Após um período mais ou menos sabático e mais ou menos prolongado, vejo-me impelido a voltar às lides por força dum vinho que me marcou. Falo da colheita 2006 do Esporão Reserva, um ícone do Alentejo, um clássico, um daqueles vinhos que considero incontornáveis. Ainda na minha fase inicial de descoberta, o Esporão era um dos vinhos mais em voga e um que me fez despertar para este mundo. Ficaram-me na memória mais recôndita os aromas frutados que de vez em quando recordo de forma difusa sem saber muito bem onde os encontrava.
Nos últimos anos, tal como acontece com outros vinhos, andei um pouco afastado deste produto. Pareceu-me que a qualidade estava a decair um pouco e que o vinho se estava, de certa forma, a vulgarizar. Comecei a dar preferência aos monocasta e principalmente ao excelente Quatro Castas, que nos últimos anos me pareceu ser claramente melhor que o emblema da casa.
Mas um dia teria de regressar às origens. Foi este mês, por ocasião duma efeméride familiar, comemorada com uma incursão ao Vasku's (outro regresso recorrente às origens) para comer o inigualável fondue do lombo. Olhando para a carta de vinhos e tentando encontrar algo a meio caminho entre o bom e o não muito caro, detive-me na extensa lista de vinhos alentejanos, quase todos entre os 20 e os 30 €. Lá no topo o Esporão constava a 33 €. Pensei “há tanto tempo que não o bebo, e hoje é dia de festa...”. E assim veio para a mesa uma garrafa do dito Reserva 2006, previamente decantado.
Em boa hora o escolhi. Só vos posso dizer que fiquei de novo rendido, perfeitamente encantado com este vinho. Estava lá tudo o que eu tinha nas profundezas da memória. Um vinho extremamente equilibrado em todas as suas componentes: corpo, profundidade aromática com fruto maduro bem evidente mas sem excessos, acidez, macieza, madeira, taninos, persistência e complexidade muito suave, tudo no ponto certo. E os 14,5% de álcool perfeitamente disfarçados pela envolvência do vinho, como é timbre da casa. Um vinho que apetece ir bebendo sempre mais e que não cansa nem enjoa, que se deseja que não acabe. De tal forma que não demorei a adquirir uma garrafa que poucos dias depois foi aberta à mesa com o tuguinho e o Politikos. A opinião foi coincidente entre os três: não conseguimos encontrar nada de menos bom neste vinho. É um regresso em grande e, claro, é para comprar mais e deixar na garrafeira. E um dia destes vou fazer a comparação com o Quatro Castas para tirar as teimas.
Kroniketas, enófilo regressado
Vinho: Esporão Reserva 2006 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em hipermercado: 15,98 €
Nota (0 a 10): 9
quinta-feira, 30 de abril de 2009
No meu copo 236 - Esporão Reserva 2006
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Etiquetas: Alentejo, Alicante Bouschet, Aragonez, Cabernet Sauvignon, Esporao, Reguengos, Tintos, Trincadeira
sábado, 25 de abril de 2009
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Os “segundos vinhos”
O número de Março da Revista de Vinhos traz um painel de prova de vinhos tintos com preços situados em média entre os 7 e os 10 euros. São 53 vinhos com pontuações entre os 15 e os 17 valores e uma maioria nos 16, o que é uma bela classificação.
Segundo os autores João Paulo Martins e João Afonso estamos perante um conjunto de vinhos de elevada qualidade e ainda segundo o editorial do director Luís Lopes trata-se de vinhos que estão cada vez melhores e que são tão bons como eram os “primeiros vinhos” há seis ou sete anos. E Luís Lopes realça que em muitos casos os “segundos vinhos” obtêm classificações apenas um ponto ou meio ponto abaixo dos “primeiros vinhos”. E fica a questão: vale a pena, muitas vezes, pagar 3 ou 4 vezes mais pelo “primeiro vinho” por um acréscimo de qualidade às vezes pouco relevante?
Esta questão prende-se com a que levantei nos posts anteriores a propósito das últimas provas. Há vinhos caros preço me levanta muitas dúvidas em relação ao seu real valor. E já tive oportunidade de referir que é muitas vezes neste patamar dos 10 euros que tenho encontrado excelentes relações preço/qualidade, com muito bons vinhos a preços não muito picantes. Só para citar alguns exemplos deste painel, o Casa de Santar Reserva, o Cabriz Reserva, o Herdade do Peso, o Cortes de Cima, o Vinha Grande ou o Vinha da Defesa são vinhos que me parecem merecedores de toda a atenção e que não deixam ninguém ficar mal quando os serve.
Claro que há sempre algumas tendências de snobismo ou novo-riquismo que acham que vinhos destes são apenas medianos, honestos ou bem feitos, e para quem o caro é sempre bom e o bom tem que ser sempre caro. A minha opinião é completamente diferente e, a julgar por estes artigos, não estou sozinho.
Kroniketas, enófilo mais ou menos poupado
terça-feira, 31 de março de 2009
Vinhos fora de prazo

Ainda acerca do tema do último post (já lá vão 3 longas semanas, mas outros afazeres às vezes tiram-nos o tempo e a disposição), não resisto a voltar à carga, porque entretanto tive o azar de me cruzar com mais dois vinhos em más condições.
Uma garrafa de José de Sousa Mayor de 2001, que recebi via Revista de Vinhos e acerca do qual alimentava uma grande expectativa, apresentou sinais evidentes de declínio, com os aromas a morrerem. Pior aconteceu com um Bairrada Messias Garrafeira de 1990, adquirido no Corte Inglês por 13 euros, e que se apresentou completamente passado. Não havia hipótese e lá se foram mais uns euros pelo cano. Assim não.
No espaço de 3 meses apanhei 3 garrafas de vinho em más condições, uma ainda bebível mas em queda e duas imbebíveis. Insisto no mesmo: o que se poderá fazer perante situações destas? Levar a garrafa aberta à loja e pedir para trocar ou receber o dinheiro de volta? Como é que o consumidor se pode defender de vinhos vendidos em más condições?
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Etiquetas: Comercializacao
sábado, 7 de março de 2009
Vender vinho... em que condições?
As últimas provas apresentadas suscitaram-me um conjunto de reflexões acerca da comercialização do vinho e dos preços praticados, que muitas vezes estão bastante inflacionados nos locais de venda. Um exemplo claro do que afirmo é o Casa de Alegrete, aqui amplamente referido durante o tempo que passei em Portalegre, e que tive oportunidade de adquirir ao produtor por 7 € a garrafa.
Na última feira de vinhos do Jumbo este vinho apareceu à venda a cerca de 10 €, mas no dia seguinte ao fim da feira passou para 16 €, como ainda se encontra. Assim se vê onde chega a especulação!
Mas para além do exagero nalguns preços praticados, outra questão relevante é em que condições os vinhos são armazenados nas lojas. Se é verdade que cada vez mais existe a preocupação de manter os vinhos em ambiente climatizado a temperaturas relativamente baixas que não acelerem o envelhecimento do líquido, não é menos verdade que também nos deparamos com muitos locais em que os vinhos estão expostos em condições altamente discutíveis. Desde a incidência directa dos focos de luz até salas que mais parecem sauna, há de tudo.
A garrafa de Caladessa, que adquiri numa loja gourmet do Centro Comercial Fonte Nova, em Benfica, estava seguramente a mais de 20 ºC no momento da compra. Aliás, tive oportunidade de referir à pessoa que estava na loja o meu desagrado pela excessiva temperatura ambiente, bem acima dos 20 ºC. Também já me aconteceu, numa noite de Verão, entrar numa garrafeira em Alvor e estar mais calor lá dentro do que na rua, de tal forma que quase se transpirava. E estávamos de manga curta...
No final do ano passado, por ocasião do meu aniversário, foi-me oferecida uma garrafa de litro e meio de Vinha Grande de 1997. Pois bem, no último fim-de-semana resolvi abri-la, precisamente no aniversário de quem ma tinha oferecido. Aconteceu que o vinho estava turvo.
Decantei-o, deixei-o repousar, provei-o, mirei e remirei o copo na esperança que com o tempo o turvo desaparecesse. Em vão, naturalmente. Aquele vinho não estava próprio para consumo. O que se pergunta é: como é que um vinho destes é colocado à venda nestas condições? Não é crível que se tenha deteriorado desta forma nos dois meses após a compra, pelo que é provável que já estivesse à venda assim. Eu vi-o em vários locais por altura do Natal e fim-de-ano, dentro duma embalagem toda catita como é hábito nessa quadra. Mas não deveria haver um controlo do produtor sobre o estado do produto antes de o enviar para as prateleiras? Sim, porque depois de aberta a garrafa não se imagina que alguém volte ao local da compra a pedir o dinheiro de volta. Mas devia haver uma forma de responsabilizar os produtores pelo estado em que os vinhos chegam ao consumidor.
