

O grupo gastrónomo-etilista “Os comensais dionisíacos” teve o jantar de fim de época no Tó do Marisco, em Julho, o jantar de férias em Agosto e o jantar da rentrée em Setembro.
No jantar de Agosto juntaram-se os que estavam de férias no Algarve. Faltaram o tuguinho e o Mancha. Serviu de anfitrião o Politikos em Alvor, onde abancámos, com filhos e tudo (tarde e a más horas, já passava das 10 da noite) no restaurante A Ribeira, junto à ribeira de Alvor e lado-a-lado com o muito citado nos guias Àbabuja.
Dado o adiantado da hora começámos por entreter-nos com umas entradas e umas travessas de amêijoas. Entretanto o dono lá veio mostrar-nos umas postas de peixe enormes, que davam para umas 8 pessoas, e quase todos optaram pelo robalo e a dourada na brasa. Eu e o Politikos resolvemos partilhar uma cataplana de marisco enquanto os mais novos optavam pelo arroz de marisco. Delicioso, por sinal, e em abundância, que ainda deu para provar umas colheradas. A cataplana estava boa mas a do ano passado, em Armação de Pêra, estava melhor, mais apurada.
Para acompanhar os peixes, depois de darmos uma olhadela à carta de vinhos, escolhemos o vinho da terra: um branco de nome Alvor Singular, da Quinta do Morgado da Torre, cuja vinha está ali a 5 quilómetros, junto ao hotel da Penina e entre a estrada nacional 125, o desvio para Alcalar e a A22. Há mais de 10 anos que não bebia um vinho do Algarve e aproveitei para conhecer uma das novas produções que têm aparecido. A verdade é que este Alvor de 2007 foi uma agradável surpresa. Suave, aromático, moderadamente alcoólico, como felizmente se está outra vez a tornar hábito, acompanhou na perfeição os diversos pratos de peixe e marisco que foram chegando à mesa.
A certa altura o dono sugeriu-nos que provássemos outro produto da região, o branco da Quinta do Barranco Longo, ao pé de Algoz. Este não se portou mal mas mostrou aquelas características que não aprecio particularmente nos brancos: muito álcool (14,5%) e fermentado em madeira, torna-se algo áspero para o meu gosto. Claro que um vinho com esta estrutura na boca se aguenta bem neste tipo de refeição, mas depois de acabada esta garrafa… voltámos ao Alvor para encerrar o repasto.
Quase pela meia noite lá abandonámos o restaurante, quando já só os donos e empregados ceavam a uma mesa do canto. No balanço da noite foi uma bela refeição, com as condicionantes próprias da época no Algarve, mas em que apesar do muito movimento e do restaurante cheio fomos alvo de todas as atenções e não se pode apontar nada ao serviço prestado. Grande simpatia e prontidão a responder aos pedidos, recomenda-se preferencialmente em época mais calma.
Kroniketas (enófilo refrescado) mais os outros bandalhos todos e os bandalhos que não estiveram lá e deviam ter estado
Restaurante: A Ribeira
Ribeira de Alvor
Preço por refeição: 35 €
Nota (0 a 5): 4,5
Vinho: Alvor Singular 2007 (B)
Região: Algarve
Produtor: Quinta do Morgado da Torre
Grau alcoólico: 12%
Preço em garrafeira: 4,19 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Quinta do Barranco Longo Grande Escolha 2007 (B)
Região: Algarve
Produtor: Rui Virgínia
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Arinto, Chardonnay
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 6,5
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
No meu copo, na minha mesa 204 - Alvor Singular 2007 branco; Quinta do Barranco Longo Grande Escolha 2007 branco; A Ribeira (Alvor)
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segunda-feira, 6 de outubro de 2008
No meu copo 203 - Porto Quinta do Noval LBV 2001; Porto Taylor’s LBV 2002


Dois LBV com poucas semelhanças. O Noval apresentou-se mais aberto, com a cor menos carregada, mais suave e menos encorpado na prova de boca, com os taninos mais redondos e a fruta mais discreta. Quanto ao Taylor’s apareceu com uma cor retinta, aromas frutados mais exuberantes, corpo mais cheio e os taninos mais pujantes.
Podemos considerar o primeiro mais adequado para acompanhar aperitivos à base de frutos secos, ou para entreter ao serão durante uma boa conversa, e o segundo mais vocacionado para a mesa, para acompanhar queijos ou sobremesas de sabor intenso, ou ficar a degustar no fim da refeição.
São dois produtos que sem deslumbrar não decepcionam quem os provar e cumprem de modo satisfatório o que deles se pretende. Pelo preço que custou o Noval é praticamente impossível encontrar melhor.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Porto Quinta do Noval LBV 2001
Região: Douro/Porto
Produtor: Quinta do Noval
Grau alcoólico: 19,5%
Preço em hipermercado: 9,98 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Porto Taylor’s LBV 2002
Região: Douro/Porto
Produtor: Taylor’s
Grau alcoólico: 19,5%
Nota (0 a 10): 7,5
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quarta-feira, 1 de outubro de 2008
No meu copo 202 - Porto Quinta de Ervamoira 10 anos
Continuando na senda dos Portos, tenho ido provando alguns em casa e agora de vez em quando resolvo abrir um. Dos que estavam à espera escolhi um 10 anos da Quinta de Ervamoira, da Ramos Pinto. Desde que provei um 20 anos da Dow’s na casa do tuguinho fiquei fã do género. Os 10 anos têm preços mais acessíveis e são mais fáceis de encontrar.
Este 10 anos da Ramos Pinto, empresa com grande tradição em vinhos do Porto, não me desiludiu, pelo contrário. Uma bela cor acobreada e um aroma marcado a frutos secos, com uma boa estrutura de boca com um final prolongado a fazer lembrar amêndoas ou avelãs.
Estes vinhos de 10 anos têm ainda a vantagem de poderem continuar abertos durante algum tempo sem perderem qualidades, pelo que podem durar uns bons meses para se irem bebendo de vez em quando ao serão com ou sem companhia, ou para nos fazer companhia enquanto escrevemos no blog... Um belíssimo Porto que vale a pena ter em casa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Porto Quinta de Ervamoira 10 anos
Região: Douro/Porto
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 19,5%
Preço em hipermercado: 26,66 €
Nota (0 a 10): 8,5
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quarta-feira, 24 de setembro de 2008
No meu copo 201 - Porto Vintage Dow’s Quinta do Bomfim 87
Nos nossos repastos dos Comensais Dionisíacos temos vindo a introduzir cada vez mais frequentemente a componente do vinho do Porto para rematar a refeição, induzidos pelas escolhas do Politikos.
Este por acaso não foi uma escolha dele, e prometia, dada a idade e a marca. No entanto, à medida que vamos provando mais, vamos ficando mais exigentes. Ainda há pouco mais de dois anos eu escrevia aqui que não me sentia habilitado sequer a classificar um Porto LBV. Agora o leque tem-se alargado e já há alguns termos de comparação bastante interessantes.
Este Vintage da Dow’s mostrou-se uns furos abaixo de outros que temos vindo a provar. Algo parco de aromas e com o fruto meio desaparecido, sem aquela força que normalmente esperamos de um Vintage devido à idade, antes apresentando-se amaciado, mas pareceu que lhe faltava ali qualquer coisa, talvez uma personalidade mais marcada. Talvez a evolução não tenha sido a esperada, ou então não foi tão bom logo desde início.
Enfim, como em todas as categorias, há sempre uns melhores que outros. A verdade é que a Dow’s tem outros produtos de grande categoria, e não é por este não nos ter encantado que não voltaremos à carga.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Porto Vintage Dow’s Quinta do Bomfim 87 (T)
Região: Douro/Porto
Produtor: Dow’s
Grau alcoólico: 20%
Nota (0 a 10): 7
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quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Eu, enófilo, me confesso: gosto cada vez mais de brancos
Volto a este tema porque de vez em quando a questão é levantada na blogosfera. O mês passado, antes de ir para férias, deixei um apontamento acerca da “retoma dos brancos” que tinha sido levantada há um ano, depois de ter provado um Quinta de Camarate branco seco de 2007 que me encheu as medidas.
