quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Quinta da Ervamoira, Take 2




Os leitores habituais certamente se recordam do escrito do Kroniketas, nos idos de Abril do ano passado, sobre a Quinta da Ervamoira. Não vou repetir a sua prelecção, agora que esta outra metade das Krónikas Vínicolas visitou também a dita quinta, mas vou deixar aqui as minhas impressões e algumas curiosidades sortidas.
Teve o escriba sorte e azar nesta visita. Sorte porque chovera no dia anterior (ali na quinta, 1mm) e assim as temperaturas de Agosto daquela zona apareceram amenizadas, não mais de 30º. Azar porque devido a essa mesma chuva a vindima, que devia ter sido iniciada no dia da visita, foi adiada quatro dias. Portanto não suámos mas não vindimámos também.
Convém dizer que o acesso à quinta se faz por uma estradinha de terra batida com cerca de oito quilómetros e que, portanto, é mesmo melhor ir no jipe da propriedade, que até já está incluído no preço da visita. O trajecto até inclui o atravessamento da Ribeira de Piscos, que por ali serpenteia.
Tal como o Kroniketas, a nossa visita iniciou-se pelo espaço museológico, espalhado por várias salas da casa da quinta, que conjuga a informação sobre o vinho e a sua produção com os artefactos arqueológicos da villa romana que foi descoberta na propriedade. O último espaço dentro de portas é a loja, na qual podemos ver as garrafas dos vinhos de mesa e do Porto que podemos adquirir, por preços bem simpáticos. Integrando desde 1990 o grupo francês Roederer, também este champanhe pode ser adquirido na loja. Os vinhos, esses não estão ali, e sim numa garrafeira integrada na casa da quinta, com temperatura controlada de 18º. Um cuidado que se salienta.
A visita terminou longamente, visto que incluíramos almoço na dita cuja. Havia-se escolhido um menu simples, com entrada de melão e presunto, um arroz de pato como prato principal, e um gelado de amêndoa caseiro a finalizar. Bebeu-se o Duas Quintas Celebração e à sobremesa o Quinta da Ervamoira Tawny 10 Anos.
Não pretendo fazer nesta peça uma prova destes vinhos (mas fiquem descansados que os escribas deste retiro têm em stock tanto um como outro, para se fazer uma prova bem fundamentada), mas digo-vos que o Celebração, que pretende estar entre o Duas Quintas “normal” e o Reserva, se mostrou pujante, de cor aberta e com taninos domados mas bem presentes, a mostrar que tem estaleca para se aguentar por uns tempos; e que o Tawny, que já conhecia, se mostrou complexamente aromático e ligeiramente seco, e foi servido à temperatura certa. Ficam prometidas as provas.
Uma palavra para o local onde são servidas as refeições, uma espécie de alpendre por onde entra o silêncio mas não o calor, e que dá uma dimensão especial à refeição ali tomada. Depois do almoço terminado foi possível ficar por ali a morangar e também calcorrear as vinhas e apanhar uns quantos cachos bem madurinhos.
Acabo com duas curiosidades.
Este Duas Quintas Celebração pretende comemorar um não-acontecimento: a não construção da barragem no Côa, que deixaria a quinta mais apta para a aquicultura do que para o vinho, sendo portanto um vinho especial e não uma marca nova para integrar o portfólio da Ramos Pinto.
Finalmente (Kroniketas, deixaste passar esta), uma palavra para o nome da quinta. Não foi por quererem que o nome original de Quinta de Santa Maria foi alterado para Quinta da Ervamoira – foi porque já existia uma quinta com o mesmo nome registada anteriormente. E porquê Ervamoira? O nome vem dum romance de uma senhora francesa, Suzanne Chantal, cuja acção se passava no Douro e cujo nome era… “Ervamoïra”! Só foi tirar a trema do “i” e ficou-se com o nome…
Pode ser que um dia destes se volte lá, o bando completo. Eu não me importo nada…


tuguinho, enófilo esforçado

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Krónikas a banhos

As Krónikas Tugas e as Krónikas Vinícolas vão de férias e durante o mês de Agosto a actividade será reduzida. O Kroniketas vai para o Algarve, como habitualmente, e o tuguinho, como sempre, não vai a lado nenhum!
Haverá alguns bitaites se e quando a disposição e a tecnologia Wi-Fi o permitirem. Provas de vinhos, certamente, haverá muitas, posts é que haverá poucos, que em tempo de férias há coisas mais importantes para fazer que escrever num blog, quanto mais em dois... E sempre podemos estar umas semanas sem ouvir as desgraças que povoam os noticiários.

Idálio Saroto, provedor do blog

segunda-feira, 30 de julho de 2007

No meu copo 132 - Cabriz Rosé 2006

Neste tempo de calor calha sempre bem aproveitar a versatilidade de um vinho rosé para refrescar o corpo e a alma. Os rosés estão na moda e cada vez há mais marcas no mercado e mais empresas de norte a sul do país a produzir vinho rosé, mesmo aquelas com décadas de história e que até há 2 ou 3 anos só faziam brancos e tintos.
Um dia destes fui à procura de um rosé para acompanhar um lanche ajantarado na casa de um amigo. Actualmente já começa a haver a dificuldade da escolha, dada a proliferação de vinhos rosé nas prateleiras, pelo que resolvi apostar num daqueles produtores que são sempre apostas seguras, e fui para a Quinta de Cabriz.
Agora com o nome vinhos reduzido apenas para Cabriz por questões de marketing (desde que a Dão Sul ficou com a gestão da Casa de Santar, esta passou a ser a grande aposta da empresa em termos de vinhos de quinta), os vinhos da Quinta de Cabriz têm-se tornado uma referência importante na região do Dão, com uma qualidade média bastante aceitável e sem grandes oscilações, pelo que dão sempre alguma garantia de não defraudar o consumidor. E foi o que aconteceu com este rosé, uma aposta recente da casa. É um daqueles rosés como eu gosto, com um perfil leve e suave, sem o excesso de álcool que também já começava a ameaçar estes vinhos, com aroma predominante a frutos vermelhos e algum floral, ligeiramente seco e com um final de grande frescura na boca e com alguma persistência.
Sem dúvida que vou voltar a apostar nele. É uma bela companhia para estes dias quentes, quer à refeição quer como aperitivo ou apenas para entreter na esplanada.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cabriz 2006 (R)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivnícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 12%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro
Preço em hipermercado: 3,90 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 24 de julho de 2007

No meu copo 131 - Vale de Ancho Reserva 2004

Tudo tem a sua época: há a época da caça, a época do futebol, a época das comezainas… E foi mesmo com o intuito de encerrar a época (isto apesar de no defeso se realizarem sempre uns repastos particulares e de preparação) que voltámos ao local do crime, salvo seja. Sim, adivinharam, voltámos à Petisqueira do Gould! Aliás, já perguntámos ao proprietário se não tinha nenhum sistema de passe ou de refeições pré-compradas. E a Petisqueira porquê? Porque só o núcleo duríssimo dos Comensais Dionisíacos conhecia o amesendamento e os outros membros já andavam aguados... Juntou-se assim a cambada, 5 bandalhos (pois, não reunimos o pleno...) à mesa de jantar numa sexta-feira de um Verão mesquinho, dispostos a passar um bom bocado (embora alguns preferissem o pastel de nata...). Já aqui avaliámos o restaurante, pelo que apenas vou referir o que foi deglutido pelos mastigadores impiedosos: um par optou pelo tornedó à portuguesa, suculento e no ponto, acolitado por batata às rodelas finas e por grelos salteados, outro por uma alheira de caça e um outro par optou pelo peixe, no caso filetes de peixe galo com arroz mariscado e pregado frito com açorda de ovas. Para beber pedimos um Vale de Ancho Reserva, que já nos andava debaixo de olho, além de já nos ter sido recomendado por outros apreciadores.
De uma cor granada, sem ser retinto, o vinho mostrou um excelente corpo e taninos suaves e sem arestas, completamente pronto a beber. Na boca revelou sabor a ameixa muito suave e, quando agitado e provado a seguir, apresentou couro, com um ligeiro fumado por trás (devo dizer que não mastigámos o couro, pois era rijo como tudo...). O aroma, não sendo exuberante, tinha lá tudo o que um vinho moderno e bem feito consegue tirar das duas castas de que este Vale de Ancho também foi feito. Ainda se bebeu também um Convento da Tomina, mas isso são outras histórias, e sobre esse já aqui falámos há quase um ano.
Em suma, belo vinho, prontíssimo a beber, forte sem ser agressivo, de bons aromas e melhores sabores. O único senão é o preço, mas aqui aplicam-se as regras do mercado: quando a produção é limitada, se o produto é bom o preço é alto. Mas, correndo o risco de nos repetirmos, um dia não são dias, a vida é curta e assim por diante, portanto, que se lixe!
À vossa!

tuguinho, enófilo esforçado e porta-voz fiel do grupelho

Vinho: Vale de Ancho Reserva 2004 (T)
Região: Alentejo (Montemor-o-Novo)
Produtor: Soc. Agrícola Gabriel Francisco Dias & Irmãs
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 68 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 19 de julho de 2007

No meu copo 130 - Porto Vintage Quinta do Castelinho 99; Porto Burmester LBV 2001; Quinta da Pacheca LBV 2002


