quinta-feira, 18 de outubro de 2007

No meu copo 139 - José Preto 2004


Tinha alguma expectativa em relação a este vinho. O tuguinho já tinha comprado uma garrafa e o ano passado resolvi também comprar uma. Tive oportunidade de prová-lo num dos jantares de férias e fiquei desiludido. As referências que tenho dos vinhos de Trás-os-Montes fora da denominação de origem Douro são geralmente bastante boas, bem acima da média (lembremo-nos do Valle Pradinhos e do Bons Ares, por exemplo).

Este José Preto de 2004, saído da adega do produtor em Sendim, Miranda do Douro, apresentado como o primeiro VQPRD do Planalto Mirandês, ficou aquém das expectativas. Aroma pouco pronunciado, algo delgado de corpo, um daqueles vinhos que nos deixam em dificuldades para escrever sobre ele. Não que seja mau, mas também não se pode dizer que seja verdadeiramente bom. Ficamos pelo sofrível... Não nos deixa grandes memórias...

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: José Preto 2004 (T)
Região: Planalto Mirandês
Produtor: José Francisco Lopes Preto
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Mourisco Tinto
Preço em feira de vinhos: 4,89 €
Nota (0 a 10): 5

Krónikas do Alto Alentejo (I)

Uma temporada em Portalegre

Cheguei Domingo à noite para umas semanas de trabalho. A antena parabólica não está ligada e a ligação à Internet sem fios da Zapp não funciona.
Sinto-me como se tivesse voltado à pré-história...

Kroniketas, um alentejano do sul na capital mais a norte

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Feiras de vinhos 2007 - As nossas compras

Este ano, por excesso de stock remanescente dos anos anteriores, tentámos reduzir a quantidade de compras nas feiras de vinhos, apostando mais na reposição de produtos em falta, daqueles que nunca podem faltar, e em algumas novidades que ainda não nos passaram pelo estreito. Mesmo assim, ainda se juntou uma quantidade significativa, que tentaremos gastar nos próximos 12 meses.
Como habitualmente, tentámos obter o melhor preço para cada marca, depois de comparados os catálogos e os preços dos vários hipermercados. Segue-se a lista.
A indicação dos preços e locais de compra corresponde ao mais barato que foi encontrado. No caso do Prova Régia, por exemplo, o stock no Jumbo esgotou rapidamente, pelo que foi comprado no Continente por mais 2 cêntimos.

Região
Marca - Preço - Local

Alentejo
Esporão Duas Castas (Arinto+Antão Vaz) (B) - 7,95 € - Corte Inglês
Altas Quintas (T) - 19,90 € - Continente
Altas Quintas Crescendo (T) - 7,95 € - Corte Inglês
Cortes de Cima (T) - 9,87 € - Jumbo
Dona Maria (T) - 6,75 € - Jumbo
Dona Maria Amantis (T) - 12,95 € - Jumbo
Herdade dos Grous (T) - 7,85 € - Corte Inglês
Herdade Perdigão Reserva (T) - 18,98 € - Jumbo
Lima Mayer (T) - 9,99 € - Continente
Quinta da Amoreira da Torre, Reserva (T) - 12,45 € - Corte Inglês
Reguengos Garrafeira dos Sócios (T) - 10,90 € - Carrefour
Roquevale (T) - 5,89 € - Jumbo
Tinto da Talha Grande Escolha (T) - 5,79 € - Jumbo
Vinha do Almo Escolha (T) - 9,59 € - Continente


Beiras
Luís Pato Vinhas Velhas (T) - 14,95 € - Corte Inglês

Bucelas
Bucellas Caves Velhas (B) - 3,49 € - Corte Inglês
Prova Régia, Arinto (B) - 2,97 € - Jumbo


Dão
Cabriz, Colheita Seleccionada (B) - 2,79 € - Feira Nova
Outono de Santar, Vindima Tardia (B) - 8,85 € - Jumbo
Quinta de Saes Reserva (B) - 5,95 € - Corte Inglês
Quinta do Cerrado, Malvasia Fina (B) - 4,65 € - Corte Inglês
Cabriz Reserva (T) - 6,90 € - Feira Nova
Casa de Santar Reserva (T) - 9,79 € - Continente
Milénio, Touriga Nacional e Aragonês (T) - 2,99 € - Continente
Porta dos Cavaleiros Reserva (T) - 4,95 € - Corte Inglês
Quinta de Cabriz, Touriga Nacional (T) - 12,85 € - Jumbo
Quinta do Sobral Reserva (T) - 6,25 € - Jumbo


Douro
Muxagat (B) - 7,59 € - Corte Inglês
Apegadas Quinta Velha, Reserva (T) - 14,45 € - Corte Inglês
Duas Quintas Reserva (T) - 19,59 € - Continente
Duas Quintas Celebração, Quinta da Ervamoira (T) - 9,85 € - Jumbo
Esmero (T) - 14,85 € - Jumbo
Maria Mansa (T) - 4,48 € - Jumbo
Quinta do Infantado (T) - 6,49 € - Continente
Quinta do Portal Reserva (T) - 12,78 € - Continente
Quinta dos Quatro Ventos (T) - 9,78 € - Continente
Ramos Pinto Collection (T) - 12,75 € - Jumbo
Sogrape Reserva (T) - 10,74 € - Jumbo


Estremadura
Quinta de S. Francisco (B) - 2,45 € - Corte Inglês
Quinta das Cerejeiras, Reserva (T) - 9,95 € - Corte Inglês
Quinta de D. Carlos (T) - 4,72 € - Jumbo
Quinta de Pancas, Caberbet Sauvignon (T) - 6,98 € - Continente
Sanguinhal, Cabernet e Aragonês (T) - 3,75 € - Corte Inglês


Ribatejo
Quinta da Alorna (B) - 2,79 € - Feira Nova
Quinta da Alorna, Touriga Nacional (R) - 4,49 € - Continente
Fiúza Premium (T) - 8,75 € - Corte Inglês
Vinha do Alqueve (T) - 4,98 € - Continente


Távora-Varosa
Murganheira Seco (B) - 3,49 € - Continente

Terras do Sado
Adega de Pegões Colheita Selecionada (B) - 2,99 € - Jumbo
Catarina (B) - 3,48 € - Continente
João Pires (B) - 4,45 € - Corte Inglês
Adega de Pegões Colheita Selecionada (T) - 5,99 € - Jumbo
Casa Ermelinda Freitas, Alicante Bouschet (T) - 7,98 € - Jumbo
Casa Ermelinda Freitas, Syrah (T) - 7,98 € - Jumbo
Periquita Reserva (T) - 6,25 € - Jumbo
Quinta do Peru (T) - 12,45 € - Corte Inglês


Trás-os-Montes
Bons Ares (T) - 11,79 € - Continente

Vinho Verde
Borges, Alvarinho (B) - 7,15 € - Corte Inglês
Deu-La-Deu, Alvarinho (B) - 5,29 € - Continente
Portal do Fidalgo, Alvarinho (B) - 5,25 € - Jumbo
Quinta do Ameal (B) - 5,35 € - Corte Inglês
Reguengo de Melgaço, Alvarinho (B) - 7,99 € - Continente


Espumantes
Cabriz (B) - 5,99 € - Continente
Quinta do Boição, Arinto Reserva Bruto (B) - 7,49 € - Continente
Vértice Reserva Bruto (B) - 9,85 € - Jumbo


França
Saga R (B) - 6,39 € - Jumbo
Chateauneuf-du-Pape (T) - 9,64 € - Jumbo


Itália
Civ & Civ, Lambrusco di Modena (R) - 2,18 € - Corte Inglês
Montebérin Lambrusco di Modena (R) - 4,59 € - Jumbo


tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

No meu copo, na minha mesa 138 - Quinta da Alorna rosé, Touriga Nacional 2006; Restaurante Al Dente (Alvor)




Os brancos e rosés de férias (V)

Uma das incursões de férias, como já vem sendo habitual, foi a um restaurante italiano (também houve uma a um restaurante indiano, mas essa não é para aqui chamada; aliás, não saberia o que dizer...). Já tínhamos ficado de olho nele o ano passado, numa passagem por Alvor, e desta vez fomos mesmo lá.
O espaço é amplo e frondoso, numa espécie de esplanada interior, a dar para uma varanda que pode ser destapada nas noites mais quentes (não foi o caso deste Verão, certamente), salpicada por várias pequenas árvores espalhadas pelo recinto. Como é habitual na época, mesmo com mesa marcada espera-se... e espera-se... e espera-se... até nos podermos sentar e até sermos atendidos e poder começar a refeição. Mas quanto a isso, já percebi que não há nada a fazer. É ir preparado para começar às 10 da noite.
De qualquer modo, acabou por valer a pena a espera. A ementa é bastante variada, com várias carnes para além da enorme profusão de massas e pastas. E assim se pediram coisas tão variadas como macarrão tostado, regina gratinata, bifinhos de porco panados, bife Veneza, involtini e se terminou com tiramisu, crepe com chocolate e crepe com mel e nozes. E toda a gente ficou agradada com a qualidade da confecção.
O atendimento também é simpático e eficiente, descontado o tempo de espera já referido.
E para acompanhar tão variadas iguarias, a pedido de várias famílias fomos para o rosé. Porque era Verão, porque era comida italiana. As opções não eram muitas e resolvi estrear este Quinta da Alorna, que não conhecia. Agora que os rosés estão na moda e que se faz vinho rosé um pouco por todo o país, já quase não há um produtor conceituado que não tenha o seu rosézito. E este saiu muito bem. Bastante aromático, ligeiramente floral e com predominância de frutos vermelhos no aroma e no paladar (sente-se ali um toque a morangos ou framboesa), medianamente encorpado e muito fresco na prova de boca, com alguma persistência a marcar um final suave e seco. Uma boa surpresa para primeiras impressões.
Claro que saindo das mãos do enólogo Nuno Cancella de Abreu só podia ser bom. Não o tenho visto por aí à venda, mas vou ficar atento.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Alorna 2006 (R)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço no restaurante: 12 €
Nota (0 a 10): 7,5

