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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Os vinhos da festa 2007-2008 (3)

No meu copo 162 - Brancos



Ao longo da quadra festiva provámos mais uns quantos brancos que apreciámos assim:

Cabriz Colheita Seleccionada 2006 - Um branco despretensioso e agradável, na mesma linha do tinto com o mesmo nome. Bom acompanhante de peixe no forno, apresentando um bom equilíbrio entre corpo e estrutura, por um lado, e aroma e suavidade por outro. Feito com algumas das melhores castas brancas do Dão. Nota: 7

Prova Régia, Arinto 2005 - Do Prova Régia não há muito de novo a dizer. É sempre uma aposta segura, um dos meus brancos preferidos de Portugal. A frescura e acidez típicas do Arinto, com um aroma floral e notas de fruta tropical. Nota: 8

Quinta da Romeira, Chardonnay e Arinto 2005 - Em comparação com o Prova Régia, achei-o algo decepcionante. A mistura com o Chardonnay e a fermentação de 30% em barricas de carvalho dão-lhe aquele travo de que não sou grande fã, ligeiramente agreste para o meu gosto. Nota: 6,5

William Fevre, Sauvignon Blanc 2004 - Uma prova repetida de um excelente branco francês. É outra loiça. Já apreciado aqui. Nota: 8,5

Kroniketas, enófilo branqueado

Vinho: Cabriz, Colheita Seleccionada 2006 (B)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Malvasia Fina, Encruzado, Cerceal Branco, Bical
Preço em feira de vinhos: 2,79 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Prova Régia, Arinto 2005 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Companhia das Quintas - Quinta da Romeira
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 2,97 €

Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta da Romeira, Chardonnay e Arinto 2005 (B)
Região: Regional Estremadura (Bucelas)
Produtor: Companhia das Quintas - Quinta da Romeira
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Chardonnay, Arinto
Preço em feira de vinhos: 5,39 €
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: William Fevre, Sauvignon Blanc 2004 (B)
Região: Saint-Bris (França)
Produtor: William Fevre - Chablis
Grau alcoólico: 12%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em garrafeira: 14,90 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

No meu copo, na minha mesa 79 - Quinta do Sanguinhal 98; William Fevre 2004; Restaurante O Jacinto