Estes três Portos foram apreciados em outras tantas ocasiões diferentes pelos Comensais Dionisíacos, no fim dos repastos e mesmo acompanhando os doces para alguns dos mastigantes. As peças foram fornecidas pelo Politikos, já membro de facto do referido grupo de bandalhos.
Mostraram carácter diferenciado, embora dentro dos parâmetros de um Vintage e de Late Bottled Vintage, respectivamente.
O Quinta do Castelinho mostrou-se contido de aroma, de travo seco um pouco invulgar neste tipo de Porto. Sendo um vinho de nível aceitável, com boa cor e corpo mediano, o escriba prefere-os mais encorpados e a rescenderem a frutos vermelhos muito maduros, o que não seria invulgar num Vintage com esta (pouca) idade.
O LBV da Burmester mostrou-se mais “mainstream” em relação ao seu tipo, fácil de beber mas sem grande corpo para um vinho deste tipo. Cor profunda sem ser retinta, aroma agradável mas um pouco linear.
O Quinta da Pacheca esteve um pouco acima do anterior, com boa cor e aroma um pouco mais rico, e corpo bastante para se ter aguentado bem no fim de um repasto farto e com várias sobremesas.
O meu defeito é que depois de ter bebido Vintage e LBV’s que nos inundam as narinas de aromas e deixam o copo vermelho, quaisquer outros sabem a pouco… Portos da Ramos Pinto e da Fonseca Guimaraens, voltem que estão perdoados!

tuguinho, enófilo esforçado

Região: Douro/Porto

Vinho: Porto Vintage Quinta do Castelinho 99 (T)
Produtor: Quinta do Castelinho
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: cerca de 25 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Porto Burmester LBV 2001 (T)
Produtor: Casa Burmester
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: cerca de 15 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Porto Quinta da Pacheca LBV 2002 (T)
Produtor: Quinta da Pacheca
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinto Cão
Preço em hipermercado: cerca de 15 €
Nota (0 a 10): 7,5

In memoriam...

Quando vemos partir alguém próximo de nós, também nós partimos um bocadinho...

Kroniketas

domingo, 15 de julho de 2007

Hoje estamos de luto


Um amigo perdeu a última batalha. Aqui nos curvamos respeitosamente perante a sua memória. Em sua homenagem fazemos três dias de silêncio.
Descansa em paz, Quim.

Kroniketas

sábado, 14 de julho de 2007

Na minha cozinha 129 - Gelado de chocolate

Para este tempo de Verão nada como um bom gelado para satisfazer os mais gulosos. Nós aqui, como aficionados do chocolate, propomos uma receita caseira, muito fácil de fazer e que dá um resultado magnífico.

Ingredientes:
- 1 litro de leite
- 6 gemas
- 250 g de açúcar
- 75 g de chocolate em pó


Coloque o leite a ferver moderadamente até estar reduzido a 7,5 dl. Este processo demora algum tempo e é necessário ir medindo de vez em quando. O objectivo é reduzir substancialmente a quantidade de água presente no leite. O resto do processo é bem mais simples.
À parte bata as gemas com o açúcar. Junte o leite e leve ao lume até engrossar. Retire do lume e ainda quente junte o chocolate em pó.
Deixe arrefecer um pouco e leve ao congelador, cobrindo com uma folha de alumínio para reduzir a formação de gelo à superfície. Quando começar a congelar, mas ainda meio líquido, pode bater o preparado para desfazer os cristais de gelo que começam a formar-se e deixe acabar de congelar até ao dia seguinte.
Para servir retire o gelado do congelador um pouco antes para o deixar amolecer ligeiramente. Se ainda estiver muito rijo corte umas fatias de gelado com uma faca... e delicie-se com esta maravilha.

Kroniketas, cozinheiro que não enfia o barrete

quinta-feira, 12 de julho de 2007

O “problema” da açorda de marisco


Vamos lá ver se nos entendemos. Parece que quando emitimos uma opinião com a qual os outros não concordam há tendência para nos atribuírem intenções que nós não tivemos.
Tem havido aqui uma troca de opiniões interessante com os caríssimos comparsas bloguistas do Copo de 3 e do Vinho da Casa, por causa do que escrevi no post anterior acerca de só se comer boa açorda de marisco na região de Lisboa, o que mereceu da parte deles a interpretação de exagero, bairrismo ou arrogância da nossa parte (neste caso minha, porque a opinião só me vincula a mim). Ora não é disso que se trata. Caro Paulo, do Vinho da Casa, nós não somos bairristas, eu pelo menos não sou: sou apenas um alentejano importado para a capital, portanto se fosse bairrista era com a minha região de origem. E como deves calcular conheço muito bem a geografia desta região. Belém não é Algés, Algés pertence a Oeiras, como Massamá pertence a Sintra. Quando me refiro a Lisboa, obviamente, não estou a restringir-me à cidade mas à zona da “Grande Lisboa”, tal como Vila Nova de Gaia, Maia ou Gondomar pertencem ao “Grande Porto”.
Como referi no último comentário que escrevi no post anterior, o que foi dito para a açorda de marisco (apenas porque, por acaso, era de açorda de marisco que estava a falar) podia perfeitamente aplicar-se a outros pratos regionais tão variados como arroz de sarrabulho (Minho), tripas à moda do Porto (Porto), leitão à Bairrada ou chanfana (Beira Litoral), sopa de pedra (Ribatejo), migas com entrecosto (Alentejo) ou amêijoas na cataplana (Algarve). Para que não houvesse dúvidas nem confusões socorri-me do livro “Cozinha Tradicional Portuguesa”, da Maria de Lurdes Modesto, onde até é referido especificamente o local de origem de alguns pratos. O arroz de sarrabulho é de Viana do Castelo, as tripas, obviamente, são do Porto, o leitão é da Bairrada com maior incidência na Mealhada, a sopa de pedra é de Almeirim. Assim como esse delicioso bolo alentejano que é a sericaia, que se vê um pouco por todo o lado, é de Elvas.
O que eu quero dizer, de forma mais abrangente, é que há pratos regionais que acho que só vale a pena comer na sua região de origem, simplesmente porque, daí para fora, não os sabem fazer. Claro que vocês podem não concordar e achar que isto é um perfeito disparate, mas a experiência que tenho tido com pratos regionais fora da sua região, até agora, só me leva a manter esta opinião. A não ser que encontrem restaurantes regionais (que os há, claro, e bons) onde os possam comer, não vale a pena. Diz-nos o João do Copo de 3, e bem, que no Galito, em Lisboa, se come uma excelente sopa de cação e migas com entrecosto. Aí está: é um restaurante alentejano, dos mais conceituados que existem pelos lados da capital. Os donos são alentejanos e trouxeram a cozinha da sua região, tal como aliás há outros de bom nível. Um deles, já o referimos aqui: o Alqueva, na Amadora. Outro é o António do Barrote, em Carnide. E há um a que nunca fui mas ao qual tenho visto boas referências, o Ganhão, na Venda Nova. Uma coisa é falar de restaurantes alentejanos, com comida feita por alentejanos; outra é ir a um restaurante qualquer, sem nada de tipicidade ou regionalismo, comer uma comida de uma região que não sabem confeccionar. Aliás, caro João, se entrares num restaurante qualquer em Lisboa e vires escrito na ementa “sopa alentejana”, sabes o que é? É a açorda que se faz no Alentejo. Eu não arriscaria comê-la num restaurante desses. A começar desde logo pelo pão, porque eles não têm o pão que se faz no Alentejo e que é usado nessa açorda.
Aliás, quando viajo pelo país normalmente tento provar os pratos regionais dos locais por onde vou passando. Se se derem ao trabalho de consultar alguns artigos que escrevi em Maio do ano passado, sob o título “Krónikas duma viagem ao Douro”, poderão confirmá-lo. Agora digam-me uma coisa: têm visto muitos restaurantes, pelo país fora, onde se coma sopa da pedra? É que se não for de algum ribatejano, duvido que a saibam fazer. E tripas à moda do Porto, haverá no Alentejo? E arroz de sarrabulho, será que o sabem fazer no Ribatejo? E a posta mirandesa que se come por aí, será que é como a que se come em Trás-os-Montes (a esta questão não posso responder porque nunca comi a genuína)? E os intermináveis locais onde se vende leitão “à moda” da Bairrada, será que o fazem como os da Mealhada? Até hoje não encontrei nenhum. Em Lisboa há uma pálida imitação, o leitão de Negrais, mas não passa disso mesmo: uma pálida imitação.
Diz-nos o Paulo, do Vinho da Casa, que certamente há muitos locais na costa portuguesa onde se come boa açorda de marisco, desde a Ericeira até à Barra em Aveiro. Pois se os encontrarem digam-me. Neste caso concreto, o que vos posso confirmar é que comi das piores açordas de marisco na nossa costa, em três locais bem distintos: São Pedro de Moel (há um post sobre isso), Zambujeira do Mar e Monte Gordo. Esta última, aliás, não a consegui comer, porque parecia cimento. Outra vez o problema do pão... Eles até diziam que tinham um pão especial para a açorda... Só que enganaram-se no tipo. Nesta questão das açordas e das migas, é preciso saber usar o pão certo. No Alentejo usa-se fatias grande de pão, de preferência duro, na açorda de marisco usa-se carcaças. E o mais importante na açorda de marisco é a consistência do pão e o tempero. E não se trata de despejar lá para dentro todo o tipo de marisco que se encontrar, outro erro muito comum: a comummente chamada “açorda de marisco” não é mais que “açorda de gambas”.
Mas se vocês querem saber o que é a verdadeira açorda de marisco, experimentem o Pap'Açorda ou o Jacinto quando estiverem em Lisboa.
Ah... e já agora: para além dos pastéis de Belém, a açorda de marisco também é um prato típico de Lisboa, assim como o bife à café, o bacalhau à Brás, as ervilhas com ovos escalfados e o arroz de grelos. Vocês sabiam que há locais onde põem café no bife à café? Porque será? Porque não o sabem fazer, porque pensam que o nome “café” tem alguma coisa que ver com a substância “café”, e não tem, tem que ver com os locais onde o bife surgiu, porque era servido nos cafés de Lisboa, derivando do Bife à Marrare. Quantos restaurantes haverá por este país fora onde saibam exactamente como se faz um bife à café?

