Já aqui falámos do Tinto da Talha Grande Escolha, o topo de gama da Roquevale, e agora temos o Tinto da Talha normal, que fica no meio da gama. É um vinho com uma bela cor brilhante entre rubi e granada, encorpado e macio, sem grande adstringência, com algum frutado e final médio, que se bebe com agrado.
Denotando ainda alguma juventude, é adequado seguramente para pratos regionais do Alentejo mas não demasiadamente temperados. O preço é bastante simpático pelo que temos aqui mais uma boa escolha para o dia-a-dia, um vinho bom e barato para quem comprar... barato.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Tinto da Talha 2004 (T)
Região: Alentejo (Redondo)
Produtor: Roquevale
Grau alcoólico: 13%
Castas: Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 2,59 €
Nota (0 a 10): 6
domingo, 3 de junho de 2007
No meu copo 117 - Tinto da Talha 2004
sexta-feira, 1 de junho de 2007
Um punhado de sugestões
Caríssimos comparsas, nos últimos tempos tenho pensado no intercâmbio de informação que aqui fazemos e como poderíamos melhorá-lo, com proveito para todos. Assim, deixo aqui algumas sugestões para utilizarem nos vossos blogs, se quiserem, claro:
- Indicar a região a que pertence o vinho provado. Às vezes só pelo nome não vamos lá.
- Indicar o preço a que o vinho foi adquirido. Essa indicação pode ser importante para percebermos em que patamar o vinho se situa.
- Indicar, se possível, locais onde o vinho pode ser adquirido. Aqui nas KV indicamos sempre o preço de super ou hipermercado, mas há vinhos que não se vêem nos supermercados, só em garrafeiras. Isso pode fazer toda a diferença em termos de facilidade de aquisição do vinho... e em termos de preço.
- Na Prova à Quinta, o autor do blog onde o desafio for lançado fazer o balanço das provas apresentadas, nos comentários ou num post autónomo, como nós fizemos no último desafio.
- Quando o tempo e a disponibilidade o permitir, na Prova à Quinta pode-se sempre apresentar mais que um vinho, onde o próprio autor da prova apresenta as comparações entre os vinhos provados, como fizemos nas últimas três provas.
- Sempre que encontrarem noutro blog um vinho que já foi objecto de prova no vosso próprio blog, fazer menção dessa prova nos comentários do outro blog, indicando onde a mesma pode ser lida. Depois disso, o autor da nova prova poderia também pôr um post scriptum no final do post a indicar precisamente o outro blog onde a prova anterior pode ser encontrada. Como certamente concordarão, não é fácil a cada um de nós, sempre que coloca uma prova, ir à procura de outra prova nos outros blogs, sem fazer ideia de onde poderá existir. É bem mais fácil quem já a fez dar essa indicação.
São só algumas ideias que penso que ajudariam a agilizar a troca de informação. Agora cabe-vos a vocês fazer uso delas ou não.
Saudações enófilas.
Kroniketas, enófilo esclarecido
quinta-feira, 31 de maio de 2007
Prova à Quinta - O sétimo
Para este desafio lançado em tempo oportuno pelo Vinho da Casa, para encontrar vinhos produzidos por casas com mais de 20 anos, resolvemos seleccionar dois vinhos, a exemplo do que já fizemos nos dois desafios anteriores, em que apresentámos 4 na prova de Cabernet Sauvignon e 2 na prova de brancos varietais. Escolhemos um branco e um tinto com tradição secular: o Pera-Manca e o Periquita.
No caso do Pera-Manca, estamos perante um dos vinhos brancos mais famosos (e caros) do país. Já existe desde o século XV e obteve medalhas de ouro em Bordéus nos já longínquos anos de 1897 e 1898. Contudo, andei anos (não desde o século XV...) para me decidir a comprá-lo por duvidar que valesse o elevado preço que custa, até pela minha desconfiança em relação aos brancos alentejanos, que já tive oportunidade de referir em mais que uma ocasião. Mas como a vida também é feita de alguns mitos, por vezes é preciso ir ao seu encontro para sabermos da razão ou não da sua existência. No caso dos vinhos trata-se, tão-somente e na maior parte dos casos, de abrir os cordões à bolsa.
Este foi comprado numa feira de vinhos em 2004 e ficou à espera de uma oportunidade que justificasse abri-lo. Foi num almoço de família à volta dum pargo assado no forno, tendo havido o cuidado de o refrescar de véspera, para garantir que à hora de bebê-lo não íamos encontrar um vinho meio morno.
Perante tão grande expectativa, o mínimo que posso dizer é que o vinho não defraudou. De facto, apresenta alguma elegância que é raro encontrar nos brancos alentejanos, sem deixar de fazer prevalecer um corpo com alguma pujança, um aroma frutado e complexo em equilíbrio com uma boa acidez, que resultam num fim de boca fresco e prolongado. Sem dúvida um vinho adequado para pratos de peixe elaborados, como o pargo ou o bacalhau no forno. Feito com 85% de Antão Vaz e 15% de Arinto, a sua boa estrutura e acidez permitem uma boa ligação com os sabores intensos e a gordura destes pratos. Como ainda não o tinha provado, não sei se mudou o perfil ou não, mas não é, seguramente, um vinho da moda.
Continuo, contudo, a ser mais fã de outro tipo de brancos, mas não rejeito a hipótese de voltar a este Pera-Manca, porque estes brancos também fazem falta. E também podemos deliciar-nos com a arte do rótulo, que é uma coisa rara. Como entretanto mudaram o rótulo, esta garrafa ficou como recordação.
No caso do Periquita, é apenas a marca de vinho mais antiga comercializada em Portugal, desde 1850, daí a razão da nossa escolha. Segundo a José Maria da Fonseca, é também o vinho tinto português mais vendido no estrangeiro. Também há algum tempo que não o consumia, mas o vinho modernizou-se um pouco, seguindo agora o perfil dos vinhos com muito álcool (embora sem exagero, apesar de tudo), com algum frutado. Na boca é medianamente encorpado com taninos suaves e bem integrados com um toque discreto de madeira e apresenta um fim prolongado, com bastante especiaria. É um vinho que pede pratos grelhados ou assados com algum condimento, embora sem exageros.
