Ainda há surpresas agradáveis! À última hora e defrontado com uma bela feijoada de feijoca branca com paio, bom chouriço e farinheira, fui à garrafeira escolher rapidamente um vinho para a acompanhar. Deparei-me com um Palmela DOC - Colheita Seleccionada do Pingo Doce, colheita de 2000, há já alguns anos residente na dita garrafeira.
Numa primeira prova o que se salientou foi o tradicional caramelo da casta Castelão, de que este vinho é produto estreme, que já no aroma se sentira também. Com a permanência no copo evoluiu para um sabor mais alcoólico, embora suave, que o bom corpo ajudou a suportar. De cor vermelha escura, respirava saúde.
Foi uma surpresa porque se revelou em excelente forma para a idade que tinha e o preço que custou! É pena já não haver, visto que transformaram quem em Portugal tinha iniciado as feiras de vinhos numa loja cada vez mais "discount"... Enfim, pode sempre ir-se à origem, visto que este vinho foi engarrafado para o Pingo Doce pela Casa Ermelinda Freitas.
Em suma, um bom castelão, que nos ajuda a perceber como na região Palmela DOC podem surgir (e surgem!) vinhos excepcionais.
tuguinho, enófilo esforçado
Vinho: Palmela Pingo Doce, Colheita Seleccionada 2000 (T)
Região: Terras do Sado (Palmela)
Produtor: Casa Ermelinda Freitas
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Castelão
Preço em feira de vinhos (2004): 3,65 €
Nota (0 a 10): 7,5
sábado, 3 de fevereiro de 2007
No meu copo 85 - Palmela Pingo Doce, Colheita Seleccionada Tinto 2000
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quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
No meu copo 84 - Adega de Pegões, Colheita Seleccionada branco 2005
Na região da península de Setúbal, cujos vinhos têm a denominação habitual de Terras do Sado, para além dos monstros José Maria da Fonseca e Bacalhôa, nos últimos anos tem-se vindo a impor a Cooperativa Agrícola de Santo Isidro Pegões, com vinhos de boa qualidade a baixo preço, que têm ganho espaço junto dos consumidores por se apresentarem bastante apelativos pois aparentemente valem bem mais do que aquilo que custam.
Pela primeira vez vamos falar dum vinho desta casa, um branco com algumas semelhanças com o anterior que analisámos (o Vinha Grande), embora de região totalmente diferente, e bem mais barato que o anterior. Também com estágio em madeira, também com grau alcoólico elevado. No entanto, parece-me claramente um vinho mais equilibrado que o Vinha Grande branco.
Este Adega de Pegões branco, Colheita Seleccionada de 2005, apresenta-se com uma cor citrina e forte estrutura na boca bem equilibrada com uma boa acidez, que compensa os 14º de álcool. É tipicamente um branco de Inverno, que casa muito bem com peixes assados no forno, com molho, ou com pratos de bacalhau bem regados com azeite. A sua equilibrada acidez, conjugada com o corpo e o álcool vão bater-se muito bem com o paladar marcante e intenso destes pratos.
Uma referência que já tínhamos fixado e que tem lugar nas nossas escolhas, e que se apresenta como um dos bons representantes da Região de Terras do Sado, embora com um perfil bastante diferente dos mais elegantes e aromáticos João Pires ou BSE, mas que é uma escolha acertada por um preço extremamente convidativo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Adega de Pegões, Colheita Seleccionada 2005 (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: Cooperativa Agrícola Santo Isidro de Pegões
Grau alcoólico: 14%
Castas: Chardonnay, Arinto, Pinot Blanc, Antão Vaz
Preço em feira de vinhos: 2,87 €
Nota (0 a 10): 7,5
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Krónikas Vinícolas
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sábado, 13 de janeiro de 2007
I Encontro de Eno-blogs - O evento
E esta noite deu-se o grande acontecimento. Na York House, às Janelas Verdes, encontraram-se os autores de vários blogs vinícolas mais respectivos convidados e alguns independentes que se quiseram associar à iniciativa (e muito bem), o que proporcionou momentos de animado convívio e trocas de opiniões, a prova de algumas boas pingas e um jantar repleto de deliciosas iguarias.
