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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

No meu copo 153 - Reguengos Garrafeira dos Sócios, 96 e 2000

Há muitos anos, no Edmundo de Benfica (na esquina da Estrada de Benfica com a Avenida Gomes Pereira), estávamos nos primórdios das incursões vinícolas, eu e o Mancha pedimos um Esporão para acompanhar um naco na pedra ou uma costeleta de vitela grelhada. Na altura havia, basicamente, quatro regiões conhecidas: Borba, Redondo, Reguengos e Vidigueira. De Portalegre pouco se falava, de Évora ainda menos e os produtores mais conhecidos eram sobretudo adegas cooperativas. No Douro havia uma meia-dúzia de vinhos de mesa, no Ribatejo era carrascão e na Estremadura havia muito... e mau. Dão, Bairrada e Península de Setúbal eram zonas vitivinícolas de referência.
O Esporão era já um vinho de referência e um dos melhores do Alentejo, senão mesmo o melhor da época. Mas não havia... O chefe sugeriu-nos um outro que disse ser parecido. O seu nome: Garrafeira dos Sócios, da Cooperativa de Reguengos de Monsaraz. Aceitámos com alguma relutância mas em boa hora o fizemos, porque nos deu a conhecer um vinho que, à época, nos encantou. Uma suavidade extraordinária, um bouquet profundo, um certo aroma floral e um corpo de grande elegância. Imediatamente o equiparámos ao Esporão em qualidade!
Durante vários anos este tornou-se o nosso vinho preferido. O Mancha dizia que este vinho era veludo, e de facto era. Merecia sempre nota máxima. Lendo o contra-rótulo ficámos então a saber que era uma produção especial para os sócios da cooperativa, com uvas seleccionadas, e só depois de estes se terem abastecido o restante era colocado no mercado. Até hoje continua a ser assim.
Com o tempo fomos conhecendo muitos outros vinhos, as referências foram aumentando e o gosto foi-se alterando, o próprio perfil do vinho foi-se alterando, acompanhando um pouco as tendências da moda, e o Garrafeira dos Sócios deixou de ter o protagonismo nas nossas preferências que antes tinha, mas nunca perdeu um lugar de destaque. É certo que hoje o bebemos muito menos vezes do que há 10 anos mas ele está sempre lá, nas nossas garrafeiras, e voltar a degustá-lo é como reencontrar um velho amigo que não se vê há muitos anos, ou ouvir uma daquelas músicas antigas dos grupos que fizeram as delícias da nossa juventude.
Há algum tempo tive oportunidade de provar a colheita de 2000. Voltou a encantar-me. Continua com aquela suavidade que lhe conhecia, uma bela cor rubi carregada, um leve amadeirado sem ser em excesso, final longo e sedoso, tudo muito equilibrado e harmonioso.
Mas a grande surpresa aconteceu precisamente esta noite, num jantar em Portalegre, no restaurante A Gruta, de que darei conta qualquer dia (há vários artigos para publicar antes...). Em exposição estavam, entre vastas dezenas de garrafas, algumas garrafas de Garrafeira dos Sócios de 96. Ficámos na dúvida. Um vinho com esta idade... Perguntei ao chefe se achava que o vinho estaria bebível. Experimentámos num copo de prova. Começou por apresentar um tom acastanhado, sinal de evolução avançada que muitas vezes não augura nada de bom. O primeiro aroma mostrou os mesmos sinais, de que já tinha passado o ponto óptimo. Resolvemos esperar pela decantação e deixá-lo respirar enquanto fomos bebericando em copos de boca larga. Aos poucos os aromas foram-se libertando e ficando mais limpos. A melhoria foi evidente e passada cerca de meia-hora ele aí estava em todo o seu esplendor. Era este o Garrafeira dos Sócios que eu conhecia há 10 anos. Macio, aromático, suave, verdadeiro veludo. Até chamámos o chefe Felício para o provar e o veredicto foi o mesmo: fantástico.
Um vinho que se impõe pela diferença. Enquanto outros (a maioria) primam pelo frutado, pela pujança, pelo corpo e pelo álcool, este prima pela elegância, pela delicadeza, pela suavidade, sem perder os traços marcantes de um vinho alentejano. Um dos raros vinhos que actualmente se destacam dos demais, por isso é um vinho que continuamos a beber com verdadeira paixão.
Só me espanta que seja tão pouco falado, pois é dos poucos onde ainda se podem procurar traços que não sejam só de fruta, especiarias, álcool ou madeira. Não é um vinho da moda, e ainda bem. Oxalá continue assim.

Kroniketas, enófilo esclarecido

PS: Para tranquilizar os espíritos mais inquietos, o vinho branco que se vê nos copos não é, definitivamente, o Garrafeira dos Sócios... :-)

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Carmim (Coop. Agrícola de Reguengos de Monsaraz)
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 9,95 €

Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 96 (T)
Grau alcoólico: 13%
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 2000 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 8 de dezembro de 2007

Krónikas do Alto Alentejo (V)

