Vamos então falar do Ganhão, local de peregrinação do núcleo duro dos Comensais Dionisíacos e um dos vários restaurantes alentejanos bem referenciados na zona da capital.
Eu já lá tinha passado um dia ao almoço para conhecer o espaço. Deparei com uma sala quase “forrada” a aguardentes, conhaques e whiskies, além de uma enorme garrafeira descrita numa extensa carta de vinhos com bastantes raridades e alguns restos de colecção que por ali estão à espera que alguém repare neles. Foi nessa ocasião que reparei, numa prateleira elevada a um canto da sala, numa garrafa de litro e meio de Reguengos Garrafeira dos Sócios de 97 que desde logo ficou marcada para a primeira oportunidade.
Tendo-se juntado quatro comensais, lá rumámos à Venda Nova para uma refeição em regra. O Ganhão fica logo a seguir às portas de Benfica, junto aos laboratórios Vitória. O estacionamento é relativamente fácil de encontrar do outro lado da rua, junto aos prédios aí existentes.
A garrafa já estava à nossa espera e à temperatura adequada e veio para a mesa enquanto nos entretínhamos com os primeiros acepipes. Perante as sugestivas propostas que nos foram apresentadas, resolvemos fazer uma vaquinha e pedir três pratos para dividir por todos: bacalhau à Ganhão, no forno, ensopado em azeite com cobertura de alho e batatas fritas às rodelas; grelhada mista de secretos e vitela; e lombinhos de porco com migas de espargos. Qual deles o mais apetitoso. O bacalhau naturalmente comeu-se primeiro e foi um bom início das hostilidades, enquanto o Garrafeira dos Sócios se começava a mostrar nos copos. Em seguida vieram as carnes que se foram intercalando uma com a outra e chegaram para as despesas. Excelentes lombinhos e migas e muito bons grelhados.
Para as sobremesas escolheu-se a inevitável encharcada, a que aderiram três dos comensais, mais uma torta de canela. No final ainda houve direito à prova de duas aguardentes (oferta da casa).
Com o prolongar do serão, as nossas conversas foram-se cruzando com as dos donos, que entretanto se sentavam noutra mesa para cear. Já só restávamos nós na sala e já bem para lá da meia-noite falava-se de provas de vinhos, de lojas e restaurantes, de críticos e revistas, de vinhos caros e baratos. Enfim, o serão podia-se prolongar pela noite dentro.
Ficaram os contactos para futuras divulgações e a promessa de lá voltarmos. Para além da boa qualidade da confecção e da simpatia do serviço, o destaque foi o fim da noite em amena cavaqueira, coisa que não é vulgar acontecer. Assim vale a pena lá estar e nem dá vontade de vir embora. Um local a revisitar com frequência, até porque a casa dispõe ao lado de uma loja e também faz apresentações de vinhos, pelo que há mais motivos para outras visitas.
tuguinho e Kroniketas com Politikos e Mancha, os Comensais Dionisíacos
Restaurante: O Ganhão
Rua Elias Garcia, 24/26
Venda Nova
2700-327 Amadora
Telef: 21.474.62.26
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Na minha mesa 234 - O Ganhão (Venda Nova)
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
No meu copo 233 - Conde de Palma 2006
Este vinho foi adquirido com a Revista de Vinhos de Janeiro e desta vez resolvi fazer o que raramente faço: experimentar bebê-lo imediatamente para ver como está.
Depois das duas provas indicadas nos posts anteriores, aqui está o contra-ponto aos vinhos que tiveram tempo para crescer e amadurecer dentro da garrafa: um vinho ainda novo, com apenas dois anos de idade após a colheita. E confirmou-se aquilo que seria previsível: o vinho está muito “cru” para ser bebido, algo agreste, com os taninos ainda agressivos a torná-lo algo adstringente e difícil.
Parece ter potencial para melhorar e talvez daqui a 2, 3 anos o conjunto esteja mais redondo e polido e aí se possa apreciar melhor os aromas.
Assim se prova mais uma vez que esta tendência para beber os vinhos muito novos é extremamente limitativa do prazer que se obtém. Está na mão dos consumidores inverter esta tendência, ou terão de ser os produtores a tomar a iniciativa?
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Conde de Palma 2006 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Herdade Monte da Cal - Dão Sul/Global Wines
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 6,5
PS: Por coincidência o Pingas no Copo também apresentou há dias uma prova deste vinho. A opinião dele é mais favorável que a minha.
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
No meu copo 232 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 97 e 99
E como estamos numa onda de regressos, eis aqui outra repetição. A última prova desta colheita tinha sido colocada pelo tuguinho há uns dois anos, quando ele ainda escrevia uns posts para este blog. Daí para cá já tive oportunidade de provar outras colheitas, mais recentes e mais antigas, a última há cerca de um ano. Mas como este vinho, tal como o do post anterior, é um daqueles que tenho sempre em stock, as colheitas vão-se juntando na garrafeira e os vinhos vão ficando por ali à espera de serem lembrados.Assim sendo, depois do Quatro Castas resolvi ir revisitar o Garrafeira dos Sócios da Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz. Não é novidade nenhuma dizer que quanto mais tempo esperamos para consumir um vinho maior é a probabilidade de termos uma surpresa desagradável. Felizmente não tenho tido tantas como receava, embora por vezes o azar bata à porta. Mas quando a surpresa é boa, sentimo-nos recompensados pela espera e ultimamente o deus Baco tem-me presenteado com alguns néctares deliciosos que só têm dado razão às vozes que cada vez mais se levantam contra febre da venda e do consumo dos vinhos acabados de fazer (voltarei a este tema no próximo post).
Já contei na última prova a história da nossa relação com este vinho, um caso de verdadeira paixão. E esta prova da colheita de 99 não defraudou: estava lá tudo, e também aqui parece que o tempo em garrafa, ao invés de o fazer decair, o fez melhorar e lhe deu um vigor rejuvenescido. Continua com as características que sempre gostei nele mas mantém-se vivo na boca, prolongado e aveludado.
Posteriormente a esta prova houve a oportunidade de beber, no restaurante O Ganhão, uma garrafa de litro e meio da colheita de 97. Para isso juntámos o núcleo duro dos Comensais Dionisíacos, tendo reservado previamente a dita garrafa. O resultado não defraudou minimamente as expectativas. Apresentou uma cor acastanhada a denotar a evolução já evidente, mas desta vez não achámos necessário decantá-lo, porque os aromas iniciais se apresentaram totalmente limpos, sem qualquer vestígio de mofo, e tal como tinha acontecido há um ano com o de 96 no restaurante A Gruta, em Portalegre, à medida que foi arejando os aromas foram-se libertando e toda a macieza e o aveludado que sempre esperamos aí estavam a marcar presença. Já não apresentava a mesma vivacidade do de 99, mas para um vinho com esta idade a saúde estava notável.
Após estas três últimas provas (estas duas e o Quatro Castas) fiquei com a sensação de ter provado três vinhos que estavam na idade adulta. É certo que já não se espera que possam melhorar, mas se não os tivesse deixado repousar durante todos estes anos (o Quatro Castas, comprado com 3 anos de idade, esperou 4 anos depois da compra e o Garrafeira dos Sócios 99, comprado com 4 anos, esperou 5) e não tivesse referenciado aquela garrafa magnum de 97 no Ganhão, teria agora o prazer de desfrutar de três vinhos verdadeiramente maduros e completos?
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Carmim (Coop. Agrícola de Reguengos de Monsaraz)
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 11,95 €
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 97 (T) (garrafa de 1,5 L)
Grau alcoólico: 13%
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 99 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Nota (0 a 10): 8,5
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
No meu copo 231 - Quatro Castas Reserva 2001
Perdoem-me a insistência, mas beber este vinho é um prazer sempre renovado. Tinha provado a última da mesma colheita há cerca de um ano e agora parece que melhorou. Curiosamente, no blog Os Vinhos existe uma prova da colheita de 2002, onde o Pedro Rafael Barata refere que já passou o seu auge e o final é mediano.
Pois este de 2001, passado um ano, ainda está melhor. Mediano é que o final não é e pelo contrário talvez esteja, agora sim, no auge. O tempo em garrafa só lhe tem feito bem. Um corpo que nunca mais acaba, uma profundidade aromática espantosa, com aromas ainda exuberantes a fruta e algum toque a tostados e especiarias, com boa integração com a madeira e os taninos polidos mas ainda sólidos a darem grande firmeza a um conjunto homogéneo e equilibrado. E nem os 15 graus de álcool destoam do conjunto, tão bem disfarçados estão.