Restaurante: Al Dente (italiano)
Quinta da Praia, Lote 4 - Loja 16
8500 Alvor
Telef: 282.457.555
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Encontro com o vinho e os sabores 2007

Já estão anunciadas pela Revista de Vinhos as datas de realização do próximo evento: 3 e 4 de Novembro para o público em geral. O que significa que teremos dois fins-de-semana consecutivos altamente vínicos: no anterior será o encontro de eno-blogs. E, ou muito me engano, ou pelo meio ainda é capaz de haver o Festival de Gastronomia de Santarém.
Muita actividade gastronómica vai haver por esses dias...

Kroniketas, eno-gastrónomo

sábado, 29 de setembro de 2007

No meu copo 137 - Terra Franca rosé 2005

Os brancos e rosés de férias (IV)

Este também foi aberto numa tarde de Verão com grelhados. Embora não seja desagradável, apresentou um aroma algo discreto e paladar ligeiramente frutado e seco. Não pareceu capaz de grandes voos. Mesmo pelo pouco preço que custou, acaba por não merecer o gasto e realmente parece não ter tido grande investimento por parte da empresa.
Enfim, não deixou memórias.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Terra Franca 2005 (R)
Região: Regional Beiras
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 12%
Castas: Baga, Rufete, Tinta Barroca, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 1,88 €
Nota (0 a 10): 5

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

II encontro de eno-blogs

O Copo de 3 lançou aqui a ideia, e nós apoiamos. Depois do primeiro encontro de eno-blogs realizado em Janeiro, prepara-se um regresso ao local do crime (pelo meio houve um evento organizado pela Revista de Vinhos que contou com uma larga de participação de blogs, mas não sei se pode ser incluída na contagem oficial). A data sugerida foi 26 de Outubro, daqui a um mês, e o local o mesmo, a York House. Todos os enófilos são bem-vindos, tenham blogs ou não, pelo que devem manifestar o seu interesse no post do Copo de 3 relativo ao assunto.
E já agora, os bloguistas que ainda não o fizeram, façam favor de ser chegar à frente.
Nós vamos estar lá.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

terça-feira, 25 de setembro de 2007

No meu copo 136 - Portal do Fidalgo, Alvarinho 2005; Quinta de Azevedo 2005

Os brancos e rosés de férias (III)

Para uns grelhados ao ar livre com sardinhas, febras e costeletas levei dois verdes e alguns tintos, mas foram os verdes que tomaram a dianteira. Enquanto os comes iam saindo serviu-se primeiro um Portal do Fidalgo, Alvarinho de 2005 proveniente da sub-região de Monção. Foi muito bem recebido e de facto merece. Revelou-se muito equilibrado, suave e aromático, com aromas florais, acidez correcta a proporcionar uma grande frescura na boca, com um final persistente. Cor a tender para o amarelo palha, muito límpido e brilhante. Uma excelente aposta, que fez as delícias dos comedores de sardinhas, a um preço muito acessível. Dos melhores verdes que me lembro de ter bebido. Entrou para a lista dos obrigatórios.
Depois deste veio um Quinta de Azevedo de 2005, da quinta com o mesmo nome situada entre os rios Lima e Cávado, na freguesia de Barcelos. Claro que depois daquele Alvarinho, esta segunda prova ficou prejudicada (estas comparações podem ser injustas porque estamos a falar de dois vinhos completamente diferentes). De cor citrina muito clara, mais seco que o anterior e aroma menos exuberante, mas com uma mistura muito interessante de Loureiro e Pedernã, com um final muito suave e elegante. Um vinho mais discreto, indicado para pratos mais delicados, que foi um pouco abafado pela gordura das sardinhas. Merece uma nova oportunidade com prato mais adequado.
Cada um com o seu estilo próprio, duas boas companhias para as tardes de Verão.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Portal do Fidalgo, Alvarinho 2005 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Provam - Produtores de Vinhos Alvarinho de Monção
Grau alcoólico: 13%
Castas: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 4,98 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Quinta de Azevedo 2005 (B)
Região: Vinhos Verdes (Ponte de Lima)
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 10,5%
Castas: Loureiro, Pedernã
Preço em feira de vinhos: 2,97 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

No meu copo 135 - Fritz Haag, Riesling 2002; Caspari-Kappel Riesling 2002

Os brancos e rosés de férias (II)

Uma incursão estival levou as Krónikas Vinícolas ao Chafariz do Vinho para matar saudades. Acerca do espaço já dissertámos longamente, pelo que não vale a pena estarmos a repetir-nos. Como ali há sempre uns vinhos que não é fácil encontrar no mercado, principalmente brancos, voltámos a escolher um branco, neste caso um Fritz Haag proveniente da Alemanha e da casta Riesling, com a qual nos temos cruzado algumas vezes.
O serviço, como sempre, esteve irrepreensível, mas o vinho surpreendeu um pouco. Esquecemo-nos que o Riesling tem sempre aquele teor adocicado que neste caso não ficou muito bem com os petiscos escolhidos, além de que o rótulo tem indicações que não sabemos o que significam. Só depois, em casa, pude investigar o que significa a indicação “Spätlese” que se segue à casta: é um vinho de colheita tardia. Embora suave, leve e agradável, aconselhava-se mais como refresco de esplanada do que a acompanhar paio de porco preto, perdiz de escabeche ou rolo de massa fresca com requeijão.
Noutro contexto, outro Riesling alemão e também Spätlese, um Caspari-Kapell, foi provado precisamente à tarde na esplanada entre dois dedos de conversa. Nenhuma surpresa, o perfil é o mesmo: leve, fresco, adocicado, com boa acidez e pouco grau alcoólico. Mais adequado, porventura, para acompanhar umas sobremesas. Mas bebe-se bem em dias de calor.
Ambos pertencem à região do rio Mosela e dos seus afluentes Sarre e Ruwer, cuja desiganação engloba os três nomes: Mosel-Saar-Ruwer.
De realçar que estes vinhos apresentam uma designação de qualidade que está acima da média na Alemanha: Quälitatswein Mit Prädikat (QmP), que é normalmente atribuída a vinhos de menor produção e, principalmente, de uvas adequadamente maduras. Os vinhos QmP têm atributos especiais e não têm adição de açúcar. Distribuem-se por seis categorias, das quais a Spätlese é a segunda na escala de doçura, acima da Kabinett, dos vinhos mais leves e secos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Fritz Haag 2002 - Spätlese (B)
Região: Mosel-Saar-Ruwer (Alemanha)
Produtor: Weingut Fritz Haag - Brauneberg
Grau alcoólico: 8%
Castas: Riesling
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Caspari Kappel 2002 - Spätlese (B)
Região: Mosel-Saar-Ruwer (Alemanha)
Produtor: Caspari-Kappel
Grau alcoólico: 8%
Castas: Riesling
Nota (0 a 10): 7,5



PS: Pensando um pouco melhor, chegámos à conclusão que 6,5 não faz jus à qualidade do vinho, que embora não nos tenha encantado é bem melhor que isso. Por isso já rectificámos.

Brancos de Verão fora de tempo

Não sei se já disse, mas sou assinante da Revista de Vinhos há 4 anos, pelo que vou estando a par das notícias importantes, das novidades, dos painéis de prova, das visitas aos produtores, das sugestões de restaurantes, etc. Mas a revista de Agosto não chegou. Deveria estar na caixa do correio quando voltei de férias no final de Agosto, mas nada. Passaram duas semanas, e nada. Até que telefonei a saber o que se passava, e lá me enviaram (ou reenviaram) a revista. Mas isso são contratempos que às vezes acontecem.
O maior contratempo, contudo, é o painel de prova deste número. Brancos de Verão a menos de 4 €, tal como no número de Junho tinham feito um painel de verdes e em Julho um painel Alvarinhos e outro de tintos a menos de 4 €. Até aqui tudo bem, mas brancos no número de Agosto, que sai no final do mês? Não teria sido mais acertado fazer esta prova precisamente em Junho ou Julho, ou seja, ANTES dos consumidores beberem os vinhos no verão? De que serve fazer um painel de prova “para o Verão que vem aí” quando o Verão já se está a ir embora?
No meio de tudo, a grande surpresa é que no dito painel não figurem vinhos como o BSE ou os brancos de Bucelas, que os há bons a menos de 4 €. Seria esquecimento, não os encontraram a menos de 4 € ou acham que eles não merecem figurar no painel? Nós temos aqui preços desses vinhos a menos de 4 €, é só consultar as nossas escolhas.
Francamente...

