A Quinta do Encontro é uma das muitas quintas que a Dão Sul, empresa sedeada em Carregal do Sal, já possui em várias regiões do país (Dão, Douro, Bairrada, Estremadura e Alentejo), numa estratégia de expansão que a torna já uma das principais produtoras a nível nacional. Neste caso falamos da propriedade situada no coração da Bairrada, em S. Lourenço do Bairro, Anadia, que foi recentemente objecto de investimento substancial.
Desta quinta já tínhamos tido a oportunidade de provar o Quinta do Encontro Merlot-Baga e agora provámos este vinho adquirido o ano passado com um dos números da Revista de Vinhos. Apresenta um conceito invulgar, pois é feito com duas castas tintas e uma casta branca. Não sendo um Bairrada clássico, não deixa de surpreender de alguma forma pela pujança que apresenta, a fazer lembrar outros estilos, embora com um perfil mais moderno e frutado sem deixar de se apresentar algo fechado. A Baga faz sempre notar os seus efeitos. Boa estrutura na boca, com taninos firmes mas bem domados, acidez muito equilibrada e boa persistência.Enfim, não sendo de encantar não deixa de ser um vinho capaz de fazer boa figura perante pratos robustos ao mesmo tempo que pode cativar os mais renitentes perante os vinhos bairradinos.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta do Encontro, Preto Branco 2004 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta do Encontro
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Touriga Nacional, Bical
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7,5
PS: outra prova deste vinho no Copo de 3
domingo, 22 de junho de 2008
No meu copo 184 - Quinta do Encontro, Preto Branco 2004
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segunda-feira, 21 de abril de 2008
No meu copo, na minha mesa 174 - Ensaios Filipa Pato 2006; Soberana 2004; Casa da Dízima (Paço d'Arcos)

O centro histórico de Paço de Arcos organiza-se em torno de dois pólos: os antigos Fornos da Cal e a Rua Costa Pinto, que praticamente liga os citados fornos à zona do antigo porto fluvial, no término da qual também se encontra o Palácio dos Arcos e a antiga casa da alfândega que ao tempo cobrava impostos sobre as mercadorias que por ali passavam.
A Rua Costa Pinto actual, bem como a zona histórica envolvente, foi toda recuperada, ganhou novo empedrado e deixou de ter edifícios degradados. Mas já antes era conhecida por ter muitos restaurantes, tradição que mantém e que até foi reforçada com a abertura há alguns (poucos) anos da Casa da Dízima, restaurante que se acoita entre as paredes do antigo edifício da alfândega, e que manteve tudo o que podia da antiga edificação, o que concedeu um ambiente sui-generis à casa.
Foi nele que fomos cair num sábado à noite, as Krónikas Vinícolas completas e um compincha semi-ocasional. Dispensadas as entradas, porque dois terços dos amesendados vinham directos de uma prova de vinhos em Sintra, passou-se à escolha dos pratos principais e dos vinhos.
Eu, que não vinha de prova nenhuma e já conhecia o restaurante, tentei orientar um pouco os companheiros de mesa, mas nem precisava porque o serviço, além de eficiente, é conhecedor.
Os pratos vêm apresentados com esmero, mas não tão armados que nos impeçam de os comer, e tanto a carne de novilho de um, como a caça de outro e o bacalhau do terceiro se mostraram saborosos e bem confeccionados. O lombo de novilho foi servido acolitado por esparregado, legumes salteados e ligeiramente glaceados, queijo da serra derretido num chapeuzinho folhado e batata frita em palha (sempre incómoda de comer sem usar as mãozinhas…).
A codorniz recheada com alheira e acompanhada com um puré também com um ligeiro aroma a alheira e grelos atados num molho estava excelente, tenra e saborosa, ainda por cima já desossada. O bacalhau apresentou-se inserido num folhado, guarnecido com camarões e acompanhado por cenouras. Excelente aroma e uma combinação de sabores menos habitual tornam o prato invulgar e apetecível.
Para a sobremesa só as Krónikas se apresentaram à chamada, tendo deglutido em uníssono um “petit gâteau” de chocolate (sólido por fora, líquido por dentro) morninho, confrontado com uma bola de gelado de menta.
Passemos aos líquidos. Já se sabe que em antros de restauração a moderação tem de imperar, não tanto por motivos mais nobres, mas mais por motivos financeiros. Resolveu começar-se por um Bairrada dos modernos, para ver o que a filha de Luís Pato andaria a congeminar por aquelas bandas (sim, nós sabemos que o vinho é Regional Beiras; também os do pai o foram durante vários anos por causa das restrições da região, supomos que os da filha ainda o sejam por causa desse passado recente). O Ensaios Filipa Pato 2006 mostrou-se aberto, frutado, de taninos quase ausentes e cor violácea, corpo mediano para o delgado e gritava “bebei-me que fui feito para beber já e agradar a palatos cosmopolitas” – de Bairrada não vimos lá nada, de Baga quase também não porque além dessa casta o grosso do vinho era Touriga Nacional e Alfrocheiro. Não se pense que o vinho era mau! Até se mostrou bastante agradável e decididamente está bem feito mas pronto, nós esperávamos que fosse Bairrada…
Sinceramente, não sei se será por este caminho que os vinhos desta zona devem seguir, agora que se pode fazer quase tudo, desde que ainda seja vinho. Desde a ditadura da casta Baga até à quase total arbitrariedade na utilização de qualquer casta, passou-se do 8 para o 80 e hoje em dia ser um vinho da Bairrada pode não querer dizer absolutamente nada. Dizem por aí que os da casta Baga passaram a ter a denominação “Bairrada clássico”, mas a verdade é que até agora não os tenho visto. Quem gosta dos verdadeiros Bairradas não é com estes que se vai encantar, e quem não gostava dos outros também não vai ficar a saber o que é a Bairrada com os novos.
Para segundo vinho deslocámo-nos para sul, ainda nas Terras do Sado mas já a tresandar Alentejo por todo o lado. Estamos a falar do Torrão, ainda em pleno Alentejo e do Soberana 2004, marca intermédia do produtor, que já tínhamos tido a hipótese de provar há poucas semanas. Mais uma vez as questões burocráticas em que o nosso país é fértil obrigam-no a surgir com a denominação de Regional Terras do Sado, à semelhança do que já tinha acontecido com o Pinheiro da Cruz. Qualquer semelhança com os vinhos das Terras do Sado é mera coincidência.
Não há dúvida que é um grande vinho e merece bem os encómios que as revistas da especialidade lhe têm dedicado. Como referimos há algumas semanas, foi um dos destaques da Blue Wine no seu top 100 relativo a 2007. Confirmou o que já nos mostrara antes, um belo corpo e aromas complexos, um fundo leve de couro tanto no aroma como no sabor, cor profunda, final de boca longo e taninos ainda pungentes, apesar de dobrados. Um excelente trabalho de Paulo Laureano, num vinho que não será fácil para o iniciado mas que indicia uma provável boa evolução nos próximos tempos, apesar de já estar mais que bebível. É sempre a velha questão de qual será a melhor altura para os beber…
Também nesta área o serviço é atencioso, sem ser aborrecido, e sabedor do que sugerir e daquilo que tem na garrafeira. Tomáramos nós que fosse assim nos outros restaurantes!