De qualquer modo, este assunto ainda vai chegar ao conhecimento da Sogrape. Como maior empresa do sector não pode, nem deve, permitir que situações destas aconteçam.
Kroniketas, enófilo enganado
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Etiquetas: Comercializacao, Preços
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Quanto vale um vinho? - 3ª parte: o bom e o barato
Volto a este tema por causa do editorial de Luís Lopes na Revista de Vinhos de Janeiro, a propósito duma prova de vinhos efectuada pela Proteste, revista da DECO.
Diz Luís Lopes que aquela publicação “quando fala de vinhos, em vez de informar, desinforma e induz em erro os consumidores. A Proteste avalia vinhos como avalia máquinas de lavar roupa, ou seja em função do seu desempenho em “banco de ensaios” e da medição de parâmetros como o álcool, acidez total, açúcar, dióxido de enxofre e ácido sórbico. É um pouco como avaliar a qualidade de uma pintura em função da tinta utilizada.
Mais adiante, acerca da prova de vinhos tintos da Bairrada que foi “a gota de água que fez transbordar o copo”, Luís Lopes diz que “a revista começa por indicar ao leitor que entre os chamados VQPRD, o tinto da Bairrada está entre os mais consumidos. Acho que só esta pérola reflecte o grau de conhecimento do mercado de quem escreve a peça”.
E para terminar o explanar da sua indignação, refere que “o que fundamentalmente me choca é o pressuposto que está na base da conclusão final: já que o vinho mais barato custa 1,49 € e é melhor que o mais caro que custa 27 €, então pode comprar 18 garrafas do mais barato pelo preço do mais caro”. (!!!)
De facto, eu também tive, em tempos, oportunidade de ler algumas provas de vinhos feitos na Proteste e nunca percebi muito bem qual era o critério de avaliação. Se um automóvel pode ser medido em termos de performance, consumo, segurança, número de avarias, etc., utilizar critérios semelhantes para uma bebida como esta (em que ainda por cima está em causa uma avaliação tão subjectiva que depende do gosto de cada um) é uma verdadeira aberração. Ainda por cima com critérios aritméticos para aconselhar a compra...
É um facto, como referimos nos posts anteriores, que nem sempre achamos que o vinho merece o que pagámos por ele. Mas se isso se aplica a vinhos caros, por maioria de razão se aplicará, ainda com mais premência, aos mais baratos, porque nalguns casos até 1,49 € poderá ser caro. É verdade que às vezes me choca a facilidade com que se fala de preços a tender para o exorbitante ou se diz, como já li noutro blog, que o preço de uma refeição não interessa (como se pagar 100 euros por uma refeição fosse vulgar e despiciendo). Às vezes fico com a sensação de que, além de corrermos o risco de beber rótulos, também há quem ande a beber preços e compre só porque sendo caro parece bem e sendo caro tem que se dizer que é óptimo.
Mas não é menos verdade que há quem ache que só vale a pena comprar vinhos abaixo dos 3 ou 4 €. Claro que comprar caro pesa no bolso e é para quem pode fazê-lo, mas quem quer ser apreciador e abrir os horizontes a outro nível se subir um patamar nota logo a diferença, e a partir daí cada vez será mais difícil encontrar um vinho a menos de 3 € que ache minimamente satisfatório. Há vinhos bons e caros, há bons e baratos e depois há os baratos que de bons não têm nada, e acabam por se tornar caros de tão imbebíveis que são.
Neste aspecto, os senhores da Proteste deviam, realmente, fazer um curso de prova acelerado para que começassem a avaliar os vinhos de forma que faça sentido, e não os misturem com máquinas de lavar, torradeiras ou secadores de cabelo.
Kroniketas, enófilo às vezes um pouco gastador
domingo, 22 de fevereiro de 2009
No meu copo 235 - Três grandes vinhos, ou três vinhos caros?
Caladessa 2003; Herdade das Servas, Touriga Nacional 2003; Mouchão 2003

Falemos então um pouco dos vinhos que motivaram os dois posts anteriores. Estes três vinhos foram servidos com todos os cuidados, para que nada pudesse influenciar negativamente a prova. Tinham em comum vários factores: eram todos do Alentejo, todos de 2003, todos com 14,5% de álcool. Feito o balanço não se pode dizer, de forma alguma, que não são bons vinhos, mas voltamos ao mesmo: esperávamos efectivamente um pouco mais de cada um deles.
O primeiro a ser provado foi o Mouchão, o tal que o tuguinho achou que talvez não valesse a pena comprar pelo preço que custava. Apresentou-se de cor muito concentrada, encorpado e robusto mas ao mesmo tempo elegante. Inicialmente os aromas apresentaram-se fechados, evoluindo para algumas notas de compotas. Ficámos sem perceber se ainda evoluirá positivamente em garrafa ou se já chegou até onde é possível chegar. Pelo que custou, esperávamos algo mais, nomeadamente uma maior persistência na boca. Resumindo, caro para o que mostrou.
O Caladessa e o Herdade das Servas Touriga Nacional foram provados em conjunto. Arrefecidos até à temperatura adequada, abertos e vertidos para os copos com alguma antecipação, fomo-los deixando evoluir para ver como se comportavam.
O Herdade das Servas Touriga Nacional passou por várias fases ao longo da prova. Começou por apresentar um ligeiro gasoso e alguma aspereza. Só depois começou a libertar aromas e a amaciar, mas apresentou-se sempre algo linear. Ficámos com a impressão de faltar ali qualquer coisa adicional para lhe dar outro brilho. Até pode ter sido daquela garrafa específica, mas esteve longe de encantar.
O Caladessa mostrou uma estrutura mais firme (íamos chamar-lhe sólida, mas era capaz de soar mal chamar isso a um líquido...), boa persistência e uma complexidade que se foi desenvolvendo ao longo da refeição, depois duma primeira impressão discreta no nariz. Mostrou que estava ali para durar. Foi talvez o mais equilibrado dos três e aquele que melhor justificou o preço. Mas no conjunto, foi muito dinheiro para o prazer obtido.
tuguinho e Kroniketas, enófilos descapitalizados
Vinho: Caladessa 2003 (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Herdade da Calada
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Alfrocheiro, Touriga Nacional
Preço em garrafeira: 22,55 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Herdade das Servas, Touriga Nacional 2003 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Herdade das Servas
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 16,85 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Mouchão 2003 (T)
Região: Alentejo (Sousel)
Produtor: Vinhos da Cavaca Dourada - Herdade do Mouchão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Trincadeira
Preço em hipermercado: 28,99 €
Nota (0 a 10): 8
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Quanto vale um vinho? - 2ª parte
Château Petrus 2004 - 1777 euros
Este piano foi comprado em Janeiro para tocar cá em casa, onde pai e filho o utilizam. Esta garrafa de vinho está à venda na Wine o’clock. A questão do post anterior era basicamente esta: o que é que pode justificar o preço de um vinho em comparação com outros produtos? Por muito bom, raro, sofisticado que seja um vinho, será que se justifica realmente pagar por uma garrafa de 7,5 dl de bebida mais do que custa um piano digital?
Claro que o valor das coisas é muito relativo, de acordo com quem as compra e acha que vale ou não a pena pagar esse preço. E se estão à venda por um preço é porque há, necessariamente, compradores para elas. Mas se eu tivesse de escolher entre um piano, que dura uma vida, e uma garrafa de Chateau Petrus (ou simplesmente Petrus, como parece ser mais correcto dizer-se) que se consome numa noite... O prazer e o usufruto que posso retirar de cada um poderão ser equiparáveis?
Isto sou eu a dissertar... É claro que quem pode pagar tal preço por um vinho é porque não precisa do dinheiro para outras coisas. Por exemplo, para um piano...
Kroniketas, músico e enófilo amador
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Quanto vale um vinho?
Recentemente tivemos oportunidade de provar, no espaço de poucos dias, 3 vinhos que no conjunto nos fizeram sair da carteira quase 70 € (nada de confusões, são 14 contos na moeda antiga, o que dá uma média de quase 5 contos por garrafa), e de que falaremos mais em detalhe no próximo post. Eram vinhos acerca dos quais tínhamos alguma curiosidade e depois de ponderada a vontade de prová-los (de certa forma induzida pelo nome dos mesmos) com o custo que iriam acarretar, acabámos por abrir os cordões à bolsa e distribuir os gastos.
A compra de vinhos muito acima dos 10 euros deixa-nos sempre de pé um pouco atrás, porque independentemente da fama que os acompanha existe sempre a retracção inerente ao elevado custo, por um lado, e a dúvida acerca do prazer que nos irão proporcionar. E aqui é que a porca torce o rabo.