De repente dei por mim a provar uma diversidade de brancos nacionais que julgaria impensável há pouco mais de um ano. Mas não há dúvida que algumas descobertas recentes fizeram-me encarar o panorama de forma diferente. Para isso terão contribuído algumas visitas a restaurantes com o tuguinho onde nos foram sendo sugeridos brancos que ainda não conhecíamos ou de que andávamos afastados. Mais surpreendente ainda, comecei a ver-me tentar fugir à “ditadura” dos tintos, quebrando todos os cânones mais tradicionais. Acho que o tempo quente é propício a isso, mas apetecia-me beber brancos ou rosés mesmo quando estava perante um prato de carne. Ainda antes da partida para as férias algarvias fui almoçar fora com os meus filhos perto de casa e com uns escalopes com cogumelos resolvi pedir um Quinta da Alorna rosé! E como me soube bem aquela garrafa! De tal modo que bebi mais de ¾ sozinho e levei o resto para casa…
Serei eu que estou com mais abertura para os vinhos brancos e por isso gosto mais deles, ou serão os brancos nacionais que estão claramente melhores? Ou será que estou com maior abertura porque eles estão efectivamente melhores? Acho que as duas situações se conjugam. Como já aqui referi há tempos, na segunda visita que fizemos aos Arcos sugeri ao tuguinho que bebêssemos um “branco fresquinho” enquanto esperávamos pelo prato principal, e assim nos regalámos com meia-garrafa de Planalto.
Olhando para o resumo da segunda centena de provas verifiquei que as repetições em relação à primeira centena foram de valores mais que confirmados e as novidades foram quase todas de muito bom nível, e nos verdes em particular a qualidade média é bastante elevada. A maioria das pontuações que demos foi de 7,5 para cima, o que não deixou de me surpreender. Por outro lado, a pontuação média passou de 6,6 para 7,5, o que é significativo tendo em conta que o número de provas de brancos nesta segunda centena duplicou (de 14 para 29), e a pontuação mais frequente passou de 6,5 para 7,5.
Tivemos algumas boas novidades como o Kopke, o Loboseiro, o Quinta de S. Francisco e o Albis e uma série de confirmações ou melhorias como os inevitáveis João Pires, Bucellas Caves Velhas, Prova Régia e Planalto, mais os reaparecidos Murganheira e Quinta de Camarate seco, além de excelentes verdes como o Borges, o Deu La Deu, o Portal do Fidalgo nos Alvarinhos, mais o Quinta do Ameal e o Quinta de Azevedo.
Olhando para o preço destes vinhos verifico que são quase todos bastante acessíveis, nada de exorbitâncias, e no entanto são vinhos bastante agradáveis, que certamente não envergonham ninguém quando os servir, com o bónus de serem moderadamente alcoólicos, o que é outra vantagem relativamente aos tintos de agora. Daqui se conclui que não é preciso grandes complicações nem andar à procura nos lugares mais recônditos para comprar brancos agradáveis. Acho que acabei por descobrir neste tipo de brancos (e também nos novos rosés) as vantagens de alguma versatilidade que os tintos dificilmente proporcionam. É mais fácil beber um branco com um prato de carne não muito pesado do que um tinto com aperitivos, peixes, mariscos ou saladas.
O que é preciso é descobrir o perfil de branco adequado para a ocasião e para o gosto de cada um. Eu, que já não sou grande fã de muita madeira nos tintos, definitivamente não aprecio brancos com madeira, salvo algumas excepções. Esses, normalmente, não os peço nem os compro.
Kroniketas
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Richard William Wright
Fundador e teclista dos Pink Floyd
Brevemente artigo nas Krónikas Tugas
Kroniketas, floydista militante
domingo, 14 de setembro de 2008
200 provas - Resumo de vinhos
Foram estes os vinhos provados durante a segunda centena de posts.
Vinhos do Porto
Burmester LBV 2001 - 7
Cálem 10 anos - 6
Fonseca Vintage 94 - 9
Quinta do Castelinho Vintage 99 - 8
Quinta da Pacheca LBV 2002 - 7,5
Espumantes e champanhes
Cabriz Bruto 2005 - 8
João Pires Bruto - 7
Pol Carson Bruto Rosé (França) - 8,5
Real Senhor Velha Reserva Bruto 2001 - 7,5
Tapada do Chaves Bruto 2002 - 8
Veuve Cliquot (França) - 9
Rosé
Cabriz 2006 - 7,5
Quinta da Alorna, Touriga Nacional 2006 - 7,5
Terra Franca 2005 - 5
Brancos
Verdes
Borges, Alvarinho 2005 - 8,5
Deu La Deu, Alvarinho 2007 - 7,5
Encostas de Paderne, Alvarinho 2004 - 5
Loureiro Ponte de Lima 2005 - 7
Portal do Fidalgo, Alvarinho 2005 - 8,5
Quinta do Ameal, Loureiro 2005 - 7,5
Quinta de Azevedo 2005 - 7,5
Douro e Trás-os-Montes
Bons Ares 2005 - 7
Kopke 2006 - 7,5
Loboseiro 2005 - 7,5
Planalto 2007 - 7,5
Porca de Murça Reserva 2005 - 5,5
Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2005 - 6,5
Távora-Varosa
Murganheira (seco) 2006 - 8
Dão
Cabriz, Colheita Seleccionada 2006 - 7
Estremadura
Quinta de São Francisco 2005 - 7,5
Ribatejo
Quinta da Alorna 2006 - 7
Bucelas
Bucellas Caves Velhas 2005 - 7,5
Bucellas Caves Velhas 2006 - 8,5
Prova Régia, Arinto 2005 - 8
Prova Régia, Arinto 2006 - 7
Quinta da Romeira, Chardonnay e Arinto 2005 - 6,5
Terras do Sado
Albis 2006 - 7,5
Catarina 2005 - 7
João Pires 2005 - 8
Quinta de Camarate (seco) 2007 - 8,5
Alentejo
Herdade Penedo Gordo 2006 - 5
Pera Manca 2003 - 8
Tintos
Douro e Trás-os-Montes
Altano 2005 - 7
Bons Ares 99 - 7
Callabriga 2000 - 9
Carm Reserva 2003 - 7
Casa Ferreirinha Reserva 96 - 8
Casal dos Jordões, Touriga Francesa 99 - 7,5
Diálogo 2005 - 7
Duas Quintas 2001 - 7/7,5
José Preto 2004 - 5
Lavradores de Feitoria 2003 - 6
Montevalle Reserva 2002 - 7,5
Muxagat 2003 - 7
Quinta da Leda 2001 - 7
Quinta do Crasto 2004 - 6
Quinta Sá de Baixo 2003 - 6
Sogrape Reserva 2001 - 8,5
Terra Quente 99 - 6
Valle Pradinhos 2001 - 7
Vinha Grande 2001 - 8
Dão
Casa de Santar Reserva 2003 (1) e (2) - 8
Meia Encosta Garrafeira 73 - 9
Milénio, Touriga Nacional e Aragonês 2004 - 7,5
Quinta de Cabriz Reserva 2003 (1) e (2) - 7
Sogrape Reserva 99 - 8
Bairrada/Beiras
Aliança Clássico 2004 - 7
Casa de Saima 91 - 9
Ensaios Filipa Pato 2006 - 7
Messias 87 - 7,5
Primavera, Baga 97 - 7,5
Quinta do Encontro, Preto Branco 2004 - 7,5
Quinta do Poço do Lobo, Cabernet Sauvignon 91 - 6
São Domingos 91 - 8,5
Sogrape Garrafeira 99 - 6,5
Estremadura
Caves Velhas, Cabernet Sauvignon 2000 - 7,5
Moinhos do Céu, Cabernet Sauvignon 2005 - 7,5
Quinta de Pancas, Cabernet Sauvignon 2000 - 7,5
Quinta de São Francisco 2004 - 7
Quinta de D. Carlos 2004 - 3
Ribatejo
Casal da Coelheira Reserva 2003 - 5,5
