Outro vinho provado há algum tempo, ainda antes de aparecerem novas marcas deste produtor, actualmente com um leque de produtos bastante mais alargado.
Este foi um daqueles vinhos que às vezes se compram mais por curiosidade e pelo baixo preço, sem criar grandes expectativas à partida, tendo em conta a imensidão da oferta.
A garrafa foi aberta numa refeição de caça, para acompanhar (com outras) um prato de lebre. Ao primeiro golo fiquei agradavelmente surpreendido, com uma boa estrutura na boca a envolver bem o álcool, a par com uma boa intensidade aromática. Nem estava a ligar muito à informação do vinho, até que resolvi olhar melhor para a garrafa. Só então é que dei atenção à menção, que aparecia cá no fundo, à Touriga Nacional, e fiquei a pensar que este é um bom exemplo do aproveitamento da Touriga noutras paragens longe do Dão e do Douro.
Ao contrário de outros exemplos que por vezes vamos apanhando por aí, em que a “tourigização” do país nem sempre se torna uma mais-valia, esta pareceu-me uma aposta bem conseguida, com o aroma floral da Touriga a domar e amaciar o corpo e a pujança do Alentejo.
Daí para cá apareceram outras variantes e outros nomes desta casa, que a julgar por esta amostra poderão merecer mais atenção.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Encostas de Estremoz, Touriga Nacional 2003 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Encostas de Estremoz, Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 7,5
sexta-feira, 11 de julho de 2008
No meu copo 189 - Encostas de Estremoz, Touriga Nacional 2003
terça-feira, 8 de julho de 2008
No meu copo 188 - Valle Pradinhos 2001
Poucas vezes um vinho feito com um lote de castas me mostra o que lá tem logo à primeira. Vou tentando umas aproximações, às vezes consegue-se perceber melhor o que lá está, outras vezes tentamos adivinhar mas atiramos ao lado. Há algum tempo eu e o tuguinho abrimos uma garrafa de Valle Pradinhos, vinho transmontano de Macedo de Cavaleiros que já tinha provado há muitos anos mas de que não tinha memória.
Ao aspirar os aromas, e sem sequer olhar para a informação da garrafa, soltei esta sugestão: “parece-me Cabernet...”. Depois fiz outra aproximação e acrescentei: “ou então Touriga...”. Para tirar as dúvidas olhámos ao contra-rótulo. Para minha própria surpresa, encontrei lá precisamente as duas! Desta vez a impressão foi correcta, o que é quase acertar no bingo...
Passando da prova olfactiva para a gustativa, o vinho acabou por ficar um pouco aquém das expectativas. Já com alguma evolução, o corpo apareceu um pouco para o delgado e o final algo curto. Os traços mais marcantes das castas menos pronunciados que no nariz, já algo desmaiados.
Não sei se o vinho não aguenta esta idade, pelo que vou voltar à carga com uma colheita mais recente. O potencial pareceu estar lá mas ter fugido. Vamos aguardar pela próxima.
Vinho: Valle Pradinhos 2001 (T)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Maria Antónia Mascarenhas
Grau alcoólico: 14%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Tinta Amarela
Preço em feira de vinhos: 7,28 €
Nota (0 a 10): 7
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quarta-feira, 2 de julho de 2008
No meu copo 187 - Quinta da Alorna: Reserva, Touriga Nacional 2003; branco 2006

A Touriga Nacional é a casta da moda. Planta-se em todo o lado, de norte a sul, e entra numa parte significativa dos vinhos de quase todas as regiões. A verdade é que, como já várias pessoas disseram, corremos o risco de assistir à “touriguização” do país vinícola, perdendo a tipicidade das várias regiões. Vem isto a propósito deste vinho que tive oportunidade de abrir, um Touriga ribatejano da Quinta da Alorna.
No contra-rótulo reza assim:
“É um bom exemplo da expressão da Touriga Nacional, a mais famosa e mediática casta tinta portuguesa. Um aroma efusivo cheio de resinas e anisados com flores silvestres, rebuçado de groselha e chocolate. Na boca mantém o perfil, resinoso e balsâmico, taninos gordos, fruto maduro, um tanto exuberante apesar da evidente qualidade.”
Na realidade, a mim pareceu-me mais um vinho em que a Touriga Nacional perde as suas características e a região também. Posso não ter compreendido bem o que estava a beber, mas a sensação que ficou é que este Quinta da Alorna Reserva feito com Touriga Nacional acaba por não ser um ribatejano típico nem um Touriga Nacional verdadeiro. Às vezes as combinações saem perfeitas e consegue-se um bom resultado das misturas mais inesperadas, mas neste caso fiquei com uma impressão diversa. Tal como parece acontecer quando se mete a Touriga Nacional nos vinhos da Bairrada (ficámos com essa sensação nos Ensaios Filipa Pato), este ribatejano perdeu as suas características e a Touriga também não me pareceu tão efusiva como dizia o contra-rótulo, nem o floral estava lá. Pode ser que numa próxima tentativa...
E já que estamos com a mão na massa, passamos ao branco. A Quinta da Alorna é uma das casas que têm contribuído para a recuperação da imagem dos vinhos do Ribatejo e já tem no seu portefólio um número significativo de vinhos bastante apreciáveis. Já tivemos oportunidade de provar o tinto normal, um branco Colheita tardia e um rosé de Touriga Nacional, e agora acrescentamos este branco à lista.
