No meu copo 159 - Champanhes e espumantes

Na quadra festiva que há pouco terminou, entre jantares de Natal, réveillon e alguns aniversários tivemos oportunidade de provar um conjunto alargado de vinhos que seria fastidioso descrever em detalhe. Assim vamos apresentar algumas notas curtas agrupando-os por tipo de vinho (daqueles que ainda nos lembramos...)
Começamos pelos champanhes e espumantes.
Veuve Clicquot Champagne Brut - Um clássico do champanhe francês que já se tornou tradicional nos meus jantares de Natal. Foi uma das primeiras notas de prova aqui colocadas, precisamente após o fim-de-ano de há dois anos. Apreciação aqui. Nota: 9
Pol Carson Champagne Brut Rosé - Numa variação ao habitual, resolvi experimentar este champanhe rosé e foi uma bela aposta. Bastante aromático, seco, suave, bolha fina e com grande elegância. Excelente acompanhante de quase todo o tipo de iguarias, mas em particular entradas, peixes e mariscos. Uma boa aposta por um preço, apesar de tudo, não muito exagerado para o produto que é. Nota: 8,5
Tapada do Chaves Bruto 2002 - Resolvi experimentar este por estar agora em Portalegre, por ter visitado a Tapada do Chaves e por ainda não ter experimentado um espumante do Alentejo. Foi uma belíssima revelação. Bastante frutado e aromático, ainda com algum toque floral, muito elegante e com bolha fina. Bela combinação do Arinto, a dar uma bela acidez ao conjunto, com o Fernão Pires. Entrou directamente para a lista dos recomendados, até porque tem um preço bastante aceitável. Nota: 8
Cabriz Bruto 2005 - Igualmente equilibrado, aromático e elegante, com muita frescura na boca. A Malvasia Fina a expressar-se muito bem em combinação com a Bical. Nota: 8
Real Senhor Velha Reserva 2001 - Mais um bom exemplo duma feliz combinação de castas, neste caso a Malvasia Fina e o Arinto, duas excelentes castas brancas. Pareceu-me contudo menos suave que os dois anteriores. Nota: 7,5
João Pires Bruto - Este foi o que menos me agradou de todos os provados. Pareceu-me pouco elegante, exactamente ao contrário dos outros. Talvez uma segunda apreciação possa rectificar esta primeira impressão. Nota: 7
Kroniketas, enófilo espumantizado
Vinho: Veuve Clicquot - Champagne Brut (B)
Preço em hipermercado : 32,89 €
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Pol Carson - Champagne Brut (R)
Região: Champagne (França)
Produtor: Sedi Champagne - Châlons en Champagne - França
Grau alcoólico: 12%
Preço em hipermercado: 19,49 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Tapada do Chaves 2002 - Espumante Bruto (B)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Tapada do Chaves, Sociedade Agrícola e Comercial
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço em hipermercado: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Cabriz 2005 - Espumante Bruto (B)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 12%
Castas: Malvasia Fina, Bical
Preço em feira de vinhos: 6,40 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Real Senhor Velha Reserva 2001 - Espumante Bruto (B)
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Malvasia Fina, Arinto
Preço com a Revista de Vinhos: 6,25 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: João Pires - Espumante Bruto (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Os vinhos da festa 2007-2008 (1)
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Etiquetas: Alentejo, Arinto, Bical, Borges, Cabriz, Champanhe, Clicquot, Dao Sul, Espumantes, Estrangeiros, Fernao Pires, França, Malvasia Fina, Portalegre, Tapada Chaves, Terras Sado
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (VIII)
Tapada do Chaves
Este é um dos nomes mais prestigiados entre os produtores de vinho do Alentejo, e da região de Portalegre em particular.
A Tapada do Chaves produz desde 1920 e pertenceu à mesma família durante décadas, até que em 1998 a dona Gertrudes Fino vendeu a propriedade à Murganheira, a empresa da região de Lamego conhecida pelos seus excelentes espumantes. A título de curiosidade refira-se que o Banco Português de Negócios detém parte significativa do capital da empresa.
A propriedade é constituída por 45 hectares, dos quais 32 são de vinha. Recentemente foram plantadas algumas novas castas para diversificar a produção. A aposta é mais na qualidade em detrimento da quantidade, pelo que são produzidos anualmente apenas cerca de 100.000 litros de vinho, distribuídos por 5 marcas:
Tapada do Chaves Reserva tinto, Tapada do Chaves Reserva Vinhas Velhas tinto (destinado essencialmente à exportação para o Brasil), Tapada do Chaves Branco, Tapada do Chaves Espumante Bruto e Almojanda tinto (Regional).
A propriedade situa-se na estrada de Portalegre para o Crato, mesmo antes da povoação de Frangoneiro, e espreguiça-se suavemente pela encosta em filas muito bem alinhadas. As várias castas estão muito bem identificadas, sendo visível a parte mais nova onde irão despontar os cachos de Alicante Bouschet.
Na parte mais antiga das instalações, repleta de relíquias associadas ao vinho (e não só), ainda perduram os antigos tanques de fermentação, pelos quais o vinho era introduzido para os depósitos por baixo e durante a fermentação subia por tubos até encher os tanques. Ao chegar ao mesmo nível de outros tanques que estavam ao lado cheios de água era terminada a fermentação. São ainda visíveis as talhas de barro onde o vinho era armazenado. Existe ainda uma sala de provas para os visitantes, que podem marcar uma visita através da rota de vinhos do Alentejo.
No piso inferior encontram-se as cubas de fermentação e a adega com as barricas de carvalho francês, americano e russo e o depósito onde repousam as garrafas. Dada a reduzida produção, a empresa faz apenas um engarrafamento por ano e por esse motivo não dispõe de linha de engarrafamento própria, pois os responsáveis consideram que não justifica o investimento e a manutenção da mesma. Assim, o processo de engarrafamento é entregue a uma empresa contratada para o efeito que disponibiliza o equipamento necessário. O vinho é transportado por mangueiras para a linha de engarrafamento onde depois decorre o resto do processo. Sinais dos novos tempos.
Kroniketas, enófilo itinerante
Tapada do Chaves, Sociedade Agrícola e Comercial
Frangoneiro - Apartado 170
7301-901 Portalegre
Telef: 245.201.973
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terça-feira, 8 de janeiro de 2008
No meu copo 158 - Quatro Castas Reserva 2001
Há uns 6 anos deparámos com um novo vinho da Herdade do Esporão, denominado Quatro Castas. Tal como acontece com os vinhos da Sogrape, todos os vinhos desta proveniência interessam-nos sobremaneira e este não fugiu à regra.
Rapidamente tratámos de o adquirir e degustar com todo o interesse. O resultado foi... esmagador! Durante algum tempo considerámo-lo um dos melhores vinhos do país (dentro daqueles que conhecíamos, obviamente). E até hoje, excluindo o Torre do Esporão e os Private Selections, que ainda não bebemos, consideramo-lo sem dúvida o melhor vinho da herdade, acima do Esporão Reserva. Convém referir que há mais de 10 anos que conhecemos todos os outros vinhos da Herdade do Esporão, desde o Esporão Reserva, que foi uma das nossas primeiras preferências, passando pelo Monte Velho (de que acompanhámos praticamente todas as colheitas, quando ainda era um VQPRD com 11,5 graus de álcool macio e suave), o Alandra, todos os monocasta (a começar pelo Cabernet Sauvignon, seguindo pelo Aragonês e o Trincadeira, até aos neófitos Bastardo, Syrah, Touriga Nacional e Alicante Bouschet) e o mais recente Vinha da Defesa, sem esquecer os brancos.