Conde de Vimioso Reserva 2000 - 7
Fiúza, Cabernet Sauvignon 2004 - 7
Quinta da Alorna 2004 - 7
Quinta da Alorna Reserva 2002 - 7
Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional 2003 - 6,5
Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvingnon - 8,5
Terras do Sado
Hexagon 2003 - 9
Periquita 2004 - 6
Serras de Azeitão 2005 - 6
Soberana 2004 - 8,5
Alentejo
.com 2005 - 7
Alandra - 6
Altas Quintas Crescendo 2005 - 7
Aragonês de São Miguel dos Descobridores 2005 - 7,5
Arte Real 2004 - 6,5
Cabernet Sauvignon (Esporão) 98 - 8
Carmim, Aragonês 99 - 8
Carmim, Trincadeira 99 - 8
Casa de Alegrete 2005 - 8,5
Dom Martinho 2004 - 6,5
Dona Maria 2004 - 6
Encostas de Estremoz, Touriga Nacional 2003 - 7,5
Escolha António Saramago 2001 - 7
Gloria Reynolds 2004 - 7,5
Granja-Amareleja 2004 - 7
Herdade das Servas, Aragonês 2004 - 8,5
Herdade do Peso, Alfrocheiro 2000 - 9
Herdade do Peso Reserva 2002 - 8,5
Herdade do Peso, Trincadeira 2000 - 7
Herdade do Pinheiro 2002 - 7,5
Herdade Penedo Gordo 2005 - 6
José de Sousa 2003 - 7,5
José de Sousa 2004 - 8
Lima Mayer - 7/7,5
Lóios 2006 - 6,5
Monte da Cal Reserva 2004 - 6
Monte da Penha Reserva 2003 - 4,5
Monte das Servas, Escolha 2005 - 7
Monte dos Cabaços 2003 - 7
Muachos Reserva 2003 - 7,5
Pedra Basta 2005 - 4
Plansel Selecta 2006 - 7
Quatro Castas Reserva 2001 - 9
Reguengos Garrafeira dos Sócios 96 - 9
Regeungos Garrafeira dos Sócios 2000 - 8,5
Reguengos Reserva 99, 2000, 2001 - 8
Singularis, Aragonês e Trincadeira 2004 - 7,5
Terrenus 2005 - 8
Tinto da Ânfora 2006 - 6,5
Tinto da Talha 2004 - 6
Vale Barqueiros Reserva 2005 - 6
Vale de Ancho Reserva 2004 - 8,5
Estrangeiros
Brancos
Caspari-Kappel, Riesling 2002 (Alemanha) - 7,5
Fritz Haag, Riesling 2002 (Alemanha) - 7,5
Vin d'Alsace, Gewürztraminer 2004 - 7,5
Vin d'Alsace, Riesling 2005 - 7,5
William Fevre, Sauvignon Blanc 2004 (França) - 8,5
Rosé
Monteberín, Lambrusco di Modena (Itália) - 7
Tintos
Barolo (Itália) - 7
Beaujolais 2004 (França) - 6,5
Finca Flichman, Malbec 2003 (Argentina) - 7,5
Tenuta La Fuga, Brunello di Montalcino 2000 (Itália) - 9
sábado, 13 de setembro de 2008
200 provas - Resumo de restaurantes e receitas
Atingimos a segunda centena de posts dedicados a provas de vinhos, visitas a restaurantes e algumas receitas culinárias. Como não fazemos o resumo anual das provas, fazemo-lo quando atingimos a centena. Sendo assim, os restaurantes visitados durante esta segunda centena de posts resumem-se da forma que se segue. Depois virá o resumo dos vinhos.
Durante este período foi publicada apenas uma receita de gelado de chocolate. Os restaurantes visita foram os seguintes.
A Cantina (Olhos d'Água - Albufeira) - 4,5
A Grelha (Armação de Pêra) - 3,5
A Gruta (Portalegre) - 4,5
A Taverna (Lisboa) - 4
Adega do Isaías (Estremoz) - 3
Al Dente (Alvor) - Italiano - 4
Cadeia Quinhentista (Estremoz) - 5
Caldeirão de Sabores (Portalegre) - 4,5
Casa da Dízima (Paço de Arcos) - 4,5
Chico Elias (Algarvias - Tomar) - 3,5
Cozinha Velha (Queluz) - 5
Curral dos Caprinos (Cabriz - Várzea de Sintra) - 4
Estrela do Bico (Massamá - Queluz) - 4
Estrela do Mar (S. Pedro de Moel) - 2,5
Mar à vista (Sagres) - 3
O Abrigo (Portalegre) - 4
O Álvaro (Urra - Portalegre) - 3
O Cobre (Portalegre) - 4,5
O Escondidinho (Portalegre) - 4
O Fuso (Arruda dos Vinhos) - 4
O Nobre (Montijo) - 5
Os Arcos (Paço de Arcos) - 5
Petisqueira do Gould (Paço de Arcos) - 5
Poeiras (Portalegre) - 3,5
Rolo Grelhados do Norte Alentejano (Cabeço de Vide) - 5
São Rosas (Estremoz) - 5
Sever (Portagem - Marvão) - 5
Solar do Forcado (Portalegre) - 4
Tia Rosa (Melides) - 4
Tomba Lobos (Pedra Basta - Portalegre) - 4,5
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quarta-feira, 10 de setembro de 2008
No meu copo 200 - Quinta da Alorna: Reserva 2002; Reserva Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2003

Terminamos a segunda centena de posts dedicados a provas com mais uma abordagem aos vinhos da Quinta da Alorna, um produtor ribatejano de Almeirim por cujos vinhos temos passado com alguma frequência, e nesta segunda centena já o fizemos várias vezes. Desta vez eu e o Mancha provámos, com uns bifes de novilho Angus, dois tintos Reserva que se revelaram completamente diferentes: um Reserva de 2002 e um Reserva de Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon de 2003. Abrimos as duas garrafas ao mesmo tempo e servimos ambos os vinhos, que fomos bebendo alternadamente ao longo da refeição.
Desde logo o Reserva apresentou-se mais aberto, macio e suave. A Tinta Miúda estagiou 9 meses em carvalho americano e o Cabernet em carvalho francês. Na prova apresenta-se redondo na boca, com taninos suaves e grau alcoólico moderado. O aroma é discreto e o final relativamente curto. Um vinho adequado para pratos delicados de carne.
O Reserva de Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon mostrou outra estaleca. Com um aroma muito mais profundo e exuberante, na prova de boca aparece em todo o esplendor com um corpo volumoso, taninos pujantes bem presentes, com aroma a frutos vermelhos e alguma especiaria no início, a madeira resultante do estágio de 12 meses bem integrada no conjunto e um final com boa persistência e complexidade. Mas o mais curioso é que ao fim de uma hora o perfil do vinho muda completamente, surgindo então notas adocicadas de compota e frutos silvestres.
Isto mostra que muitas vezes não temos tempo de apreciar o vinho na totalidade quando a garrafa acaba. Neste caso, como fomos provando os dois vinhos em simultâneo eles duraram mais tempo e houve tempo suficiente para se libertarem na totalidade e desenvolverem todos os aromas escondidos. Este Reserva de Touriga e Cabernet foi realmente uma surpresa. É um vinho que se aguenta perfeitamente com pratos de carne bem temperados e pesados, pois está ali cheio de vigor. Belo vinho para terminar a segunda centena de provas. Hei-de procurá-lo novamente por aí, se possível já nas próximas feiras de vinhos.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Vinho: Quinta da Alorna Reserva 2002 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Tinta Miúda
Preço em feira de vinhos: 5,25 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,68 €
Nota (0 a 10): 8,5
PS: já depois da publicação deste post recebi a Revista de Vinhos deste mês, onde o vinho à venda é precisamente o Quinta da Alorna Reserva, Touriga e Cabernet 2006. Por 5,95 € é imperdível.