No meu copo, na minha mesa 150 - Altas Quintas Crescendo 2005; O Abrigo (Portalegre)
Uma das incursões gastronómicas em Portalegre incluiu uma visita ao restaurante “O Abrigo,” no centro histórico da cidade. Trata-se de um espaço que fica um piso abaixo do chão, embora com acesso directo para a rua, não muito amplo, de características eminentemente regionais. Descendo as escadas após a entrada, deparamo-nos com um pequeno átrio onde já estão algumas mesas e um balcão de acesso à cozinha. Em exposição encontram-se também algumas garrafas de vinho da região. A sala propriamente dita fica depois duma porta rotativa do tipo saloon.
E quanto aos comes? Seguindo algumas sugestões, houve uns deliciosos miminhos de porco grelhados e uma fantástica costeleta de novilho. Os acompanhamentos são variados, mais ou menos à vontade do freguês, mas o grande destaque vai para a miolada de couve, uma espécie de migas de couve envolvidas em ovo, absolutamente irresistível. É de comer e chorar por mais, tanto assim que teve de se pedir mais do que um reforço.
Nas sobremesas a escolha recaiu noutro doce típico alentejano, a sericaia, acompanhada com a ameixa em calda. Estava boa, apesar de já termos encontrado melhor na origem.
Da oferta vinícola optámos novamente por continuar na região, cujos vinhos se encontram em destaque nos expositores, e escolhemos um dos vinhos da moda: o Altas Quintas Crescendo 2005. Feito com Aragonês e uma pequena percentagem de Trincadeira, fermentou em balseiros de carvalho tendo depois estagiado 12 meses em barricas de carvalho, as mesmas que são primeiro utilizadas para estagiar o Altas Quintas. Encontrei um tinto muito concentrado, bastante frutado e com 14% de álcool, taninos muito presentes, dando-lhe um perfil robusto mas que me pareceu algo agressivo. Não lhe encontrei a frescura que se anuncia para estes tintos alentejanos em altitude. Talvez precise de amaciar algum tempo na garrafa.
No entanto temos de considerar que a garrafa veio para a mesa com uma temperatura algo elevada, pelo que houve que pedir um “frappé” para arrefecer o vinho, o que pode ter prejudicado a prova mesmo depois de se ter baixado a temperatura. Certamente justificará uma segunda prova, pois estou em crer que esta não terá sido conclusiva.
O serviço é simpático e atencioso, fazendo-se com eficácia. O maior senão é a excessiva temperatura do restaurante e a pouca ventilação, o que torna o ambiente um pouco pesado, com o cheiro dos cozinhados a ficar entranhado na roupa. Este restaurante é muito frequentado sobretudo aos almoços, sendo uma aposta simpática para comer bem sem ser por preço excessivo. Poderá, no entanto, ser aconselhável reservar mesa atempadamente.

Kroniketas, enófilo itinerante

Restaurante: O Abrigo
Rua de Elvas, 74
7300-147 Portalegre
Telef: 245.331.658
Preço médio por refeição: 15 €
Nota (0 a 5): 4

Vinho: Altas Quintas Crescendo 2005 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Altas Quintas
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 7,95 €
Nota (0 a 10): 7


Outras provas deste vinho em: A Adega (6,5 em 10), Pingas no Copo (15 em 20) e Vinho da Casa (16 em 20).

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

No meu copo 141 - Terra Quente 99

Há muitos anos, nas férias, em casa dum amigo, ele trouxe para a mesa um vinho de Valpaços de nome Terra Quente. Na altura eu nem sabia que havia vinho em Valpaços. O jantar era uma carne no forno, bem temperada, a pedir um vinho pujante.
Pois este Terra Quente deixou-me siderado, com um corpo fortíssimo, pujante, aroma vinoso, grande persistência, uma surpresa saída do nada...
Ainda bebi mais umas quantas vezes mas depois o vinho desapareceu. Julguei que já não existia, até que há um ano, nas feiras de vinhos, encontrei umas garrafas da colheita de 99 no Feira Nova. Comprei duas, para ver como ele estava. Claro que sem demasiadas expectativas.
Nas férias lá abri uma das garrafas, na noite dos vinhos transmontanos. Ainda tentei encontrar alguns resquícios do que me lembrava nele de há uns 10 anos, mas já não tinha a exuberância de outros tempos, com um corpo já delgado e o aroma muito evoluído. Um pouco à semelhança do Bons Ares de 99, referido no post anterior, já em curva descendente. Ainda se houvesse por aí uma colheita recente, para tirar dúvidas...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Terra Quente 99 (T)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Adega Cooperativa de Valpaços
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Trincadeira Preta, Tinta Carvalha, Mourisca, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 6

quinta-feira, 21 de junho de 2007

No meu copo 122 - Hexagon 2003

O fascínio por este vinho vem desde o 1º encontro de eno-blogs, realizado em Janeiro na York House. Na altura, para mim foi a grande surpresa da noite.
Um dia destes, numa visita à Makro deparámo-nos com este à venda, tendo sido adquirida uma singela garrafa para dividir por dois. E não perdemos muito tempo a bebê-la. Fizemo-lo a acompanhar umas costeletas de novilho grelhadas.
É curiosa a referência ao nome do vinho no contra-rótulo: os seis lados do hexágono relacionados com seis castas e seis gerações da família José Maria da Fonseca, onde agora predomina como enólogo Domingos Soares Franco. “Hexagon é a procura da excelência que tem marcado a minha geração e a minha família ao longo dos tempos”, diz Soares Franco. E com este vinho conseguiu-a.
Não decantámos o vinho, mas ele merecia. Fomo-lo degustando calmamente e ao longo de uma hora desenvolveu aromas fantásticos, apresentando um fim de boca que nunca mais acaba. Um vinho que nos enche a boca e que apetece ficar ali a saborear por tempo indeterminado. Taninos bem firmes mas redondos, madeira bem integrada num conjunto de grande complexidade de aromas e sabores. É o topo de gama da José Maria da Fonseca, e está lá muito bem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Hexagon 2003 (T)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah, Tinto Cão, Trincadeira, Tannat
Preço em hipermercado: 33,04 €
Nota (0 a 10): 9

