Mostrar mensagens com a etiqueta Tinto Cao. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tinto Cao. Mostrar todas as mensagens

sábado, 14 de novembro de 2009

No meu copo 252 - Poeira 2004; Redoma 2003; Batuta 2004; Portal 30 anos

A propósito dum evento futebolístico, juntou-se o núcleo duro dos Comensais Dionisíacos na casa do Politikos, a jogar em casa nas duas vertentes. Para o evento reservámos umas compras especiais que tinham sido adquiridas em conjunto.
Tivemos perante nós uma plêiade de tintos do Douro de altíssimo nível que resolvemos guardar para ocasião propícia a fim de os desfrutar em confronto com uns bifes à minha moda. A dúvida estava em saber por qual começar. Assim sendo, resolvemos decantá-los com alguma antecedência, depois de os colocar à temperatura adequada, e servimos um pouco de cada para uma primeira aproximação ao modo como cada um iria evoluir.
Acabámos por optar, em primeiro lugar, pelo Poeira 2004, porque foi o que se mostrou desde logo com grande vivacidade. Uma exuberância de aromas frutados e uma estrutura a marcarem a prova, final longo e persistente, a madeira muito discreta e os taninos muito vivos, a conferirem complexidade ao conjunto, foram os traços marcantes deste vinho que já é uma marca de referência nos grandes tintos do Douro, e bem o justificou.
Ficámos então com um duo de tintos Niepoort para o resto da refeição. Depois de eu e o Politikos já termos tido contacto com o portefólio da Niepoort, no fantástico jantar Niepoort promovido pela Wine O’Clock no Jacinto, tínhamos agora a possibilidade de confrontar os vinhos que o integram com os de colheitas já com alguns anos, possivelmente menos marcados pela juventude dos da prova anterior e num patamar de evolução mais favorável à expressão das suas qualidades.
Começámos obviamente pelo Redoma 2003, o do nível intermédio, que acabou por se apresentar com um perfil semelhante ao de 2006, provado anteriormente. Alguma complexidade, macieza e estrutura média, ainda com uma certa frescura na boca. Estava num bom momento para consumir.
Finalmente o Batuta 2004, o topo de gama da casa, que se voltou a mostrar um vinho extraordinário, como já tinha acontecido no jantar da Wine O’Clock, onde se guindou ao primeiro lugar das nossas preferências. Aqui bastante mais domado que o anterior, num patamar de evolução mais tranquilo mas a prometer poder expressar ainda mais qualquer coisa. É um vinho ao mesmo tempo complexo e suave, distinto e elegante. O preço penaliza o consumo, mas esta prova abriu o apetite para voltarmos à carga. A Revista de Vinhos classificou-o, não há muito tempo, como um vinho a caminho da perfeição...
Para finalizar, mais uma surpresa da garrafeira do Politikos na área dos Portos: um 30 anos da Quinta do Portal. Não paro de me surpreender com as provas de vinho do Porto que tive oportunidade de fazer ultimamente, e depois do branco extra-seco de 1939, no jantar Niepoort, e do Lacrima Christi de 1908, no jantar de perdizes antes de férias, este conseguiu subir ainda mais alto e tocar os céus. É provavelmente o melhor vinho do Porto que já bebi. Para fim de noite não podia ter sido melhor. Se o Lacrima Christi foi sublime, este só pode ser celestial! É possivelmente o vinho perfeito.
Feliz noite esta em que tivemos a felicidade de degustar quatro vinhos extraordinários.
Ah, é verdade, também houve um jogo de futebol, que não acabou bem como se desejava. Mas quem se lembrou dele?

tuguinho, Kroniketas, Mancha e Politikos a jogar em casa

Vinho: Poeira 2004 (T)
Região: Douro
Produtor: Jorge Moreira
Grau alcoólico: 14,5%
Preço: 25,90 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Redoma 2003 (T)
Região: Douro
Produtor: Niepoort Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinto Cão
Preço: 26,32 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Batuta 2004 (T)
Região: Douro
Produtor: Niepoort Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional e outras
Preço: 57,50 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Portal 30 anos
Região: Douro/Porto
Produtor: Quinta do Portal
Grau alcoólico: 20%
Nota (0 a 10): 10