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Krónikas Vinícolas
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Etiquetas: Almeirim, Alorna, Cabernet Sauvignon, Ribatejo, Tinta Miuda, Tintos, Touriga Nacional
domingo, 7 de setembro de 2008
No meu copo 199 - Vin d'Alsace, Riesling 2005 e Gewürztraminer 2004

No mesmo repasto com os Comensais Dionisíacos em que provámos o mal sucedido Quinta de D. Carlos, tive finalmente a oportunidade de abrir os dois brancos da Alsácia trazidos há um ano de França, um produzido com Riesling e outro com Gewürztraminer. Na Alsácia estas são duas das castas mais plantadas (a outra é o Pinot Blanc). Já tínhamos provado uns Riesling da Alemanha, mais doces, enquanto estes dois alsacianos se mostraram um pouco mais secos e frutados.
A Alsácia andou durante séculos a transitar entre a França e a Alemanha, daí os nomes esquisitos das castas e das cidades. A cidade de Colmar, no coração da região vitivinícola, tem um microclima seco e soalheiro que a torna a segunda cidade mais seca de França, a seguir a Perpignan.
Estes brancos do norte da Europa têm um perfil significativamente diferente do que estamos habituados por cá. Normalmente mais adocicados mas ao mesmo tempo com uma acidez pronunciada e bastante diferente da que se obtém nos climas mais a sul como o nosso. Temos feito algumas incursões por estas castas quando calha para sair do padrão nacional e quase sempre com agrado.
Esta dupla prova pecou pela questão da temperatura, pois no local onde as garrafas foram abertas o frigorífico estava pouco frio e o congelador cheio, embora tivessem sido levadas frescas. Mesmo assim ainda foi possível arrefecê-las um pouco mais de modo a poder apreciar melhor os néctares.
Não me vou alongar muito em descrições devido a esta limitação. De qualquer modo agradaram bastante aos presentes, sendo que a segunda garrafa já estava mais fresca que a primeira, pelo que os aromas se puderam apreciar mais. Não foi possível diferenciá-los como gostaríamos, mas o Riesling apresentou-se mais seco e o Gewürztraminer mais adociado. Ambos se apresentaram com uma boa acidez e alguma secura, com um bom perfil para aperitivo ou, quem sabe, para umas entradas leves ou um foie-gras a condizer. Quando a ocasião se proporcionar havemos de voltar à carga, então com temperaturas mais adequadas.
Kroniketas
Vinho: Vin d’Alsace, Riesling 2005
Região: Alsácia (França)
Produtor: Cave Vinicole d’Ingersheim - Ingersheim
Grau alcoólico: 12%
Casta: Riesling
Preço em supermercado local: 4 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Vin d’Alsace, Gewürztraminer 2004
Região: Alsácia (França)
Produtor: Les Vignerons Récoltants de St-Hippolyte - Orschwiller
Grau alcoólico: 13%
Casta: Gewürztraminer
Preço em supermercado local: 6 €
Nota (0 a 10): 7,5
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Etiquetas: Brancos, Estrangeiros, França, Gewurztraminer, Riesling
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
No meu copo 198 - Prova Régia 2006; Bucellas Caves Velhas 2006

Dois brancos que são obrigatórios na minha garrafeira todos os anos. Agora com uma imagem renovada, o Prova Régia de 2006 quase esgotou o ano passado nas feiras de vinhos, tal a procura devido a um preço imbatível.
O que dizer deste campeão de vendas da Quinta da Romeira? Que está mais ou menos sempre como se espera, com aquela acidez refrescante do Arinto, com um toque floral e com notas de fruta tropical juntamente com algum citrino, bom para a piscina ou a esplanada mas também para uns bons petiscos de peixe ou marisco. No entanto, talvez surpreenda ao dizer que me pareceu esta colheita algo inferior às anteriores. Costuma ser um vinho que consegue ser estimulante na prova de boca sem deixar de ser leve, mas ou eu não estava nos melhores dias ou faltou-lhe ali qualquer coisa.
Sem deixar de ser uma boa aposta, porque nunca nos deixa ficar mal ao mesmo tempo que tem um preço bastante atractivo, pareceu-me faltar ali alguma frescura. Não sei se terei oportunidade de voltar a esta colheita, até porque já está no mercado a de 2007, mas para já vou deixar esta apreciação sob alguma reserva, acreditando que pode ter sido apenas uma baixa de forma passageira.
Já o Bucellas Caves Velhas 2006 (que agora pertence à Enoport) parece estar cada vez melhor. Enquanto o Prova Régia pareceu descer, o Bucellas pareceu subir. Uma frescura notável na boca, com notas citrinas bem marcadas com final floral, a par com uma acidez muito equilibrada, tudo envolto num amarelo brilhante e ligeiramente esverdeado. A sua frescura permite-lhe servir tanto para acompanhar peixes e mariscos como para ser bebido como aperitivo ou até mesmo apenas como bebida refrescante num dia de Verão. Neste caso acompanhou na perfeição uma salada de marisco. Um excelente branco para todas as ocasiões, cada vez mais incontornável e indiscutível no meu “top 5” dos brancos nacionais.
Kroniketas, enófilo refrescado
Vinho: Prova Régia, Arinto 2006 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Companhia das Quintas - Quinta da Romeira
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 2,97 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Bucellas Caves Velhas 2006 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Caves Velhas
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto (90%), Rabo-de-Ovelha
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 8,5
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008
No meu copo 197 - Quinta de D. Carlos 2004
De regresso das férias, aproveito para pôr em dia alguma escrita atrasada enquanto não saem os posts das provas de Agosto.
Este vinho da Estremadura apresentou-se com álcool em excesso e desequilibrado, ao mesmo tempo adstringente em demasia, ou seja, se há vinhos que nos agradam mais e outros menos mas raramente, hoje em dia, se encontra um vinho do qual que se possa dizer claramente “não gosto”, neste caso foi mesmo isso que aconteceu. Andei por ali às voltas com ele insistentemente e não lhe consegui encontrar nada para elogiar.
Daqui se conclui que não basta ter a matéria-prima, é preciso saber trabalhá-la. Neste caso tivemos um lote de Cabernet Sauvignon e Syrah, que teoricamente tinha tudo para dar certo, mas por alguma razão o resultado não foi famoso.
Kroniketas, enófilo regressado
Vinho: Quinta de D. Carlos 2004 (T)
Região: Estremadura (Alenquer)
Produtor: Quinta de D. Carlos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Syrah
Preço em feira de vinhos: 4,72 €
Nota (0 a 10): 3
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terça-feira, 19 de agosto de 2008
No meu copo, na minha mesa 196 - José de Sousa 2004; A Cantina (Olhos d'Água)


Depois de um dia passado num parque aquático com a família e uns amigos, saímos à procura de um local para jantar. Estando perto de Quarteira rumámos em direcção a Albufeira pela estrada nacional 125, passando por várias localidades, entre as quais Boliqueime, e por vários restaurantes de estrada. Acabámos por assentar arraiais num restaurante que os outros já conheciam, em Olhos d’Água, pertencente a um aparthotel.
A nossa figura a entrar no restaurante parecia um pouco deslocada: dois casais com filhos, tudo em calções e t-shirt, com chinelas e sacos de praia. O ambiente e os outros clientes pediam mais fato e gravata, porque aqui o estilo é mais selecto, talvez por isso havia mesas vagas em cima da hora de jantar. Mas é Verão e somos turistas na nossa própria terra, por isso abancámos calmamente, que a hora já ia adiantada e a fome apertava.
Sentámo-nos numa mesa redonda, junto ao armário de vinhos e perto do balcão. Bem decorada, com vários tipos de copos, os empregados vestidos a rigor. A ementa é vasta e variada. As escolhas recaem num bife Diana, um bife à cantina e costeletas de borrego com molho de hortelã. O bife à Cantina, alto e com um excelente molho, estava delicioso e suculento, acompanhado de batatas fritas e legumes salteados.