Feito a partir de duas das melhores castas brancas do país, a incontornável Arinto e a Fernão Pires, que se destaca entre as brancas no Ribatejo, tem uma cor citrina forte, aroma também marcadamente citrino, boca média e final marcado por uma acidez refrescante. Um branco que pode ser versátil, para pratos leves de peixe ou marisco ou para outros mais elaborados. Uma aposta refrescante e simpática para o Verão, e mais um bom produto desta quinta.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Vinho: Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 6,5
Vinho: Quinta da Alorna 2006 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 2,79 €
Nota (0 a 10): 7
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domingo, 29 de junho de 2008
No meu copo, na minha mesa 186 - Tinto da Ânfora 2006; A Taverna (Lisboa)



Há alguns meses fui levado por um amigo a descobrir um restaurantezinho meio escondido na Rua das Amoreiras, em Lisboa. Chama-se A Taverna, restaurante típico e passa praticamente despercebido na sua porta negra de metal, ali mesmo em frente ao jardim das Amoreiras.
O ambiente é acolhedor e recatado, bom para refeições sossegadas. A ementa está escrita à mão numa espécie de lampião, a decoração é sóbria, com algumas referências à Lisboa antiga, a puxar para o rústico e, talvez, para o ambiente das casas de fado.
Começámos por ir debicando nas entradas um queijo fresco que estava demasiado salgado, pelo que não agradou muito. Para os pratos as escolhas recaíram em petinga frita com açorda e no meu caso em entrecosto no forno. Vinha bem apaladado e acompanhado com batatas assadas e castanhas com uma cebolada por cima.
Para sobremesa optámos pela sericá/sericaia, que merece honras de destaque na casa, pois até existe um folheto explicativo da sua origem. Há algum tempo tivemos aqui um bate-boca com o Copo de 3 por causa disto, e afinal agora surge um folheto que nos diz que a sericaia foi trazida de Malaca pelos nossos marinheiros em 1511... A verdade é que fez jus ao que se espera, e ficámos satisfeitos.
O serviço é simpático e atento, sem grandes salamaleques mas eficaz. Pelo preço e pela qualidade vale a pena lá voltar.
Para acompanhar a refeição a escolha recaiu num Tinto da Ânfora, vinho alentejano produzido pela Bacalhôa na Herdade das Ânforas, perto de Arraiolos. Mostrou-se bem encorpado e predominantemente frutado, com um final persistente mas pecando (mais uma vez) pelo excesso de álcool que o tornava um bocado cansativo. Bebe-se sem sacrifício mas corre o risco de fartar.
Restaurante: A Taverna
Rua das Amoreiras, 47
1250-022 Lisboa
Telef: 21.387.49.00
Preço por refeição: 24 €
Nota (0 a 5): 4
Vinho: Tinto da Ânfora 2006 (T)
Região: Alentejo (Arraiolos)
Produtor: Bacalhôa Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Trincadeira
Preço em hipermercado: cerca de 6 €
Nota (0 a 10): 6,5
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quarta-feira, 25 de junho de 2008
No meu copo 185 - Dão Milénio, Touriga Nacional e Aragonês 2004
Certo dia, ao almoço num restaurante de Lisboa, vi a alguns lugares no balcão onde me encontrava uma garrafa de vinho com um rótulo e um nome que não conhecia: Milénio. Perguntei ao empregado que vinho era aquele e ele mostrou-me uma garrafa. Vinho do Dão, de Penalva do Castelo. Como na ocasião ia lá almoçar todos os dias, resolvi num dia subsequente em que tinha companhia pedir uma garrafa daquele para experimentar.
Devo dizer que desde sempre (quando comecei a beber vinho) fui um apreciador dos tintos do Dão, que não costumam ser devidamente valorizados. Aprecio a macieza, a suavidade, a elegância destes tintos, que acho que não tem igual no país. Mas a moda leva os consumidores por outros caminhos...
Provado este Milénio, feito com as castas Aragonês e Touriga Nacional, fiquei bastante agradado com o resultado (aliás, são as duas castas rainhas nas regiões mais a norte; só não percebi o porquê de o Aragonês não aparecer aqui com o nome de Tinta Roriz). Veio ao encontro do que eu esperava . Uma bela cor rubi, um aroma profundo num misto entre a flor e os frutos silvestres, muito redondo na boca mas com bom corpo e um final persistente mas suave.
Mais tarde procurei este vinho nas prateleiras dos supermercados e acabei por encontrá-lo a um preço muito convidativo e obviamente trouxe um exemplar para casa. Dentro dos vinhos bons a baixo custo, este foi um dos que mais me agradaram nos últimos tempos. Considero-o uma excelente aposta para o dia-a-dia e uma boa companhia para pratos de carne suaves e com algum requinte. Valerá a pena olhar melhor para os vinhos deste produtor, pois se este entra na gama baixa é capaz de haver produtos bem interessantes na gamas superiores.
Quanto a nós, é mais um nome que acrescentámos à nossa lista dos recomendáveis.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Milénio 2004 (T)
Região: Dão
Produtor: Adega Cooperativa de Penalva do Castelo
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7,5
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domingo, 22 de junho de 2008
No meu copo 184 - Quinta do Encontro, Preto Branco 2004
A Quinta do Encontro é uma das muitas quintas que a Dão Sul, empresa sedeada em Carregal do Sal, já possui em várias regiões do país (Dão, Douro, Bairrada, Estremadura e Alentejo), numa estratégia de expansão que a torna já uma das principais produtoras a nível nacional. Neste caso falamos da propriedade situada no coração da Bairrada, em S. Lourenço do Bairro, Anadia, que foi recentemente objecto de investimento substancial.