Concluindo, boa comida, bons vinhos e bom serviço. Pois, não é barato mas também não é nenhum roubo, tendo em conta tudo o que mencionámos antes.
tuguinho, enófilo esforçado
Restaurante: Casa da Dízima
Rua Costa Pinto, 17
2770-046 Paço de Arcos
Telef: 21.446.29.65
Preço por refeição: 40 €
Nota (0 a 5): 4,5
Vinho: Ensaios Filipa Pato 2006 (T)
Região: Regional Beiras
Produtor: Filipa Pato
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Alfrocheiro, Touriga Nacional
Preço em hipermercado: 7,50 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Soberana 2004 (T)
Região: Terras do Sado (Torrão)
Produtor: Soc. Agro-Pecuária das Soberanas
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Alfrocheiro
Preço em hipermercado: 15 €
Nota (0 a 10): 8,5
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quarta-feira, 5 de março de 2008
Os vinhos da festa 2007-2008 (5)
No meu copo 167 - Outros tintos

Últimos tintos provados durante as já longínquas festividades de Natal e Ano Novo. Tem demorado terminar o balanço, mas outros afazeres têm tirado o tempo e a disposição para escrever e compor estes posts, assim como as últimas visitas em Portalegre. Cá vai.
Conde de Vimioso Reserva 2000 - Um vinho da Falua, a empresa de João Portugal Ramos no Ribatejo, muito conceituado nos guias de vinhos. Pareceu-nos contudo em perda. Com a cor ainda muito concentrada mas o corpo a esvair-se e os aromas a ficarem algo perdidos no copo. Talvez tenha passado tempo demais antes de ser bebido, mas pelo preço que custou esperava-se muito melhor. Nota: 7
Finca Flichman, Malbec 2003 - De cor rubi e suave de corpo, com aroma marcadamente frutado e final discreto mas com alguma persistência, pareceu-nos vinho que ainda estava ali para se aguentar por mais uns tempos. Uma boa surpresa de uma casta e de um país que deveríamos conhecer melhor. Nota: 7,5
Beaujolais 2004 - Um dos tipos de vinho emblemáticos de França, mas em que este exemplar se fica pela mediania. É preciso notar que se tratou de uma compra a baixo preço, pelo que poderá não se tratar do melhor representante do vinho em causa. Trata-se de um vinho jovem e aberto, com cor mais de clarete que de tinto, adequado para acompanhar queijo ou charcutaria e a beber ligeiramente fresco. Portou-se bem com as entradas da refeição. Sem grandes pretensões, pode ser um bom acompanhante se não se esperar dele mais do que pode dar. Nota: 6,5
Kroniketas, enófilo vagaroso
Vinho: Conde de Vimioso Reserva 2000 (T)
Região: Ribatejo
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 15,95 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Finca Flichman, Malbec 2003 (T)
Região: Mendoza (Argentina)
Produtor: Finca Flichman
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Malbec
Preço em feira de vinhos: 4,99 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Beaujolais 2004 (T)
Região: Beaujolais (França)
Produtor: Pierre Chanau - Rhône
Grau alcoólico: 12%
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 6,5
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terça-feira, 8 de janeiro de 2008
No meu copo 158 - Quatro Castas Reserva 2001
Há uns 6 anos deparámos com um novo vinho da Herdade do Esporão, denominado Quatro Castas. Tal como acontece com os vinhos da Sogrape, todos os vinhos desta proveniência interessam-nos sobremaneira e este não fugiu à regra.
Rapidamente tratámos de o adquirir e degustar com todo o interesse. O resultado foi... esmagador! Durante algum tempo considerámo-lo um dos melhores vinhos do país (dentro daqueles que conhecíamos, obviamente). E até hoje, excluindo o Torre do Esporão e os Private Selections, que ainda não bebemos, consideramo-lo sem dúvida o melhor vinho da herdade, acima do Esporão Reserva. Convém referir que há mais de 10 anos que conhecemos todos os outros vinhos da Herdade do Esporão, desde o Esporão Reserva, que foi uma das nossas primeiras preferências, passando pelo Monte Velho (de que acompanhámos praticamente todas as colheitas, quando ainda era um VQPRD com 11,5 graus de álcool macio e suave), o Alandra, todos os monocasta (a começar pelo Cabernet Sauvignon, seguindo pelo Aragonês e o Trincadeira, até aos neófitos Bastardo, Syrah, Touriga Nacional e Alicante Bouschet) e o mais recente Vinha da Defesa, sem esquecer os brancos.
O Quatro Castas foi uma surpresa, com um corpo, um bouquet, uma profundidade aromática, uma complexidade e uma persistência extraordinários, e as sucessivas provas confirmaram esta impressão: para nós, tornou-se inquestionavelmente o melhor vinho do Esporão. É um vinho feito com as melhores quatro castas de cada ano vinificadas em partes iguais, pelo que nunca sabemos que castas lá estão em cada colheita (essa informação não é mencionada no contra-rótulo, apenas no site para a colheita apresentada), mas a tendência é para ser entre Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Syrah, Alicante Bouschet, Bastardo e Cabernet Sauvignon (esta ultimamente abandonada nos varietais por, segundo os responsáveis, “perder a tipicidade”). É fermentado durante uma semana a temperaturas controladas em cubas de inox, com maceração prolongada, seguindo-se um estágio de 6 meses em barricas novas de carvalho americano e francês e mais 6 meses em garrafa. Normalmente chega ao mercado já com cerca de 3 anos de idade.
Agora, desde que temos o blog, as provas são mais diversificadas pelo que as oportunidades de repetir são menores. Mas um dia destes provámos a colheita de 2001, que confirmou tudo o que pensamos deste vinho. Não apresentou a exuberância de outros tempos, porque o tempo também não perdoa e nos vinhos do Alentejo ainda menos, mas continua (para nós) a ser um vinho de excepção: o bouquet já é mais discreto, o frutado menos pronunciado e a persistência menos prolongada. Mas as características originais estão todas lá. Além disso, tem um grau alcoólico elevadíssimo mas que não se sente na prova, pois como é apanágio dos vinhos do Esporão, está tão bem feito que não se sente o álcool. Tomara muitos dos vinhos da moda conseguirem ser assim.
Como ainda temos em stock as colheitas de 2002 e 2003, um dia destes vamos voltar à carga com uma comparação das várias colheitas. Porque este é outro daqueles vinhos que quase passam despercebidos, como o Garrafeira dos Sócios de que falámos noutro dia. Porque, como aquele, também não é um vinho da moda, daqueles que nos querem impingir à viva força como sendo os que os consumidores “preferem” (isso ainda está por provar). Pedimos desculpa pelo incómodo e por continuar a fugir à moda, mas para nós este é um vinho de excepção. E ninguém nos desvia daqui.
tuguinho e Kroniketas, enófilos e tal
Vinho: Quatro Castas Reserva 2001 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 15%
Castas: quatro destas, conforme o ano - Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah, Bastardo, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 10,79 €
Nota (0 a 10): 9
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
No meu copo 156 - Aliança clássico 2004

Este é um vinho Regional Beiras que na realidade é produzido na Bairrada, mas sem as castas tradicionais da Bairrada. Não sei muito bem o que justifica o epíteto de “clássico”, porque as castas utilizadas são clássicas… noutras regiões. Adivinhem: predominância de Tinta Roriz e Touriga Nacional.