terça-feira, 19 de junho de 2007

No meu copo 121 - Reguengos Reserva 99, 2000, 2001


Terminamos esta ronda por terras do Alentejo voltando a Reguengos de Monsaraz e à Carmim para falar do Reserva, que acompanhamos há muitos anos e que tínhamos em stock desde Janeiro de 2004. Quando provámos a colheita de 99 fomos logo a seguir comprar umas quantas garrafas, que ficaram esquecidas até há pouco tempo, quando achámos que era tempo de fazer uma rotação de stock porque o tempo útil de consumo já tinha sido ultrapassado.
A verdade é que o vinho se mostrou ainda em forma. Nas colheitas que saem para o mercado é um vinho de cor granada e bastante encorpado, com a madeira bem marcada mas sem ser em excesso, resultado dos cerca de 4 anos de estágio a que é submetido. Apresenta normalmente um fim de boca prolongado, taninos bem presentes mas redondos.
A curiosidade aqui era ver como se comportavam estas três colheitas. A de 99 mostrou-se ainda em boa forma, sem mostrar sinais claros de declínio, podendo beber-se desde logo e aguentando mesmo uma garrafa aberta até ao dia seguinte sem afectar a frescura do vinho. Não deixando de ser uma surpresa, dado ser um vinho alentejano já com quase 8 anos, a verdade é que fez jus à apreciação que mereceu no final de 2003 e que nos levou a apostar nele para guardar durante uns anos.
Já a colheita de 2000 apresentou-se muito mais fechada, com um aroma inicial com algum mofo, que tornou necessário decantá-lo para o deixar respirar e limpar mais os aromas. Ao fim de uma hora a evolução era evidente, desenvolvendo aromas a passas e especiarias e mostrando um fim de boca cada vez mais persistente.
O da colheita de 2001 tinha um problema: a garrafa tinha vertido algumas gotas e receávamos que estivesse passado. Depois de retirada a rolha que, apesar de ter vertido, estava em bom estado, ao cheirar o vinho perpassou pelas nossas mentes a lembrança do vinho do Porto, o que não era bom presságio. Verteu-se um pouco para o copo. A cor, granada profunda como já referido, não denotava a evolução que o odor deixava prever e, quando o provámos, o sabor era óptimo, a especiarias e madeira bem casada, os taninos redondos mas vincados e um fim de boca suave e de média duração. Aliás, cheirado no copo, o vinho do Porto não estava lá, apenas um aroma também discreto e complexo, a mostrar a boa saúde do vinho.
Não sendo nenhuma das colheitas mais recentes e não tendo a vivacidade que aquelas normalmente apresentam, estas três demonstraram, ainda assim, que este Reserva pode ser guardado algum tempo sem nos pregar uma partida e é uma excelente aposta para acompanhar pratos de carne alentejanos tradicionais, daqueles bem fortes e consistentes que pedem um vinho robusto sem ser agressivo. Tem também a vantagem de apresentar um preço bastante convidativo, podendo actualmente comprar-se a menos de 4 €. Em 2000 chegou a comprar-se a 1125$. Recentemente, uma promoção no Pingo Doce apresentava 6 garrafas ao preço de 5, o que resultava em 3,325 € por garrafa, que é um excelente preço para o vinho em questão.

Nota: este vinho usa as uvas do mesmo lote que, depois de devidamente seleccionadas, servem para fazer o topo de gama da casa, o Garrafeira dos Sócios.

tuguinho e Kroniketas, enófilos esforçado e esclarecido (respectivamente)

Vinho: Reguengos Reserva 99 (T)
Grau alcoólico: 13%

Vinho: Reguengos Reserva 2000 (T)
Grau alcoólico: 13,5%

Vinho: Reguengos Reserva 2001 (T)
Grau alcoólico: 14%

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Carmim (Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz)
Castas: Aragonês, Trincadeira, Castelão, Moreto
Preço em feira de vinhos: 3,78 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 12 de junho de 2007

No meu copo 120 - Herdade Penedo Gordo: branco 2006, tinto 2005


Uma cerimónia religiosa seguida do tradicional almoço trouxe-me ao copo dois vinhos alentejanos cuja existência eu desconhecia. Para localizar a sua origem tive que fazer uma pesquisa de modo a localizar Orada no código postal 7150. Resultado: concelho de Borba. E lá provámos o branco e o tinto da Herdade do Penedo Gordo.
O branco de 2006 foi bebido com o prato de peixe, um arroz de marisco com tamboril, ou arroz de tamboril com marisco... Como me acontece quase sempre com os brancos alentejanos, não me agradou. É rústico, pouco aromático, falta-lhe elegância, como a (se calhar, digo eu...) 99% dos brancos alentejanos. Não deixa memórias.
Quanto ao tinto de 2005, a acompanhar lombinhos de porco com castanhas, embora bem mais bebível, também não trouxe nada de novo. Mostrou um carácter predominantemente frutado, tanto no nariz como na boca, embora tivesse evoluído, ao fim de algum tempo, para um fim de boca mais prolongado e marcado por especiarias. Só que... no meio de tantos, ficou-me a sensação de ser apenas mais um para engrossar a interminável lista de novos produtores, mas que dificilmente marcará alguma diferença. Até porque no panorama actual não é fácil.
Não faço ideia do preço destes vinhos, mas pelo seu perfil calculo que andem pelos 4 ou 5 euros. Posicionam-se, certamente, na gama média ou média-baixa. A verdade é que uma semana depois já não me lembrava do nome. Se não fossem as fotos tinham passado rapidamente ao esquecimento.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Borba)
Produtor: António M. Esteves Monteiro

Vinho: Herdade Penedo Gordo 2006 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Antão Vaz, Roupeiro
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 5

Vinho: Herdade Penedo Gordo 2005 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Touriga Nacional
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 6

sexta-feira, 8 de junho de 2007

No meu copo 119 - Carmim, Aragonês e Trincadeira 99

Nos primeiros tempos das Krónikas Vinícolas apreciámos aqui dois varietais da Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz (Carmim), o Bastardo e o Cabernet Sauvignon de 2000, que estiveram em grande e, se calhar, pela última vez, pois foram as últimas colheitas que vi à venda. O tempo passa sem darmos por ele e agora verifico que já passou quase um ano e meio e desde aí nunca mais tinha provado nenhum destes varietais da Carmim, apesar de haver sempre alguns na garrafeira. Agora resolvi ir buscar os outros dois, que se mantêm no mercado. O Aragonês e o Trincadeira já foram lançados há uns 6 ou 7 anos, e tive oportunidade de conhecer todas as colheitas iniciais, ainda com um rótulo claro.
Desde sempre foram vinhos que se pautaram por uma grande dose de adstringência, puxando bem pelas características mais fortes de cada uma das castas - contrariamente ao que acontece, por exemplo, nos varietais do Esporão, ali vizinho, que são muito mais macios. Curioso é também verificar que aqui, na Carmim, o Trincadeira é tão ou mais pujante que o Aragonês, enquanto no Esporão há uma diferença significativa entre as duas, com a Trincadeira muito mais amaciada e a dar vinhos cheios e envolventes, ficando para o Aragonês as despesas dos vinhos mais robustos e taninosos.
Estas duas garrafas foram consumidas com uma boa perna de borrego no forno e revelaram-se, como não podia deixar de ser, perfeitamente adequados para este prato tão típico do Alentejo. Claro que já não tinham a frescura de quando foram comprados (já residiam na garrafeira desde 2002) mas depois de respirarem um pouco ficaram mais limpos de aromas. Perderam um pouco daquela vivacidade que os caracteriza, como é normal, mas ficaram bem mais macios, sem perder um fundo muito marcado a especiarias, que é habitual nestes varietais.
Mais tempo na garrafeira não lhes ia trazer nada de bom, e felizmente ainda fui buscá-los bem bebíveis, mas... provavelmente não seria por muito mais tempo. Quem os tiver, não os guarde mais de dois ou três anos. Já foram vinhos caros (quando foram lançados cheguei a comprá-los por mais de 2000$ a garrafa), mas depois entraram na normalidade e agora conseguem-se comprar por cerca de 4 euros, o que é um excelente preço para a qualidade que costumam ter. Fazem parte das nossas escolhas permanentes.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Carmim (Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz)