Desta quinta já tínhamos tido a oportunidade de provar o Quinta do Encontro Merlot-Baga e agora provámos este vinho adquirido o ano passado com um dos números da Revista de Vinhos. Apresenta um conceito invulgar, pois é feito com duas castas tintas e uma casta branca. Não sendo um Bairrada clássico, não deixa de surpreender de alguma forma pela pujança que apresenta, a fazer lembrar outros estilos, embora com um perfil mais moderno e frutado sem deixar de se apresentar algo fechado. A Baga faz sempre notar os seus efeitos. Boa estrutura na boca, com taninos firmes mas bem domados, acidez muito equilibrada e boa persistência.Enfim, não sendo de encantar não deixa de ser um vinho capaz de fazer boa figura perante pratos robustos ao mesmo tempo que pode cativar os mais renitentes perante os vinhos bairradinos.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta do Encontro, Preto Branco 2004 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta do Encontro
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Touriga Nacional, Bical
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7,5
PS: outra prova deste vinho no Copo de 3
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quinta-feira, 19 de junho de 2008
No meu copo 183 - Primavera, Baga 97

Mais um exemplar de Baga dos antigos. Sem estar já com aquela pujança habitual
dos tintos clássicos da Bairrada, mostrou ainda uma saúde notável para um vinho com esta idade, ainda de cor fechada, boca muito cheia e uma grande persistência, mas já amaciado pela idade, com a tradicional adstringência já bem domada.
Ainda consegue ser um daqueles vinhos que quase se mastigam, que se impõe (para apreciadores como nós) pelo contraste com os vinhos da moda, com fruta, fruta e mais fruta. Este também é daqueles onde encontramos um grau alcoólico dentro de parâmetros “normais”, sem ser cansativo.
De vez em quando continua a saber-nos bem fugir ao habitual e saborear um vinho destes, de quando a Bairrada ainda era “aquela” Bairrada que só alguns apreciavam...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Primavera, Baga 97 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves Primavera
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Baga
Preço em feira de vinhos: 3,12 €
Nota (0 a 10): 7,5
sábado, 14 de junho de 2008
No meu copo 182 - Bairrada Sogrape Garrafeira 99

Este prometia ser outro clássico, mas acabou por decepcionar. No início revelou aquele aroma profundo tão típico da casta Baga, mas na prova mostrou-se delgado em demasia, sem a pujança e o corpo que normalmente os Bairrada clássicos apresentam. Talvez a mistura com as mais típicas do Dão, Alfrocheiro e Jaen, lhe tenha retirado alguma tipicidade e descaracterizado o vinho.
A evolução no copo foi favorável, mas não tanto como seria de esperar. O final foi curto e os aromas terciários que esperávamos dum Bairrada com esta idade... não estavam lá. Em tempos mais recuados este Bairrada da Sogrape fazia jus ao nome da empresa. Esperemos que esta tenha sido apenas uma colheita menos feliz. Ou então já passou o tempo de beber, mas tendo em conta as provas anteriores deveria ter outra duração.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Sogrape Garrafeira 99 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Baga, Alfrocheiro, Jaen
Preço em feira de vinhos: 5,19 €
Nota (0 a 10): 6,5
quarta-feira, 11 de junho de 2008
No meu copo 181 - Tintos velhos da Bairrada (1)

O tempo é sempre uma surpresa. Para o bem ou para o mal. Costuma-se dizer que o tempo faz aos vinhos o mesmo que faz aos homens: apura os bons e azeda os maus. O problema é que nem sempre sabemos se o que se esconde por detrás da máscara, ou dentro da garrafa, é bom ou mau.
Guardar vinhos é uma aposta arriscada. Quantas vezes cada um de vós já foi buscar “aquela” garrafa que estava ali guardada para uma ocasião especial e ao abri-la o vinho estava passado, azedo, em vinagre? Quantas vezes uma rolha em mau estado deixou o líquido impróprio para consumo, ou se desfez dentro do gargalo? Mesmo nos não muito velhos às vezes isso acontece, quanto mais em vinhos com mais de uma década...
E há uma década faziam-se vinhos para guardar. Alguns diziam mesmo para aguentar durante 10 anos. Hoje são raros aqueles em que existe essa indicação, raríssimos os que nos dizem para aguentar durante 20 anos. Quando vêm para o mercado, na maior parte dos casos já esperaram o tempo suficiente para estarem no ponto certo para beber. E no entanto, quem não teve já aquela curiosidade de saber como é que aquele vinho estará daqui a uns anos, se agora está assim? Será que ainda pode melhorar?
Pois foi isso que este vosso amigo fez, precisamente há uns 10 anos. A casa era mais pequena, não havia arrecadação, a garrafeira começou a crescer e os vinhos começaram a passar da despensa para a casa de banho. Havia que dar uma solução àquilo. E a solução foi pegar numa série de prateleiras, pô-las no carro e levá-las para longe, de noite para não apanharem calor, algures para uma cave duma casa no Alentejo. Foram bastantes. Ainda lá estiveram umas 30 ou 40 garrafas (ou talvez mais, não me lembro ao certo) que se foram abrindo quando lá ia. Quantas se revelaram já fora de prazo, adocicadas, parecendo mais vinho do Porto...
E no entanto... Há alguns meses resolvi trazer o que restava do stock de regresso. Cobertas de pó, com os rótulos meio desfeitos pela humidade. Havia que saber em que estado aquilo estava. Ficaram na arrecadação e comecei a trazê-las para cima a pouco e pouco. Uns bifinhos bem temperados eram um bom pretexto para abrir uma delas. O que teria o tempo feito a estes vinhos?
Eram todos do Dão e, sobretudo, da Bairrada. Muitos da Bairrada. Os primeiros foram abertos no Encontro de Eno-blogs na York House: dois Messias Garrafeira de 83, que surpreenderam os presentes. Até a mim. Estavam bons, já muito evoluídos mas sem sinais de estragos. Isso entusiasmou-me a continuar.