terça-feira, 28 de julho de 2009

No meu copo, na minha mesa 250 - Jantar Niepoort no restaurante Jacinto





Realizou-se há duas semanas no restaurante Jacinto, na zona antiga de Telheiras, em Lisboa, o muito aguardado jantar de degustação com vinhos Niepoort, promovido pela Wine O’Clock. Pela quantia de 50 euros os mastigantes e degustantes tiveram direito a uma entrada, um prato de peixe, dois de carne, duas sobremesas, 10 vinhos e uma aguardente, que incidiram basicamente nos que já tinham estado em prova na Wine O’Clock na semana anterior.
As Krónikas Vinícolas fizeram-se representar por este escriba e pelo Politikos, por sinal os primeiros a chegar ao restaurante. Começámos por ser brindados com um vinho do Porto branco Niepoort extra-seco de 1939! Um vinho castanho-cobre, a fazer lembrar um Tawny de 20 ou 30 anos, com uma frescura e intensidade aromática que nunca fariam supor estarmos perante um vinho com a idade do início da 2.ª Guerra Mundial! Notável!
Depois de completo o lote de participantes e já devidamente distribuídos pelas mesas, deu-se início às hostilidades. Tivemos a sorte de ficar na mesa do representante da Niepoort, José Teles, da área comercial, o que foi uma mais-valia, já que além do agradável convívio nos permitiu aprender um pouco mais, tendo mesmo ficado em aberto a visita a uma das quintas da Niepoort por altura das vindimas. A estratégia comercial das marcas passa hoje muito por (in)formar e aproximar os apreciadores/consumidores de vinho, e ainda bem.
Com o prato de entrada foi servido o Redoma rosé 2008, de momento o único rosé da Niepoort. Bastante equilibrado na boca, com aroma predominante a frutos vermelhos, boa estrutura e boa persistência. Fermentou em barricas novas de carvalho francês mas não foi submetido a qualquer estágio. Um vinho concebido para a mesa, mais do que para a esplanada, que casou bem com a salada de queijo de cabra com rúcula, que estava muito fresca e agradável.
Seguiu-se o prato de peixe, bacalhau confitado com pasta de azeitona, com o qual provámos dois vinhos brancos: o Tiara 2008 e o Redoma 2008. O Tiara, mais leve, mais aberto, mais suave e mais elegante, com um perfil mais mineral e cítrico, é um branco para pratos mais frescos e requintados. O Redoma, mais estruturado, resultado da fermentação em barricas de carvalho francês onde estagiou 9 meses, tem a madeira muito bem casada sem se sobrepor aos aromas nem retirar a frescura predominante. Pode ser um branco mais de Inverno que no entanto se enquadra bem no tempo mais quente e que fez boa parceria com os tacos de bacalhau. Em suma, dois brancos de perfis diferentes mas ambos muito agradáveis. Pelos preços anunciados, o Tiara será mais apetecível de comprar...
Finalmente, chegaram as carnes e os tintos, servidos aos pares: um representante da gama mais intermédia da Casa com outro da gama alta. Assim começámos com um Vertente 2007 e um Charme 2007, para acompanhar o mil-folhas de pato com alecrim. Em seguida, para o javali estufado com torta de legumes, uma parelha Redoma 2006 e Batuta 2007 (em garrafa ainda sem rótulo).
Tanto o Vertente como o Redoma são vinhos para um consumo mais imediato, com um perfil mais frutado e encorpado. O Vertente será talvez o mais simples e menos ambicioso, enquanto o Redoma apresenta outra complexidade. Sendo estes dois bons vinhos, não deixam de ser ofuscados pelos dois de topo. O Charme faz inteiro jus ao nome que ostenta: todo ele é charme desde a primeira impressão olfactiva até à prova de boca, marcada por extrema elegância, a pedir pratos plenos de requinte. Foi bem escolhido para o folhado de pato. Já o Batuta apresenta-se mais pujante e complexo, a pedir tempo para se mostrar em plenitude e a prometer longa vida e grandes voos.
Para as sobremesas ainda houve direito a um Porto Vintage de 2007, um Colheita de 98 e uma aguardente vínica. Só provei os Portos que não deixaram os créditos por copos alheios. Um dos primeiros Portos Vintage que me lembro de beber foi um Niepoort de 2003 que estava notável, e este não fugiu à regra. Grande corpo, grande profundidade, um vinho cheio de pujança que nunca mais acaba na boca, apresentando uma exemplar ligação entre a fruta e o álcool. Possivelmente um dos melhores Portos Vintage do país. O Colheita também não se saiu mal da função, com uma predominância a frutos secos e bastante elegante na prova. Já o Politikos, ainda molhou os lábios na aguardente vínica e reputou-a de excelente, aveludada e elegante, com a madeira muito presente mas sem ser agressiva.
Resta falar dos sólidos, onde não é fácil escolher, de tão bem confeccionados estavam. O bacalhau muito bem enquadrado com a pasta de azeitona, o mil-folhas de pato muito saboroso e macio e finalmente o javali, talvez o ponto alto da noite, bastante apetitoso e suculento.
Para as sobremesas veio uma encharcada alentejana em duelo com um pão de rala, irrepreensíveis, e para terminar com o Porto um Petit gâteau com gelado de baunilha que fechou a noite da melhor forma.
Serviço impecável, rápido e eficiente, tanto nos vinhos como nos pratos, não falhou nada nesta refeição magnífica onde todos estão de parabéns. A Wine o’clock porque promoveu, a Niepoort porque forneceu os vinhos, o Jacinto porque serviu, e nós, os felizardos que lá estivemos porque pudemos participar numa refeição notável. Parece que o Jacinto, que atravessou tempos difíceis, está de volta aos melhores dias e a tornar-se um ponto de referência na gastronomia lisboeta.