Definitivamente, um vinho que faz sempre os meus encantos por um preço que fica bem abaixo do que se poderia esperar. Para mim é incontornável e, repito o que disse há um ano, o melhor vinho do Esporão daqueles que já provei (continua a faltar o Private Selection e o caríssimo Torre do Esporão...).
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quatro Castas Reserva 2001 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 15%
Castas (não mencionadas no contra-rótulo) - as quatro melhores do ano em partes iguais entre estas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah, Bastardo, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 10,79 €
Nota (0 a 10): 9
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Etiquetas: Alentejo, Alicante Bouschet, Aragonez, Bastardo, Cabernet Sauvignon, Esporao, Reguengos, Syrah, Tintos, Touriga Nacional, Trincadeira
sábado, 24 de janeiro de 2009
No meu copo 230 - Vinho Verde Espumante - Quinta do Ferro 2006
A passagem de ano foi assinalada com a abertura do espumante que tinha comprado com a Revista de Vinhos. Para a ocasião também compareceram duas garrafas de espumante italiano, que por acaso acabei por não provar, mas a opinião foi unânime: este espumante da região dos Vinhos Verdes, produzido na zona de Baião, bateu os italianos em toda a linha.
Não é encantador nem dos que mais me têm agradado, mas cumpre dentro do exigível. Tem uma boca com bom corpo e final prolongado, embora não muito macio. Um pouco mais de suavidade torná-lo-ia mais abrangente, mas parece-me que com estas características poderá bater-se bem com um belo leitão à Bairrada.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta do Ferro 2006 - Espumante Bruto (B)
Região: Vinhos Verdes
Produtor: Quinta do Ferro
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Avesso
Preço com a Revista de Vinhos: 6,25 €
Nota (0 a 10): 7
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Etiquetas: Avesso, Espumantes, Qta Ferro, Verdes
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
No meu copo 229 - Champanhe Pommery
Na última quadra festiva estreei um champanhe que nunca tinha bebido. Para variar do habitual Veuve Clicquot comprei um Pommery, que se saiu muito bem da prova. Bolha muito fina, aroma floral e boca muito suave e elegante, com algumas notas tropicais e citrinas, bateu-se excelentemente no confronto com o Veuve Clicquot, colhendo mesmo opiniões mais favoráveis. São ambos excelentes, mas o Pommery consegue ser ainda mais elegante, mais fresco, ainda com mais finesse, um champanhe praticamente universal, para qualquer ocasião e qualquer refeição. Haverá melhor? Se há, não deve ser muito.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Pommery - Champagne Brut (B)
Região: Champagne (França)
Produtor: Pommery - Reims - França
Grau alcoólico: 12%
Casta: Chardonnay
Preço em hipermercado: cerca de 34 €
Nota (0 a 10): 9
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Etiquetas: Champanhe, Chardonnay, Estrangeiros, França, Pommery
sábado, 17 de janeiro de 2009
No meu copo 228 - Duas Quintas Celebração Quinta de Ervamoira
Já foi referida noutros blogs a razão de ser deste vinho. Houve quem se desse ao trabalho de transcrever a explicação do contra-rótulo, pelo que me dispenso de repeti-lo e sugiro a leitura dos post respectivo no Pingamor, assim como a prova do Saca-a-rolha.
A explicação para o lançamento deste vinho é simples: foi produzido para comemorar o 10º aniversário da sobrevivência da Quinta da Ervamoira devido à não construção da barragem de Foz Côa. A relação que temos com os vinhos da Ramos Pinto é algo parecida com a da Sogrape e do Esporão: tudo o que sai de lá nos desperta a atenção. Quando vimos este vinho à venda, como o preço não era muito elevado deitámos-lhe logo a mão.
Há alguma semanas resolvi abrir este exemplar único que detinha num jantar com amigos, porque nestas coisas dos vinhos gosto sempre de bebê-los, quando espero que sejam dos melhores, compartilhando esse prazer com alguém. E que prazer este nos deu...
Parece um vinho feito à moda antiga. Com uma certa pujança mas ao mesmo tempo elegante. Bem estruturado e persistente sem deixar de ser macio. Marcadamente frutado, com nuances de frutos vermelhos maduros, bem envolvidos por uma suave especiaria que dá maior vivacidade ao conjunto. Tudo muito equilibrado. Um vinho que deixa saudades, como a paisagem da quinta me deixou quando lá estive. Se soubesse o que sei agora, tinha comprado mais.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Duas Quintas Celebração - Quinta de Ervamoira (T) (sem data de colheita)
Região: Douro (sem denominação de origem)
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: não indicadas
Preço em hipermercado: 12,21 €
Nota (0 a 10): 8,5
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Na minha mesa, no meu copo 227 - Fialho (Évora); Chaminé 2007


Na mesma volta do Chico, a passagem por Évora deu-me a oportunidade de voltar ao Fialho, onde tinha estado apenas uma vez em 1997. Em todo este tempo tive oportunidade de ouvir muitas opiniões díspares acerca do Fialho. Que já não é o que era, que há restaurantes melhores em Évora, que é muito caro, que há outros onde se come melhor, que as pessoas que conhecem bem os restaurantes vão a outros... Ouvi falar no Luar de Janeiro, na Cozinha de Santo Humberto, etc.Entretanto muita coisa aconteceu. Os guias de restaurantes, os críticos como José Quitério, a Internet, os sites dedicados à gastronomia. No site do Expresso surgiu a secção “Boa cama, boa mesa” e os comentários dos leitores. Antes de preparar este passeio andei a ler o que encontrei sobre estes restaurantes que referi e mais alguns para estabelecer comparações. Mesmo assim mantive a intenção de voltar ao Fialho e marquei mesa para o almoço com dois dias de antecedência. Em boa hora o fiz!
Depois de regressar de lá, voltei a ir ao site do Expresso ler outra vez os comentários acerca do Fialho, e fiquei sem perceber o que é que o pessoal quer. Ao almoço, com a família, tivemos uma refeição simplesmente fabulosa! Perdiz à Fialho, estufada com cogumelos, divinal! Medalhões de porco preto com migas de espargos, saborosíssimos. Bochechas de porco preto em vinho tinto, tenríssimas e deliciosas. Serviço rápido, simpático, atencioso, eficiente, e isto com a casa cheia, sempre com clientes a chegar. Pede-se alguma coisa e demora 2 minutos no máximo. As doses são bem servidas, o suficiente para se ficar plenamente satisfeito. Querem mais o quê? Que nos calcem umas pantufas, nos limpem a boca e nos levem à casa de banho?
Numa volta nocturna pela cidade estive a espreitar outras ementas em Évora, nomeadamente a da Cozinha de Santo Humberto, ali mesmo junto à Praça do Giraldo, e ficam a léguas da do Fialho.
No final paga-se bem? Claro que sim: paga-se pela qualidade que se obtém, mas paga-se por uma refeição magnífica. Agora pergunto eu: há melhor em Évora? Em que aspecto? Servem doses maiores, daquelas tipo farta-brutos? Há mais baratos? Acredito que sim. Mas melhores que este? Em termos de serviço e qualidade da confecção? Mostrem-me onde é que eu vou lá.
O que é ridículo é criticar um restaurante destes por causa do... cherne! Um dos comentários depreciativos que li dizia que o cherne é congelado e que nem nos passa pela cabeça o que se acontece naquela cozinha. Engraçado. Vai-se a um dos locais emblemáticos da cozinha alentejana pedir cherne e depois queixa-se porque o peixe é congelado! Se querem comer peixe talvez fosse melhor ideia pedir uma sopa de cação, esse sim, um dos pratos representativos do Alentejo. Se querem cherne vão a um restaurante ao pé do mar. É como ir a uma marisqueira e depois dizer mal do cozido à portuguesa... Tenham juízo!
Resta falar das sobremesas e do vinho. Mandámos vir uns ovos-moles ferrados, um leite-creme e um pudim de requeijão, e os estômagos já não davam para mais, até porque também aqui tínhamos umas empadinhas de galinha à nossa espera para entrada. Todos estavam muito saborosos, com a particularidade de os ovos-moles serem servidos à moda do leite-creme, queimados com o ferro (daí o ferrados). Original, sem dúvida.
Para o vinho tive novamente que me refugiar em meia-garrafa e a escolha desta vez recaiu num Chaminé, das Cortes de Cima. Não sendo nada de extraordinário, desempenha-se bem da sua missão. Bom corpo e estrutura mediana, persistente quanto baste, aroma muito jovem e com predominância frutada, um daqueles vinhos que podem servir como aposta para o dia-a-dia.