Kroniketas, gatrónomo esforçado

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Na minha mesa 128 - Estrela do Bico (Massamá - Queluz)


Há vários anos que conheço este restaurante em Massamá, onde me desloco com alguma frequência para almoçar com um amigo quando ambos temos tempo. A sala não é muito grande mas é simpática, com um viveiro de marisco logo na entrada. Há uma garrafeira exposta e um balcão tipo-bar a partir do qual é gerido o serviço de mesas. O atendimento é rápido e simpático.
Na ementa existe uma escolha variada de peixes e carnes, mas o aspecto mais curioso é estar dividida em várias secções pelo tipo de comida, com alguns arranjos gráficos feitos a computador. No meio das escolhas, a nossa opção mais frequente vai para os bifinhos de vitela com diversos tipos de molho: pimenta, natas e cogumelos, mostarda, camarão. Já experimentei vários excepto o de camarão. Os bifinhos, em pequenas tiras do género de escalopes, vêm servidos num daqueles pratos compridos tipo-travessa, acompanhados com batata frita, arroz e salada. Normalmente ainda pedimos uma dose de esparregado para compor o ramalhete e enquanto esperamos vamo-nos entretendo com um queijinho fresco acompanhado com umas bolas de pão estaladiço.
Nalgumas ocasiões já optámos por um misto de maminha e picanha na pedra, cortadas em tirinhas, com os inevitáveis molhos a acompanhar, que não fica nada atrás de outros similares existentes em locais de renome e de preço mais elevado. Ocasionalmente, quando o tempo quente pede mais um vinho branco que um tinto, já provámos a açorda de marisco, que cumpre o que se espera deste prato e confirma que só na região de Lisboa é que se pode comer uma açorda de marisco decente, pois quando se sai daqui, por mais que tentem, não conseguem fazê-la comestível.
Para rematar a refeição, temos uma escolha imutável há muito tempo: um “brownie” de chocolate com gelado, coberto com chantilly e regado com chocolate quente. Custa quase 5 euros mas vale bem a pena.
A carta de vinhos não é extensa mas permite escolher entre os vinhos de gama média, por preços entre os 5 e os 10 euros, e alguns outros de qualidade superior já mais caros.
No fim de tudo consegue-se fazer a festa por 20 € e sair bem tratado. E com vontade de voltar, o que vamos fazendo. Basta sair do IC19 na saída para Massamá e na primeira rotunda, após entrar na localidade, virar na última saída para a Avenida Azedo Gneco e estacionar algures por ali junto à Igreja. O restaurante está logo à vista.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Estrela do Bico
Rua 4 - Lote 61 - Loja B - Massamá
2745 Queluz
Telef: 21.437.59.93
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4

sexta-feira, 6 de julho de 2007

No meu copo 127 - Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2005

Depois do branco Chardonnay, que não agradou, tentei o Sauvignon Blanc. Na verdade, agradou pouco mais. Volto à mesma questão já aqui levantada: a estes brancos portugueses de castas estrangeiras falta frescura, elegância, vivacidade, em suma, finesse.
Embora mais fresco que o Chardonnay, apresentou-se também um pouco rústico, com aromas pouco exuberantes. Tentei apreciá-lo com vários pratos em diferentes dias, mas o resultado foi o mesmo. Não me convenceu. Definitivamente, tenho que procurar outros brancos de castas nacionais.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2005 (B)
Região: Trás-os-Montes (regional)
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 4,85 €
Nota (0 a 10): 6,5

terça-feira, 3 de julho de 2007

No meu copo 126 - Porca de Murça Reserva branco 2005

Já conheço esta marca há muitos anos, praticamente desde que comecei a interessar-me por estas coisas e ainda não sabia quase nada. O Porca de Murça branco foi desde logo um dos meus preferidos. Com o passar dos anos fui conhecendo outras marcas e esquecendo este, mas mantive sempre a lembrança de ser um branco agradável.

Os Reserva nem existiam. Agora já existem. E este branco Reserva não me convenceu. Pouco apelativo, pouco aromático, um pouco rústico, que é coisa que eu não suporto num vinho branco. Falta-lhe elegância. Muito álcool mas pouco suportado pelo corpo e pela acidez. Parafraseando o nosso amigo Pingus Vinicus, quis falar com o vinho mas ele não me disse nada. E eu fiquei sem saber que mais lhe dizer.

Acho que na próxima ocasião vou tentar rever o branco normal, que era o tal de que eu gostava, para ver se ainda gosto. Se calhar, com menos pretensões, as memórias que guardei de há 15 ou 20 anos ainda lá estão.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Porca de Murça Reserva 2005 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Castas: Boal, Cerceal, Codega, Gouveio

Preço em feira de vinhos: 3,58 €
Nota (0 a 10): 5,5

domingo, 1 de julho de 2007

No meu copo 125 - Casa Ferreirinha Reserva 96, Quinta da Leda 2001, Callabriga 2000


Estes estavam à espera duma oportunidade. Desde há cerca três anos, quando descobrimos o Callabriga e o Quinta da Leda, começámos a apostar na gama de vinhos da Casa Ferreirinha, mais propriamente naqueles que se situam nos patamares do meio para cima (acima do Esteva e do Vinha Grande e abaixo do Barca Velha).
Para estas provas reservámos duas garrafas de cada e fizemo-las separadamente ao longo dos últimos meses, reunindo os “Comensais Dionisíacos”, já com o Politikos, a aquisição mais recente, na equipa titular.

Comecemos por cima, pelo filho bastardo do Barca Velha, ou aquele que não chegou a sê-lo mas que poderia lá ter chegado: o Reserva 96, que já se chamou Reserva Especial, mais tarde só Reserva, e agora apenas Colheita. Tudo no ponto certo: os decanters limpos e arejados (um para cada garrafa), os copos de pé alto e boca larga, em forma de tulipa, a temperatura de serviço, os sedimentos deixados no fundo da garrafa. Para que nada falhasse. Afinal, o momento era solene e era a estreia absoluta nos nossos copos. À espera, um cabritinho do Alto Alentejo assado no forno com todos os requisitos e acompanhado com um belíssimo arroz de miúdos confeccionado especialmente pela senhora-mãe do Mancha Negra.
Começou por mostrar uma cor rubi ligeiramente atijolada e aromas discretos a fruta madura. Macio na boca, final de duração média, corpo na mesma. A primeira garrafa ainda teve alguma evolução no decanter, pelo que a segunda foi decantada com maior antecedência. Surpreendentemente, esta revelou-se menos exuberante e, longe de ganhar com o tempo de abertura, pareceu esvair-se. Dos três, este é o vinho mais suave (até pela idade), mas quando se esperava que desse o salto para cima… pareceu morrer nos copos. Declínio ou necessidade de esperar mais tempo? Também há mais duas garrafas, teremos que deixá-las esperar mais um ano, dois, cinco ou dez?
No final, o sentimento foi unânime: esperava-se mais deste vinho, que acabou por ficar aquém das expectativas. Sem dúvida que eram altas, mas não correspondeu de todo. Será que houve ali... preconceito?

Segue-se na escala o Quinta da Leda 2001. Foi a grande descoberta de há uns 3 anos no Encontro com o Vinho e logo ali o achámos excepcional. O preço também o é, mas é daqueles vinhos que nos enchem as medidas até mais não poder. Ou era...
O processo seguido foi o mesmo: decantado previamente, com antecedência suficiente para libertar os aromas mais profundos. Copos e temperatura adequados e a outra metade do cabrito assado no forno acompanhado com batatinhas e grelos, desta vez confeccionado pela senhora-mãe do tuguinho. A primeira garrafa foi decantada com duas horas de antecedência em relação à hora de consumo e foi uma completa decepção. Logo no aroma se verificou alguma falha, com o bouquet muito discreto e a prova a confirmá-lo, com um corpo surpreendentemente delgado e um final curto.
Não lhe tendo feito bem a decantação, optámos por não decantar a segunda garrafa, abrindo imediatamente antes de beber, para ver como se comportava. Igual. Ainda pareceu apresentar inicialmente algum vigor, mas rapidamente se esvaiu. A grande complexidade que lhe conhecíamos não estava lá de todo. Foi a grande decepção desta tripla prova. Perante isto, só nos resta esperar para provar a colheita seguinte de que dispomos, a de 2004. Pode ser que tenha sido apenas azar com o ano. Senão, os quase 20 € gastos em cada garrafa foram mal empregues.