O Quatro Castas foi uma surpresa, com um corpo, um bouquet, uma profundidade aromática, uma complexidade e uma persistência extraordinários, e as sucessivas provas confirmaram esta impressão: para nós, tornou-se inquestionavelmente o melhor vinho do Esporão. É um vinho feito com as melhores quatro castas de cada ano vinificadas em partes iguais, pelo que nunca sabemos que castas lá estão em cada colheita (essa informação não é mencionada no contra-rótulo, apenas no site para a colheita apresentada), mas a tendência é para ser entre Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Syrah, Alicante Bouschet, Bastardo e Cabernet Sauvignon (esta ultimamente abandonada nos varietais por, segundo os responsáveis, “perder a tipicidade”). É fermentado durante uma semana a temperaturas controladas em cubas de inox, com maceração prolongada, seguindo-se um estágio de 6 meses em barricas novas de carvalho americano e francês e mais 6 meses em garrafa. Normalmente chega ao mercado já com cerca de 3 anos de idade.
Agora, desde que temos o blog, as provas são mais diversificadas pelo que as oportunidades de repetir são menores. Mas um dia destes provámos a colheita de 2001, que confirmou tudo o que pensamos deste vinho. Não apresentou a exuberância de outros tempos, porque o tempo também não perdoa e nos vinhos do Alentejo ainda menos, mas continua (para nós) a ser um vinho de excepção: o bouquet já é mais discreto, o frutado menos pronunciado e a persistência menos prolongada. Mas as características originais estão todas lá. Além disso, tem um grau alcoólico elevadíssimo mas que não se sente na prova, pois como é apanágio dos vinhos do Esporão, está tão bem feito que não se sente o álcool. Tomara muitos dos vinhos da moda conseguirem ser assim.
Como ainda temos em stock as colheitas de 2002 e 2003, um dia destes vamos voltar à carga com uma comparação das várias colheitas. Porque este é outro daqueles vinhos que quase passam despercebidos, como o Garrafeira dos Sócios de que falámos noutro dia. Porque, como aquele, também não é um vinho da moda, daqueles que nos querem impingir à viva força como sendo os que os consumidores “preferem” (isso ainda está por provar). Pedimos desculpa pelo incómodo e por continuar a fugir à moda, mas para nós este é um vinho de excepção. E ninguém nos desvia daqui.
tuguinho e Kroniketas, enófilos e tal
Vinho: Quatro Castas Reserva 2001 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 15%
Castas: quatro destas, conforme o ano - Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah, Bastardo, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 10,79 €
Nota (0 a 10): 9
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Etiquetas: Alentejo, Alicante Bouschet, Aragonez, Bastardo, Cabernet Sauvignon, Esporao, Reguengos, Syrah, Tintos, Touriga Nacional, Trincadeira
sábado, 5 de janeiro de 2008
No meu copo 157 - Altano 2005
Às vezes temos umas surpresas agradáveis. Esta garrafa foi-nos oferecida à saída do “Encontro com o vinho e os sabores”, tal como há um ano atrás tínhamos tido um Cister da Ribeira, que se revelou uma bodega. Mas este, contra as expectativas, agradou.
Um vinho suave, com um bom aroma frutado, com alguma persistência e corpo médio. Bebe-se com facilidade a acompanhar pratos não muito condimentados, e parece ser uma boa aposta para o dia-a-dia para um vinho barato sem cair demasiado na vulgaridade. Neste caso o rótulo de “Melhor compra” da Revista de Vinhos acaba por fazer sentido tendo em conta a relação qualidade/preço.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Altano 2005 (T)
Região: Douro
Produtor: Symington Family Estates
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 2,69 €
Nota (0 a 10): 7
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Etiquetas: Douro, Symington, Tinta Roriz, Tintos, Touriga Franca
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
No meu copo 156 - Aliança clássico 2004

Este é um vinho Regional Beiras que na realidade é produzido na Bairrada, mas sem as castas tradicionais da Bairrada. Não sei muito bem o que justifica o epíteto de “clássico”, porque as castas utilizadas são clássicas… noutras regiões. Adivinhem: predominância de Tinta Roriz e Touriga Nacional.
A verdade é que, talvez pelo local donde provêm, o vinho apresenta um perfil... bairradino. Bom corpo, aromas intensos e algum frutado. Apresenta alguma estrutura na boca sem deixar de ser suave, formando um conjunto macio e equilibrado, fácil de beber.
Um vinho que, pelo preço que custa, parece ser pior do que realmente é. Para aqueles que não são grandes apreciadores do estilo Bairrada mais tradicional, este vinho poderia ser uma boa alternativa para tentar entrar na onda e daí partir para outros vinhos mais elaborados e mais... clássicos.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Aliança Clássico 2004 (T)
Região: Beiras
Produtor: Caves Aliança
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 1,39 €
Nota (0 a 10): 7
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Mais um
Pois é, está a acabar-se. Felizmente não é o vinho! É o ano!
Feliz 2008, com boa comida e bom vinho!
tuguinho e Kroniketas, enófilos e mainada!
P.S. - este blog está mesmo, mesmo a ultrapassar o Krónikas Tugas no número de visitas e em metade do tempo! Se um de nós assinasse como "cínico encartado" até podia dizer que afinal isto era um país de bêbados sisudos, mas nem quero acreditar nisso. Os tugas não são sisudos!
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
No meu copo, na minha mesa 155 - Moinhos do céu, Cabernet Sauvingon 2005; O Fuso (Arruda dos Vinhos)


Num fim-de-semana de vindimas meti-me no carro com a família e fomos passear pela Estremadura, à descoberta de lugares desconhecidos. Primeiro objectivo: Arruda dos Vinhos para almoçar no Fuso.
Lá chegados encontrámos logo num balcão a famosa posta de bacalhau de que já tínhamos ouvido falar. Mas encontrámos também uma volumosa e apetitosa costela de boi tamanho-gigante!
Entrámos numa sala de grande dimensão, que foi enchendo com o avanço da hora mas que mesmo assim ainda ficou com lugares livres. E ainda há outras salas ligadas à primeira, pelo que mesmo em dias de grande afluxo de clientes, como era o caso, é possível que se consiga arranjar lugar sem marcar mesa.
Outro aspecto que me chamou a atenção logo na entrada foi a existência de armários de vinho, onde este é guardado a temperatura controlada. Uma raridade nos restaurantes portugueses, que evita que venha para a mesa vinho morno...
Perante a vasta oferta gastronómica, os olhos do cliente balançam entre as postas de bacalhau e as costelas de boi. Como sou mais carnívoro consegui convencer a família a escolhermos a costela de boi grelhada. E veio uma peça enorme, muito alta e mal passada (só eu é que a consegui comer assim, o resto voltou para trás para passar melhor), em cima duma tábua donde se corta directamente para o prato. A carne é de altíssima qualidade, deliciosa e suculenta. Ideal para comilões. Deu para quatro e ainda sobrou.
O serviço é bastante expedito para a dimensão do restaurante, a confecção boa. Ficaram-nos ainda no olho as travessas de bacalhau assado na brasa, com batatas e regado com azeite, que também parecem dar para umas 4 pessoas. É um lugar a revisitar quando se tiver tempo para uma refeição longa e despreocupada.