Kroniketas, enófilo esclarecido

domingo, 16 de setembro de 2007

Vinhos sem data de colheita. E com prazo de validade?

Decorre no blog Vinho a copo uma interessante discussão por causa duma opinião ali expendida pelos seus autores acerca dos vinhos sem indicação da data de colheita. Deixem-me meter a colherada, mas prefiro fazê-lo aqui do que na caixa de comentários, pois há mais espaço para escrever... e para ler.

À partida não concordo muito com o princípio da data de validade pelas razões já amplamente expostas, pois vinhos como um Dado ou um Duas Quintas Celebração (só para falar de dois que estão agora no mercado) à partida dão-nos garantias de qualidade e de uma boa evolução em garrafa. Por quanto tempo, isso já é muito mais incerto, pois as surpresas tanto podem surgir pela positiva como pela negativa.

Mas quando se abre uma garrafa de vinho com 20 anos, este tanto pode estar feito vinagre como estar uma pomada fabulosa, coisa que só depois de abrir é que se sabe. E isso, meus amigos, não há data de validade que resolva. Além de que há quem goste de vinhos novos e de vinhos velhos. Ainda há uns meses bebi um Dão Meia Encosta de 73, no Curral dos Caprinos, que estava fantástico, mas só eu é que gostei dele. E se tivesse prazo de validade ultrapassado, será que alguém o ia beber?

O problema, quanto a mim, reside a montante, na ausência de data de colheita nos rótulos, por imposição legal. Se repararem no rótulo do Dado, é referido expressamente que a lei não permite, nos vinhos de mesa (i. e., sem denominação de origem) a menção às castas utilizadas nem ao ano de colheita, o que acho uma completa estupidez. Assim, toda a gente que acha que o Dado é um vinho excepcional não tem qualquer informação no rótulo sobre as suas características. Faria sentido ter prazo de validade? E o Duas Quintas Celebração, porque não seguiu lá as normas todas para ser DOC ou Regional, deveria ter prazo de validade? Quanto a mim, não. Então e o Mateus? Será que deveria, apenas porque é um vinho de grande consumo e custa 10 vezes menos que o outro? Não pode ser esse o critério. Quando muito, poderia fazer sentido nesses embalados em bag-in-box, ou em pacotes de cartão, ou em garrafão. Mas se todos tivessem uma data de colheita ou, em sua substituição, a data em que foi produzido ou engarrafado, as coisas tornavam-se bem mais simples. Assim como está, ninguém pode rejeitar um Mateus pela idade que tem, ao contrário dos datados. O busílis reside todo aqui.

Data de colheita, de produção ou de engarrafamento, sim. Prazo de validade, não, excepto, talvez, nos exemplos apontados acima.

Quanto ao facto de a Revista de Vinhos classificar ou não estes vinhos, lá está: não teríamos uma classificação do Dado nem do Mateus. Alguém ficaria a ganhar com isso?

Parece-me uma boa discussão para continuar no próximo encontro de Eno-blogs, não acham?

sábado, 15 de setembro de 2007

No meu copo 134 - Bucellas Caves Velhas 2005


Os brancos e rosés de férias

Nos brancos bebidos nas férias, outro destaque vai para o Bucellas Caves Velhas, outro dos meus preferidos. Aliás, já o disse aqui, os brancos de Bucelas são os meus preferidos do mercado nacional.

Com as características típicas dos brancos de Bucellas, acidez bem marcada pela predominância do Arinto, aroma frutado intenso com um ligeiro toque floral, num todo muito fresco e agradável. É outro que nunca engana, por um preço excelente.

E segundo a Revista de Vinhos, a colheita de 2006 é uma das melhores dos últimos 20 anos. Estou só à espera das feiras de vinhos para ir buscá-lo.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Bucellas Caves Velhas 2005 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Caves Velhas
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto (75%), Esgana Cão, Rabo de Ovelha
Preço em feira de vinhos: 3,25 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 11 de setembro de 2007

No meu copo, na minha mesa 133 - João Pires 2005; A Grelha (Armação de Pêra)

O jantar de férias da cambada



Uma rara coincidência de presenças no barlavento algarvio permitiu juntar à mesa uma delegação familiar do Grupo Gastrónomo-Etilista “Os Comensais Dionisíacos”, com a presença das respectivas (sim, porque tem de se deixá-las participar de vez em quando, para que elas percebam que quando dizemos que vamos jantar uns com os outros, vamos mesmo jantar uns com os outros...). De Alvor veio o Politikos, de Portimão o Kroniketas, da Senhora da Rocha o Mancha e de Armação de Pêra o Pirata e o Caçador. O bandalho do tuguinho, como não vai a lado nenhum, ficou algures entre a capital e a montanha.
Por questões de logística e transporte, o local escolhido foi Armação de Pêra e o restaurante A Grelha, numa rua perpendicular à que passa junto à praia, e onde já abanquei por mais de uma vez. Toda a gente foi para os pratos mais típicos, como o arroz de lingueirão, o bife de atum, cherne grelhado e, no meu caso, uma cataplana de amêijoas com carne de porco a meias com o Politikos. Por sinal estava óptima, em tomatada bem regada de molho apurado. O arroz de lingueirão não encantou, porque embora o arroz estivesse bom o dito lingueirão parecia borracha, enquanto o bife de atum apresentou algumas reservas acerca da genuinidade do animal.
Pelo meio ainda apareceram uns músicos a entreter o pessoal que no fim vieram com um chapéu pedir umas moedas, o que me deu vontade de lhes dizer que daria duas moedas se eles se calassem...
Excelente estava, como sempre, o João Pires de 2005, escolha unânime e que muito bem acompanhou a refeição. Entre todos, marcharam 4 garrafitas bem fresquinhas, mantidas à temperatura adequada dentro do inevitável frappé. Cada vez gosto mais deste vinho, que para mim é uma referência incontornável e está no topo das minhas preferências. Foi o branco de eleição nestas férias e é presença obrigatória nas nossas escolhas.
Ainda se comeram umas sobremesas que não tiveram relevância especial e quase passaram despercebidas no meio da conversa (sim, porque às vezes os sentidos estão mais virados para as pessoas que temos à mesa do que para o que está no prato ou no copo). No final, passeou-se longamente pela marginal e ainda se parou numa esplanada à beira-mar até quase às 2 da manhã. E assim se acabou uma agradável noite algarvia de Agosto...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: A Grelha
8365 Armação de Pêra
Telef: 282.312.245
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 3,5

Vinho: João Pires 2005 (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 11%
Castas: Moscatel
Preço em feira de vinhos: 4,89 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Quinta da Ervamoira, Take 2