Finalmente, o Callabriga 2000, que é o produto que está acima do Vinha Grande, sendo apontado como a aposta da casa para a exportação. Abrimos as duas garrafas com os já célebres (entre nós) bifes de novilho de raça Angus com ervas de Provence, que o mestre cozinheiro Kroniketas tem vindo a apurar. Mais uma vez, seguindo o conselho do contra-rótulo, foram previamente decantados para libertar os aromas e para nos livrarmos dos sedimentos da garrafa. Como já aconteceu algumas vezes, quando o líquido estava a acabar estava o vinho a atingir o seu máximo esplendor.
Revelou uma boa concentração de cor, com um aroma profundo algo frutado. Redondo na boca mas com boa estrutura, taninos discretos e acidez suave, madeira muito disfarçada, tudo muito equilibrado. Fim de boca suave mas prolongado. Com o passar da refeição foram-se libertando os aromas terciários, alguma especiaria a vir lá do fundo tornando o final mais persistente, mostrando que temos ali um vinho para altos voos e capaz de estar algumas horas a fazer-nos companhia. Foi pena ter acabado no melhor da festa, mas para a próxima decantamo-lo mais cedo (sim, porque ainda há umas garrafitas de reserva). Pena é que tenham mudado o formato da garrafa nas últimas colheitas (tal como ao Quinta da Leda, aliás), pois esta borgonhesa era a imagem de marca da casa e ficava-lhe muito bem.

Em suma, desta trilogia de Ferreirinhas, o balanço que se pode fazer é que as altas expectativas saíram globalmente defraudadas, sendo que foi o vinho no patamar mais baixo que melhor se comportou. Não encontramos explicação para o sucedido com o Reserva e o Quinta da Leda, pois ambos estavam em perfeitas condições de consumo, mas não apresentaram nem a estrutura, nem a persistência, nem a complexidade aromática que esperávamos de vinhos desta gama. Se as garrafas de que ainda dispomos confirmarem estas impressões, terão de ser apostas a esquecer... Infelizmente. Não estávamos habituados a estas decepções nos vinhos da Sogrape...

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape

Vinho: Reserva Ferreirinha 96 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em hipermercado: 39,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta da Leda 2001 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 17,86 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Callabriga 2000 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 13,75 €
Nota (0 a 10): 9

quarta-feira, 27 de junho de 2007

No meu copo, na minha mesa 124 - Montevalle Reserva 02, Casa de Santar 03, Murganheira Branco Seco 06; Petisqueira do Gould (Paço d'Arcos)




Continuando nos arredores da capital, aproveitámos uma folga para dar um saltinho a Paço d’Arcos. Indo pela Avenida Marginal em direcção a Cascais, sai-se na primeira saída para Paço d’Arcos, desembocando-se logo na Rua Costa Pinto, onde o nº 47 aloja o restaurante Os Arcos e alguns metros à frente, no nº 93, se encontra a Petisqueira do Gould. Na mesma zona, quase em frente, há a Casa Gallega e ainda um restaurante italiano e, num patamar mais abaixo, a Marítima e um restaurante asiático. Há muito por onde escolher.
Depois de espreitarmos à montra d’Os Arcos e da Petisqueira do Gould, ali a 100 metros um do outro, optámos por este último, ficando Os Arcos para próxima oportunidade. Franqueada a porta, encontrámos um espaço reduzido, quase intimista (a sala dispõe apenas de 30 lugares), onde somos conduzidos à mesa pelo anfitrião, o Sr. Amando Carvalho, dono daquele espaço.
Como entretém-de-boca apareceram na mesa umas tirinhas de presunto, pão de alho torrado e um creme à base de sapateira servido na própria concha.
Quando passamos à escolha dos pratos, a oferta, não sendo excessivamente extensa, é bastante variada, o que dificulta a escolha. Nos pratos do dia há arroz de garoupa com gambas, costeletinhas de borrego e posta mirandesa, entre outros. Como somos mais carnívoros, olhámos mais para o lado das carnes e chamou-nos a atenção a alheira de caça, o entrecôte grelhado e o tornedó, e ficámos ali a matutar no que escolher. Perante a nossa indecisão, o dono aproxima-se e sugere-nos a posta mirandesa, de carne certificada. Para fazer parelha acabámos por escolher o tornedó à portuguesa, frito em azeite e alho.
Os pratos foram apresentados num carrinho de servir e pedimos para dividir as doses em partes iguais, de modo partilhar os dois pratos. O dono acabou por servir-nos primeiro a posta mirandesa e guardou o tornedó na estufa. Obviamente, ambos mal passados.
A posta estava muito tenra, salpicada por um tempero original, em que se notaram algumas notas de canela e de ervas não identificadas pelos mastigantes.
Quanto ao tornedó, extremamente suculento e tenro, de carne de Lafões, sobressaiu precisamente pela simplicidade da confecção, que permitiu que a qualidade da carne se exibisse sem peias.
E quanto ao vinho? A decisão tinha sido esta: almoçar num restaurante desconhecido e beber um vinho desconhecido. A carta era extensa, principalmente no Douro e ainda mais no Alentejo. Estávamos de olho num Gouvyas quando o dono nos sugeriu um Montevalle Reserva 2002, da empresa Bago de Touriga, de Luís Soares Duarte e João Roseira. Trata-se de um vinho feito com uvas de vinhas velhas cultivadas em Soutelo, no Cima Corgo, e São João de Lobrigos, no Baixo Corgo. Fermentado 100% em lagar e engarrafado após 24 meses de estágio em barricas usadas, é um vinho de produção limitada, que não é habitual ver no circuito comercial. Em conversa connosco ao longo da refeição, o dono disse-nos que tinha encomendado 80 caixas mas que só lhe vão chegando a pouco e pouco.
O vinho foi servido inicialmente num copo de prova, sendo o resto decantado sem que fosse necessário pedi-lo. Pedimos, sim, um frappé porque o vinho se apresentou com a temperatura um pouco elevada. Após uns 10 minutos com o decanter dentro do balde com gelo, o vinho ficou à temperatura adequada, podendo então ser devidamente apreciado, para o que foram devidamente apresentados copos em forma de tulipa.
Fugindo um pouco ao habitual, este vinho não contém a quase omnipresente Touriga Nacional, ficando-se pelas habituais Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Apresenta uma cor com tonalidades violáceas, aroma frutado e a denotar alguma juventude. Na boca é medianamente encorpado e equilibrado, com uma acidez moderada e grau alcoólico não excessivo. Apesar dos 24 meses de estágio, a madeira não se sobrepõe no conjunto, deixando um fim de boca suave e fresco com um toque apimentado.
Como a garrafa se esgotou, ainda tivemos que recorrer a meia garrafa do que houvesse disponível, e a escolha recaiu num Casa de Santar 2003, que se mostrou bem à altura do desafio. Há cerca de um ano tínhamos provado uma garrafa desta colheita, e devemos dizer que esta meia garrafa nos surpreendeu favoravelmente. Muito equilibrado, muito macio mas suficientemente encorpado e persistente para não ficar perdido nas sobras do vinho anterior. Merece uma revisão da nota apresentada anteriormente.
Pelo meio, foram chegando mais uns reforços de pão torrado, batatas fritas às rodelas muito finas e os copos sempre preenchidos graças à extrema atenção do anfitrião, com quem fomos trocando algumas impressões acerca de outros vinhos, da origem das carnes e de outras sugestões que nos foi apresentando. Para finalizar, pedimos um delicioso e muito macio bolo de chocolate com gelado de nata, que rematou o repasto da melhor forma.
A grande surpresa aconteceu apenas três dias depois. Há coisas que não se preparam antecipadamente, simplesmente acontecem porque calha. Encontrámo-nos nesse fim-de-semana a propósito dum evento cultural ali para os lados de São Domingos de Rana e, já cerca das 21 horas, com os estômagos meio vazios depois de termos enganado a fome com uns croquetes e rissóis, resolvemos ir petiscar qualquer coisa para fechar a noite. Tinha-se pensado num belo bife, mas dado o adiantado da hora achámos melhor ficar por uma coisa mais leve, pensando-se então no peixe. Como já dissemos, não somos grandes piscícolas, pelo que não é fácil escolher o que comer. A hipótese de ir para o peixe grelhado, sugerida pelo tuguinho, foi desde logo liminarmente rejeitada. Queria-se peixe, sim, mas qualquer coisa que soubesse bem. Estando ali pela zona, acabámos por voltar ao local do crime, e fomos outra vez parar a Paço d’Arcos. Toca a fazer a mesma volta do outro dia, e na montra d’Os Arcos os preços do peixe eram algo assustadores. Com alguma renitência do tuguinho, fomos outra vez bater à porta da Petisqueira!
Fomos outra vez magnificamente atendidos, voltando a trocar alguns dedos de conversa com o Sr. Amando Carvalho, aproveitando o facto de termos ficado noutro ponto da sala onde pontificam alguns recortes de jornais para nos inteirarmos da origem daquele espaço. Ficámos a saber que a Petisqueira surgiu depois da ourivesaria que a antecedeu ter sido assaltada e os proprietários despojados dos seus pertences. Para refazerem o negócio montaram um restaurante com um desenho interior que mereceu um prémio da Câmara Municipal de Oeiras.
Quase com as 10 horas da noite a bater, olhámos então, desta vez, para os peixes, e optámos pelos filetes de peixe-galo com arroz mariscado. Estavam soberbos, muito saborosos, assim como o arroz, malandrinho como convém. Desta vez rejeitámos as entradas e ficámos suficientemente preenchidos sem exagerar, que era o que se pretendia.
Para terminar, repetimos a sobremesa. Não havia opção que nos agradasse mais.
Quanto ao vinho, voltámos a seguir a sugestão do Sr. Amando e escolhemos o Murganheira Branco Seco. Confirmou tudo o que se esperava: um vinho de grande elegância, com grande frescura na boca devido a uma acidez correcta e um grau alcoólico adequado (12%), que aumenta o prazer de beber sem nos pesar nem se tornar enjoativo, como muitos brancos fermentados em madeira e cheios de álcool que temos encontrado ultimamente. Este, sim, é mais ao nosso gosto. Frutado quanto baste, com alguma predominância floral que é proporcionada pela Malvasia Fina, uma casta que temos encontrado em brancos muito elegantes.
Quanto ao preço, tratando-se de duas refeições muito diferentes, o dispêndio também acabou por sê-lo. Na primeira pagámos 45 € por cada refeição, com uma garrafa de vinho a 26 € e ainda mais meia, enquanto na segunda, sem entradas, com apenas uma garrafa de vinho a 10 € e sem cafés, ficámo-nos por uns singelos 20 € por cabeça. Donde se conclui facilmente que é precisamente nas entradas e nos vinhos, mais que nos pratos, que se estabelece a diferença de preços. Mas não custa pagar o que pagámos da primeira vez quando se sai dum restaurante com o nível de satisfação que este nos proporcionou.
Perante este serviço de pratos e de vinhos irrepreensível, a qualidade da confecção e a atenção, afabilidade e simpatia do dono, só podemos considerar este restaurante como excelente. No final de duas visitas, prometemos voltar, não com três dias de intervalo, mas este local tornou-se visita obrigatória para nós. Não é preciso grandes poses para se atingir a excelência - apenas simpatia, competência e qualidade.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Restaurante: A Petisqueira do Gould
Rua Costa Pinto, 93
2770-213 Paço de Arcos
Telef: 21.443.33.76
Preço médio por refeição: 35 €
Nota (0 a 5): 5

