
As coisas por aqui têm estado tendencialmente paradas. No passado dia 11 de Dezembro fizemos 5 anos de existência neste blog e 7 no seu irmão mais velho, o Krónikas Tugas, sem que, contrariamente a todos os outros anos, a efeméride tivesse sido assinalada. Outros interesses, outras solicitações, mudanças na rotina, o entusiasmo e o apelo para a escrita que já não são os mesmos do início, são tudo factores que têm contribuído para o decréscimo de publicações nestes blogues. É a vida. Mas a intenção, muitas vezes, ainda existe. A vontade é que nem tanto.
Desta vez, contudo, não quisemos deixar de partilhar com quem ainda nos vai visitando uma experiência que tivemos recentemente com um vinho de eleição e um dos nossos preferidos desde há alguns anos: o Quinta da Leda 2007, o terceiro vinho no topo da hierarquia dos vinhos da Casa Ferreirinha, a seguir ao Barca Velha e ao Reserva Especial.
A última vez que aqui escrevemos sobre este vinho, relativamente à colheita de 2001, as nossas expectativas saíram um pouco defraudadas. Daí para cá tivemos oportunidade de conhecer outras colheitas deste vinho e do Callabriga (que está no patamar imediatamente abaixo), sobre as quais nada escrevemos. Esta, contudo, é incontornável.
Aproveitando uma promoção da Garrafeira Nacional, que baixou o preço em 5 euros em relação ao actual, adquirimos duas garrafas a partilhar por cinco comparsas, e um destes fins-de-semana bebemo-las com umas costeletas de novilho.
Começámos por provar um branco que o Politikos adquiriu no Egipto, cujo rótulo é indecifrável. Não fazemos, por isso, a menor ideia das castas que o compõem, mas não foi mau. Alguma mineralidade, frescura e acidez quanto baste, não brilhou mas não desagradou de todo.
Enquanto petiscávamos uns acepipes como entrada bebericando o branco, tratámos do Quinta da Leda de duas formas diferentes: decantámos uma garrafa e deixámos a outra apenas aberta para comparar os dois. Quando passámos às costeletas atacámos então a primeira garrafa, a que estava decantada.
O resultado foi encantador; sentimo-nos esmagados por este vinho. Primeiro que tudo, a extrema elegância e um aroma profundo, com um ligeiro toque a caramelo e fruta adocicada. No prolongamento da prova de boca aparece a madeira muito ligeira e discreta, taninos de seda a envolverem um conjunto de grande harmonia. Finalmente surge a estrutura e persistência a dar um final longo e firme. No confronto com as costeletas de novilho mal passadas, a elegância marcou pontos com o suculento da carne enquanto a estrutura aguentou o tempero com um molho algo condimentado. Apesar de ainda jovem mostrou-se um vinho maduro e plenamente capaz para ser bebido. Poderia degustar-se por várias horas. Um dos comparsas chamou-lhe um Rolls Royce.
Ao passar à segunda garrafa, percebeu-se como foi avisado decantar a primeira. Esta estava com os aromas muito mais fechados que a primeira, sem a mesma exuberância. À medida que se foi esvaziando e arejando foi-se aproximando da anterior, sem nunca atingir o mesmo esplendor. A conclusão é que para usufruir deste vinho em toda a sua plenitude convém dar-lhe tempo para se libertar.
Finalmente, abrimos um Herdade das Servas 2008 que o mais recente comparsa quis partilhar com os restantes comensais. Depois dum Rolls Royce era difícil brilhar, mas ainda deu para perceber uma boa estrutura e um vinho potente e poderoso, capaz de se bater com pratos fortes. Um vinho a rever a solo e uma aposta interessante por um preço aceitável.
Kroniketas, enófilo preguiçoso
Vinho: Quinta da Leda 2007 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço: 24,90 €
Nota (0 a 10): 9,5
Vinho: Herdade das Servas 2008 (T)
Região: Alentejo (Borba - Estremoz)
Produtor: Herdade das Servas
Grau alcoólico: 15%
Castas: Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Aragonês, Syrah
Preço: cerca de 8 €
Nota (0 a 10): 8
quinta-feira, 10 de março de 2011
No meu copo 277 - Quinta da Leda 2007; Herdade das Servas 2008
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quinta-feira, 20 de maio de 2010
No meu copo 274 - Douro Sogrape Reserva 2002; Casa de Santar Reserva 2005
Deixámos para o fim o Casa de Santar Reserva 2005, também um velho conhecido das nossas garrafeiras, que claramente nos convenceu. Apesar de ser um vinho de 2005, apresentou-se no copo com uma cor algo acobreada. Inicialmente fechado no nariz e algo concentrado na boca, foi evoluindo ao longo da refeição. Fomos conversando entre nós mas também com ele, como um velho amigo que se reencontra e com o qual vamos engrenando a conversa. Foi-nos evocando no nariz adegas velhas e vinhos antigos e na boca apresentou-se estruturado e elegante, sem, contudo, perder a personalidade típica do Dão. Um Dão clássico que, pela maior elegância, agradou mais ao Politikos do que um Cabriz Reserva 2006 bebido recentemente. A recuperar e confirmar as impressões de ambos em prova comparada num destes dias, à semelhança de experiências anteriores.
Um gelado de natas coberto com chocolate quente fechou a contenda com chave de ouro.
Politikos e Kroniketas, enófilos em libações intercalares por via da visita papal
Vinho: Douro Sogrape Reserva 2002 (T)
Região: Douro
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço: 10,98 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Casa de Santar Reserva 2005 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade Agrícola de Santar - Dão Sul
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 8,97 €
Nota (0 a 10): 8
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
No meu copo 264 - Cabriz Reserva 2004
Já se tornou um clássico nas nossas escolhas, a par do Casa de Santar Reserva. Este Reserva da Dão Sul é um dos bons exemplos do que pode ser um vinho de qualidade acima da média por um preço que não escalda.
Esta colheita de 2004 foi degustada precisamente em pendant com o exemplar restante do Casa de Santar Reserva 2003, já aqui anteriormente apreciado. É uma prova que vale a pena fazer para comparar o perfil de dois vinhos com algumas semelhanças mas com diferenças evidentes.
Nesta prova comparada o Cabriz mostrou-se um pouco mais robusto, como seria de esperar, mas sem deixar de ser elegante. Muito frutado com predominância de frutos vermelhos e flores silvestres, com final persistente e um toque a especiarias. O Casa de Santar mostrou-se ainda em grande forma mas com mais elegância e um bouquet mais profundo. Foram servidos a acompanhar umas deliciosas costeletas de borrego grelhadas e quer um quer outro saíram-se muito bem da contenda. Vale a pena comprar e recomprar, porque são daqueles vinhos para os quais uso uma frase que gosto de repetir: nunca nos deixam ficar mal.