Os leitores habituais certamente se recordam do escrito do Kroniketas, nos idos de Abril do ano passado, sobre a Quinta da Ervamoira. Não vou repetir a sua prelecção, agora que esta outra metade das Krónikas Vínicolas visitou também a dita quinta, mas vou deixar aqui as minhas impressões e algumas curiosidades sortidas.
Teve o escriba sorte e azar nesta visita. Sorte porque chovera no dia anterior (ali na quinta, 1mm) e assim as temperaturas de Agosto daquela zona apareceram amenizadas, não mais de 30º. Azar porque devido a essa mesma chuva a vindima, que devia ter sido iniciada no dia da visita, foi adiada quatro dias. Portanto não suámos mas não vindimámos também.
Convém dizer que o acesso à quinta se faz por uma estradinha de terra batida com cerca de oito quilómetros e que, portanto, é mesmo melhor ir no jipe da propriedade, que até já está incluído no preço da visita. O trajecto até inclui o atravessamento da Ribeira de Piscos, que por ali serpenteia.
Tal como o Kroniketas, a nossa visita iniciou-se pelo espaço museológico, espalhado por várias salas da casa da quinta, que conjuga a informação sobre o vinho e a sua produção com os artefactos arqueológicos da villa romana que foi descoberta na propriedade. O último espaço dentro de portas é a loja, na qual podemos ver as garrafas dos vinhos de mesa e do Porto que podemos adquirir, por preços bem simpáticos. Integrando desde 1990 o grupo francês Roederer, também este champanhe pode ser adquirido na loja. Os vinhos, esses não estão ali, e sim numa garrafeira integrada na casa da quinta, com temperatura controlada de 18º. Um cuidado que se salienta.
A visita terminou longamente, visto que incluíramos almoço na dita cuja. Havia-se escolhido um menu simples, com entrada de melão e presunto, um arroz de pato como prato principal, e um gelado de amêndoa caseiro a finalizar. Bebeu-se o Duas Quintas Celebração e à sobremesa o Quinta da Ervamoira Tawny 10 Anos.
Não pretendo fazer nesta peça uma prova destes vinhos (mas fiquem descansados que os escribas deste retiro têm em stock tanto um como outro, para se fazer uma prova bem fundamentada), mas digo-vos que o Celebração, que pretende estar entre o Duas Quintas “normal” e o Reserva, se mostrou pujante, de cor aberta e com taninos domados mas bem presentes, a mostrar que tem estaleca para se aguentar por uns tempos; e que o Tawny, que já conhecia, se mostrou complexamente aromático e ligeiramente seco, e foi servido à temperatura certa. Ficam prometidas as provas.
Uma palavra para o local onde são servidas as refeições, uma espécie de alpendre por onde entra o silêncio mas não o calor, e que dá uma dimensão especial à refeição ali tomada. Depois do almoço terminado foi possível ficar por ali a morangar e também calcorrear as vinhas e apanhar uns quantos cachos bem madurinhos.
Acabo com duas curiosidades.
Este Duas Quintas Celebração pretende comemorar um não-acontecimento: a não construção da barragem no Côa, que deixaria a quinta mais apta para a aquicultura do que para o vinho, sendo portanto um vinho especial e não uma marca nova para integrar o portfólio da Ramos Pinto.
Finalmente (Kroniketas, deixaste passar esta), uma palavra para o nome da quinta. Não foi por quererem que o nome original de Quinta de Santa Maria foi alterado para Quinta da Ervamoira – foi porque já existia uma quinta com o mesmo nome registada anteriormente. E porquê Ervamoira? O nome vem dum romance de uma senhora francesa, Suzanne Chantal, cuja acção se passava no Douro e cujo nome era… “Ervamoïra”! Só foi tirar a trema do “i” e ficou-se com o nome…
Pode ser que um dia destes se volte lá, o bando completo. Eu não me importo nada…


tuguinho, enófilo esforçado

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Krónikas a banhos

As Krónikas Tugas e as Krónikas Vinícolas vão de férias e durante o mês de Agosto a actividade será reduzida. O Kroniketas vai para o Algarve, como habitualmente, e o tuguinho, como sempre, não vai a lado nenhum!
Haverá alguns bitaites se e quando a disposição e a tecnologia Wi-Fi o permitirem. Provas de vinhos, certamente, haverá muitas, posts é que haverá poucos, que em tempo de férias há coisas mais importantes para fazer que escrever num blog, quanto mais em dois... E sempre podemos estar umas semanas sem ouvir as desgraças que povoam os noticiários.

Idálio Saroto, provedor do blog

segunda-feira, 30 de julho de 2007

No meu copo 132 - Cabriz Rosé 2006

Neste tempo de calor calha sempre bem aproveitar a versatilidade de um vinho rosé para refrescar o corpo e a alma. Os rosés estão na moda e cada vez há mais marcas no mercado e mais empresas de norte a sul do país a produzir vinho rosé, mesmo aquelas com décadas de história e que até há 2 ou 3 anos só faziam brancos e tintos.
Um dia destes fui à procura de um rosé para acompanhar um lanche ajantarado na casa de um amigo. Actualmente já começa a haver a dificuldade da escolha, dada a proliferação de vinhos rosé nas prateleiras, pelo que resolvi apostar num daqueles produtores que são sempre apostas seguras, e fui para a Quinta de Cabriz.
Agora com o nome vinhos reduzido apenas para Cabriz por questões de marketing (desde que a Dão Sul ficou com a gestão da Casa de Santar, esta passou a ser a grande aposta da empresa em termos de vinhos de quinta), os vinhos da Quinta de Cabriz têm-se tornado uma referência importante na região do Dão, com uma qualidade média bastante aceitável e sem grandes oscilações, pelo que dão sempre alguma garantia de não defraudar o consumidor. E foi o que aconteceu com este rosé, uma aposta recente da casa. É um daqueles rosés como eu gosto, com um perfil leve e suave, sem o excesso de álcool que também já começava a ameaçar estes vinhos, com aroma predominante a frutos vermelhos e algum floral, ligeiramente seco e com um final de grande frescura na boca e com alguma persistência.
Sem dúvida que vou voltar a apostar nele. É uma bela companhia para estes dias quentes, quer à refeição quer como aperitivo ou apenas para entreter na esplanada.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cabriz 2006 (R)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivnícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 12%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro
Preço em hipermercado: 3,90 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 24 de julho de 2007

No meu copo 131 - Vale de Ancho Reserva 2004

Tudo tem a sua época: há a época da caça, a época do futebol, a época das comezainas… E foi mesmo com o intuito de encerrar a época (isto apesar de no defeso se realizarem sempre uns repastos particulares e de preparação) que voltámos ao local do crime, salvo seja. Sim, adivinharam, voltámos à Petisqueira do Gould! Aliás, já perguntámos ao proprietário se não tinha nenhum sistema de passe ou de refeições pré-compradas. E a Petisqueira porquê? Porque só o núcleo duríssimo dos Comensais Dionisíacos conhecia o amesendamento e os outros membros já andavam aguados... Juntou-se assim a cambada, 5 bandalhos (pois, não reunimos o pleno...) à mesa de jantar numa sexta-feira de um Verão mesquinho, dispostos a passar um bom bocado (embora alguns preferissem o pastel de nata...). Já aqui avaliámos o restaurante, pelo que apenas vou referir o que foi deglutido pelos mastigadores impiedosos: um par optou pelo tornedó à portuguesa, suculento e no ponto, acolitado por batata às rodelas finas e por grelos salteados, outro por uma alheira de caça e um outro par optou pelo peixe, no caso filetes de peixe galo com arroz mariscado e pregado frito com açorda de ovas. Para beber pedimos um Vale de Ancho Reserva, que já nos andava debaixo de olho, além de já nos ter sido recomendado por outros apreciadores.
De uma cor granada, sem ser retinto, o vinho mostrou um excelente corpo e taninos suaves e sem arestas, completamente pronto a beber. Na boca revelou sabor a ameixa muito suave e, quando agitado e provado a seguir, apresentou couro, com um ligeiro fumado por trás (devo dizer que não mastigámos o couro, pois era rijo como tudo...). O aroma, não sendo exuberante, tinha lá tudo o que um vinho moderno e bem feito consegue tirar das duas castas de que este Vale de Ancho também foi feito. Ainda se bebeu também um Convento da Tomina, mas isso são outras histórias, e sobre esse já aqui falámos há quase um ano.
Em suma, belo vinho, prontíssimo a beber, forte sem ser agressivo, de bons aromas e melhores sabores. O único senão é o preço, mas aqui aplicam-se as regras do mercado: quando a produção é limitada, se o produto é bom o preço é alto. Mas, correndo o risco de nos repetirmos, um dia não são dias, a vida é curta e assim por diante, portanto, que se lixe!
À vossa!

tuguinho, enófilo esforçado e porta-voz fiel do grupelho

Vinho: Vale de Ancho Reserva 2004 (T)
Região: Alentejo (Montemor-o-Novo)
Produtor: Soc. Agrícola Gabriel Francisco Dias & Irmãs
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 68 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 19 de julho de 2007

No meu copo 130 - Porto Vintage Quinta do Castelinho 99; Porto Burmester LBV 2001; Quinta da Pacheca LBV 2002


Estes três Portos foram apreciados em outras tantas ocasiões diferentes pelos Comensais Dionisíacos, no fim dos repastos e mesmo acompanhando os doces para alguns dos mastigantes. As peças foram fornecidas pelo Politikos, já membro de facto do referido grupo de bandalhos.
Mostraram carácter diferenciado, embora dentro dos parâmetros de um Vintage e de Late Bottled Vintage, respectivamente.
O Quinta do Castelinho mostrou-se contido de aroma, de travo seco um pouco invulgar neste tipo de Porto. Sendo um vinho de nível aceitável, com boa cor e corpo mediano, o escriba prefere-os mais encorpados e a rescenderem a frutos vermelhos muito maduros, o que não seria invulgar num Vintage com esta (pouca) idade.
O LBV da Burmester mostrou-se mais “mainstream” em relação ao seu tipo, fácil de beber mas sem grande corpo para um vinho deste tipo. Cor profunda sem ser retinta, aroma agradável mas um pouco linear.
O Quinta da Pacheca esteve um pouco acima do anterior, com boa cor e aroma um pouco mais rico, e corpo bastante para se ter aguentado bem no fim de um repasto farto e com várias sobremesas.
O meu defeito é que depois de ter bebido Vintage e LBV’s que nos inundam as narinas de aromas e deixam o copo vermelho, quaisquer outros sabem a pouco… Portos da Ramos Pinto e da Fonseca Guimaraens, voltem que estão perdoados!

tuguinho, enófilo esforçado

Região: Douro/Porto

Vinho: Porto Vintage Quinta do Castelinho 99 (T)
Produtor: Quinta do Castelinho
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: cerca de 25 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Porto Burmester LBV 2001 (T)
Produtor: Casa Burmester
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: cerca de 15 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Porto Quinta da Pacheca LBV 2002 (T)
Produtor: Quinta da Pacheca
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinto Cão
Preço em hipermercado: cerca de 15 €
Nota (0 a 10): 7,5

In memoriam...