Vinho: Montevalle Reserva 2002 (T)
Região: Douro
Produtor: Bago de Touriga Vinhos Lda.
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço no restaurante: 26 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Casa de Santar 2003 (T) (garrafa de 375 ml)
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Murganheira Branco Seco 2006 (B)
Região: Távora-Varosa
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa
Grau alcoólico: 12%
Castas: Malvasia Fina, Cerceal, Gouveio Real
Preço no restaurante: 10 €
Nota (0 a 10): 8

Coisas

O respeito pelos pais é muito bonito! Por isso aqui evocamos uma efeméride que se comemora aqui no blog ao lado, o nosso papá Kronikas Tugas. Dizem que já publicaram mil posts! Não sei se será de acreditar, mas podem ler o que foi escrito aqui.

tuguinho e Kroniketas, enófilos bem comportados

domingo, 24 de junho de 2007

No meu copo, na minha mesa 123 - Muxagat 2003; O Nobre (Montijo)



Uma ida à “outra margem” para ver um espectáculo musical levou as Krónikas Vinícolas a passar junto a este famoso restaurante, que visitámos há 8 anos ainda na Ajuda, em Lisboa. Desde logo ficou a vontade de redescobrir este espaço com tradição na gastronomia, junto à Praça de Toiros do Montijo. E uma bela noite lá fomos pela ponte Vasco da Gama a caminho do novo Nobre.
O novo espaço é amplo e arejado, com um grande parque de estacionamento logo à chegada e entrada para uma sala enorme. As mesas estão dispostas de modo a haver um generoso espaço de circulação, e mesmo assim tem capacidade para uma boa centena de pessoas.
A recepção aos clientes é atenciosa e desde logo somos confrontados com algumas entradas na mesa, ao que se segue uma enorme ementa de entradas, especialidades, peixes, carnes, etc. O difícil é escolher.
Escolhemos um folhado de caça brava e uma costeleta de vitela à mirandesa. Mas antes experimentámos a já famosa sopa de santola, que veio dentro da concha da própria santola e se revelou bastante saborosa.
O folhado vinha acompanhado de alface com umas rodelinhas de maçã, para refrescar o folhado, embora qualquer acompanhamento mais sólido não fizesse mal nenhum. A costeleta trouxe um acompanhamento mais habitual, batatas fritas e brócolos cozidos, regada com azeite. Ambos estavam bastante saborosos e, a meio do folhado, já começávamos a ficar atestados.
Para sobremesa ainda tivemos coragem para avançar para uma sopa dourada, que veio servida num prato enorme polvilhado à volta com açúcar em pó e canela. Uma delícia que já foi difícil derrotar, mas aguentámos estoicamente o desafio até ao fim.
Para os líquidos a oferta também era enorme. Surpreendentemente, para o nível do restaurante, os preços praticados não são obscenos, conseguindo-se escolher vinhos na casa dos 20 €, e foi precisamente um desses que escolhemos. Uma novidade: Muxagat 2003, produzido por Mateus Nicolau de Almeida, filho de João Nicolau de Almeida (enólogo e administrador da Ramos Pinto) e neto de Fernando Nicolau de Almeida, o criador do Barca Velha. Portanto, a 3ª geração também já voa sozinha e já tem o seu próprio vinho, que deve o seu nome ao local onde se situa a vinha, próximo da localidade de Muxagata, a poucos quilómetros de Vila Nova de Foz Côa. Bem no coração do Douro Superior, portanto, ali nas vizinhanças da Quinta da Ervamoira (já visitada por nós o ano passado), da Quinta da Leda, da Quinta do Vale Meão, berços de alguns dos melhores vinhos da região… e do país.
E que dizer deste Muxagat? Para começar, pouca informação no contra-rótulo, o que não nos permite saber quais são as castas utilizadas. Presumivelmente lá estarão a Touriga Nacional, a Tinta Roriz, a Tinta Barroca, a Touriga Franca ou o Tinto Cão. Fazendo fé na informação indicada neste post do Vinho da Casa, destas só a Tinta Barroca não está lá.
Na cor é bastante concentrado, a puxar para o retinto, no aroma apresenta sugestões de frutos vermelhos maduros. Na prova é bem encorpado, com um ligeiro toque apimentado, uma acidez correcta bem casada com a madeira, que não se sobrepõe a um conjunto equilibrado com final persistente. Para esse equilíbrio contribui também o grau alcoólico moderado, “apenas” 13%, o que é raro nos tempos que correm, principalmente no Douro, mas que talvez revele uma nova tendência para voltarmos a graus alcoólicos “normais”, o que seria bastante agradável. Em suma, um vinho simpático por um preço teoricamente acessível.
Resta acrescentar que esta era a única garrafa existente no restaurante e, segundo o chefe de sala, é um vinho pouco solicitado, que só é pedido por conhecedores. Imaginem... Esta calhou-nos bem.
Quanto ao restaurante, já íamos preparados para abrir os cordões à bolsa, recordando a despesa de há 8 anos. Logo o preço dos pratos ameaçava fazer subir a parada. Depois, o preço do vinho acabou por equilibrar a coisa. No final, duas refeições por 91 euros. Mas pela qualidade do serviço e da confecção, vale a pena ir lá. Não é todos os anos, mas de vez em quando sabe bem fazer uma pequena extravagância destas. Até porque nos ficou a luzir no olho uma perdiz à transmontana que estava na ementa...

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Restaurante: O Nobre
Avenida de Olivença
2870 Montijo
Telef: 21.231.75.11/96.982.52.78 - Fax: 21.231.75.14
E-mail: nobremontijo@sapo.pt
Preço médio por refeição: 45/50 €
Nota (0 a 5): 5

Vinho: Muxagat 2003 (T)
Região: Douro
Produtor: Muxagat Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Tinto Cão, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço no restaurante: 19,50 €
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 21 de junho de 2007

No meu copo 122 - Hexagon 2003

O fascínio por este vinho vem desde o 1º encontro de eno-blogs, realizado em Janeiro na York House. Na altura, para mim foi a grande surpresa da noite.
Um dia destes, numa visita à Makro deparámo-nos com este à venda, tendo sido adquirida uma singela garrafa para dividir por dois. E não perdemos muito tempo a bebê-la. Fizemo-lo a acompanhar umas costeletas de novilho grelhadas.
É curiosa a referência ao nome do vinho no contra-rótulo: os seis lados do hexágono relacionados com seis castas e seis gerações da família José Maria da Fonseca, onde agora predomina como enólogo Domingos Soares Franco. “Hexagon é a procura da excelência que tem marcado a minha geração e a minha família ao longo dos tempos”, diz Soares Franco. E com este vinho conseguiu-a.
Não decantámos o vinho, mas ele merecia. Fomo-lo degustando calmamente e ao longo de uma hora desenvolveu aromas fantásticos, apresentando um fim de boca que nunca mais acaba. Um vinho que nos enche a boca e que apetece ficar ali a saborear por tempo indeterminado. Taninos bem firmes mas redondos, madeira bem integrada num conjunto de grande complexidade de aromas e sabores. É o topo de gama da José Maria da Fonseca, e está lá muito bem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Hexagon 2003 (T)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah, Tinto Cão, Trincadeira, Tannat
Preço em hipermercado: 33,04 €
Nota (0 a 10): 9