Para beber escolhemos o José de Sousa, da colheita de 2004. A primeira surpresa, pela positiva, foi o facto de o vinho ter vindo para a mesa à temperatura correcta, ligeiramente frio. Foi então explicado que os vinhos são mantidos no armário a uma temperatura constante, aquilo que todos os restaurantes que levam o vinho a sério deviam fazer em vez de os manterem “à temperatura ambiente”, de pé a apanhar o calor do fogão e a levar com as lâmpadas em cima. Um exemplo a seguir, esta forma de tratar os vinhos.
Este clássico alentejano da Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes, agora propriedade da José Maria da Fonseca, fermentou parcialmente em ânforas de barro. Apresentou um aroma frutado e complexo, um paladar cheio com taninos firmes mas suaves, com final de boca prolongado, tudo bem integrado com um ligeiro toque de madeira, que aqui aparece na conta certa: sente-se mas não abafa o resto. Em comparação com a colheita de 2003, que tínhamos provado há alguns meses, este revelou-se mais bem estruturado, um vinho mais completo, mais personalizado. Um bom parceiro para pratos de caça, mas esteve muito bem a acompanhar os nossos bifes, pois o frutado e a suavidade da prova equilibraram-se bem com a delicadeza das carnes. Parece estar de volta aos velhos tempos.
O preço da refeição, para a qualidade que teve, não foi nada exagerado, e tendo em conta a qualidade do serviço e da confecção este restaurante ficará como uma referência para possíveis visitas de Verão. Ainda bem que no meio da mediocridade que muitas vezes faz lei na restauração turística do nosso país ainda se conseguem encontrar estas ilhas de qualidade indiscutível. É a diferença que faz quem leva o negócio a sério.
Kroniketas, enófilo veraneante
Restaurante: A Cantina
Aparthotel Olhos d’Água
Olhos d’Água
8200 Albufeira
Telef: 289.580.385
Preço por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 4,5
Vinho: José de Sousa 2004
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Grand Noir
Preço em feira de vinhos: 6,09 €
Nota (0 a 10): 8
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sábado, 16 de agosto de 2008
Por falar em turismo à portuguesa
Aqui há tempos passei na Herdade dos Grous, ao pé de Albernoa, um dos nomes em destaque no panorama de vinhos do Alentejo.
Fui lá só para ver como era. Pedi uma lista de preços dos alojamentos e deram-me uma… em alemão!
Eu quero aplaudir!
Kroniketas a banhos
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sexta-feira, 15 de agosto de 2008
“Guilho” shrimps

Esta imagem está à porta de um restaurante em Alvor. Reparem bem no pormenor do “guilho” shrimps. Presume-se que são camarões à “Guilho”. O que eu não sei é que raio é o “guilho”, e presumo que os estrangeiros que passarem também não fazem ideia.
Isto mostra o rigor com que certas coisas são tratadas em Portugal, e no turismo é o que se sabe. O que eles querem dizer, mas na sua infinita ignorância nem imaginam, é que isto tudo começou com camarões “al ajillo”, ou seja, ao alhinho ou coisa que o valha. Mas como ninguém faz a mínima ideia daquilo que está a fazer, vai de começar a escrever que os camarões “al ajillo” são “à la guilho”, seja lá isso o que for.
Então sai esta maravilhosa tradução para inglês ver: temos os famosos “guilho” shrimps.
Como diria o Jô Soares, eu quero aplaudir.
Kroniketas a banhos
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segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Na minha mesa 195 - Mar à vista (Sagres)

Fim de tarde em Sagres, com vista do pôr-do-sol no cabo de São Vicente. A seguir jantar por ali, com mesa marcada no restaurante Mar à vista, na praia da Mareta.
Estamos no Algarve, em Agosto. Estão a ver o filme? Primeiro problema: mesmo tendo mesa marcada, espera-se uma eternidade até nos conseguirmos sentar. Os mais novos já estão doidos de fome e não há forma de os aguentar sossegados. Vamos esperando na esplanada, ao balcão, mirando os peixes e mariscos em exposição...
Quando finalmente nos sentamos e após mais um tempo imenso até pedir os pratos, encontramos alguns pratos “tipicamente algarvios”: bife pimenta, bacalhau com natas, rojões de porco... Além destes conseguimos desencantar uma cataplana de cherne e um esparguete com amêijoas.
Lá para as 10 e tal da noite lá se consegue comer qualquer coisa. A cataplana de cherne não estava má, assim como o esparguete com amêijoas. Os rojões e o bacalhau não estavam nada de especial. O bife sim, era um bife a sério.
Mas para um restaurante sobre a praia, cheio de peixes em exposição, esperava-se um maior leque de opções locais. No geral a qualidade não era distintiva e o serviço também não, aliás à boa maneira dos restaurantes algarvios no Verão, em que muitas vezes um jantar se transforma em ceia.
Parece que o Mar à vista é um dos mais afamados ali da zona, mas não me convenceu grandemente. Se calhar lá voltar fá-lo-ei, mas se não o fizer não vou sentir a falta.
Kroniketas, enófilo veraneante
Restaurante: Mar à Vista
Praia da Mareta
8650-361 Sagres
Telef: 282.624.247
maravistasagres@hotmail.com
Preço por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 3
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sexta-feira, 1 de agosto de 2008
No meu copo 194 - Quinta de Camarate branco seco 2007
Não quis deixar de publicar este post antes mesmo de ir de férias, porque há dias tive um excelente e surpreendente reencontro com um velho conhecido que tem andado esquecido por aqui. Um dos brancos da José Maria da Fonseca, numa garrafa de imagem renovada, este Quinta de Camarate branco seco de que pouco se fala parece ter ganho novo fôlego.
Com uma bela cor amarela brilhante e alguma predominância de aromas citrinos não muito pronunciados, tem boa estrutura na boca e um final persistente e refrescante. Vinho muito aromático e suave, frutado e delicado, que combina muito bem a acidez e frescura do Alvarinho, aqui importado para a península de Setúbal, com a doçura do típico Moscatel e com o Verdelho, uma casta em ascensão em várias regiões e que começa a aparecer cada vez mais, a integrar-se bem no lote.
Uma boa experiência de Domingos Soares Franco, pioneiro em muitas inovações enológicas e no estudo aprofundado de castas em Portugal. Já ouviram falar dum rosé feito por ele com uvas de Moscatel Roxo?
Sem dúvida um belíssimo branco para o Verão e para todos os meses do ano. Nestas últimas semanas tenho provado alguns bons brancos, mas a verdade é que este branco seco está num patamar acima. Não há dúvida que os brancos estão em franca retoma e ainda bem, como o Pingus Vinicus já tinha previsto há mais de um ano quando intitulou como “Brancos, a vingança?”, um post que serviu para o Saca-a-rolha pegar no mote e lançar alguma discussão sobre o tema. Na altura eu não andava muito convencido mas tenho que dar a mão à palmatória, porque a qualidade melhora a olhos vistos e conseguem-se muito bons produtos a preços bastante simpáticos. Parece que os enólogos encontraram o mapa da mina e estão a fazê-los cada vez melhores, aliás tal como os rosés.
O consumidor agradece.
Boas férias para os eno-bloguistas e para todos os enófilos em geral, e boas provas.
Kroniketas, enófilo de malas aviadas para as praias algarvias
Vinho: Quinta de Camarate Seco 2007 (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Alvarinho, Moscatel, Verdelho
Preço em hipermercado: 6,44 €
Nota (0 a 10): 8,5
PS: este é mesmo o último post quase antes de me sentar no carro e rumar a Sul. Como sempre, por lá as provas são capazes de ser muitas mas os escritos poucos ou quase nenhuns. Se a oportunidade se proporcionar e a disposição ajudar, pode ser que se vá contando por aqui algumas deambulações gastronómicas. Só que agora o blogger proporciona-nos uma ferramenta que antes não tinha: podemos deixar os posts agendados para publicar quando quisermos mesmo sem lhes mexer. Por isso é possível que apareçam por aqui alguns artigos enquanto eu estou a banhos ou sentado nalguma esplanada... ou quem sabe numa patuscada. Maravilhas da tecnologia...