Para beber pedi um vinho da região, da região de Arruda. Chamou-me desde logo a atenção a existência dum Cabernet Sauvignon (como sabem sou fã destes vinhos) e resolvi experimentar. Chama-se Moinhos do Céu e não me desiludiu. Aliás, os vinhos de Cabernet normalmente não me desiludem. De cor granada, mostrou o aroma ligeiramente vegetal que normalmente está associado a esta casta, mas sem sombra dos famigerados pimentos de que tanto se fala. Mostrou fruto bem maduro, taninos redondos e uma boa estrutura na boca sem deixar de ter alguma elegância, com um final de persistência média. Um vinho tranquilo mas suficientemente pujante para se bater bem com a carne grelhada. Estagiou 7 meses em barricas de carvalho francês e 4 meses em garrafa.
Terminada a refeição, demos uma volta pela localidade antes de nos fazermos de novo à estrada, em direcção a Sobral de Monte Agraço. Pelo caminho fomos passando por diversas vinhas situadas junto à estrada, numa zona profusamente preenchida por esta cultura. Estávamos, portanto, no coração da região vitivinícola da Estremadura, tendo passado à porta de propriedades conhecidas como a Quinta de Chocapalha, a Quinta do Gradil e a Casa Santos Lima. Mas fomos seguindo até encontrar a Quinta do Monte d’Oiro. Chegámos à porta e tocámos à campainha. Era sábado. Ninguém respondeu. Estava tudo fechado. Mais tarde, no Encontro com o Vinho, tive oportunidade de perguntar ao próprio José Bento dos Santos se a quinta estava mesmo fechada ao sábado, e fiquei a saber que só mesmo com marcação prévia é que poderia encontrar lá alguém ao fim-de-semana, ou se estivessem em vindima. Portanto, para lá voltar só durante a semana.
Voltámos assim à estrada e dirigimo-nos para Alenquer. Pelo caminho deparámos com uma placa a indicar a Quinta de Pancas e resolvemos entrar. Encontrámos uma propriedade que parece meio degradada e abandonada. Ao que nos explicaram dois estagiários que lá estavam, a empresa passa por dificuldades financeiras, pelo que depois do capital da quinta ter mudado de mãos (adquirida pela Companhia das Quintas) estão a ser feitas remodelações a vários níveis, pelo que de momento está-se numa fase de transição. De qualquer modo esperava encontrar um espaço um pouco mais bem cuidado. Ainda vimos uma cuba de fermentação onde repousava um lote de uvas Syrah e uma cave de armazenamento, mas acabou por ser um pouco decepcionante o panorama que encontrámos, tendo em conta que é uma casa com vinhos conceituados.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Restaurante: O Fuso
Rua Cândido dos Reis, 94
2630-216 Arruda dos Vinhos
Telef: 263:975.121
Preço médio por refeição: 25/30 €
Nota (0 a 5): 4
Vinho: Moinhos do Céu, Cabernet Sauvignon 2005 (T)
Região: Estremadura (Arruda)
Produtor: Adega Cooperativa de Arruda dos Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Cabernet Sauvignon
Preço no restaurante: 10 €
Nota (0 a 10): 7,5
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
É Natal, é Natal...
(acho que já usámos este título...)
Pensavam vocês que iríamos postar um cartão de natal por aqui? Pois pensaram mal porque, fazendo jus ao nosso cognome de diletantes preguiçosos, só o postámos no Krónikas Tugas...
Vá lá, não custa nada, é mesmo aqui ao lado...
Boas Festas para todos!
tuguinho e Kroniketas, os tal e tal, é escusado repetir
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sábado, 22 de dezembro de 2007
Gala de Aniversário das Krónikas
Os episódios da festa estão nas Krónikas Tugas.
Depois não digam que não foram avisados...
tuguinho, enófilo certinho
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Krónikas do Alto Alentejo (VII)
No meu copo, na minha mesa 154 - Monte das Servas, Escolha 2005; Adega do Isaías (Estremoz)
Num trajecto de fim-de-semana para Portalegre, parei em Estremoz para almoçar na Adega do Isaías. Era sábado e antes do meio-dia telefonei para marcar uma mesa para 6, mas já não havia, o que diz bem da procura por este local emblemático da cidade. Arriscámos à mesma e fomos procurá-lo. Fica numa rua estreita perto do centro turístico e é relativamente fácil lá chegar a pé (e o Mappy dá uma ajuda). Quase não se dá por ele quando se encontra um local com gente à porta e lá está escrito o nome.
Não havia mesas nem lista de espera, mas resolvemos ficar. Era tarde para tentar outro local. Quando finalmente nos sentámos, após quase uma hora de espera, já havia uma fila na rua. À entrada um grelhador junto á montra. O acesso faz-se por uma passagem estreita. A sala é ao fundo, com mesas corridas e bancos corridos de madeira. Não há janelas nem ventilação. Todos os cheiros dos grelhados ficam impregnados na sala, que começa a ficar com fumo. Dá ideia que era uma taberna que começou a servir petiscos e foi crescendo até se tornar um restaurante com serviço à carta. Mas o estilo continua a ser de adega.
Para o repasto escolhemos migas de espargos com carne do alguidar, burras de porco (o mesmo que as bochechas só que com todo o osso junto) com batatas assadas e depois ainda foi necessário mandar vir um reforço com plumas de porco preto.
As burras não eram muito fartas, pois metade era osso, mas estavam saborosas. Acabaram-se depressa. As migas com carne também apaladadas, mas as plumas que vieram no fim estavam salgadas.
Nas sobremesas, dois clássicos do Alentejo: encharcada e sericaia. Eu optei pela encharcada, um dos meus doces favoritos. Irrepreensível.
O serviço de vinhos também está próximo da taberna. Pedimos um Monte das Servas Escolha, ali de perto, mas os copos eram quadrados, iguais aos da água. Ainda pedi copos para vinho e trouxeram outros iguais. Desisti, não valia a pena explicar o que queria, apesar de haver mesas à volta a beber vinho em copos decentes.
Este Monte das Servas, que há alguns anos conheci com outro rótulo, parece agora mais estilizado. Mais frutado, com mais especiarias, mais taninos e persistência. No entanto, aparece como mais um vinho carregado de álcool. Bateu-se bem com os pratos deglutidos, mas temo que se torne um pouco cansativo.
Quando bebi este vinho pela primeira vez, era muito carregado, muito encorpado, com aromas mais fechados, pujante e com boa persistência mas sem ser agressivo. Agora o álcool abafa quase tudo. Confesso que começo a ficar um pouco saturado destes vinhos com 14 graus, o que no Alentejo é corriqueiro. Felizmente, parece que a tendência está a desaparecer, para que voltemos a ter mais aromas e mais vinhos diferenciados. Com tanto álcool, tanta concentração e tanta fruta, começo a não conseguir distingui-los uns dos outros.
Acabámos por sair sem perceber bem as razões de tanta fama para este restaurante. A comida não é nada de extraordinário, o serviço tão-pouco, e as condições de segurança deixam muito a desejar. Não há portas de emergência, não há janelas, toda a gente está acantonada no fundo da sala, donde se houver um acidente não se consegue sair, pois o único acesso é estrangulado. Pode ter sido uma casa muito típica que fez o seu nome assim, mas actualmente não me pareceu que marque a diferença.