Este é um dos restaurantes de Lisboa que conheço há mais tempo. Situa-se numa vivenda em Telheiras, na zona da antiga Quinta de S. Vicente, junto à Azinhaga das Galhardas. Para lá chegar, a melhor forma é apanhar a 2ª circular no sentido Aeroporto-Benfica e sair na primeira a seguir ao Campo Grande. Entra-se directamente na azinhaga e chega-se imediatamente a uma espécie de alameda onde fica o restaurante. Indo do lado de Benfica, ou se vai ao Campo Grande e volta-se para trás para usar esta saída, ou tem de se entrar por Telheiras e, algures nuns semáforos a seguir à escola, virar à direita e andar por umas ruelas sem grande identificação até chegar à rua do restaurante.
Em tempos recuados tinha uma das melhores açordas de marisco da capital, senão a melhor. Valia a pena ir lá para comer a açorda. Também havia uns croquetes quentinhos para entrada que eram uma delícia. Na década de 80 atravessou uma crise que pode ter sido justificada por cortar nos ingredientes. Lembro-me duma açorda que em vez de marisco tinha apenas delícias do mar. Actualmente tem marisco, embora pouco e cortado ao meio, mas a açorda continua a ter aquele paladar que fez as minhas delícias há 30 anos. A verdade é que nas últimas visitas a casa estava cheia, e na última assim aconteceu.
Além da inevitável açorda de marisco, ainda vieram para a mesa um caril de gambas, uma picanha e uma perna de porco assada no forno. Destes só provei a picanha, porque fui lá de propósito para comer a açorda de marisco (isto porque ir ao Pap’Açorda no Bairro Alto nem sempre é prático). A picanha cumpriu como é habitual. A açorda também. Muito bem temperada, com muita salsa, bastante aromática, na consistência certa. Enfim, apesar de modesta na quantidade de marisco, soube bem comer e deixou-me plenamente satisfeito, assim como os restantes comensais que optaram pelo prato.
Para sobremesa vieram apenas duas encharcadas de ovo, talvez um dos melhores doces de ovos que existem. Tal como no Alqueva, comeu-se e ficou a apetecer mais.
O serviço é atencioso, simpático, rápido e eficaz, o ambiente acolhedor, a ementa variada. Não será o melhor restaurante de Lisboa, mas tem todas as condições para ser um dos melhores, e só não será se os responsáveis não quiserem.
Para os líquidos, como havia peixes e carnes, pediu-se um branco e um tinto, e tentámos fugir ao mais habitual, pedindo dois vinhos menos vistos. Apesar de uma carta de vinhos extensa (embora pobre nalgumas regiões), como é frequente nos restaurantes portugueses pede-se um vinho que está na carta e depois não existe na garrafeira. Assim voltou a acontecer por duas vezes, e acabámos por ficar por um William Fevre (branco) e um Quinta do Sanguinhal (tinto).
Foi a minha segunda experiência com um William Fevre. A primeira tinha sido no Chafariz do Vinho, com um Sauvignon Blanc de 2004. Desta vez não era mencionada a casta, mas no contra-rótulo vinha a indicação de ser apenas Chardonnay. Tinha uma bela cor amarelo palha, era frutado como quase todos os Chardonnay, mas desta vez sem ser enjoativo, com um toque floral e bastante equilibrado em termos de corpo e acidez, denotando bastante frescura no paladar. Agradou a todos os presentes, embora eu tivesse gostado mais do Sauvignon Blanc por ser mais suave.
Para o tinto escolhemos este da região de Óbidos, que em tempos já teve algum destaque com o Gaeiras (branco e tinto), mas que na última década tem andado mais ou menos desaparecida. A verdade é que este Quinta do Sanguinhal, de 1998, já com alguma evolução bem presente, revelou-se ainda em grande forma e foi uma agradável surpresa. Bom corpo, uma cor retinta e bons taninos, bom equilíbrio entre o carácter frutado e a madeira nova de carvalho francês, suave e elegante no paladar. Ficámos curiosos acerca deste vinho com menos dois ou três anos, poderá ser um caso a ter muito em conta. Sem dúvida um vinho a rever.

tuguinho e Kroniketas, enófilos esforçados e esclarecidos

Restaurante: O Jacinto
Av. Ventura Terra, 2 (Telheiras)
1600 Lisboa
Telef: 21.759.17.28
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 4

Vinho: William Fevre 2004 (B)
Região: Chablis (França)
Produtor: William Fevre - Chablis
Grau alcoólico: 12%
Castas: Chardonnay
Preço no restaurante: 27,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta do Sanguinhal 98 (T)
Região: Estremadura (Óbidos)
Produtor: Companhia Agrícola do Sanguinhal
Grau alcoólico: 12%
Castas: Castelão, Tinta Miúda, Carignan
Preço no restaurante: 15,50 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 27 de julho de 2006

No meu copo, na minha mesa 54 - William Fevre, Sauvignon Blanc 2004; Chafariz do Vinho - Enoteca