Quando vemos partir alguém próximo de nós, também nós partimos um bocadinho...

Kroniketas

domingo, 15 de julho de 2007

Hoje estamos de luto


Um amigo perdeu a última batalha. Aqui nos curvamos respeitosamente perante a sua memória. Em sua homenagem fazemos três dias de silêncio.
Descansa em paz, Quim.

Kroniketas

sábado, 14 de julho de 2007

Na minha cozinha 129 - Gelado de chocolate

Para este tempo de Verão nada como um bom gelado para satisfazer os mais gulosos. Nós aqui, como aficionados do chocolate, propomos uma receita caseira, muito fácil de fazer e que dá um resultado magnífico.

Ingredientes:
- 1 litro de leite
- 6 gemas
- 250 g de açúcar
- 75 g de chocolate em pó


Coloque o leite a ferver moderadamente até estar reduzido a 7,5 dl. Este processo demora algum tempo e é necessário ir medindo de vez em quando. O objectivo é reduzir substancialmente a quantidade de água presente no leite. O resto do processo é bem mais simples.
À parte bata as gemas com o açúcar. Junte o leite e leve ao lume até engrossar. Retire do lume e ainda quente junte o chocolate em pó.
Deixe arrefecer um pouco e leve ao congelador, cobrindo com uma folha de alumínio para reduzir a formação de gelo à superfície. Quando começar a congelar, mas ainda meio líquido, pode bater o preparado para desfazer os cristais de gelo que começam a formar-se e deixe acabar de congelar até ao dia seguinte.
Para servir retire o gelado do congelador um pouco antes para o deixar amolecer ligeiramente. Se ainda estiver muito rijo corte umas fatias de gelado com uma faca... e delicie-se com esta maravilha.

Kroniketas, cozinheiro que não enfia o barrete

quinta-feira, 12 de julho de 2007

O “problema” da açorda de marisco


Vamos lá ver se nos entendemos. Parece que quando emitimos uma opinião com a qual os outros não concordam há tendência para nos atribuírem intenções que nós não tivemos.
Tem havido aqui uma troca de opiniões interessante com os caríssimos comparsas bloguistas do Copo de 3 e do Vinho da Casa, por causa do que escrevi no post anterior acerca de só se comer boa açorda de marisco na região de Lisboa, o que mereceu da parte deles a interpretação de exagero, bairrismo ou arrogância da nossa parte (neste caso minha, porque a opinião só me vincula a mim). Ora não é disso que se trata. Caro Paulo, do Vinho da Casa, nós não somos bairristas, eu pelo menos não sou: sou apenas um alentejano importado para a capital, portanto se fosse bairrista era com a minha região de origem. E como deves calcular conheço muito bem a geografia desta região. Belém não é Algés, Algés pertence a Oeiras, como Massamá pertence a Sintra. Quando me refiro a Lisboa, obviamente, não estou a restringir-me à cidade mas à zona da “Grande Lisboa”, tal como Vila Nova de Gaia, Maia ou Gondomar pertencem ao “Grande Porto”.
Como referi no último comentário que escrevi no post anterior, o que foi dito para a açorda de marisco (apenas porque, por acaso, era de açorda de marisco que estava a falar) podia perfeitamente aplicar-se a outros pratos regionais tão variados como arroz de sarrabulho (Minho), tripas à moda do Porto (Porto), leitão à Bairrada ou chanfana (Beira Litoral), sopa de pedra (Ribatejo), migas com entrecosto (Alentejo) ou amêijoas na cataplana (Algarve). Para que não houvesse dúvidas nem confusões socorri-me do livro “Cozinha Tradicional Portuguesa”, da Maria de Lurdes Modesto, onde até é referido especificamente o local de origem de alguns pratos. O arroz de sarrabulho é de Viana do Castelo, as tripas, obviamente, são do Porto, o leitão é da Bairrada com maior incidência na Mealhada, a sopa de pedra é de Almeirim. Assim como esse delicioso bolo alentejano que é a sericaia, que se vê um pouco por todo o lado, é de Elvas.
O que eu quero dizer, de forma mais abrangente, é que há pratos regionais que acho que só vale a pena comer na sua região de origem, simplesmente porque, daí para fora, não os sabem fazer. Claro que vocês podem não concordar e achar que isto é um perfeito disparate, mas a experiência que tenho tido com pratos regionais fora da sua região, até agora, só me leva a manter esta opinião. A não ser que encontrem restaurantes regionais (que os há, claro, e bons) onde os possam comer, não vale a pena. Diz-nos o João do Copo de 3, e bem, que no Galito, em Lisboa, se come uma excelente sopa de cação e migas com entrecosto. Aí está: é um restaurante alentejano, dos mais conceituados que existem pelos lados da capital. Os donos são alentejanos e trouxeram a cozinha da sua região, tal como aliás há outros de bom nível. Um deles, já o referimos aqui: o Alqueva, na Amadora. Outro é o António do Barrote, em Carnide. E há um a que nunca fui mas ao qual tenho visto boas referências, o Ganhão, na Venda Nova. Uma coisa é falar de restaurantes alentejanos, com comida feita por alentejanos; outra é ir a um restaurante qualquer, sem nada de tipicidade ou regionalismo, comer uma comida de uma região que não sabem confeccionar. Aliás, caro João, se entrares num restaurante qualquer em Lisboa e vires escrito na ementa “sopa alentejana”, sabes o que é? É a açorda que se faz no Alentejo. Eu não arriscaria comê-la num restaurante desses. A começar desde logo pelo pão, porque eles não têm o pão que se faz no Alentejo e que é usado nessa açorda.
Aliás, quando viajo pelo país normalmente tento provar os pratos regionais dos locais por onde vou passando. Se se derem ao trabalho de consultar alguns artigos que escrevi em Maio do ano passado, sob o título “Krónikas duma viagem ao Douro”, poderão confirmá-lo. Agora digam-me uma coisa: têm visto muitos restaurantes, pelo país fora, onde se coma sopa da pedra? É que se não for de algum ribatejano, duvido que a saibam fazer. E tripas à moda do Porto, haverá no Alentejo? E arroz de sarrabulho, será que o sabem fazer no Ribatejo? E a posta mirandesa que se come por aí, será que é como a que se come em Trás-os-Montes (a esta questão não posso responder porque nunca comi a genuína)? E os intermináveis locais onde se vende leitão “à moda” da Bairrada, será que o fazem como os da Mealhada? Até hoje não encontrei nenhum. Em Lisboa há uma pálida imitação, o leitão de Negrais, mas não passa disso mesmo: uma pálida imitação.
Diz-nos o Paulo, do Vinho da Casa, que certamente há muitos locais na costa portuguesa onde se come boa açorda de marisco, desde a Ericeira até à Barra em Aveiro. Pois se os encontrarem digam-me. Neste caso concreto, o que vos posso confirmar é que comi das piores açordas de marisco na nossa costa, em três locais bem distintos: São Pedro de Moel (há um post sobre isso), Zambujeira do Mar e Monte Gordo. Esta última, aliás, não a consegui comer, porque parecia cimento. Outra vez o problema do pão... Eles até diziam que tinham um pão especial para a açorda... Só que enganaram-se no tipo. Nesta questão das açordas e das migas, é preciso saber usar o pão certo. No Alentejo usa-se fatias grande de pão, de preferência duro, na açorda de marisco usa-se carcaças. E o mais importante na açorda de marisco é a consistência do pão e o tempero. E não se trata de despejar lá para dentro todo o tipo de marisco que se encontrar, outro erro muito comum: a comummente chamada “açorda de marisco” não é mais que “açorda de gambas”.
Mas se vocês querem saber o que é a verdadeira açorda de marisco, experimentem o Pap'Açorda ou o Jacinto quando estiverem em Lisboa.
Ah... e já agora: para além dos pastéis de Belém, a açorda de marisco também é um prato típico de Lisboa, assim como o bife à café, o bacalhau à Brás, as ervilhas com ovos escalfados e o arroz de grelos. Vocês sabiam que há locais onde põem café no bife à café? Porque será? Porque não o sabem fazer, porque pensam que o nome “café” tem alguma coisa que ver com a substância “café”, e não tem, tem que ver com os locais onde o bife surgiu, porque era servido nos cafés de Lisboa, derivando do Bife à Marrare. Quantos restaurantes haverá por este país fora onde saibam exactamente como se faz um bife à café?