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terça-feira, 29 de julho de 2008
No meu copo 193 - Deu La Deu, Alvarinho 2007

Dois anos depois da última prova, voltámos ao Deu La Deu num jantar de marisco com os bandalhos dos Comensais Dionisíacos no Tó do Marisco, em Carnide, no largo da Junta de Freguesia.
Entre as várias opções para brancos, começámos por um Planalto, de que já falámos a propósito da segunda visita aos Arcos, e depois variámos para este verde de Alvarinho. Alguns estavam reticentes, como o tuguinho e o Politikos, mas ficaram convencidos.
Quando o vinho já é sobejamente conhecido e vai ao encontro das expectativas, não fica muito por dizer. Este Deu La Deu continua a ser uma das melhores apostas em Alvarinhos na relação qualidade/preço, pois além de ser bom é também um dos mais baratos. Sendo assim, continua a ser uma aposta segura... e ganha.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Deu La Deu, Alvarinho 2007 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Adega Cooperativa Regional de Monção
Grau alcoólico: 13%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 5,29 €
Nota (0 a 10): 7,5
sábado, 26 de julho de 2008
No meu copo 192 - Loboseiro branco 05; Plansel Selecta 06

Era quase imperativo não irmos de férias sem voltarmos a fazer uma visita à Petisqueira do Gould. O reencontro com um amigo que não víamos há vários anos foi o pretexto para voltarmos ao “local do crime” pela 4ª vez num ano.
Mais uma vez fomos atendidos com a simpatia e a eficiência do costume pelo sr. Amando Carvalho, a quem deixámos o critério de escolha dos vinhos. Como optámos por fazer duas vaquinhas com uns filetes de peixe-galo e com uma posta mirandesa, resolvemos escolher um branco para início da refeição e depois um tinto. As sugestões, que aceitámos, voltaram a incidir em produtos que não conhecíamos.
Assim, começou por vir para a mesa um branco do Douro, de nome Loboseiro (que raio de nome para um vinho), que nos agradou particularmente. O Loboseiro é um projecto de uma família de antigos proprietários das Caves Raposeira, que engloba quatro quintas situadas nos concelhos de Lamego e Peso da Régua cujas vinhas foram reconvertidas em 45%, com uma aposta principalmente nas castas Touriga Nacional e Franca, Tinta Barroca, Sousão, Malvasia Fina, Gouveio, Cerceal e Viosinho.
Quanto a este Loboseiro branco de 2005, tinha aquela frescura aromática que apreciamos nos brancos, e a opinião foi coincidente entre os três comparsas sentados à mesa. Apesar de ter um grau alcoólico considerável, apresentou-se bastante bem balanceado entre todas as componentes, sem se tornar pesado, com predominância frutada equilibrada com uma componente floral bastante marcada. Fez-me lembrar o Murganheira branco seco que aqui bebemos há um ano, precisamente com uns filetes de peixe-galo. Cá está a Malvasia Fina mais uma vez a mostrar serviço, e posso dizer que até agora não me lembro de um branco com esta casta que não me agradasse. Acho até que não está a ser devidamente valorizada entre as castas brancas, como acontece com o Alfrocheiro nas tintas. Parecem-me duas castas que marcam de forma indelével os vinhos onde entram mas ainda não lhes é dado o devido destaque.
Passando às carnes, foi altura de mudar para o tinto, mais uma vez escolhido pelo sr. Amando. Ainda pensámos em experimentar o Loboseiro tinto, mas acabámos por seguir a sugestão e fomos para um alentejano, o Plansel Selecta de 2006. Não sendo um vinho extraordinário, não deixa de ser agradável de beber, com algumas notas florais e a frutos silvestres a sobressaírem, num conjunto essencialmente marcado pela suavidade, fugindo aos ditames mais recentes da moda. E apesar dos 14% de álcool não se mostrou enjoativo nem pesado, antes bem equilibrado. Poderá não aspirar a grandes voos, mas também não desilude.
E assim cumprimos o nosso ritual de romaria a Paço d’Arcos, que se está a tornar obrigatório, e já podemos ir de férias mais descansados... e reconfortados.
tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos quase a espreguiçar-se ao sol
Vinho: Loboseiro 2005 (B)
Região: Douro
Produtor: Gustavo Alberto Pinto de Lemos do Valle, Herdeiros
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Malvasia Fina, Gouveio, Cerceal
Preço no restaurante: 11 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Plansel Selecta 2006 (T)
Região: Alentejo (Montemor-o-Novo)
Produtor: Jorge Böhm
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Trincadeira
Preço no restaurante: 12 €
Nota (0 a 10): 7
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quarta-feira, 23 de julho de 2008
Na Wine O’Clock 6 - Brancos da Sogrape
Começámos pelos verdes, o Quinta de Azevedo e o Morgadio da Torre, um Alvarinho de grande elegância e finura, muito suave, um vinho esplêndido para acompanhar umas boas mariscadas mas também para beber a solo. O Quinta de Azevedo, feito com uma mistura de Arinto e Loureiro, também é bastante elegante e embora com um perfil um pouco mais simples é igualmente muito agradável e versátil para este tempo estival.
Seguiu-se pelo Dão, com o Duque de Viseu e o Quinta dos Carvalhais Encruzado, que já tínhamos provado na sessão dedicada à Quinta dos Carvalhais. Depois passámos pelo Alentejo com o Vinha do Monte, da Herdade do Peso, que me pareceu um pouco pesado, na linha habitual dos brancos alentejanos, para terminar com o Vinha Grande, que supostamente seria o ponto alto da prova, mas que continua a perder para o extinto Sogrape Reserva. Continuo a achá-lo não totalmente conseguido, parece-me faltar-lhe alguma frescura e alguma elegância. Enfim, nem sempre se pode acertar totalmente.
E assim nos despedimos até às provas da próxima temporada.
Kroniketas, enófilo visitante
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domingo, 20 de julho de 2008
Na Wine O’Clock 5 - Com a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo
Situada perto do Pinhão, a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo tem vindo a afirmar o seu nome recentemente através duma gama de vinhos que vão desde os brancos e rosés até aos tintos e vinhos do Porto. Nesta apresentação tivemos oportunidade de provar um total de 9 vinhos: o 3 Pomares branco, rosé e tinto, que constituem a entrada de gama, vinhos relativamente simples e fáceis de beber; o Grainha branco e tinto, vinhos já com alguma complexidade situados num patamar médio em que o tinto se apresenta com uma relação preço/qualidade muito interessante; o Quinta Nova tinto e o Quinta Nova Reserva, estes já num patamar superior em que o Reserva precisa de mais tempo para se mostrar na plenitude; e finalmente dois exemplares de vinhos do Porto, um Ruby Reserva e um Vintage, dois bons exemplares dos melhores Portos.
Claro que a curta duração destas provas não permitem grandes dissertações sobre os líquidos provados e não propriamente degustados, mas pudemos ficar com uma ideia aproximada do que podem valer. Neste sentido pareceu-nos que o Grainha talvez seja a melhor aposta, sem descurar o Reserva. Os dois vinhos do Porto também pareceram muito bem conseguidos, em especial o Ruby que tinha quase um perfil de LBV.
Curiosamente, esta Quinta Nova era um local que eu tinha considerado como hipótese para fazer um passeio na altura dos feriados de Junho, pelo que esta prova veio aguçar um pouco mais o apetite para conhecer o local. Enquanto isso não acontece, vamos ficar com mais estas referências para uma apreciação mais demorada quando for possível.