A garrafa também se modernizou, passando da tradicional borgonhesa que durante décadas marcou a imagem do vinho para a bordalesa que ostenta agora. Sendo agora um vinho mais moderno, não sei, contudo, se é melhor do que era. Se calhar tornou-se igual a muitos outros.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Pera-Manca 2003 (B)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 14%
Castas: Antão Vaz, Arinto
Preço em feira de vinhos: 12,89 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Periquita 2004 (T)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 13%
Castas: Castelão, Aragonês, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 3,29 €
Nota (0 a 10): 6
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Etiquetas: Alentejo, Antao Vaz, Aragonez, Arinto, Brancos, Cartuxa, Castelao, Evora, JM Fonseca, Terras Sado, Trincadeira
segunda-feira, 28 de maio de 2007
No meu copo 116 - Escolha António Saramago 2001
Abrimos este vinho num jantar futeboleiro de Sábado, em conjunto com um Quatro Castas do ano anterior. Acabámos por fazer uma prova cruzada ao longo do jantar, ora provando um, ora provando outro.
Apesar de ser um bom vinho, decepcionou-nos um pouco. A cor, se bem que retinta, já resvalava para um vermelho cansado. Mostrou corpo e veludez, como quase todos os vinhos alentejanos, e foi na boca que se mostrou mais envelhecido, com sabores terciários que não esperávamos encontrar. Melhorou com a permanência no copo mas não se alcandorou ao nível que esperávamos, perdendo mesmo para o Quatro Castas mais velhito.
Em suma, um bom tinto alentejano mas não excepcional, e que não convém ter tanto tempo em garrafa como nos querem fazer crer, visto que esta colheita nos surgiu nas feiras de vinhos do ano transacto. Se o encontrarem a tempo, bebam-no com um máximo de 4 anos de vida - presumo que vos dará maior prazer.
tuguinho, enófilo esforçado
Vinho: Escolha António Saramago 2001 (T)
Região: Alentejo
Produtor: António Saramago
Grau alcoólico: 14º
Preço em feira de vinhos: 8,97 €
Nota (0 a 10): 7
sexta-feira, 25 de maio de 2007
No meu copo 115 - Aragonês de São Miguel dos Descobridores 2005
Comprei este vinho porque o vi recomendado no catálogo da feira de vinhos do Continente de 2006 pelo Prof. Virgílio Loureiro, enólogo, professor no Instituto Superior de Agronomia e especialista em análise sensorial, e ainda consultor do Continente para a área de vinhos e responsável pelo clube de vinhos do mesmo.
Dizia ele no catálogo:
«Um autêntico “bombom”.
Vale a pena partir à descoberta deste Aragonês. Foi concebido para encantar quem o cheira pela primeira vez, apresentando um aroma delicioso e intenso. As notas aromáticas evidenciam a fruta vermelha sobremadura, as plantas silvestres e um abaunilhado cativante. Na boca, confirma tudo o que o aroma promete: é amplo, encorpado, muito aveludado, com uma acidez harmoniosa e um final aromático e ligeiramente adocicado, que convida a beber um pouco mais. Um autêntico “bombom”, que não precisa de comida por perto para animar uma conversa entre amigos. Muito bem feito!»
Depois de tão eloquente descrição, quem sou eu para acrescentar seja o que for? De facto, na primeira prova nota-se uma grande frescura, muito aroma e muita juventude, com a particularidade curiosa de apresentar uma espuma rosada escura ao ser servido no copo, por cima de uma cor retinta muito concentrada. Vai bem com pratos de carne bem temperados, pois com os mais leves pode sobrepor-se aos sabores da comida. Sem dúvida um produto a merecer uma nova prova.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Aragonês de São Miguel dos Descobridores 2005 (T)
Região: Alentejo (Redondo)
Produtor: Casa Agrícola Alexandre Relvas - Herdade de São Miguel
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Aragonês
Preço em feira de vinhos: 5,85 €
Nota (0 a 10): 7,5
quarta-feira, 23 de maio de 2007
Nova ligação na nossa lista
terça-feira, 22 de maio de 2007
No meu copo 114 - Herdade do Pinheiro 2002
Iniciamos agora um pequeno périplo por alguns vinhos alentejanos que temos provado nos últimos tempos. Não existe um critério nem uma selecção ou ordem pré-determinada dos vinhos, apenas a ordem em que vamos escrevendo sobre alguns vinhos que nos passam pela mesa.
Começamos esta ronda por um Herdade do Pinheiro 2002. Foi a nossa primeira prova deste vinho, nascido no coração do Baixo Alentejo, em Ferreira do Alentejo, quase lá para a minha zona. Já tinha uma na garrafeira, mas num dos nossos repastos “dionisíacos”, de que qualquer dia daremos conta, o Politikos resolveu contribuir com esta.
Gostámos. É um vinho de cor rubi e aroma pronunciado a frutos vermelhos não muito maduros. Na boca mostra-se bastante cheio, com os taninos arredondados, um toque especiado e a dose certa de madeira, terminando com um fim de boca longo, daqueles que quase se mastigam. Acidez correcta e um grau alcoólico que permite apreciar os aromas sem os abafar. Parece ter estaleca para se bater com pratos de carne bem temperados. De notar que é feito com as duas castas mais emblemáticas do Alentejo, Aragonês e Trincadeira, bem secundadas pela Cabernet Sauvignon, aqui tão falada nos últimos dias, que também se dá muito bem na região. Sendo assim, tem tudo para dar certo desde que saibam tratar dele.
Em suma, para primeira abordagem agradou bastante, prometendo novas visitas. O preço de referência que temos é o da colheita de 2004, que o coloca num patamar médio-alto. Se as outras colheitas cumprirem o que esta prometeu, temos vinho para se impor. Parece-nos que não é apenas “mais um” no Alentejo, como tantos outros que temos encontrado.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Herdade do Pinheiro 2002 (T)
Região: Alentejo (Ferreira)
Produtor: Sociedade Agrícola Silvestre Ferreira
Grau alcoólico: 13%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 7,29 €
Nota (0 a 10): 7,5
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Etiquetas: Alentejo, Aragonez, Cabernet Sauvignon, Silvestre Ferreira, Tintos, Trincadeira
sexta-feira, 18 de maio de 2007
Provas de Cabernet Sauvignon - O balanço
Parece que o grande pomo de discórdia em relação a esta casta prende-se com o aspecto vegetal que predomina em muitos vinhos, e nesses casos o veredicto é normalmente desfavorável. No entanto, também houve quem encontrasse bons motivos para elogiar os vinhos provados, precisamente aqueles em que a componente vegetal estava menos presente. O que se pode concluir daqui é que é necessário escolher o vinho certo, em qualquer casta ou em qualquer região, pois o que é elogiado por uns (que provaram o vinho certo) pode ser detestado por outros (que provaram o vinho errado).
