a perder para os seus irmãos das outras variedades.
Em resumo, fazendo jus à tradição alentejana, as castas habituais Aragonês e Trincadeira parecem continuar a dar cartas e marcar a sua importância na feitura dos vinhos da região. Tanto se portam bem sozinhas como acompanhadas, não sendo por acaso que quase todos os vinhos alentejanos denotam a presença de pelo menos uma delas. Estes monocasta são ideais para acompanhar pratos de carne bem temperados.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos

Vinho: João Portugal Ramos, Aragonês 2001 (T)
Casta: Aragonês

Preço em feira de vinhos: 8,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: João Portugal Ramos, Trincadeira 2002 (T)
Casta: Trincadeira

Preço em feira de vinhos: 9,35 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: João Portugal Ramos, Tinta Caiada 2001 (T)
Casta: Tinta Caiada

Preço em feira de vinhos: 9,22 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Vinho: João Portugal Ramos, Syrah 2001 (T)
Casta: Syrah

Preço em feira de vinhos: 11,22 €
Nota (0 a 10): 6