Comecei por um São Domingos de 91, comprado em 94. As Caves São Domingos não têm tido grande destaque no panorama nacional, e mesmo na região. Não se vêem muitos por aí. Este, quando o comprei, era quase imbebível, de tão adstringente. Era daqueles Bairrada que em novos só os apreciadores conseguem provar. Estava espectacular. Uma cor carregada, ainda fechada, aromas profundos bem marcados pela casta Baga, aromas terciários que vêm pelo copo acima, aquele aroma que se aspira sem parar e quase parece eterno e que até hoje só encontrei nos vinhos velhos da Bairrada. Na prova de boca, um corpo envolvente e robusto, mas com os taninos completamente amaciados por mais de uma década de repouso. Um grande vinho, daqueles que dão um prazer imenso a beber. O tempo foi-lhe benéfico.
Seguiu-se um Casa de Saima Reserva de 91. Outro que em novo poucos conseguiriam beber. Comprado em 95. Uma rolha impraticável. O saca-rolhas furou-a pelo meio e, assim como entrou, saiu. A rolha ficou lá no mesmo sítio, inamovível, e os destroços provocados pelo saca-rolhas ficaram dentro do líquido. As perspectivas eram as piores. Nova tentativa e era como se a rolha não estivesse lá. Tentei com um daqueles com duas patilhas, que tentam agarrar a rolha pelos lados, junto ao gargalo, mas ela não saía. Só restou a faca, com a qual tentei puxá-la aos bocados. E foi aos bocados que ela acabou por se ir desfazendo, até que não restou alternativa a não ser empurrá-la para dentro da garrafa.
Foi um processo demorado. Tive que recorrer ao decanter e a alguns filtros de café, que estão ali para estas emergências. Despejei o líquido pacientemente para dentro do decanter, em pequenas porções até ensopar o filtro. Foram uns 10 minutos nisto. No final consegui livrar o vinho dos destroços da rolha e a maior parte ainda ficou na garrafa. As fotos de cima mostram o estado em que a rolha ficou dentro da garrafa.
E na prova? Ainda melhor que o anterior. Fantástico. Um verdadeiro Bairrada à moda antiga. Nem um leve aroma a mofo, nem um toque de contaminação pela rolha, nem sequer um pouco de depósito no fundo. Uma cor quase retinta, retratada na foto, outra vez “aquele” aroma. Fui bebendo sem dar por isso. E quando dei, mais de ¾ da garrafa tinham marchado. Era só ir despejando do decanter para o copo. Uma experiência rara. Esqueci-me completamente dos termos que o pessoal escreve aqui nos blogs. Aromas assim ou assado, balsâmicos, tostados ou cacau? Quais frutos secos ou frutos vermelhos... Que interessa isso? Quero lá saber! Só usufruir daqueles momentos únicos, só eu e o vinho, e os meus bifes com ervas de Provence. Sei lá se vou encontrar mais algum assim... Será que os vinhos têm alma? Se têm, esta estava lá.
Prossegui o périplo por um Messias de 87, comprado em 93. Este mais “normal”, digamos, mas como os anteriores ainda muito bem bebível. Em novo não era tão agreste, pelo que agora não ganhou tantos aromas escondidos. Mas marca bem a diferença com o mesmo vinho de agora. Qualquer semelhança entre este e um Messias de 2003 ou 2004, só mesmo no nome. Mais um clássico, que agora cedeu aos ditames da moda.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Bairrada
Vinho: São Domingos 91 (T)
Produtor: Caves São Domingos
Grau alcoólico: 12%
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Casa de Saima 91 (T)
Produtor: Casa de Saima
Grau alcoólico: 12,5%
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Messias 87 (T)
Produtor: Caves Messias
Grau alcoólico: 11,5%
Nota (0 a 10): 7,5
sábado, 7 de junho de 2008
Na Wine O’Clock 4 - Brancos e rosés



Mais uma prova na Wine O’Clock a um sábado, desta vez subordinada aos vinhos de um distribuidor. Tivemos a presença unicamente de vinhos brancos e rosés, com os produtores Companhia das Quintas, Herdade Grande e Quinta do Casal Branco.
A prova começou pelos rosés da Herdade Grande e da Quinta do Cardo, ambos de 2007. Este mais leve e aromático, proveniente duma quinta situada a 700 metros de altitude em Figueira de Castelo Rodrigo, uma das 7 pertencentes à Companhia das Quintas (as outras são a Quinta da Romeira, em Bucelas; a Quinta de Pancas, em Alenquer; a Quinta de Pegos Claros, em Palmela; a Herdade da Farizoa, em Elvas; a Quinta da Fronteira, no Douro; e as Caves Borlido, na Bairrada); aquele mais encorpado e com mais estrutura, proveniente da planície alentejana, na zona da Vidigueira.
Seguiram-se os brancos, onde tivemos oportunidade de voltar a provar o Herdade Grande, o Falcoaria, da Quinta do Casal Branco, e três brancos fermentados em madeira da Companhia das Quintas: o Quinta de Pancas Chardonnay Reserva, o Quinta do Cardo Síria Reserva e o Morgado de Sta. Catherina Reserva, todos de 2006. Estes brancos reserva têm a curiosidade de terem os seus rótulos homogeneizados para transmitir a imagem que daquilo a que a Companhia das Quintas chamou “The Quinta Collection”.