Vejamos o que diz David Baverstock, enólogo da Herdade do Esporão, acerca do Cabernet Sauvignon no catálogo da Feira de Vinhos do Pingo Doce de 1998:
“A maior parte do vinho de qualidade produzido em todo o mundo é elaborado a partir de Cabernet Sauvignon. Esta casta francesa é bem sucedida em Bordéus e em quase todos os países vitícolas devido às suas características muito próprias. Possui pequenos bagos com uma película rica em fenóis, o que lhe permite apresentar uma boa relação de cor e taninos para a quantidade de mosto. Os vinhos, logo após a vinificação, apresentam-se de cor púrpura, fruta intensa e muito taninosos. (...) Os vinhos jovens são caracterizados por um aroma a pimentos verdes e fruta do tipo amoras e groselha preta, com uma boa estrutura de taninos. Possuem uma boa afinidade com o estágio em barricas novas de carvalho francês e, com algum tempo em garrafeira, podem ganhar aromas do tipo cedro e tabaco. Como é uma casta tardia, em climas menos quentes (como Bordéus, por exemplo) é necessário lotear Cabernet Sauvignon com Merlot para dar vinhos mais redondos e menos adstringentes. Em climas mais quentes (como no Alentejo, Austrália, Chile, Califórnia, etc.), o vinho tem ganho fama como monocasta, ou vinho varietal, dado que as uvas, por ficarem bem maduras, originam taninos mais ricos e mais álcool, o que ajuda a amaciar o paladar, sendo o fruto cheio e redondo com sabores a amoras, groselha preta e chocolate.”
Como se vê, é tudo uma questão de tratar bem o vinho para anular a predominância do vegetal. O que provámos do Esporão vem mais ao encontro das características descritas na parte final, e é este aspecto que mais nos agrada nesta casta. Mas eu também não me tenho dado bem com os Chardonnay portugueses, pelo que não me surpreende que haja quem se dê mal com o Cabernet.
Em resumo, tivemos as seguintes apreciações:
- Encosta do Sobral 2003 – 16 e 17
- Aliança Galeria 97 – 17
- Solar dos Loendros 2003 – 13,5
- Tapada da Falca 2001 – Bom
- Dom Hermano 2003 – Médio
- Quinta do Valdoeiro PN11 2001 – 13,5
- Alfaraz 2004 – 16,5
- Fiúza 2004 (também provado por nós) – Médio/fraco
Portanto, parece que o Cabernet ou se ama ou se detesta. Ou quase isso.
Kroniketas, enófilo esclarecido
PS: Novo desafio lançado no Vinho da Casa
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Etiquetas: Cabernet Sauvignon, Prova à 5ª
quinta-feira, 17 de maio de 2007
Prova à Quinta - O sexto
Para este desafio aqui lançado há duas semanas, as Krónikas Vinícolas foram às garrafeiras vasculhar o que havia de Cabernet Sauvignon, escolheram, escolheram, foram às várias regiões, reuniram e provaram não um, não dois, não três, mas quatro vinhos, a saber:
- Cabernet Sauvignon do Esporão 98, do Alentejo
- Quinta do Poço do Lobo 91, da Bairrada
- Fiúza Cabernet Sauvignon 2004, do Ribatejo
- Caves Velhas Cabernet Sauvignon 2000, da Estremadura
Estes vinhos representam as regiões onde têm sido feitos monovarietais de Cabernet com maior regularidade, faltando apenas os de Terras do Sado. Tivemos três vinhos já com alguma idade e um mais recente. De fora ficaram o Casa Cadaval de 99 e o Quinta de Pancas de 2001, por já terem sido feitas provas de exemplares desses vinhos, e para não ficarmos completamente embriagados no final...
Cabernet Sauvignon (Esporão) 1998
Começámos pelo Cabernet Sauvignon do Esporão. Apresentou-se macio, muito bem integrado e com aroma a frutos secos. A madeira estava bem casada no aroma e sem excessos, com um ligeiro fumado. Na boca mostrou um fundo de frutos muito maduros, ainda alguma adstringência e fim de boca prolongado e suave. Não se nota o álcool e a acidez está correcta. Um vinho com bom corpo, sendo já do ano de 1998.
Quinta do Poço do Lobo, Cabernet Sauvignon 1991
Este vinho foi comprado numa das feiras mais recentes, apesar da idade, e com o único intuito de ver como estaria um vinho desta casta com esta idade. Foi decantado cerca de uma hora antes da refeição e vertido para o copo com uns minutos de antecedência, para que pudesse abrir mais. Apesar de denotar a idade, mostrou estrutura e sabor ainda agradável, embora já não no seu auge. De cor granada escura, foi uma boa experiência, embora em circunstâncias normais já se devesse ter bebido.
Fiúza, Cabernet Sauvignon 2004
O Fiúza presenteou-nos com um aroma agressivo no bom sentido (pujante) e um fundo de erva fresca muito agradável. A boca estava no ponto, com alguns taninos e, se bem que curto, o fim de boca mostrou-se saboroso e com um ataque forte.
Ao fim de uma hora, como seria de esperar, estava muito mais macio, sem a tal agressividade inicial. Bom corpo. Bebeu-se o que restou no almoço do dia seguinte (esteve devidamente rolhado com rolha de vácuo) e mostrou-se algo decaído.
Caves Velhas, Cabernet Sauvignon 2000
Para o fim ficou o Caves Velhas de 2000, um dos melhores na prova. Aroma muito fumado, com fundo vegetal omnipresente mas sem subjugar os outros odores e uma cor rubi muito agradável.
Sabor a couro e vegetal, macio na boca mas persistente, com uma adstringência suave. Fim de boca longo com fundo de frutos secos. Mediano de corpo. Ao contrário do Fiúza, no dia seguinte mostrou-se ainda melhor.
Em conclusão, tivemos vinhos com algumas semelhanças devido à casta e até devido à idade algo avançada que lhes retirou alguma vivacidade, mas com perfis um pouco diferentes. Os mais equilibrados foram o do Esporão e o das Caves Velhas, com um bom balanço entre a acidez, o corpo e os aromas. O Poço do Lobo mostrou-se algo cansado e o Fiúza, embora vivo e mais exuberante que os outros, acabou por mostrar algum excesso de álcool, conquanto não chegasse a desequilibrar o vinho.