Kroniketas, gatrónomo esforçado

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Na minha mesa 128 - Estrela do Bico (Massamá - Queluz)


Há vários anos que conheço este restaurante em Massamá, onde me desloco com alguma frequência para almoçar com um amigo quando ambos temos tempo. A sala não é muito grande mas é simpática, com um viveiro de marisco logo na entrada. Há uma garrafeira exposta e um balcão tipo-bar a partir do qual é gerido o serviço de mesas. O atendimento é rápido e simpático.
Na ementa existe uma escolha variada de peixes e carnes, mas o aspecto mais curioso é estar dividida em várias secções pelo tipo de comida, com alguns arranjos gráficos feitos a computador. No meio das escolhas, a nossa opção mais frequente vai para os bifinhos de vitela com diversos tipos de molho: pimenta, natas e cogumelos, mostarda, camarão. Já experimentei vários excepto o de camarão. Os bifinhos, em pequenas tiras do género de escalopes, vêm servidos num daqueles pratos compridos tipo-travessa, acompanhados com batata frita, arroz e salada. Normalmente ainda pedimos uma dose de esparregado para compor o ramalhete e enquanto esperamos vamo-nos entretendo com um queijinho fresco acompanhado com umas bolas de pão estaladiço.
Nalgumas ocasiões já optámos por um misto de maminha e picanha na pedra, cortadas em tirinhas, com os inevitáveis molhos a acompanhar, que não fica nada atrás de outros similares existentes em locais de renome e de preço mais elevado. Ocasionalmente, quando o tempo quente pede mais um vinho branco que um tinto, já provámos a açorda de marisco, que cumpre o que se espera deste prato e confirma que só na região de Lisboa é que se pode comer uma açorda de marisco decente, pois quando se sai daqui, por mais que tentem, não conseguem fazê-la comestível.
Para rematar a refeição, temos uma escolha imutável há muito tempo: um “brownie” de chocolate com gelado, coberto com chantilly e regado com chocolate quente. Custa quase 5 euros mas vale bem a pena.
A carta de vinhos não é extensa mas permite escolher entre os vinhos de gama média, por preços entre os 5 e os 10 euros, e alguns outros de qualidade superior já mais caros.
No fim de tudo consegue-se fazer a festa por 20 € e sair bem tratado. E com vontade de voltar, o que vamos fazendo. Basta sair do IC19 na saída para Massamá e na primeira rotunda, após entrar na localidade, virar na última saída para a Avenida Azedo Gneco e estacionar algures por ali junto à Igreja. O restaurante está logo à vista.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Estrela do Bico
Rua 4 - Lote 61 - Loja B - Massamá
2745 Queluz
Telef: 21.437.59.93
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4

sexta-feira, 6 de julho de 2007

No meu copo 127 - Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2005

Depois do branco Chardonnay, que não agradou, tentei o Sauvignon Blanc. Na verdade, agradou pouco mais. Volto à mesma questão já aqui levantada: a estes brancos portugueses de castas estrangeiras falta frescura, elegância, vivacidade, em suma, finesse.
Embora mais fresco que o Chardonnay, apresentou-se também um pouco rústico, com aromas pouco exuberantes. Tentei apreciá-lo com vários pratos em diferentes dias, mas o resultado foi o mesmo. Não me convenceu. Definitivamente, tenho que procurar outros brancos de castas nacionais.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2005 (B)
Região: Trás-os-Montes (regional)
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 4,85 €
Nota (0 a 10): 6,5

terça-feira, 3 de julho de 2007

No meu copo 126 - Porca de Murça Reserva branco 2005

Já conheço esta marca há muitos anos, praticamente desde que comecei a interessar-me por estas coisas e ainda não sabia quase nada. O Porca de Murça branco foi desde logo um dos meus preferidos. Com o passar dos anos fui conhecendo outras marcas e esquecendo este, mas mantive sempre a lembrança de ser um branco agradável.

Os Reserva nem existiam. Agora já existem. E este branco Reserva não me convenceu. Pouco apelativo, pouco aromático, um pouco rústico, que é coisa que eu não suporto num vinho branco. Falta-lhe elegância. Muito álcool mas pouco suportado pelo corpo e pela acidez. Parafraseando o nosso amigo Pingus Vinicus, quis falar com o vinho mas ele não me disse nada. E eu fiquei sem saber que mais lhe dizer.

Acho que na próxima ocasião vou tentar rever o branco normal, que era o tal de que eu gostava, para ver se ainda gosto. Se calhar, com menos pretensões, as memórias que guardei de há 15 ou 20 anos ainda lá estão.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Porca de Murça Reserva 2005 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Castas: Boal, Cerceal, Codega, Gouveio

Preço em feira de vinhos: 3,58 €
Nota (0 a 10): 5,5

domingo, 1 de julho de 2007

No meu copo 125 - Casa Ferreirinha Reserva 96, Quinta da Leda 2001, Callabriga 2000


Estes estavam à espera duma oportunidade. Desde há cerca três anos, quando descobrimos o Callabriga e o Quinta da Leda, começámos a apostar na gama de vinhos da Casa Ferreirinha, mais propriamente naqueles que se situam nos patamares do meio para cima (acima do Esteva e do Vinha Grande e abaixo do Barca Velha).
Para estas provas reservámos duas garrafas de cada e fizemo-las separadamente ao longo dos últimos meses, reunindo os “Comensais Dionisíacos”, já com o Politikos, a aquisição mais recente, na equipa titular.

Comecemos por cima, pelo filho bastardo do Barca Velha, ou aquele que não chegou a sê-lo mas que poderia lá ter chegado: o Reserva 96, que já se chamou Reserva Especial, mais tarde só Reserva, e agora apenas Colheita. Tudo no ponto certo: os decanters limpos e arejados (um para cada garrafa), os copos de pé alto e boca larga, em forma de tulipa, a temperatura de serviço, os sedimentos deixados no fundo da garrafa. Para que nada falhasse. Afinal, o momento era solene e era a estreia absoluta nos nossos copos. À espera, um cabritinho do Alto Alentejo assado no forno com todos os requisitos e acompanhado com um belíssimo arroz de miúdos confeccionado especialmente pela senhora-mãe do Mancha Negra.
Começou por mostrar uma cor rubi ligeiramente atijolada e aromas discretos a fruta madura. Macio na boca, final de duração média, corpo na mesma. A primeira garrafa ainda teve alguma evolução no decanter, pelo que a segunda foi decantada com maior antecedência. Surpreendentemente, esta revelou-se menos exuberante e, longe de ganhar com o tempo de abertura, pareceu esvair-se. Dos três, este é o vinho mais suave (até pela idade), mas quando se esperava que desse o salto para cima… pareceu morrer nos copos. Declínio ou necessidade de esperar mais tempo? Também há mais duas garrafas, teremos que deixá-las esperar mais um ano, dois, cinco ou dez?
No final, o sentimento foi unânime: esperava-se mais deste vinho, que acabou por ficar aquém das expectativas. Sem dúvida que eram altas, mas não correspondeu de todo. Será que houve ali... preconceito?

Segue-se na escala o Quinta da Leda 2001. Foi a grande descoberta de há uns 3 anos no Encontro com o Vinho e logo ali o achámos excepcional. O preço também o é, mas é daqueles vinhos que nos enchem as medidas até mais não poder. Ou era...
O processo seguido foi o mesmo: decantado previamente, com antecedência suficiente para libertar os aromas mais profundos. Copos e temperatura adequados e a outra metade do cabrito assado no forno acompanhado com batatinhas e grelos, desta vez confeccionado pela senhora-mãe do tuguinho. A primeira garrafa foi decantada com duas horas de antecedência em relação à hora de consumo e foi uma completa decepção. Logo no aroma se verificou alguma falha, com o bouquet muito discreto e a prova a confirmá-lo, com um corpo surpreendentemente delgado e um final curto.
Não lhe tendo feito bem a decantação, optámos por não decantar a segunda garrafa, abrindo imediatamente antes de beber, para ver como se comportava. Igual. Ainda pareceu apresentar inicialmente algum vigor, mas rapidamente se esvaiu. A grande complexidade que lhe conhecíamos não estava lá de todo. Foi a grande decepção desta tripla prova. Perante isto, só nos resta esperar para provar a colheita seguinte de que dispomos, a de 2004. Pode ser que tenha sido apenas azar com o ano. Senão, os quase 20 € gastos em cada garrafa foram mal empregues.

Finalmente, o Callabriga 2000, que é o produto que está acima do Vinha Grande, sendo apontado como a aposta da casa para a exportação. Abrimos as duas garrafas com os já célebres (entre nós) bifes de novilho de raça Angus com ervas de Provence, que o mestre cozinheiro Kroniketas tem vindo a apurar. Mais uma vez, seguindo o conselho do contra-rótulo, foram previamente decantados para libertar os aromas e para nos livrarmos dos sedimentos da garrafa. Como já aconteceu algumas vezes, quando o líquido estava a acabar estava o vinho a atingir o seu máximo esplendor.
Revelou uma boa concentração de cor, com um aroma profundo algo frutado. Redondo na boca mas com boa estrutura, taninos discretos e acidez suave, madeira muito disfarçada, tudo muito equilibrado. Fim de boca suave mas prolongado. Com o passar da refeição foram-se libertando os aromas terciários, alguma especiaria a vir lá do fundo tornando o final mais persistente, mostrando que temos ali um vinho para altos voos e capaz de estar algumas horas a fazer-nos companhia. Foi pena ter acabado no melhor da festa, mas para a próxima decantamo-lo mais cedo (sim, porque ainda há umas garrafitas de reserva). Pena é que tenham mudado o formato da garrafa nas últimas colheitas (tal como ao Quinta da Leda, aliás), pois esta borgonhesa era a imagem de marca da casa e ficava-lhe muito bem.