terça-feira, 19 de junho de 2007

No meu copo 121 - Reguengos Reserva 99, 2000, 2001


Terminamos esta ronda por terras do Alentejo voltando a Reguengos de Monsaraz e à Carmim para falar do Reserva, que acompanhamos há muitos anos e que tínhamos em stock desde Janeiro de 2004. Quando provámos a colheita de 99 fomos logo a seguir comprar umas quantas garrafas, que ficaram esquecidas até há pouco tempo, quando achámos que era tempo de fazer uma rotação de stock porque o tempo útil de consumo já tinha sido ultrapassado.
A verdade é que o vinho se mostrou ainda em forma. Nas colheitas que saem para o mercado é um vinho de cor granada e bastante encorpado, com a madeira bem marcada mas sem ser em excesso, resultado dos cerca de 4 anos de estágio a que é submetido. Apresenta normalmente um fim de boca prolongado, taninos bem presentes mas redondos.
A curiosidade aqui era ver como se comportavam estas três colheitas. A de 99 mostrou-se ainda em boa forma, sem mostrar sinais claros de declínio, podendo beber-se desde logo e aguentando mesmo uma garrafa aberta até ao dia seguinte sem afectar a frescura do vinho. Não deixando de ser uma surpresa, dado ser um vinho alentejano já com quase 8 anos, a verdade é que fez jus à apreciação que mereceu no final de 2003 e que nos levou a apostar nele para guardar durante uns anos.
Já a colheita de 2000 apresentou-se muito mais fechada, com um aroma inicial com algum mofo, que tornou necessário decantá-lo para o deixar respirar e limpar mais os aromas. Ao fim de uma hora a evolução era evidente, desenvolvendo aromas a passas e especiarias e mostrando um fim de boca cada vez mais persistente.
O da colheita de 2001 tinha um problema: a garrafa tinha vertido algumas gotas e receávamos que estivesse passado. Depois de retirada a rolha que, apesar de ter vertido, estava em bom estado, ao cheirar o vinho perpassou pelas nossas mentes a lembrança do vinho do Porto, o que não era bom presságio. Verteu-se um pouco para o copo. A cor, granada profunda como já referido, não denotava a evolução que o odor deixava prever e, quando o provámos, o sabor era óptimo, a especiarias e madeira bem casada, os taninos redondos mas vincados e um fim de boca suave e de média duração. Aliás, cheirado no copo, o vinho do Porto não estava lá, apenas um aroma também discreto e complexo, a mostrar a boa saúde do vinho.
Não sendo nenhuma das colheitas mais recentes e não tendo a vivacidade que aquelas normalmente apresentam, estas três demonstraram, ainda assim, que este Reserva pode ser guardado algum tempo sem nos pregar uma partida e é uma excelente aposta para acompanhar pratos de carne alentejanos tradicionais, daqueles bem fortes e consistentes que pedem um vinho robusto sem ser agressivo. Tem também a vantagem de apresentar um preço bastante convidativo, podendo actualmente comprar-se a menos de 4 €. Em 2000 chegou a comprar-se a 1125$. Recentemente, uma promoção no Pingo Doce apresentava 6 garrafas ao preço de 5, o que resultava em 3,325 € por garrafa, que é um excelente preço para o vinho em questão.

Nota: este vinho usa as uvas do mesmo lote que, depois de devidamente seleccionadas, servem para fazer o topo de gama da casa, o Garrafeira dos Sócios.

tuguinho e Kroniketas, enófilos esforçado e esclarecido (respectivamente)

Vinho: Reguengos Reserva 99 (T)
Grau alcoólico: 13%

Vinho: Reguengos Reserva 2000 (T)
Grau alcoólico: 13,5%

Vinho: Reguengos Reserva 2001 (T)
Grau alcoólico: 14%

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Carmim (Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz)
Castas: Aragonês, Trincadeira, Castelão, Moreto
Preço em feira de vinhos: 3,78 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Prova à Quinta - O oitavo


Montebérin, Lambrusco di Modena Rosato

Este desafio proposto pelo Copo de 3 foi o mais difícil para mim até agora, simplesmente porque sardinhas fazem parte do meu cardápio uma ou duas vezes por ano, no máximo, e com alguma relutância.
Curiosamente, calhou no passado fim-de-semana prolongado estar no Algarve num encontro de amigos que se realiza todos os anos por esta altura, aproveitando um dos feriados, e um dos almoços acaba sempre por ser uma sardinhada. Então lá faço um pouco de sacrifício para comer 3 ou 4 sardinhas bem disfarçadas por muita salada de tomate.
E qual foi o vinho usado para a prova? No meio de algumas cervejas e dum verde sem rótulo que por lá apareceu, socorri-me de um rosé italiano que comprei na feira de vinhos do Jumbo em 2006: leve, aberto, aromático quanto baste, ligeiramente frisante, com grau alcoólico muito baixo e muita frescura, um vinho de verão que se mostrou adequado para a época e até ligou muito bem com as sardinhas, de tal forma que o conteúdo da garrafa desapareceu rapidamente. Curiosamente foram as senhoras presentes que mais depressa o consumiram, enquanto alguns dos homens se mantiveram na cerveja até ao fim.
E pronto, assim cumpri a dupla função duma só vez: comi a minha sardinhada anual e arranjei um vinho para esta Prova à Quinta. Só não cumpri um dos requisitos do desafio, que era não ser um vinho de entrada de gama. Tenho muita pena, mas foi o que se pôde arranjar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Monteberín, Lambrusco di Modena (frisante) (R)
Região: Emilia Romagna (Itália)
Produtor: Monteberín - Modena
Grau alcoólico: 9%
Preço em feira de vinhos: 1,99 €
Nota (0 a 10): 7

terça-feira, 12 de junho de 2007

No meu copo 120 - Herdade Penedo Gordo: branco 2006, tinto 2005


Uma cerimónia religiosa seguida do tradicional almoço trouxe-me ao copo dois vinhos alentejanos cuja existência eu desconhecia. Para localizar a sua origem tive que fazer uma pesquisa de modo a localizar Orada no código postal 7150. Resultado: concelho de Borba. E lá provámos o branco e o tinto da Herdade do Penedo Gordo.
O branco de 2006 foi bebido com o prato de peixe, um arroz de marisco com tamboril, ou arroz de tamboril com marisco... Como me acontece quase sempre com os brancos alentejanos, não me agradou. É rústico, pouco aromático, falta-lhe elegância, como a (se calhar, digo eu...) 99% dos brancos alentejanos. Não deixa memórias.
Quanto ao tinto de 2005, a acompanhar lombinhos de porco com castanhas, embora bem mais bebível, também não trouxe nada de novo. Mostrou um carácter predominantemente frutado, tanto no nariz como na boca, embora tivesse evoluído, ao fim de algum tempo, para um fim de boca mais prolongado e marcado por especiarias. Só que... no meio de tantos, ficou-me a sensação de ser apenas mais um para engrossar a interminável lista de novos produtores, mas que dificilmente marcará alguma diferença. Até porque no panorama actual não é fácil.
Não faço ideia do preço destes vinhos, mas pelo seu perfil calculo que andem pelos 4 ou 5 euros. Posicionam-se, certamente, na gama média ou média-baixa. A verdade é que uma semana depois já não me lembrava do nome. Se não fossem as fotos tinham passado rapidamente ao esquecimento.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Borba)
Produtor: António M. Esteves Monteiro

Vinho: Herdade Penedo Gordo 2006 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Antão Vaz, Roupeiro
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 5

Vinho: Herdade Penedo Gordo 2005 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Touriga Nacional
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 6

sexta-feira, 8 de junho de 2007

No meu copo 119 - Carmim, Aragonês e Trincadeira 99

Nos primeiros tempos das Krónikas Vinícolas apreciámos aqui dois varietais da Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz (Carmim), o Bastardo e o Cabernet Sauvignon de 2000, que estiveram em grande e, se calhar, pela última vez, pois foram as últimas colheitas que vi à venda. O tempo passa sem darmos por ele e agora verifico que já passou quase um ano e meio e desde aí nunca mais tinha provado nenhum destes varietais da Carmim, apesar de haver sempre alguns na garrafeira. Agora resolvi ir buscar os outros dois, que se mantêm no mercado. O Aragonês e o Trincadeira já foram lançados há uns 6 ou 7 anos, e tive oportunidade de conhecer todas as colheitas iniciais, ainda com um rótulo claro.
Desde sempre foram vinhos que se pautaram por uma grande dose de adstringência, puxando bem pelas características mais fortes de cada uma das castas - contrariamente ao que acontece, por exemplo, nos varietais do Esporão, ali vizinho, que são muito mais macios. Curioso é também verificar que aqui, na Carmim, o Trincadeira é tão ou mais pujante que o Aragonês, enquanto no Esporão há uma diferença significativa entre as duas, com a Trincadeira muito mais amaciada e a dar vinhos cheios e envolventes, ficando para o Aragonês as despesas dos vinhos mais robustos e taninosos.
Estas duas garrafas foram consumidas com uma boa perna de borrego no forno e revelaram-se, como não podia deixar de ser, perfeitamente adequados para este prato tão típico do Alentejo. Claro que já não tinham a frescura de quando foram comprados (já residiam na garrafeira desde 2002) mas depois de respirarem um pouco ficaram mais limpos de aromas. Perderam um pouco daquela vivacidade que os caracteriza, como é normal, mas ficaram bem mais macios, sem perder um fundo muito marcado a especiarias, que é habitual nestes varietais.
Mais tempo na garrafeira não lhes ia trazer nada de bom, e felizmente ainda fui buscá-los bem bebíveis, mas... provavelmente não seria por muito mais tempo. Quem os tiver, não os guarde mais de dois ou três anos. Já foram vinhos caros (quando foram lançados cheguei a comprá-los por mais de 2000$ a garrafa), mas depois entraram na normalidade e agora conseguem-se comprar por cerca de 4 euros, o que é um excelente preço para a qualidade que costumam ter. Fazem parte das nossas escolhas permanentes.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Carmim (Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz)

Vinho: Aragonês 99 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Aragonês

Preço em feira de vinhos: 4,15 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Trincadeira 99 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Trincadeira