Pessoalmente não sou grande fã dos brancos fermentados em madeira pelo que o que mais me agradou foi o Falcoaria, muito suave e aromático e não fermentado em madeira, feito à base da casta Fernão Pires. Não deixa de ser interessante o Quinta do Cardo Síria, o mesmo nome da casta Roupeiro no Alentejo, um branco com a frescura da altitude. O Morgado de Sta. Catherina tem aquela força da acidez do Arinto de Bucelas e esta nova versão do Quinta de Pancas Chardonnay tem aquela untuosidade habitual no Chardonnay mas mantém uma certa frescura, talvez mais do que o de 2005 que tinha provado no Hotel da Penha Longa, tal como o Herdade Grande. Este último foi, assim, uma repetição, pelo que não trouxe novidades.
Em conjunto foi um painel interessante que nos trouxe alguns produtos que vale a pena conhecer e que de certa forma representam a retoma dos brancos em Portugal e o crescente apelo que os rosés têm vindo a transmitir. Pelo meio algumas conversas com os produtores presentes (o próprio António Manuel Lança esteve lá e falou-nos da sua Herdade Grande na Vidigueira) e com o director comercial da Companhia das Quintas, que ainda nos apresentou uma comparação entre o panorama dos vinhos nos anos 80 e agora a partir dum documento que encontrou com a referência aos vinhos vendidos há cerca de 25 anos. Como as coisas mudaram...
Kroniketas, enófilo esbranquiçado
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Etiquetas: Brancos, Casal Branco, Companhia Quintas, Encontros, Lanca, Rosé, Wine O'Clock
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Prova de vinhos no Hotel da Penha Longa (2)
Depois da primeira incursão ao Hotel da Penha Longa, um fim-de-semana destes voltámos ao local do crime. O nosso anfitrião, Julian Milisse, desta vez preparou uma prova horizontal de vinhos tintos de 2005, de diferentes regiões e feitos com diferentes castas, de modo a estabelecer as diferenças entre eles.
Tivemos um Villa Romanu, da Herdade do Perdigão, do Alentejo; um Bridão Merlot, da Adega Cooperativa do Cartaxo, do Ribatejo; um Quinta do Peru, de Terras do Sado; um Dão Cativelos; e um Casa Burmester Reserva, do Douro.
O grupo de convivas desta vez era mais extenso e nem todos habituais bebedores, pelo que houve opiniões muito discrepantes nas provas. Pessoalmente achei o Villa Romanu um vinho fácil de beber e adequado para o dia-a-dia; o Bridão Merlot mais fechado e com um certo fundo vegetal que não agradou por aí além; o Quinta do Peru com a madeira demasiado marcada, coisa aliás habitual em muitos vinhos das Terras do Sado, mas houve quem gostasse assim; para os menos habitués, o Dão Cativelos cativou-os. Muito suave e com aroma frutado muito elegante. Por último, o Casa Burmester, mais complexo mas menos fácil numa primeira abordagem, mas certamente o mais equilibrado e completo de todos.
Conversa puxa conversa, fala-se dos vinhos preferidos e eis que vem à conversa o Duas Quintas e o Bons Ares. A certa altura Julian Milisse pergunta-nos se qual dos dois queremos provar e sugerimos... ambos. E ambos deixaram os presentes convencidos.
Pelo meio ainda nos foi pregada uma partida com uma garrafa tapada, que continha um vinho oxidado, que nos apanhou completamente de surpresa. Não estava propriamente azedo, mas cheirava a um bálsamo que se costumava friccionar no peito para a tosse...
Foram quase duas horas de animada conversa e mais uma vez ficou a promessa de voltarmos para outras provas e outras conversas.
Kroniketas, enófilo assíduo
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Etiquetas: Encontros, Penha Longa
sábado, 31 de maio de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XXV)
O balanço final
Terminada a minha permanência em Portalegre, preenchida por bastantes visitas a restaurantes e produtores de vinho e pela descoberta da gastronomia e vinicultura da região, vale a pena fazer um balanço final destas deambulações por terras do Alto Alentejo.
Em termos vínicos aproveitei para descobrir uma série de marcas que ainda não tinha provado e algumas revelações muito interessantes. O perfil de muitos destes vinhos, particularmente nas terras altas de Portalegre, é diferente da maioria dos outros vinhos alentejanos, da planície. Mais frescos, mais suaves e menos pesados, embora isso por si só não faça deles necessariamente melhores vinhos que os outros. Também aconteceram algumas decepções, como o Pedra Basta, o Monte da Penha Reserva e o Monte da Cal Reserva. Revelações agradáveis foram o Casa de Alegrete e o Terrenus, não esquecendo o excelente Herdade das Servas Aragonês, mas esse não foi uma surpresa, vindo de onde vem.
Quanto à gastronomia, dentro da tipicidade regional que sempre procurei, e que por si só também não constituiu nenhuma revelação especial, o que mais me surpreendeu (pela positiva) foi a qualidade superior do serviço e da confecção da maioria dos restaurantes visitados. Fiquei verdadeiramente siderado com o profissionalismo da maioria daquelas pessoas e o modo como levam a sério a sua actividade. Atendimento de altíssima qualidade e com grande eficiência, que faz o cliente ficar com vontade de voltar, a complementar uma confecção absolutamente irrepreensível. Destaco nesse aspecto o Rolo Grill, o Tomba Lobos, o Cobre, o Caldeirão de Sabores, a Gruta, a Cadeia Quinhentista e o São Rosas, estes dois últimos em Estremoz. Ainda em Estremoz, talvez a grande desilusão de toda a minha permanência na região, a não menos famosa Adega do Isaías, um espaço como já não se usa e que de modo nenhum justifica a fama que tem. Será que a ASAE já lá foi?