Kroniketas, fã do Dão e da Dão Sul
Vinho: Cabriz Reserva 2004 (T)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 6,95 €
Nota (0 a 10): 8
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010
No meu copo 263 - Quinta de Pancas 2007
Ao tradicional Cabernet Sauvignon juntaram-se neste Quinta de Pancas “simples” a Touriga Nacional e o Alicante Bouschet. Sem ter as mesmas pretensões do ícone da casa, não deixa de ser um vinho bem elaborado e estruturado, com aroma frutado e algumas notas de compota e especiarias, suave na boca suave e com final persistente. Estagiou 9 meses em carvalho francês e apresenta a madeira bem integrada e discreta conferindo alguma complexidade ao conjunto.
Tratando-se de um vinho de combate, parece-me bem posicionado para ter sucesso nesta gama e bater-se com os campeões de vendas de outras casas. Merece entrar nas nossas escolhas.
Kroniketas, enófilo recatado
Vinho: Quinta de Pancas 2007 (T)
Região: Estremadura (Regional Lisboa)
Produtor: Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 7,5
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
No meu copo 261 - .Beb Premium 07, Herdade do Paço do Conde Reserva 05; São Rosas (Estremoz)


Como se comprovou, a escolha não poderia ter sido melhor. O São Rosas voltou a mostrar o nível de excelência que eu lhe tinha descortinado na anterior visita. Serviço impecável, rápido, eficiente, atencioso, sem falhas. Dois ou três funcionários revezando-se para o serviço de mesa e um especificamente para o serviço de vinhos, que não se coíbe de aconselhar, sugerir e trocar impressões com os clientes. E, desta vez, até fomos recebidos pela própria Margarida Cabaço, proprietária e criadora daquele espaço.
A primeira dificuldade prendeu-se com a escolha do almoço, dada a variedade de opções. Resolvemos fazer uma partilha de pratos, começando por uma tarte de perdiz, a que seguiram umas migas com entrecosto e, já com o estômago quase cheio, umas burras estufadas. Difícil dizer qual estava melhor, tão boa era a confecção de todos. O erro aqui foi ter pedido três pratos e não apenas dois, pois com a «vaquinha» efectuada acabámos por ficar mais fartos devido à mistura de pratos e à espera entre eles.
Para o final, já bem saciados, apenas se pediu uma encharcada para sobremesa que foi dividida entre dois dos comensais.
Quanto aos líquidos, tendo eu provado na anterior visita um vinho de Tiago Cabaço, filho da proprietária do restaurante, de nome .Com, deparámos agora com um outro na prateleira chamado .Beb 2007, um patamar acima. Não deslustrou. É um vinho jovem, com um aroma predominantemente frutado, corpo médio e um final algo discreto. Tem uma designação original, aliás como os irmãos .Com e Blog, o último dos quais parece ser o topo de gama da marca. Rótulo e contra-rótulo apresentam um design clean. Tudo ali anda, pois, de mão dada, o carácter do vinho e a roupa exterior da garrafa. Um vinho que, não sendo brilhante, é honesto e não defrauda. Terminada a primeira garrafa, a dificuldade de escolha da segunda. Encontrámos na carta uma das nossas paixões, um Sogrape Reserva, escolha desde logo secundada por outro dos convivas, mas infelizmente o escanção não encontrou as garrafas, pelo que acabámos por experimentar, por sugestão do mesmo, um Herdade do Paço do Conde Reserva 2005. Um vinho produzido próximo de Beja, na zona de Baleizão (a terra onde Catarina Eufémia foi morta por um tenente da GNR em 1954). Este mostrou-se mais complexo do que o anterior, com aromas mais profundos, um outro corpo e outra persistência na boca.
No final, saímos plenamente satisfeitos com o magnífico repasto que nos foi proporcionado, por um preço que, não sendo barato, não escandaliza e faz pleno jus à qualidade da casa. Não correrei o risco de errar de forma escandalosa se disser que este deve ser um dos melhores restaurantes do país.
Saídos do restaurante, depois de desfrutarmos um pouco da amenidade da tarde e da paisagem que se avista do castelo de Estremoz, rumámos finalmente ao Monte Seis Reis para a aguardada visita às instalações seguida da prova de vinhos. Mas aí a história já foi outra.
Kroniketas, com Politikos, gastrónomos de barriga cheia
Vinho: .beb Premium 2007 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Tiago Cabaço
Grau alcoólico: 14%
Castas: Cabernet Sauvignon, Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 7,45 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Herdade Paço do Conde Reserva 2005 (T)
Região: Alentejo (Beja)
Produtor: Sociedade Agrícola Encosta do Guadiana
Grau alcoólico: 14%
Castas: Syrah, Touriga Nacional, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 17 €
Nota (0 a 10): 7,5
Restaurante: São Rosas
Nota (0 a 5): 5
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domingo, 6 de dezembro de 2009
No meu copo 257 - Bétula 2008; Duas Quintas Reserva 2003; Concha y Toro Late Harvest, Reserva Privada 2006
Na abertura provámos um branco duriense de seu nome Bétula, ofertado pelo produtor às Krónikas Vinícolas, o que publicamente agradecemos. Talvez por aqui já se tenha dito – mas não é demais repetir e também foi dito ao produtor – que somos todos amantes e amadores do vinho. Somos compradores e bebedores e não críticos, só que gostamos de escrever e de partilhar as provas. Não estimulamos as ofertas mas aceitamo-las, porque nos permitem conhecer novidades, não significando a aceitação das mesmas, como é bom de ver, nenhuma garantia de uma apreciação mais favorável. Aqui não se fazem jeitos. 10 000 euros, caixas de robalos ou equipamentos desportivos não são endereçáveis a esta confraria...
Posto isto e dito assim de forma crua, atirámo-nos ao Bétula 2008 bem fresco, virgens de espírito e sem nenhumas expectativas. Ao mesmo tempo fomos debicando umas lascas de presunto e de outros enchidos, acompanhadas de pão escuro. E o Bétula passou com distinção na prova! Trata-se de um vinho feito com as castas Viognier, fermentada em carvalho francês, e Sauvignon Blanc, fermentada em inox. Apresenta-se com uma cor citrina carregada, madeira ligeira, muito discreta e muito bem integrada no vinho. A madeira nos vinhos é um pouco como o tempero nos alimentos, tem de ser usada na conta certa sob pena de os descaracterizar, e neste Bétula a madeira está presente na dose certa, conferindo-lhe alguma complexidade mas permitindo-lhe manter a fruta, de notas tropicais, a frescura e uma acentuada mineralidade. O Bétula é um daqueles vinhos que provam que se podem fazer bons brancos portugueses. Degustámos apenas uma garrafa, deixando a outra para uma próxima oportunidade.