Uma saída de fim-de-semana antes de férias levou-me a um local que não visitava há algum tempo e que tem sido alvo de conversas intra e interbloguistas. À falta de quórum bloguista, vai-se com a família. Senhoras e senhores, apresento-vos o Chafariz do Vinho, na Mãe d’Água, entre a Praça da Alegria e o Príncipe Real. Construído nas rochas da antiga mãe d’água de Lisboa, foi erguido dentro do edifício um espaço com 3 pisos onde se vê a água a correr por dentro da gruta. Em dias bons, chegando cedo, ainda se pode optar pela esplanada cá fora.
O Chafariz do Vinho - Enoteca, como o próprio nome indica, é antes de mais nada um local de degustação de vinho, onde se pode comer uns petiscos para acompanhar o líquido, mas é este o centro de todas as atenções na casa. A lista é imensa, com centenas de vinhos, portugueses e estrangeiros, certamente maior que mais de 90% dos restaurantes portugueses. Leva-se mais tempo a escolher o vinho que as comidas. Um dos proprietários é o nosso bem conhecido João Paulo Martins, crítico de vinhos, cronista da Revista de Vinhos e autor dum dos mais conceituados anuários de vinhos, e naturalmente a selecção de vinhos é feita por ele. Claro que os vinhos ali presentes são todos de qualidade acima da média, com preços a condizer, pelo que não se pode esperar ir lá para beber Monte Velho, Frei João ou Porca de Murça (estou a citar alguns vinhos baratos de que gosto, para que se não pense que estou a denegri-los). Tem ainda a particularidade de servir vinho e champanhe a copo. Para quem quer beber pouco mas provar bom, pode ser uma boa opção.
Das vezes que lá fui aproveitei para beber vinhos que não conhecia, com predominância para os estrangeiros. Alemães e franceses (brancos) têm sido escolhas recorrentes, porque é mais fácil encontrá-los bons do que bons brancos portugueses. Desta vez optei por um branco francês (até porque o tempo assim convida), da casta Sauvignon Blanc.
Não há dúvida que os franceses sabem fazer vinho, e este prova-o claramente. Com uma cor citrina desmaiada, quase incolor, um aroma frutado profundo, elegante e suave na boca mas ao mesmo tempo encorpado, com um fim de boca que nos deixa à espera do próximo trago. Bebe-se um e apetece logo outro. Mais convivas houvera e mais garrafas se despejara... Perante este vinho, fica-se com a certeza de que há mesmo vinhos brancos bons, apesar de haver quem pense o contrário e de em Portugal serem poucos.
Claro que os copos usados, do tipo flute, também ajudaram, assim como a temperatura a que o vinho foi mantido, desde logo colocado num frappé. O serviço de vinhos é esmerado ao máximo, como não podia deixar de ser.
Claro que se comeu qualquer coisa a imitar um jantar. Algumas entradas com patés e pães diversos enquanto se espera pelos mini-pratos. Um rolo de massa fresca com requeijão e espinafres, bastante suave; uma trouxa de couve com alheira de caça, bastante temperada e ligeiramente picante, a puxar mais para a bebida; e uma opção do dia, perdiz desfiada em molho de escabeche, saborosíssima. Vai-se petiscando devagar para fazer render enquanto se aprecia o vinho.
Por fim, uma surpresa: um bolo de chocolate que não estava no programa. Só vos digo que deve ter sido o melhor bolo de chocolate que já comi. Cremoso como se fosse mousse, de comer e chorar por mais. Parece que é feito em Lisboa, numa pastelaria de Campo de Ourique. Tenho que descobrir onde é.
No fim, paga-se bem mas com a sensação de que valeu a pena. Pelas comidas e pelas bebidas. Para dois adultos e duas crianças pagou-se 64,50 €. Definitivamente, é um local a colocar no roteiro de qualquer apreciador de vinhos e de quem goste de petiscos fora do comum.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: William Fevre, Sauvignon Blanc 2004 (B)
Região: Saint-Bris (França)
Produtor: William Fevre - Chablis
Casta: Sauvignon Blanc

Preço na Enoteca: 25,00 €
Nota (0 a 10): 8,5

Local visitado: Chafariz do Vinho - Enoteca
Chafariz da Mãe d’Água
Rua da Mãe d’Água à Praça da Alegria
1250-154 Lisboa
Telef: 21.342.20.79
Preço médio por refeição: 20 a 30 €

Nota (0 a 5): 5