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quinta-feira, 17 de julho de 2008
No meu copo 191 - Planalto 2007; Diálogo 2005

A primeira passagem pel'Os Arcos agradou, pelo que resolvemos voltar à carga, desta vez para um prato de carne. Como o tempo estava quente, resolvemos começar por refrescar com meia garrafa de Planalto, o branco seco do Douro da Sogrape que é sempre uma aposta simpática. À semelhança de outros brancos relativamente leves e secos, este é sempre agradável de beber, com uma boa acidez e notas florais, corpo médio e um final persistente e refrescante. Nota-se a presença da Malvasia Fina a dar um perfil mais arredondado ao vinho dentro do seu carácter predominantemente seco. Neste caso acompanhámo-lo apenas com uns entreténs-de-boca enquanto aguardávamos a “pièce de résistance” que neste caso eram duas, divididas a meias: uma posta à mirandesa e um bife Wellington. Ela na sua tradicional disposição, ele acoitado em massa folhada, muito tenro e suculento.
Para a carne escolhemos um Diálogo, uma das recentes criações de Dirk Niepoort já divulgada por alguns comparsas da blogosfera, como o Vinho da casa e Os Vinhos. Este vinho tem a particularidade de apresentar um rótulo ilustrado pelo cartoonista Luís Afonso, sobejamente conhecido pelos cartoons que faz há muitos anos quer no jornal A Bola quer no Público, com o célebre Bartoon. É aliás nas personagens do Bartoon que este alentejano de Serpa se inspira para ilustrar o diálogo do rótulo entre o barman e um cliente.
Quanto ao conteúdo líquido, encontrámos um vinho macio, pronto a beber, tal como o produtor anuncia adequado “para todos os dias e não apenas para momentos especiais”. Apresenta-se com uma cor carregada, aroma a frutos vermelhos, redondo na boca sem deixar de mostrar alguns taninos bem amansados e um leve toque a especiarias. Apenas 20% da produção estagiou em barrica, pelo que a madeira passa aqui quase despercebida.
Enfim, o que se pode dizer é que é um vinho relativamente despretensioso e que nesse registo cumpre bem a sua função, sem deixar de mostrar uma qualidade apetecível. A macieza e frescura que apresenta podem torná-lo um bom tinto de Verão.
tuguinho e Kroniketas, enófilos e gastrónomos e etc.
Vinho: Planalto 2007 (B)
Região: Douro
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Malvasia Fina, Gouveio, Viosinho, Códega
Preço em feira de vinhos: 4,59 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Diálogo 2005 (T)
Região: Douro
Produtor: Niepoort Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinto Cão
Preço: cerca de 7,5 €
Nota (0 a 10): 7
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segunda-feira, 14 de julho de 2008
No meu copo 190 - Bons Ares branco 2005
Estamos na época em que os vinhos frescos apetecem mais, e daqui até ao fim do Verão os vou ter oportunidade de provar brancos e rosés certamente em maior quantidade que os tintos. Mas este de que vou falar é mais um branco de Inverno que de Verão.
Ramos Pinto, um nome sobejamente conhecido, que dispensa grandes considerandos acerca da casa e do responsável pelos seus vinhos, um dos produtores mais referidos neste blog, é desta casa este branco Bons Ares, parceiro do tinto do mesmo nome e do “primo” Duas Quintas.
Se o Bons Ares tinto é uma das nossas referências permanentes, já este branco me pareceu alguns furos abaixo. Predominam algumas notas tropicais num todo envolvente com final persistente. Tem uma boa estrutura e alguma frescura, é nitidamente um vinho gastronómico, a pedir pratos com alguma substância, mas não é bem o perfil de branco que mais me agrada. Disso o vinho não tem culpa, naturalmente, mas eu gosto deles mais leves e aromáticos, e este não era particularmente aromático. Mas não quer dizer que o rejeite noutra ocasião, tem é que ser com um prato bem escolhido para lhe fazer companhia de modo a mostrar-se em pleno, caso contrário pode ter um peso excessivo na boca.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Bons Ares 2005 (B)
Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 5,45 €
Nota (0 a 10): 7
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sexta-feira, 11 de julho de 2008
No meu copo 189 - Encostas de Estremoz, Touriga Nacional 2003
Outro vinho provado há algum tempo, ainda antes de aparecerem novas marcas deste produtor, actualmente com um leque de produtos bastante mais alargado.
Este foi um daqueles vinhos que às vezes se compram mais por curiosidade e pelo baixo preço, sem criar grandes expectativas à partida, tendo em conta a imensidão da oferta.
A garrafa foi aberta numa refeição de caça, para acompanhar (com outras) um prato de lebre. Ao primeiro golo fiquei agradavelmente surpreendido, com uma boa estrutura na boca a envolver bem o álcool, a par com uma boa intensidade aromática. Nem estava a ligar muito à informação do vinho, até que resolvi olhar melhor para a garrafa. Só então é que dei atenção à menção, que aparecia cá no fundo, à Touriga Nacional, e fiquei a pensar que este é um bom exemplo do aproveitamento da Touriga noutras paragens longe do Dão e do Douro.
Ao contrário de outros exemplos que por vezes vamos apanhando por aí, em que a “tourigização” do país nem sempre se torna uma mais-valia, esta pareceu-me uma aposta bem conseguida, com o aroma floral da Touriga a domar e amaciar o corpo e a pujança do Alentejo.
Daí para cá apareceram outras variantes e outros nomes desta casa, que a julgar por esta amostra poderão merecer mais atenção.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Encostas de Estremoz, Touriga Nacional 2003 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Encostas de Estremoz, Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 7,5
terça-feira, 8 de julho de 2008
No meu copo 188 - Valle Pradinhos 2001
Poucas vezes um vinho feito com um lote de castas me mostra o que lá tem logo à primeira. Vou tentando umas aproximações, às vezes consegue-se perceber melhor o que lá está, outras vezes tentamos adivinhar mas atiramos ao lado. Há algum tempo eu e o tuguinho abrimos uma garrafa de Valle Pradinhos, vinho transmontano de Macedo de Cavaleiros que já tinha provado há muitos anos mas de que não tinha memória.
Ao aspirar os aromas, e sem sequer olhar para a informação da garrafa, soltei esta sugestão: “parece-me Cabernet...”. Depois fiz outra aproximação e acrescentei: “ou então Touriga...”. Para tirar as dúvidas olhámos ao contra-rótulo. Para minha própria surpresa, encontrei lá precisamente as duas! Desta vez a impressão foi correcta, o que é quase acertar no bingo...
Passando da prova olfactiva para a gustativa, o vinho acabou por ficar um pouco aquém das expectativas. Já com alguma evolução, o corpo apareceu um pouco para o delgado e o final algo curto. Os traços mais marcantes das castas menos pronunciados que no nariz, já algo desmaiados.
Não sei se o vinho não aguenta esta idade, pelo que vou voltar à carga com uma colheita mais recente. O potencial pareceu estar lá mas ter fugido. Vamos aguardar pela próxima.
Vinho: Valle Pradinhos 2001 (T)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Maria Antónia Mascarenhas
Grau alcoólico: 14%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Tinta Amarela
Preço em feira de vinhos: 7,28 €
Nota (0 a 10): 7
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quarta-feira, 2 de julho de 2008
No meu copo 187 - Quinta da Alorna: Reserva, Touriga Nacional 2003; branco 2006

A Touriga Nacional é a casta da moda. Planta-se em todo o lado, de norte a sul, e entra numa parte significativa dos vinhos de quase todas as regiões. A verdade é que, como já várias pessoas disseram, corremos o risco de assistir à “touriguização” do país vinícola, perdendo a tipicidade das várias regiões. Vem isto a propósito deste vinho que tive oportunidade de abrir, um Touriga ribatejano da Quinta da Alorna.
No contra-rótulo reza assim:
“É um bom exemplo da expressão da Touriga Nacional, a mais famosa e mediática casta tinta portuguesa. Um aroma efusivo cheio de resinas e anisados com flores silvestres, rebuçado de groselha e chocolate. Na boca mantém o perfil, resinoso e balsâmico, taninos gordos, fruto maduro, um tanto exuberante apesar da evidente qualidade.”