Prontas a comer vieram umas costeletinhas de novilho grelhadas que de diminutivo só tinham mesmo o nome, tal a generosidade das doses, acolitadas por arroz branco e batatas fritas. A acompanhá-las abrimos duas garrafas de Duas Quintas Reserva 2003, que tínhamos em stock na garrafeira dos Comensais. É um vinho com seis meses de estágio em pipas de carvalho novo, que depois de engarrafado na Quinta dos Bons Ares envelheceu dois anos em garrafa. Apresentou-se retinto na cor, exuberante nos aromas, já com algum bouquet, uma grande estrutura, onde predominam os frutos vermelhos, e um final de boca muito prolongado. A madeira está lá mas nem se nota. Os taninos, ligeiros e muito bem domados, completam o leque. É um vinho de grande, grande nível, diríamos quase perfeito. Houve grandes loas ao dito por parte dos comensais. Um ou outro aventuraram-se mesmo a dizer que está no lote dos melhores vinhos portugueses que já beberam. Temos também umas garrafitas do Duas Quintas Reserva Especial (adquiridas para a comunidade pelo Kroniketas depois de ter conhecido o vinho numa prova com João Nicolau de Almeida, na Wine O’Clock) no qual, após esta prova, depositamos legitimamente grandes expectativas. É um daqueles vinhos na presença dos quais se percebe melhor a expressão popular: «que grande pomada!». É realmente um vinho untuoso, que se mastiga e que escorrega como mel. Um êxtase para os sentidos.
Para finalizar, aletria, arroz doce e uma mousse de chocolate negro com natas, debruada de farripas de chocolate igualmente negro, permitiram-nos provar um Concha Y Toro Late Harvest Reserva Privada 2006, da região de Maule Valley no Chile - um verdadeiro néctar, com notas de mel, passas e fruta muito madura. Muito doce e muito exuberante no olfacto e no palato. Para alguns de nós foi uma estreia na prova destes Colheitas Tardias e uma revelação. A exuberância no nariz e na boca é tão grande que quase passa por licoroso.
Politikos, artista amador e convidado, a puxar a carroça do KV, com Kroniketas, tuguinho e Mancha
Vinho: Bétula 2008 (B)
Região: Douro (Regional Duriense)
Produtor: Catarina Montenegro - Quinta do Torgal
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Viognier (50%), Sauvignon (50%)
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Duas Quintas Reserva 2003 (T)
Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional (2/3), Touriga Franca, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 19,59 € (comprado em 2007)
Nota (0 a 10): 9,5
Vinho: Late Harvest Reserva Privada 2006 (B)
Região: Maule Valley (Chile)
Produtor: Concha Y Toro
Grau alcoólico: 12%
Casta: Sauvignon Blanc
Nota (0 a 10): 8
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
No meu copo 256 - Quatro Castas Reserva 2005
Ainda com as colheitas de 2002 e 2003 em casa, uma passagem pela Makro fez-nos deparar com a colheita de 2005 já à venda, que aproveitámos para comprar e beber de imediato ao jantar. Mais uma vez este tinto do Esporão, feito com as melhores quatro castas de cada ano (daí o nome) e que temos seguido desde o seu lançamento, encheu-nos as medidas, guindando-se a um patamar que rivaliza com o ícone da casa, o Esporão Reserva.
Não tendo decantado previamente a garrafa, o vinho começou por se apresentar um pouco fechado e com os aromas escondidos. Parecia algo curto e delgado na boca. Mas logo o tempo se encarregou de corrigir a situação. Meia hora e meia garrafa depois, aí estava ele em todo o seu esplendor, a mostrar toda a sua estrutura e robustez e a soltar toda uma panóplia de aromas. Mantém o perfil a que nos habituou, com um corpo e uma exuberância aromática notáveis, taninos bem firmes mas elegantes, madeira muito equilibrada e o álcool muito bem disfarçado e integrado no conjunto.
Correndo o risco de repetir o que já disse acerca deste vinho em posts anteriores, continuo a considerar que se bate de igual para igual com a marca que ostenta o nome da casa e por vezes o supera. São vinhos de perfis diferentes mas ambos excelentes. As recentes provas de ambos levam-nos a considerar para uma ocasião propícia uma prova comparada dos dois. Estou certo de que vai valer a pena.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quatro Castas Reserva 2005 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Syrah (em partes iguais)
Preço em feira de vinhos: 12,26 €
Nota (0 a 10): 9
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sábado, 28 de novembro de 2009
No meu copo 255 - Porta dos Cavaleiros Reserva, Touriga Nacional 2007
As Caves São João são uma das mais antigas empresas de produção de vinho em Portugal, com uma origem que remonta a 1920.
Alguns dos seus vinhos emblemáticos são nossos conhecidos há muitos anos, como o Frei João, o Frei João Reserva, o Caves São João Reserva e o Porta dos Cavaleiros. Já tivemos algumas experiências extraordinárias com algumas relíquias desta casa, como aconteceu com uma garrafa magnum de Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada de 1975. Nos últimos anos os vinhos destas caves andaram um pouco longe da ribalta, e durante algum tempo era praticamente impossível encontrar o Frei João Reserva, o Caves São João Reserva e o Porta dos Cavaleiros Reserva. O reencontro de certa forma ocorreu numa das últimas edições do Encontro com o vinho, onde a empresa estava representada com novos lançamentos destes vinhos. Neste momento já é possível encontrá-los à venda.
Há alguns meses experimentámos uma garrafa de Porta dos Cavaleiros Reserva 2002 que não convenceu, ficando em suspenso uma nova prova para tirar dúvidas. Mas entretanto encontrámos à venda uma versão monocasta deste vinho, que desde logo tratámos de adquirir.
Foi uma boa revelação. Trata-se de um vinho suave e aromático, com aroma predominantemente frutado e floral que lhe é conferido pela Touriga Nacional. Na boca é medianamente encorpado com boa persistência e final adocidado e aveludado, mas em que se notam taninos firmes.
