No final ainda conseguimos de lá sair mais ou menos lúcidos e com grande expectativa para o jantar Niepoort que se vai realizar no próximo dia 16. Este foi um bom aperitivo.
Kroniketas, enófilo expectante
O blog onde os néctares de Baco nunca se entornam
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Etiquetas: Niepoort, Wine O'Clock
Num sábado destes, quatro dos Comensais Dionisíacos – Kroniketas, tuguinho, Mancha e Politikos – rumaram à Anadia para visitar a Quinta do Encontro. O Mancha tinha um convite e o encontro foi prévia e convenientemente agendado para meio da tarde, a fim de antes os comensais poderem fazer jus ao título. Após recolha dos convivas, a partida de Lisboa aconteceu pelas 11h00. O carro era confortável e veloz e a auto-estrada venceu-se em menos de nada. Por volta das 13h30 estávamos já refastelados no Pedro dos Leitões, na Mealhada, frente a uma travessa com pedaços dos mesmos, acompanhada de batata frita e salada. A refeição foi regada primeiro com um espumante branco a que logo se seguiu, por sugestão da casa, um espumante tinto da região. O dia estava quente, aquele néctar fresco é guloso e o leitão pedia. O bicho estava no ponto, com a pele estaladiça, como convém. O serviço também foi competente, com alguma proximidade mas sem nunca ser intrusivo. Dois dos convivas ainda se bateram com duas sobremesas sem história, outro com uma aguardente velha e o restante ficou a zeros. Todos alinharam nos cafés.
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Etiquetas: Bairrada, Qta Encontro, Viagens
Outro clássico do Dão, que também anda algo perdido. Vem dos primeiros tempos da Sogrape na região, com o nome Vinícola do Vale do Dão, ainda antes do projecto da Quinta dos Carvalhais. Na minha fase de descoberta provei muitas colheitas da década de 80 e 90 a par com os primeiros Reservas Sogrape.
Esta garrafa magnum foi encontrada na Makro e tentei reencontrar nela memórias de outros tempos. Também já tivemos outras provas magníficas com garrafas magnum dos anos 70. Tivemos oportunidade de fazer algumas provas de confronto com o Reserva Sogrape e este Dão Pipas mostrou-se sempre um pouco mais macio que o Reserva. Este magnum de 96 mostrou-se ainda em boa forma, com um bouquet bastante pronunciado, bom corpo e boa persistência mas sempre marcado pela elegância. Vai-se espraiando no copo ao longo do tempo mas, dada a idade, já não sobe mais alto por muito tempo.
Ainda andam por aí umas garrafas de 99 mas começam também a reaparecer colheitas mais recentes, pelo que será também uma marca a revisitar proximamente.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Dão Pipas 96 (T) (garrafa magnum)
Região: Dão
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em hipermercado: 16,49 €
Nota (0 a 10): 8
Este é um clássico do Dão que há muito tempo eu não bebia. As Caves São João andaram numa espécie de hibernação durante alguns anos, com alguns dos seus produtos mais emblemáticos, como Caves São João Reserva, Frei João Reserva e Porta dos Cavaleiros Reserva, a desaparecerem das prateleiras. Em tempos mais ou menos distantes, alguns destes vinhos, como uma garrafa magnum de Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada de 1975, proporcionaram-nos magníficos momentos de convívio e de prova.
No penúltimo “Encontro com o vinho e sabores”, em 2007, falei com alguém no stand das Caves São João, onde voltaram a aparecer alguns dos produtos habituais e onde me foi dito que estava a ser criado um novo fôlego para o relançamento das marcas da casa. E ultimamente eles voltaram a aparecer, pelo que aproveitei para revisitar o Porta dos Cavaleiros Reserva.
Devo dizer que me decepcionou um pouco. Talvez não o tenha apreciado devidamente ou preparado a prova nas melhores condições, mas achei-o um pouco curto e algo discreto de aromas. Mas como agora já está no mercado a colheita de 2005 dentro em breve vou aproveitar para voltar à carga e refazer a prova com todo o cuidado. Não fiquei convencido com esta prova.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Porta dos Cavaleiros Reserva 2002 (T)
Região: Dão
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em feira de vinhos: 4,95 €
Nota (0 a 10): 7
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Etiquetas: Caves S Joao, Dao, Tintos
O Vale dos Vinhedos é uma pequena região de 82 quilómetros quadrados situada no estado brasileiro do Rio Grande do Sul, a cerca de 130 km de Porto Alegre, na zona de serra. Daí veio esta garrafa pela mão de alguém ligado à família. Uma garrafa pesada, mais que o habitual (mais de 1 kg) e com um vinho surpreendente lá dentro. Nunca tinha bebido um vinho do Brasil e foi uma completa revelação.
Sabendo-se como costumam ser os vinhos de Merlot, marcados essencialmente pela suavidade, a maior surpresa foi encontrar neste Miolo Terroir uma estrutura, um corpo e grande persistência a fazer lembrar outras castas que costumam conferir aos vinhos maior robustez. Claro que as características habituais da casta não deixaram de estar lá, mas este vinho pareceu dar uma nova faceta ao Merlot. Pareceu ser um vinho ao estilo do velho mundo, talvez pela latitude a que é produzido (cerca de 29º Sul), já bem afastada do trópico e com um clima atlântico.
Ficou a curiosidade para ver como serão outros vinhos do Brasil, nomeadamente os do tão badalado paralelo 8. Aguardamos a oportunidade.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Miolo Terroir, Merlot 2005 (T)
Região: Vale dos Vinhedos (Brasil)
Produtor: Vinícola Miolo
Grau alcoólico: 14%
Casta: Merlot
Nota (0 a 10): 8,5
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Etiquetas: Borges, Douro, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Tintos, Touriga Franca, Touriga Nacional
Este vinho foi escolhido numa ida a Sintra após uma prova no Hotel da Penha Longa. Num restaurante local onde um dos convivas é cliente habitual, para uma refeição despretensiosa, ao olhar para a carta de vinhos deparei com um nome que há mais de 10 anos foi, durante algum tempo, presença frequente à mesa das nossas refeições: António Bernardino Paulo da Silva, produtor da região de Colares (em Azenhas do Mar, para ser mais preciso) que actualmente assina o Colares Chitas. Mas nessa altura descobrimos por acaso, num restaurante entretanto desaparecido (Adivinha quem vem jantar, em Alcântara), um vinho chamado simplesmente Paulo da Silva, com o rótulo gravado no próprio vidro da garrafa. Ficámos encantados e durante uns 5 anos sempre que podíamos comprávamos e bebíamos os vinhos deste produtor. Entretanto descobrimos outra marca, Colecção Privada, e num restaurante do Bairro Alto descobrimos um chamado Beira-Mar.
Pois agora vi um vinho chamado Ribamar e, com algum receio e alguma renitência dos outros comensais, resolvi pedi-lo. Era um garrafeira de 96 cujo estado suscitou algumas dúvidas, mas lá se experimentou.
Não se mostrou já de perfeita saúde mas ainda se conseguiram encontrar ali alguns aromas frutados, algum corpo, uma certa persistência e um resto de estrutura que em tempos terá tido. Depois de decantado ainda se libertou de um certo cheiro a mofo e conseguiu apresentar-se com os aromas mais limpos. No fundo, foi uma prova mais para matar saudades. Agora teremos de nos virar para o Colares Chitas que ainda anda por aí.
Kroniketas, enófilo saudoso
Vinho: Ribamar Garrafeira 96 (T)
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 12,5%
Preço no restaurante: 12,50 €
Nota (0 a 10): 6
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Etiquetas: Colares, Estremadura, Paulo da Silva, Tintos
Uma surtida com o tuguinho e o Politikos levou-nos aos Arcos, já um lugar obrigatório pela excelência do serviço e da culinária, para repetir o saboroso robalo no capote e o bife Wellington, desta vez complementados com um delicioso e suculento bife pimenta. Tal como nas visitas anteriores, 5 estrelas.
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Etiquetas: Borges, Brancos, Dao, Ribeira Varzea, Terras Sado, Tintos, Touriga Nacional, Verdelho, Viosinho