Na realidade, a mim pareceu-me mais um vinho em que a Touriga Nacional perde as suas características e a região também. Posso não ter compreendido bem o que estava a beber, mas a sensação que ficou é que este Quinta da Alorna Reserva feito com Touriga Nacional acaba por não ser um ribatejano típico nem um Touriga Nacional verdadeiro. Às vezes as combinações saem perfeitas e consegue-se um bom resultado das misturas mais inesperadas, mas neste caso fiquei com uma impressão diversa. Tal como parece acontecer quando se mete a Touriga Nacional nos vinhos da Bairrada (ficámos com essa sensação nos Ensaios Filipa Pato), este ribatejano perdeu as suas características e a Touriga também não me pareceu tão efusiva como dizia o contra-rótulo, nem o floral estava lá. Pode ser que numa próxima tentativa...
E já que estamos com a mão na massa, passamos ao branco. A Quinta da Alorna é uma das casas que têm contribuído para a recuperação da imagem dos vinhos do Ribatejo e já tem no seu portefólio um número significativo de vinhos bastante apreciáveis. Já tivemos oportunidade de provar o tinto normal, um branco Colheita tardia e um rosé de Touriga Nacional, e agora acrescentamos este branco à lista.
Feito a partir de duas das melhores castas brancas do país, a incontornável Arinto e a Fernão Pires, que se destaca entre as brancas no Ribatejo, tem uma cor citrina forte, aroma também marcadamente citrino, boca média e final marcado por uma acidez refrescante. Um branco que pode ser versátil, para pratos leves de peixe ou marisco ou para outros mais elaborados. Uma aposta refrescante e simpática para o Verão, e mais um bom produto desta quinta.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Vinho: Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 6,5
Vinho: Quinta da Alorna 2006 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 2,79 €
Nota (0 a 10): 7
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domingo, 29 de junho de 2008
No meu copo, na minha mesa 186 - Tinto da Ânfora 2006; A Taverna (Lisboa)



Há alguns meses fui levado por um amigo a descobrir um restaurantezinho meio escondido na Rua das Amoreiras, em Lisboa. Chama-se A Taverna, restaurante típico e passa praticamente despercebido na sua porta negra de metal, ali mesmo em frente ao jardim das Amoreiras.
O ambiente é acolhedor e recatado, bom para refeições sossegadas. A ementa está escrita à mão numa espécie de lampião, a decoração é sóbria, com algumas referências à Lisboa antiga, a puxar para o rústico e, talvez, para o ambiente das casas de fado.
Começámos por ir debicando nas entradas um queijo fresco que estava demasiado salgado, pelo que não agradou muito. Para os pratos as escolhas recaíram em petinga frita com açorda e no meu caso em entrecosto no forno. Vinha bem apaladado e acompanhado com batatas assadas e castanhas com uma cebolada por cima.
Para sobremesa optámos pela sericá/sericaia, que merece honras de destaque na casa, pois até existe um folheto explicativo da sua origem. Há algum tempo tivemos aqui um bate-boca com o Copo de 3 por causa disto, e afinal agora surge um folheto que nos diz que a sericaia foi trazida de Malaca pelos nossos marinheiros em 1511... A verdade é que fez jus ao que se espera, e ficámos satisfeitos.
O serviço é simpático e atento, sem grandes salamaleques mas eficaz. Pelo preço e pela qualidade vale a pena lá voltar.
Para acompanhar a refeição a escolha recaiu num Tinto da Ânfora, vinho alentejano produzido pela Bacalhôa na Herdade das Ânforas, perto de Arraiolos. Mostrou-se bem encorpado e predominantemente frutado, com um final persistente mas pecando (mais uma vez) pelo excesso de álcool que o tornava um bocado cansativo. Bebe-se sem sacrifício mas corre o risco de fartar.
Restaurante: A Taverna
Rua das Amoreiras, 47
1250-022 Lisboa
Telef: 21.387.49.00
Preço por refeição: 24 €
Nota (0 a 5): 4
Vinho: Tinto da Ânfora 2006 (T)
Região: Alentejo (Arraiolos)
Produtor: Bacalhôa Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Trincadeira
Preço em hipermercado: cerca de 6 €
Nota (0 a 10): 6,5
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quarta-feira, 25 de junho de 2008
No meu copo 185 - Dão Milénio, Touriga Nacional e Aragonês 2004
Certo dia, ao almoço num restaurante de Lisboa, vi a alguns lugares no balcão onde me encontrava uma garrafa de vinho com um rótulo e um nome que não conhecia: Milénio. Perguntei ao empregado que vinho era aquele e ele mostrou-me uma garrafa. Vinho do Dão, de Penalva do Castelo. Como na ocasião ia lá almoçar todos os dias, resolvi num dia subsequente em que tinha companhia pedir uma garrafa daquele para experimentar.
Devo dizer que desde sempre (quando comecei a beber vinho) fui um apreciador dos tintos do Dão, que não costumam ser devidamente valorizados. Aprecio a macieza, a suavidade, a elegância destes tintos, que acho que não tem igual no país. Mas a moda leva os consumidores por outros caminhos...
Provado este Milénio, feito com as castas Aragonês e Touriga Nacional, fiquei bastante agradado com o resultado (aliás, são as duas castas rainhas nas regiões mais a norte; só não percebi o porquê de o Aragonês não aparecer aqui com o nome de Tinta Roriz). Veio ao encontro do que eu esperava . Uma bela cor rubi, um aroma profundo num misto entre a flor e os frutos silvestres, muito redondo na boca mas com bom corpo e um final persistente mas suave.
Mais tarde procurei este vinho nas prateleiras dos supermercados e acabei por encontrá-lo a um preço muito convidativo e obviamente trouxe um exemplar para casa. Dentro dos vinhos bons a baixo custo, este foi um dos que mais me agradaram nos últimos tempos. Considero-o uma excelente aposta para o dia-a-dia e uma boa companhia para pratos de carne suaves e com algum requinte. Valerá a pena olhar melhor para os vinhos deste produtor, pois se este entra na gama baixa é capaz de haver produtos bem interessantes na gamas superiores.
Quanto a nós, é mais um nome que acrescentámos à nossa lista dos recomendáveis.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Milénio 2004 (T)
Região: Dão
Produtor: Adega Cooperativa de Penalva do Castelo
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7,5
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domingo, 22 de junho de 2008
No meu copo 184 - Quinta do Encontro, Preto Branco 2004
A Quinta do Encontro é uma das muitas quintas que a Dão Sul, empresa sedeada em Carregal do Sal, já possui em várias regiões do país (Dão, Douro, Bairrada, Estremadura e Alentejo), numa estratégia de expansão que a torna já uma das principais produtoras a nível nacional. Neste caso falamos da propriedade situada no coração da Bairrada, em S. Lourenço do Bairro, Anadia, que foi recentemente objecto de investimento substancial.
Desta quinta já tínhamos tido a oportunidade de provar o Quinta do Encontro Merlot-Baga e agora provámos este vinho adquirido o ano passado com um dos números da Revista de Vinhos. Apresenta um conceito invulgar, pois é feito com duas castas tintas e uma casta branca. Não sendo um Bairrada clássico, não deixa de surpreender de alguma forma pela pujança que apresenta, a fazer lembrar outros estilos, embora com um perfil mais moderno e frutado sem deixar de se apresentar algo fechado. A Baga faz sempre notar os seus efeitos. Boa estrutura na boca, com taninos firmes mas bem domados, acidez muito equilibrada e boa persistência.Enfim, não sendo de encantar não deixa de ser um vinho capaz de fazer boa figura perante pratos robustos ao mesmo tempo que pode cativar os mais renitentes perante os vinhos bairradinos.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta do Encontro, Preto Branco 2004 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta do Encontro
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Touriga Nacional, Bical
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7,5
PS: outra prova deste vinho no Copo de 3
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