Pareceu ter potencial para melhorar com mais um ou dois anos de garrafa, e tendo em conta o preço moderado parece ser uma boa opção de compra. Uma prova a repetir e uma marca a considerar nos recomendáveis.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Porta dos Cavaleiros Reserva, Touriga Nacional 2007 (T)
Região: Dão
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional (100%)
Preço em feira de vinhos: 5,85 €
Nota (0 a 10): 7,5
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Pondo a escrita em dia... (2)
No meu copo 254 - Casa Burmester Reserva 05; Quinta de Pancas, Selecção do Enólogo 04; Gouvyas Vinhas Velhas 04; Porto Quinta de La Rosa Vintage 2000
(continuação)
O pontapé de saída foi dado por um Casa Burmester Reserva 2005 que já havia estado escalado várias vezes para jogar na equipa principal mas fora sempre preterido em função de outras escolhas. Entrou agora e teve uma boa prestação. É um vinho frutado mas não em excesso, o que lhe confere elegância e sofisticação. A fruta está lá mas não abafa tudo à sua volta. É uma escolha para ser revisitada.
Seguiu-se um Quinta de Pancas, Selecção do Enólogo 2004, um blend de três castas, muito bem casadas. Um vinho equilibrado, resultado do casamento harmonioso das boas características das 3 castas presentes: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional e Alicante Bouschet, e em que nenhuma se sobrepõe às outras. De realçar a boa integração das especiarias do Cabernet Sauvignon que não são fáceis de abafar mas que ali estão presentes no ponto certo, não sobressaindo em demasia. A mim, convenceu-me, e se pensarmos na relação preço-qualidade, temos ali um vinho muito competitivo para o patamar de preço em que se encontra. É um vinho moderno, bem feito. Uns dirão que um pouco redondo e sem traço de diferenciação com outros, o que é verdade, mas que não deixa, por isso, de ser um bom vinho.
Passámos, então, a um Gouvyas Vinhas Velhas 2004. A opinião geral foi que se tratava de um vinho com grande personalidade. Muito diferente dos anteriores. É um vinho feito à moda antiga, complexo, estruturado, espesso, robusto, que evoca vinhos passados. Atrever-me-ia mesmo a dizer um vinho rústico, descontando aqui a componente negativa da palavra. Integrou-se na refeição e com os vinhos já provados como aquelas mobílias rústicas de boa qualidade que podem estar na mesma divisão com móveis Luís XVI, sem destoar e, pelo contrário, brilhar e até os ofuscar pela diferença. É feito de uvas provenientes de vinhas velhas, o que se nota bem. Não há muitos vinhos como este Gouvyas e os que há só existem no Douro. É um vinho que claramente pode marcar a tal diferenciação que o vinho português procura face aos outros. Sendo eu apreciador de vinho do Porto, e por isso tendencioso, continuo a achar, ao beber estes Douros, ou Douros com este perfil, que estou a provar um Porto, sem aguardente. E que se perdeu ali um belo vintage.
Fechámos a refeição com uma mousse de chocolate, que é uma das incondicionais sobremesas dos repastos da sociedade, acompanhada por um elegante vintage Quinta de La Rosa 2005. É um vinho de cor rubi, límpido no copo. No nariz tem um ataque ainda algo vinoso mas na boca mostrou-se já com a fruta – framboesa e amora – bastante arredondada. Apesar de estar pronto a beber, ganharia ainda mais em sofisticação e elegância se fosse bebido mais tarde. É sempre uma pena bebê-los novos, mas pena maior é não chegar a velho para os beber...
Politikos, artista amador convidado em versão enófilo-futebolística
Vinho: Casa Burmester Reserva 05 (T)
Região: Douro
Produtor: Sogevinus - Casa Burmester
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em hipermercado: 10,90 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta de Pancas, Selecção do Enólogo 04 (T)
Região: Estremadura (Alenquer)
Produtor: Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 4,99 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Gouvyas Vinhas Velhas 04 (T)
Região: Douro
Produtor: Bago de Touriga
Grau alcoólico: 14,5%
Preço em hipermercado: 36,5 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Porto Quinta de La Rosa Vintage 05 (T)
Região: Douro/Porto
Produtor: Quinta de La Rosa
Grau alcoólico: 20%
Nota (0 a 10): 7,5
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sábado, 14 de novembro de 2009
No meu copo 252 - Poeira 2004; Redoma 2003; Batuta 2004; Portal 30 anos
A propósito dum evento futebolístico, juntou-se o núcleo duro dos Comensais Dionisíacos na casa do Politikos, a jogar em casa nas duas vertentes. Para o evento reservámos umas compras especiais que tinham sido adquiridas em conjunto.
Tivemos perante nós uma plêiade de tintos do Douro de altíssimo nível que resolvemos guardar para ocasião propícia a fim de os desfrutar em confronto com uns bifes à minha moda. A dúvida estava em saber por qual começar. Assim sendo, resolvemos decantá-los com alguma antecedência, depois de os colocar à temperatura adequada, e servimos um pouco de cada para uma primeira aproximação ao modo como cada um iria evoluir.
Acabámos por optar, em primeiro lugar, pelo Poeira 2004, porque foi o que se mostrou desde logo com grande vivacidade. Uma exuberância de aromas frutados e uma estrutura a marcarem a prova, final longo e persistente, a madeira muito discreta e os taninos muito vivos, a conferirem complexidade ao conjunto, foram os traços marcantes deste vinho que já é uma marca de referência nos grandes tintos do Douro, e bem o justificou.
Ficámos então com um duo de tintos Niepoort para o resto da refeição. Depois de eu e o Politikos já termos tido contacto com o portefólio da Niepoort, no fantástico jantar Niepoort promovido pela Wine O’Clock no Jacinto, tínhamos agora a possibilidade de confrontar os vinhos que o integram com os de colheitas já com alguns anos, possivelmente menos marcados pela juventude dos da prova anterior e num patamar de evolução mais favorável à expressão das suas qualidades.
Começámos obviamente pelo Redoma 2003, o do nível intermédio, que acabou por se apresentar com um perfil semelhante ao de 2006, provado anteriormente. Alguma complexidade, macieza e estrutura média, ainda com uma certa frescura na boca. Estava num bom momento para consumir.
Finalmente o Batuta 2004, o topo de gama da casa, que se voltou a mostrar um vinho extraordinário, como já tinha acontecido no jantar da Wine O’Clock, onde se guindou ao primeiro lugar das nossas preferências. Aqui bastante mais domado que o anterior, num patamar de evolução mais tranquilo mas a prometer poder expressar ainda mais qualquer coisa. É um vinho ao mesmo tempo complexo e suave, distinto e elegante. O preço penaliza o consumo, mas esta prova abriu o apetite para voltarmos à carga. A Revista de Vinhos classificou-o, não há muito tempo, como um vinho a caminho da perfeição...