A verdade é que, talvez pelo local donde provêm, o vinho apresenta um perfil... bairradino. Bom corpo, aromas intensos e algum frutado. Apresenta alguma estrutura na boca sem deixar de ser suave, formando um conjunto macio e equilibrado, fácil de beber.
Um vinho que, pelo preço que custa, parece ser pior do que realmente é. Para aqueles que não são grandes apreciadores do estilo Bairrada mais tradicional, este vinho poderia ser uma boa alternativa para tentar entrar na onda e daí partir para outros vinhos mais elaborados e mais... clássicos.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Aliança Clássico 2004 (T)
Região: Beiras
Produtor: Caves Aliança
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 1,39 €
Nota (0 a 10): 7
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sábado, 22 de dezembro de 2007
Krónikas do Alto Alentejo (VII)
No meu copo, na minha mesa 154 - Monte das Servas, Escolha 2005; Adega do Isaías (Estremoz)
Num trajecto de fim-de-semana para Portalegre, parei em Estremoz para almoçar na Adega do Isaías. Era sábado e antes do meio-dia telefonei para marcar uma mesa para 6, mas já não havia, o que diz bem da procura por este local emblemático da cidade. Arriscámos à mesma e fomos procurá-lo. Fica numa rua estreita perto do centro turístico e é relativamente fácil lá chegar a pé (e o Mappy dá uma ajuda). Quase não se dá por ele quando se encontra um local com gente à porta e lá está escrito o nome.
Não havia mesas nem lista de espera, mas resolvemos ficar. Era tarde para tentar outro local. Quando finalmente nos sentámos, após quase uma hora de espera, já havia uma fila na rua. À entrada um grelhador junto á montra. O acesso faz-se por uma passagem estreita. A sala é ao fundo, com mesas corridas e bancos corridos de madeira. Não há janelas nem ventilação. Todos os cheiros dos grelhados ficam impregnados na sala, que começa a ficar com fumo. Dá ideia que era uma taberna que começou a servir petiscos e foi crescendo até se tornar um restaurante com serviço à carta. Mas o estilo continua a ser de adega.
Para o repasto escolhemos migas de espargos com carne do alguidar, burras de porco (o mesmo que as bochechas só que com todo o osso junto) com batatas assadas e depois ainda foi necessário mandar vir um reforço com plumas de porco preto.
As burras não eram muito fartas, pois metade era osso, mas estavam saborosas. Acabaram-se depressa. As migas com carne também apaladadas, mas as plumas que vieram no fim estavam salgadas.
Nas sobremesas, dois clássicos do Alentejo: encharcada e sericaia. Eu optei pela encharcada, um dos meus doces favoritos. Irrepreensível.
O serviço de vinhos também está próximo da taberna. Pedimos um Monte das Servas Escolha, ali de perto, mas os copos eram quadrados, iguais aos da água. Ainda pedi copos para vinho e trouxeram outros iguais. Desisti, não valia a pena explicar o que queria, apesar de haver mesas à volta a beber vinho em copos decentes.
Este Monte das Servas, que há alguns anos conheci com outro rótulo, parece agora mais estilizado. Mais frutado, com mais especiarias, mais taninos e persistência. No entanto, aparece como mais um vinho carregado de álcool. Bateu-se bem com os pratos deglutidos, mas temo que se torne um pouco cansativo.
Quando bebi este vinho pela primeira vez, era muito carregado, muito encorpado, com aromas mais fechados, pujante e com boa persistência mas sem ser agressivo. Agora o álcool abafa quase tudo. Confesso que começo a ficar um pouco saturado destes vinhos com 14 graus, o que no Alentejo é corriqueiro. Felizmente, parece que a tendência está a desaparecer, para que voltemos a ter mais aromas e mais vinhos diferenciados. Com tanto álcool, tanta concentração e tanta fruta, começo a não conseguir distingui-los uns dos outros.
Acabámos por sair sem perceber bem as razões de tanta fama para este restaurante. A comida não é nada de extraordinário, o serviço tão-pouco, e as condições de segurança deixam muito a desejar. Não há portas de emergência, não há janelas, toda a gente está acantonada no fundo da sala, donde se houver um acidente não se consegue sair, pois o único acesso é estrangulado. Pode ter sido uma casa muito típica que fez o seu nome assim, mas actualmente não me pareceu que marque a diferença.
Kroniketas, enófilo itinerante
Restaurante: Adega do Isaías
Rua do Almeida, 21
7100-537 Estremoz
Telef: 268.322.318
Preço médio por refeição: 14 €
Nota (0 a 5): 3
Vinho: Monte das Servas, Escolha 2005 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Herdade das Servas
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 4,48 €
Nota (0 a 10): 7
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
No meu copo 151 - Monte dos Cabaços 2003
Começou por uma vinha que vendia as uvas. Filha de pai alentejano da zona de Estremoz, Margarida Cabaço regressou da Holanda, onde estudava, aos 16 anos, para junto da família que voltava a Estremoz. Aí viria a casar com um proprietário local que possuía uma vinha. O tempo que sobrava do tratamento da vinha começou a ser aproveitado para organizar uns almoços e jantares para os amigos, mais tarde casamentos e baptizados, e daí até um restaurante foi um pequeno passo. Assim viria a nascer o São Rosas, um dos actuais ex-libris gastronómicos da cidade.
A seguir ao restaurante veio o vinho próprio para servir no restaurante, e assim as uvas que eram vendidas passaram a ser usadas na produção do Monte dos Cabaços, tinto e branco. Tive oportunidade de adquirir por 5,95 € uma garrafa do tinto de 2003 com a Revista de Vinhos.
De cor muito carregada e aroma marcado por notas minerais, muito cheio na prova de boca com predominância de fruta e especiarias, é um daqueles vinhos chamados de “perfil moderno”, com muita fruta, muita concentração e muito álcool, que alguns dizem que é o que vai ao encontro do gosto do consumidor actual. Apetece-me sempre perguntar: será mesmo isto que o consumidor quer, ou é o que estão a tentar impingir-lhe? É que, a mim, estes vinhos cansam-me. Bebem-se bem algumas vezes mas depois começam a saturar, porque se tornam todos iguais. Nada os diferencia, e os que tenho provado ultimamente deste género acabam por ser “mais do mesmo”. Por isso é que acabamos sempre por voltar aos clássicos que já conhecemos há muito tempo..