Kroniketas, enófilo e gastrónomo satisfeito, com Politikos

Restaurante: O Jacinto
Av. Ventura Terra, 2 (Telheiras)
1600 Lisboa
Telef: 21.759.17.28
Nota (0 a 5): 4,5


Região: Douro
Produtor: Niepoort Vinhos

Vinho: Redoma 2008 (R)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Amarela, Touriga Franca, 50% outras
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Tiara 2008 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Codega, Rabigato, Donzelinho, Viosinho, Cercial
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Redoma 2008 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Codega, Rabigato, Donzelinho, Viosinho, Arinto
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vertente 2007 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Amarela, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Redoma 2006 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinto Cão
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Charme 2007 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Batuta 2007 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Porto Niepoort Vintage 2007
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Porto Niepoort Colheita 1998
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Perdizes por um, perdizes por mil

No meu copo 238 - Hexagon 2000; Cartuxa 2006; Porto Taylor’s Vargellas Vintage 2005

Os Comensais Dionisíacos, braço político gastro-etilista que integra os escribas das KV, além dos repastos “oficiais” entre membros celebra também refeições não menos bem regadas, mas mais alargadas em termos de mastigantes, sendo estes supranumerários geralmente os familiares mais próximos.
Sendo caçador um dos associados, é normal que por vezes nestas refeições intervenham como mastigados espécimes das nobres raças abatidas pelo dito cujo ou pelo grupo de caçadores a que se junta na função, geralmente perdizes, lebres ou javalis. Fomos portanto reunidos em casa do Kroniketas (que não é o membro caçador – é mais deglutidor) para degustar um grupo de perdizes incautas, cozinhadas pela consorte do caçador de formas simples mas saborosas: umas com um molho à base de natas e whisky com cogumelos, outras envolvidas em couve lombarda acolitada por tirinhas de bacon.
Outro objectivo que se mantém nestes repastos alargados é acompanhá-los de bons néctares – também conhecido no meio como “desbaste da garrafeira”! Para este em particular escolheram-se, além de alguns brancos sortidos e fresquinhos – provenientes da sempre bem recheada garrafeira do anfitrião (Alvor 2007, Quinta de Camarate branco seco 2007, Murganheira 2007) – para acompanharem as entradas, um Esporão Reserva de 2006, um Hexagon de 2000 em formato magnum (o tal vinho das 6 castas e 6 gerações) e um Cartuxa de 2006 que apareceu à última hora pela mão de um dos convivas. Para as sobremesas abriu-se um Porto Taylor’s Vargellas Vintage de 2005.
Coleccionando as reacções dos presentes, poderá dizer-se que o Esporão Reserva, após a recente experiência, re-deslumbrou, depois de uma travessia do deserto em algumas colheitas anteriores, com o Alicante Bouschet a dar-lhe um toque muito especial. Definitivamente um regressado aos mais altos lugares da nossa consideração vínica. O Hexagon, completamente diferente do anterior, mostrou-se um vinho de alto gabarito, com um perfil austero, ainda mais depois da festa que o Esporão tinha provocado no nariz e na boca dos beberrões, mas com uma estrutura extraordinária e a deixar-nos desconfiados de que ainda havia por ali muita coisa escondida. Comprem e bebam, porque é assim que um vinho excelente deve ser (uma das maneiras de o ser, como é óbvio). (Mete aqui a colherada o Kroniketas para ser mais generoso mas sucinto nos encómios. Só uma palavra: extraordinário!).
Ficou o Cartuxa para o final – uma ou outra ordem teria sempre justificação ou recusa – e não se deixou diminuir perante os outros dois. Sendo mais novo que o Hexagon e da mesma colheita que o Esporão, justificou-se plenamente a vivacidade exuberante, mostrando-se mais corpulento, mais fechado e mais robusto que o seu compadre alentejano, disse bem alto que estava ali para lutar: um vinho excelente que seria o centro das atenções se estivesse só. Teve um pouco de azar com os competidores.
Enfim, para não vos causar mais inveja, direi que, embora pessoalmente prefira os Vintage com um perfil como o utilizado pela Ramos Pinto, o Porto Vintage Vargellas cumpriu em pleno. Um festival de aromas a frutos vermelhos, de grande exuberância na boca e no nariz, pleno de vigor e juventude, a mostrar que está ali pronto para altos voos e longa vida na garrafa. O nosso único problema é comprá-lo e esperar uns 10 ou 20 anos até voltar a prová-lo. A verdade é que nem os morangos, nem a mousse de chocolate ou o bolo rançoso se queixaram.
Em resumo, um repasto que se pautou pela delícia gastronómica e pela excelência vínica. Para recordar.