Para finalizar, mais uma surpresa da garrafeira do Politikos na área dos Portos: um 30 anos da Quinta do Portal. Não paro de me surpreender com as provas de vinho do Porto que tive oportunidade de fazer ultimamente, e depois do branco extra-seco de 1939, no jantar Niepoort, e do Lacrima Christi de 1908, no jantar de perdizes antes de férias, este conseguiu subir ainda mais alto e tocar os céus. É provavelmente o melhor vinho do Porto que já bebi. Para fim de noite não podia ter sido melhor. Se o Lacrima Christi foi sublime, este só pode ser celestial! É possivelmente o vinho perfeito.
Feliz noite esta em que tivemos a felicidade de degustar quatro vinhos extraordinários.
Ah, é verdade, também houve um jogo de futebol, que não acabou bem como se desejava. Mas quem se lembrou dele?
tuguinho, Kroniketas, Mancha e Politikos a jogar em casa
Vinho: Poeira 2004 (T)
Região: Douro
Produtor: Jorge Moreira
Grau alcoólico: 14,5%
Preço: 25,90 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Redoma 2003 (T)
Região: Douro
Produtor: Niepoort Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinto Cão
Preço: 26,32 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Batuta 2004 (T)
Região: Douro
Produtor: Niepoort Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional e outras
Preço: 57,50 €
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Portal 30 anos
Região: Douro/Porto
Produtor: Quinta do Portal
Grau alcoólico: 20%
Nota (0 a 10): 10
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sexta-feira, 31 de julho de 2009
Perdizes por um, perdizes para dez
No meu copo 251 - Veuve Roth, Pinot Gris 2007; Delicato, Chardonnay 2005; Delicato, Zinfandel 2005 rosé; Herdade do Pinheiro 2007 rosé; Herdade do Perdigão Reserva 2005; Quinta da Viçosa 2003; Herdade do Meio Garrafeira 2003; Vieux Magon 2001


E pronto, para assinalar o fim do ano de trabalho e ajudar a esgotar o stock de perdizes do caçador de serviço, juntando mais uma operação da missão nunca terminada de “desbaste da garrafeira”, o plenário dos Comensais Dionisíacos reuniu-se em versão familiar para o que já começa a ser um “must” na primeira metade do Verão: o “jantar de fim de época”, desta vez em versão caseira com o Politikos e respectiva consorte e descendência a servirem de anfitriões para o repasto. Compareceram à chamada quase todos os membros efectivos, só havendo faltas por impossibilidade justificada.
Enquanto as senhoras se dedicavam à confecção das aves, os homens entretinham-se com a selecção das garrafas. Para começar optou-se por um Veuve Roth, Pinot Gris 2007, um branco francês que tinha provado há algum tempo na Wine O’Clock. Muito macio, delicado e de grande suavidade, ligeiramente adocicado mas com uma excelente acidez que o torna muito fresco e equilibrado, já me tinha conquistado na prova anterior e voltou a fazê-lo. Não é um vinho para grandes refeições mas como aperitivo ou entrada ou com pratos delicados vai francamente bem.
Seguiu-se um Delicato Chardonnay 2005, desta vez um branco californiano que apareceu mais suave do que a maioria dos Chardonnay, mais frutado e sem aquele amanteigado que marca muitos dos vinhos da casta, com aromas tropicais e sem a habitual marca da madeira que o torna demasiado pesado para o meu gosto.
Passou-se depois para os rosés. O anfitrião insistiu em que experimentássemos outro Delicato que não fez o pleno das opiniões. Um verdadeiro rosé de esplanada, adocicado e não muito gastronómico. No entanto algumas das senhoras preferem os mais doces pelo que ainda houve aproveitamento do conteúdo da garrafa. Passou-se imediatamente a outro rosé que já estava preparado, um Herdade do Pinheiro 2007. Mais seco, persistente e com maior acidez, agradou à generalidade dos presentes.
Quando as perdizes vieram para a mesa, confeccionadas em duas variedades já experimentadas com sucesso (estufadas com couve lombarda e com cogumelos em molho de natas de soja) passou-se então ao painel dos tintos, constituído por belos vinhos do Alentejo. A escolha para início das hostilidades recaiu num Herdade do Perdigão Reserva 2005. Foi um sucesso. Alvo dos maiores encómios, mostrou-se um vinho de grande carácter, pujante, persistente, muito vivo mas arredondado, a mostrar que está para durar. Sem dúvida um vinho a repetir.
Seguiu-se um Quinta da Viçosa 2003, um dos vinhos especiais de João Portugal Ramos. É feito com a melhor casta portuguesa e a melhor casta estrangeira da colheita de cada ano. Neste caso temos uma combinação algo “sui generis “de Touriga Nacional e Merlot, tal como já houve outras combinações improváveis como Aragonês e Petit Verdot ou Trincadeira e Syrah. Este 2003 apresentou-se essencialmente elegante e suave, em claro contraste com o Herdade do Perdigão. Um vinho mais aconselhado para pratos delicados e requintados, talvez pouco adequado para a caça que tínhamos no prato mas que também merece outra oportunidade.
Continuando no Alentejo, experimentámos depois um Herdade do Meio Garrafeira 2003, uma promoção da feira de vinhos do Continente de 2008. A prova anterior desta casa não agradou mas este mostrou outro nível. Muito bem estruturado, encorpado e persistente, com taninos firmes mas domados. Uma bela surpresa pelo preço que custou.
Por fim, o anfitrião ainda fez questão de nos brindar com uma garrafa de vinho da Tunísia, produzido na região da antiga Cartago. Contra as expectativas mais pessimistas, não defraudou. Apresentou-se elegante e suave na boca, medianamente encorpado, com boa concentração de cor e alguma persistência de madeira. Não sendo excepcional, não é de menosprezar.
Para fecho da noite, já atirados a uma mousse e a um gelado de chocolate, tivemos o ponto alto com a abertura duma relíquia que o Politikos tinha lá em casa: um Lacrima Christi sem data, mas com uma indicação de 1908 no contra-rótulo! Sublime! Não há palavras para descrevê-lo. E ainda houve tempo para os mais resistentes provarem uma aguardente de figo da Tunísia, Boukha Gold, com 36% de álcool.
Depois ainda se seguiram algumas baforadas de charuto e cachimbo para os mais aficionados, mas isso são outras histórias... Agora vamos a banhos.