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Monte dos Cabaços 2003 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Maragarida Cabaço
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah
Preço em hipermercado:9,99 €
Nota (0 a 10): 7
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sábado, 24 de novembro de 2007
No meu copo 148 - 3 Douros de 2001: Sogrape Reserva, Duas Quintas, Vinha Grande
A propósito do Portugal-Arménia, juntámos alguns Comensais Dionisíacos à mesa (faltaram à chamada o Caçador, que foi para a caça, e o Pirata, retido em casa por constipações familiares) para fazer uma prova de 3 vinhos do Douro de 2001: o Sogrape Reserva, o Duas Quintas e o Vinha Grande. São três dos vinhos da nossa preferência que já apreciámos aqui noutras ocasiões, mas desta vez a intenção era prová-los em simultâneo por terem alguns pontos em comum e serem produzidos no mesmo ano. Vinhos abertos com a antecedência necessária, serviço à temperatura ideal e copos adequados, e passámos à função à volta duns bifes à café antes de a Selecção Nacional entrar em campo.
Começámos com o Sogrape Reserva e o começo não podia ser melhor. Como habitualmente, esteve à altura das expectativas. Mostrou uma fantástica cor rubi, brilhante e transparente, no nariz um bouquet profundo e intenso, marcado por fruto maduro, e na boca um corpo cheio com estrutura complexa, grande persistência, taninos firmes mas bem domados e uma boa acidez a envolver um grau alcoólico correcto, num todo equilibrado e harmonioso. Apetece dizer que este vinho não tem nada fora do sítio, está tudo no ponto certo. Alcandorou-se com destaque a melhor vinho da noite.
Comparativamente às anteriores provas da colheita de 2000, este apareceu muito mais saudável e pujante. Como já dissemos anteriormente, nunca nos desiludiu e sendo esta colheita a que está à venda no mercado, já com 6 anos de idade, está em plena forma e no ponto ideal para ser bebido. Para nós, continua a ser um vinho incontornável e que merece amplamente o preço que custa. Enquanto estiver no mercado, não deixaremos que desapareça das nossas garrafeiras.
Seguiu-se o Duas Quintas, para entrecortar os vinhos da Sogrape com um Ramos Pinto, e acabou por ser o mais penalizado, talvez prejudicado por se ter seguido ao Sogrape Reserva. Este foi comprado já em 2003, e pareceu ter ultrapassado o ponto ideal (actualmente já está à venda a colheita de 2005). Esperávamos um vinho mais pujante e mais robusto, como aliás é seu timbre, sendo normalmente mais adequado para pratos fortes de carne, mas este apareceu um pouco mais delgado do que é habitual, perdendo um pouco de complexidade e de corpo, embora a cor mais fechada estivesse lá. Requer-se, portanto, um consumo mais precoce, embora haja ainda outra garrafa desta colheita que nos irá permitir tirar as dúvidas.
Finalmente seguimos para o Vinha Grande, que dos três foi o mais elegante. Menos exuberante e menos complexo que o Sogrape Reserva, mais frutado e macio, também com uma cor rubi muito atractiva e uma boa persistência. Esteve acima do Duas Quintas mas sem fazer concorrência ao Sogrape Reserva. Dos três é o mais adequado para pratos requintados e delicados.
Em suma, três apostas sempre seguras a preços não excessivos, que não desiludem ninguém e nunca nos deixam ficar mal.
Kroniketas, enófilo esclarecido
PS: Também houve uns Portos mas essa já é outra conversa.
Região: Douro
Vinho: Sogrape Reserva 2001 (T)
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 10,74 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Duas Quintas 2001 (T)
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 8,69 €
Nota (0 a 10): 7/7,5
Vinho: Vinha Grande 2001 (T)
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 8,98 €
Nota (0 a 10): 8
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quarta-feira, 21 de novembro de 2007
No meu copo 147 - Quinta do Crasto 2004
Outro vinho do Douro que eu não compreendo, certamente. Já aqui tive oportunidade de falar da colheita de 2003 e, tal como no anterior, ficou-me outra vez a sensação de “muita parra e pouca uva”. Se existem, ao que se diz, grandes vinhos deste produtor nos topos de gama, na gama chamada “Premium” há bastantes decepções, como é o caso deste. Há por aí dezenas de vinhos pelo mesmo preço infinitamente melhores, mesmo na própria região. A este parece que lhe falta personalidade, um perfil mais definido, não sei bem o que é que ele é.
A Revista de Vinhos de Outubro apresenta um painel de tintos até 10 € onde tece grandes encómios à colheita de 2006, apresentando-o como um “tinto cheio e de grande categoria”, classificando-o com 16 pontos. Na nossa escala de 0 a 10 andaria então por volta dos 8. Mas é que nem pouco mais ou menos, nem pensar! Para mim, este 2004 é um vinho perfeitamente vulgar.
Aliás, há vários anos que eu me deparo com este problema. Tecem-se loas intermináveis aos vinhos do Douro, que são os melhores do país, de categoria internacional, só que custam uma fortuna. Porque para o consumidor normal, que vai a um supermercado fazer as suas compras para compor uma garrafeira com vinhos de alguma qualidade mas não quer deixar lá um ordenado, se opta por esta gama dos vinhos até 10 €, ou mais para baixo, no Douro arrisca-se a apanhar um bom punhado de decepções. Perante isto fico sempre na dúvida: afinal, o que valem verdadeiramente os vinhos do Douro?
Tudo isto, ao fim e ao cabo, para dizer que este Quinta do Crasto 2004, tal como o 2003, não me diz grande coisa, não consigo caracterizá-lo. Tem alguma fruta, um aroma discreto, um ligeiro toque a especiarias no final, mas continua a parecer-me mais um, igual a muitos outros, que não passa da mediania e que não justifica o preço que custa.
Kroniketas, enófilo reservado
Vinho: Quinta do Crasto 2004 (T)
Região: Douro
Produtor: Sociedade Agrícola da Quinta do Crasto
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 8,36 €
Nota (0 a 10): 6
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sábado, 10 de novembro de 2007
No meu copo 144 - Casa de Santar Reserva 2003; Quinta de Cabriz Reserva 2003
O vinho é um mundo de surpresas, já todos o sabemos, e muitas vezes o que damos por adquirido transforma-se completamente perante uma prova surpreendente que vem abalar de alto a baixo as nossas convicções. Não foi bem o caso, mas foi quase.
De facto, as provas anteriores mostravam-nos claramente um Casa de Santar Reserva uns furos acima do Quinta de Cabriz Reserva. Enquanto aquele tinha mais estrutura, mais corpo, aromas mais complexos e maior persistência, este apresentava-se mais frutado, mais aberto, em suma um vinho um pouco mais fácil. Mas eis senão quando... nesta prova os papéis inverteram-se, para grande surpresa minha. Dentro da garrafa há sempre alterações inesperadas, e desta vez o Cabriz levou a melhor sobre o Santar. Convém referir que as colheitas provadas foram as mesmas da prova anterior, daí a surpresa ser maior. Não sei se foi aquele que melhorou em relação à garrafa provada anteriormente ou se foi este que decresceu, mas a verdade é que o Cabriz mostrou, desta vez, maior complexidade na prova gustativa, um toque levemente especiado e foi desenvolvendo aromas terciários ao longo da refeição. Por sua vez o Santar apareceu mais linear, mais “liso”, digamos assim, sem perder a macieza que o caracteriza mas parecendo que alguma acidez se tinha ido embora.