tuguinho, enófilo impenitente e bloguista intermitente

Vinho: Hexagon 2000 (T) (garrafa magnum)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Syrah e Tannat
Preço em supermercado: 53,89 €
Nota (0 a 10): 9,5

Vinho: Cartuxa 2006 (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alfrocheiro, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 13,95 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Porto Taylor’s Vargellas Vintage 2005
Região: Douro/Porto
Produtor: Taylor’s
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: 33,48 €
Nota (0 a 10): 9

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

No meu copo, na minha mesa 219 - Dona Berta 2005; Restaurante Isaura



Parece mentira mas passaram 12 anos (!!!) desde a última visita a este restaurante de Lisboa, situado entre a Avenida Almirante Reis e a Praça de Londres. Não por nenhuma razão especial mas porque sempre que se falava em ir aqui acabava-se sempre por escolher outro. E como tínhamos memórias das visitas anteriores… Foi aqui que pela primeira vez provámos o Luís Pato Vinhas Velhas, foi aqui que em Fevereiro de 96 decidimos provar o Barca Velha de 83, foi aqui que assistimos a um fascinante ritual de decantação e serviço do vinho num carrinho com os copos e o decanter aquecidos e com uma vela por baixo. O que nós aprendemos desde essa altura...
Finalmente decidi-me a lá voltar. O famoso escanção Sr. Costa continua lá a brindar-nos com o seu desvelo pelo vinho, a garrafeira continua incomparável, a carta de vinhos é mais uma enciclopédia que uma carta. Para os amantes do vinho é indispensável fazer uma visita a este verdadeiro templo de Baco e deixar-se guiar pelos sábios conselhos do Sr. Costa.
Quanto à ementa, destaque para as carnes, com diversos tipos de bifes. Aqui a opção recaiu no bife à Isaura, com um molho especial e ovo a cavalo, acompanhado por batatas fritas e esparregado. Mal passado e muito tenro e suculento, irrepreensível.
No que respeita ao vinho, olhámos para as imensas prateleiras repletas de garrafas, vimos o preço na enorme carta e tentámos escolher um que não queimasse muito (felizmente no Isaura os preços do vinho, ao contrário da generalidade dos restaurantes portugueses, não são obscenos e pode-se escolher bons vinhos por preços relativamente acessíveis). Como apontámos para um vinho do Douro, o Sr. Costa interveio e sugeriu-nos o Dona Berta Reserva 2005, que disse que iria bem com os bifes. Assim se fez.
Aqui começou o ritual. Lá veio o carrinho de serviço com o decanter e os copos adequados, o vinho foi cuidadosamente vertido com a vela por baixo para ver se não escorre nenhum depósito do vinho e finalmente foi colocada uma pinga em cada copo, previamente agitado e cheirado pelo Sr. Costa antes de ser colocado na mesa para os comensais provarem. Serviço 5 estrelas!
Quanto ao vinho, prima mais pela suavidade que pela pujança e a exuberância frutada que marcam a tendência actual, e apresenta um grau alcoólico aceitável, o que é uma ilha no meio da corrente. Contudo pareceu-me algo curto na prova de boca, deixando a ideia que ganharia com mais alguma estrutura e persistência. Será adequado para pratos não muito carregados de temperos. É um vinho correcto e agradável, pronto a deixar-se beber, mas talvez um pouco linear. Pelo preço que custa espera-se um pouco mais.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Isaura
Avenida de Paris, 4-B
1000-228 Lisboa
Telef: 21.848.08.38
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Dona Berta Reserva 2005 (T)
Região: Douro
Produtor: Hernâni Verdelho
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca, Tinto Cão
Preço no restaurante: 22 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