Se não me falham as contas, registámos a presença do Copo de 3, do Saca-a-rolha, de Os vinhos, do Vinho a copo, além do promotor da iniciativa, o Pingas no Copo e os independentes Chapim, AJS, Pedro Sousa (PT) e Chicão (peço desculpa se me faltou alguém, mas no primeiro encontro é difícil fixar os nomes e as caras de toda a gente e associá-los desde logo aos pseudónimos usados nos blogs). O comparsa madeirense do Elixir de Baco também quis associar-se através de duas garrafitas de Verdelho da Madeira, que marcharam logo na prova, provocando algumas opiniões divergentes devido à discrepância entre o agrado da prova de boca e o seu final quase instantâneo. Mas valeu a pena a prova. Uma saúde para ti, companheiro. E que a próxima nos permita contar com a tua presença.
As Krónikas Vinícolas fizeram-se representar em peso, pois levaram 3 convidados que participam habitualmente nos repastos do Grupo Gastrónomo-Etilista “Os Comensais Dionisíacos” (entre eles o Politikos, do Polis&Etc), pelo que, juntamente com o Vinho a Copo, fomos o blog mais representado.
No meio de tantos vinhos degustados antes e durante o jantar, como não tirámos notas é difícil sistematizar tudo o que foi provado, mas salvaguardados os diferentes gostos e preferências de cada um, para mim houve um claro vencedor da noite: o Hexagon, da José Maria da Fonseca, numa garrafa de litro e meio, que me encheu as medidas mais que qualquer outro (devo dizer que esta opinião não é sequer unânime entre o grupo das Krónikas Vinícolas, é puramente pessoal). Grande corpo, grande estrutura, excelente exuberância aromática, este topo de gama criado, como sempre, sob a batuta de Domingos Soares Franco, que deve ter um preço proibitivo aí no mercado. Não me lembro quem levou o vinho, mas em boa hora o fez e tiro-lhe o meu chapéu.
Do lado contrário, a decepção da noite foi um Dão Casa de Santar Tinto Superior, de 2001. Dado o patamar de qualidade a que esta casa nos habituou, esperava-se que este Tinto Superior, que suponho estar situado num patamar acima do Reserva (que já é um vinho de superior qualidade), estivesse próximo do sublime, mas afinal acabou por revelar-se vulgar, sem encantar, ao que me pareceu, nenhum dos presentes. O meu comentário na hora foi que lhe faltava corpo... e alma, e está tudo dito.
No final da refeição houve dois vinhos do Porto para comparar, um Colheita de 91 (da Niepoort) e um LBV (da Warre's), e o meu veredicto é... X. Gostei de ambos, cada um com o seu perfil., embora não sejam comparáveis, mas não consigo pender para qualquer dos lados. Para mais pormenores, aconselho a leitura dos outros blogs presentes, onde certamente haverá uma descrição mais detalhada das muitas provas realizadas.
Quanto ao repasto, a entrada de folhado de pato estava saborosíssima, os filetes de linguado excelentes (marcharam enquanto o diabo esfrega um olho), e as presas de porco (que substituíram as costeletas de borrego devido a imponderáveis de última hora) também se comeram bem, embora fossem o prato mais vulgar dos três. Também a tarte estava muito boa, com um gelado e um toque de canela bastante agradáveis.
No final de tudo, o regresso processou-se de táxi, tal como a ida, para não arriscar, mas afinal não estávamos tão afectados como seria de supor, pois bebeu-se com moderação e sem exageros. Afinal, somos todos amantes dos néctares de Baco mas não alcoólicos.
Só me resta agradecer ao anfitrião da York House, José Tomaz de Mello Breyner, pela disponibilidade demonstrada para acolher esta iniciativa, ao Pingus Vinicus por ter dinamizado a coisa e concentrado a informação para os preparativos do acto, e a todos os comparsas que escrevem, lêem e comentam os nossos blogs, e que tive o prazer de conhecer neste encontro e com os quais troquei opiniões bastante interessantes, enriquecendo mais um pouco os meus conhecimentos sobre este mundo tão fascinante que é o do vinho. Faço votos para que esta tenha sido apenas a primeira de muitas iniciativas do género que se repitam pelo tempo fora. Um brinde a vocês todos.
À nossa!