Kroniketas, tuguinho, e os outros todos
Vinho: Veuve Roth, Pinot Gris 2007 (B)
Região: Alsácia (França)
Produtor: Les Caves de La Route du Vin
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Pinot Gris
Preço: 9,50 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Delicato, Chardonnay 2005 (B)
Região: Califórnia (EUA)
Produtor: Delicato Family Vineyards - Manteca - Califórnia
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Chardonnay
Preço: 4,22 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Delicato, Zinfandel 2005 (R)
Região: Califórnia (EUA)
Produtor: Delicato Family Vineyards - Manteca - Califórnia
Grau alcoólico: 10%
Casta: White Zinfandel
Preço: 3,96 €
Nota (0 a 10): 5,5
Vinho: Herdade do Pinheiro 2007 (R)
Região: Alentejo (Ferreira)
Produtor: Sociedade Agrícola Silvestre Ferreira
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço: 4,88 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Herdade do Perdigão Reserva 2005 (T)
Região: Alentejo (Monforte)
Produtor: Herdade do Perdigão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço: 12,50 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Quinta da Viçosa 2003 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Merlot
Preço: 22,10 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Herdade do Meio Garrafeira 2003 (T)
Região: Alentejo (Portel)
Produtor: Casa Agrícola João & António Pombo - Herdade do Meio
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Castelão
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Vieux Magon 2001 (T)
Região: Mornag (Tunísia)
Produtor: Les Vignerons de Carthage - Tunis
Grau alcoólico: 13%
Preço: 9 €
Nota (0 a 10): 7
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terça-feira, 28 de julho de 2009
No meu copo, na minha mesa 250 - Jantar Niepoort no restaurante Jacinto




Realizou-se há duas semanas no restaurante Jacinto, na zona antiga de Telheiras, em Lisboa, o muito aguardado jantar de degustação com vinhos Niepoort, promovido pela Wine O’Clock. Pela quantia de 50 euros os mastigantes e degustantes tiveram direito a uma entrada, um prato de peixe, dois de carne, duas sobremesas, 10 vinhos e uma aguardente, que incidiram basicamente nos que já tinham estado em prova na Wine O’Clock na semana anterior.
As Krónikas Vinícolas fizeram-se representar por este escriba e pelo Politikos, por sinal os primeiros a chegar ao restaurante. Começámos por ser brindados com um vinho do Porto branco Niepoort extra-seco de 1939! Um vinho castanho-cobre, a fazer lembrar um Tawny de 20 ou 30 anos, com uma frescura e intensidade aromática que nunca fariam supor estarmos perante um vinho com a idade do início da 2.ª Guerra Mundial! Notável!
Depois de completo o lote de participantes e já devidamente distribuídos pelas mesas, deu-se início às hostilidades. Tivemos a sorte de ficar na mesa do representante da Niepoort, José Teles, da área comercial, o que foi uma mais-valia, já que além do agradável convívio nos permitiu aprender um pouco mais, tendo mesmo ficado em aberto a visita a uma das quintas da Niepoort por altura das vindimas. A estratégia comercial das marcas passa hoje muito por (in)formar e aproximar os apreciadores/consumidores de vinho, e ainda bem.
Com o prato de entrada foi servido o Redoma rosé 2008, de momento o único rosé da Niepoort. Bastante equilibrado na boca, com aroma predominante a frutos vermelhos, boa estrutura e boa persistência. Fermentou em barricas novas de carvalho francês mas não foi submetido a qualquer estágio. Um vinho concebido para a mesa, mais do que para a esplanada, que casou bem com a salada de queijo de cabra com rúcula, que estava muito fresca e agradável.
Seguiu-se o prato de peixe, bacalhau confitado com pasta de azeitona, com o qual provámos dois vinhos brancos: o Tiara 2008 e o Redoma 2008. O Tiara, mais leve, mais aberto, mais suave e mais elegante, com um perfil mais mineral e cítrico, é um branco para pratos mais frescos e requintados. O Redoma, mais estruturado, resultado da fermentação em barricas de carvalho francês onde estagiou 9 meses, tem a madeira muito bem casada sem se sobrepor aos aromas nem retirar a frescura predominante. Pode ser um branco mais de Inverno que no entanto se enquadra bem no tempo mais quente e que fez boa parceria com os tacos de bacalhau. Em suma, dois brancos de perfis diferentes mas ambos muito agradáveis. Pelos preços anunciados, o Tiara será mais apetecível de comprar...
Finalmente, chegaram as carnes e os tintos, servidos aos pares: um representante da gama mais intermédia da Casa com outro da gama alta. Assim começámos com um Vertente 2007 e um Charme 2007, para acompanhar o mil-folhas de pato com alecrim. Em seguida, para o javali estufado com torta de legumes, uma parelha Redoma 2006 e Batuta 2007 (em garrafa ainda sem rótulo).
Tanto o Vertente como o Redoma são vinhos para um consumo mais imediato, com um perfil mais frutado e encorpado. O Vertente será talvez o mais simples e menos ambicioso, enquanto o Redoma apresenta outra complexidade. Sendo estes dois bons vinhos, não deixam de ser ofuscados pelos dois de topo. O Charme faz inteiro jus ao nome que ostenta: todo ele é charme desde a primeira impressão olfactiva até à prova de boca, marcada por extrema elegância, a pedir pratos plenos de requinte. Foi bem escolhido para o folhado de pato. Já o Batuta apresenta-se mais pujante e complexo, a pedir tempo para se mostrar em plenitude e a prometer longa vida e grandes voos.
Para as sobremesas ainda houve direito a um Porto Vintage de 2007, um Colheita de 98 e uma aguardente vínica. Só provei os Portos que não deixaram os créditos por copos alheios. Um dos primeiros Portos Vintage que me lembro de beber foi um Niepoort de 2003 que estava notável, e este não fugiu à regra. Grande corpo, grande profundidade, um vinho cheio de pujança que nunca mais acaba na boca, apresentando uma exemplar ligação entre a fruta e o álcool. Possivelmente um dos melhores Portos Vintage do país. O Colheita também não se saiu mal da função, com uma predominância a frutos secos e bastante elegante na prova. Já o Politikos, ainda molhou os lábios na aguardente vínica e reputou-a de excelente, aveludada e elegante, com a madeira muito presente mas sem ser agressiva.
Resta falar dos sólidos, onde não é fácil escolher, de tão bem confeccionados estavam. O bacalhau muito bem enquadrado com a pasta de azeitona, o mil-folhas de pato muito saboroso e macio e finalmente o javali, talvez o ponto alto da noite, bastante apetitoso e suculento.