No conjunto, o do Esporão confirmou aquilo que se esperava dele, com um frutado ainda marcante e um belo corpo, sem dar sinais de exagero na componente vegetal, mais presente no Fiúza. De todo o modo, não se notou qualquer predominância dos famigerados pimentos verdes, que como diz o Copo de 3 parecem ensombrar os vinhos desta casta e parecem também tomar conta do imaginário dos enófilos. Como dissemos num comentário no post onde lançámos o desafio, um vinho bem feito não deve saber a pimentos verdes, senão algo está mal. Nesse aspecto, o Cabernet do Esporão, que entretanto deixou de ser feito, pede meças a qualquer outro, pois sempre teve uma predominância a frutos secos e vermelhos muito bem integrada com a madeira, com uma acidez correcta e um grau alcoólico moderado.
É pena que os caríssimos eno-bloguistas já não o possam provar (a não ser que ainda haja à venda nalgum sítio esquecido, ou na Herdade do Esporão), pois aqueles que não gostam desta casta talvez mudassem de ideia. Nós conhecemos este vinho desde o seu lançamento, com a colheita de 91, e acompanhámo-lo até ao fim, já em garrafas de meio-litro. As últimas sete, desta colheita de 98, foram compradas numa garrafeira da Praia da Rocha, em 2003, a 11 € cada uma. Ainda nos restam 2, para saborear os últimos prazeres.
Em conclusão, se esta casta é plantada em todo o mundo por alguma razão há-de ser. E para encontrar bons exemplares, mesmo portugueses, só há que procurá-los.
tuguinho e Kroniketas, enófilos esforçados e esclarecidos
Vinho: Cabernet Sauvignon (Esporão) 98 (T) (garrafa de ½ litro)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 13%
Preço: 11,37 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Caves Velhas, Cabernet Sauvignon 2000 (T)
Região: Estremadura
Produtor: Caves Velhas
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em feira de vinhos: 4,81 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Fiúza, Cabernet Sauvignon 2004 (T)
Região: Ribatejo
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 14,5%
Preço em feira de vinhos: 3,92 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Quinta do Poço do Lobo, Cabernet Sauvignon 91 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13%
Preço em feira de vinhos: 4,35 €
Nota (0 a 10): 6
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Etiquetas: Cabernet Sauvignon, Caves S Joao, Caves Velhas, Esporao, Estremadura, Fiuza, Prova à 5ª, Reguengos, Ribatejo, Tintos
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Desafio Prova à Quinta - 6ª ronda
Há meia-dúzia de anos foi usada em vinhos varietais em quase todas as regiões do sul do país, tendo depois passado a moda. Já aqui o disse, tenho uma paixão por esta casta e tenho obtido alguns momentos de grande prazer com estes vinhos. Por isso, vamos lá desencantar o que ainda houver por aí feito exclusivamente com Cabernet Sauvignon, e vamos ver como é que, depois do grande boom de há alguns anos, esta casta está a ser usada actualmente em extreme.
Kroniketas, enófilo esclarecido
PS: Continuem a deixar aqui as vossas provas. Amanhã colocaremos a nossa com alguns comentários e um apanhado das vossas opiniões. Entretanto vão pensando na próxima. Alguém se chegue à frente, por favor.
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segunda-feira, 14 de maio de 2007
No meu copo 113 - Fiúza, Merlot 2000
Foi a primeira vez que apreciei este vinho extreme da casta Merlot da casa Fiúza. Portou-se bem apesar da idade, apresentando uma cor aberta e limpa e aroma moderado. Foi degustado com um prato leve, visto que a Merlot não é propriamente conhecida por fazer vinhos encorpados e que aguentem com pratos mais consistentes. É precisamente aí que penso que mora o calcanhar de Aquiles destes vinhos – têm pouco corpo! É óbvio que nem só de vinhos encorpados se faz o mundo dos vinhos, mas o corpo demasiado delgado deste Merlot fica-me sempre atravessado, como se lhe faltasse qualquer coisa, o golpe de asa para alcançar voos mais altos. E com o corpo delgado vem também um fim de boca demasiado breve...
Apesar destas considerações, não se pense que é um mau vinho. Aliás, já o referi no início, não se portou nada mal. Mas podia ser melhor.
tuguinho, enófilo esforçado
Vinho: Fiúza, Merlot 2000 (T)
Região: Ribatejo
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 13º
Casta: Merlot
Preço em feira de vinhos: 7,95 €
Nota (0 a 10): 6,5
sexta-feira, 11 de maio de 2007
No meu copo, na minha mesa 112 - Dão Meia Encosta Garrafeira 73, Quinta de Cabriz Reserva 2003; Curral dos Caprinos

Este restaurante é um clássico. Um nome que é sempre de considerar para uma refeição bem preparada mesmo ao pé da serra de Sintra, a pedir um passeio após o repasto. Para além disso há uma enorme garrafeira onde se podem encontrar verdadeiras relíquias, com mais de 30 anos, em bom estado de conservação sem ser a preços obscenos. Rumando a Sintra, há que tomar a estrada em direcção a Colares e à Praia das Maçãs e pouco à frente sair no cruzamento em direcção a Cabriz e Várzea de Sintra.
Há dois pisos com salas, sendo o piso superior bem mais agradável que o térreo, pois é todo rodeado de janelas, ao contrário do outro que é completamente interior e mais acanhado em termos de espaço.
Uma das especialidades da casa é o cabrito no forno, que vem cortado em pequenos pedaços rodeados de batatinhas e regados com molho do assado. Não é o melhor cabrito que já comi mas cai bem. Existem, contudo, muitas outras opções em duas páginas repletas de especialidades e pratos do dia.
Antes de se escolher a refeição somos quase inundados por uma série de entradas quentes, como rissóis e croquetes, para além de outras frias como o queijo fresco e fatias de presunto. Difícil de resistir quando a fome aperta.
Nas sobremesas também há imensas escolhas, com a curiosidade de algumas terem nomes bem sugestivos como “pijama”, pijaminha” e “cuequinha”, que são pratos com misturas de doces, frutas e gelados, com variadas combinações. Pode-se sempre optar pelos mais tradicionais, como o pudim de gemas ou a mousse de chocolate.