No meu copo 212 - Evel Grande Escolha 2003; Grantom 2001

Continuamos nos domínios da Real Companhia Velha, com mais dois tintos. Um é uma versão nova de um vinho antigo, o Evel, o outro, o Grantom, é um regional Trás-os-Montes.
Este Evel Grande Escolha, existente há menos de 10 anos e que pretende ser o topo de gama da casa, pôs-me algumas dúvidas quanto ao momento de consumo. Adquirido com a Revista de Vinhos em 2006, portanto ainda relativamente novo, decidi esperar algum tempo, seguindo aliás o conselho que a revista dava, mas a dúvida era sempre a mesma, uma vez que não conhecia o vinho: até quando?
A verdade é que quando eu e o tuguinho resolvemos abri-lo, com menos de 5 anos de idade, revelou-se algo decepcionante. Estávamos à espera dum vinho pujante e com alguma exuberância aromática, mas não foi nada disso que encontrámos. Apareceu com os aromas algo escondidos e muito redondo e linear na boca. É, aliás, uma situação algo recorrente em certos vinhos do Douro, possivelmente terá acontecido o mesmo com a prova do Quinta dos Aciprestes Reserva 2003, referido no post anterior, ou então já passou a melhor fase, o que é duvidoso dada a sua idade.
Como havia mais vinhos em prova acabou por ficar ainda uma boa parte na garrafa. A surpresa veio no dia seguinte, em que o vinho estava muito melhor. Aí sim, mostrou maior complexidade e maior persistência, com a fruta bem integrada na madeira. Dito isto, e voltando a comparar as minhas impressões com as provas de outros blogues (Saca-a-rolha, prova de Setembro de 2006 e Pingas no Copo, colheita de 2001 provada em Maio de 2006), fico com a sensação de que estou com azar no momento das provas ou nas garrafas que me calham. E tendo em conta que não fiz nenhuma das provas sozinho (o problema podia ser só meu), a sensação foi partilhada. Portanto, fico a pensar porque é que dois vinhos adquiridos com a Revista de Vinhos e bastante elogiados pelos comparsas eno-bloguistas me passaram mais ou menos ao lado. Será que os deveria ter provado mais cedo? Deveria tê-los decantado uma ou duas horas antes? Neste caso do Evel Grande Escolha 2003, tendo em conta que só passadas 24 horas é que o vinho se revelou, como prepará-lo para a prova sem saber o que ia encontrar? Sendo assim, a nota que atribuímos é sob reserva.
Já o Grantom 2001 mostrou logo o que era. Este sim, mais pujante, mais exuberante nos aromas e mais complexo, com boa estrutura na boca e final longo, taninos presentes a dar firmeza ao conjunto mas sem ofuscarem o perfil aromático e o equilíbrio da prova. Muito bom para o preço que custa e adequado para acompanhar pratos fortes de carne.
Dito isto, fica a pergunta: o que é que me está aqui a faltar para usufruir na plenitude do que supostamente seriam dois belos vinhos, tendo em conta que a temperatura de serviço, os copos e até os pratos servidos à refeição estavam adequados? Alguém quer dar um palpite? Será que faltou decantar uma hora ou duas antes? Mas como saber sem conhecer o vinho? O produtor não deveria dar essa indicação no contra-rótulo quando tal se justifica? São raríssimos (menos de 1%, diria eu) os casos em que isso acontece.