Kroniketas, enófilo itinerante
Restaurante: Adega do Isaías
Rua do Almeida, 21
7100-537 Estremoz
Telef: 268.322.318
Preço médio por refeição: 14 €
Nota (0 a 5): 3
Vinho: Monte das Servas, Escolha 2005 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Herdade das Servas
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 4,48 €
Nota (0 a 10): 7
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
No meu copo 153 - Reguengos Garrafeira dos Sócios, 96 e 2000
Há muitos anos, no Edmundo de Benfica (na esquina da Estrada de Benfica com a Avenida Gomes Pereira), estávamos nos primórdios das incursões vinícolas, eu e o Mancha pedimos um Esporão para acompanhar um naco na pedra ou uma costeleta de vitela grelhada. Na altura havia, basicamente, quatro regiões conhecidas: Borba, Redondo, Reguengos e Vidigueira. De Portalegre pouco se falava, de Évora ainda menos e os produtores mais conhecidos eram sobretudo adegas cooperativas. No Douro havia uma meia-dúzia de vinhos de mesa, no Ribatejo era carrascão e na Estremadura havia muito... e mau. Dão, Bairrada e Península de Setúbal eram zonas vitivinícolas de referência.O Esporão era já um vinho de referência e um dos melhores do Alentejo, senão mesmo o melhor da época. Mas não havia... O chefe sugeriu-nos um outro que disse ser parecido. O seu nome: Garrafeira dos Sócios, da Cooperativa de Reguengos de Monsaraz. Aceitámos com alguma relutância mas em boa hora o fizemos, porque nos deu a conhecer um vinho que, à época, nos encantou. Uma suavidade extraordinária, um bouquet profundo, um certo aroma floral e um corpo de grande elegância. Imediatamente o equiparámos ao Esporão em qualidade!
Durante vários anos este tornou-se o nosso vinho preferido. O Mancha dizia que este vinho era veludo, e de facto era. Merecia sempre nota máxima. Lendo o contra-rótulo ficámos então a saber que era uma produção especial para os sócios da cooperativa, com uvas seleccionadas, e só depois de estes se terem abastecido o restante era colocado no mercado. Até hoje continua a ser assim.
Com o tempo fomos conhecendo muitos outros vinhos, as referências foram aumentando e o gosto foi-se alterando, o próprio perfil do vinho foi-se alterando, acompanhando um pouco as tendências da moda, e o Garrafeira dos Sócios deixou de ter o protagonismo nas nossas preferências que antes tinha, mas nunca perdeu um lugar de destaque. É certo que hoje o bebemos muito menos vezes do que há 10 anos mas ele está sempre lá, nas nossas garrafeiras, e voltar a degustá-lo é como reencontrar um velho amigo que não se vê há muitos anos, ou ouvir uma daquelas músicas antigas dos grupos que fizeram as delícias da nossa juventude.
Há algum tempo tive oportunidade de provar a colheita de 2000. Voltou a encantar-me. Continua com aquela suavidade que lhe conhecia, uma bela cor rubi carregada, um leve amadeirado sem ser em excesso, final longo e sedoso, tudo muito equilibrado e harmonioso.
Mas a grande surpresa aconteceu precisamente esta noite, num jantar em Portalegre, no restaurante A Gruta, de que darei conta qualquer dia (há vários artigos para publicar antes...). Em exposição estavam, entre vastas dezenas de garrafas, algumas garrafas de Garrafeira dos Sócios de 96. Ficámos na dúvida. Um vinho com esta idade... Perguntei ao chefe se achava que o vinho estaria bebível. Experimentámos num copo de prova. Começou por apresentar um tom acastanhado, sinal de evolução avançada que muitas vezes não augura nada de bom. O primeiro aroma mostrou os mesmos sinais, de que já tinha passado o ponto óptimo. Resolvemos esperar pela decantação e deixá-lo respirar enquanto fomos bebericando em copos de boca larga. Aos poucos os aromas foram-se libertando e ficando mais limpos. A melhoria foi evidente e passada cerca de meia-hora ele aí estava em todo o seu esplendor. Era este o Garrafeira dos Sócios que eu conhecia há 10 anos. Macio, aromático, suave, verdadeiro veludo. Até chamámos o chefe Felício para o provar e o veredicto foi o mesmo: fantástico.
Um vinho que se impõe pela diferença. Enquanto outros (a maioria) primam pelo frutado, pela pujança, pelo corpo e pelo álcool, este prima pela elegância, pela delicadeza, pela suavidade, sem perder os traços marcantes de um vinho alentejano. Um dos raros vinhos que actualmente se destacam dos demais, por isso é um vinho que continuamos a beber com verdadeira paixão.
Só me espanta que seja tão pouco falado, pois é dos poucos onde ainda se podem procurar traços que não sejam só de fruta, especiarias, álcool ou madeira. Não é um vinho da moda, e ainda bem. Oxalá continue assim.
Kroniketas, enófilo esclarecido
PS: Para tranquilizar os espíritos mais inquietos, o vinho branco que se vê nos copos não é, definitivamente, o Garrafeira dos Sócios... :-)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Carmim (Coop. Agrícola de Reguengos de Monsaraz)
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 9,95 €
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 96 (T)
Grau alcoólico: 13%
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 2000 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Nota (0 a 10): 8,5
domingo, 16 de dezembro de 2007
Krónikas do Alto Alentejo (VI)
No meu copo, na minha mesa 152 - Dom Martinho 2004; Restaurante Poeiras (Portalegre)
Mais uma visita gastronómica em Portalegre. Desta vez não foi nenhuma escolha preparada, tratava-se apenas de encontrar um local para jantar. Passando à porta de alguns, olhando lá para dentro e para a ementa, escolhemos um em pleno centro histórico, ao lado do Governo Civil, na Praça da República, local de esplanadas, bares e estudantes, talvez o local mais movimentado na pouca animação nocturna da cidade.
Franqueadas as portas de vidro, deparámo-nos com um restaurante de aspecto mais ou menos comum, onde duas televisões transmitiam um jogo de futebol do campeonato, de dimensão média, sem grandes sofisticações mas acolhedor.
A ementa não é muito vasta mas a oferta é simpática. Comecei por uma cremosa sopa de feijão generosamente servida no prato fundo, enquanto esperava por umas bochechas de porco estufadas com batatas salteadas. A carne estava tenríssima e muito saborosa, separada dos ossos, em dose avantajada que ainda dava para outra refeição.
Para sobremesa havia a tentação da encharcada, mas foi escolhido um caseiro Doce São Bernardo, feito à base de amêndoa, ovo e canela. Um doce muito consistente, algo enjoativo como acontece muitas vezes com os doces de amêndoa, mas agradável de comer se não for em quantidade exagerada.
Em resumo, outro restaurante onde se pode almoçar ou jantar com qualidade, ter um bom atendimento e não pagar um preço excessivo.
Para acompanhar continuei nos vinhos norte-alentejanos, desta vez descendo um pouco até Estremoz, concretamente à Quinta do Carmo. Escolhi o parente mais pobre do Quinta do Carmo, um Dom Martinho de 2004, que deve o seu nome a uma parcela da Quinta do Carmo com o mesmo nome.
É um vinho frutado e com algum aroma floral, com corpo e final médio. Não apresenta nenhuma característica que se destaque, pelo que se fica pela mediania. Bebe-se com facilidade, não desagrada e também não encanta.