Mas a grande atracção é a garrafeira. Para além de se poder pedir uma garrafa de bom vinho por 13 ou 14 euros, bem longe dos 30 ou 40 que se vêem por aí, ainda encontramos vinhos de Reserva e Garrafeira dos anos 70, 80 e 90 pelo mesmo preço. Não resisti à curiosidade de experimentar uma dessas relíquias e pedi um Dão Meia Encosta Garrafeira de 1973. Foi aberto com todos os cuidados (não sem que a rolha se partisse, mas sem cair na garrafa) e posteriormente decantado. Mostrou uma cor ainda a revelar saúde embora com o acastanhado típico de um vinho desta idade. Houve que deixá-lo respirar algum tempo para vê-lo evoluir, mas estava em plena forma, sem qualquer sinal de declínio nem de estar a ficar “passado”. Claro que um vinho destes não é apreciado por toda a gente, há que conhecer as suas características para poder usufruir de tão nobre envelhecimento. Já não vai melhorar, mas pareceu estar num patamar estável de conservação.
Para compensar a velhice deste Meia Encosta pediu-se um mais novo, um Quinta de Cabriz Reserva de 2003. Trinta anos mais novo e a mostrar bem essa juventude. Uma bela cor rubi ainda fechada, com um aroma pronunciado a frutos vermelhos e silvestres, a fazer lembrar amora e cereja, e uma grande frescura na boca, onde o frutado e a acidez se equilibram bem com um teor alcoólico elevado. O mais curioso é que estes vinhos custaram 14 e 13 €, respectivamente, o que deve ser caso único em Portugal.
À saída ainda houve a oportunidade de trazer a garrafa do Dão Meia Encosta e, no remate da conversa, adquiri outro Garrafeira de 1977 pelo preço módico de 10 euros! Disse-me o chefe que prefere vendê-las baratas, se os clientes as quiserem levar, do que tê-las guardadas a estragarem-se sem que ninguém lhes pegue. E acho que faz bem. Quando quiser outra, já sei onde ir buscá-la. Só espero que esta de 77 esteja com tão boa saúde como a de 73 que lá bebi.
Como nota menos positiva realce-se a demora do serviço, principalmente nos pratos pedidos. Parece que ao fim-de-semana dispensam parte do pessoal e ficam com 3 pessoas a atender uma sala para cerca de 130 clientes. Depois o serviço ressente-se...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Restaurante: Curral dos Caprinos
Rua 28 de Setembro, 13
Cabriz - Várzea de Sintra
Telef: 21.923.31.13
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4
Vinho: Dão Meia Encosta Garrafeira 73 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12%
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Quinta de Cabriz Reserva 2003 (T)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alfrocheiro, Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 6,98 €
Nota (0 a 10): 7,5
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terça-feira, 8 de maio de 2007
Na minha mesa 111 - Estrela do Mar (S. Pedro de Moel)
O espaço é amplo, com janelas viradas para o mar, e há um enorme mostruário de peixes à escolha. Na ementa a maior parte das opções giravam à volta disso. Como não sou grande apreciador de peixe grelhado, tentámos qualquer coisa um pouco mais elaborada e pedimos um arroz de marisco e uma açorda de marisco.
Uma desilusão. Nenhum estava nada de especial. Já comi dezenas de arrozes e de açordas de marisco melhores que aqueles. Parece que a grande especialidade serão os enormes peixes para grelhar, mas se é só isso é demasiado redutor para pratos de peixe. Esperava outro tipo de confecção muito mais cuidada, porque para grelhar peixe não é necessário fazer nada de especial.
Para acompanhar pediu-se um vinho verde, o Loureiro de Ponte de Lima, já referido na Prova à Quinta, e caiu muito bem como se esperava.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Restaurante: Estrela do Mar
Avenida Marginal
2430-505 S. Pedro de Moel
Telef: 244.599.245
Preço médio por refeição: 20 a 25 €
Nota (0 a 5): 2,5
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Etiquetas: Leiria, Restaurantes
domingo, 6 de maio de 2007
Krónikas duma viagem a Paris - 2
Se em Portugal a oferta de marcas e regiões já é por muitos considerada excessiva, ao pé do que se vê em França não é nada. As denominações de origem, que aqui são fáceis de identificar, em França têm uma panóplia de variações com as sub-regiões e os tipos de vinho que deixam qualquer um menos informado completamente à nora.
Em Bordéus, por exemplo, podem aparecer vinhos do Médoc ou de Saint-Emilion, duas das sub-regiões. Depois há as várias classificações (como os Premier Cru, Grand Cru, etc), que definem a categoria do vinho, provavelmente como cá os Reserva e os Garrafeira, e que variam conforme a região. Isto só olhando de relance, porque as variantes são imensas. No meio de tantas designações por vezes não é fácil perceber de que região se trata a não ser pela indicação “Appellation Contrôlée”, onde normalmente consta o nome da região a que a denominação de origem se refere.
O mais notável nas centenas de vinhos presentes nas prateleiras foi o nível de preços praticados. Em todas as regiões, com excepção de Champagne, existem vinhos a 2, 3, 4, 6 euros. Brancos, tintos e rose. São poucos os que ultrapassam os 10 euros e ainda menos os que ficam acima dos 20 euros.
Não sei se a imensa galeria de vinhos que encontrei é representativa dos vinhos franceses, pois certamente, lá como cá, haverá garrafeiras especializadas onde se encontram as raridades a preços mais caros. Mas o que mais me surpreendeu foi ver que a percentagem de vinhos acima dos 5 euros é muitíssimo inferior ao que vemos por cá. Ora sabendo-se que se trata do país vinícola mais famoso do mundo, não deixa de espantar que essa fama não seja usada para inflacionar os preços. Pelo menos é a isso que estamos habituados por cá, onde basta um vinho ganhar fama para duplicar o preço, e às vezes já é caro antes de ter fama.
Deste modo, parece-me que não será apenas pelos maiores volumes de produção que os preços são mais baixos, mas antes pela política de preços praticada quer pelos produtores quer pelos revendedores. Sempre me pareceu que em Portugal se exagera nos preços de modo injustificado e não deixa de ser um pouco amargo verificar que para lá dos Pirinéus se pode comprar vinho mais facilmente a preços acessíveis. Talvez os nossos produtores devessem ir lá aprender alguma coisa.
Dadas as limitações agora existentes para o transporte de líquidos nos aviões, e com muita pena minha, não podendo trazer vinho como bagagem de mão limitei-me a comprar duas garrafas de vinho branco da Alsácia, um da casta Riesling e outro da casta Gewurztraminer, a preços entre os 4 e os 6 euros. E vieram bem embrulhadas dentro da mala de roupa, felizmente chegando cá inteiras...