Kroniketas, enófilo desconfiado

Produtor: Real Companhia Velha

Vinho: Evel Grande Escolha 2003 (T)
Região: Douro
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinto Cão
Preço em feira de vinhos: 12,38 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Grantom 2001 (T)
Região: Trás-os-Montes
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 4,75 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 17 de julho de 2008

No meu copo 191 - Planalto 2007; Diálogo 2005


A primeira passagem pel'Os Arcos agradou, pelo que resolvemos voltar à carga, desta vez para um prato de carne. Como o tempo estava quente, resolvemos começar por refrescar com meia garrafa de Planalto, o branco seco do Douro da Sogrape que é sempre uma aposta simpática. À semelhança de outros brancos relativamente leves e secos, este é sempre agradável de beber, com uma boa acidez e notas florais, corpo médio e um final persistente e refrescante. Nota-se a presença da Malvasia Fina a dar um perfil mais arredondado ao vinho dentro do seu carácter predominantemente seco. Neste caso acompanhámo-lo apenas com uns entreténs-de-boca enquanto aguardávamos a “pièce de résistance” que neste caso eram duas, divididas a meias: uma posta à mirandesa e um bife Wellington. Ela na sua tradicional disposição, ele acoitado em massa folhada, muito tenro e suculento.
Para a carne escolhemos um Diálogo, uma das recentes criações de Dirk Niepoort já divulgada por alguns comparsas da blogosfera, como o Vinho da casa e Os Vinhos. Este vinho tem a particularidade de apresentar um rótulo ilustrado pelo cartoonista Luís Afonso, sobejamente conhecido pelos cartoons que faz há muitos anos quer no jornal A Bola quer no Público, com o célebre Bartoon. É aliás nas personagens do Bartoon que este alentejano de Serpa se inspira para ilustrar o diálogo do rótulo entre o barman e um cliente.
Quanto ao conteúdo líquido, encontrámos um vinho macio, pronto a beber, tal como o produtor anuncia adequado “para todos os dias e não apenas para momentos especiais”. Apresenta-se com uma cor carregada, aroma a frutos vermelhos, redondo na boca sem deixar de mostrar alguns taninos bem amansados e um leve toque a especiarias. Apenas 20% da produção estagiou em barrica, pelo que a madeira passa aqui quase despercebida.
Enfim, o que se pode dizer é que é um vinho relativamente despretensioso e que nesse registo cumpre bem a sua função, sem deixar de mostrar uma qualidade apetecível. A macieza e frescura que apresenta podem torná-lo um bom tinto de Verão.

tuguinho e Kroniketas, enófilos e gastrónomos e etc.

Vinho: Planalto 2007 (B)
Região: Douro
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Malvasia Fina, Gouveio, Viosinho, Códega
Preço em feira de vinhos: 4,59 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Diálogo 2005 (T)
Região: Douro
Produtor: Niepoort Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinto Cão
Preço: cerca de 7,5 €
Nota (0 a 10): 7

domingo, 24 de junho de 2007

No meu copo, na minha mesa 123 - Muxagat 2003; O Nobre (Montijo)