Vinho: Aragonês 99 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Aragonês

Preço em feira de vinhos: 4,15 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Trincadeira 99 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Trincadeira

Preço em feira de vinhos: 3,88 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 3 de junho de 2007

No meu copo 117 - Tinto da Talha 2004

Já aqui falámos do Tinto da Talha Grande Escolha, o topo de gama da Roquevale, e agora temos o Tinto da Talha normal, que fica no meio da gama. É um vinho com uma bela cor brilhante entre rubi e granada, encorpado e macio, sem grande adstringência, com algum frutado e final médio, que se bebe com agrado.
Denotando ainda alguma juventude, é adequado seguramente para pratos regionais do Alentejo mas não demasiadamente temperados. O preço é bastante simpático pelo que temos aqui mais uma boa escolha para o dia-a-dia, um vinho bom e barato para quem comprar... barato.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tinto da Talha 2004 (T)
Região: Alentejo (Redondo)
Produtor: Roquevale
Grau alcoólico: 13%
Castas: Castelão, Trincadeira

Preço em feira de vinhos: 2,59 €
Nota (0 a 10): 6

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Prova à Quinta - O sétimo


Pera-Manca branco 2003; Periquita 2004

Para este desafio lançado em tempo oportuno pelo Vinho da Casa, para encontrar vinhos produzidos por casas com mais de 20 anos, resolvemos seleccionar dois vinhos, a exemplo do que já fizemos nos dois desafios anteriores, em que apresentámos 4 na prova de Cabernet Sauvignon e 2 na prova de brancos varietais. Escolhemos um branco e um tinto com tradição secular: o Pera-Manca e o Periquita.

No caso do Pera-Manca, estamos perante um dos vinhos brancos mais famosos (e caros) do país. Já existe desde o século XV e obteve medalhas de ouro em Bordéus nos já longínquos anos de 1897 e 1898. Contudo, andei anos (não desde o século XV...) para me decidir a comprá-lo por duvidar que valesse o elevado preço que custa, até pela minha desconfiança em relação aos brancos alentejanos, que já tive oportunidade de referir em mais que uma ocasião. Mas como a vida também é feita de alguns mitos, por vezes é preciso ir ao seu encontro para sabermos da razão ou não da sua existência. No caso dos vinhos trata-se, tão-somente e na maior parte dos casos, de abrir os cordões à bolsa.
Este foi comprado numa feira de vinhos em 2004 e ficou à espera de uma oportunidade que justificasse abri-lo. Foi num almoço de família à volta dum pargo assado no forno, tendo havido o cuidado de o refrescar de véspera, para garantir que à hora de bebê-lo não íamos encontrar um vinho meio morno.
Perante tão grande expectativa, o mínimo que posso dizer é que o vinho não defraudou. De facto, apresenta alguma elegância que é raro encontrar nos brancos alentejanos, sem deixar de fazer prevalecer um corpo com alguma pujança, um aroma frutado e complexo em equilíbrio com uma boa acidez, que resultam num fim de boca fresco e prolongado. Sem dúvida um vinho adequado para pratos de peixe elaborados, como o pargo ou o bacalhau no forno. Feito com 85% de Antão Vaz e 15% de Arinto, a sua boa estrutura e acidez permitem uma boa ligação com os sabores intensos e a gordura destes pratos. Como ainda não o tinha provado, não sei se mudou o perfil ou não, mas não é, seguramente, um vinho da moda.
Continuo, contudo, a ser mais fã de outro tipo de brancos, mas não rejeito a hipótese de voltar a este Pera-Manca, porque estes brancos também fazem falta. E também podemos deliciar-nos com a arte do rótulo, que é uma coisa rara. Como entretanto mudaram o rótulo, esta garrafa ficou como recordação.

No caso do Periquita, é apenas a marca de vinho mais antiga comercializada em Portugal, desde 1850, daí a razão da nossa escolha. Segundo a José Maria da Fonseca, é também o vinho tinto português mais vendido no estrangeiro. Também há algum tempo que não o consumia, mas o vinho modernizou-se um pouco, seguindo agora o perfil dos vinhos com muito álcool (embora sem exagero, apesar de tudo), com algum frutado. Na boca é medianamente encorpado com taninos suaves e bem integrados com um toque discreto de madeira e apresenta um fim prolongado, com bastante especiaria. É um vinho que pede pratos grelhados ou assados com algum condimento, embora sem exageros.
A garrafa também se modernizou, passando da tradicional borgonhesa que durante décadas marcou a imagem do vinho para a bordalesa que ostenta agora. Sendo agora um vinho mais moderno, não sei, contudo, se é melhor do que era. Se calhar tornou-se igual a muitos outros.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pera-Manca 2003 (B)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 14%
Castas: Antão Vaz, Arinto
Preço em feira de vinhos: 12,89 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Periquita 2004 (T)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 13%
Castas: Castelão, Aragonês, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 3,29 €
Nota (0 a 10): 6