Nas provas anteriores tinha classificado o Santar com 8 pontos e o Cabriz com 7,5. Se tivesse que fazê-lo de novo, por esta prova, talvez os classificasse ao contrário. Mas vou acreditar que o Santar não perdeu qualidades (até porque ainda há uma garrafa da mesma colheita cá em casa) e, a fazer fé no painel de prova da Revista de Vinhos, é um dos melhores tintos até 10 €. Eu também acho, pelo que espero que as próximas provas e as próximas colheitas confirmem as expectativas que este vinho sempre levanta. E já agora, que confirmem também a melhoria do Cabriz.
Notas de prova da Revista de Vinhos:
Casa de Santar Reserva 2004: Muito bem de aromas, fruta concentrada e densa, com notas anisadas. A boca mostra-se com muito boa estrutura e classe, taninos afinados, fruta final a marcar presença. Nota: 17
Cabriz Reserva 2004: Denso na cor, fruto preto, tudo algo fechado e sem se mostrar muito, ligeiro rebuçado e licorados; muito bem na boca, cheio e com estrutura, ligeiramente doce mas bem proporcionado, é um belo tinto de final prolongado. Nota: 16
Comentário: uma descrição que confirma exactamente o que se espera destes dois vinhos, e que no caso do Cabriz se aproxima da sensação colhida nesta segunda prova. Definitivamente, dois vinhos para nunca faltarem na garrafeira.
Kroniketas, enófilo esclarecido
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domingo, 4 de novembro de 2007
No meu copo 143 - CARM Reserva 2003
Inicialmente esta sigla (CARM) era usada pela Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz, mas provavelmente uma distracção, um desleixo ou um esquecimento em registar o nome permitiu que mais tarde aparecesse este produtor a usar a mesma sigla e a anterior Carm teve de passar a usar a sigla CARMIM.
Temos, então, o nome CARM associado à Casa Agrícola Roboredo Madeira. Com quintas localizada em redor de Almendra, no Douro Superior, já perto de Espanha e dentro da Reserva Arqueológica do Vale do Côa, na mesma zona onde a Ramos Pinto tem a Quinta da Ervamoira e a Sogrape tem a Quinta da Leda, este é um dos produtores que nos últimos anos têm ganho notoriedade no Douro.
Tive há algum tempo a oportunidade de pela primeira vez provar um vinho desta casa, pelo que a expectativa era algo elevada. No entanto, não correspondeu completamente ao esperado. Apresentou-se bastante carregado na cor mas com um aroma algo discreto, corpo médio e prova de boca com alguns toques apimentados e alguma predominância de fruta madura, com boa persistência no fim de boca.
É um vinho que se bebe bem mas esteve longe de me encantar. Pode ter sido da garrafa ou de qualquer factor externo, mas não revelou a exuberância aromática que se poderia esperar. No entanto, tratando-se da primeira prova destes vinhos, reservamos uma segunda opinião para uma contraprova em próxima oportunidade. Ou então sou eu que não compreendo certos vinhos do Douro... Pode ser isso.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: CARM Reserva 2003 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Agrícola Roboredo Madeira
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Nota (0 a 10): 7
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segunda-feira, 22 de outubro de 2007
No meu copo 140 - Bons Ares 99
Já tínhamos falado da colheita de 2002, provada em restaurante, e este, mesmo denotando já algum cansaço, ainda apresentou alguma da pujança que o caracteriza e bateu-se claramente com o José Preto, falado no post anterior, e com o que falaremos no post seguinte.
Os aromas ainda estavam lá, embora com alguma evolução, a persistência também, ainda com bom corpo e cor muito concentrada, embora tudo muito mais discreto. Já não tinha toda a pujança nem a exuberância aromática que habitualmente ostenta quando está no ponto ideal, mas não engana.
E foi por isso que na primeira oportunidade (leia-se feira de vinhos) tratei logo de adquirir a colheita mais recente à venda. Porque este nunca pode faltar, e agora não vou esperar mais 4 anos para prová-lo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Bons Ares 99 (T)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 11,79 €
Nota (0 a 10): 7
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quinta-feira, 18 de outubro de 2007
No meu copo 139 - José Preto 2004

Tinha alguma expectativa em relação a este vinho. O tuguinho já tinha comprado uma garrafa e o ano passado resolvi também comprar uma. Tive oportunidade de prová-lo num dos jantares de férias e fiquei desiludido. As referências que tenho dos vinhos de Trás-os-Montes fora da denominação de origem Douro são geralmente bastante boas, bem acima da média (lembremo-nos do Valle Pradinhos e do Bons Ares, por exemplo).
Este José Preto de 2004, saído da adega do produtor em Sendim, Miranda do Douro, apresentado como o primeiro VQPRD do Planalto Mirandês, ficou aquém das expectativas. Aroma pouco pronunciado, algo delgado de corpo, um daqueles vinhos que nos deixam em dificuldades para escrever sobre ele. Não que seja mau, mas também não se pode dizer que seja verdadeiramente bom. Ficamos pelo sofrível... Não nos deixa grandes memórias...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: José Preto 2004 (T)
Região: Planalto Mirandês
Produtor: José Francisco Lopes Preto
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Mourisco Tinto
Preço em feira de vinhos: 4,89 €
Nota (0 a 10): 5
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sexta-feira, 5 de outubro de 2007
No meu copo, na minha mesa 138 - Quinta da Alorna rosé, Touriga Nacional 2006; Restaurante Al Dente (Alvor)

Os brancos e rosés de férias (V)Uma das incursões de férias, como já vem sendo habitual, foi a um restaurante italiano (também houve uma a um restaurante indiano, mas essa não é para aqui chamada; aliás, não saberia o que dizer...). Já tínhamos ficado de olho nele o ano passado, numa passagem por Alvor, e desta vez fomos mesmo lá.
O espaço é amplo e frondoso, numa espécie de esplanada interior, a dar para uma varanda que pode ser destapada nas noites mais quentes (não foi o caso deste Verão, certamente), salpicada por várias pequenas árvores espalhadas pelo recinto. Como é habitual na época, mesmo com mesa marcada espera-se... e espera-se... e espera-se... até nos podermos sentar e até sermos atendidos e poder começar a refeição. Mas quanto a isso, já percebi que não há nada a fazer. É ir preparado para começar às 10 da noite.
De qualquer modo, acabou por valer a pena a espera. A ementa é bastante variada, com várias carnes para além da enorme profusão de massas e pastas. E assim se pediram coisas tão variadas como macarrão tostado, regina gratinata, bifinhos de porco panados, bife Veneza, involtini e se terminou com tiramisu, crepe com chocolate e crepe com mel e nozes. E toda a gente ficou agradada com a qualidade da confecção.
O atendimento também é simpático e eficiente, descontado o tempo de espera já referido.