Kroniketas, enófilo itinerante
Restaurante: Poeiras
Praça da República, 9 a 15
7300-109 Portalegre
Telef: 245.201.862
Preço médio por refeição: 12 €
Nota (0 a 5): 3,5
Vinho: Dom Martinho 2004 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Quinta do Carmo
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Syrah
Preço em feira de vinhos: 5,54 €
Nota (0 a 10): 6,5
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
No meu copo 151 - Monte dos Cabaços 2003
Começou por uma vinha que vendia as uvas. Filha de pai alentejano da zona de Estremoz, Margarida Cabaço regressou da Holanda, onde estudava, aos 16 anos, para junto da família que voltava a Estremoz. Aí viria a casar com um proprietário local que possuía uma vinha. O tempo que sobrava do tratamento da vinha começou a ser aproveitado para organizar uns almoços e jantares para os amigos, mais tarde casamentos e baptizados, e daí até um restaurante foi um pequeno passo. Assim viria a nascer o São Rosas, um dos actuais ex-libris gastronómicos da cidade.
A seguir ao restaurante veio o vinho próprio para servir no restaurante, e assim as uvas que eram vendidas passaram a ser usadas na produção do Monte dos Cabaços, tinto e branco. Tive oportunidade de adquirir por 5,95 € uma garrafa do tinto de 2003 com a Revista de Vinhos.
De cor muito carregada e aroma marcado por notas minerais, muito cheio na prova de boca com predominância de fruta e especiarias, é um daqueles vinhos chamados de “perfil moderno”, com muita fruta, muita concentração e muito álcool, que alguns dizem que é o que vai ao encontro do gosto do consumidor actual. Apetece-me sempre perguntar: será mesmo isto que o consumidor quer, ou é o que estão a tentar impingir-lhe? É que, a mim, estes vinhos cansam-me. Bebem-se bem algumas vezes mas depois começam a saturar, porque se tornam todos iguais. Nada os diferencia, e os que tenho provado ultimamente deste género acabam por ser “mais do mesmo”. Por isso é que acabamos sempre por voltar aos clássicos que já conhecemos há muito tempo..
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Monte dos Cabaços 2003 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Maragarida Cabaço
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah
Preço em hipermercado:9,99 €
Nota (0 a 10): 7
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terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Efeméride

Escrevemos estas linhas completamente sóbrios... só para que conste.
Faz hoje 2 anos que foi criada esta excrescência das Krónikas Tugas, dedicada às libações báquicas e ao “pecado” da gula. Foi com prazer (de que outra forma havia de ser?) que a vimos crescer e ter as suas primeiras relações. Neste momento, temos a certeza de que quem caiu neste post de pára-quedas já pensa de nós o pior, que somos voyeurs ou mesmo sócios do Sporting! Mas não, não somos sócios do Sporting (só do Benfica). E as relações de que falamos são as deste blog com outros da mesma laia e não aquilo que estavam a pensar…
E foi no cimento dessa troca de impressões que este blog se alicerçou, quais sapatinhos de cimento que nos prendem a este mundo dos apreciadores de vinho. Por vezes torna-se difícil este fito de escrever sobre vinhos, principalmente depois de os provarmos muito, mas soubemos ultrapassar esses obstáculos e, com a ajuda de correctores ortográficos e gramaticais, botar sempre prosa não obnubilada pelos vapores etílicos. A nossa intenção é pois continuarmos por cá, provando uns, deglutindo outros e terçando conversas com os nossos comparsas dos outros blogues vínicos.
Concluindo, muito obrigado aos que nos lêem (descontando alguns chatos sem remédio), que de uma coisa podem ficar certos: nunca nos armaremos em detentores absolutos da verdade, mas também não seremos nunca politicamente correctos. É uma coisa que se chama liberdade.
tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos
sábado, 8 de dezembro de 2007
Krónikas do Alto Alentejo (V)
No meu copo, na minha mesa 150 - Altas Quintas Crescendo 2005; O Abrigo (Portalegre)
Uma das incursões gastronómicas em Portalegre incluiu uma visita ao restaurante “O Abrigo,” no centro histórico da cidade. Trata-se de um espaço que fica um piso abaixo do chão, embora com acesso directo para a rua, não muito amplo, de características eminentemente regionais. Descendo as escadas após a entrada, deparamo-nos com um pequeno átrio onde já estão algumas mesas e um balcão de acesso à cozinha. Em exposição encontram-se também algumas garrafas de vinho da região. A sala propriamente dita fica depois duma porta rotativa do tipo saloon.
E quanto aos comes? Seguindo algumas sugestões, houve uns deliciosos miminhos de porco grelhados e uma fantástica costeleta de novilho. Os acompanhamentos são variados, mais ou menos à vontade do freguês, mas o grande destaque vai para a miolada de couve, uma espécie de migas de couve envolvidas em ovo, absolutamente irresistível. É de comer e chorar por mais, tanto assim que teve de se pedir mais do que um reforço.
Nas sobremesas a escolha recaiu noutro doce típico alentejano, a sericaia, acompanhada com a ameixa em calda. Estava boa, apesar de já termos encontrado melhor na origem.
Da oferta vinícola optámos novamente por continuar na região, cujos vinhos se encontram em destaque nos expositores, e escolhemos um dos vinhos da moda: o Altas Quintas Crescendo 2005. Feito com Aragonês e uma pequena percentagem de Trincadeira, fermentou em balseiros de carvalho tendo depois estagiado 12 meses em barricas de carvalho, as mesmas que são primeiro utilizadas para estagiar o Altas Quintas. Encontrei um tinto muito concentrado, bastante frutado e com 14% de álcool, taninos muito presentes, dando-lhe um perfil robusto mas que me pareceu algo agressivo. Não lhe encontrei a frescura que se anuncia para estes tintos alentejanos em altitude. Talvez precise de amaciar algum tempo na garrafa.
No entanto temos de considerar que a garrafa veio para a mesa com uma temperatura algo elevada, pelo que houve que pedir um “frappé” para arrefecer o vinho, o que pode ter prejudicado a prova mesmo depois de se ter baixado a temperatura. Certamente justificará uma segunda prova, pois estou em crer que esta não terá sido conclusiva.
O serviço é simpático e atencioso, fazendo-se com eficácia. O maior senão é a excessiva temperatura do restaurante e a pouca ventilação, o que torna o ambiente um pouco pesado, com o cheiro dos cozinhados a ficar entranhado na roupa. Este restaurante é muito frequentado sobretudo aos almoços, sendo uma aposta simpática para comer bem sem ser por preço excessivo. Poderá, no entanto, ser aconselhável reservar mesa atempadamente.
Kroniketas, enófilo itinerante
Restaurante: O Abrigo
Rua de Elvas, 74
7300-147 Portalegre
Telef: 245.331.658
Preço médio por refeição: 15 €
Nota (0 a 5): 4
Vinho: Altas Quintas Crescendo 2005 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Altas Quintas
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 7,95 €
Nota (0 a 10): 7
Outras provas deste vinho em: A Adega (6,5 em 10), Pingas no Copo (15 em 20) e Vinho da Casa (16 em 20).
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
O cair da folha em Portalegre
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Os grandes tintos do Douro... e os outros
Há cerca de um ano (Novembro de 2006) a Revista de Vinhos publicou um painel de prova de grandes tintos do Douro, daqueles topos de gama. Agora em Novembro de 2007 voltou a publicar outro painel, com notas entre os 16 e os 18,5 e preços que vão, literalmente, dos 8... aos 80! Euros...
São 51 vinhos provados, com uma média de preços de 30 €, e com 36 acima dos 20 €, 21 acima dos 30 € e 11 acima dos 40 €. E ainda há 5 acima dos 50 €, sendo que 2 custam mais de 80 €: 85 € e 88,5 €. Um luxo!