Preço em feira de vinhos: 3,88 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 6 de junho de 2007

No meu copo, na minha mesa 118 - Alandra; Restaurante Tia Rosa (Melides)



Foi há 12 anos que conheci este restaurante, após uma estada no parque de campismo da Praia da Galé, próximo de Melides. Era recomendado pelo pato no forno. Passados 12 anos, voltei lá com o mesmo casal com que tinha estado da outra vez, mas agora acompanhados de mais 3 crianças que naquela altura. E voltámos ao pato.
O restaurante fica mesmo junto à estrada. Para quem apanha o ferry-boat para Tróia em Setúbal, depois de passar pela Comporta vira-se em direcção a Melides e depois de passar Pinheiro da Cruz e alguns parques, encontra-se o Tia Rosa à esquerda. Tem duas salas contíguas, uma mais iluminada que a outra, sendo que esta se torna algo escura se ficarmos longe da janela. Se bem me lembro, há 12 anos só existia a primeira sala, pelo que deve ter havido ampliação do espaço.
O pato assado no forno, primeira opção da ementa, vem cortado em metades, acompanhado de batatinhas assadas e rodelas de laranja. O molho é que se torna um pouco gorduroso demais, pelo que é preferível evitá-lo. Mas a melhor parte é o arroz de miúdos que vem à parte, que também passa pelo forno. Uma verdadeira delícia. Vale a pena lá ir pelo pato.
Para acompanhar pedimos um Alandra, o mais baixo da gama da Herdade do Esporão. Logo à entrada há umas estantes com várias garrafas em exposição, onde estão os varietais do Esporão, vários outros vinhos alentejanos e, claro, o Pinheiro da Cruz (que fica logo ali ao lado), embora na ementa só constem meia-dúzia de referências, e escolhemos a mais barata, a 4,5 €. Curiosamente, em cima das mesas estavam garrafas de Conventual, ao preço de 7,5 €, mas rejeitámos essa opção por ser um vinho que não nos convence.
Continua a ser um vinho simples mas que se bebe com agrado. Aconselha-se até que seja ligeiramente refrescado, o que não era o caso, mas não deixa de ser uma aposta simpática. De cor rubi brilhante, ligeiramente frutado, aberto, leve, macio, ainda assim com um final de boca simpático. Sem grandes pretensões, bom quanto baste e barato, para o dia-a-dia.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Tia Rosa
Estrada Nacional 261 - Fontainhas do Mar
7560-661 Melides
Telef: 269.907.144
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4

Vinho: Alandra (T) - sem data de colheita
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 13%
Castas: Moreto, Castelão
Preço em feira de vinhos: 1,72 €
Nota (0 a 10): 6

terça-feira, 5 de junho de 2007

Por detrás do Moita

Este blog não é o ideal do que todos os outros deviam fazer. Não, o ideal são as opiniões do José Moita a propósito das sugestões que fizémos. As nossas opiniões só nos vinculam a nós próprios, e valem o que valem. Assim como as suas acerca dos 4 ou 5 blogs mais reputados, presumo que reputados por si. Ainda bem que a nossa escala lhe dá vontade de rir; assim sempre se diverte um bocadinho. Se bem que ficamos sempre com a sensação de que quem se ri por tudo e por nada não passa de um pateta alegre...
Sabe, como não temos a mania que somos sabichões nem que somos os maiores, nem andamos aqui armados em cagões, às vezes podemos cometer gaffes naquilo que escrevemos, como referir “sabores” quando queríamos referir “aromas”. Ainda bem que não referimos “cheiros”, senão lá vinha o Moita passar-nos o devido correctivo. Somos apenas amadores/amantes do vinho, não somos enólogos, nem produtores, nem viticultores, nem provadores, nem redactores da Revista de Vinhos ou de outra qualquer, apenas consumidores. Como tal, temos o direito a errar e até a dizer baboseiras se nos apetecer. Só não aceitamos lições de quem faz afirmações gratuitas sem nos provar a razão daquilo que diz. E você, é o quê?
Mas é pena que não conheça sabores terciários, sabe, porque já me aconteceu, no mesmo vinho, ao fim de uma hora encontrar sabores (e não só aromas) que não encontrava no início. Deveria chamar-lhes quaternários? O Prof. Virgílio Loureiro, com quem fiz um curso de prova, talvez lhe conseguisse explicar isso.
Mas já agora, você que se acha tão importante e sabedor e se arroga o direito de dar lições aos outros, explique-nos lá (se for capaz) porque é que a escala de 0 a 10 lhe dá vontade de rir. E já agora, a escala de 1 a 5 rolhas, usada pelo blog “Vinho a copo”, também dá vontade de rir? Sabe quem é o João Paulo Martins? Sabia que ele começou a fazer os seus guias de vinhos numa escala de 1 a 8? Há algum manual do bloguista, escrito por algum guru, onde se imponham normas para fazer uma apreciação do vinho numa escala numérica obrigatória? E se há, foi você que o escreveu? Porque se não apresentar razões válidas para a nossa escala lhe dar vontade de rir, nós é que teremos motivos para rir das suas pseudo-lições.
Quanto aos vinhos modernos que provamos ou deixamos de provar, isso é problema nosso, não acha? Ou será que também há um manual escrito por si dos vinhos que é obrigatório provar? E do dinheiro que é preciso gastar em cada um? Temos que provar todos os mesmos vinhos? E gastar 30 euros por garrafa? Para provar todas as novidades há a Revista de Vinhos. E quem lhe disse que queremos ser iguais aos outros blogs ou aproximar-nos de quem quer que seja? Isso também é uma norma escrita por si? Vinhos modernos e a sair para o mercado? Vinhos muito frutados, cheios de álcool e que sabem todos ao mesmo? É isso que define um bom blog ou um bom apreciador de vinhos? É ir na carneirada e alinhar nos ditames da moda e usar a escala de 0 a 20? Já agora, fique a saber que não andamos aqui a escrever para agradar ou fazer favores a quem quer que seja, porque não pertencemos a lobbies nem interesses instalados. Se é isso que lhe interessa, veio bater à porta errada. E experimente provar um Bairrada dos anos 80, pode ser que descubra alguma coisa que escapa à sua suprema sapiência.
Se você acha que a nossa escala dá vontade de rir, os seus comentários são patéticos. Lança aqui meia-dúzia de atoardas sem qualquer sustentação e sem justificar aquilo que diz. E olhe, se não percebe o sentido daquilo que escrevemos e aproveita partes de frases para fazer citações fora do contexto e com elas tentar ser engraçadinho, sugerimos-lhe que tenha umas aulas de português para ver se aprende a interpretar textos antes de nos vir dar lições sobre a roda dos aromas.

PS: E continuamos à espera do vinho com cheiro a cão molhado. Está na roda dos aromas.

tuguinho e Kroniketas, enófilos desalinhados

domingo, 3 de junho de 2007

No meu copo 117 - Tinto da Talha 2004

Já aqui falámos do Tinto da Talha Grande Escolha, o topo de gama da Roquevale, e agora temos o Tinto da Talha normal, que fica no meio da gama. É um vinho com uma bela cor brilhante entre rubi e granada, encorpado e macio, sem grande adstringência, com algum frutado e final médio, que se bebe com agrado.
Denotando ainda alguma juventude, é adequado seguramente para pratos regionais do Alentejo mas não demasiadamente temperados. O preço é bastante simpático pelo que temos aqui mais uma boa escolha para o dia-a-dia, um vinho bom e barato para quem comprar... barato.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tinto da Talha 2004 (T)
Região: Alentejo (Redondo)
Produtor: Roquevale
Grau alcoólico: 13%
Castas: Castelão, Trincadeira

Preço em feira de vinhos: 2,59 €
Nota (0 a 10): 6

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Um punhado de sugestões

Caríssimos comparsas, nos últimos tempos tenho pensado no intercâmbio de informação que aqui fazemos e como poderíamos melhorá-lo, com proveito para todos. Assim, deixo aqui algumas sugestões para utilizarem nos vossos blogs, se quiserem, claro:

- Indicar a região a que pertence o vinho provado. Às vezes só pelo nome não vamos lá.
- Indicar o preço a que o vinho foi adquirido. Essa indicação pode ser importante para percebermos em que patamar o vinho se situa.
- Indicar, se possível, locais onde o vinho pode ser adquirido. Aqui nas KV indicamos sempre o preço de super ou hipermercado, mas há vinhos que não se vêem nos supermercados, só em garrafeiras. Isso pode fazer toda a diferença em termos de facilidade de aquisição do vinho... e em termos de preço.
- Na Prova à Quinta, o autor do blog onde o desafio for lançado fazer o balanço das provas apresentadas, nos comentários ou num post autónomo, como nós fizemos no último desafio.
- Quando o tempo e a disponibilidade o permitir, na Prova à Quinta pode-se sempre apresentar mais que um vinho, onde o próprio autor da prova apresenta as comparações entre os vinhos provados, como fizemos nas últimas três provas.
- Sempre que encontrarem noutro blog um vinho que já foi objecto de prova no vosso próprio blog, fazer menção dessa prova nos comentários do outro blog, indicando onde a mesma pode ser lida. Depois disso, o autor da nova prova poderia também pôr um post scriptum no final do post a indicar precisamente o outro blog onde a prova anterior pode ser encontrada. Como certamente concordarão, não é fácil a cada um de nós, sempre que coloca uma prova, ir à procura de outra prova nos outros blogs, sem fazer ideia de onde poderá existir. É bem mais fácil quem já a fez dar essa indicação.