Em resumo, este Fialho é seguramente um dos melhores restaurantes do país, digam o que disserem. Nos últimos três anos (desde a existência deste blog) tive oportunidade de visitar alguns restaurantes de altíssimo nível, nomeadamente enquanto estive em Portalegre (lembro-me do Cobre, da Gruta, do Rolo Grill, do Sever, do Tomba Lobos, do São Rosas e da Cadeia Quinhentista, além da Petisqueira do Gould, dos Arcos, da Cozinha Velha, do Vallecula, do Cortiço, da Falésia, da Cantina) e depois de estar no Fialho quase me apetece dizer que ainda está num patamar acima dos outros todos. Como sabem usamos uma escala de 0 a 5 para pontuar os restaurantes, mas a este apetece-me dar... 7!
Para terminar, volto ao Expresso e a uma crónica de José Quitério na edição de 22 de Novembro de 2008 para deixar a palavra ao especialista. Eis alguns excertos:
“Fialho, sempre!” (título do artigo)
“Cozinha regional portuguesa no seu melhor”
“Na cozinha dos irmãos Fialho, já septuagenários, honram-se os produtos alentejanos” (subtítulos)
“Serviço profissional e gentil”
“Tenho a impressão que esta casa não é tão falada e valorizada quanto merece (eu próprio há 19 anos que não escrevia uma palavrinha). Será por ter aura de cara? Ora, adeus... Vai-se a ver e, à excepção dos praticados ao quilo, os preços dos peixes oscilam entre €13,50 e €19, e os das carnes entre €13 e €18. Será porque andam para aí uns gabirus a maldizer a cozinha regional portuguesa, que é o factor que mais nitidamente nos diferencia de outros povos e culturas? Por Zeus, o pós-modernismo e a estupidez não têm tanto poder...
Seja como for, aquilo a que a consciência obriga é a proclamar bem alto que os irmãos Amor e Gabriel Fialho, já septuagenários, continuam, sempre fiéis à grande matriz, a saber fazer do seu Fialho um magnífico restaurante alentejano, que o mesmo é dizer, português.”
Mais palavras para quê? Deixemo-nos de tretas. O Fialho é um templo da gastronomia.
Kroniketas, gastrónomo viajante
Restaurante: Fialho
Travessa dos Mascarenhas, 16
7000-557 Évora
Telef: 266.703.079
Preço por refeição: 25 a 35 €
Nota (0 a 5): 5
Vinho: Chaminé 2007 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Cortes de Cima
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Syrah, Touriga Nacional, Trincadeira, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 4,89 €
Nota (0 a 10): 6
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Na minha mesa 226 - O Chico (São Manços)
Uma saída em família até ao interior alentejano levou-me a revisitar um restaurante que descobri há uns anos, quase por acaso, ao consultar o guia de restaurantes da Visão, que coleccionei há uns anos. Em trânsito pelas proximidades de Évora, olhando para os restaurantes da zona vimos um em São Manços, localidade situada junto ao IP2 em direcção ao sul. Lá fomos à procura do Chico.Em São Manços quase que se entra por uma rua a sai-se por outra. E o Chico parece um simples café de aldeia sem nada de especial que nos faça pensar em ir lá procurar algo especial. A verdade é que, para além de um pequeno balcão à entrada e de uma pequena sala com capacidade para não mais de 30 lugares, não se descobre o que nos espera antes de nos sentarmos à mesa.
Primeiro deparamo-nos com várias prateleiras onde estão expostas dezenas de vinhos alentejanos de todos os tipos. Pode-se percorrer as garrafas à procura de qualquer marca e quase que é difícil lembrarmo-nos de uma que não esteja lá. Enquanto esperamos pela refeição podemo-nos ir entretendo com umas excelentes empadas de carne, ainda quentinhas, que saem a grande ritmo para as mesas de todos os clientes. Mas a melhor parte vem quando se pega na ementa para passar aos pratos de resistência. Os pratos típicos alentejanos dominam, com destaque para a caça na época apropriada. Nas vezes que lá fui tive a felicidade de ser essa época e desta vez assim voltou a acontecer. À minha espera estava um delicioso arroz de lebre malandrinho, servido com uma concha em terrina de sopa, muito bem temperado e com um toque de hortelã a completar o panorama. É de comer até à última peça e até ao último bago de arroz. Para os apreciadores de caça, um verdadeiro maná.
Depois de já termos o estômago e o palato regalados com uma tal refeição, ainda arranjamos um espaço para provar as deliciosas sobremesas. A escolha recaiu numa encharcada e numa sericaia com ameixa de Elvas. A encharcada estava esplêndida, com a consistência certa e com calda na quantidade adequada, enquanto a sericaia estava um pouco maçuda.
Como só eu é que ia beber álcool tive que me socorrer de meia garrafa. Escolhi um vinho da zona, o EA tinto, da Fundação Eugénio de Almeida, que já não provava há alguns anos. E francamente decepcionou-me. Achei-o desequilibrado, delgado e pouco aromático, demasiado ácido na boca, muito longe do padrão que esperava. Posso ter tido azar mas se é este o perfil actual deste vinho, mais vale esquecê-lo. De tal forma que achei que nem valia a pena mencioná-lo no título do post.
Em suma, este Chico é um local a revisitar sempre que a oportunidade se proporcione, principalmente em tempo de caça. Quem passar pelos lados de Évora ou pelo IP2, vale a pena marcar mesa e fazer um pequeno desvio por São Manços para se deliciar com uma bela refeição. O preço é moderado (pagámos 45 € por uma refeição para dois adultos, um adolescente e uma criança), o serviço simpático e acolhedor, quase familiar, num ambiente descontraído e informal à boa maneira alentejana, onde nos sentimos como em casa.
Kroniketas, gastrónomo viajante
Restaurante: O Chico
Rua do Sol, 44-C
7005-739 São Manços
Telef: 266.722.208
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4,5
Vinho: EA (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 13%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Castelão, Alfrocheiro, Moreto
Preço em feira de vinhos: 4,87 €
Nota (0 a 10): 4
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
No meu copo 225 - Herdade do Meio 2004
Eis um vinho proveniente dum produtor que tem tido algum destaque recentemente. Na última feira de vinhos do Continente vários vinhos estavam em promoção, o que aliás mereceu um post no Saca-a-rolha.
Um dia resolvi comprar este para experimentar. Tendo em conta o preço pareceu-me que estaria num nível superior da gama da casa (ainda não conheço mais nenhum, portanto não posso fazer comparações). No entanto deparei-me, mais uma vez, com um vinho em que o excesso de álcool abafava tudo, tornando-o cansativo.
No último meio ano tenho tentado fugir dos vinhos alentejanos com 14 graus ou mais, porque tem sido um fartote que já não se aguenta. Neste caso arrisquei... e perdi. Perante este panorama praticamente tudo o resto perde interesse. Ao segundo copo já quase não se percebe mais nada. Pode ser que em futuras colheitas voltemos a encontrar vinhos com mais aromas e mais sabores, porque este, definitivamente, não me convenceu.
Apesar de tudo não se pode dizer que seja mau. Bebe-se com algum agrado, para aquilo que custa deveria deixar muito mais recordações.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Herdade do Meio 2004 (T)
Região: Alentejo (Portel)
Produtor: Casa Agricola João & António Pombo - Herdade do Meio
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alfrocheiro, Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 12,99 €
Nota (0 a 10): 6,5
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Etiquetas: Alentejo, Alfrocheiro, Alicante Bouschet, Aragonez, Herdade Meio, Tintos, Trincadeira
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
No meu copo 224 - Pago de Los Capellanes Reserva 2001
Terminamos este ano com a referência a um vinho espanhol que o tuguinho recebeu como oferta. Um dia juntámos os bandalhos do costume e abrimos a garrafa. A expectativa era elevada porque se tratava dum vinho da Ribera del Duero, a região espanhola “gémea” do Douro.
No entanto, ficou um pouco aquém do que se esperava, talvez por ter ultrapassado o ponto óptimo de consumo, mas tendo em conta a sua feitura (18 meses em barricas novas de carvalho francês, mais 20 meses em garrafa) e as castas utilizadas, seria expectável que se tratasse dum vinho com longevidade. Com esta idade certamente estaria num ponto alto de evolução.
Contudo mostrou-se discreto no aroma, não mostrou uma grande estrutura nem grande persistência e terminou de forma média. A força do Tempranillo estava presente, mas não o suficiente para dar ao vinho a complexidade que se esperava.
Em suma, um vinho para agradar mas não para encantar.