Quero ainda destacar aquilo que vi numa montra, algures por Montparnasse: uma caixa de vinhos com um champanhe Brut Premier e um vinho do Porto 10 anos da Ramos Pinto, por 60 euros. Noutra caixa estão várias bebidas entre as quais um Porto Dow’s 10 anos. É verdade, estão ali as fotos a confirmá-lo. Os franceses consideram o vinho do Porto ao mesmo nível do seu próprio champanhe. É notável.
Kroniketas, enófilo viajante
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quinta-feira, 3 de maio de 2007
Prova à Quinta - O quinto
Comecemos pelo Alvarinho, um Encostas de Paderne. Tratando-se de um Alvarinho, esperava-se muito melhor. Dum Alvarinho espera-se sempre. Mas a verdade é que este desiludiu. Falta-lhe a elegância e a frescura tão típicas da casta. Pareceu algo rústico, muito longe da generalidade dos Alvarinhos que há por aí. Se tivesse outro rótulo qualquer pensar-se-ia que se tratava de um qualquer verde vulgar.
Terá sido azar com a garrafa? Ficamos sem saber a resposta, mas esta prova não convenceu.
Por sua vez, o Loureiro é um Ponte de Lima. É um dos verdes que conheço há mais tempo e sempre me agradou. Aliás, a casta Loureiro é uma das mais conceituadas da região dos Vinhos Verdes, produzindo vinhos de grande frescura, com um bom equilíbrio entre o álcool e a acidez, predominantemente secos e muito agradáveis. Este mostrou uma bela cor citrina brilhante e um aroma entre o frutado e o floral, um ligeiro gaseificado com bolha muito fina e uma grande leveza na prova que o torna um excelente acompanhante para pratos de marisco. E como é barato, é sempre uma excelente aposta para uma compra rápida sem grande risco.
Esta dupla prova demonstra que há mais vida na região dos Vinhos Verdes para além do Alvarinho. Muitas vezes as outras castas são subalternizadas em favor do Alvarinho, mas é sempre preciso conhecer o produto final e, no caso de castas como a Loureiro e a Trajadura, também se obtêm excelentes vinhos, mais leves e menos alcoólicos mas caracterizados por uma grande frescura, pelo que podem constituir excelentes apostas. No caso vertente, dou preferência a este Loureiro que a este Alvarinho.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Encostas de Paderne, Alvarinho 2004 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Manuel da Rosa
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Nota (0 a 10): 5
Vinho: Loureiro Ponte de Lima 2005 (B)
Região: Vinhos Verdes (Ponte de Lima)
Produtor: Adega Cooperativa de Ponte de Lima
Grau alcoólico: 11,5%
Casta: Loureiro
Nota (0 a 10): 7
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Etiquetas: AC Ponte Lima, Alvarinho, Brancos, Loureiro, Moncao, Ponte Lima, Prova à 5ª, Revista Vinhos, Verdes
terça-feira, 1 de maio de 2007
Krónikas duma viagem a Paris - 1
As férias escolares da Páscoa foram aproveitadas para uma deslocação a uma das cidades míticas do mundo: Paris. Por sinal, a única onde já me desloquei mais de uma vez. Já lá fui solteiro, recém-casado, e desta vez o objectivo foi levar os filhos para conhecerem a Eurodisney.
As constantes deambulações pela cidade e as deslocações ao parque Disneyland não deixaram grande folga para repastos de nouvelle cuisine e muito menos para degustações vinícolas a condizer. A primeira abordagem ocorreu logo no dia da chegada, já para lá das 3 da tarde, hora local.
Cansados da viagem e esfomeados, fora de horas para almoçar, demos uma volta pelo 17ème arrondissement à procura da salvação, e esta apareceu-nos num restaurante chinês tipo self-service, depois de conduzidos de táxi por um motorista chinês. Esta coincidência viria a revelar um padrão que se repetiu nos dias seguintes: em Paris, os chineses são os trabalhadores e os japoneses são os turistas...
No dito chinês, onde ainda voltaríamos num dos regressos da Disney, depois de escolhermos todas as massas e arrozes mais o pato, a galinha e as gambas, vi umas garrafas na vitrina que me chamaram a atenção. Resolvi experimentar meia de Côtes du Rhône. O vinho estava ligeiramente refrescado e, para minha surpresa, não se saiu nada mal com a comida chinesa. Revelou-se um vinho aberto, muito suave e aromático, extremamente fácil de beber. Pareceu-me ser apropriado para refeições não muito condimentadas.
Noutra ocasião, depois dum dia cansativo a percorrer a cidade desde Montmartre até Pigalle, desde a Torre Eiffel ao Arco do Triunfo, usando todas as linhas de metropolitano possíveis e passando ainda por um passeio de Bateau Parisien, com frio e chuva à mistura, acabámos a jantar num restaurante libanês, sob alguma desconfiança. Mas o atendimento simpático ajudou-nos a escolher umas brochettes (espetadas) de carne de porco, vaca e frango, acompanhadas com um arroz e uma salada à moda do local, e um vinho também do país. Um Clos St. Thomas de 2002, com 14% de álcool mas sem ser agressivo. Um vinho de perfil moderno, feito com as castas omnipresentes onde quer que se vá: Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e uma menos conhecida, Grenache. Bebeu-se bem, seguindo a tendência dos vinhos da moda.
Na segunda visita ao chinês ainda repeti o Côtes du Rhône e noutra ocasião experimentei um rosé barato. E por aqui ficou a experiência francesa no que toca a vinhos. Na véspera do regresso ainda fiz uma visita a um supermercado, de que darei conta na segunda parte desta croniqueta.
Kroniketas, enófilo viajante
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domingo, 29 de abril de 2007
No meu copo 110 - Barolo
E agora outro vinho italiano, uma das marcas mais conceituadas do país. Os vinhos Barolo, assim como os vizinhos Barbaresco, são produzidos na região de Piemonte, do extremo norte de Itália, e usam essencialmente a casta Nebbiolo.
Apesar das expectativas, voltou a não me encher as medidas. O perfil é o habitual, aberto, macio e com algum corpo. Embora se note alguma estrutura de fundo e algum frutado, o aroma é pouco exuberante e o final é curto. A casta Nebbiolo supostamente produz vinhos de grande longevidade, mas não me pareceu ser o caso deste, que talvez seja da gama mais baixa.