São só algumas ideias que penso que ajudariam a agilizar a troca de informação. Agora cabe-vos a vocês fazer uso delas ou não.

Saudações enófilas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Prova à Quinta - O sétimo


Pera-Manca branco 2003; Periquita 2004

Para este desafio lançado em tempo oportuno pelo Vinho da Casa, para encontrar vinhos produzidos por casas com mais de 20 anos, resolvemos seleccionar dois vinhos, a exemplo do que já fizemos nos dois desafios anteriores, em que apresentámos 4 na prova de Cabernet Sauvignon e 2 na prova de brancos varietais. Escolhemos um branco e um tinto com tradição secular: o Pera-Manca e o Periquita.

No caso do Pera-Manca, estamos perante um dos vinhos brancos mais famosos (e caros) do país. Já existe desde o século XV e obteve medalhas de ouro em Bordéus nos já longínquos anos de 1897 e 1898. Contudo, andei anos (não desde o século XV...) para me decidir a comprá-lo por duvidar que valesse o elevado preço que custa, até pela minha desconfiança em relação aos brancos alentejanos, que já tive oportunidade de referir em mais que uma ocasião. Mas como a vida também é feita de alguns mitos, por vezes é preciso ir ao seu encontro para sabermos da razão ou não da sua existência. No caso dos vinhos trata-se, tão-somente e na maior parte dos casos, de abrir os cordões à bolsa.
Este foi comprado numa feira de vinhos em 2004 e ficou à espera de uma oportunidade que justificasse abri-lo. Foi num almoço de família à volta dum pargo assado no forno, tendo havido o cuidado de o refrescar de véspera, para garantir que à hora de bebê-lo não íamos encontrar um vinho meio morno.
Perante tão grande expectativa, o mínimo que posso dizer é que o vinho não defraudou. De facto, apresenta alguma elegância que é raro encontrar nos brancos alentejanos, sem deixar de fazer prevalecer um corpo com alguma pujança, um aroma frutado e complexo em equilíbrio com uma boa acidez, que resultam num fim de boca fresco e prolongado. Sem dúvida um vinho adequado para pratos de peixe elaborados, como o pargo ou o bacalhau no forno. Feito com 85% de Antão Vaz e 15% de Arinto, a sua boa estrutura e acidez permitem uma boa ligação com os sabores intensos e a gordura destes pratos. Como ainda não o tinha provado, não sei se mudou o perfil ou não, mas não é, seguramente, um vinho da moda.
Continuo, contudo, a ser mais fã de outro tipo de brancos, mas não rejeito a hipótese de voltar a este Pera-Manca, porque estes brancos também fazem falta. E também podemos deliciar-nos com a arte do rótulo, que é uma coisa rara. Como entretanto mudaram o rótulo, esta garrafa ficou como recordação.

No caso do Periquita, é apenas a marca de vinho mais antiga comercializada em Portugal, desde 1850, daí a razão da nossa escolha. Segundo a José Maria da Fonseca, é também o vinho tinto português mais vendido no estrangeiro. Também há algum tempo que não o consumia, mas o vinho modernizou-se um pouco, seguindo agora o perfil dos vinhos com muito álcool (embora sem exagero, apesar de tudo), com algum frutado. Na boca é medianamente encorpado com taninos suaves e bem integrados com um toque discreto de madeira e apresenta um fim prolongado, com bastante especiaria. É um vinho que pede pratos grelhados ou assados com algum condimento, embora sem exageros.
A garrafa também se modernizou, passando da tradicional borgonhesa que durante décadas marcou a imagem do vinho para a bordalesa que ostenta agora. Sendo agora um vinho mais moderno, não sei, contudo, se é melhor do que era. Se calhar tornou-se igual a muitos outros.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pera-Manca 2003 (B)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 14%
Castas: Antão Vaz, Arinto
Preço em feira de vinhos: 12,89 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Periquita 2004 (T)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 13%
Castas: Castelão, Aragonês, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 3,29 €
Nota (0 a 10): 6

segunda-feira, 28 de maio de 2007

No meu copo 116 - Escolha António Saramago 2001

Abrimos este vinho num jantar futeboleiro de Sábado, em conjunto com um Quatro Castas do ano anterior. Acabámos por fazer uma prova cruzada ao longo do jantar, ora provando um, ora provando outro.
Apesar de ser um bom vinho, decepcionou-nos um pouco. A cor, se bem que retinta, já resvalava para um vermelho cansado. Mostrou corpo e veludez, como quase todos os vinhos alentejanos, e foi na boca que se mostrou mais envelhecido, com sabores terciários que não esperávamos encontrar. Melhorou com a permanência no copo mas não se alcandorou ao nível que esperávamos, perdendo mesmo para o Quatro Castas mais velhito.
Em suma, um bom tinto alentejano mas não excepcional, e que não convém ter tanto tempo em garrafa como nos querem fazer crer, visto que esta colheita nos surgiu nas feiras de vinhos do ano transacto. Se o encontrarem a tempo, bebam-no com um máximo de 4 anos de vida - presumo que vos dará maior prazer.

tuguinho, enófilo esforçado

Vinho: Escolha António Saramago 2001 (T)
Região: Alentejo
Produtor: António Saramago
Grau alcoólico: 14º
Preço em feira de vinhos: 8,97 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 25 de maio de 2007

No meu copo 115 - Aragonês de São Miguel dos Descobridores 2005

Comprei este vinho porque o vi recomendado no catálogo da feira de vinhos do Continente de 2006 pelo Prof. Virgílio Loureiro, enólogo, professor no Instituto Superior de Agronomia e especialista em análise sensorial, e ainda consultor do Continente para a área de vinhos e responsável pelo clube de vinhos do mesmo.

Dizia ele no catálogo:
«Um autêntico “bombom”.
Vale a pena partir à descoberta deste Aragonês. Foi concebido para encantar quem o cheira pela primeira vez, apresentando um aroma delicioso e intenso. As notas aromáticas evidenciam a fruta vermelha sobremadura, as plantas silvestres e um abaunilhado cativante. Na boca, confirma tudo o que o aroma promete: é amplo, encorpado, muito aveludado, com uma acidez harmoniosa e um final aromático e ligeiramente adocicado, que convida a beber um pouco mais. Um autêntico “bombom”, que não precisa de comida por perto para animar uma conversa entre amigos. Muito bem feito!»


Depois de tão eloquente descrição, quem sou eu para acrescentar seja o que for? De facto, na primeira prova nota-se uma grande frescura, muito aroma e muita juventude, com a particularidade curiosa de apresentar uma espuma rosada escura ao ser servido no copo, por cima de uma cor retinta muito concentrada. Vai bem com pratos de carne bem temperados, pois com os mais leves pode sobrepor-se aos sabores da comida. Sem dúvida um produto a merecer uma nova prova.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Aragonês de São Miguel dos Descobridores 2005 (T)
Região: Alentejo (Redondo)
Produtor: Casa Agrícola Alexandre Relvas - Herdade de São Miguel
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Aragonês

Preço em feira de vinhos: 5,85 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Nova ligação na nossa lista



Acrescentámos uma ligação ao blog QVinho - Vinhos e Gastronomia, um blog de vinhos do lado de lá do charco chamado Atlântico, e que iniciou agora a sua actividade.
Boa sorte e bem vindos, ao Jomar e resto dos blogueiros do QVinho!

tuguinho e Kroniketas, enófilos e assim

terça-feira, 22 de maio de 2007

No meu copo 114 - Herdade do Pinheiro 2002

Iniciamos agora um pequeno périplo por alguns vinhos alentejanos que temos provado nos últimos tempos. Não existe um critério nem uma selecção ou ordem pré-determinada dos vinhos, apenas a ordem em que vamos escrevendo sobre alguns vinhos que nos passam pela mesa.
Começamos esta ronda por um Herdade do Pinheiro 2002. Foi a nossa primeira prova deste vinho, nascido no coração do Baixo Alentejo, em Ferreira do Alentejo, quase lá para a minha zona. Já tinha uma na garrafeira, mas num dos nossos repastos “dionisíacos”, de que qualquer dia daremos conta, o Politikos resolveu contribuir com esta.
Gostámos. É um vinho de cor rubi e aroma pronunciado a frutos vermelhos não muito maduros. Na boca mostra-se bastante cheio, com os taninos arredondados, um toque especiado e a dose certa de madeira, terminando com um fim de boca longo, daqueles que quase se mastigam. Acidez correcta e um grau alcoólico que permite apreciar os aromas sem os abafar. Parece ter estaleca para se bater com pratos de carne bem temperados. De notar que é feito com as duas castas mais emblemáticas do Alentejo, Aragonês e Trincadeira, bem secundadas pela Cabernet Sauvignon, aqui tão falada nos últimos dias, que também se dá muito bem na região. Sendo assim, tem tudo para dar certo desde que saibam tratar dele.
Em suma, para primeira abordagem agradou bastante, prometendo novas visitas. O preço de referência que temos é o da colheita de 2004, que o coloca num patamar médio-alto. Se as outras colheitas cumprirem o que esta prometeu, temos vinho para se impor. Parece-nos que não é apenas “mais um” no Alentejo, como tantos outros que temos encontrado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Herdade do Pinheiro 2002 (T)
Região: Alentejo (Ferreira)
Produtor: Sociedade Agrícola Silvestre Ferreira
Grau alcoólico: 13%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon

Preço em feira de vinhos: 7,29 €
Nota (0 a 10): 7,5