Em suma, desta trilogia de Ferreirinhas, o balanço que se pode fazer é que as altas expectativas saíram globalmente defraudadas, sendo que foi o vinho no patamar mais baixo que melhor se comportou. Não encontramos explicação para o sucedido com o Reserva e o Quinta da Leda, pois ambos estavam em perfeitas condições de consumo, mas não apresentaram nem a estrutura, nem a persistência, nem a complexidade aromática que esperávamos de vinhos desta gama. Se as garrafas de que ainda dispomos confirmarem estas impressões, terão de ser apostas a esquecer... Infelizmente. Não estávamos habituados a estas decepções nos vinhos da Sogrape...

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape

Vinho: Reserva Ferreirinha 96 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em hipermercado: 39,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta da Leda 2001 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 17,86 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Callabriga 2000 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 13,75 €
Nota (0 a 10): 9

quarta-feira, 27 de junho de 2007

No meu copo, na minha mesa 124 - Montevalle Reserva 02, Casa de Santar 03, Murganheira Branco Seco 06; Petisqueira do Gould (Paço d'Arcos)




Continuando nos arredores da capital, aproveitámos uma folga para dar um saltinho a Paço d’Arcos. Indo pela Avenida Marginal em direcção a Cascais, sai-se na primeira saída para Paço d’Arcos, desembocando-se logo na Rua Costa Pinto, onde o nº 47 aloja o restaurante Os Arcos e alguns metros à frente, no nº 93, se encontra a Petisqueira do Gould. Na mesma zona, quase em frente, há a Casa Gallega e ainda um restaurante italiano e, num patamar mais abaixo, a Marítima e um restaurante asiático. Há muito por onde escolher.
Depois de espreitarmos à montra d’Os Arcos e da Petisqueira do Gould, ali a 100 metros um do outro, optámos por este último, ficando Os Arcos para próxima oportunidade. Franqueada a porta, encontrámos um espaço reduzido, quase intimista (a sala dispõe apenas de 30 lugares), onde somos conduzidos à mesa pelo anfitrião, o Sr. Amando Carvalho, dono daquele espaço.
Como entretém-de-boca apareceram na mesa umas tirinhas de presunto, pão de alho torrado e um creme à base de sapateira servido na própria concha.
Quando passamos à escolha dos pratos, a oferta, não sendo excessivamente extensa, é bastante variada, o que dificulta a escolha. Nos pratos do dia há arroz de garoupa com gambas, costeletinhas de borrego e posta mirandesa, entre outros. Como somos mais carnívoros, olhámos mais para o lado das carnes e chamou-nos a atenção a alheira de caça, o entrecôte grelhado e o tornedó, e ficámos ali a matutar no que escolher. Perante a nossa indecisão, o dono aproxima-se e sugere-nos a posta mirandesa, de carne certificada. Para fazer parelha acabámos por escolher o tornedó à portuguesa, frito em azeite e alho.
Os pratos foram apresentados num carrinho de servir e pedimos para dividir as doses em partes iguais, de modo partilhar os dois pratos. O dono acabou por servir-nos primeiro a posta mirandesa e guardou o tornedó na estufa. Obviamente, ambos mal passados.
A posta estava muito tenra, salpicada por um tempero original, em que se notaram algumas notas de canela e de ervas não identificadas pelos mastigantes.
Quanto ao tornedó, extremamente suculento e tenro, de carne de Lafões, sobressaiu precisamente pela simplicidade da confecção, que permitiu que a qualidade da carne se exibisse sem peias.
E quanto ao vinho? A decisão tinha sido esta: almoçar num restaurante desconhecido e beber um vinho desconhecido. A carta era extensa, principalmente no Douro e ainda mais no Alentejo. Estávamos de olho num Gouvyas quando o dono nos sugeriu um Montevalle Reserva 2002, da empresa Bago de Touriga, de Luís Soares Duarte e João Roseira. Trata-se de um vinho feito com uvas de vinhas velhas cultivadas em Soutelo, no Cima Corgo, e São João de Lobrigos, no Baixo Corgo. Fermentado 100% em lagar e engarrafado após 24 meses de estágio em barricas usadas, é um vinho de produção limitada, que não é habitual ver no circuito comercial. Em conversa connosco ao longo da refeição, o dono disse-nos que tinha encomendado 80 caixas mas que só lhe vão chegando a pouco e pouco.
O vinho foi servido inicialmente num copo de prova, sendo o resto decantado sem que fosse necessário pedi-lo. Pedimos, sim, um frappé porque o vinho se apresentou com a temperatura um pouco elevada. Após uns 10 minutos com o decanter dentro do balde com gelo, o vinho ficou à temperatura adequada, podendo então ser devidamente apreciado, para o que foram devidamente apresentados copos em forma de tulipa.
Fugindo um pouco ao habitual, este vinho não contém a quase omnipresente Touriga Nacional, ficando-se pelas habituais Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Apresenta uma cor com tonalidades violáceas, aroma frutado e a denotar alguma juventude. Na boca é medianamente encorpado e equilibrado, com uma acidez moderada e grau alcoólico não excessivo. Apesar dos 24 meses de estágio, a madeira não se sobrepõe no conjunto, deixando um fim de boca suave e fresco com um toque apimentado.
Como a garrafa se esgotou, ainda tivemos que recorrer a meia garrafa do que houvesse disponível, e a escolha recaiu num Casa de Santar 2003, que se mostrou bem à altura do desafio. Há cerca de um ano tínhamos provado uma garrafa desta colheita, e devemos dizer que esta meia garrafa nos surpreendeu favoravelmente. Muito equilibrado, muito macio mas suficientemente encorpado e persistente para não ficar perdido nas sobras do vinho anterior. Merece uma revisão da nota apresentada anteriormente.
Pelo meio, foram chegando mais uns reforços de pão torrado, batatas fritas às rodelas muito finas e os copos sempre preenchidos graças à extrema atenção do anfitrião, com quem fomos trocando algumas impressões acerca de outros vinhos, da origem das carnes e de outras sugestões que nos foi apresentando. Para finalizar, pedimos um delicioso e muito macio bolo de chocolate com gelado de nata, que rematou o repasto da melhor forma.
A grande surpresa aconteceu apenas três dias depois. Há coisas que não se preparam antecipadamente, simplesmente acontecem porque calha. Encontrámo-nos nesse fim-de-semana a propósito dum evento cultural ali para os lados de São Domingos de Rana e, já cerca das 21 horas, com os estômagos meio vazios depois de termos enganado a fome com uns croquetes e rissóis, resolvemos ir petiscar qualquer coisa para fechar a noite. Tinha-se pensado num belo bife, mas dado o adiantado da hora achámos melhor ficar por uma coisa mais leve, pensando-se então no peixe. Como já dissemos, não somos grandes piscícolas, pelo que não é fácil escolher o que comer. A hipótese de ir para o peixe grelhado, sugerida pelo tuguinho, foi desde logo liminarmente rejeitada. Queria-se peixe, sim, mas qualquer coisa que soubesse bem. Estando ali pela zona, acabámos por voltar ao local do crime, e fomos outra vez parar a Paço d’Arcos. Toca a fazer a mesma volta do outro dia, e na montra d’Os Arcos os preços do peixe eram algo assustadores. Com alguma renitência do tuguinho, fomos outra vez bater à porta da Petisqueira!
Fomos outra vez magnificamente atendidos, voltando a trocar alguns dedos de conversa com o Sr. Amando Carvalho, aproveitando o facto de termos ficado noutro ponto da sala onde pontificam alguns recortes de jornais para nos inteirarmos da origem daquele espaço. Ficámos a saber que a Petisqueira surgiu depois da ourivesaria que a antecedeu ter sido assaltada e os proprietários despojados dos seus pertences. Para refazerem o negócio montaram um restaurante com um desenho interior que mereceu um prémio da Câmara Municipal de Oeiras.
Quase com as 10 horas da noite a bater, olhámos então, desta vez, para os peixes, e optámos pelos filetes de peixe-galo com arroz mariscado. Estavam soberbos, muito saborosos, assim como o arroz, malandrinho como convém. Desta vez rejeitámos as entradas e ficámos suficientemente preenchidos sem exagerar, que era o que se pretendia.
Para terminar, repetimos a sobremesa. Não havia opção que nos agradasse mais.
Quanto ao vinho, voltámos a seguir a sugestão do Sr. Amando e escolhemos o Murganheira Branco Seco. Confirmou tudo o que se esperava: um vinho de grande elegância, com grande frescura na boca devido a uma acidez correcta e um grau alcoólico adequado (12%), que aumenta o prazer de beber sem nos pesar nem se tornar enjoativo, como muitos brancos fermentados em madeira e cheios de álcool que temos encontrado ultimamente. Este, sim, é mais ao nosso gosto. Frutado quanto baste, com alguma predominância floral que é proporcionada pela Malvasia Fina, uma casta que temos encontrado em brancos muito elegantes.
Quanto ao preço, tratando-se de duas refeições muito diferentes, o dispêndio também acabou por sê-lo. Na primeira pagámos 45 € por cada refeição, com uma garrafa de vinho a 26 € e ainda mais meia, enquanto na segunda, sem entradas, com apenas uma garrafa de vinho a 10 € e sem cafés, ficámo-nos por uns singelos 20 € por cabeça. Donde se conclui facilmente que é precisamente nas entradas e nos vinhos, mais que nos pratos, que se estabelece a diferença de preços. Mas não custa pagar o que pagámos da primeira vez quando se sai dum restaurante com o nível de satisfação que este nos proporcionou.
Perante este serviço de pratos e de vinhos irrepreensível, a qualidade da confecção e a atenção, afabilidade e simpatia do dono, só podemos considerar este restaurante como excelente. No final de duas visitas, prometemos voltar, não com três dias de intervalo, mas este local tornou-se visita obrigatória para nós. Não é preciso grandes poses para se atingir a excelência - apenas simpatia, competência e qualidade.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Restaurante: A Petisqueira do Gould
Rua Costa Pinto, 93
2770-213 Paço de Arcos
Telef: 21.443.33.76
Preço médio por refeição: 35 €
Nota (0 a 5): 5