Ainda recentemente dois comparsas bloguistas, o Pingas no Copo e o Vinho da Casa, apresentaram algumas provas de grandes vinhos da Niepoort, da Quinta do Vale D. Maria, da Quinta do Crasto e da Quinta do Vale Meão. Grandes vinhos, sem dúvida, a merecerem apreciações entre os 15,5 e os 19 pontos! Mas... quem os pode comprar? Diz o Vinho da Casa que “beber vinhos de classe mundial por menos de 80 euros não é fácil”. Pois não... E o Pingas no Copo diz, acerca do Charme, “censuro, apenas, o preço que é pedido, simplesmente porque não tenho dinheiro para o comprar as vezes que gostaria.” Também eu...
Acredito que estes vinhos, que custam os olhos da cara, sejam os melhores do país, mas também continuo a achar que não são estes que representam o valor médio da região, e quando falamos de vinhos até 10 € a experiência que tenho tido, em muitos casos, mostra-me que em grande parte estes são inferiores aos de outras regiões. Há algum tempo, Cristiano Van Zeller, produtor da Quinta do Vale D. Maria, fazendo uma comparação entre os vinhos do Douro e do Alentejo na Hora de Baco dizia que nos vinhos médios o Douro é inferior a outras regiões.
Neste painel o vinho mais pontuado é o Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa, com 18,5 pontos e um preço de 88,50 €. Mas há poucos dias provei o Quinta do Crasto normal, que não é assim tão barato, e achei-o vulgar. A pergunta que faço é esta: como é que um produtor pode fazer um vinho de topo e outro com uma qualidade algo questionável? E a diferença de qualidade, será que justifica que o preço daquele seja 10 vezes superior ao deste?
Falar de grandes vinhos que não estão acessíveis à maioria das pessoas torna-os, de facto, vinhos virtuais como uma vez referiu João Portugal Ramos. É um bocado como os Ferraris: são para ver na montra e nas fotografias. E pagar 40 ou 50 € por um vinho é só para alguns, ou então para quando se perde a cabeça. Mas é só uma vez por acaso... Quando passamos ao mundo real, o panorama é bem diferente deste mundo sublime que nos é apresentado neste painel. Por isso é que acabamos por nos refugiar naqueles que já conhecemos e que nos dão todas as garantias, como os 3 Douros de 2001 que provámos há alguns dias. Esses são reais, são bons e são acessíveis.
Kroniketas, enófilo esclarecido
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Pouco “show” e ainda menos “gourmet”
No passado dia 24 de Novembro desloquei-me pela primeira vez ao Convento do Beato para visitar o Porto e Douro Wine Show e Lisboa Gourmet. Nos claustros do convento (sim, o mesmo local onde os Scorpions gravaram o memorável concerto acústico a que não fui assistir) estavam montadas as bancas dos expositores, ocupando todo o espaço. Em volta mais algumas bancas com aquilo que deveria ser a parte gourmet do evento.
Descontando o facto de que a parte gourmet pressuporia apenas a existência de alguns petiscos para provar e pouco mais, a verdade é que não esperávamos tão pouco. O que havia para provar eram rebuçados de ovo, bolachas de chocolate, Água das Pedras com sabor a limão e pouco mais. Depois lá havia um exíguo espaço onde se confeccionava uns pratos de arroz e noutra sala o chefe Rui Paula, do restaurante DOC em Folgosa do Douro, fazia uma demonstração de confecção de chamuças de alheira que depois deu a provar aos que assistiam, acompanhando com um vinho de Domingos Alves de Sousa. E por aqui se ficou o Lisboa Gourmet. Os próprios expositores se queixavam de que, tendo de estar lá até às 10 da noite, não tinham onde comer nada.
Não deixa de ser estranho que num evento daqueles se descure completamente a parte gastronómica, que não só manteria os visitantes mais entretidos como permitiria aconchegar os estômagos de modo a poder fazer mais provas. Assim, de estômago vazio e com duas crianças a acompanhar, ao fim de uma hora e meia demos o fora e dirigimo-nos a casa para jantar.
Quanto ao Porto e Douro Wine Show, embora estivessem representados muitos produtores importantes, como Sogrape, Ramos Pinto, Real Compahia Velha, também estranhei a ausência de nomes de peso no sector do Vinho do Porto: Symington, Taylor’s, Fonseca, Niepoort e todos os outros “Douro Boys” primaram pela ausência. Será por perceberem a pouca expressão do evento?
Requer-se mais cuidado na organização para que o público não se afaste e o evento não morra. Pelo que vi, não ficou grande entusiasmo para voltar.
A meio do percurso, como já vem sendo habitual, voltei a encontrar o “casal Chapim”. Não estamos combinados mas lá vamos frequentando os mesmos lugares onde decorrem eventos gastro-etílicos. Será que um dia destes nos vamos encontrar numa visita ao novo espaço do Wine O’Clock em Lisboa?
Kroniketas, enófilo esfomeado
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Krónikas do Alto Alentejo (IV)
Adega Cooperativa de Portalegre

A Adega Cooperativa de Portalegre foi fundada em 1955, tendo assim comemorado há pouco tempo os seus 50 anos. As uvas que recebe pertencem aos viticultores seus associados, sendo destinadas aos diversos tipos de vinho de acordo com a sua qualidade e características segundo o cadastro constante na Adega Cooperativa.
Em 2005 a Adega Cooperativa adquiriu a Adega da Cabaça, nos arredores de Portalegre, para onde futuramente passarão as instalações e que acrescenta 20 hectares de vinha à produção. Actualmente a Adega Cooperativa recebe por ano cerca de 3 milhões de quilos para processamento, a partir dos quais produz cerca de 2 milhões de litros. O enólogo residente é Rui Vieira, tendo Rui Reguinga como enólogo consultor.
As instalações são de média dimensão, assim como a cave de envelhecimento em barricas e a linha de engarrafamento e rotulagem, contígua às mesmas. Algumas garrafas, contudo, são rotuladas à mão, nomeadamente algumas edições especiais, havendo ainda outras que requerem um cuidado especial para aposição dum selo de lacre no rótulo, como o Meio Século 50, cujo contingente se encontra em destaque nalguns caixotes ali à mão de semear. Toda a zona com as cubas de desengace, prensagem e fermentação fica situada no exterior, ficando o edifício coberto destinado às caves, laboratório, sala de provas e zona de encaixotamento e carga.
A produção de vinhos da Adega Cooperativa de Portalegre distribui-se pelas marcas Aramenha branco e tinto (vinho bag-in-box), Terras de Baco branco e tinto (vinho de mesa, a menos de 2 €), Conventual e Conventual Reserva branco e tinto (vinho regional, de 3 a 6 €), Portalegre branco e tinto (vinho DOC, a cerca de 12 €) e Meio Século 50, vinho tinto DOC comemorativo dos 50 anos da Adega, a cerca de 30 €. Actualmente a Adega tem uma promoção de Natal de caixas com várias combinações dos seus vinhos a preços substancialmente mais baixos. As encomendas poderão ser feitas para a morada da Adega ou por mail, disponíveis no site da Adega.
Kroniketas, enófilo viajante
Adega Cooperativa de Portalegre
Apartado 126
Tebaida, Ribeira do Baco
7301-901 Portalegre
Telef: 245.300.530
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quarta-feira, 28 de novembro de 2007
No meu copo 149 - Porto Vintage Fonseca 94; Porto Cálem 10 anos

O jantar de prova dos 3 Douros foi balizado por dois Vinhos do Porto, um antes e um depois. Há alguns meses tínhamos adquirido meia garrafa de um Porto Vintage Fonseca de 94, o ano perfeito dos Vintage segundo os especialistas. Este foi um dos vinhos portugueses mais pontuados de sempre na Wine Spectator e resolvemos dividir o mal pelas aldeias, que é como quem diz, os 100 € que custava a garrafa por 4.