terça-feira, 22 de maio de 2007

No meu copo 114 - Herdade do Pinheiro 2002

Iniciamos agora um pequeno périplo por alguns vinhos alentejanos que temos provado nos últimos tempos. Não existe um critério nem uma selecção ou ordem pré-determinada dos vinhos, apenas a ordem em que vamos escrevendo sobre alguns vinhos que nos passam pela mesa.
Começamos esta ronda por um Herdade do Pinheiro 2002. Foi a nossa primeira prova deste vinho, nascido no coração do Baixo Alentejo, em Ferreira do Alentejo, quase lá para a minha zona. Já tinha uma na garrafeira, mas num dos nossos repastos “dionisíacos”, de que qualquer dia daremos conta, o Politikos resolveu contribuir com esta.
Gostámos. É um vinho de cor rubi e aroma pronunciado a frutos vermelhos não muito maduros. Na boca mostra-se bastante cheio, com os taninos arredondados, um toque especiado e a dose certa de madeira, terminando com um fim de boca longo, daqueles que quase se mastigam. Acidez correcta e um grau alcoólico que permite apreciar os aromas sem os abafar. Parece ter estaleca para se bater com pratos de carne bem temperados. De notar que é feito com as duas castas mais emblemáticas do Alentejo, Aragonês e Trincadeira, bem secundadas pela Cabernet Sauvignon, aqui tão falada nos últimos dias, que também se dá muito bem na região. Sendo assim, tem tudo para dar certo desde que saibam tratar dele.
Em suma, para primeira abordagem agradou bastante, prometendo novas visitas. O preço de referência que temos é o da colheita de 2004, que o coloca num patamar médio-alto. Se as outras colheitas cumprirem o que esta prometeu, temos vinho para se impor. Parece-nos que não é apenas “mais um” no Alentejo, como tantos outros que temos encontrado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Herdade do Pinheiro 2002 (T)
Região: Alentejo (Ferreira)
Produtor: Sociedade Agrícola Silvestre Ferreira
Grau alcoólico: 13%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon

Preço em feira de vinhos: 7,29 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

No meu copo 90 - Pinheiro da Cruz


O primeiro contacto que tive com este vinho foi na já longínqua colheita de 1991, então através duma amiga que tinha contactos com alguém que adquiriu a garrafa directamente na produção. Tinha um carimbo no rótulo com o ano de colheita e a indicação original no brasão de que provinha da prisão de Pinheiro da Cruz, ali para os lados de Grândola e Melides.
Era um vinho surpreendente, com um perfil um pouco rústico, cheio de corpo e robustez, daqueles vinhos que se “mastigam” e nunca mais acabam. Rapidamente se revelou apropriado para se bater com pratos bem fortes e condimentados, e ao longo dos anos tive oportunidade de comprar e beber algumas vezes em restaurantes. Uma das melhores combinações que encontrei foi com um arroz de lebre muito condimentado, malandrinho e com um molho muito espesso que comia no Barrote Atiçado, na Pontinha, às portas de Lisboa (que entretanto mudou de nome para António do Barrote e de local para o Parque Colombo, em Carnide). “Aquele” Pinheiro da Cruz era perfeito para a pujança daquele prato.
Nessa altura era quase uma raridade e difícil de comprar fora da própria prisão, embora o Pingo Doce tivesse desde logo lançado a colheita de 1992 numa das suas feiras. Também por isso era caro quando aparecia. O exemplar de 1997 que aqui vos apresentamos foi um de 3 exemplares adquiridos por 2775$ (13,84 €) na feira de vinhos do Continente de 1999. Em 2005, no Corte Inglês, uma garrafa de 2002 custou 12,95 €.
Com a instauração de uma série de novas regiões vitivinícolas de norte a sul, nomeadamente a criação das DOC Alentejo, Ribatejo e Estremadura e ainda os vinhos regionais, o Pinheiro da Cruz, que entretanto alargara a produção, deixou de ser vinho de mesa como era originalmente e pretendeu também ser classificado com uma denominação de origem. Tinha todas as características do vinho alentejano, mas surpreendentemente começou a aparecer como Vinho Regional Terras do Sado a partir da colheita de 98. O rótulo estilizou-se, passou a haver informação no contra-rótulo e a indicação das castas utilizadas. E, para satisfazer as exigências da denominação de origem (certamente a burocracia impediu que fosse classificado como vinho alentejano), descaracterizou-se. A primeira colheita com o novo rótulo mostrou um vinho muito mais aberto e frutado que os anteriores, deixando de ser aquele vinho poderoso que fora até aí. Em suma, acabou por vulgarizar-se.
Deve ter sido também devido a isso que foi possível aumentar significativamente a produção e encontrá-lo agora à venda a uns módicos 6,44 € na feira de vinhos da Makro. É mais acessível, mas eu preferia o perfil antigo e mais caro.
Nos últimos meses fui à garrafeira buscar os exemplares que lá tinha, de 97, 99 e 2003. O primeiro e o último foram bebidos no recente jantar de javali com a “cambada”. O de 97 foi decantado com todos os cuidados para evitar a passagem de borras para os copos e para lhe dar tempo de respirar. Revelou-se ainda em excelente forma, a fazer lembrar os mais antigos, embora com esta idade tivesse já perdido a pujança inicial, mas ainda se bateu excelentemente com o javali. Já o de 2003, mais frutado e leve e sem aquela robustez anterior, ainda assim aguentou-se no balanço. Quanto à colheita de 99, bebida há algum tempo a acompanhar uma lebre, já não tinha a frescura inicial mas aproximava-se mais das características do de 97 e também se bateu bem com a caça.
Curioso é ver a informação do contra-rótulo, de que apresentamos aqui o de 2003 (clique na imagem para ampliar). O de 99 era composto pelas castas Periquita, Trincadeira, Alicante Bouschet e Aragonês, mas ao de 2003 ainda foram acrescentadas a Syrah e a Cabernet Sauvignon, ou seja, estamos perante as castas da moda para fazer um vinho que acompanhe a moda. Mais curioso ainda é observar a evolução do grau alcoólico de colheita para colheita: de 12,5% em 1997 para 13% em 1999 e 14% em 2003, a seguir a tendência da moda.
De realçar que deste último contra-rótulo desapareceu a frase assassina “A sua alma nasce do sentimento que os reclusos põem neste trabalho que os liberta”. Que o trabalho liberta era a frase que esperava os presos à entrada do campo da morte de Auschwitz. Há ideias que nunca se deviam ter.
Enfim, o Pinheiro da Cruz já não é aquele vinho que nos surpreende no primeiro impacto, mas ainda assim continuamos a achar que vale a pena tê-lo na garrafeira. Até porque agora se tornou bem mais acessível.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pinheiro da Cruz 97 (T)
Região: Vinho de mesa
Produtor: Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em feira de vinhos: 2775$
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Pinheiro da Cruz 99 (T)
Região: Terras do Sado (Grândola)
Produtor: Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz
Grau alcoólico: 13%
Preço: cerca de 12 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Pinheiro da Cruz 2003 (T)
Região: Terras do Sado (Grândola)
Produtor: Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonês, Syrah, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 6,44 €
Nota (0 a 10): 7