Kroniketas, enófilo esclarecido e ainda sóbrio
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quarta-feira, 3 de janeiro de 2007
No meu copo, na minha mesa 78 - João Pires 2004; Vinha da Defesa 2004; A Travessa do Rio

Tratando-se de um grupo alargado com outros comensais e mais alguns descendentes, depois de alguns entreténs-de-boca como rissóis, queijos, presunto, ovas e filetes, o pessoal já estava meio jantado quando passámos à ementa. As opções eram variadas e para todos os gostos, mesmo não sendo em número muito elevado. Por consenso entre todos, para 8 adultos e 3 crianças pediram-se 3 doses de filetes de peixe-galo com arroz de marisco e 3 de palleta de cordeiro assada no forno.
Sem ser necessário pedi-lo expressamente, foram servidos primeiro os filetes, que estavam deliciosos assim como o arroz, que veio a acompanhar num prato à parte, malandrinho e de comer e chorar por mais. Rapidamente a minha dose de arroz desapareceu, e o mestre de serviço imediatamente se prontificou a trazer um reforço, mesmo sem eu pedir.
Terminada a função com o peixe, passámos então à carne, que cumpriu o que se esperava. Uns excelentes bocados de cabrito com batatinhas assadas e grelos cozidos, que marcharam até ao fim, embora nesta fase o apetite já fosse desaparecendo, mas perante tão deliciosos pitéus é difícil resistir.
Para acompanhar a refeição pedimos um vinho branco e um tinto. Dados os preços obscenos para o vinho que se continua a praticar nos restaurantes, cada vez é mais difícil escolher vinhos decentes sem ser por valores indecentes. Mas conseguimos fazer duas boas escolhas, dois vinhos que têm lugar assegurado nas nossas sugestões. Para o branco escolheu-se um João Pires, a 9,50 € (preço em feira de vinhos: 4,48 €), por sinal um dos meus brancos preferidos, e para o tinto um Vinha da Defesa, da Herdade do Esporão (que por coincidência foi o vinho bebido há exactamente um ano, na passagem-de-ano anterior), por 14,50 € (preço em feira de vinhos: 6,28 €). Ambos da colheita de 2004.
Como se esperava, estavam os dois excelentes. Já tínhamos feito uma apreciação ao João Pires de 2004. O Vinha da Defesa 2004 tem mais álcool que o de 2003, 14,5%, mostrando um aroma mais exuberante logo de início. Mantém o carácter frutado, com os taninos bem presentes, típicos do Aragonês, mas muito disfarçados por um corpo cheio e um leve toque caramelizado que lhe é dado pelo Castelão. Parece ter melhorado em relação ao de 2003, estar mais apurado, embora quanto a mim continue a verificar-se um excesso de álcool.
Como se aproximava a meia-noite e ainda havia uns doces para degustar em casa com o espumante, abdicámos das sobremesas.
A Travessa do Rio fica num beco entre a Estrada de Benfica e a Avenida Gomes Pereira. A pé pode-se entrar por baixo das arcadas da Estrada de Benfica e está-se imediatamente junto à porta. De carro entra-se pela avenida Gomes Pereira e vira-se para a Travessa do Rio, a última perpendicular antes da Estrada de Benfica. Foi a minha terceira vista a este restaurante, e esta foi a que mais me agradou em termos de refeição e de serviço. Casa cheia e, apesar de tudo, serviço eficiente, pronto, atencioso. Sempre que faltava algo na mesa (nas entradas, nas bebidas ou no prato) logo alguém se prontificava a trazer mais. O serviço de vinhos não é excepcional mas houve o cuidado de servir o vinho tinto em copos adequados, de pé alto, boca larga e em forma de tulipa para podermos arejar e aspirar o aroma do vinho.
Na conta é que fiquei com dúvidas sobre se tínhamos pago mais do que aquilo que comemos nas entradas, pois não sei se todas as doses foram encetadas. Os preços dos pratos não são suaves, na casa dos 15 euros ou mais, mas a qualidade dos mesmos e do serviço compensa largamente. De resto, numa refeição com menos entradas pode-se conseguir pagar um pouco menos. Uma referência a fixar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Restaurante: A Travessa do Rio
Travessa do Rio, 6
1500-551 Lisboa
Telef: 21.716.05.43
Preço por refeição: 30 a 35 €
Nota (0 a 5): 5
Vinho: João Pires 2004 (B)
Vinho: Vinha da Defesa 2004 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Castelão
Preço em feira de vinhos: 6,28 €
Nota (0 a 10): 8
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sábado, 23 de dezembro de 2006
No meu copo 76 - Má Partilha, Merlot 2000
Foi com alguma expectativa que abri esta garrafa. Foi adquirida com a Revista de Vinhos em 2005 com a indicação de guardar por algum tempo. Passado cerca de um ano e meio, dada a idade do vinho, considerei que era chegada a altura de bebê-lo.