Perante a preciosidade que tínhamos entre mãos, resolvemos degustá-lo antes do jantar, o que se afigurou assaz difícil porque a rolha se desfez à primeira tentativa, obrigando os comparsas a entreterem-se a tentar sacar a rolha e depois coar o vinho, enquanto eu me entretinha com os bifes à café.
A exígua quantidade disponível foi criteriosamente dividida pelos copos (enquanto eu continuava entretido com os bifes) e fomos deixando os aromas libertarem-se (enquanto eu acabava os bifes...). O primeiro contacto foi quase sublime. Uma cor carregada, opaca, aroma marcado a frutos secos (nozes) e algum caramelo. Na boca, o que se espera dum vinho destes: corpo interminável, grande estrutura mas também muita macieza para um vinho ainda não muito velho, terminando com alguma doçura. No fundo do copo os aromas ainda ficaram lá. Em suma, um vinho que nunca mais acaba.
O Porto Cálem foi trazido pelo Politikos, como vem sendo habitual, e ficou naturalmente para a sobremesa. Aqui o perfil é completamente diferente e não é possível comparar. Já bebi outros Portos de 10 anos e este não foi dos melhores. Uma cor acobreada, aroma também marcado por frutos secos e mel, mas pouco elegante na boca. Não é um vinho muito apetitoso, daqueles que apetece beber sempre mais, por isso sobrou quase metade da garrafa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Douro/Porto
Vinho: Porto Vintage Fonseca 94 (T)
Produtor: Fonseca Guimaraens
Grau alcoólico: 20,5%
Preço em hipermercado: 102 € (garrafa de 37,5 cl)
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Porto Cálem 10 anos
Produtor: A. A. Cálem & Filho
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: cerca de 10 €
Nota (0 a 10): 6
terça-feira, 27 de novembro de 2007
As nossas escolhas em 2007
Terminadas as feiras de vinhos, actualizámos a nossa lista de escolhas com os preços referentes a 2007. O critério é sempre o mesmo e é simples: são os vinhos que já provámos, de que gostámos e que achamos que valem o preço que custam.
Kroniketas, enófilo organizado
sábado, 24 de novembro de 2007
No meu copo 148 - 3 Douros de 2001: Sogrape Reserva, Duas Quintas, Vinha Grande
A propósito do Portugal-Arménia, juntámos alguns Comensais Dionisíacos à mesa (faltaram à chamada o Caçador, que foi para a caça, e o Pirata, retido em casa por constipações familiares) para fazer uma prova de 3 vinhos do Douro de 2001: o Sogrape Reserva, o Duas Quintas e o Vinha Grande. São três dos vinhos da nossa preferência que já apreciámos aqui noutras ocasiões, mas desta vez a intenção era prová-los em simultâneo por terem alguns pontos em comum e serem produzidos no mesmo ano. Vinhos abertos com a antecedência necessária, serviço à temperatura ideal e copos adequados, e passámos à função à volta duns bifes à café antes de a Selecção Nacional entrar em campo.
Começámos com o Sogrape Reserva e o começo não podia ser melhor. Como habitualmente, esteve à altura das expectativas. Mostrou uma fantástica cor rubi, brilhante e transparente, no nariz um bouquet profundo e intenso, marcado por fruto maduro, e na boca um corpo cheio com estrutura complexa, grande persistência, taninos firmes mas bem domados e uma boa acidez a envolver um grau alcoólico correcto, num todo equilibrado e harmonioso. Apetece dizer que este vinho não tem nada fora do sítio, está tudo no ponto certo. Alcandorou-se com destaque a melhor vinho da noite.
Comparativamente às anteriores provas da colheita de 2000, este apareceu muito mais saudável e pujante. Como já dissemos anteriormente, nunca nos desiludiu e sendo esta colheita a que está à venda no mercado, já com 6 anos de idade, está em plena forma e no ponto ideal para ser bebido. Para nós, continua a ser um vinho incontornável e que merece amplamente o preço que custa. Enquanto estiver no mercado, não deixaremos que desapareça das nossas garrafeiras.
Seguiu-se o Duas Quintas, para entrecortar os vinhos da Sogrape com um Ramos Pinto, e acabou por ser o mais penalizado, talvez prejudicado por se ter seguido ao Sogrape Reserva. Este foi comprado já em 2003, e pareceu ter ultrapassado o ponto ideal (actualmente já está à venda a colheita de 2005). Esperávamos um vinho mais pujante e mais robusto, como aliás é seu timbre, sendo normalmente mais adequado para pratos fortes de carne, mas este apareceu um pouco mais delgado do que é habitual, perdendo um pouco de complexidade e de corpo, embora a cor mais fechada estivesse lá. Requer-se, portanto, um consumo mais precoce, embora haja ainda outra garrafa desta colheita que nos irá permitir tirar as dúvidas.
Finalmente seguimos para o Vinha Grande, que dos três foi o mais elegante. Menos exuberante e menos complexo que o Sogrape Reserva, mais frutado e macio, também com uma cor rubi muito atractiva e uma boa persistência. Esteve acima do Duas Quintas mas sem fazer concorrência ao Sogrape Reserva. Dos três é o mais adequado para pratos requintados e delicados.
Em suma, três apostas sempre seguras a preços não excessivos, que não desiludem ninguém e nunca nos deixam ficar mal.
Kroniketas, enófilo esclarecido
PS: Também houve uns Portos mas essa já é outra conversa.
Região: Douro
Vinho: Sogrape Reserva 2001 (T)
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 10,74 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Duas Quintas 2001 (T)
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 8,69 €
Nota (0 a 10): 7/7,5
Vinho: Vinha Grande 2001 (T)
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 8,98 €
Nota (0 a 10): 8
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quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Porto e Douro Wine Show e Lisboa Gourmet

Nos próximos dias 24 e 25, no Convento do Beato, em Lisboa.
Informações em http://www.portodourowineshow.com/
No meu copo 147 - Quinta do Crasto 2004
Outro vinho do Douro que eu não compreendo, certamente. Já aqui tive oportunidade de falar da colheita de 2003 e, tal como no anterior, ficou-me outra vez a sensação de “muita parra e pouca uva”. Se existem, ao que se diz, grandes vinhos deste produtor nos topos de gama, na gama chamada “Premium” há bastantes decepções, como é o caso deste. Há por aí dezenas de vinhos pelo mesmo preço infinitamente melhores, mesmo na própria região. A este parece que lhe falta personalidade, um perfil mais definido, não sei bem o que é que ele é.
A Revista de Vinhos de Outubro apresenta um painel de tintos até 10 € onde tece grandes encómios à colheita de 2006, apresentando-o como um “tinto cheio e de grande categoria”, classificando-o com 16 pontos. Na nossa escala de 0 a 10 andaria então por volta dos 8. Mas é que nem pouco mais ou menos, nem pensar! Para mim, este 2004 é um vinho perfeitamente vulgar.