Uma ida à “outra margem” para ver um espectáculo musical levou as Krónikas Vinícolas a passar junto a este famoso restaurante, que visitámos há 8 anos ainda na Ajuda, em Lisboa. Desde logo ficou a vontade de redescobrir este espaço com tradição na gastronomia, junto à Praça de Toiros do Montijo. E uma bela noite lá fomos pela ponte Vasco da Gama a caminho do novo Nobre.
O novo espaço é amplo e arejado, com um grande parque de estacionamento logo à chegada e entrada para uma sala enorme. As mesas estão dispostas de modo a haver um generoso espaço de circulação, e mesmo assim tem capacidade para uma boa centena de pessoas.
A recepção aos clientes é atenciosa e desde logo somos confrontados com algumas entradas na mesa, ao que se segue uma enorme ementa de entradas, especialidades, peixes, carnes, etc. O difícil é escolher.
Escolhemos um folhado de caça brava e uma costeleta de vitela à mirandesa. Mas antes experimentámos a já famosa sopa de santola, que veio dentro da concha da própria santola e se revelou bastante saborosa.
O folhado vinha acompanhado de alface com umas rodelinhas de maçã, para refrescar o folhado, embora qualquer acompanhamento mais sólido não fizesse mal nenhum. A costeleta trouxe um acompanhamento mais habitual, batatas fritas e brócolos cozidos, regada com azeite. Ambos estavam bastante saborosos e, a meio do folhado, já começávamos a ficar atestados.
Para sobremesa ainda tivemos coragem para avançar para uma sopa dourada, que veio servida num prato enorme polvilhado à volta com açúcar em pó e canela. Uma delícia que já foi difícil derrotar, mas aguentámos estoicamente o desafio até ao fim.
Para os líquidos a oferta também era enorme. Surpreendentemente, para o nível do restaurante, os preços praticados não são obscenos, conseguindo-se escolher vinhos na casa dos 20 €, e foi precisamente um desses que escolhemos. Uma novidade: Muxagat 2003, produzido por Mateus Nicolau de Almeida, filho de João Nicolau de Almeida (enólogo e administrador da Ramos Pinto) e neto de Fernando Nicolau de Almeida, o criador do Barca Velha. Portanto, a 3ª geração também já voa sozinha e já tem o seu próprio vinho, que deve o seu nome ao local onde se situa a vinha, próximo da localidade de Muxagata, a poucos quilómetros de Vila Nova de Foz Côa. Bem no coração do Douro Superior, portanto, ali nas vizinhanças da Quinta da Ervamoira (já visitada por nós o ano passado), da Quinta da Leda, da Quinta do Vale Meão, berços de alguns dos melhores vinhos da região… e do país.
E que dizer deste Muxagat? Para começar, pouca informação no contra-rótulo, o que não nos permite saber quais são as castas utilizadas. Presumivelmente lá estarão a Touriga Nacional, a Tinta Roriz, a Tinta Barroca, a Touriga Franca ou o Tinto Cão. Fazendo fé na informação indicada neste post do Vinho da Casa, destas só a Tinta Barroca não está lá.
Na cor é bastante concentrado, a puxar para o retinto, no aroma apresenta sugestões de frutos vermelhos maduros. Na prova é bem encorpado, com um ligeiro toque apimentado, uma acidez correcta bem casada com a madeira, que não se sobrepõe a um conjunto equilibrado com final persistente. Para esse equilíbrio contribui também o grau alcoólico moderado, “apenas” 13%, o que é raro nos tempos que correm, principalmente no Douro, mas que talvez revele uma nova tendência para voltarmos a graus alcoólicos “normais”, o que seria bastante agradável. Em suma, um vinho simpático por um preço teoricamente acessível.
Resta acrescentar que esta era a única garrafa existente no restaurante e, segundo o chefe de sala, é um vinho pouco solicitado, que só é pedido por conhecedores. Imaginem... Esta calhou-nos bem.
Quanto ao restaurante, já íamos preparados para abrir os cordões à bolsa, recordando a despesa de há 8 anos. Logo o preço dos pratos ameaçava fazer subir a parada. Depois, o preço do vinho acabou por equilibrar a coisa. No final, duas refeições por 91 euros. Mas pela qualidade do serviço e da confecção, vale a pena ir lá. Não é todos os anos, mas de vez em quando sabe bem fazer uma pequena extravagância destas. Até porque nos ficou a luzir no olho uma perdiz à transmontana que estava na ementa...

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Restaurante: O Nobre
Avenida de Olivença
2870 Montijo
Telef: 21.231.75.11/96.982.52.78 - Fax: 21.231.75.14
E-mail: nobremontijo@sapo.pt
Preço médio por refeição: 45/50 €
Nota (0 a 5): 5

Vinho: Muxagat 2003 (T)
Região: Douro
Produtor: Muxagat Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Tinto Cão, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço no restaurante: 19,50 €
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 21 de junho de 2007