O que mais impressiona é o facto de Portalegre ser uma cidade bem no interior do país e longe de quase tudo, sem grandes referências nas proximidades, a não ser as vilas de Marvão e Castelo de Vide, mas não é certamente a região turística mais apelativa. Isso parece não demover os profissionais da gastronomia de apostar acima de tudo na qualidade, como aliás devia ser apanágio de todos os que entram neste ramo. Tomara a grande maioria dos restaurantes de Lisboa e do Algarve, os dois principais destinos turísticos do país, terem a qualidade destes que por aqui encontrei.
Kroniketas, gastro-enófilo regressado
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Etiquetas: Alto Alentejo, Viagens
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XXIV)
No meu copo, na minha mesa 180 - .com 2005; São Rosas (Estremoz)

Foi a minha despedida do Alto Alentejo e das minhas actividades em Portalegre. Com o carro carregado até acima, saí à hora de almoço e em Estremoz fiz a segunda tentativa no São Rosas, o restaurante de Margarida Cabaço (produtora do vinho Monte dos Cabaços) e uma das principais referências gastronómicas da região, dentro das muralhas do castelo. Desta vez estava aberto. Lá deixei o carro com a bagagem à vista ali no largo junto à pousada e não me arrependi.
O espaço não é muito amplo mas mostra-se bastante acolhedor, quase intimista (não tanto como na Cadeia Quinhentista, mas ainda assim...). A zona de refeições fica mais abaixo, à esquerda, e à direita fica um pequeno balcão com o bar, pelo que o visitante tem uma perspectiva de todo o estabelecimento quando franqueia a porta de entrada.
Estando sozinho, fui conduzido à mesa mais ao fundo, ao canto da sala e junto a uma série de prateleiras onde repousam variadas garrafas de vinho, com os respectivos locais devidamente catalogados. Para beber uma era só esticar um braço e tirá-la...
A ementa apresenta-nos uma enorme variedade de opções de pendor regional, mas sendo eu um amante da caça (no prato, não para ir caçar) voltei a optar por um prato de perdiz, tal como tinha feito na Cadeia Quinhentista. Desta vez com o nome Perdiz à Glória, estufada e regada com molho de azeite, acompanhada com batatas, couve e esparregado. Uma verdadeira delícia.
Na sobremesa voltei a deixar-me seduzir pelos doces conventuais e terminei em beleza com uma excelente encharcada.
Para acompanhar estes pitéus escolhi meia garrafa do vinho do “filho da patroa”, como lhe chamou o empregado que me atendeu: o .com, produção de Tiago Cabaço que resolveu voar sozinho. E parece fazê-lo bem. Apesar dos 14 graus de álcool, apresentou-se muito equilibrado, sem aquele perfil pesado e enjoativo que tenho notado em muitos destes vinhos hiper-alcoólicos. Predomina a fruta e mostra-se macio, os taninos estão bem domados e envolvidos por um bom corpo. Pareceu-me ser uma aposta simpática e bem conseguida.
O serviço é 5 estrelas, mais uma vez com grande profissionalismo e eficiência, sem qualquer falha. No final duma excelente refeição não deixei de dar os parabéns ao responsável. Foi o que se chama terminar em beleza e com a certeza de que hei-de lá voltar. Este entra no rol dos obrigatórios.
Kroniketas, gastro-enófilo viajante
Restaurante: São Rosas
Largo D. Diniz, 11
7100-509 Estremoz
Tel: 268.333.345
Preço por refeição: 33 €
Nota (0 a 5): 5
Vinho: .com 2005 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Tiago Cabaço
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 2,98 €
Nota (0 a 10): 7
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segunda-feira, 26 de maio de 2008
A propósito de preços
Ainda acerca do preço da refeição n’Os Arcos, que ficou pelos 40 €, só gostava de saber onde é que os senhores que escrevem os livros sobre restaurantes, como um recentemente editado em parceria entre a Revista de Vinhos e o Modelo, entre outros, descobriram que se pode pagar 25 € por uma refeição destas. Só o prato custava 19 € por cabeça. Será que tiveram desconto, ou não beberam vinho nem comeram sobremesa? Poderá ser isso, mas não brinquem connosco quando põem o preço médio duma refeição num livro destes.
Já na recente visita à Casa da Dízima se verificou a mesma discrepância: o livro refere como preço médio 20 €! Só se for para comer uma omoleta!
Perante isto, digam-me lá até que ponto é que podemos confiar nestes guias...
Kroniketas, gastrónomo desconfiado
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domingo, 25 de maio de 2008
No meu copo, na minha mesa 179 - Kopke branco 2006; Os Arcos (Paço d’Arcos)

Por ocasião desta última ponte, o núcleo duríssimo dos Comensais Dionisíacos (leia-se os autores das Krónikas Vinícolas) resolveu ter um almoço mais saudável do que uma dose cavalar de entrecôte ou filet mignon. Com esse objectivo demandou novamente Paço de Arcos, desta vez para penetrar no quase homónimo Os Arcos, porventura o decano dos restaurantes da zona, mas continuando no topo, como se comprova pelas salas sempre cheias e pelos Mercedes à porta.Ultrapassada a luta com um parquímetro que não dava trocos (isso aqui há uns tempos chamava-se roubo, mas agora deve ser arredondamento que se diz), lá descemos a rua Costa Pinto em direcção ao escolhido.
Depois da consulta necessária ao cardápio, secção do peixe - e de se ter evitado uma recaída do Kroniketas para o lado das carnes - optámos por um robalo de mar no capote, devidamente acolitado por feijão verde salteado e batatas a murro. O capote mais não é que uma envoltura em massa de pão que permite manter os sucos do animalejo enquanto é cozido, resultando numa preparação assaz suculenta quando comparada com algumas grelhaduras que o deixam firme e hirto como uma barra de ferro.