Para as sobremesas veio uma encharcada alentejana em duelo com um pão de rala, irrepreensíveis, e para terminar com o Porto um Petit gâteau com gelado de baunilha que fechou a noite da melhor forma.
Serviço impecável, rápido e eficiente, tanto nos vinhos como nos pratos, não falhou nada nesta refeição magnífica onde todos estão de parabéns. A Wine o’clock porque promoveu, a Niepoort porque forneceu os vinhos, o Jacinto porque serviu, e nós, os felizardos que lá estivemos porque pudemos participar numa refeição notável. Parece que o Jacinto, que atravessou tempos difíceis, está de volta aos melhores dias e a tornar-se um ponto de referência na gastronomia lisboeta.
Kroniketas, enófilo e gastrónomo satisfeito, com Politikos
Restaurante: O Jacinto
Av. Ventura Terra, 2 (Telheiras)
1600 Lisboa
Telef: 21.759.17.28
Nota (0 a 5): 4,5
Região: Douro
Produtor: Niepoort Vinhos
Vinho: Redoma 2008 (R)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Amarela, Touriga Franca, 50% outras
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Tiara 2008 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Codega, Rabigato, Donzelinho, Viosinho, Cercial
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Redoma 2008 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Codega, Rabigato, Donzelinho, Viosinho, Arinto
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Vertente 2007 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Amarela, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Redoma 2006 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinto Cão
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Charme 2007 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Batuta 2007 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Porto Niepoort Vintage 2007
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Porto Niepoort Colheita 1998
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz
Nota (0 a 10): 8
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quarta-feira, 3 de junho de 2009
No meu copo 244 - Lello 2006
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Lello 2006 (T)
Região: Douro
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges & Irmão
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 2,79 €
Nota (0 a 10): 7
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Etiquetas: Borges, Douro, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Tintos, Touriga Franca, Touriga Nacional
quarta-feira, 27 de maio de 2009
No meu copo 242 - Quinta do Peru branco 2008; Dão Borges, Touriga Nacional 2005
Uma surtida com o tuguinho e o Politikos levou-nos aos Arcos, já um lugar obrigatório pela excelência do serviço e da culinária, para repetir o saboroso robalo no capote e o bife Wellington, desta vez complementados com um delicioso e suculento bife pimenta. Tal como nas visitas anteriores, 5 estrelas.Para os líquidos, com uma vasta escolha à disposição, estivemos algo indecisos. O objectivo, como fazemos muitas vezes nestas ocasiões, era experimentar vinhos que não conhecêssemos, e assim acabámos por seguir a sugestão do escanção de serviço, quer para o acompanhamento do peixe quer da carne.
Deste modo travámos conhecimento com um Quinta do Peru branco de 2008, produzido em Azeitão, que fomos bebericando enquanto esperávamos pacientemente pela confecção do robalo no capote. Apresentou-se um vinho com bom aroma como é habitual nos brancos da península de Setúbal que, apesar dos seus 13,5 graus de álcool, não se mostrou pesado nem com o teor alcoólico excessivamente marcado. Uma pouco habitual combinação de duas castas que começam a impor-se um pouco por todo o lado, Viosinho e Verdelho, resultou neste branco em que uma acidez correcta, boca fresca, corpo e final medianos, cor entre o citrino e o palha e algumas notas de frutos brancos foram as características mais evidentes. Acompanhou com agrado o robalo e os entreténs-de-boca, de tal modo que ainda tivemos que pedir um reforço antes de passarmos aos substanciais bifes.
Para os bifes, seguindo novamente a sugestão do escanção, apontámos ao Dão para um Touriga Nacional da Borges de 2005 que foi uma belíssima revelação. Era um vinho debaixo de olho há muito tempo mas ainda não tinha calhado cruzar-me com ele. Veio na melhor altura, batendo-se em grande estilo com os bem temperados bifes. Tivemos aqui um exemplar da Touriga Nacional ao melhor nível, fugindo um pouco ao habitual floral e marcado por uma evidente robustez e taninos bem firmes. Ganhou com a decantação e foi-se revelando em aromas frutados ao longo da refeição, mantendo sempre uma admirável persistência. Ficámos rendidos a este belíssimo representante do novo fôlego do Dão.
Ainda deixámos umas gotas para o misto de sobremesas que encerrou o magnífico repasto, onde fomos reencontrar algumas já provadas nas anteriores visitas. O preço foi bem puxado (53 € por cabeça), mas caramba, para aquele nível até não se pode considerar chocante.
Kroniketas, com tuguinho e Politikos em trânsito pela marginal
Vinho: Quinta do Peru 2008 (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: Sociedade Agrícola Ribeira da Várzea
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Viosinho, Verdelho
Preço em hipermercado: 9,46 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Borges, Touriga Nacional 2005 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em hipermercado: 22,90 €
Nota (0 a 10): 8,5
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quarta-feira, 20 de maio de 2009
No meu copo 240 - Grand’Arte, Touriga Nacional rosé 2007

Como habitualmente por esta época, começam a surgir as oportunidades a pedir
vinhos frescos que substituam os habituais tintos das grandes comezainas. Este rosé foi adquirido o ano passado com a Revista de Vinhos de Julho.
À semelhança do rosé feito de Touriga Nacional da Quinta da Alorna, que me encheu as medidas, este Grand’Arte apresenta um aroma frutado com predominância a morangos e framboesas, complementado com algum floral típico da casta.
Com um grau alcoólico moderado que se saúda neste tempo a caminhar para o quente, o que o torna mais apelativo, apresenta-se muito equilibrado nas suas componentes e muito fresco na prova. Uma boa companhia para dias de verão ou para entradas ou refeições leves. Muito agradável.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Grand’Arte, Touriga Nacional 2007 (R)
Região: Estremadura
Produtor: DFJ Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Casta: Touriga Nacional
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7,5
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quarta-feira, 13 de maio de 2009
Perdizes por um, perdizes por mil
No meu copo 238 - Hexagon 2000; Cartuxa 2006; Porto Taylor’s Vargellas Vintage 2005

Os Comensais Dionisíacos, braço político gastro-etilista que integra os escribas das KV, além dos repastos “oficiais” entre membros celebra também refeições não menos bem regadas, mas mais alargadas em termos de mastigantes, sendo estes supranumerários geralmente os familiares mais próximos.