E com isto terminamos desejando a todos um bom ano de 2009... com boas provas.
tuguinho e Kroniketas, enófilos e tal em tempo de Natal
Vinho: Pago de Los Capellanes Reserva 2001 (T)
Região: Ribera del Duero (Espanha)
Produtor: Pago de Los Capellanes - Pedrosa de Duero - Burgos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tempranillo (90%), Cabernet Sauvignon (10%)
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 7,5
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Etiquetas: Cabernet Sauvignon, Capellanes, Espanha, Estrangeiros, Ribera del Duero, Tempranillo, Tintos
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
No meu copo 223 - Quinta dos Carvalhais 2002
Devo estar com azar. Ainda não acertei com um destes novos vinhos da Quinta dos Carvalhais que me enchesse as medidas. Com esta colheita de 2002 voltou a acontecer. Achei alguma falta de intensidade aromática, de estrutura, de persistência, em suma desiludiu-me.
De um vinho da Sogrape espera-se sempre mais e melhor e tratando-se do Dão espera-se principalmente um aroma profundo e elegância. Mas aqui não encontrei nada de especial. Achei-o demasiado simples e linear. Vamos aguardar por outros produtos. Decididamente, este não faz esquecer o desaparecido Dão Sogrape Reserva.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta dos Carvalhais 2002 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7
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Etiquetas: Alfrocheiro, Carvalhais, Dao, Sogrape, Tinta Roriz, Tintos, Touriga Nacional
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
No meu copo 222 - Quinta do Cardo 2004
Proveniente da vinha mais alta de Portugal, a 700 m de altitude em Figueira de Castelo Rodrigo, este vinho da Quinta do Cardo faz parte da nova linha de produtos da Companhia das Quintas intitulada “The Quinta Collection”, que está associada às diversas quintas de que a empresa é proprietária de norte a sul do país.
Apresentou uma cor carregada e no primeiro ataque na boca apareceu bastante agreste, com boa estrutura, taninos muito vivos e a precisar de amaciar e os aromas muito fechados, o que requereu desde logo a decantação. Amaciou depois de decantado e à medida que foi evoluindo com o arejamento começou a mostrar nuances de compota, à mistura com algum floral no aroma. A madeira está presente mas discreta conferindo complexidade ao conjunto. O álcool está bem presente mas sem se tornar cansativo. Boa persistência em final longo e ligeiramente especiado.
Ainda não tinha provado este vinho e foi uma boa revelação. Parece ter garra e estrutura suficientes para evoluir positivamente na garrafa durante algum tempo. É um vinho para se bater com pratos condimentados e a pedir vinhos poderosos. Gostei bastante e é um daqueles casos em que o preço não denota tudo o que está dentro da garrafa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta do Cardo 2004 (T)
Região: Beira Interior (Castelo Rodrigo)
Produtor: Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 3,59 €
Nota (0 a 10): 8
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Krónikas Vinícolas
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Etiquetas: Beira Interior, Companhia Quintas, Tinta Roriz, Tintos, Touriga Nacional
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
No meu copo, na minha mesa 221 - Neethlingshof, Merlot 2001; Stellenzicht, Shiraz 2000; Restaurante A Carvoaria
Um regresso à Carvoaria, restaurante sul-africano de Cascais, para responder ao desafio de comer um bife tártaro: estamos a falar de carne crua picada. O prato tem de ser encomendado de véspera para que a carne seja devidamente preparada de modo a ficar comestível.Antes do início das hostilidades o dono veio trazer-nos uma pequena porção para darmos a nossa impressão acerca dos temperos. Um deles era um picante intenso, de que eu abdiquei. Mesmo assim o meu prato estava picante, embora menos que os dos outros comparsas.
Em pequenas garfadas lá se foi comendo o bife tártaro, sem fazer grande sacrifício. Como eu gosto de bifes mal passados o facto de a carne estar crua não me repugna. Valeu como experiência mas, de qualquer modo, não fiquei grande fã. Apesar de tudo prefiro algum cozinhado, mesmo que pouco.
Para acompanhar voltámos aos vinhos sul-africanos, tal como na visita anterior. Entre vários nomes totalmente desconhecidos, começámos por escolher um monocasta de Merlot. Apresentou-se com uma cor rubi aberta, macio e suave, com corpo e persistência média, medianamente frutado com nuances de cereja e alguma hortelã, grau alcoólico elevado razoavelmente disfarçado. Aconselhado para pratos não muito robustos.
Esgotada a primeira garrafa, optámos a seguir por outro varietal mas desta vez de Syrah (ou Shiraz na designação do rótulo). Fermentado em carvalho francês e americano, apresentou-se mais encorpado, com notas marcantes a especiarias e bouquet mais profundo, com boa persistência final. Muito mais adequado aos sabores do bife tártaro e capaz de se bater com o picante.
Ambos os vinhos são originários da região de Stellenbosch, situada na província de Western Cape na costa sudoeste do país e no coração da região vitivinícola que circunda a Cidade do Cabo. No caso do segundo, as vinhas estão situadas na costa oeste da montanha Helderberg, entre a cidade de Stellenbosch e o mar em False Bay, a sul de Cape Town.
Neste regresso à Carvoaria repeti as impressões colhidas anteriormente. É um restaurante que se recomenda, onde se come bem e o serviço é simpático e eficiente. Em suma, um lugar agradável de onde se sai satisfeito.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Restaurante: A Carvoaria (sul-africano)
Rua João Luís de Moura, 24
2750-387 Cascais
Telef: 21.483.04.06
Preço por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5
Vinho: Neethlingshof, Merlot 2001 (T)
Região: Stellenbosch (África do Sul)
Produtor: Neethlingshof
Grau alcoólico: 14%
Casta: Merlot
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Stellenzicht, Shiraz 2000 (T)
Região: Stellenbosch (África do Sul)
Produtor: Stellenzicht
Grau alcoólico: 14%
Casta: Shiraz
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 8
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Krónikas Vinícolas
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Etiquetas: Africa do Sul, Estrangeiros, Lisboa, Merlot, Restaurantes, Sul-africanos, Syrah, Tintos
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
No meu copo 220 - Reservas Sogrape: o adeus

Foram cerca de 15 anos e quase 30 colheitas diferentes provadas entre 4 regiões: Douro, Dão, Bairrada e Alentejo (talvez não por acaso, um dos vinhos da Sogrape que nos encantou e que referimos mais de uma vez chamava-se precisamente Quatro Regiões). Foi um caso de amor à primeira vista e de paixão duradoura e correspondida, daquelas “até que a morte nos separe”. Neste caso, a separação foi decidida pelo produtor ao decretar a morte destes vinhos.
Ao longo dos 3 anos que este blog hoje completa (e por isso agendámos a publicação deste post para esta data, por uma questão de simbolismo), os vinhos da Sogrape, e estes Reservas em particular, foram os que tiveram direito a mais posts publicados. A nossa paixão pelos vinhos da Sogrape começou precisamente pela descoberta destes Reservas, já referida nos posts 99 e 100.
Desde o Dão 85 e o Douro 87, procurámos sempre ir acompanhando com regularidade as colheitas lançadas, e daí partimos para o alargamento dos nossos conhecimentos dos vinhos da empresa. Quando comecei a constituir uma garrafeira em casa, o Douro Reserva e o Dão Reserva sempre estiveram presentes. Pelo meio foram aparecendo, de forma mais esparsa, alguns Reservas da Bairrada e já no dealbar do século XXI apareceram os Reservas do Alentejo, após o começo da produção de vinho na Herdade do Peso.
Com a diversificação da gama de vinhos nas várias regiões, a empresa decidiu acabar com estes Reservas, um fim que vi anunciado pela primeira vez num dos guias de João Paulo Martins. A princípio custou-me a acreditar mas depois confirmou-se numa das provas de vinhos Sogrape na Wine o’clock. Os Reservas do Douro vão ficar sob a alçada da Casa Ferreirinha, sendo o Vinha Grande o seu sucessor natural (embora, insisto, o ache inferior), os Reservas do Dão são substituídos pela gama da Quinta dos Carvalhais e os Reservas do Alentejo ficam naturalmente integrados na nova linha da Herdade do Peso. Os Reservas da Bairrada sempre foram mais escassos e actualmente a empresa apenas investe na marca Terra Franca e ainda há um garrafeira por aí.
É claro que esta nova gama, bastante alargada, teoricamente substitui com vantagem cada um dos vinhos referidos. No entanto, daqueles que já tive oportunidade de provar, nenhum tem o mesmo perfil dos Reservas. São novos e são mais, mas são diferentes, por isso vou sentir a falta daqueles.