Quando damos 15, 20, 30 euros por uma garrafa de vinho, aquilo que esperamos obter do mesmo é um prazer muito acima do “normal”, que seria impossível encontrar nos vinhos da gama média ou mesmo nos que andam ali pelos 10-12 euros, e a decepção acontece muitas vezes quanto o vinho em causa não corresponde às expectativas. É da relação qualidade/preço que estamos a falar. Já temos gasto bom dinheiro em muito bons vinhos e demo-lo por bem empregue (33 € pelo Hexagon, e tivemos comentários no blog que achavam que também ele não era assim tão bom e que era possível encontar bem melhor por muito menos).
Nas últimas feiras de vinhos vimos à venda o Mouchão de 2003 a cerca de 27 euros. Falámos na hipótese de comprá-lo a meias mas acabámos por não o fazer, achando que o risco talvez fosse demasiado. Mas recentemente, a propósito de um encontro familiar, o dito vinho acabou por nos vir parar à mesa, por 28,99 €. Depois deste resolvemos experimentar o Caladessa de 2003, agora que a Herdade da Calada anda em fase de remodelação do seu portefólio, e lá foram mais 22,55 €. E por fim juntámos ao rol um Herdade das Servas Touriga Nacional, igualmente de 2003, que o tuguinho já tinha comprado por 16,95 €.
Feito o balanço, a sensação que ficou foi de dinheiro gasto em excesso para o prazer que os ditos vinhos nos proporcionaram. Havia razão para as dúvidas. Para valer a pena gastar tanto dinheiro temos que estar perante vinhos quase excepcionais. Não que não fossem bons vinhos, longe disso, só que tínhamos a legítima expectativa de que fossem bem melhores!
A verdade é que temos retirado muito mais prazer de alguns vinhos a metade do preço destes do que destes três na generalidade. Desde há algum tempo que temos neste blog uma ligação para outra página onde listamos os vinhos que para nós valem a pena pelo preço que custam. Independentemente de serem melhores ou piores (e se não os acharmos bons, obviamente não os aconselhamos a ninguém), o importante aqui é sabermos que estamos a dar um valor que consideramos justo pelo vinho em causa. E assim já sabemos à partida com o que é que podemos contar. O problema é quando damos 20 ou 30 € por um produto que não está à altura do que custou. Tomando como exemplo o Duas Quintas, que conhecemos desde o seu lançamento e que costuma andar pelos 8 a 10 euros, embora isto não seja uma equação matemática não será pertinente questionar se o Duas Quintas Reserva, que custa o dobro, nos irá proporcionar um prazer a dobrar? E quanto ao Duas Quintas Reserva Especial, será que vale a pena pagar por ele 4 a 5 vezes mais?
tuguinho e Kroniketas, enófilos descapitalizados
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Na minha mesa 234 - O Ganhão (Venda Nova)
Vamos então falar do Ganhão, local de peregrinação do núcleo duro dos Comensais Dionisíacos e um dos vários restaurantes alentejanos bem referenciados na zona da capital.
Eu já lá tinha passado um dia ao almoço para conhecer o espaço. Deparei com uma sala quase “forrada” a aguardentes, conhaques e whiskies, além de uma enorme garrafeira descrita numa extensa carta de vinhos com bastantes raridades e alguns restos de colecção que por ali estão à espera que alguém repare neles. Foi nessa ocasião que reparei, numa prateleira elevada a um canto da sala, numa garrafa de litro e meio de Reguengos Garrafeira dos Sócios de 97 que desde logo ficou marcada para a primeira oportunidade.
Tendo-se juntado quatro comensais, lá rumámos à Venda Nova para uma refeição em regra. O Ganhão fica logo a seguir às portas de Benfica, junto aos laboratórios Vitória. O estacionamento é relativamente fácil de encontrar do outro lado da rua, junto aos prédios aí existentes.
A garrafa já estava à nossa espera e à temperatura adequada e veio para a mesa enquanto nos entretínhamos com os primeiros acepipes. Perante as sugestivas propostas que nos foram apresentadas, resolvemos fazer uma vaquinha e pedir três pratos para dividir por todos: bacalhau à Ganhão, no forno, ensopado em azeite com cobertura de alho e batatas fritas às rodelas; grelhada mista de secretos e vitela; e lombinhos de porco com migas de espargos. Qual deles o mais apetitoso. O bacalhau naturalmente comeu-se primeiro e foi um bom início das hostilidades, enquanto o Garrafeira dos Sócios se começava a mostrar nos copos. Em seguida vieram as carnes que se foram intercalando uma com a outra e chegaram para as despesas. Excelentes lombinhos e migas e muito bons grelhados.
Para as sobremesas escolheu-se a inevitável encharcada, a que aderiram três dos comensais, mais uma torta de canela. No final ainda houve direito à prova de duas aguardentes (oferta da casa).
Com o prolongar do serão, as nossas conversas foram-se cruzando com as dos donos, que entretanto se sentavam noutra mesa para cear. Já só restávamos nós na sala e já bem para lá da meia-noite falava-se de provas de vinhos, de lojas e restaurantes, de críticos e revistas, de vinhos caros e baratos. Enfim, o serão podia-se prolongar pela noite dentro.
Ficaram os contactos para futuras divulgações e a promessa de lá voltarmos. Para além da boa qualidade da confecção e da simpatia do serviço, o destaque foi o fim da noite em amena cavaqueira, coisa que não é vulgar acontecer. Assim vale a pena lá estar e nem dá vontade de vir embora. Um local a revisitar com frequência, até porque a casa dispõe ao lado de uma loja e também faz apresentações de vinhos, pelo que há mais motivos para outras visitas.
tuguinho e Kroniketas com Politikos e Mancha, os Comensais Dionisíacos
Restaurante: O Ganhão
Rua Elias Garcia, 24/26
Venda Nova
2700-327 Amadora
Telef: 21.474.62.26
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
No meu copo 233 - Conde de Palma 2006
Este vinho foi adquirido com a Revista de Vinhos de Janeiro e desta vez resolvi fazer o que raramente faço: experimentar bebê-lo imediatamente para ver como está.
Depois das duas provas indicadas nos posts anteriores, aqui está o contra-ponto aos vinhos que tiveram tempo para crescer e amadurecer dentro da garrafa: um vinho ainda novo, com apenas dois anos de idade após a colheita. E confirmou-se aquilo que seria previsível: o vinho está muito “cru” para ser bebido, algo agreste, com os taninos ainda agressivos a torná-lo algo adstringente e difícil.
Parece ter potencial para melhorar e talvez daqui a 2, 3 anos o conjunto esteja mais redondo e polido e aí se possa apreciar melhor os aromas.
Assim se prova mais uma vez que esta tendência para beber os vinhos muito novos é extremamente limitativa do prazer que se obtém. Está na mão dos consumidores inverter esta tendência, ou terão de ser os produtores a tomar a iniciativa?
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Conde de Palma 2006 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Herdade Monte da Cal - Dão Sul/Global Wines
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 6,5
PS: Por coincidência o Pingas no Copo também apresentou há dias uma prova deste vinho. A opinião dele é mais favorável que a minha.
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
No meu copo 232 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 97 e 99
E como estamos numa onda de regressos, eis aqui outra repetição. A última prova desta colheita tinha sido colocada pelo tuguinho há uns dois anos, quando ele ainda escrevia uns posts para este blog. Daí para cá já tive oportunidade de provar outras colheitas, mais recentes e mais antigas, a última há cerca de um ano. Mas como este vinho, tal como o do post anterior, é um daqueles que tenho sempre em stock, as colheitas vão-se juntando na garrafeira e os vinhos vão ficando por ali à espera de serem lembrados.Assim sendo, depois do Quatro Castas resolvi ir revisitar o Garrafeira dos Sócios da Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz. Não é novidade nenhuma dizer que quanto mais tempo esperamos para consumir um vinho maior é a probabilidade de termos uma surpresa desagradável. Felizmente não tenho tido tantas como receava, embora por vezes o azar bata à porta. Mas quando a surpresa é boa, sentimo-nos recompensados pela espera e ultimamente o deus Baco tem-me presenteado com alguns néctares deliciosos que só têm dado razão às vozes que cada vez mais se levantam contra febre da venda e do consumo dos vinhos acabados de fazer (voltarei a este tema no próximo post).
Já contei na última prova a história da nossa relação com este vinho, um caso de verdadeira paixão. E esta prova da colheita de 99 não defraudou: estava lá tudo, e também aqui parece que o tempo em garrafa, ao invés de o fazer decair, o fez melhorar e lhe deu um vigor rejuvenescido. Continua com as características que sempre gostei nele mas mantém-se vivo na boca, prolongado e aveludado.
Posteriormente a esta prova houve a oportunidade de beber, no restaurante O Ganhão, uma garrafa de litro e meio da colheita de 97. Para isso juntámos o núcleo duro dos Comensais Dionisíacos, tendo reservado previamente a dita garrafa. O resultado não defraudou minimamente as expectativas. Apresentou uma cor acastanhada a denotar a evolução já evidente, mas desta vez não achámos necessário decantá-lo, porque os aromas iniciais se apresentaram totalmente limpos, sem qualquer vestígio de mofo, e tal como tinha acontecido há um ano com o de 96 no restaurante A Gruta, em Portalegre, à medida que foi arejando os aromas foram-se libertando e toda a macieza e o aveludado que sempre esperamos aí estavam a marcar presença. Já não apresentava a mesma vivacidade do de 99, mas para um vinho com esta idade a saúde estava notável.