Aliás, há vários anos que eu me deparo com este problema. Tecem-se loas intermináveis aos vinhos do Douro, que são os melhores do país, de categoria internacional, só que custam uma fortuna. Porque para o consumidor normal, que vai a um supermercado fazer as suas compras para compor uma garrafeira com vinhos de alguma qualidade mas não quer deixar lá um ordenado, se opta por esta gama dos vinhos até 10 €, ou mais para baixo, no Douro arrisca-se a apanhar um bom punhado de decepções. Perante isto fico sempre na dúvida: afinal, o que valem verdadeiramente os vinhos do Douro?
Tudo isto, ao fim e ao cabo, para dizer que este Quinta do Crasto 2004, tal como o 2003, não me diz grande coisa, não consigo caracterizá-lo. Tem alguma fruta, um aroma discreto, um ligeiro toque a especiarias no final, mas continua a parecer-me mais um, igual a muitos outros, que não passa da mediania e que não justifica o preço que custa.
Kroniketas, enófilo reservado
Vinho: Quinta do Crasto 2004 (T)
Região: Douro
Produtor: Sociedade Agrícola da Quinta do Crasto
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 8,36 €
Nota (0 a 10): 6
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domingo, 18 de novembro de 2007
Krónikas do Alto Alentejo (III)
No meu copo, na minha mesa 146 - Herdade das Servas, Aragonês 2004; O Cobre (Portalegre)
Foi a primeira incursão gastronómica em Portalegre desde que aqui assentei arraiais (na primeira visita houve um almoço noutro local, de que falarei proximamente). A oferta é muita, ao contrário do que eventualmente se poderia esperar, embora me tenha desiludido a oferta de pratos de caça (é mais à base de javali e, vá lá, de vez em quando veado). Lebre e perdiz, as minhas peças de caça de eleição, nem vê-las.
Como vou estar por cá durante algumas semanas, vou ter tempo para explorar o que há por aí, na serra de São Mamede, no caminho para Estremoz, no caminho para o Crato e Alter do Chão. Há muitas referências e vou tentar aproveitar as oportunidades que tiver.
A primeira visita foi a um local referenciado pelos grelhados do norte alentejano, junto ao hospital de Portalegre. Curiosamente, neste local existia outra referência recorrente, que aparece em todos os guias gastronómicos: o Rolo Grill. A verdade é que esse “grill” agora passou-se para as termas de Cabeço de Vide, e no mesmo local surgiu este Cobre. Guiado por residentes na cidade, fui experimentar este restaurante, que tem uma sala de dimensão média (cerca de 40 lugares), embora a ventilação seja algo deficiente. Estavam 11 graus na rua e um calor de Verão no interior do restaurante. Todos os agasalhos tiveram que ser despidos e as mangas arregaçadas.
Na mesa repousavam já algumas entradas de enchidos (não é propriamente a minha predilecção em qualquer refeição), mas a grande dificuldade foi a escolha do vinho e do prato (a oferta é enorme, principalmente entre as carnes). Acabaram por ser pedidos um leitão assado encomendado no próprio dia da região da Bairrada (quanto a mim, para comer leitão assado não vale a pena vir ao norte alentejano, prefiro ir à Mealhada), enquanto eu escolhi, de várias opções apresentadas pelo dono, uma mista de veado e javali, com setas, na frigideira (as setas são um tipo de cogumelo que vinha embebido no molho). A acompanhar, umas migas de couve envolvidas em ovo, embora muito longe de outras já comidas no Abrigo. Foi um prato diferente daquilo que conheço, bastante saboroso, embora um pouco fora do meu género preferido, muito à base da fritura. Mas com uma confecção irrepreensível.
Como sobremesa optei por um doce que já se tornou um clássico em todo o país, quase sempre apresentado como “doce da casa”, neste caso sob a designação de “Doce maravilha”, que não é mais que as habituais natas sobre bolacha embebida em café e uma espécie de leite creme, polvilhado com umas pepitas de chocolate. A verdade é que este, sem sombra de dúvida, foi um dos melhores que já experimentei.
O vinho foi escolhido mais ou menos a olho e por sugestão. Falou-se no inevitável Altas Quintas (o Reserva custava “apenas” 45 €), havia uma prateleira com uma imensa exposição de vinhos alentejanos (e alguns outros) e entre alguns que não conheço acabámos por escolher um Herdade das Servas Aragonês 2004. Primeiro foi colocada uma “pinga no copo” para provar e logo aí se verificou estarmos na presença de um grande vinho, com uma grande estrutura e um corpo volumoso. Sugeri que fosse decantado e já o “decanter” estava a postos...
Depois vieram os adequados copos grandes em forma de tulipa, enquanto o vinho repousava à espera de desenvolver os aromas e amaciar o corpo e os taninos. Depois de bebido de novo, encontrámos um corpo interminável, com uma persistência daquelas que dura, dura, dura... e um final com um toque ligeiramente apimentado, como é muito característico da casta Aragonês. Ao longo da refeição foi-se tornando cada vez mais macio, mantendo o corpo e a estrutura na boca. Os aromas a fruta não são muito pronunciados, diluindo-se mais na predominância das especiarias. Mas um vinho que nos enche os sentidos, um grande vinho sem qualquer dúvida (o próprio professor Virgílio Loureiro destaca como característica marcante dos grandes vinhos a sua persistência, marca distintiva da longevidade que o vinho pode suportar).
A Herdade das Servas é um dos produtores alentejanos dos novos tempos, que conheci há uma meia-dúzia de anos através de uma marca até então completamente ignorada, o Monte das Servas, que me surpreendeu grandemente pela positiva. Longe estava eu de imaginar o sucesso que viria a ter daí para cá. Actualmente, é um dos produtores de referência no Alentejo, com a propriedade situada a alguns quilómetros de Estremoz, junto à estrada nacional 4 em direcção a Arraiolos (é quase vizinha do Monte da Caldeira, de João Portugal Ramos). A gama de produtos tem vindo a diversificar-se, actualmente o antigo Monte das Servas ganhou o apelido de Colheita Seleccionada e entretanto apareceram os Reservas e os monocastas. Esta experiência com o Aragonês foi altamente gratificante, revelando todo o potencial dos vinhos da casa. Sem dúvida uma marca a fixar como referência incontornável dos produtores alentejanos do século XXI.
Para mais informações acerca deste produtor, sugere-se a leitura do artigo do Copo de 3 sobre a visita à herdade, um bom documento para ficarmos mais inteirados do que a casa tem para nos oferecer. Se o tempo e a disponibilidade o permitirem, ainda vou tentar, um dia qualquer, passar por lá na ida ou na volta para fazer um visita. O único problema é que entre Portalegre e Lisboa os produtores de vinho são tantos que seriam necessários vários dias para os visitar a todos...
Em resumo, o serviço é da altíssima qualidade (de realçar que um dos empregados, alguns minutos depois do vinho decantado, veio perguntar-nos se podia servir o vinho, o que é raro acontecer), pleno de profissionalismo e ao mesmo tempo de simpatia, a confecção irrepreensível, o serviço de vinhos seguindo todos os trâmites, pelo que só podemos considerar que é quase merecedor da nota máxima. Apesar de tudo, já encontrámos alguns que nos encheram mais as medidas, mas este fica como um daqueles onde vale a pena voltar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Restaurante: O Cobre
Av. Pio XII, Lote 17 - R/C Dto (junto ao hospital)
7300-073 Portalegre
Telef: 245.328.472
Preço médio por refeição: 40 €
Nota: 4,5
Vinho: Herdade das Servas, Aragonês 2004 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Herdade das Servas
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês
Preço no restaurante: 27 €
Nota (0 a 10): 8,5
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Krónikas Vinícolas
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22:36
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