Estando o nosso stock a chegar ao fim, os Comensais Dionisíacos reuniram-se à mesa a pretexto de um Benfica-Sporting para degustar os últimos exemplares do Douro 2001, Dão 2000 e Alentejo 2001.
Já aqui falámos do Douro 2001 e do Dão 2000 noutros posts. Mantiveram aquilo que se esperava e, na minha opinião (que não foi unânime), o Douro continuou a mostrar-se o melhor, com um bouquet profundo e exuberante a fruto maduro, grande elegância e boa estrutura na prova de boca.
O Dão continua com um perfil um pouco menos polido mas mesmo assim bastante redondo e adequado para pratos de carne requintados mas com alguma pujança.
Finalmente o Alentejo, com duas colheitas algo diferentes. O 2001 com bom corpo mas com o aroma algo discreto, talvez a colheita menos conseguida das que provámos. Esquecida estava a última garrafa de 2000, já consumida noutra ocasião, que confirmou a prova anterior: uma grande estrutura e aromas exuberantes, um vinho com tudo no sítio. A primeira vez que provei um destes Reservas, no fim-de-ano de 2003, foram duas garrafas de 1999 e a primeira sensação foi precisamente essa: um vinho com tudo no sítio certo. Pena que tenha tido uma vida tão curta.
Em comum entre estes vinhos está o facto de todos terem um estágio de um ano em madeira seguido de mais algum tempo em garrafa, no mínimo 6 meses. Daí resulta saírem para o mercado já com alguns anos de existência e com os aromas bem casados. Não nos vamos repetir nas apreciações feitas anteriormente, pelo que quem quiser ler mais considerandos pode encontrá-los nos posts indicados:
- Douro Sogrape Reserva 2001
- Douro Sogrape Reserva 2000
- Dão Sogrape Reserva 2000
- Dão Sogrape Reserva 99
- Bairrada Sogrape Garrafeira 99
- Alentejo Sogrape Reserva 2000
- Quatro Regiões 97 (1) e (2)
Para perpetuar a memória, guardei uma garrafa do último Dão e do último Alentejo como recordação do rótulo algo “sui generis”. E para contrariar o destino, ainda me deparei com umas garrafas do Douro Reserva 2002 no Jumbo e na Makro (deve ser mesmo a última colheita à venda), e tratei de abastecer a garrafeira antes que acabem. Assim ainda posso prolongar o prazer por mais algum tempo, bebendo-as com parcimónia e com a companhia adequada. E entretanto encontrei um restaurante com uns restos de colecção, mas não vou dizer qual é. Pode ser que ainda consiga ir lá gastá-las...
Kroniketas, enófilo saudoso
Produtor: Sogrape
Vinho: Douro Sogrape Reserva 2001 (T)
Região: Douro
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Último preço: 10,74 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Dão Sogrape Reserva 2000 (T)
Região: Dão
Grau alcoólico: 12,5%
Último preço: 9,89 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Alentejo Sogrape Reserva 2001 (T)
Região: Alentejo
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro
Último preço: 11,16 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Alentejo Sogrape Reserva 2000 (T)
Região: Alentejo
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro
Último preço: 8,19 €
Nota (0 a 10): 8,5
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Krónikas Vinícolas
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Etiquetas: Alentejo, Alfrocheiro, Aragonez, Carvalhais, Dao, Douro, Herdade Peso, Sogrape, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Tintos, Touriga Franca, Touriga Nacional
E vão três

Foi há 5 anos que nos lançámos nesta aventura de escrever num blog. Como em todos os novos amores, começámos cheios de força e entusiasmo, e os textos proliferavam a um ritmo frenético. Por vezes publicávamos vários posts por dia, e o dia-a-dia deste rectângulo tuga, principalmente nas suas vertentes mais… tugas, era alvo frequente de crítica.
O frenesim e a inspiração eram tantos que, para além dos dois escribas que começaram, outros se foram juntando ao leque à medida que começavam a surgir temas com alguma especificidade. O leque de assuntos foi sendo alargado até chegar à vertente gastronómica e vínica. Começámos a escrever algumas sugestões sobre vinhos, a falar sobre aqueles que íamos bebendo e gostando e a certa altura surgiu a ideia (quiçá peregrina, quiçá oportuna) de abrir uma nova secção no blog que se dedicasse especificamente a essa vertente, pois já começavam a aparecer posts em número suficiente para serem publicados autonomamente.
E foi assim que no dia do segundo aniversário das Krónikas Tugas abrimos um blog temático chamado Krónikas Vinícolas. Inicialmente com pouco destaque, quando começou a ser visitado por outros bloguistas dedicados ao mesmo tema (e depois de ter sido referenciado na Revista de Vinhos de Junho de 2006), e quando começámos a interagir com esses mesmos blogs, as visitas dispararam a tal ponto que a certa altura as KV passaram a ter o dobro da audiência diária das KT, não tardando que o blog-filho ultrapassasse o blog-pai em número total de visitas.
Tal como no início, a filosofia subjacente às Krónikas Vinícolas continuou a ser a mesma até hoje em que completa o 3º ano: total independência de tudo e de todos, dependendo apenas dos nossos gostos, das nossas ideias e das nossas convicções. O que escrevemos neste blog pode entrar em choque com outras opiniões, mas estas são as nossas e delas não abdicamos para ser politicamente correctos. Sabemos que podemos ir por vezes contra a corrente, mas como não devemos favores nem obrigações a ninguém não temos que nos subjugar aos gostos dominantes.
Também não temos a pretensão de dar lições a ninguém nem nos julgamos o supra-sumo de nada, assim como não pretendemos provar mais vinhos que os outros nem ufanarmo-nos de que provamos os que são considerados os melhores. Como não temos contactos com nenhum produtor nem temos acesso a vinhos grátis, tudo o que aqui provamos sai-nos do bolso, e não é pouco. Já gastamos demais em compras e mesmo assim não conseguimos abarcar tudo o que eventualmente gostaríamos. E muitas vezes há que fazer escolhas entre comprar mais e mais barato para poder provar uma maior variedade, ou gastar tudo em meia-dúzia de garrafas. E mesmo quando abrimos os cordões à bolsa para comprar vinhos caros, não nos sentimos obrigados a colocá-los nos píncaros da lua só porque isso pode parecer bem. A esse propósito lembro-me sempre de um post no “Os 5 às 8” (depois repetido no Nova crítica) a propósito do Barca Velha 95, em que Pedro Gomes dizia que há muito tempo acreditava na máxima que “os mitos também se abatem”, e terminava com 16,5 pontos...
O que pretendemos com este blog é, e sempre foi, apenas isso: ir vertendo na escrita as impressões que foram vertidas do copo. Não somos produtores, enólogos, distribuidores, revendedores, jornalistas nem escritores, não pretendemos editar livros, ministrar cursos nem ser críticos especializados. Somos apenas amantes da coisa: é isso que quer dizer “enófilo”. Não provamos, nem compramos, vinhos de propósito para os mostrar no blog; vamos é mostrando no blog a maior parte dos vinhos que nos passam pela mesa, e sempre que as impressões recolhidas o permitam. Por vezes juntamo-nos, provamos um ou vários vinhos de que gostamos e no fim não escrevemos sobre eles, porque estivemos mais atentos ao convívio do que propriamente às notas de prova. Em resumo, quando achamos que vale a pena escrever sobre um vinho, qualquer que ele seja, fazemo-lo: seja caro ou barato, muito bom ou muito mau (com toda a subjectividade que esta opinião contém). Por isso muitas vezes apresentamos provas de vinhos que alguns, dizendo-se entendidos, vêm para aqui verberar aproveitando para desdenhar das nossas opiniões, mas a esses simplesmente ignoramo-los porque não têm nada para nos ensinar a não ser um chorrilho de baboseiras.
Quanto aos nossos comparsas eno-bloguistas e a todos aqueles que connosco querem partilhar as suas provas, são sempre lidos com atenção e consideração e tentamos sempre aprender alguma coisa com as suas opiniões, mesmo que discordantes das nossas, pois é muitas vezes aí que podemos melhorar um bocadinho.
E agora, que venha mais um ano de boas provas. À vossa e à nossa.