Após estas três últimas provas (estas duas e o Quatro Castas) fiquei com a sensação de ter provado três vinhos que estavam na idade adulta. É certo que já não se espera que possam melhorar, mas se não os tivesse deixado repousar durante todos estes anos (o Quatro Castas, comprado com 3 anos de idade, esperou 4 anos depois da compra e o Garrafeira dos Sócios 99, comprado com 4 anos, esperou 5) e não tivesse referenciado aquela garrafa magnum de 97 no Ganhão, teria agora o prazer de desfrutar de três vinhos verdadeiramente maduros e completos?
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Carmim (Coop. Agrícola de Reguengos de Monsaraz)
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 11,95 €
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 97 (T) (garrafa de 1,5 L)
Grau alcoólico: 13%
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 99 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Nota (0 a 10): 8,5
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
No meu copo 231 - Quatro Castas Reserva 2001
Perdoem-me a insistência, mas beber este vinho é um prazer sempre renovado. Tinha provado a última da mesma colheita há cerca de um ano e agora parece que melhorou. Curiosamente, no blog Os Vinhos existe uma prova da colheita de 2002, onde o Pedro Rafael Barata refere que já passou o seu auge e o final é mediano.
Pois este de 2001, passado um ano, ainda está melhor. Mediano é que o final não é e pelo contrário talvez esteja, agora sim, no auge. O tempo em garrafa só lhe tem feito bem. Um corpo que nunca mais acaba, uma profundidade aromática espantosa, com aromas ainda exuberantes a fruta e algum toque a tostados e especiarias, com boa integração com a madeira e os taninos polidos mas ainda sólidos a darem grande firmeza a um conjunto homogéneo e equilibrado. E nem os 15 graus de álcool destoam do conjunto, tão bem disfarçados estão.
Definitivamente, um vinho que faz sempre os meus encantos por um preço que fica bem abaixo do que se poderia esperar. Para mim é incontornável e, repito o que disse há um ano, o melhor vinho do Esporão daqueles que já provei (continua a faltar o Private Selection e o caríssimo Torre do Esporão...).
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quatro Castas Reserva 2001 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 15%
Castas (não mencionadas no contra-rótulo) - as quatro melhores do ano em partes iguais entre estas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah, Bastardo, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 10,79 €
Nota (0 a 10): 9
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Krónikas Vinícolas
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sábado, 24 de janeiro de 2009
No meu copo 230 - Vinho Verde Espumante - Quinta do Ferro 2006
A passagem de ano foi assinalada com a abertura do espumante que tinha comprado com a Revista de Vinhos. Para a ocasião também compareceram duas garrafas de espumante italiano, que por acaso acabei por não provar, mas a opinião foi unânime: este espumante da região dos Vinhos Verdes, produzido na zona de Baião, bateu os italianos em toda a linha.
Não é encantador nem dos que mais me têm agradado, mas cumpre dentro do exigível. Tem uma boca com bom corpo e final prolongado, embora não muito macio. Um pouco mais de suavidade torná-lo-ia mais abrangente, mas parece-me que com estas características poderá bater-se bem com um belo leitão à Bairrada.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta do Ferro 2006 - Espumante Bruto (B)
Região: Vinhos Verdes
Produtor: Quinta do Ferro
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Avesso
Preço com a Revista de Vinhos: 6,25 €
Nota (0 a 10): 7
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
No meu copo 229 - Champanhe Pommery
Na última quadra festiva estreei um champanhe que nunca tinha bebido. Para variar do habitual Veuve Clicquot comprei um Pommery, que se saiu muito bem da prova. Bolha muito fina, aroma floral e boca muito suave e elegante, com algumas notas tropicais e citrinas, bateu-se excelentemente no confronto com o Veuve Clicquot, colhendo mesmo opiniões mais favoráveis. São ambos excelentes, mas o Pommery consegue ser ainda mais elegante, mais fresco, ainda com mais finesse, um champanhe praticamente universal, para qualquer ocasião e qualquer refeição. Haverá melhor? Se há, não deve ser muito.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Pommery - Champagne Brut (B)
Região: Champagne (França)
Produtor: Pommery - Reims - França
Grau alcoólico: 12%
Casta: Chardonnay
Preço em hipermercado: cerca de 34 €
Nota (0 a 10): 9
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sábado, 17 de janeiro de 2009
No meu copo 228 - Duas Quintas Celebração Quinta de Ervamoira
Já foi referida noutros blogs a razão de ser deste vinho. Houve quem se desse ao trabalho de transcrever a explicação do contra-rótulo, pelo que me dispenso de repeti-lo e sugiro a leitura dos post respectivo no Pingamor, assim como a prova do Saca-a-rolha.
A explicação para o lançamento deste vinho é simples: foi produzido para comemorar o 10º aniversário da sobrevivência da Quinta da Ervamoira devido à não construção da barragem de Foz Côa. A relação que temos com os vinhos da Ramos Pinto é algo parecida com a da Sogrape e do Esporão: tudo o que sai de lá nos desperta a atenção. Quando vimos este vinho à venda, como o preço não era muito elevado deitámos-lhe logo a mão.
Há alguma semanas resolvi abrir este exemplar único que detinha num jantar com amigos, porque nestas coisas dos vinhos gosto sempre de bebê-los, quando espero que sejam dos melhores, compartilhando esse prazer com alguém. E que prazer este nos deu...
Parece um vinho feito à moda antiga. Com uma certa pujança mas ao mesmo tempo elegante. Bem estruturado e persistente sem deixar de ser macio. Marcadamente frutado, com nuances de frutos vermelhos maduros, bem envolvidos por uma suave especiaria que dá maior vivacidade ao conjunto. Tudo muito equilibrado. Um vinho que deixa saudades, como a paisagem da quinta me deixou quando lá estive. Se soubesse o que sei agora, tinha comprado mais.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Duas Quintas Celebração - Quinta de Ervamoira (T) (sem data de colheita)
Região: Douro (sem denominação de origem)
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: não indicadas
Preço em hipermercado: 12,21 €
Nota (0 a 10): 8,5
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Na minha mesa, no meu copo 227 - Fialho (Évora); Chaminé 2007


Na mesma volta do Chico, a passagem por Évora deu-me a oportunidade de voltar ao Fialho, onde tinha estado apenas uma vez em 1997. Em todo este tempo tive oportunidade de ouvir muitas opiniões díspares acerca do Fialho. Que já não é o que era, que há restaurantes melhores em Évora, que é muito caro, que há outros onde se come melhor, que as pessoas que conhecem bem os restaurantes vão a outros... Ouvi falar no Luar de Janeiro, na Cozinha de Santo Humberto, etc.Entretanto muita coisa aconteceu. Os guias de restaurantes, os críticos como José Quitério, a Internet, os sites dedicados à gastronomia. No site do Expresso surgiu a secção “Boa cama, boa mesa” e os comentários dos leitores. Antes de preparar este passeio andei a ler o que encontrei sobre estes restaurantes que referi e mais alguns para estabelecer comparações. Mesmo assim mantive a intenção de voltar ao Fialho e marquei mesa para o almoço com dois dias de antecedência. Em boa hora o fiz!
Depois de regressar de lá, voltei a ir ao site do Expresso ler outra vez os comentários acerca do Fialho, e fiquei sem perceber o que é que o pessoal quer. Ao almoço, com a família, tivemos uma refeição simplesmente fabulosa! Perdiz à Fialho, estufada com cogumelos, divinal! Medalhões de porco preto com migas de espargos, saborosíssimos. Bochechas de porco preto em vinho tinto, tenríssimas e deliciosas. Serviço rápido, simpático, atencioso, eficiente, e isto com a casa cheia, sempre com clientes a chegar. Pede-se alguma coisa e demora 2 minutos no máximo. As doses são bem servidas, o suficiente para se ficar plenamente satisfeito. Querem mais o quê? Que nos calcem umas pantufas, nos limpem a boca e nos levem à casa de banho?
Numa volta nocturna pela cidade estive a espreitar outras ementas em Évora, nomeadamente a da Cozinha de Santo Humberto, ali mesmo junto à Praça do Giraldo, e ficam a léguas da do Fialho.
No final paga-se bem? Claro que sim: paga-se pela qualidade que se obtém, mas paga-se por uma refeição magnífica. Agora pergunto eu: há melhor em Évora? Em que aspecto? Servem doses maiores, daquelas tipo farta-brutos? Há mais baratos? Acredito que sim. Mas melhores que este? Em termos de serviço e qualidade da confecção? Mostrem-me onde é que eu vou lá.