Abriu-se a garrafa com alguma antecedência. Inicialmente os aromas apresentaram-se fechados, como seria de esperar, mas o arejamento não melhorou grande coisa. Mostrou-se pouco exuberante e medianamente encorpado, já com alguma evolução nos aromas e na cor. Na boca a fruta andou um pouco escondida e deixou um final um pouco curto.
Embora não desagradasse, não me pareceu ser um vinho de encantar. A casta Merlot origina vinhos suaves, sendo usada em França para equilibrar a maior adstringência da Cabernet Sauvignon. No entanto este Má Partilha acabou por ficar aquém das expectativas. Esperava um vinho com maior frescura, maior vivacidade, o que me levou a não compreender a razão de ser comercializado já com esta idade, pois parece caminhar para algum declínio ou ter estabilizado num patamar donde já não sairá para melhor. Sendo, além disso, comercializado normalmente a preços algo elevados (na casa dos 10 euros ou mais), era de esperar algo mais na linha da “potência, riqueza e complexidade dos seus aromas”, como diz o contra-rótulo. Mas não os encontrei lá. Enfim, fica para uma segunda oportunidade tentar descobrir os encantos escondidos que esta garrafa não me revelou.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Má Partilha, Merlot 2000 (T)
Região: Terras do Sado
Produtor: J. P. Vinhos (agora Bacalhôa Vinhos)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Merlot
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7
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terça-feira, 12 de dezembro de 2006
No meu copo 74 - Lancers Rosé 2005

Aproveitando algumas refeições com entradas ou comidas mais leves para provar vinhos também mais leves, voltamos agora a um rosé, o Lancers, este verdadeiramente leve, com pouco álcool (apenas 10%). Foi provado com patés, tostas e coisas do género.
É um vinho com uma boa frescura, que se bebe com agrado e sem ter o peso do álcool excessivo que também se está a tornar moda noutros rosés. Tem um discreto aroma floral e um paladar frutado muito suave, ligeiramente adocicado, com o senão de um final de boca um pouco curto.
Como entrada, aperitivo ou simplesmente para enganar o calor numa esplanada, está perfeitamente adequado. Beba-se bem fresquinho, de preferência no Verão.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Lancers (R) - Vinho de mesa sem data de colheita
Região: Terras do Sado (sem denominação de origem)
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 10%
Preço em feira de vinhos: 2,56 €
Nota (0 a 10): 6,5
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Etiquetas: JM Fonseca, Rosé, Terras Sado, Vinho de Mesa
sexta-feira, 3 de novembro de 2006
No meu copo 65 - Caves Velhas, 3 “terroirs”; Caves São João Reserva 85

O FC Porto-Benfica de sábado serviu de pretexto para dar um primeiro passo na operação “O desbaste da garrafeira - fase 1”. Perante o excesso de stock que de momento se verifica nas nossas garrafeiras após as compras das feiras, as Krónikas Vinícolas empenham-se no fornecimento dos líquidos para os repastos que se querem frequentes.
Compareceram à chamada o tuguinho (escreve-se sempre com minúscula), o Kroniketas, o Mancha na qualidade de anfitrião, o Pirata e ainda o Politikos na qualidade de artista convidado. Faltou o Caçador, que anda entretido com a caça (vamos ver se dali sai algum material para mais um repasto).
Não tendo havido acordo prévio acerca dos vinhos a servir, decidimos escolher, cada um, dois grupos de 3 garrafas de uma região, para depois submeter à votação.
O tuguinho apresentou 3 varietais do Douro:
- 1 Quinta da Urze Touriga Nacional
- 1 Quinta do Cachão Tinta Roriz
- 1 Quinta do Cachão Tinto Cão
A estes juntaram-se 3 vinhos de Castelão feitos pelas Caves Velhas em 3 regiões diferentes:
- 1 no Ribatejo
- 1 na Estremadura
- 1 em Palmela
O Kroniketas optou por 3 varietais da Casa Cadaval:
- 1 Trincadeira Preta
- 1 Merlot
- 1 Pinot Noir
Como segundo grupo apresentou 3 relíquias da Bairrada:
- 1 Messias Garrafeira de 83
- 1 Vilarinho do Bairro Garrafeira de 83
- 1 Caves São João Reserva de 85
Apareceram ainda um Reserva do Esporão de 1990, levado pelo Pirata, e um Herdade do Pinheiro levado pelo Politikos. O aspecto geral do painel era o que se pode ver no post introdutório a este.