Kroniketas, enófilo (algo) esclarecido e tuguinho, enófilo (pouco) esforçado
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
No meu copo, na minha mesa 219 - Dona Berta 2005; Restaurante Isaura


Parece mentira mas passaram 12 anos (!!!) desde a última visita a este restaurante de Lisboa, situado entre a Avenida Almirante Reis e a Praça de Londres. Não por nenhuma razão especial mas porque sempre que se falava em ir aqui acabava-se sempre por escolher outro. E como tínhamos memórias das visitas anteriores… Foi aqui que pela primeira vez provámos o Luís Pato Vinhas Velhas, foi aqui que em Fevereiro de 96 decidimos provar o Barca Velha de 83, foi aqui que assistimos a um fascinante ritual de decantação e serviço do vinho num carrinho com os copos e o decanter aquecidos e com uma vela por baixo. O que nós aprendemos desde essa altura...
Finalmente decidi-me a lá voltar. O famoso escanção Sr. Costa continua lá a brindar-nos com o seu desvelo pelo vinho, a garrafeira continua incomparável, a carta de vinhos é mais uma enciclopédia que uma carta. Para os amantes do vinho é indispensável fazer uma visita a este verdadeiro templo de Baco e deixar-se guiar pelos sábios conselhos do Sr. Costa.
Quanto à ementa, destaque para as carnes, com diversos tipos de bifes. Aqui a opção recaiu no bife à Isaura, com um molho especial e ovo a cavalo, acompanhado por batatas fritas e esparregado. Mal passado e muito tenro e suculento, irrepreensível.
No que respeita ao vinho, olhámos para as imensas prateleiras repletas de garrafas, vimos o preço na enorme carta e tentámos escolher um que não queimasse muito (felizmente no Isaura os preços do vinho, ao contrário da generalidade dos restaurantes portugueses, não são obscenos e pode-se escolher bons vinhos por preços relativamente acessíveis). Como apontámos para um vinho do Douro, o Sr. Costa interveio e sugeriu-nos o Dona Berta Reserva 2005, que disse que iria bem com os bifes. Assim se fez.
Aqui começou o ritual. Lá veio o carrinho de serviço com o decanter e os copos adequados, o vinho foi cuidadosamente vertido com a vela por baixo para ver se não escorre nenhum depósito do vinho e finalmente foi colocada uma pinga em cada copo, previamente agitado e cheirado pelo Sr. Costa antes de ser colocado na mesa para os comensais provarem. Serviço 5 estrelas!
Quanto ao vinho, prima mais pela suavidade que pela pujança e a exuberância frutada que marcam a tendência actual, e apresenta um grau alcoólico aceitável, o que é uma ilha no meio da corrente. Contudo pareceu-me algo curto na prova de boca, deixando a ideia que ganharia com mais alguma estrutura e persistência. Será adequado para pratos não muito carregados de temperos. É um vinho correcto e agradável, pronto a deixar-se beber, mas talvez um pouco linear. Pelo preço que custa espera-se um pouco mais.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Restaurante: Isaura
Avenida de Paris, 4-B
1000-228 Lisboa
Telef: 21.848.08.38
Nota (0 a 5): 4,5
Vinho: Dona Berta Reserva 2005 (T)
Região: Douro
Produtor: Hernâni Verdelho
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca, Tinto Cão
Preço no restaurante: 22 €
Nota (0 a 10): 7,5
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
No meu copo 218 - CR&F Colheita Seleccionada 2004
A Carvalho, Ribeiro & Ferreira tornou-se conhecida principalmente pelas suas aguardentes, tendo complementado com alguns vinhos a sua presença no mercado. Nos meus primeiros tempos de exploração vínica existiam à venda alguns vinhos da empresa no Douro, Dão e Bairrada. Lembro-me também de um branco seco das Beiras, de um Garrafeira sem denominação de origem nos anos 80 e 90 e, principalmente, de um Garrafeira de 1980 da Bairrada que fez as minhas delícias há uns 10 anos, de que ainda me restam 3 exemplares e de que um dia falarei.
Depois a marca desapareceu das prateleiras até que há 2 anos reapareceu com um vinho alentejano de 2004. Fiquei curioso e resolvi comprar um exemplar.
Tendo neste momento 4 anos, posso dizer que esperava mais. Parece-me que falta ali alguma estrutura e algum aroma. O grau alcoólico é elevado e dá algum desequilíbrio ao conjunto. Ou seja, não deixa grandes memórias.
Fico a aguardar o que se seguirá. Se é para manter uma produção regular ou apenas esporádica e em que termos. A marca e os activos da “Carvalho Ribeiro & Ferreira” foram comprados pela Cockburn's que ficou com as aguardentes e agora lançou este vinho no Alentejo. Agora há que esperar por próximos lançamentos.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: CR&F Colheita Seleccionada 2004 (T)
Região: Alentejo
Produtor: Cockburn Smithes & Cª
Grau alcoólico: 14%
Preço em feira de vinhos: 5,98 €
Nota (0 a 10): 6
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
No meu copo 217 - Montes Claros Reserva 2004
Eis que finalmente tive oportunidade de provar o vinho da polémica. Pontuado com 18 pela Blue Wine, foi alvo de variadas apreciações na blogosfera por parte dos comparsas eno-bloguistas. A maioria em sinal de discordância.
E o que posso eu dizer sobre o dito cujo? Para não repetir o que já foi dito no Copo de 3 e no Pingas no Copo, no Pingamor, no Vinho a Copo, no Vinho da Casa e n’Os vinhos, prefiro remeter para os posts escritos por eles e dizer que não me parece que o vinho justifique tamanha pontuação. Claro que a nota da Blue Wine é que trouxe o vinho para a ribalta e obrigou a que se falasse dele e fez com que muita gente o fosse provar, o que deve ter rendido uma boa maquia à Adega Cooperativa de Borba.
Medianamente encorpado, com boa persistência e aromas não muito exuberantes, bebe-se com agrado mas se o provarmos com a expectativa de valer 18 pontos vamos apanhar uma desilusão. Numa escala de 20 não lhe daria mais de 15. Assim dou-lhe 7,5 na minha escala de 10. E está tudo dito. Sim, é bom, mas não exageremos. Prefiro claramente o Reserva do rótulo de cortiça.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Montes Claros Reserva 2004 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Adega Coop. Borba
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Tinta Caiada
Preço em feira de vinhos: 5,77 €
Nota (0 a 10): 7,5
Outras provas:
Copo de 3: 16 (em 20)
Os Vinhos: 15,5/16 (em 20)
Pingamor: 16,5 (em 20)
Pingas no Copo: 15,5 (em 20)
Vinho a Copo: 2 (em 5)
Vinho da Casa: 17 (em 20)
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Etiquetas: AC Borba, Alentejo, Aragonez, Borba, Cabernet Sauvignon, Tinta Caiada, Tintos, Trincadeira
sábado, 29 de novembro de 2008
Semana gastronómica da caça no Alentejo
No Portal do caçador podem ver mais detalhes e consultar a lista de restaurantes participantes e respectivas ementas. É de fazer crescer água na boca.
Kroniketas, caçador só no prato
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Etiquetas: Baixo Alentejo, Encontros
No meu copo, na minha mesa 216 - Frei João 2003; Vasku’s Grill

Como estava acompanhado do núcleo familiar e praticamente só eu é que ia beber vinho, escolhi um dos mais baratos e a opção recaiu no Frei João, colheita de 2003, que sempre se porta muito bem com este prato. Desta forma pude também rever um dos meus vinhos preferidos na gama de entrada, que nunca me desiludiu.
Esta colheita mantém mais ou menos o perfil habitual, bem encorpado e com alguma robustez mas sem exagero. Macio quanto baste e com os taninos arredondados para ser bebível com relativa facilidade (os não apreciadores dos vinhos da Bairrada acham-no sempre áspero), está um pouco mais modernizado sem deixar de ter a marca dum bairradino clássico. Apresenta cor granada, algumas notas de frutos secos bem ligados com madeira muito discreta. Continua a agradar-me muito e a entrar na minha lista dos recomendáveis e, francamente, sempre achei que ele vale bem mais do que aquilo que o preço indica. Quem disse que um vinho barato não pode ser bom?
Quanto ao Vasku’s, mantém o nível de sempre. A qualidade do serviço tem sido apurada e o serviço de vinhos também. Vale a pena lá voltar para comer o fondue ou um dos muitos bifes de alcatra, lombo ou vazia.
Kroniketas, enófilo carnívoro
Restaurante: Vasku’s Grill
Rua Passos Manuel, 30
Telef.: 21.352.22.93
1150-260 Lisboa
Preço por refeição: 20 a 25 €
Nota (0 a 5): 4,5
Vinho: Frei João 2003 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13%
Castas: Baga, Touriga Nacional, Camarate
Preço em feira de vinhos: 1,99 €
Nota (0 a 10): 7,5
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Etiquetas: Baga, Bairrada, Camarate, Caves S Joao, Lisboa, Restaurantes, Tintos, Touriga Nacional
terça-feira, 25 de novembro de 2008
No meu copo 215 - Vinha da Nora 2001
Não tenho sido um consumidor assíduo dos vinhos de José Bento dos Santos. Até agora só bebi o Vinha da Nora 2002 e o Clarete 2003. De resto, só algumas provas anuais no Encontro com o Vinho.