sábado, 17 de fevereiro de 2007

No meu copo 89 - Adega de Pegões, Colheita Seleccionada 2001; Quatro Regiões 97

Uma peça de javali, generosamente oferecida pelo caçador de serviço, foi pretexto para uma reunião do plenário do Grupo Gastrónomo-Etilista “Os Comensais Dionisíacos”, 13 meses depois dum repasto épico copiosamente regado para acompanhar lebres e perdizes.
Como fiel depositário dos restos mortais do “senhor porco”, como diria o Pumba, mais uma vez abri as portas (e a mesa) para receber a cambada. O suíno foi cozinhado na panela com banha e azeite depois de marinar em sal, alho, cebola, limão, laranja, cravinho e vinho tinto. Deixou um abundante molho e uma carne suculenta e muito saborosa.
Pesquisando a garrafeira, resolvi fugir ao hábito dos vinhos alentejanos e lá fui buscar para a segunda fase da operação “O desbaste da garrafeira” uns exemplares de Terras do Sado, que ficaram de pé um dia antes, para assentar eventuais borras que os vinhos apresentassem. Ainda chegaram alguns reforços, como o Herdade da Figueirinha de que já falámos no post abaixo e abriu as hostilidades ainda antes de passarmos à mesa, mas perante a diversidade da escolha os outros ficaram de reserva para a próxima. Na hora de atacar o animal no prato foram previamente decantadas as duas primeiras garrafas escolhidas.
Começámos por um dos últimos exemplares que nos restam do Quatro Regiões 97, que foi alvo de várias provas ao longo do último ano. Quando comprámos este vinho, em várias levas entre Outubro de 2003 e Outubro de 2004, ficámos esmagados pela sua pujança, pela exuberância de aromas e sabores, pelo longo fim de boca. Passaram estes anos e o vinho perdeu a pujança e a frescura, mas esta garrafa revelou-se em muito melhor forma que as duas primeiras provadas em 2006, sem os sintomas de declínio e falta de acidez detectados anteriormente, o que mais uma vez confirmou que os vinhos guardados são sempre uma incógnita quando vamos bebê-los: tanto podemos ter uma boa surpresa como uma decepção. Neste caso ficámos pelo meio-termo.
Em seguida passámos a duas garrafas do “sui generis” Pinheiro da Cruz, que vão merecer um post autónomo, porque acerca deste vinho muito há para dizer.
Já com o javali a desaparecer dos pratos e da panela, ainda fomos buscar mais uma garrafa para compor o painel de Terras do Sado: um Adega de Pegões tinto, Colheita Seleccionada de 2001. Uma estreia absoluta por estes lados (no branco já somos repetentes) que, perante a surpresa geral, foi unanimemente considerado o melhor vinho da noite. De cor granada, corpo robusto que nunca mais acaba, daquele que quase se mastiga, algum frutado misturado com um toque a especiarias, final de boca longo, alguma adstringência na prova com os taninos bem presentes mas sem se tornarem excessivos, quase apetecia que este não acabasse. Sem dúvida um vinho adequado para pratos fortes de carne e principalmente caça, como este. A Cooperativa de Pegões a impor-se no panorama vitivinícola nacional com vinhos de qualidade e a baixo preço. A repetir.
Terminámos com um Porto LBV da Quinta do Infantado, que também vai ser alvo de post autónomo, a acompanhar um excelente pudim Molotof e o reincidente bolo rançoso. E assim resta esperar pela fase 3 da operação “O desbaste da garrafeira”.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Adega de Pegões, Colheita Seleccionada 2001 (T)
Região: Terras do Sado
Produtor: Cooperativa Agrícola Santo Isidro de Pegões
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 6,25 €
Nota (0 a 10): 8


Vinho: Quatro Regiões 97 (T)

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

No meu copo 88 - Herdade da Figueirinha 2004

No meio da profusão de marcas de vinho alentejano que invadem as prateleiras dos supermercados, fomos encontrar este com o selo de “Melhor compra de 2006” da Revista de Vinhos.

Melhor compra porquê, perguntam vocês? Talvez pelo preço, pouco mais de 3 euros. Mas no conjunto não pareceu acrescentar grande coisa às centenas de marcas já existentes. Não tendo excesso de álcool (parece estar a tornar-se cada vez mais frequente o reaparecimento de vinhos com teor de álcool “normal”), mesmo assim pareceu não ter corpo nem acidez para aguentar os 13,5º, fazendo uma prova de boca algo desequilibrada, onde o álcool se sente em demasia. Ao contrário do que é dito no contra-rótulo.