O que é ridículo é criticar um restaurante destes por causa do... cherne! Um dos comentários depreciativos que li dizia que o cherne é congelado e que nem nos passa pela cabeça o que se acontece naquela cozinha. Engraçado. Vai-se a um dos locais emblemáticos da cozinha alentejana pedir cherne e depois queixa-se porque o peixe é congelado! Se querem comer peixe talvez fosse melhor ideia pedir uma sopa de cação, esse sim, um dos pratos representativos do Alentejo. Se querem cherne vão a um restaurante ao pé do mar. É como ir a uma marisqueira e depois dizer mal do cozido à portuguesa... Tenham juízo!
Resta falar das sobremesas e do vinho. Mandámos vir uns ovos-moles ferrados, um leite-creme e um pudim de requeijão, e os estômagos já não davam para mais, até porque também aqui tínhamos umas empadinhas de galinha à nossa espera para entrada. Todos estavam muito saborosos, com a particularidade de os ovos-moles serem servidos à moda do leite-creme, queimados com o ferro (daí o ferrados). Original, sem dúvida.
Para o vinho tive novamente que me refugiar em meia-garrafa e a escolha desta vez recaiu num Chaminé, das Cortes de Cima. Não sendo nada de extraordinário, desempenha-se bem da sua missão. Bom corpo e estrutura mediana, persistente quanto baste, aroma muito jovem e com predominância frutada, um daqueles vinhos que podem servir como aposta para o dia-a-dia.
Em resumo, este Fialho é seguramente um dos melhores restaurantes do país, digam o que disserem. Nos últimos três anos (desde a existência deste blog) tive oportunidade de visitar alguns restaurantes de altíssimo nível, nomeadamente enquanto estive em Portalegre (lembro-me do Cobre, da Gruta, do Rolo Grill, do Sever, do Tomba Lobos, do São Rosas e da Cadeia Quinhentista, além da Petisqueira do Gould, dos Arcos, da Cozinha Velha, do Vallecula, do Cortiço, da Falésia, da Cantina) e depois de estar no Fialho quase me apetece dizer que ainda está num patamar acima dos outros todos. Como sabem usamos uma escala de 0 a 5 para pontuar os restaurantes, mas a este apetece-me dar... 7!
Para terminar, volto ao Expresso e a uma crónica de José Quitério na edição de 22 de Novembro de 2008 para deixar a palavra ao especialista. Eis alguns excertos:
“Fialho, sempre!” (título do artigo)
“Cozinha regional portuguesa no seu melhor”
“Na cozinha dos irmãos Fialho, já septuagenários, honram-se os produtos alentejanos” (subtítulos)
“Serviço profissional e gentil”
“Tenho a impressão que esta casa não é tão falada e valorizada quanto merece (eu próprio há 19 anos que não escrevia uma palavrinha). Será por ter aura de cara? Ora, adeus... Vai-se a ver e, à excepção dos praticados ao quilo, os preços dos peixes oscilam entre €13,50 e €19, e os das carnes entre €13 e €18. Será porque andam para aí uns gabirus a maldizer a cozinha regional portuguesa, que é o factor que mais nitidamente nos diferencia de outros povos e culturas? Por Zeus, o pós-modernismo e a estupidez não têm tanto poder...
Seja como for, aquilo a que a consciência obriga é a proclamar bem alto que os irmãos Amor e Gabriel Fialho, já septuagenários, continuam, sempre fiéis à grande matriz, a saber fazer do seu Fialho um magnífico restaurante alentejano, que o mesmo é dizer, português.”
Mais palavras para quê? Deixemo-nos de tretas. O Fialho é um templo da gastronomia.
Kroniketas, gastrónomo viajante
Restaurante: Fialho
Travessa dos Mascarenhas, 16
7000-557 Évora
Telef: 266.703.079
Preço por refeição: 25 a 35 €
Nota (0 a 5): 5
Vinho: Chaminé 2007 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Cortes de Cima
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Syrah, Touriga Nacional, Trincadeira, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 4,89 €
Nota (0 a 10): 6
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Na minha mesa 226 - O Chico (São Manços)
Uma saída em família até ao interior alentejano levou-me a revisitar um restaurante que descobri há uns anos, quase por acaso, ao consultar o guia de restaurantes da Visão, que coleccionei há uns anos. Em trânsito pelas proximidades de Évora, olhando para os restaurantes da zona vimos um em São Manços, localidade situada junto ao IP2 em direcção ao sul. Lá fomos à procura do Chico.Em São Manços quase que se entra por uma rua a sai-se por outra. E o Chico parece um simples café de aldeia sem nada de especial que nos faça pensar em ir lá procurar algo especial. A verdade é que, para além de um pequeno balcão à entrada e de uma pequena sala com capacidade para não mais de 30 lugares, não se descobre o que nos espera antes de nos sentarmos à mesa.
Primeiro deparamo-nos com várias prateleiras onde estão expostas dezenas de vinhos alentejanos de todos os tipos. Pode-se percorrer as garrafas à procura de qualquer marca e quase que é difícil lembrarmo-nos de uma que não esteja lá. Enquanto esperamos pela refeição podemo-nos ir entretendo com umas excelentes empadas de carne, ainda quentinhas, que saem a grande ritmo para as mesas de todos os clientes. Mas a melhor parte vem quando se pega na ementa para passar aos pratos de resistência. Os pratos típicos alentejanos dominam, com destaque para a caça na época apropriada. Nas vezes que lá fui tive a felicidade de ser essa época e desta vez assim voltou a acontecer. À minha espera estava um delicioso arroz de lebre malandrinho, servido com uma concha em terrina de sopa, muito bem temperado e com um toque de hortelã a completar o panorama. É de comer até à última peça e até ao último bago de arroz. Para os apreciadores de caça, um verdadeiro maná.
Depois de já termos o estômago e o palato regalados com uma tal refeição, ainda arranjamos um espaço para provar as deliciosas sobremesas. A escolha recaiu numa encharcada e numa sericaia com ameixa de Elvas. A encharcada estava esplêndida, com a consistência certa e com calda na quantidade adequada, enquanto a sericaia estava um pouco maçuda.
Como só eu é que ia beber álcool tive que me socorrer de meia garrafa. Escolhi um vinho da zona, o EA tinto, da Fundação Eugénio de Almeida, que já não provava há alguns anos. E francamente decepcionou-me. Achei-o desequilibrado, delgado e pouco aromático, demasiado ácido na boca, muito longe do padrão que esperava. Posso ter tido azar mas se é este o perfil actual deste vinho, mais vale esquecê-lo. De tal forma que achei que nem valia a pena mencioná-lo no título do post.
Em suma, este Chico é um local a revisitar sempre que a oportunidade se proporcione, principalmente em tempo de caça. Quem passar pelos lados de Évora ou pelo IP2, vale a pena marcar mesa e fazer um pequeno desvio por São Manços para se deliciar com uma bela refeição. O preço é moderado (pagámos 45 € por uma refeição para dois adultos, um adolescente e uma criança), o serviço simpático e acolhedor, quase familiar, num ambiente descontraído e informal à boa maneira alentejana, onde nos sentimos como em casa.
Kroniketas, gastrónomo viajante
Restaurante: O Chico
Rua do Sol, 44-C
7005-739 São Manços
Telef: 266.722.208
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4,5
Vinho: EA (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 13%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Castelão, Alfrocheiro, Moreto
Preço em feira de vinhos: 4,87 €
Nota (0 a 10): 4
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
No meu copo 225 - Herdade do Meio 2004
Eis um vinho proveniente dum produtor que tem tido algum destaque recentemente. Na última feira de vinhos do Continente vários vinhos estavam em promoção, o que aliás mereceu um post no Saca-a-rolha.
Um dia resolvi comprar este para experimentar. Tendo em conta o preço pareceu-me que estaria num nível superior da gama da casa (ainda não conheço mais nenhum, portanto não posso fazer comparações). No entanto deparei-me, mais uma vez, com um vinho em que o excesso de álcool abafava tudo, tornando-o cansativo.
No último meio ano tenho tentado fugir dos vinhos alentejanos com 14 graus ou mais, porque tem sido um fartote que já não se aguenta. Neste caso arrisquei... e perdi. Perante este panorama praticamente tudo o resto perde interesse. Ao segundo copo já quase não se percebe mais nada. Pode ser que em futuras colheitas voltemos a encontrar vinhos com mais aromas e mais sabores, porque este, definitivamente, não me convenceu.
Apesar de tudo não se pode dizer que seja mau. Bebe-se com algum agrado, para aquilo que custa deveria deixar muito mais recordações.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Herdade do Meio 2004 (T)
Região: Alentejo (Portel)
Produtor: Casa Agricola João & António Pombo - Herdade do Meio
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alfrocheiro, Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 12,99 €
Nota (0 a 10): 6,5
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terça-feira, 30 de dezembro de 2008
No meu copo 224 - Pago de Los Capellanes Reserva 2001
Terminamos este ano com a referência a um vinho espanhol que o tuguinho recebeu como oferta. Um dia juntámos os bandalhos do costume e abrimos a garrafa. A expectativa era elevada porque se tratava dum vinho da Ribera del Duero, a região espanhola “gémea” do Douro.