No meu copo 122 - Hexagon 2003

O fascínio por este vinho vem desde o 1º encontro de eno-blogs, realizado em Janeiro na York House. Na altura, para mim foi a grande surpresa da noite.
Um dia destes, numa visita à Makro deparámo-nos com este à venda, tendo sido adquirida uma singela garrafa para dividir por dois. E não perdemos muito tempo a bebê-la. Fizemo-lo a acompanhar umas costeletas de novilho grelhadas.
É curiosa a referência ao nome do vinho no contra-rótulo: os seis lados do hexágono relacionados com seis castas e seis gerações da família José Maria da Fonseca, onde agora predomina como enólogo Domingos Soares Franco. “Hexagon é a procura da excelência que tem marcado a minha geração e a minha família ao longo dos tempos”, diz Soares Franco. E com este vinho conseguiu-a.
Não decantámos o vinho, mas ele merecia. Fomo-lo degustando calmamente e ao longo de uma hora desenvolveu aromas fantásticos, apresentando um fim de boca que nunca mais acaba. Um vinho que nos enche a boca e que apetece ficar ali a saborear por tempo indeterminado. Taninos bem firmes mas redondos, madeira bem integrada num conjunto de grande complexidade de aromas e sabores. É o topo de gama da José Maria da Fonseca, e está lá muito bem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Hexagon 2003 (T)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah, Tinto Cão, Trincadeira, Tannat
Preço em hipermercado: 33,04 €
Nota (0 a 10): 9

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

No meu copo 91 - Porto Quinta do Infantado LBV 2001

Pois que do jantar dos "bandalhos" (e não "cambada", como equivocamente o Kroniketas referiu) parece que me calhou dissertar sobre o vinho dos finalmentes (ou dos quase-finalmentes, porque alguns acabaram mesmo foi com uma aguardente do INIA) - um LBV do ano de 2001, da Quinta do Infantado.

Já me foi dado provar uns quantos LBV, uns filtrados, outros não, e de diversos estilos. Cumpre-me assim confessar várias coisas: acho que os filtrados ficam pífios, quando comparados com os que não sofreram essa operação; gosto mais dos que assumidamente são mais "frutados".

Posto isto, direi que este Quinta do Infantado não me encheu as medidas. É certo que se bebe sem problema, mas pareceu-me demasiado seco e delgado para os meus gostos em termos de LBV, apesar de não ser filtrado. Já bebi bem melhor da Ramos Pinto ou da Dow's, para só mencionar alguns.

Em conclusão, pelo preço que este custou há coisas melhores. Mas nisto como noutras coisas, é uma questão de gosto, e os gostos não se discutem. Lamentam-se!

tuguinho, enófilo esforçado

Vinho: Porto Quinta do Infantado LBV 2001 (T)
Região: Douro/Porto
Produtor: Quinta do Infantado
Grau alcoólico: 19,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz, Tinto Cão
Preço em feira de vinhos: 12,89 €
Nota (0 a 10): 6,5

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Prova à Quinta - O primeiro


Cister da Ribeira 2001

Respondendo ao desafio lançado pelo Copo de 3 (tinto português com menos de 13% de álcool) as Krónikas Vinícolas associam-se à iniciativa. Para esta primeira prova, e por falta de oportunidade para uma escolha mais criteriosa, aproveitei um vinho que me ofereceram à saída do Encontro com o Vinho. É um Douro da região de Cima Corgo, um Cister da Ribeira de 2001, da Quinta de Ventozelo, situada em Ervedosa do Douro, perto de São João da Pesqueira. É feito com as castas mais representativas da região do Douro: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca.
Apesar de ter boa matéria-prima, o resultado é francamente pobre. Tem uma cor rubi carregada, o aroma é discreto, a prova na boca pouco exuberante, com algumas notas de especiarias muito pouco pronunciadas, talvez um pouco de couro e um final curto, corpo delgado e acidez talvez um pouco acima do ideal para a graduação do vinho: 12,5%.
Em suma, pareceu-me um vinho um pouco desequilibrado nas suas componentes, que não deixa grandes memórias. É mais uma daquelas experiências do Douro que me deixam de pé atrás quando saímos dos topos de gama. Fui depois consultar os catálogos das feiras de vinhos e percebi porque é que este vinho custa o que custa. Mas na gama mais baixa, e por esse preço, pode-se comprar e beber muito melhor.
Enfim, para começar a prova não foi uma escolha muito feliz, vamos ver se para as próximas tenho mais sorte.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cister da Ribeira 2001 (T)
Região: Douro
Produtor: Quinta de Ventozelo
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca

Preço em feira de vinhos: 1,68 €
Nota (0 a 10): 5