E para acompanhar tão variadas iguarias, a pedido de várias famílias fomos para o rosé. Porque era Verão, porque era comida italiana. As opções não eram muitas e resolvi estrear este Quinta da Alorna, que não conhecia. Agora que os rosés estão na moda e que se faz vinho rosé um pouco por todo o país, já quase não há um produtor conceituado que não tenha o seu rosézito. E este saiu muito bem. Bastante aromático, ligeiramente floral e com predominância de frutos vermelhos no aroma e no paladar (sente-se ali um toque a morangos ou framboesa), medianamente encorpado e muito fresco na prova de boca, com alguma persistência a marcar um final suave e seco. Uma boa surpresa para primeiras impressões.
Claro que saindo das mãos do enólogo Nuno Cancella de Abreu só podia ser bom. Não o tenho visto por aí à venda, mas vou ficar atento.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta da Alorna 2006 (R)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço no restaurante: 12 €
Nota (0 a 10): 7,5
Restaurante: Al Dente (italiano)
Quinta da Praia, Lote 4 - Loja 16
8500 Alvor
Telef: 282.457.555
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4
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segunda-feira, 30 de julho de 2007
No meu copo 132 - Cabriz Rosé 2006
Neste tempo de calor calha sempre bem aproveitar a versatilidade de um vinho rosé para refrescar o corpo e a alma. Os rosés estão na moda e cada vez há mais marcas no mercado e mais empresas de norte a sul do país a produzir vinho rosé, mesmo aquelas com décadas de história e que até há 2 ou 3 anos só faziam brancos e tintos.
Um dia destes fui à procura de um rosé para acompanhar um lanche ajantarado na casa de um amigo. Actualmente já começa a haver a dificuldade da escolha, dada a proliferação de vinhos rosé nas prateleiras, pelo que resolvi apostar num daqueles produtores que são sempre apostas seguras, e fui para a Quinta de Cabriz.
Agora com o nome vinhos reduzido apenas para Cabriz por questões de marketing (desde que a Dão Sul ficou com a gestão da Casa de Santar, esta passou a ser a grande aposta da empresa em termos de vinhos de quinta), os vinhos da Quinta de Cabriz têm-se tornado uma referência importante na região do Dão, com uma qualidade média bastante aceitável e sem grandes oscilações, pelo que dão sempre alguma garantia de não defraudar o consumidor. E foi o que aconteceu com este rosé, uma aposta recente da casa. É um daqueles rosés como eu gosto, com um perfil leve e suave, sem o excesso de álcool que também já começava a ameaçar estes vinhos, com aroma predominante a frutos vermelhos e algum floral, ligeiramente seco e com um final de grande frescura na boca e com alguma persistência.
Sem dúvida que vou voltar a apostar nele. É uma bela companhia para estes dias quentes, quer à refeição quer como aperitivo ou apenas para entreter na esplanada.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Cabriz 2006 (R)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivnícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 12%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro
Preço em hipermercado: 3,90 €
Nota (0 a 10): 7,5
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domingo, 1 de julho de 2007
No meu copo 125 - Casa Ferreirinha Reserva 96, Quinta da Leda 2001, Callabriga 2000

Estes estavam à espera duma oportunidade. Desde há cerca três anos, quando descobrimos o Callabriga e o Quinta da Leda, começámos a apostar na gama de vinhos da Casa Ferreirinha, mais propriamente naqueles que se situam nos patamares do meio para cima (acima do Esteva e do Vinha Grande e abaixo do Barca Velha).
Para estas provas reservámos duas garrafas de cada e fizemo-las separadamente ao longo dos últimos meses, reunindo os “Comensais Dionisíacos”, já com o Politikos, a aquisição mais recente, na equipa titular.
Comecemos por cima, pelo filho bastardo do Barca Velha, ou aquele que não chegou a sê-lo mas que poderia lá ter chegado: o Reserva 96, que já se chamou Reserva Especial, mais tarde só Reserva, e agora apenas Colheita. Tudo no ponto certo: os decanters limpos e arejados (um para cada garrafa), os copos de pé alto e boca larga, em forma de tulipa, a temperatura de serviço, os sedimentos deixados no fundo da garrafa. Para que nada falhasse. Afinal, o momento era solene e era a estreia absoluta nos nossos copos. À espera, um cabritinho do Alto Alentejo assado no forno com todos os requisitos e acompanhado com um belíssimo arroz de miúdos confeccionado especialmente pela senhora-mãe do Mancha Negra.
Começou por mostrar uma cor rubi ligeiramente atijolada e aromas discretos a fruta madura. Macio na boca, final de duração média, corpo na mesma. A primeira garrafa ainda teve alguma evolução no decanter, pelo que a segunda foi decantada com maior antecedência. Surpreendentemente, esta revelou-se menos exuberante e, longe de ganhar com o tempo de abertura, pareceu esvair-se. Dos três, este é o vinho mais suave (até pela idade), mas quando se esperava que desse o salto para cima… pareceu morrer nos copos. Declínio ou necessidade de esperar mais tempo? Também há mais duas garrafas, teremos que deixá-las esperar mais um ano, dois, cinco ou dez?
No final, o sentimento foi unânime: esperava-se mais deste vinho, que acabou por ficar aquém das expectativas. Sem dúvida que eram altas, mas não correspondeu de todo. Será que houve ali... preconceito?
Segue-se na escala o Quinta da Leda 2001. Foi a grande descoberta de há uns 3 anos no Encontro com o Vinho e logo ali o achámos excepcional. O preço também o é, mas é daqueles vinhos que nos enchem as medidas até mais não poder. Ou era...
O processo seguido foi o mesmo: decantado previamente, com antecedência suficiente para libertar os aromas mais profundos. Copos e temperatura adequados e a outra metade do cabrito assado no forno acompanhado com batatinhas e grelos, desta vez confeccionado pela senhora-mãe do tuguinho. A primeira garrafa foi decantada com duas horas de antecedência em relação à hora de consumo e foi uma completa decepção. Logo no aroma se verificou alguma falha, com o bouquet muito discreto e a prova a confirmá-lo, com um corpo surpreendentemente delgado e um final curto.
Não lhe tendo feito bem a decantação, optámos por não decantar a segunda garrafa, abrindo imediatamente antes de beber, para ver como se comportava. Igual. Ainda pareceu apresentar inicialmente algum vigor, mas rapidamente se esvaiu. A grande complexidade que lhe conhecíamos não estava lá de todo. Foi a grande decepção desta tripla prova. Perante isto, só nos resta esperar para provar a colheita seguinte de que dispomos, a de 2004. Pode ser que tenha sido apenas azar com o ano. Senão, os quase 20 € gastos em cada garrafa foram mal empregues.
Finalmente, o Callabriga 2000, que é o produto que está acima do Vinha Grande, sendo apontado como a aposta da casa para a exportação. Abrimos as duas garrafas com os já célebres (entre nós) bifes de novilho de raça Angus com ervas de Provence, que o mestre cozinheiro Kroniketas tem vindo a apurar. Mais uma vez, seguindo o conselho do contra-rótulo, foram previamente decantados para libertar os aromas e para nos livrarmos dos sedimentos da garrafa. Como já aconteceu algumas vezes, quando o líquido estava a acabar estava o vinho a atingir o seu máximo esplendor.