Seguindo também a tendência da moda, utiliza a casta Alicante Bouschet, cada vez mais implantada nos vinhos alentejanos, além de Cabernet Sauvignon, Aragonês e Trincadeira. A matéria-prima é promissora mas... parece ficar aquém de mais qualquer coisa. Algo delgado e a tender para o vulgar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Herdade da Figueirinha 2004 (T)
Região: Alentejo (Beja)
Produtor: Sociedade Agrícola do Monte Novo e Figueirinha
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon

Preço: cerca de 3,30 €
Nota (0 a 10): 5,5

domingo, 3 de dezembro de 2006

No meu copo 72 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 1999

Este vinho faz parte das nossas garrafeiras há muito tempo e é por nós considerado um dos melhores aqui do rectângulo. Não sendo barato, também não é demasiado dispendioso, e é um valor seguro. Falo, como é óbvio (é só ler o título do post), do Reguengos Garrafeira dos Sócios, a marca de topo da Carmim - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz.
Confesso que estava um pouco apreensivo antes de libertar o génio da garrafa, porque uma da mesma colheita bebida há cerca de um ano mostrara-se, se não em declínio, pelo menos já fora do auge. Mas os meus receios não tinham razão de ser – o vinho apresentava uma cor grenat profunda e limpa, sem laivos de declínio, e o aroma não possuía odores espúrios. A decantação prévia ajudara o vinho a abrir e, não tendo um aroma exuberante, mostrou na boca sabores secundários agradáveis, uma madeira discreta e um fim de boca que ainda exibia uma ligeira adstringência, como que a mostrar que ainda ali estava para a luta.
Ainda me resta uma garrafa desta colheita de 1999. Vou bebê-la brevemente na esperança de que a evolução tenha sido idêntica. Aos leitores resta comprar a colheita agora à venda. Depois é beber já ou esperar um pouco. Não se vão arrepender.

tuguinho, enófilo esforçado

Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 1999 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Carmim (Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira

Preço em feira de vinhos: 7,79 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 21 de julho de 2006

No meu copo 52 - Conventual 2005

Eis um vinho que não me encanta nem desencanta. Apesar de todos os encómios que são feitos aos vinhos de Portalegre, ainda não encontrei um que me enchesse verdadeiramente as medidas.
Este Conventual de 2005, da Adega Cooperativa de Portalegre, apresenta-se com uma cor granada, bastante fechada, aroma pouco exuberante para as castas que utiliza (Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet), final de prova pouco vincado. Pode ser da tenra idade, pois é um vinho ainda muito jovem, e precisar de repousar mais algum tempo em garrafa, mas é daqueles que não me deixam grandes recordações, apesar do esforço.
É um vinho da gama média-baixa e não vale realmente mais do que aquilo que custa. Certamente que a Adega Cooperativa de Portalegre fará vinhos muito melhores que este, e eu fico à espera de descobri-los.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Conventual 2005 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Adega Cooperativa de Portalegre
Grau alcoólico: 13%

Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 2,19 €
Nota (0 a 10): 5,5

terça-feira, 18 de julho de 2006

No meu copo 51 - Conde de Vimioso 2002

Este é um vinho regional ribatejano da empresa de João Portugal Ramos em Almeirim, a Falua, que se posiciona na gama abaixo dos 5 euros, portanto na zona média-baixa. João Portugal Ramos é um nome bem conhecido a cujos vinhos já aqui fizemos referência em diversas ocasiões, nomeadamente aqueles que produz em Estremoz.

Da Falua já provámos o Conde de Vimioso Rosé e para uma próxima ocasião ficará o Conde de Vimioso Reserva.

O Conde de Vimioso tinto de 2002, comprado em 2004, é um vinho com alguma robustez, como é característico dos vinhos do Ribatejo, sem contudo ser agressivo. Bom corpo e aroma algo discreto, adequa-se a pratos de carne bem temperados, mas não excessivamente. Um borrego no forno é uma boa combinação.

Não sendo um vinho de encantar, também não desagrada e pode ser uma boa aposta para vinho do dia-a-dia, que se bebe com agrado, especialmente para os apreciadores de vinhos bastante encorpados. Beba-se desde já.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Conde de Vimioso 2002 (T)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 13%

Castas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 3,20 €
Nota (0 a 10): 6

domingo, 7 de maio de 2006

No meu copo 43 - Planura Reserva 2002

A Unicer é conhecida sobretudo pela produção de cervejas, sendo uma das grandes distribuidoras em Portugal (Super Bock, Carlsberg e Tuborg são as suas marcas mais famosas). Também distribui algumas marcas de água e há poucos anos resolveu lançar-se na produção de vinhos. Já me cruzei algumas vezes, quase por acaso, com vinhos desta empresa. E o que posso dizer sobre isso?
Na região de Setúbal a Unicer produz o Vinha das Garças, que uma vez recebi como oferta. A prova realizada em família mereceu a opinião unânime de que o vinho não tinha categoria (uma opinião foi mesmo mais crua: “não presta para nada”). Como não era muito conhecido, passei adiante e esqueci.
No passado Outono as Krónikas Tugas deslocaram-se ao “Encontro com o vinho e sabores”, e do evento demos conta em devido tempo. Entre as muitas provas efectuadas calhou começarmos pelo stand da Unicer. Foi-nos dado a provar um Vinha do Mazouco, do Douro, que não encantou nem mereceu grandes encómios da parte dos presentes, pecando pela falta de corpo e estrutura na boca. Também provámos um Planura Reserva e um Syrah, que não acrescentaram nada ao que já conhecemos no Alentejo, e também se perderam na memória das coisas pouco importantes.
Agora sentado à mesa do restaurante, resolvi voltar a insistir no Planura Reserva para ver o que dava. O vinho foi decantado e servido em copos de pé alto e boca larga, portanto teve todas as condições de serviço para mostrar o que vale. E vale pouco.
Apesar de todos os requisitos cumpridos no serviço, o vinho voltou a não convencer. Desde logo apresenta 14% de álcool, o que parece estar a tornar-se uma moda sem sentido, agora que quase todos os vinhos do Alentejo têm para cima de 13 graus, o que é um exagero. O problema é que nem todos sabem fazer vinhos como a Herdade do Esporão, que nos apresenta 14 e até 15 graus de álcool mas tão bem envolvidos no corpo do vinho que nós o bebemos e não damos por nada. No caso deste Planura Reserva 2002, é dito no contra-rótulo que foi feito com as castas Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Aragonês e Trincadeira, estagiando 9 meses em madeira. Aparentemente, tem tudo para ser um excelente vinho. A verdade é que o pomos na boca e é agreste, o álcool arranha, o corpo não envolve o álcool, o aroma é pouco exuberante e o sabor é vulgar. Mais uma vez os vinhos Unicer não provaram.
Resta dizer que não é mencionado no contra-rótulo de que zona do Alentejo são provenientes as uvas que deram origem ao vinho, pelo que ficamos na completa ignorância a esse respeito.
Depois de várias experiências sempre com o mesmo resultado, apetecia-me dar um conselho à Unicer: dediquem-se apenas às cervejas e deixem-se de aventuras vinícolas, porque não têm vida para isto.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Planura Reserva 2002 (T)
Região: Alentejo
Produtor: Unicer
Grau alcoólico: 14%

Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Cabernet Sauvingon, Trincadeira
Preço no restaurante: 10 €
Nota (0 a 10): 4

sábado, 1 de abril de 2006

No meu copo 37 - Montado 2002

Uma boa surpresa. Sabendo que os vinhos alentejanos por princípio não devem ser guardados por muito tempo, e tratando-se dum vinho da gama média-baixa, foi com alguma curiosidade que abri esta garrafa duma colheita quase com 4 anos.
O Montado é produzido pela José Maria da Fonseca a partir de vinhas situadas em duas regiões distintas do Alentejo, Reguengos e Portalegre, com predominância das castas Castelão, Aragonês e Trincadeira.
Pensando que já poderia ter deixado passar tempo de mais, foi com algum espanto que verifiquei estar o vinho em excelente forma. Um bom aroma, ainda jovem, e uma prova extremamente macia, coisa que começa a rarear em muitos vinhos devido a graus alcoólicos exageradamente elevados, num conjunto bastante agradável. Dentro destes preços, diria mesmo que é difícil encontrar melhor, uma vez que se consegue comprar por menos de 3 euros. Uma marca talvez menos conhecida que outras congéneres, como o Monte Velho e o Monsaraz, mas que não lhes fica atrás. Óptima aposta para um consumo frequente a baixo preço.
Já constava das nossas escolhas e justificou a permanência.

Nota: esta garrafa foi aberta para acompanhar o famoso Bife à café, e saiu-se muito bem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Montado 2002 (T)
Região: Alentejo (Reguengos e Portalegre)
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 12,5%

Castas: Castelão, Aragonês, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 2,79 €
Nota (0 a 10): 6,5

terça-feira, 28 de março de 2006

No meu copo 34 - Grão Vasco Alentejo 2004

Depois dumas incursões por vinhos brancos e por outras regiões, vamos dar mais um saltinho ao Alentejo para experimentar uma novidade da Sogrape: o Grão Vasco, vinho que existia como marca de referência no Dão. Este apareceu há poucos meses no mercado, proveniente da Herdade do Peso, a propriedade da Sogrape de cujos vinhos vamos dando conta regularmente.
Como vinho da gama média a Sogrape tem há muitos anos no Alentejo o Vinha do Monte, pelo que este Grão Vasco se posiciona mais abaixo. Percebe-se desde logo que pretende encaixar-se no segmento de mercado do Monte Velho, do Monsaraz, do Borba, para falar de alguns dos mais conhecidos, embora o preço não seja de feira de vinhos. Neste caso, movidos pela curiosidade aproveitámos a feira de queijos, enchidos e vinhos do Continente, mas é possível que esteja um pouco inflacionado em relação a outros preços de referência de outros que temos na nossa lista.
Neste caso, não sei se este Grão Vasco vem acrescentar alguma coisa de novo às centenas que já existem no Alentejo (não é fácil). É um vinho com 14% de álcool, o que se está a tornar moda e me parece exagerado, encorpado e aromático quanto baste e com alguma presença de taninos que lhe confere uma certa robustez e uma certa vivacidade na prova.
Um vinho adequado para o dia-a-dia, que poderá acompanhar pratos de carne bem temperados, mas que talvez precise duma segunda apreciação para o compararmos melhor com outros do mesmo patamar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Grão Vasco 2004 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alfrocheiro, Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 3,59 €
Nota (0 a 10): 6

domingo, 19 de fevereiro de 2006

No meu copo 20 - Quatro Regiões 1997

O tempo é lixado! Coisas que pareciam perfeitas há algum tempo manifestam agora debilidades nunca achadas. Vem isto a propósito da contra-prova que este sábado fizemos ao Quatro Regiões, vinho de mesa da Sogrape devido à sua peculiar forma de produção.
Este vinho é constituído por 4 lotes de uvas vinificadas em separado, provenientes de quatro emblemáticas regiões vinícolas do país: do Douro, a casta Touriga Francesa; do Dão, a casta Touriga Nacional; da Bairrada, a casta Baga; e do Alentejo, a casta Trincadeira. Depois de fermentados a temperatura controlada e sujeitos a maceração prolongada, os mostos estagiaram 8 meses em barricas de carvalho. Após o estágio, os quatro vinhos foram loteados para formarem este Quatro Regiões, vinho de mesa apenas, porque a lei portuguesa não prevê estes casos de vinhos de qualidade “trans-fronteiriços”, aproveitando o melhor de cada região.
Da colheita de 1997, este era um vinho de 9 quando o provámos pela primeira vez, há cerca de três anos. Mas como disse, o tempo não perdoa: há algumas semanas tínhamo-lo provado e decidimos não atribuir nota sem uma contra-prova, que fizemos este sábado, suportada por um singelo entrecote com alho.
O vinho, embora continue com um nível excelente como se depreende pela nota atribuída, já não é o vinho de topo que foi. Perdeu uma boa parte dos aromas e o sabor simplificou-se, detectando-se por vezes um certo fundo de decadência que pode indiciar o declínio total dentro de pouco tempo.
Portanto, em conclusão, se possui garrafas destas na sua garrafeira, beba-as agora todas, porque o vinho ainda é um bom vinho. E não há necessidade de o deixar estragar.

tuguinho, enófilo esforçado

Vinho: Quatro Regiões, 1997 (T)
Região: Vinho de Mesa
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 12,5%

Castas: Baga, Touriga Nacional, Touriga Francesa, Trincadeira
Preço em hipermercado: 12,77 €
Nota (0 a 10): 7,5