Apesar da insistência do tuguinho, os varietais do Douro foram desde logo rejeitados, porque ninguém estava para aí virado, até porque era inoportuno. Levar vinho do Douro em dia de Porto-Benfica só podia dar azar.
Acabámos por escolher os 3 Caves Velhas, uma compra partilhada de há alguns anos que nos despertou a atenção por terem sido elaborados com a casta Castelão cultivada em 3 regiões diferentes, daí o conjunto ser conhecido como 3 “terroirs”. Deixou-se a respirar o Caves São João, depois de devidamente decantado, para apreciar lá mais para o fim.
Para o repasto compraram-se uns bifes de vazia do Brasil, bem assessorados por uma dose extra de medalhões do lombo da raça Angus. Para a cozinha avançou o Kroniketas, tendo os ditos sido temperados com sal e pimenta e fritos em margarina a que se juntou limão, mostarda, natas e ervas de Provence, que deram um toque aromático excelente. Depois de fritos no ponto certo para deixar a carne tenra e ainda bem rosada, juntaram-se umas gotas de whisky ao molho que ferveu um pouco para engrossar. Regaram-se os bifes com o molho e serviram-se acompanhados por uma dose generosa de batatas fritas.
Passou-se então à degustação dos vinhos.
Começou-se a contenda pelo Caves Velhas do Ribatejo, que pela análise do aroma nos pareceu ser o “mais pronto” para ser bebido. O dito aroma era a frutos vermelhos maduros, o corpo era médio e na boca também se mostrou meão.
Seguiu-se o da Estremadura: o aroma estava um bocado sujo e na boca surgiu com um ligeiro gás a torná-lo desagradável. Parecia demasiado evoluído, mas como muita coisa na vida, nem tudo o que parece é - depois de estagiar por minutos nos copos esse gasoso foi-se e mostrou-se um vinho que, embora não sendo um portento de corpo, revelou sabores que só se apanham num vinho com alguns anos e acabou por ultrapassar o do Ribatejo nas opiniões dos convivas.
A versão Palmela mostrou o que já esperávamos: um Castelão típico, com o sabor a caramelo característico da casta quando criada na suas região de eleição, um corpo razoável e um fim de boca médio.
Mais do que a qualidade intrínseca de cada vinho, que não era nada de extraordinário, o que foi mais interessante nesta prova foi mesmo ver como a mesma casta, em regiões relativamente próximas e com um tratamento idêntico, deu origem a vinhos tão diferentes.
Deixámos o Bairrada para o fim, por respeito aos mais velhos. Mostrou-se saudável, com bons aromas e algo delgado de corpo, embora já não estivesse no seu auge - um Bairrada à moda antiga, daqueles que já se fazem pouco hoje em dia mas que dão muita satisfação a quem sabe esperar para os beber.
Enfim, foi melhor o repasto do que o resultado do futebol.
tuguinho e Kroniketas, enófilos e tudo
Vinhos: Castelão 2000 (T)
Regiões: Ribatejo, Estremadura e Palmela
Produtor: Caves Velhas
Grau alcoólico: 12%
Preço: não disponível
Nota (0 a 10): 6,5
Vinho: Caves São João Reserva 85
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12,5%
Preço: cerca de 1600 $
Nota (0 a 10): 7
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quinta-feira, 16 de março de 2006
No meu copo 30 - João Pires 2004
Outro vinho branco de excelente qualidade. Este João Pires, feito à base da casta Moscatel da região de Setúbal, é bastante aromático, não muito seco como é característico da casta, com cor citrina e aroma floral, bastante fresco na boca e excelente acompanhante de peixes e mariscos. Foi bebido a acompanhar os filetes de robalo com agrião e resultou na perfeição.
O preço também não desencoraja, pelo que estamos perante outra aposta segura. Mais um a merecer lugar nas nossas escolhas. Juntamente com o Prova Régia, estamos perante os meus dois vinhos brancos preferidos.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: João Pires 2004 (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 11%
Casta: Moscatel
Preço em feira de vinhos: 4,89 €
Nota (0 a 10): 8
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Etiquetas: Brancos, JM Fonseca, Moscatel, Terras Sado