Este Vinha da Nora 2001 estava guardado há vários anos e receei que já estivesse em declínio ao fim de tanto tempo. Para grata surpresa apareceu bastante saudável, sem denotar quaisquer sinais de cansaço e a dar a sensação de estar no ponto ideal para ser bebido (curiosamente, espreitando o contra-rótulo este indicava que deveria atingir o auge 6 a 7 anos depois da colheita, pelo que o momento pareceu ter sido bem escolhido).
Apresentou-se com uma cor rubi ainda bastante concentrada, muito elegante e aromático mas ao mesmo tempo persistente e bem estruturado, com fruta madura bem presente, grau alcoólico elevado (superior ao de 2002) mas bem integrado numa boa acidez, a madeira muito discreta a conferir apenas maior complexidade ao conjunto e os taninos muito redondos. Depois de ter provado a colheita de 2002 e esta de 2001, quase me apetece classificá-lo como vinho “aristocrático”. Todo ele é elegância e sem dúvida recomendado para refeições requintadas e quiçá com o seu quê de exóticas. Um vinho que se destaca por estar desalinhado das modas.
Nas últimas feiras de vinhos tive oportunidade de adquirir ainda a colheita de 2002 por um bom preço (outra vez o Jumbo…) mas no Encontro com o Vinho já encontrei a colheita de 2005 que, pelo que me foi dado perceber e pela informação obtida, mudou o perfil para ser um vinho de consumo mais fácil. Não sei se terá sido uma boa ideia... Será que a moda também já chegou ali?
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Vinha da Nora 2001 (T)
Região: Estremadura (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 14%
Casta: Syrah
Preço em feira de vinhos: 9,24 €
Nota (0 a 10): 8,5
PS - uma pergunta a quem possa interessar: para quando a remodelação do site com informção actualizada? Quem lá entrar não encontra informação posterior a 2003 nem vinhos posteriores a 2000.
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sábado, 22 de novembro de 2008
No meu copo 214 - Quinta da Bacalhôa 2003
Aqui está um vinho famoso que nunca me convenceu. Sempre achei que tinha excesso de madeira, aliás um traço que é muito comum em variadíssimos vinhos da região de Setúbal. O vinho estagia 11 meses em barricas novas de carvalho francês e talvez o balanço entre a madeira e os aromas não seja o ideal, pelo menos para o meu gosto.
Ao fim de muitos anos voltei a prová-lo. Tratei-o com todos os mimos, pu-lo à temperatura adequada e decantei-o cerca de uma hora antes. Não posso dizer que desta vez fiquei encantado mas também não fiquei desiludido. Fiquemo-nos pelo meio-termo. Apresentou-se com uma cor rubi intensa, algum aroma a frutos vermelhos misturado com a madeira e após a decantação libertou mais os aromas e apresentou-se mais macio e equilibrado.
No conjunto, considero-o um bom vinho mas acho que não justifica o preço que custa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta da Bacalhôa 2003 (T)
Região: Terras do Sado
Produtor: Bacalhôa Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Merlot
Preço em feira de vinhos: 14,49 €
Nota (0 a 10): 7,5
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Etiquetas: Bacalhoa, Cabernet Sauvignon, Merlot, Terras Sado, Tintos
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
O gosto formatado e a ZLTN
Não sei se repararam, pelo menos aqueles que lêem a Revista de Vinhos, mas na página 32 da edição de Novembro, dedicada às “notas soltas”, vêm dois apontamentos que vale a pena transcrever, com a devida vénia, e ler.Num deles João Afonso fala do “gosto formatado” pelos vinhos da moda actual, sempre iguais. No outro Luís Lopes escreve em defesa da criação de uma ZLTN, Zona Livre de Touriga Nacional, que já qualifica quase como uma epidemia que alastrou a todo o território nacional e invadiu todo e qualquer vinho. Diz ele que depois da prova de vinhos do Douro já deitava Touriga Nacional pelos olhos mas que a prova de tintos do Alentejo, deste número, não lhe aliviou, pelo contrário, a touriguite aguda de que já padecia.
De facto, valia a pena criar uma Zona Livre de Touriga Nacional para ver se voltávamos a beber vinhos diferenciados outra vez. Não há cão nem gato que, seguindo a moda do gosto formatado, queira pôr o seu vinho a cheirar a flores. Já chateia. Num país que tem a bênção de possuir um território diversificado, com diferentes solos e climas que permitem a produção de vinhos tão diferentes entre os Vinhos Verdes, Douro, Dão, Bairrada, Estremadura, Ribatejo, Península de Setúbal, Alentejo e Algarve, porque raio é que se há-de apostar sempre na mesma casta em vez de tentar realçar as castas mais típicas de cada região, como Aragonês, Trincadeira, Tinta Caiada, Baga, Castelão, Alfrocheiro, Jaen, Touriga Franca, Tinto Cão ou Tinta Barroca, por exemplo? Estaremos condenados à touriguização do país?
Na página 84 da mesma edição, na introdução à prova de tintos do Alentejo, João Afonso volta ao tema da “cada vez mais ubíqua Touriga Nacional” e conta que num almoço com duas dezenas de convidados um “conhecido crítico de vinhos” dizia que a Trincadeira não é uma casta para o Alentejo, argumentando que não conhece nenhum bom vinho alentejano da casta Trincadeira. E acrescentava que o Aragonês também não é uma casta do Alentejo!!! Dizia o tal crítico que as castas alentejanas são a Cabernet Sauvignon, a Syrah, essas... Claro, as mesmas da África do Sul, da Califórnia, do Chile, da Austrália, da Nova Zelândia (e como eu gosto de Cabernet...). E remata João Afonso (de novo com a devida vénia): “Parece que não são só as vinhas que estão a mudar. As mentalidades, o credo e a prosápia também. E nós – cansados de apregoar lá fora que somos diferentes porque temos castas diferentes – estamos cada vez mais parecidos com aqueles com quem não nos queremos parecer”.
Ao ler isto fico a pensar que o tal crítico (que é capaz de ser um pateta ou um convencido que se acha importante... ou as duas coisas) deve perceber menos de vinhos do que eu e talvez fizesse bem em mudar de vida... E será que alguém lê o que ele escreve? Ou será que já desistiu de escrever para o grande público?
Kroniketas, enófilo ignorante
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segunda-feira, 17 de novembro de 2008
No meu copo 213 - Bons Ares 2003
Este já é um clássico cá em casa. Este ano apareceu na feira de vinhos do Jumbo a um preço imbatível (normalmente está 2 ou 3 euros acima) e é um daqueles que dificilmente nos desilude. Depois da última experiência com a colheita de 1999, comprada em 2003 e provada em 2007, agora resolvi não esperar mais de um ano para provar a colheita de 2003.
Proveniente da Quinta dos Bons Ares, situada a 600 m de altitude na freguesia da Touça, no Douro Superior, uma das duas quintas que dão origem ao principal ícone da Ramos Pinto, precisamente chamado Duas Quintas (a outra é a Quinta da Ervamoira), feito de um casamento entre a Touriga Nacional (60%) e o Cabernet Sauvignon (40%) e com 6 meses de estágio em madeira, continua com o perfil habitual, encorpado e persistente, embora desta vez tenha aparecido mais macio na boca, menos pujante do que é costume. Mais uma vez fica a dúvida: estará a atravessar um patamar de evolução para cima, para baixo ou no ponto ideal? Curioso que me surja esta dúvida com sucessivas colheitas de 2003 no Douro…
Este 2003 pareceu-me uns pozinhos abaixo do 2002 (provado em 2006) mas não desmerece o nome que ostenta. Como foi experiência única com esta colheita, vamos ver o que nos dá a de 2005, última garrafa adquirida (agora com a denominação de Vinho Regional Duriense).
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Bons Ares 2003 (T)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 9,57 €
Nota (0 a 10): 7,5
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008
No meu copo 212 - Evel Grande Escolha 2003; Grantom 2001

Continuamos nos domínios da Real Companhia Velha, com mais dois tintos. Um é uma versão nova de um vinho antigo, o Evel, o outro, o Grantom, é um regional Trás-os-Montes.