Sendo caçador um dos associados, é normal que por vezes nestas refeições intervenham como mastigados espécimes das nobres raças abatidas pelo dito cujo ou pelo grupo de caçadores a que se junta na função, geralmente perdizes, lebres ou javalis. Fomos portanto reunidos em casa do Kroniketas (que não é o membro caçador – é mais deglutidor) para degustar um grupo de perdizes incautas, cozinhadas pela consorte do caçador de formas simples mas saborosas: umas com um molho à base de natas e whisky com cogumelos, outras envolvidas em couve lombarda acolitada por tirinhas de bacon.
Outro objectivo que se mantém nestes repastos alargados é acompanhá-los de bons néctares – também conhecido no meio como “desbaste da garrafeira”! Para este em particular escolheram-se, além de alguns brancos sortidos e fresquinhos – provenientes da sempre bem recheada garrafeira do anfitrião (Alvor 2007, Quinta de Camarate branco seco 2007, Murganheira 2007) – para acompanharem as entradas, um Esporão Reserva de 2006, um Hexagon de 2000 em formato magnum (o tal vinho das 6 castas e 6 gerações) e um Cartuxa de 2006 que apareceu à última hora pela mão de um dos convivas. Para as sobremesas abriu-se um Porto Taylor’s Vargellas Vintage de 2005.
Coleccionando as reacções dos presentes, poderá dizer-se que o Esporão Reserva, após a recente experiência, re-deslumbrou, depois de uma travessia do deserto em algumas colheitas anteriores, com o Alicante Bouschet a dar-lhe um toque muito especial. Definitivamente um regressado aos mais altos lugares da nossa consideração vínica. O Hexagon, completamente diferente do anterior, mostrou-se um vinho de alto gabarito, com um perfil austero, ainda mais depois da festa que o Esporão tinha provocado no nariz e na boca dos beberrões, mas com uma estrutura extraordinária e a deixar-nos desconfiados de que ainda havia por ali muita coisa escondida. Comprem e bebam, porque é assim que um vinho excelente deve ser (uma das maneiras de o ser, como é óbvio). (Mete aqui a colherada o Kroniketas para ser mais generoso mas sucinto nos encómios. Só uma palavra: extraordinário!).
Ficou o Cartuxa para o final – uma ou outra ordem teria sempre justificação ou recusa – e não se deixou diminuir perante os outros dois. Sendo mais novo que o Hexagon e da mesma colheita que o Esporão, justificou-se plenamente a vivacidade exuberante, mostrando-se mais corpulento, mais fechado e mais robusto que o seu compadre alentejano, disse bem alto que estava ali para lutar: um vinho excelente que seria o centro das atenções se estivesse só. Teve um pouco de azar com os competidores.
Enfim, para não vos causar mais inveja, direi que, embora pessoalmente prefira os Vintage com um perfil como o utilizado pela Ramos Pinto, o Porto Vintage Vargellas cumpriu em pleno. Um festival de aromas a frutos vermelhos, de grande exuberância na boca e no nariz, pleno de vigor e juventude, a mostrar que está ali pronto para altos voos e longa vida na garrafa. O nosso único problema é comprá-lo e esperar uns 10 ou 20 anos até voltar a prová-lo. A verdade é que nem os morangos, nem a mousse de chocolate ou o bolo rançoso se queixaram.
Em resumo, um repasto que se pautou pela delícia gastronómica e pela excelência vínica. Para recordar.
tuguinho, enófilo impenitente e bloguista intermitente
Vinho: Hexagon 2000 (T) (garrafa magnum)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Syrah e Tannat
Preço em supermercado: 53,89 €
Nota (0 a 10): 9,5
Vinho: Cartuxa 2006 (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alfrocheiro, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 13,95 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Porto Taylor’s Vargellas Vintage 2005
Região: Douro/Porto
Produtor: Taylor’s
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: 33,48 €
Nota (0 a 10): 9
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domingo, 22 de fevereiro de 2009
No meu copo 235 - Três grandes vinhos, ou três vinhos caros?
Caladessa 2003; Herdade das Servas, Touriga Nacional 2003; Mouchão 2003

Falemos então um pouco dos vinhos que motivaram os dois posts anteriores. Estes três vinhos foram servidos com todos os cuidados, para que nada pudesse influenciar negativamente a prova. Tinham em comum vários factores: eram todos do Alentejo, todos de 2003, todos com 14,5% de álcool. Feito o balanço não se pode dizer, de forma alguma, que não são bons vinhos, mas voltamos ao mesmo: esperávamos efectivamente um pouco mais de cada um deles.
O primeiro a ser provado foi o Mouchão, o tal que o tuguinho achou que talvez não valesse a pena comprar pelo preço que custava. Apresentou-se de cor muito concentrada, encorpado e robusto mas ao mesmo tempo elegante. Inicialmente os aromas apresentaram-se fechados, evoluindo para algumas notas de compotas. Ficámos sem perceber se ainda evoluirá positivamente em garrafa ou se já chegou até onde é possível chegar. Pelo que custou, esperávamos algo mais, nomeadamente uma maior persistência na boca. Resumindo, caro para o que mostrou.
O Caladessa e o Herdade das Servas Touriga Nacional foram provados em conjunto. Arrefecidos até à temperatura adequada, abertos e vertidos para os copos com alguma antecipação, fomo-los deixando evoluir para ver como se comportavam.
O Herdade das Servas Touriga Nacional passou por várias fases ao longo da prova. Começou por apresentar um ligeiro gasoso e alguma aspereza. Só depois começou a libertar aromas e a amaciar, mas apresentou-se sempre algo linear. Ficámos com a impressão de faltar ali qualquer coisa adicional para lhe dar outro brilho. Até pode ter sido daquela garrafa específica, mas esteve longe de encantar.
O Caladessa mostrou uma estrutura mais firme (íamos chamar-lhe sólida, mas era capaz de soar mal chamar isso a um líquido...), boa persistência e uma complexidade que se foi desenvolvendo ao longo da refeição, depois duma primeira impressão discreta no nariz. Mostrou que estava ali para durar. Foi talvez o mais equilibrado dos três e aquele que melhor justificou o preço. Mas no conjunto, foi muito dinheiro para o prazer obtido.
tuguinho e Kroniketas, enófilos descapitalizados
Vinho: Caladessa 2003 (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Herdade da Calada
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Alfrocheiro, Touriga Nacional
Preço em garrafeira: 22,55 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Herdade das Servas, Touriga Nacional 2003 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Herdade das Servas
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 16,85 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Mouchão 2003 (T)
Região: Alentejo (Sousel)
Produtor: Vinhos da Cavaca Dourada - Herdade do Mouchão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Trincadeira
Preço em hipermercado: 28,99 €
Nota (0 a 10): 8
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Krónikas Vinícolas
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