Revelou uma boa concentração de cor, com um aroma profundo algo frutado. Redondo na boca mas com boa estrutura, taninos discretos e acidez suave, madeira muito disfarçada, tudo muito equilibrado. Fim de boca suave mas prolongado. Com o passar da refeição foram-se libertando os aromas terciários, alguma especiaria a vir lá do fundo tornando o final mais persistente, mostrando que temos ali um vinho para altos voos e capaz de estar algumas horas a fazer-nos companhia. Foi pena ter acabado no melhor da festa, mas para a próxima decantamo-lo mais cedo (sim, porque ainda há umas garrafitas de reserva). Pena é que tenham mudado o formato da garrafa nas últimas colheitas (tal como ao Quinta da Leda, aliás), pois esta borgonhesa era a imagem de marca da casa e ficava-lhe muito bem.
Em suma, desta trilogia de Ferreirinhas, o balanço que se pode fazer é que as altas expectativas saíram globalmente defraudadas, sendo que foi o vinho no patamar mais baixo que melhor se comportou. Não encontramos explicação para o sucedido com o Reserva e o Quinta da Leda, pois ambos estavam em perfeitas condições de consumo, mas não apresentaram nem a estrutura, nem a persistência, nem a complexidade aromática que esperávamos de vinhos desta gama. Se as garrafas de que ainda dispomos confirmarem estas impressões, terão de ser apostas a esquecer... Infelizmente. Não estávamos habituados a estas decepções nos vinhos da Sogrape...
tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Vinho: Reserva Ferreirinha 96 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em hipermercado: 39,99 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta da Leda 2001 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 17,86 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Callabriga 2000 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 13,75 €
Nota (0 a 10): 9
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domingo, 24 de junho de 2007
No meu copo, na minha mesa 123 - Muxagat 2003; O Nobre (Montijo)
O novo espaço é amplo e arejado, com um grande parque de estacionamento logo à chegada e entrada para uma sala enorme. As mesas estão dispostas de modo a haver um generoso espaço de circulação, e mesmo assim tem capacidade para uma boa centena de pessoas.
A recepção aos clientes é atenciosa e desde logo somos confrontados com algumas entradas na mesa, ao que se segue uma enorme ementa de entradas, especialidades, peixes, carnes, etc. O difícil é escolher.
Escolhemos um folhado de caça brava e uma costeleta de vitela à mirandesa. Mas antes experimentámos a já famosa sopa de santola, que veio dentro da concha da própria santola e se revelou bastante saborosa.
O folhado vinha acompanhado de alface com umas rodelinhas de maçã, para refrescar o folhado, embora qualquer acompanhamento mais sólido não fizesse mal nenhum. A costeleta trouxe um acompanhamento mais habitual, batatas fritas e brócolos cozidos, regada com azeite. Ambos estavam bastante saborosos e, a meio do folhado, já começávamos a ficar atestados.
Para sobremesa ainda tivemos coragem para avançar para uma sopa dourada, que veio servida num prato enorme polvilhado à volta com açúcar em pó e canela. Uma delícia que já foi difícil derrotar, mas aguentámos estoicamente o desafio até ao fim.
Para os líquidos a oferta também era enorme. Surpreendentemente, para o nível do restaurante, os preços praticados não são obscenos, conseguindo-se escolher vinhos na casa dos 20 €, e foi precisamente um desses que escolhemos. Uma novidade: Muxagat 2003, produzido por Mateus Nicolau de Almeida, filho de João Nicolau de Almeida (enólogo e administrador da Ramos Pinto) e neto de Fernando Nicolau de Almeida, o criador do Barca Velha. Portanto, a 3ª geração também já voa sozinha e já tem o seu próprio vinho, que deve o seu nome ao local onde se situa a vinha, próximo da localidade de Muxagata, a poucos quilómetros de Vila Nova de Foz Côa. Bem no coração do Douro Superior, portanto, ali nas vizinhanças da Quinta da Ervamoira (já visitada por nós o ano passado), da Quinta da Leda, da Quinta do Vale Meão, berços de alguns dos melhores vinhos da região… e do país.
E que dizer deste Muxagat? Para começar, pouca informação no contra-rótulo, o que não nos permite saber quais são as castas utilizadas. Presumivelmente lá estarão a Touriga Nacional, a Tinta Roriz, a Tinta Barroca, a Touriga Franca ou o Tinto Cão. Fazendo fé na informação indicada neste post do Vinho da Casa, destas só a Tinta Barroca não está lá.
Na cor é bastante concentrado, a puxar para o retinto, no aroma apresenta sugestões de frutos vermelhos maduros. Na prova é bem encorpado, com um ligeiro toque apimentado, uma acidez correcta bem casada com a madeira, que não se sobrepõe a um conjunto equilibrado com final persistente. Para esse equilíbrio contribui também o grau alcoólico moderado, “apenas” 13%, o que é raro nos tempos que correm, principalmente no Douro, mas que talvez revele uma nova tendência para voltarmos a graus alcoólicos “normais”, o que seria bastante agradável. Em suma, um vinho simpático por um preço teoricamente acessível.
Resta acrescentar que esta era a única garrafa existente no restaurante e, segundo o chefe de sala, é um vinho pouco solicitado, que só é pedido por conhecedores. Imaginem... Esta calhou-nos bem.
Quanto ao restaurante, já íamos preparados para abrir os cordões à bolsa, recordando a despesa de há 8 anos. Logo o preço dos pratos ameaçava fazer subir a parada. Depois, o preço do vinho acabou por equilibrar a coisa. No final, duas refeições por 91 euros. Mas pela qualidade do serviço e da confecção, vale a pena ir lá. Não é todos os anos, mas de vez em quando sabe bem fazer uma pequena extravagância destas. Até porque nos ficou a luzir no olho uma perdiz à transmontana que estava na ementa...
tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos
Restaurante: O Nobre
Avenida de Olivença
2870 Montijo
Telef: 21.231.75.11/96.982.52.78 - Fax: 21.231.75.14
E-mail: nobremontijo@sapo.pt
Preço médio por refeição: 45/50 €
Nota (0 a 5): 5
Vinho: Muxagat 2003 (T)
Região: Douro
Produtor: Muxagat Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Tinto Cão, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço no restaurante: 19,50 €
Nota (0 a 10): 7
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quinta-feira, 21 de junho de 2007
No meu copo 122 - Hexagon 2003
O fascínio por este vinho vem desde o 1º encontro de eno-blogs, realizado em Janeiro na York House. Na altura, para mim foi a grande surpresa da noite.
Um dia destes, numa visita à Makro deparámo-nos com este à venda, tendo sido adquirida uma singela garrafa para dividir por dois. E não perdemos muito tempo a bebê-la. Fizemo-lo a acompanhar umas costeletas de novilho grelhadas.