No entanto, ficou um pouco aquém do que se esperava, talvez por ter ultrapassado o ponto óptimo de consumo, mas tendo em conta a sua feitura (18 meses em barricas novas de carvalho francês, mais 20 meses em garrafa) e as castas utilizadas, seria expectável que se tratasse dum vinho com longevidade. Com esta idade certamente estaria num ponto alto de evolução.
Contudo mostrou-se discreto no aroma, não mostrou uma grande estrutura nem grande persistência e terminou de forma média. A força do Tempranillo estava presente, mas não o suficiente para dar ao vinho a complexidade que se esperava.
Em suma, um vinho para agradar mas não para encantar.
E com isto terminamos desejando a todos um bom ano de 2009... com boas provas.
tuguinho e Kroniketas, enófilos e tal em tempo de Natal
Vinho: Pago de Los Capellanes Reserva 2001 (T)
Região: Ribera del Duero (Espanha)
Produtor: Pago de Los Capellanes - Pedrosa de Duero - Burgos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tempranillo (90%), Cabernet Sauvignon (10%)
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 7,5
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terça-feira, 23 de dezembro de 2008
No meu copo 223 - Quinta dos Carvalhais 2002
Devo estar com azar. Ainda não acertei com um destes novos vinhos da Quinta dos Carvalhais que me enchesse as medidas. Com esta colheita de 2002 voltou a acontecer. Achei alguma falta de intensidade aromática, de estrutura, de persistência, em suma desiludiu-me.
De um vinho da Sogrape espera-se sempre mais e melhor e tratando-se do Dão espera-se principalmente um aroma profundo e elegância. Mas aqui não encontrei nada de especial. Achei-o demasiado simples e linear. Vamos aguardar por outros produtos. Decididamente, este não faz esquecer o desaparecido Dão Sogrape Reserva.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta dos Carvalhais 2002 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
No meu copo 222 - Quinta do Cardo 2004
Proveniente da vinha mais alta de Portugal, a 700 m de altitude em Figueira de Castelo Rodrigo, este vinho da Quinta do Cardo faz parte da nova linha de produtos da Companhia das Quintas intitulada “The Quinta Collection”, que está associada às diversas quintas de que a empresa é proprietária de norte a sul do país.
Apresentou uma cor carregada e no primeiro ataque na boca apareceu bastante agreste, com boa estrutura, taninos muito vivos e a precisar de amaciar e os aromas muito fechados, o que requereu desde logo a decantação. Amaciou depois de decantado e à medida que foi evoluindo com o arejamento começou a mostrar nuances de compota, à mistura com algum floral no aroma. A madeira está presente mas discreta conferindo complexidade ao conjunto. O álcool está bem presente mas sem se tornar cansativo. Boa persistência em final longo e ligeiramente especiado.
Ainda não tinha provado este vinho e foi uma boa revelação. Parece ter garra e estrutura suficientes para evoluir positivamente na garrafa durante algum tempo. É um vinho para se bater com pratos condimentados e a pedir vinhos poderosos. Gostei bastante e é um daqueles casos em que o preço não denota tudo o que está dentro da garrafa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta do Cardo 2004 (T)
Região: Beira Interior (Castelo Rodrigo)
Produtor: Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 3,59 €
Nota (0 a 10): 8
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
No meu copo, na minha mesa 221 - Neethlingshof, Merlot 2001; Stellenzicht, Shiraz 2000; Restaurante A Carvoaria
Um regresso à Carvoaria, restaurante sul-africano de Cascais, para responder ao desafio de comer um bife tártaro: estamos a falar de carne crua picada. O prato tem de ser encomendado de véspera para que a carne seja devidamente preparada de modo a ficar comestível.Antes do início das hostilidades o dono veio trazer-nos uma pequena porção para darmos a nossa impressão acerca dos temperos. Um deles era um picante intenso, de que eu abdiquei. Mesmo assim o meu prato estava picante, embora menos que os dos outros comparsas.
Em pequenas garfadas lá se foi comendo o bife tártaro, sem fazer grande sacrifício. Como eu gosto de bifes mal passados o facto de a carne estar crua não me repugna. Valeu como experiência mas, de qualquer modo, não fiquei grande fã. Apesar de tudo prefiro algum cozinhado, mesmo que pouco.
Para acompanhar voltámos aos vinhos sul-africanos, tal como na visita anterior. Entre vários nomes totalmente desconhecidos, começámos por escolher um monocasta de Merlot. Apresentou-se com uma cor rubi aberta, macio e suave, com corpo e persistência média, medianamente frutado com nuances de cereja e alguma hortelã, grau alcoólico elevado razoavelmente disfarçado. Aconselhado para pratos não muito robustos.
Esgotada a primeira garrafa, optámos a seguir por outro varietal mas desta vez de Syrah (ou Shiraz na designação do rótulo). Fermentado em carvalho francês e americano, apresentou-se mais encorpado, com notas marcantes a especiarias e bouquet mais profundo, com boa persistência final. Muito mais adequado aos sabores do bife tártaro e capaz de se bater com o picante.
Ambos os vinhos são originários da região de Stellenbosch, situada na província de Western Cape na costa sudoeste do país e no coração da região vitivinícola que circunda a Cidade do Cabo. No caso do segundo, as vinhas estão situadas na costa oeste da montanha Helderberg, entre a cidade de Stellenbosch e o mar em False Bay, a sul de Cape Town.
Neste regresso à Carvoaria repeti as impressões colhidas anteriormente. É um restaurante que se recomenda, onde se come bem e o serviço é simpático e eficiente. Em suma, um lugar agradável de onde se sai satisfeito.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Restaurante: A Carvoaria (sul-africano)
Rua João Luís de Moura, 24
2750-387 Cascais
Telef: 21.483.04.06
Preço por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5
Vinho: Neethlingshof, Merlot 2001 (T)
Região: Stellenbosch (África do Sul)
Produtor: Neethlingshof
Grau alcoólico: 14%
Casta: Merlot
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Stellenzicht, Shiraz 2000 (T)
Região: Stellenbosch (África do Sul)
Produtor: Stellenzicht
Grau alcoólico: 14%
Casta: Shiraz
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 8
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
No meu copo 220 - Reservas Sogrape: o adeus

Foram cerca de 15 anos e quase 30 colheitas diferentes provadas entre 4 regiões: Douro, Dão, Bairrada e Alentejo (talvez não por acaso, um dos vinhos da Sogrape que nos encantou e que referimos mais de uma vez chamava-se precisamente Quatro Regiões). Foi um caso de amor à primeira vista e de paixão duradoura e correspondida, daquelas “até que a morte nos separe”. Neste caso, a separação foi decidida pelo produtor ao decretar a morte destes vinhos.
Ao longo dos 3 anos que este blog hoje completa (e por isso agendámos a publicação deste post para esta data, por uma questão de simbolismo), os vinhos da Sogrape, e estes Reservas em particular, foram os que tiveram direito a mais posts publicados. A nossa paixão pelos vinhos da Sogrape começou precisamente pela descoberta destes Reservas, já referida nos posts 99 e 100.
Desde o Dão 85 e o Douro 87, procurámos sempre ir acompanhando com regularidade as colheitas lançadas, e daí partimos para o alargamento dos nossos conhecimentos dos vinhos da empresa. Quando comecei a constituir uma garrafeira em casa, o Douro Reserva e o Dão Reserva sempre estiveram presentes. Pelo meio foram aparecendo, de forma mais esparsa, alguns Reservas da Bairrada e já no dealbar do século XXI apareceram os Reservas do Alentejo, após o começo da produção de vinho na Herdade do Peso.
Com a diversificação da gama de vinhos nas várias regiões, a empresa decidiu acabar com estes Reservas, um fim que vi anunciado pela primeira vez num dos guias de João Paulo Martins. A princípio custou-me a acreditar mas depois confirmou-se numa das provas de vinhos Sogrape na Wine o’clock. Os Reservas do Douro vão ficar sob a alçada da Casa Ferreirinha, sendo o Vinha Grande o seu sucessor natural (embora, insisto, o ache inferior), os Reservas do Dão são substituídos pela gama da Quinta dos Carvalhais e os Reservas do Alentejo ficam naturalmente integrados na nova linha da Herdade do Peso. Os Reservas da Bairrada sempre foram mais escassos e actualmente a empresa apenas investe na marca Terra Franca e ainda há um garrafeira por aí.