Não nos arrependemos da escolha, e até o envoltório de pão se finou pela garganta abaixo dos mastigantes, com evidente satisfação (dos mastigantes, não do pão).
Para beber com o nadador compulsivo escolhemos um branco relativamente recente no mercado, da casa Kopke, anteriormente produtora exclusiva de vinhos do Porto. Com um discreto aroma floral e uma magnífica cor amarelo-citrino, mostrou-se na boca suave, com um fundo mineral que complementou muito bem as notas florais que em primeiro se mostraram, tudo muito bem envolvido por uma acidez tão equilibrada quanto discreta. Álcool muito bem integrado com uma graduação certíssima (e raríssima nos tempos mais recentes), temperatura de serviço ideal e mais um branco do Douro a ter em conta quando formos às compras, até porque é barato (no mercado deverá andar por baixo dos 4 €).
Para compensar o pecado do peixe (muito mais grave a nosso ver que o pecado da carne!), escolhemos para sobremesa uma surpresa de chocolate, fatia com base de bolo de chocolate húmido e recheio estilo mousse de chocolate, que apesar desta constituição não se mostrou enjoativa.
Pode dizer-se que esta primeira arremetida contra Os Arcos se saldou por nota muito positiva, em que teremos de incluir o serviço atencioso e esmerado, que trata clientes e produtos servidos muito bem. Havemos de voltar para atacar uma posta à mirandesa da qual nos foram tecidas loas muito atraentes. Ou então um valente bife... O preço é bem puxado, mas vale aquilo que custa.
tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos
Restaurante: Os Arcos
Rua Costa Pinto, 47
2780-582 Paço de Arcos
Telef: 21.443.33.74
Preço por refeição: 40 €
Nota (0 a 5): 5
Vinho: Kopke 2006 (B)
Região: Douro
Produtor: Kopke
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Gouveio
Preço no restaurante: 12 €
Nota (0 a 10): 7,5
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quarta-feira, 21 de maio de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XXIII)
Adega Cooperativa de Borba


Foi a última visita aos produtores de vinho, já quase em fase de regresso definitivo a casa. Voltei a deslocar-me um pouco para sul e fui até Borba, visitar as instalações da Adega Cooperativa, uma das mais antigas do país e a mais antiga do Alentejo.
Fundada em 1955, tem cerca de 350 sócios que cultivam um total de 2200 hectares de vinha, sendo 65% são de uvas tintas e 35% de brancas, com destaque para Aragonês, Trincadeira, Castelão, Alicante Bouschet, Roupeiro e Rabo de Ovelha em termos de área plantada.
As instalações da Adega Cooperativa de Borba, situada junto à entrada vindo de Estremoz, ocupam cerca de 12.000 m2 e delas fazem parte a zona de fermentação em cubas, a linha de engarrafamento, a cave de estágio em garrafa e barricas e ainda uma loja de venda ao público, onde além da compra se pode ainda fazer a prova de alguns vinhos da casa. Sendo uma Adega Cooperativa, tal como em Portalegre, as vinhas não estão localizadas junto às instalações pelo que não foi possível visitar nenhuma vinha, ao contrário do que acontece com os restantes produtores onde me desloquei. Mas pude ver todo o circuito que o vinho percorre e onde repousa. A Adega Cooperativa recebe anualmente 18 milhões de quilos de uvas e produz 14 milhões de litros por ano. Esta enorme dimensão, completamente diferente dos patamares dos outros produtores que visitei, resulta não em uma mas duas linhas de engarrafamento, totalmente automatizadas desde a colocação das paletes com as garrafas até ao embalamento em caixas.
O portefólio da casa engloba uma vasta gama com mais de 30 marcas, entre brancos, tintos e rosés, que vão desde as de grande consumo como o Convento da Vila e o Galitos para comercialização em bag-in-box, até aos topos de gama Garrafeira e Cinquentenário (produzido para comemorar os 50 anos da Adega), passando pelos conhecidos Reserva com rótulo de cortiça (um dos mais equilibrados em relação qualidade/preço e talvez a grande referência da casa actualmente), o muito badalado Montes Claros Reserva, os mono e bi-varietais, os Borba DOC e AdegaBorba.pt. São ainda produzidos vinhos licorosos, aguardentes vínicas e bagaceiras. Muito trabalho para o enólogo da casa, Óscar Gato.
Os tintos AdegaBorba.pt, varietais, Reserva e Garrafeira têm estágios em madeira, que vão desde 3 a 18 meses, tendo ainda um posterior estágio em garrafa, que vai até 9 meses no Cinquentenário.
No final ainda me desloquei à loja onde pude fazer uma rápida prova do AdegaBorba.pt branco, tinto e rose. Antes de vir embora, como recordação adquiri uma garrafa do Cinquentenário e uma do Garrafeira. Reparei que os preços eram bastante competitivos em relação ao que se vê no mercado, estando o Reserva mais barato do que o mais barato que já encontrei nas grandes superfícies, mas parece que isto nem sempre acontece nos produtores. Neste caso pareceu-me que compensa ao visitante comprar os vinhos na casa.
E assim terminei as minhas incursões vitícolas por terras do Alto Alentejo. Dali ainda dei um salto ao Redondo e passei junto à Roquevale, mas já não houve tempo para entrar. Talvez numa próxima ocasião...
Kroniketas, enófilo itinerante
Adega Cooperativa de Borba
Rossio de Cima
7151-913 Borba
Telef: 268.891.660
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domingo, 18 de maio de 2008
O "senhor Bairrada"

Excelente programa na “Hora de Baco” de ontem, com Luís Pato. Uma verdadeira lição de fazer vinho e de cultura da vinha por parte de um dos mais sabedores e estudiosos enólogos do país.