Este Evel Grande Escolha, existente há menos de 10 anos e que pretende ser o topo de gama da casa, pôs-me algumas dúvidas quanto ao momento de consumo. Adquirido com a Revista de Vinhos em 2006, portanto ainda relativamente novo, decidi esperar algum tempo, seguindo aliás o conselho que a revista dava, mas a dúvida era sempre a mesma, uma vez que não conhecia o vinho: até quando?
A verdade é que quando eu e o tuguinho resolvemos abri-lo, com menos de 5 anos de idade, revelou-se algo decepcionante. Estávamos à espera dum vinho pujante e com alguma exuberância aromática, mas não foi nada disso que encontrámos. Apareceu com os aromas algo escondidos e muito redondo e linear na boca. É, aliás, uma situação algo recorrente em certos vinhos do Douro, possivelmente terá acontecido o mesmo com a prova do Quinta dos Aciprestes Reserva 2003, referido no post anterior, ou então já passou a melhor fase, o que é duvidoso dada a sua idade.
Como havia mais vinhos em prova acabou por ficar ainda uma boa parte na garrafa. A surpresa veio no dia seguinte, em que o vinho estava muito melhor. Aí sim, mostrou maior complexidade e maior persistência, com a fruta bem integrada na madeira. Dito isto, e voltando a comparar as minhas impressões com as provas de outros blogues (Saca-a-rolha, prova de Setembro de 2006 e Pingas no Copo, colheita de 2001 provada em Maio de 2006), fico com a sensação de que estou com azar no momento das provas ou nas garrafas que me calham. E tendo em conta que não fiz nenhuma das provas sozinho (o problema podia ser só meu), a sensação foi partilhada. Portanto, fico a pensar porque é que dois vinhos adquiridos com a Revista de Vinhos e bastante elogiados pelos comparsas eno-bloguistas me passaram mais ou menos ao lado. Será que os deveria ter provado mais cedo? Deveria tê-los decantado uma ou duas horas antes? Neste caso do Evel Grande Escolha 2003, tendo em conta que só passadas 24 horas é que o vinho se revelou, como prepará-lo para a prova sem saber o que ia encontrar? Sendo assim, a nota que atribuímos é sob reserva.
Já o Grantom 2001 mostrou logo o que era. Este sim, mais pujante, mais exuberante nos aromas e mais complexo, com boa estrutura na boca e final longo, taninos presentes a dar firmeza ao conjunto mas sem ofuscarem o perfil aromático e o equilíbrio da prova. Muito bom para o preço que custa e adequado para acompanhar pratos fortes de carne.
Dito isto, fica a pergunta: o que é que me está aqui a faltar para usufruir na plenitude do que supostamente seriam dois belos vinhos, tendo em conta que a temperatura de serviço, os copos e até os pratos servidos à refeição estavam adequados? Alguém quer dar um palpite? Será que faltou decantar uma hora ou duas antes? Mas como saber sem conhecer o vinho? O produtor não deveria dar essa indicação no contra-rótulo quando tal se justifica? São raríssimos (menos de 1%, diria eu) os casos em que isso acontece.
Kroniketas, enófilo desconfiado
Produtor: Real Companhia Velha
Vinho: Evel Grande Escolha 2003 (T)
Região: Douro
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinto Cão
Preço em feira de vinhos: 12,38 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Grantom 2001 (T)
Região: Trás-os-Montes
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 4,75 €
Nota (0 a 10): 8
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sábado, 8 de novembro de 2008
No meu copo 211 - Quinta dos Aciprestes 2003; Quinta dos Aciprestes Reserva 2003

A Quinta dos Aciprestes é uma das várias quintas de que a Real Companhia Velha é proprietária no vale do Douro. Situada entre o Cima Corgo e o Alto Douro, na zona do Tua, com um total de 90 hectares de vinha, estende-se por mais de 2 km na margem esquerda do rio Douro. Fundada no século XVIII, a actual quinta resulta da junção de várias quintas da zona em 1860 (informação disponível no site oficial).
É de dois vinhos da Quinta dos Aciprestes que hoje vou falar. Às vezes temos destas surpresas. Dois vinhos do mesmo produtor, do mesmo ano, de diferentes patamares: um normal DOC e um Reserva. À partida espera-se que o Reserva seja melhor que o DOC normal. Mas eis que ao abrir a garrafa o resultado é diferente.
Desde que começámos a escrever neste blog já tivemos a oportunidade, por puro acaso, de provar 3 vezes o Quinta dos Aciprestes de 2003. A última estava guardada em casa e curiosamente apareceu muito melhor que as anteriores. O tempo em garrafa fez-lhe bem e mostrou-se muito mais exuberante em termos de aromas e estrutura. Antes tinha uma predominância a frutos vermelhos maduros mas ainda algo fechado, como tínhamos referido na última prova. Agora apresentou-se mais cheio, mais persistente, ainda pujante mas com taninos mais arredondados, tendo desaparecido uma certa adstringência que estava presente e surgido uma envolvência mais harmoniosa em todo o conjunto.
Revendo essa prova de Junho 2006, na altura escrevi que deveria melhorar após estar uns 3 ou 4 anos na garrafeira. Esperei dois anos e melhorou muito, mas fico sem saber como seria daqui a mais 1 ou 2. De qualquer modo, pelo que mostrou agora pareceu estar já num ponto alto da evolução e na altura óptima para ser bebido, pelo que mais tempo poderia já trazer algum declínio. Mas isso já é uma incógnita. Em suma, uma aposta muito segura que obviamente merece estar na lista das escolhas permanentes. Ao bebê-lo pensei para comigo: se este está assim, como estará o Reserva?
Mas o Reserva acabou por ficar aquém do esperado. Ou por ainda não ter atingido o tal ponto óptimo de evolução e precisar de mais tempo em garrafa, ou porque já o passou e não dá mais. Os aromas discretos, estrutura mediana na boca e final pouco pronunciado. Bom, mas sem encantar e sem justificar claramente o seu superior estatuto.
Comparando as minhas impressões com as do Pingas no Copo e do Elixir de Baco (provas de 2006, note-se) e do Copo de 3 (prova de Novembro de 2007) fico com a sensação de que se o tivesse bebido logo quando o comprei com a Revista de Vinhos, em Maio de 2006, poderia ter ficado com melhor impressão. Mas quem iria adivinhar que um DOC melhorava mais que um Reserva? É a vida.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Vinho: Quinta dos Aciprestes 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Francesa, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta dos Aciprestes Reserva 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7,5
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quarta-feira, 5 de novembro de 2008
No meu copo 210 - Dumonte 2005
Este é um daqueles vinhos pelos quais à partida ninguém dá nada. Mas a verdade é que me surpreendeu pela positiva. Muito equilibrado na boca, aromático quanto baste com alguma predominância a frutos vermelhos, corpo médio, macio mas com alguma estrutura e boa persistência, apesar da gama de preços em que se posiciona consegue portar-se como se valesse 3 ou 4 vezes mais.
O grau alcoólico também ajuda ao bom equilíbrio do conjunto. É um daqueles vinhos que não sendo nada de extraordinário consegue ser guloso e deixar-se beber com agrado. Pelo preço que custa pode ser uma boa aposta para o dia-a-dia.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Dumonte 2005 (T)
Região: Alentejo
Produtor: Caves Velhas - Enoport
Grau alcoólico: 13%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bosuchet
Preço em hipermercado: 1,99 €
Nota (0 a 10): 7
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Etiquetas: Alentejo, Alicante Bouschet, Aragonez, Caves Velhas, Tintos, Trincadeira
domingo, 2 de novembro de 2008
Actualização das nossas escolhas em 2008
Actualizámos a nossa lista de preferências em http://kronikasvinicolasescolhas.blogspot.com/ (link As nossas escolhas, à esquerda) com os preços encontrados nas feiras de vinhos de 2008. Os vinhos indicados são aqueles que já provámos em condições de formar uma opinião fundamentada e que achamos que valem aquilo que custam (seja muito ou pouco), ou seja, essencialmente em cada patamar de preços privilegiamos a relação qualidade/preço.
Os preços indicados servem apenas como referência ao mais barato encontrado para saber qual o valor mais baixo a que se pode adquirir cada vinho indicado, pois fora das feiras de vinhos os valores praticados são geralmente superiores, nalguns casos bastante superiores.
Só a título de exemplo, o Casa de Alegrete, que apareceu à venda no Jumbo a 10,45 €, no dia seguinte ao fim da feira de vinhos passou para 16 €!!! Por isso é que as feiras de vinhos são óptimas oportunidades para poupar algumas dezenas de euros dentro da oferta disponível.
Kroniketas, enófilo esclarecido