Bebe-se bem com carnes grelhadas e talvez seja um bom tinto de verão. Em resumo, é bom… ma non troppo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Lorenzo Sormani - Barolo (T)
Região: Barolo - Piemonte (Itália)
Produtor: Lorenzo Sormani - Gattinara
Grau alcoólico: 13%
Casta: Nebbiolo
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 7
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sexta-feira, 27 de abril de 2007
À volta dos vinhos italianos com Vítor Siborro


No passado sábado as Krónikas Vinícolas, acompanhadas pela presença sempre agradável do Polis&etc, deslocaram-se ao Corte Inglés de Lisboa para conhecer alguns vinhos italianos apresentados por Vítor Siborro, da Semidivinus, com quem a Revista de Vinhos apresentou uma reportagem no número do passado mês de Março. Tivemos oportunidade de entrar na enorme garrafeira do Clube del Gourmet e verificámos que só numa visita mais demorada poderemos fazer um apanhado da vasta oferta disponível e fazer o balanço do nível de preços existentes com a qualidade apresentada.
O anfitrião teve a amabilidade de nos apresentar e dar a provar 2 brancos e 5 tintos por si seleccionados e que serão representativos dum nível de qualidade superior nos vinhos italianos.
Sem entrar em grandes considerandos acerca de cada um dos vinhos provados, pudemos verificar que há muito mais para além do que se encontra normalmente nos hipermercados a preços mais acessíveis. Num patamar de preços elevado encontrámos vinhos de excelente qualidade, fugindo àquele perfil habitual dos vinhos italianos muito abertos e pouco encorpados, fazendo lembrar, alguns deles, os nossos vinhos do Douro. Foi curioso registar que quase todos os vinhos provados eram compostos por castas estrangeiras, como a Cabernet Sauvignon e a Merlot, no caso dos tintos, e a Chardonnay, no caso dos brancos.
Quando passámos às castas tipicamente italianas, como a Sangiovese, voltámos a encontrar os vinhos mais abertos e suaves, embora com bastante mais estrutura que o habitual. Também os brancos apresentaram um Chardonnay bem mais agradável que os portugueses e um Traminer (parente do Gewurztraminer) bastante aromático e adequado para entradas leves ou mesmo sobremesas.
Pelo meio ainda apareceu o nosso comparsa Chapim com a sua respectiva, que nos reconheceu na hora e com quem ainda trocámos dois dedos de conversa sobre o tema líquido em questão, com a promessa de não faltar aos futuros encontros que se hão-de seguir aos da York House e do Porto. E no fim comprámos uma garrafa, para recordação (espera-se que por pouco tempo), de Brunello di Montalcino 2000 (La Fuga) pela “módica” quantia de 42,50 €. Entre os provados, foi um dos que mais agradaram e que mais promete. E depois, um dia não são dias...
tuguinho e Kroniketas, enófilos e tudo
Vinhos provados
Brancos
Caparzo - Le Grance 2002 (75% Chardonnay, Sauvignon e Traminer)
Cabreo - La Pietra 2004 (Chardonnay)
Tintos
Maurizio Zanella 2001 (45% Cabernet Sauvignon, 30% Cabernet Franc, 25% Merlot)
Campo Al Mare - Bolgheri 2004 (60% Merlot, 20% Cabernet Sauvignon, 20% Cabernet Franc)
Cabreo - Il Borgo 2001 (70% Sangiovese, 30% Cabernet Sauvignon)
La Fuga - Brunello di Montalcino 2000 (Sangiovese Grosso)
La Casa - Brunello di Montalcino 2000 (Sangiovese Grosso)
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Etiquetas: Encontros, Estrangeiros, Italia
quinta-feira, 26 de abril de 2007
No meu copo 109 - Quinta de São Francisco 2004
Em tempos havia vinhos conhecidos por aqui. Lembro-me dum bom branco da Casa das Gaeiras, que entretanto ficou meio esquecida e parece agora estar a querer renascer. A vulgarização dos vinhos da Estremadura há pouco mais de uma década criou uma imagem de falta de qualidade na região que só nos últimos anos, depois da instituição das Denominações de Origem Controlada, tem sido alterada, a começar por outras zonas, como Alenquer, e outros produtores, como a Quinta do Monte d’Oiro e a Quinta de Pancas, a resgatarem um prestígio que, na realidade, andou sempre muito por baixo, quando a Estremadura tinha talvez os piores vinhos do país. Agora têm aparecido outros produtores da região a ganhar algum protagonismo, entre os quais este, a Cooperativa Agrícola do Sanguinhal, com sede no Bombarral, que produz este vinho DOC Óbidos.
Há alguns meses tivemos oportunidade de fazer uma primeira abordagem a um vinho deste produtor, o Quinta do Sanguinhal de 98, que agradou bastante. Agora temos o Quinta de São Francisco de 2004, um vinho bastante mais jovem e frutado mas igualmente satisfatório. Tem uma boa cor rubi e alguma predominância de frutos vermelhos, sendo suave na prova mas com corpo e estrutura suficientes para fazer um bom fim de boca. Um vinho feito para agradar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de São Francisco 2004 (T)
Região: Estremadura (Óbidos)
Produtor: Companhia Agrícola do Sanguinhal
Grau alcoólico: 13%
Castas: Aragonês, Castelão, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,85 €
Nota (0 a 10): 7
PS: prova de um Quinta de São Francisco 2000 no Saca a rolha
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Etiquetas: Aragonez, Castelao, Estremadura, Obidos, Sanguinhal, Tintos, Touriga Nacional
quarta-feira, 25 de abril de 2007
Ontem, hoje e sempre
segunda-feira, 23 de abril de 2007
No meu copo 108 - Quinta de Pancas, Cabernet Sauvignon 2000
Este é um dos vinhos que procuramos ter sempre nas nossas garrafeiras. Tanto assim é que até o tive demais, como se prova por esta abertura tardia de uma garrafa da colheita de 2000.
Foi um vinho degustado em duas etapas: no dia em que o abri não se bebeu mais de ¼ da garrafa, da segunda vez acabou-se, uma semana depois. Mantive-o durante esse tempo com uma rolha de vácuo e o que posso dizer é que essa semana fez muito bem ao vinho.
Na abertura mostrou-se com algum “pico”, como que a dizer que se estava a ir embora, e havia um fundo de sabores espúrios, identificáveis com um vinho já decadente. Uma semana depois estava completamente transfigurado. Claro que a cor era a mesma, um grená profundo, ainda não castanho, mas quase lá, e bem opaco. Os aromas eram complexos embora discretos, terciários, e na boca já não mostrou nada do tal pico – estava com um sabor aberto, agradável, couro e sabores maduros, que já não me atrevo a chamar fruta. Fim de boca longo e agradável, com o couro e algum fumo a dominarem.