É curiosa a referência ao nome do vinho no contra-rótulo: os seis lados do hexágono relacionados com seis castas e seis gerações da família José Maria da Fonseca, onde agora predomina como enólogo Domingos Soares Franco. “Hexagon é a procura da excelência que tem marcado a minha geração e a minha família ao longo dos tempos”, diz Soares Franco. E com este vinho conseguiu-a.
Não decantámos o vinho, mas ele merecia. Fomo-lo degustando calmamente e ao longo de uma hora desenvolveu aromas fantásticos, apresentando um fim de boca que nunca mais acaba. Um vinho que nos enche a boca e que apetece ficar ali a saborear por tempo indeterminado. Taninos bem firmes mas redondos, madeira bem integrada num conjunto de grande complexidade de aromas e sabores. É o topo de gama da José Maria da Fonseca, e está lá muito bem.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Hexagon 2003 (T)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah, Tinto Cão, Trincadeira, Tannat
Preço em hipermercado: 33,04 €
Nota (0 a 10): 9
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terça-feira, 12 de junho de 2007
No meu copo 120 - Herdade Penedo Gordo: branco 2006, tinto 2005
O branco de 2006 foi bebido com o prato de peixe, um arroz de marisco com tamboril, ou arroz de tamboril com marisco... Como me acontece quase sempre com os brancos alentejanos, não me agradou. É rústico, pouco aromático, falta-lhe elegância, como a (se calhar, digo eu...) 99% dos brancos alentejanos. Não deixa memórias.
Quanto ao tinto de 2005, a acompanhar lombinhos de porco com castanhas, embora bem mais bebível, também não trouxe nada de novo. Mostrou um carácter predominantemente frutado, tanto no nariz como na boca, embora tivesse evoluído, ao fim de algum tempo, para um fim de boca mais prolongado e marcado por especiarias. Só que... no meio de tantos, ficou-me a sensação de ser apenas mais um para engrossar a interminável lista de novos produtores, mas que dificilmente marcará alguma diferença. Até porque no panorama actual não é fácil.
Não faço ideia do preço destes vinhos, mas pelo seu perfil calculo que andem pelos 4 ou 5 euros. Posicionam-se, certamente, na gama média ou média-baixa. A verdade é que uma semana depois já não me lembrava do nome. Se não fossem as fotos tinham passado rapidamente ao esquecimento.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: António M. Esteves Monteiro
Vinho: Herdade Penedo Gordo 2006 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Antão Vaz, Roupeiro
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 5
Vinho: Herdade Penedo Gordo 2005 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Touriga Nacional
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 6
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sexta-feira, 11 de maio de 2007
No meu copo, na minha mesa 112 - Dão Meia Encosta Garrafeira 73, Quinta de Cabriz Reserva 2003; Curral dos Caprinos

Este restaurante é um clássico. Um nome que é sempre de considerar para uma refeição bem preparada mesmo ao pé da serra de Sintra, a pedir um passeio após o repasto. Para além disso há uma enorme garrafeira onde se podem encontrar verdadeiras relíquias, com mais de 30 anos, em bom estado de conservação sem ser a preços obscenos. Rumando a Sintra, há que tomar a estrada em direcção a Colares e à Praia das Maçãs e pouco à frente sair no cruzamento em direcção a Cabriz e Várzea de Sintra.
Há dois pisos com salas, sendo o piso superior bem mais agradável que o térreo, pois é todo rodeado de janelas, ao contrário do outro que é completamente interior e mais acanhado em termos de espaço.
Uma das especialidades da casa é o cabrito no forno, que vem cortado em pequenos pedaços rodeados de batatinhas e regados com molho do assado. Não é o melhor cabrito que já comi mas cai bem. Existem, contudo, muitas outras opções em duas páginas repletas de especialidades e pratos do dia.
Antes de se escolher a refeição somos quase inundados por uma série de entradas quentes, como rissóis e croquetes, para além de outras frias como o queijo fresco e fatias de presunto. Difícil de resistir quando a fome aperta.
Nas sobremesas também há imensas escolhas, com a curiosidade de algumas terem nomes bem sugestivos como “pijama”, pijaminha” e “cuequinha”, que são pratos com misturas de doces, frutas e gelados, com variadas combinações. Pode-se sempre optar pelos mais tradicionais, como o pudim de gemas ou a mousse de chocolate.
Mas a grande atracção é a garrafeira. Para além de se poder pedir uma garrafa de bom vinho por 13 ou 14 euros, bem longe dos 30 ou 40 que se vêem por aí, ainda encontramos vinhos de Reserva e Garrafeira dos anos 70, 80 e 90 pelo mesmo preço. Não resisti à curiosidade de experimentar uma dessas relíquias e pedi um Dão Meia Encosta Garrafeira de 1973. Foi aberto com todos os cuidados (não sem que a rolha se partisse, mas sem cair na garrafa) e posteriormente decantado. Mostrou uma cor ainda a revelar saúde embora com o acastanhado típico de um vinho desta idade. Houve que deixá-lo respirar algum tempo para vê-lo evoluir, mas estava em plena forma, sem qualquer sinal de declínio nem de estar a ficar “passado”. Claro que um vinho destes não é apreciado por toda a gente, há que conhecer as suas características para poder usufruir de tão nobre envelhecimento. Já não vai melhorar, mas pareceu estar num patamar estável de conservação.
Para compensar a velhice deste Meia Encosta pediu-se um mais novo, um Quinta de Cabriz Reserva de 2003. Trinta anos mais novo e a mostrar bem essa juventude. Uma bela cor rubi ainda fechada, com um aroma pronunciado a frutos vermelhos e silvestres, a fazer lembrar amora e cereja, e uma grande frescura na boca, onde o frutado e a acidez se equilibram bem com um teor alcoólico elevado. O mais curioso é que estes vinhos custaram 14 e 13 €, respectivamente, o que deve ser caso único em Portugal.
À saída ainda houve a oportunidade de trazer a garrafa do Dão Meia Encosta e, no remate da conversa, adquiri outro Garrafeira de 1977 pelo preço módico de 10 euros! Disse-me o chefe que prefere vendê-las baratas, se os clientes as quiserem levar, do que tê-las guardadas a estragarem-se sem que ninguém lhes pegue. E acho que faz bem. Quando quiser outra, já sei onde ir buscá-la. Só espero que esta de 77 esteja com tão boa saúde como a de 73 que lá bebi.
Como nota menos positiva realce-se a demora do serviço, principalmente nos pratos pedidos. Parece que ao fim-de-semana dispensam parte do pessoal e ficam com 3 pessoas a atender uma sala para cerca de 130 clientes. Depois o serviço ressente-se...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Restaurante: Curral dos Caprinos
Rua 28 de Setembro, 13
Cabriz - Várzea de Sintra
Telef: 21.923.31.13
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4
Vinho: Dão Meia Encosta Garrafeira 73 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12%
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Quinta de Cabriz Reserva 2003 (T)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alfrocheiro, Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 6,98 €
Nota (0 a 10): 7,5
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Krónikas Vinícolas
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Etiquetas: Alfrocheiro, Borges, Cabriz, Dao, Dao Sul, Lisboa, Restaurantes, Tinta Roriz, Tintos, Touriga Nacional
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