É claro que esta nova gama, bastante alargada, teoricamente substitui com vantagem cada um dos vinhos referidos. No entanto, daqueles que já tive oportunidade de provar, nenhum tem o mesmo perfil dos Reservas. São novos e são mais, mas são diferentes, por isso vou sentir a falta daqueles.
Estando o nosso stock a chegar ao fim, os Comensais Dionisíacos reuniram-se à mesa a pretexto de um Benfica-Sporting para degustar os últimos exemplares do Douro 2001, Dão 2000 e Alentejo 2001.
Já aqui falámos do Douro 2001 e do Dão 2000 noutros posts. Mantiveram aquilo que se esperava e, na minha opinião (que não foi unânime), o Douro continuou a mostrar-se o melhor, com um bouquet profundo e exuberante a fruto maduro, grande elegância e boa estrutura na prova de boca.
O Dão continua com um perfil um pouco menos polido mas mesmo assim bastante redondo e adequado para pratos de carne requintados mas com alguma pujança.
Finalmente o Alentejo, com duas colheitas algo diferentes. O 2001 com bom corpo mas com o aroma algo discreto, talvez a colheita menos conseguida das que provámos. Esquecida estava a última garrafa de 2000, já consumida noutra ocasião, que confirmou a prova anterior: uma grande estrutura e aromas exuberantes, um vinho com tudo no sítio. A primeira vez que provei um destes Reservas, no fim-de-ano de 2003, foram duas garrafas de 1999 e a primeira sensação foi precisamente essa: um vinho com tudo no sítio certo. Pena que tenha tido uma vida tão curta.
Em comum entre estes vinhos está o facto de todos terem um estágio de um ano em madeira seguido de mais algum tempo em garrafa, no mínimo 6 meses. Daí resulta saírem para o mercado já com alguns anos de existência e com os aromas bem casados. Não nos vamos repetir nas apreciações feitas anteriormente, pelo que quem quiser ler mais considerandos pode encontrá-los nos posts indicados:
- Douro Sogrape Reserva 2001
- Douro Sogrape Reserva 2000
- Dão Sogrape Reserva 2000
- Dão Sogrape Reserva 99
- Bairrada Sogrape Garrafeira 99
- Alentejo Sogrape Reserva 2000
- Quatro Regiões 97 (1) e (2)
Para perpetuar a memória, guardei uma garrafa do último Dão e do último Alentejo como recordação do rótulo algo “sui generis”. E para contrariar o destino, ainda me deparei com umas garrafas do Douro Reserva 2002 no Jumbo e na Makro (deve ser mesmo a última colheita à venda), e tratei de abastecer a garrafeira antes que acabem. Assim ainda posso prolongar o prazer por mais algum tempo, bebendo-as com parcimónia e com a companhia adequada. E entretanto encontrei um restaurante com uns restos de colecção, mas não vou dizer qual é. Pode ser que ainda consiga ir lá gastá-las...
Kroniketas, enófilo saudoso
Produtor: Sogrape
Vinho: Douro Sogrape Reserva 2001 (T)
Região: Douro
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Último preço: 10,74 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Dão Sogrape Reserva 2000 (T)
Região: Dão
Grau alcoólico: 12,5%
Último preço: 9,89 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Alentejo Sogrape Reserva 2001 (T)
Região: Alentejo
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro
Último preço: 11,16 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Alentejo Sogrape Reserva 2000 (T)
Região: Alentejo
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro
Último preço: 8,19 €
Nota (0 a 10): 8,5
Publicada por
Krónikas Vinícolas
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22:42
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Etiquetas: Alentejo, Alfrocheiro, Aragonez, Carvalhais, Dao, Douro, Herdade Peso, Sogrape, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Tintos, Touriga Franca, Touriga Nacional
E vão três

Foi há 5 anos que nos lançámos nesta aventura de escrever num blog. Como em todos os novos amores, começámos cheios de força e entusiasmo, e os textos proliferavam a um ritmo frenético. Por vezes publicávamos vários posts por dia, e o dia-a-dia deste rectângulo tuga, principalmente nas suas vertentes mais… tugas, era alvo frequente de crítica.
O frenesim e a inspiração eram tantos que, para além dos dois escribas que começaram, outros se foram juntando ao leque à medida que começavam a surgir temas com alguma especificidade. O leque de assuntos foi sendo alargado até chegar à vertente gastronómica e vínica. Começámos a escrever algumas sugestões sobre vinhos, a falar sobre aqueles que íamos bebendo e gostando e a certa altura surgiu a ideia (quiçá peregrina, quiçá oportuna) de abrir uma nova secção no blog que se dedicasse especificamente a essa vertente, pois já começavam a aparecer posts em número suficiente para serem publicados autonomamente.
E foi assim que no dia do segundo aniversário das Krónikas Tugas abrimos um blog temático chamado Krónikas Vinícolas. Inicialmente com pouco destaque, quando começou a ser visitado por outros bloguistas dedicados ao mesmo tema (e depois de ter sido referenciado na Revista de Vinhos de Junho de 2006), e quando começámos a interagir com esses mesmos blogs, as visitas dispararam a tal ponto que a certa altura as KV passaram a ter o dobro da audiência diária das KT, não tardando que o blog-filho ultrapassasse o blog-pai em número total de visitas.
Tal como no início, a filosofia subjacente às Krónikas Vinícolas continuou a ser a mesma até hoje em que completa o 3º ano: total independência de tudo e de todos, dependendo apenas dos nossos gostos, das nossas ideias e das nossas convicções. O que escrevemos neste blog pode entrar em choque com outras opiniões, mas estas são as nossas e delas não abdicamos para ser politicamente correctos. Sabemos que podemos ir por vezes contra a corrente, mas como não devemos favores nem obrigações a ninguém não temos que nos subjugar aos gostos dominantes.
Também não temos a pretensão de dar lições a ninguém nem nos julgamos o supra-sumo de nada, assim como não pretendemos provar mais vinhos que os outros nem ufanarmo-nos de que provamos os que são considerados os melhores. Como não temos contactos com nenhum produtor nem temos acesso a vinhos grátis, tudo o que aqui provamos sai-nos do bolso, e não é pouco. Já gastamos demais em compras e mesmo assim não conseguimos abarcar tudo o que eventualmente gostaríamos. E muitas vezes há que fazer escolhas entre comprar mais e mais barato para poder provar uma maior variedade, ou gastar tudo em meia-dúzia de garrafas. E mesmo quando abrimos os cordões à bolsa para comprar vinhos caros, não nos sentimos obrigados a colocá-los nos píncaros da lua só porque isso pode parecer bem. A esse propósito lembro-me sempre de um post no “Os 5 às 8” (depois repetido no Nova crítica) a propósito do Barca Velha 95, em que Pedro Gomes dizia que há muito tempo acreditava na máxima que “os mitos também se abatem”, e terminava com 16,5 pontos...
O que pretendemos com este blog é, e sempre foi, apenas isso: ir vertendo na escrita as impressões que foram vertidas do copo. Não somos produtores, enólogos, distribuidores, revendedores, jornalistas nem escritores, não pretendemos editar livros, ministrar cursos nem ser críticos especializados. Somos apenas amantes da coisa: é isso que quer dizer “enófilo”. Não provamos, nem compramos, vinhos de propósito para os mostrar no blog; vamos é mostrando no blog a maior parte dos vinhos que nos passam pela mesa, e sempre que as impressões recolhidas o permitam. Por vezes juntamo-nos, provamos um ou vários vinhos de que gostamos e no fim não escrevemos sobre eles, porque estivemos mais atentos ao convívio do que propriamente às notas de prova. Em resumo, quando achamos que vale a pena escrever sobre um vinho, qualquer que ele seja, fazemo-lo: seja caro ou barato, muito bom ou muito mau (com toda a subjectividade que esta opinião contém). Por isso muitas vezes apresentamos provas de vinhos que alguns, dizendo-se entendidos, vêm para aqui verberar aproveitando para desdenhar das nossas opiniões, mas a esses simplesmente ignoramo-los porque não têm nada para nos ensinar a não ser um chorrilho de baboseiras.
Quanto aos nossos comparsas eno-bloguistas e a todos aqueles que connosco querem partilhar as suas provas, são sempre lidos com atenção e consideração e tentamos sempre aprender alguma coisa com as suas opiniões, mesmo que discordantes das nossas, pois é muitas vezes aí que podemos melhorar um bocadinho.
E agora, que venha mais um ano de boas provas. À vossa e à nossa.
Kroniketas, enófilo (algo) esclarecido e tuguinho, enófilo (pouco) esforçado
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
No meu copo, na minha mesa 219 - Dona Berta 2005; Restaurante Isaura


Parece mentira mas passaram 12 anos (!!!) desde a última visita a este restaurante de Lisboa, situado entre a Avenida Almirante Reis e a Praça de Londres. Não por nenhuma razão especial mas porque sempre que se falava em ir aqui acabava-se sempre por escolher outro. E como tínhamos memórias das visitas anteriores… Foi aqui que pela primeira vez provámos o Luís Pato Vinhas Velhas, foi aqui que em Fevereiro de 96 decidimos provar o Barca Velha de 83, foi aqui que assistimos a um fascinante ritual de decantação e serviço do vinho num carrinho com os copos e o decanter aquecidos e com uma vela por baixo. O que nós aprendemos desde essa altura...