Ou seja, mais uma vez tive uma boa surpresa com um vinho que abri quase em estado de urgência. Enquanto for assim, estamos bem.
tuguinho, enófilo esforçado
Vinho: Quinta de Pancas, Cabernet Sauvignon 2000 (T)
Região: Estremadura (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 6,88 €
Nota (0 a 10): 7,5
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sexta-feira, 20 de abril de 2007
Prova de vinhos italianos
Decorre hoje e amanhã, no Club del Gourmet do El Corte Inglés de Lisboa, uma degustação de vinhos italianos, apresentados por Vítor Siborro, da Semidivinus.
A apresentação e degustação dos vinhos terá lugar entre as 15 e as 20 horas.
Kroniketas, enófilo esclarecido
No meu copo 107 - Quinta da Alorna 2004

No meio de tantos vinhos de gama baixa que não passam da vulgaridade que temos apreciado nas últimas semanas, encontrámos outro no Ribatejo que se destaca da mediana: o Quinta da Alorna 2004. Não é Reserva, não é Colheita Seleccionada, não é monocasta, é simplesmente o Alorna. E é bom.
Tem outro aroma logo na prova, outra estrutura na boca, outra complexidade, outro final, com um leve toque a especiarias e ligeiro frutado, com taninos redondos mas presentes, a pedir uma carne mais bem temperada ou mesmo um prato de caça.
Não sendo excepcional nem deixando de ser um vinho da mesma gama dos anteriores, neste a matéria-prima parece ter sido mais bem tratada, o que confirma a razão pela qual muitas vezes temos preferências pelos vinhos de certas casas. São aquelas em que mesmo os vinhos menos bons... são sempre bons. É o caso desta Quinta da Alorna com esta entrada de gama que não envergonha ninguém.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta da Alorna 2004
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Syrah, Castelão, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 2,68 €
Nota (0 a 10): 7
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Etiquetas: Alicante Bouschet, Alorna, Castelao, Ribatejo, Syrah, Tinta Roriz, Tintos
terça-feira, 17 de abril de 2007
No meu copo, na minha mesa 106 - Casal da Coelheira Reserva 2003; Chico Elias (Tomar)
Este é um daqueles restaurantes que aparecem em todos os roteiros gastronómicos, tendo granjeado tal fama que só se consegue lá ir marcando mesa com antecedência. Fica situado no lugar de Algarvias, na periferia de Tomar.Fui lá almoçar num domingo e cheguei cedo, quando o restaurante ainda estava vazio. Existe uma primeira sala que dá acesso à sala maior, decorada com alguns motivos alusivos ao Ribatejo. Uma das principais referências da ementa é o coelho na abóbora e foi esse o prato previamente encomendado. O dito animal vem cozinhado dentro duma abóbora, cujo tamanho varia com o tamanho da dose, sendo acompanhado por batatas e grelos cozidos. Para quatro adultos e duas crianças calhou-nos uma abóbora… enorme, donde sobrou quase metade.
O coelho vem cozido num molho muito espesso que só é entrecortado pelos legumes do acompanhamento. Come-se, come-se, e aquilo nunca mais acaba. Convém não esquecer que antes do prato propriamente dito, vêm para a mesa uma série de entradas que desde logo enchem metade do estômago se formos atrás do engodo: feijoada de caracóis (picante), morcela de arroz e petingas no forno.
Quando finalmente somos derrotados pela quantidade de comida, abre-se outro leque de escolhas para a sobremesa, onde acabámos por cair no tradicional leite-creme.
E depois deste fartanço, perguntam vocês, qual é o balanço? Pois digo que todos esperávamos... não mais, mas melhor. Tudo em grande quantidade, mas a qualidade não é nada de extraordinário que justifique tanta fama. Estaremos perante um daqueles casos em que se adormece à sombra da fama adquirida, ou será que a fama é mais artificial do que merecida? Já me aconteceram outros casos de grandes famas não corresponderem à realidade encontrada, como foi o caso do Ramalhão, em Montemor-o-Velho. Enfim, vale a pena a experiência, mas fica aquém da expectativa criada por tanta publicidade. O Expresso, por exemplo, deu-lhe “garfo de ouro” em 2004, 2005 e 2006. Vale a pena ir ao site do jornal e ver os comentários dos leitores na secção “Boa cama, boa mesa”.
Quanto ao vinho, as opções não eram muito variadas, e mais uma vez houve alguma dificuldade para encontrar um vinho da região (Ribatejo) de qualidade, como já tinha acontecido no Almourol. Para não cairmos sempre nos alentejanos, escolhemos um tinto Casal da Coelheira Reserva de 2003. Diga-se que não passa da mediania. É um vinho medianamente encorpado, não muito robusto e não muito aromático. Está longe de outros como os Fiúza, os Casa Cadaval ou o Falcoaria, por exemplo, e também não parece querer ir muito mais além.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Restaurante: Chico Elias
Rua Principal, 70 - Algarvias
2300-302 Tomar
Telef: 249.311.067
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 3,5
Vinho: Casal da Coelheira Reserva 2003 (T)
Região: Ribatejo
Produtor: Centro Agrícola de Tramagal
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvigon, Alicante Bouschet
Nota (0 a 10): 5,5
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sábado, 14 de abril de 2007
No meu copo 105 - Quinta Sá de Baixo 2003
Outro vinho do Douro da gama média-baixa com um perfil correspondente. Não difere muito do anterior, em estrutura, em aroma, em acidez, em fim de boca.
Mediano de corpo, fácil de beber, pouco exuberante nos aromas, é outro exemplo de vinho do Douro da gama média-baixa que perde claramente para outras regiões.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta Sá de Baixo 2003 (T)
Região: Douro
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Encostas do Douro
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 2,88 €
Nota (0 a 10): 6
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quinta-feira, 12 de abril de 2007
No meu copo 104 - Lavradores de Feitoria 2003
Já tínhamos provado um branco desta casa, no restaurante “O Orelhas”, que não agradou de todo. Agora provámos um tinto bem mais simpático. Relativamente leve, aberto, macio. Frutado e com alguma frescura resultante de uma certa juventude ainda presente.
De grau alcoólico moderado e com taninos macios, elegante na boca mas com um final curto. Mais um vinho a preço razoável aparentemente sem grandes pretensões. Bebe-se com facilidade, embora sem encantar. Pelo mesmo preço há dezenas de outros mais apelativos.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Lavradores de Feitoria 2003 (T)
Região: Douro
Produtor: Lavradores de Feitoria
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Nota (0 a 10): 6
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