Vinho: Montevalle Reserva 2002 (T)
Região: Douro
Produtor: Bago de Touriga Vinhos Lda.
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço no restaurante: 26 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Casa de Santar 2003 (T) (garrafa de 375 ml)
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Murganheira Branco Seco 2006 (B)
Região: Távora-Varosa
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa
Grau alcoólico: 12%
Castas: Malvasia Fina, Cerceal, Gouveio Real
Preço no restaurante: 10 €
Nota (0 a 10): 8

Coisas

O respeito pelos pais é muito bonito! Por isso aqui evocamos uma efeméride que se comemora aqui no blog ao lado, o nosso papá Kronikas Tugas. Dizem que já publicaram mil posts! Não sei se será de acreditar, mas podem ler o que foi escrito aqui.

tuguinho e Kroniketas, enófilos bem comportados

domingo, 24 de junho de 2007

No meu copo, na minha mesa 123 - Muxagat 2003; O Nobre (Montijo)



Uma ida à “outra margem” para ver um espectáculo musical levou as Krónikas Vinícolas a passar junto a este famoso restaurante, que visitámos há 8 anos ainda na Ajuda, em Lisboa. Desde logo ficou a vontade de redescobrir este espaço com tradição na gastronomia, junto à Praça de Toiros do Montijo. E uma bela noite lá fomos pela ponte Vasco da Gama a caminho do novo Nobre.
O novo espaço é amplo e arejado, com um grande parque de estacionamento logo à chegada e entrada para uma sala enorme. As mesas estão dispostas de modo a haver um generoso espaço de circulação, e mesmo assim tem capacidade para uma boa centena de pessoas.
A recepção aos clientes é atenciosa e desde logo somos confrontados com algumas entradas na mesa, ao que se segue uma enorme ementa de entradas, especialidades, peixes, carnes, etc. O difícil é escolher.
Escolhemos um folhado de caça brava e uma costeleta de vitela à mirandesa. Mas antes experimentámos a já famosa sopa de santola, que veio dentro da concha da própria santola e se revelou bastante saborosa.
O folhado vinha acompanhado de alface com umas rodelinhas de maçã, para refrescar o folhado, embora qualquer acompanhamento mais sólido não fizesse mal nenhum. A costeleta trouxe um acompanhamento mais habitual, batatas fritas e brócolos cozidos, regada com azeite. Ambos estavam bastante saborosos e, a meio do folhado, já começávamos a ficar atestados.
Para sobremesa ainda tivemos coragem para avançar para uma sopa dourada, que veio servida num prato enorme polvilhado à volta com açúcar em pó e canela. Uma delícia que já foi difícil derrotar, mas aguentámos estoicamente o desafio até ao fim.
Para os líquidos a oferta também era enorme. Surpreendentemente, para o nível do restaurante, os preços praticados não são obscenos, conseguindo-se escolher vinhos na casa dos 20 €, e foi precisamente um desses que escolhemos. Uma novidade: Muxagat 2003, produzido por Mateus Nicolau de Almeida, filho de João Nicolau de Almeida (enólogo e administrador da Ramos Pinto) e neto de Fernando Nicolau de Almeida, o criador do Barca Velha. Portanto, a 3ª geração também já voa sozinha e já tem o seu próprio vinho, que deve o seu nome ao local onde se situa a vinha, próximo da localidade de Muxagata, a poucos quilómetros de Vila Nova de Foz Côa. Bem no coração do Douro Superior, portanto, ali nas vizinhanças da Quinta da Ervamoira (já visitada por nós o ano passado), da Quinta da Leda, da Quinta do Vale Meão, berços de alguns dos melhores vinhos da região… e do país.
E que dizer deste Muxagat? Para começar, pouca informação no contra-rótulo, o que não nos permite saber quais são as castas utilizadas. Presumivelmente lá estarão a Touriga Nacional, a Tinta Roriz, a Tinta Barroca, a Touriga Franca ou o Tinto Cão. Fazendo fé na informação indicada neste post do Vinho da Casa, destas só a Tinta Barroca não está lá.
Na cor é bastante concentrado, a puxar para o retinto, no aroma apresenta sugestões de frutos vermelhos maduros. Na prova é bem encorpado, com um ligeiro toque apimentado, uma acidez correcta bem casada com a madeira, que não se sobrepõe a um conjunto equilibrado com final persistente. Para esse equilíbrio contribui também o grau alcoólico moderado, “apenas” 13%, o que é raro nos tempos que correm, principalmente no Douro, mas que talvez revele uma nova tendência para voltarmos a graus alcoólicos “normais”, o que seria bastante agradável. Em suma, um vinho simpático por um preço teoricamente acessível.
Resta acrescentar que esta era a única garrafa existente no restaurante e, segundo o chefe de sala, é um vinho pouco solicitado, que só é pedido por conhecedores. Imaginem... Esta calhou-nos bem.
Quanto ao restaurante, já íamos preparados para abrir os cordões à bolsa, recordando a despesa de há 8 anos. Logo o preço dos pratos ameaçava fazer subir a parada. Depois, o preço do vinho acabou por equilibrar a coisa. No final, duas refeições por 91 euros. Mas pela qualidade do serviço e da confecção, vale a pena ir lá. Não é todos os anos, mas de vez em quando sabe bem fazer uma pequena extravagância destas. Até porque nos ficou a luzir no olho uma perdiz à transmontana que estava na ementa...

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Restaurante: O Nobre
Avenida de Olivença
2870 Montijo
Telef: 21.231.75.11/96.982.52.78 - Fax: 21.231.75.14
E-mail: nobremontijo@sapo.pt
Preço médio por refeição: 45/50 €
Nota (0 a 5): 5

Vinho: Muxagat 2003 (T)
Região: Douro
Produtor: Muxagat Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Tinto Cão, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço no restaurante: 19,50 €
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 21 de junho de 2007

No meu copo 122 - Hexagon 2003

O fascínio por este vinho vem desde o 1º encontro de eno-blogs, realizado em Janeiro na York House. Na altura, para mim foi a grande surpresa da noite.
Um dia destes, numa visita à Makro deparámo-nos com este à venda, tendo sido adquirida uma singela garrafa para dividir por dois. E não perdemos muito tempo a bebê-la. Fizemo-lo a acompanhar umas costeletas de novilho grelhadas.
É curiosa a referência ao nome do vinho no contra-rótulo: os seis lados do hexágono relacionados com seis castas e seis gerações da família José Maria da Fonseca, onde agora predomina como enólogo Domingos Soares Franco. “Hexagon é a procura da excelência que tem marcado a minha geração e a minha família ao longo dos tempos”, diz Soares Franco. E com este vinho conseguiu-a.
Não decantámos o vinho, mas ele merecia. Fomo-lo degustando calmamente e ao longo de uma hora desenvolveu aromas fantásticos, apresentando um fim de boca que nunca mais acaba. Um vinho que nos enche a boca e que apetece ficar ali a saborear por tempo indeterminado. Taninos bem firmes mas redondos, madeira bem integrada num conjunto de grande complexidade de aromas e sabores. É o topo de gama da José Maria da Fonseca, e está lá muito bem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Hexagon 2003 (T)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah, Tinto Cão, Trincadeira, Tannat
Preço em hipermercado: 33,04 €
Nota (0 a 10): 9