Para quem ainda puder ver ou gravar, repete na noite de 2ª para 3ª feira na RTP N, com início agendado para a 1 da manhã. A não perder.
Kroniketas, enófilo atento
Krónikas do Alto Alentejo (XXII)
No meu copo, na minha mesa 178 - Lóios 2006; Cadeia Quinhentista (Estremoz)

De passagem por Estremoz, depois da visita ao Monte da Caldeira de João Portugal Ramos, fui à procura do famoso restaurante São Rosas, junto à Pousada de Santa Isabel. Logo por azar estava fechado. Fiquei por ali a ver a paisagem lá em baixo, a dar uma vista de olhos à pousada quando o meu olhar pousou numa placa que indicava “Cadeia Quinhentista”, que já alguém me tinha referido, para uma rua estreitinha que saía junto da pousada. Fui ver o aspecto e entrei, atraído pelas opções de caça da ementa. Ainda cá fora, para além da ementa está uma explicação sobre a história do edifício. Ali funcionou a cadeia de Estremoz. Depois de abandonada, o actual dono, que entretanto tinha saído da Pousada de Santa Isabel, negociou com a Câmara Municipal a reconversão do edifício para restaurante, e assim nas antigas masmorras repousam agora as mesas do restaurante e um bar (no piso superior há outro bar).
O ambiente é acolhedor, estando o interior decorado com cores quentes, em tons de vermelho, há música ambiente a dar as boas vindas ao cliente. Era dia de semana, ao almoço, pelo que não havia muita gente. Fui conduzido por uma simpática senhora a uma mesa na sala mais interior e sentei-me junto a uma janela fechada a grades.
Estando sozinho, não havia grandes possibilidades de fazer escolhas muito complicadas, mas entre as elaboradíssimas opções existentes na carta comecei por uma canja de perdiz, seguindo-se como prato principal meia perdiz marinada em azeite, que veio decorada com pequeninos bagos de uva e castanhas. Ambos estavam excelentes, com a perdiz em azeite a mostrar aromas diferentes do habitual mas muito bem confeccionada.
Para sobremesa um doce incontornável do Alentejo, que repeti sempre que pude, tal como a encharcada: a sopa dourada, irrepreensível, um daqueles doces que fazem a delícia de quem gosta de doces à base de ovos.
Finalmente, o vinho. Tive que optar por meia garrafa e a escolha recaiu num vinho de João Portugal Ramos, o Lóios. Não sendo nada de extraordinário, faz parte daquele lote de vinhos que, sendo baratos, são agradáveis e fáceis de beber. Embora os 14% de álcool se façam sentir, mostra alguma macieza e uma predominância frutada, com alguma persistência final. Um vinho agradável sem grandes complexidades nem pretensões.
A par de tudo isto, um serviço excelente, competentíssimo, atento, eficiente e simpático. A meio da refeição o próprio dono veio ter comigo para saber se estava tudo a decorrer a contento. A senhora que me conduziu à mesa e me atendeu durante a refeição mostrou ter formação na matéria, tal o profissionalismo que demonstrou ao longo de todo o serviço. O preço faz-se sentir mas pela elevada qualidade do serviço acaba por não ser excessivo. É um local a voltar para uma refeição calma em ambiente recatado.
Kroniketas, enófilo viajante
Restaurante: Cadeia Quinhentista
Rua Rainha Santa Isabel
7100 Estremoz
Telef: 268.323.400
Preço por refeição: 35 €
Nota (0 a 5): 5
Vinho: Lóios 2006 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Castelão e outras
Preço em feira de vinhos: 2,64 €
Nota (0 a 10): 6,5
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quinta-feira, 15 de maio de 2008
Na Wine O’Clock 3 - Com Paulo Laureano

Mais uma visita à Wine O’Clock desta vez para uma prova de vinhos de Paulo Laureano, um dos enólogos da moda, com participação em diversos projectos no Alentejo a agora também com um projecto próprio no baixo Alentejo, na zona da Vidigueira, onde é vizinho das Cortes de Cima e da Herdade do Peso.
Foi o próprio Paulo Laureano que esteve presente a mostrar os seus vinhos, subordinados ao seu lema das castas portuguesas. Foram apresentados 4 brancos e 6 tintos que cobrem toda a gama dos vinhos com o seu nome. Alguns varietais, outros em lote, desde o Clássico que na restauração aparece com o nome Singularis, até ao Reserve passando pelo Splendidus e pelo Premium. No final lá apareceu a casta estrangeira da paixão do enólogo, a Alicante Bouschet que ele adoptou como casta portuguesa e alentejana em particular.
É difícil dissertar sobre 10 vinhos provados em tão pouco tempo, porque o mais importante foram as explicações do próprio Paulo Laureano à medida que os vinhos iam sendo provados. Uma autêntica lição.
Os brancos eram de um modo geral bastante frescos, com alguma mineralidade e boa estrutura de boca, sendo o Paulo Laureano Clássico classificado pelo próprio como “vinho de varanda”, para beber e namorar, aparecendo depois alguns mais fechados e com aromas tropicais.
No caso dos tintos as diferenças eram um pouco mais acentuadas dadas as diferentes concepções dos vinhos. Um traço ficou patente: um perfil médio de boa qualidade, mesmo nos mais baratos. São vinhos fáceis sem serem simples, que denotam algum cuidado na sua feitura e que merecem ser apreciados com alguma calma.
Por mim vou ficar atento aos vinhos deste produtor e experimentá-los com mais tempo à medida que for possível.
E no próximo sábado há uma prova de brancos que é capaz de também valer a pena.
Kroniketas, enófilo atento
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