Finalmente decidi-me a lá voltar. O famoso escanção Sr. Costa continua lá a brindar-nos com o seu desvelo pelo vinho, a garrafeira continua incomparável, a carta de vinhos é mais uma enciclopédia que uma carta. Para os amantes do vinho é indispensável fazer uma visita a este verdadeiro templo de Baco e deixar-se guiar pelos sábios conselhos do Sr. Costa.
Quanto à ementa, destaque para as carnes, com diversos tipos de bifes. Aqui a opção recaiu no bife à Isaura, com um molho especial e ovo a cavalo, acompanhado por batatas fritas e esparregado. Mal passado e muito tenro e suculento, irrepreensível.
No que respeita ao vinho, olhámos para as imensas prateleiras repletas de garrafas, vimos o preço na enorme carta e tentámos escolher um que não queimasse muito (felizmente no Isaura os preços do vinho, ao contrário da generalidade dos restaurantes portugueses, não são obscenos e pode-se escolher bons vinhos por preços relativamente acessíveis). Como apontámos para um vinho do Douro, o Sr. Costa interveio e sugeriu-nos o Dona Berta Reserva 2005, que disse que iria bem com os bifes. Assim se fez.
Aqui começou o ritual. Lá veio o carrinho de serviço com o decanter e os copos adequados, o vinho foi cuidadosamente vertido com a vela por baixo para ver se não escorre nenhum depósito do vinho e finalmente foi colocada uma pinga em cada copo, previamente agitado e cheirado pelo Sr. Costa antes de ser colocado na mesa para os comensais provarem. Serviço 5 estrelas!
Quanto ao vinho, prima mais pela suavidade que pela pujança e a exuberância frutada que marcam a tendência actual, e apresenta um grau alcoólico aceitável, o que é uma ilha no meio da corrente. Contudo pareceu-me algo curto na prova de boca, deixando a ideia que ganharia com mais alguma estrutura e persistência. Será adequado para pratos não muito carregados de temperos. É um vinho correcto e agradável, pronto a deixar-se beber, mas talvez um pouco linear. Pelo preço que custa espera-se um pouco mais.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Restaurante: Isaura
Avenida de Paris, 4-B
1000-228 Lisboa
Telef: 21.848.08.38
Nota (0 a 5): 4,5
Vinho: Dona Berta Reserva 2005 (T)
Região: Douro
Produtor: Hernâni Verdelho
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca, Tinto Cão
Preço no restaurante: 22 €
Nota (0 a 10): 7,5
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Krónikas Vinícolas
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00:45
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Etiquetas: Douro, Hernani Verdelho, Lisboa, Restaurantes, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Tinto Cao, Tintos, Touriga Franca, Touriga Nacional
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
No meu copo 218 - CR&F Colheita Seleccionada 2004
A Carvalho, Ribeiro & Ferreira tornou-se conhecida principalmente pelas suas aguardentes, tendo complementado com alguns vinhos a sua presença no mercado. Nos meus primeiros tempos de exploração vínica existiam à venda alguns vinhos da empresa no Douro, Dão e Bairrada. Lembro-me também de um branco seco das Beiras, de um Garrafeira sem denominação de origem nos anos 80 e 90 e, principalmente, de um Garrafeira de 1980 da Bairrada que fez as minhas delícias há uns 10 anos, de que ainda me restam 3 exemplares e de que um dia falarei.
Depois a marca desapareceu das prateleiras até que há 2 anos reapareceu com um vinho alentejano de 2004. Fiquei curioso e resolvi comprar um exemplar.
Tendo neste momento 4 anos, posso dizer que esperava mais. Parece-me que falta ali alguma estrutura e algum aroma. O grau alcoólico é elevado e dá algum desequilíbrio ao conjunto. Ou seja, não deixa grandes memórias.
Fico a aguardar o que se seguirá. Se é para manter uma produção regular ou apenas esporádica e em que termos. A marca e os activos da “Carvalho Ribeiro & Ferreira” foram comprados pela Cockburn's que ficou com as aguardentes e agora lançou este vinho no Alentejo. Agora há que esperar por próximos lançamentos.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: CR&F Colheita Seleccionada 2004 (T)
Região: Alentejo
Produtor: Cockburn Smithes & Cª
Grau alcoólico: 14%
Preço em feira de vinhos: 5,98 €
Nota (0 a 10): 6
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
No meu copo 217 - Montes Claros Reserva 2004
Eis que finalmente tive oportunidade de provar o vinho da polémica. Pontuado com 18 pela Blue Wine, foi alvo de variadas apreciações na blogosfera por parte dos comparsas eno-bloguistas. A maioria em sinal de discordância.
E o que posso eu dizer sobre o dito cujo? Para não repetir o que já foi dito no Copo de 3 e no Pingas no Copo, no Pingamor, no Vinho a Copo, no Vinho da Casa e n’Os vinhos, prefiro remeter para os posts escritos por eles e dizer que não me parece que o vinho justifique tamanha pontuação. Claro que a nota da Blue Wine é que trouxe o vinho para a ribalta e obrigou a que se falasse dele e fez com que muita gente o fosse provar, o que deve ter rendido uma boa maquia à Adega Cooperativa de Borba.
Medianamente encorpado, com boa persistência e aromas não muito exuberantes, bebe-se com agrado mas se o provarmos com a expectativa de valer 18 pontos vamos apanhar uma desilusão. Numa escala de 20 não lhe daria mais de 15. Assim dou-lhe 7,5 na minha escala de 10. E está tudo dito. Sim, é bom, mas não exageremos. Prefiro claramente o Reserva do rótulo de cortiça.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Montes Claros Reserva 2004 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Adega Coop. Borba
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Tinta Caiada
Preço em feira de vinhos: 5,77 €
Nota (0 a 10): 7,5
Outras provas:
Copo de 3: 16 (em 20)
Os Vinhos: 15,5/16 (em 20)
Pingamor: 16,5 (em 20)
Pingas no Copo: 15,5 (em 20)
Vinho a Copo: 2 (em 5)
Vinho da Casa: 17 (em 20)
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Krónikas Vinícolas
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00:34
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Etiquetas: AC Borba, Alentejo, Aragonez, Borba, Cabernet Sauvignon, Tinta Caiada, Tintos, Trincadeira
sábado, 29 de novembro de 2008
Semana gastronómica da caça no Alentejo
No Portal do caçador podem ver mais detalhes e consultar a lista de restaurantes participantes e respectivas ementas. É de fazer crescer água na boca.
Kroniketas, caçador só no prato
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Krónikas Vinícolas
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18:10
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Etiquetas: Baixo Alentejo, Encontros
No meu copo, na minha mesa 216 - Frei João 2003; Vasku’s Grill

Como estava acompanhado do núcleo familiar e praticamente só eu é que ia beber vinho, escolhi um dos mais baratos e a opção recaiu no Frei João, colheita de 2003, que sempre se porta muito bem com este prato. Desta forma pude também rever um dos meus vinhos preferidos na gama de entrada, que nunca me desiludiu.
Esta colheita mantém mais ou menos o perfil habitual, bem encorpado e com alguma robustez mas sem exagero. Macio quanto baste e com os taninos arredondados para ser bebível com relativa facilidade (os não apreciadores dos vinhos da Bairrada acham-no sempre áspero), está um pouco mais modernizado sem deixar de ter a marca dum bairradino clássico. Apresenta cor granada, algumas notas de frutos secos bem ligados com madeira muito discreta. Continua a agradar-me muito e a entrar na minha lista dos recomendáveis e, francamente, sempre achei que ele vale bem mais do que aquilo que o preço indica. Quem disse que um vinho barato não pode ser bom?
Quanto ao Vasku’s, mantém o nível de sempre. A qualidade do serviço tem sido apurada e o serviço de vinhos também. Vale a pena lá voltar para comer o fondue ou um dos muitos bifes de alcatra, lombo ou vazia.
Kroniketas, enófilo carnívoro
Restaurante: Vasku’s Grill
Rua Passos Manuel, 30
Telef.: 21.352.22.93
1150-260 Lisboa
Preço por refeição: 20 a 25 €
Nota (0 a 5): 4,5
Vinho: Frei João 2003 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13%
Castas: Baga, Touriga Nacional, Camarate
Preço em feira de vinhos: 1,99 €
Nota (0 a 10): 7,5
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Krónikas Vinícolas
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00:55
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Etiquetas: Baga, Bairrada, Camarate, Caves S Joao, Lisboa, Restaurantes, Tintos, Touriga Nacional