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Etiquetas: Grahams, LBV, Ramos Pinto, Vinho do Porto

Como habitualmente por esta época, começam a surgir as oportunidades a pedir
vinhos frescos que substituam os habituais tintos das grandes comezainas. Este rosé foi adquirido o ano passado com a Revista de Vinhos de Julho.
À semelhança do rosé feito de Touriga Nacional da Quinta da Alorna, que me encheu as medidas, este Grand’Arte apresenta um aroma frutado com predominância a morangos e framboesas, complementado com algum floral típico da casta.
Com um grau alcoólico moderado que se saúda neste tempo a caminhar para o quente, o que o torna mais apelativo, apresenta-se muito equilibrado nas suas componentes e muito fresco na prova. Uma boa companhia para dias de verão ou para entradas ou refeições leves. Muito agradável.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Grand’Arte, Touriga Nacional 2007 (R)
Região: Estremadura
Produtor: DFJ Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Casta: Touriga Nacional
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7,5
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Etiquetas: DFJ, Estremadura, Rosé, Touriga Nacional
Continuando no registo dos Portos, temos aqui outro Vintage que fez sucesso entre os degustantes cá do grupo. Com um perfil completamente diferente do Taylor’s Vargellas referido no post anterior, e também com mais idade, este Graham’s é marcado pela suavidade e elegância, sem deixar de mostrar alguma robustez.
Na prova apresenta uma predominância a frutos secos com um final longo e marcado por um toque amendoado. É um Vintage em plena maturidade que parece ter entrado num patamar estável de evolução, que dá uma prova muito agradável. Não é fácil encontrá-lo nem é barato, mas pelo prazer que dá é uma aposta inteiramente ganha e que merece uma abertura dos cordões à bolsa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Porto Graham’s Vintage 94
Região: Douro/Porto
Produtor: Graham’s Port
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: 55,80 €
Nota (0 a 10): 9
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Etiquetas: Grahams, Vinho do Porto, Vintage
No meu copo 238 - Hexagon 2000; Cartuxa 2006; Porto Taylor’s Vargellas Vintage 2005

Os Comensais Dionisíacos, braço político gastro-etilista que integra os escribas das KV, além dos repastos “oficiais” entre membros celebra também refeições não menos bem regadas, mas mais alargadas em termos de mastigantes, sendo estes supranumerários geralmente os familiares mais próximos.
Sendo caçador um dos associados, é normal que por vezes nestas refeições intervenham como mastigados espécimes das nobres raças abatidas pelo dito cujo ou pelo grupo de caçadores a que se junta na função, geralmente perdizes, lebres ou javalis. Fomos portanto reunidos em casa do Kroniketas (que não é o membro caçador – é mais deglutidor) para degustar um grupo de perdizes incautas, cozinhadas pela consorte do caçador de formas simples mas saborosas: umas com um molho à base de natas e whisky com cogumelos, outras envolvidas em couve lombarda acolitada por tirinhas de bacon.
Outro objectivo que se mantém nestes repastos alargados é acompanhá-los de bons néctares – também conhecido no meio como “desbaste da garrafeira”! Para este em particular escolheram-se, além de alguns brancos sortidos e fresquinhos – provenientes da sempre bem recheada garrafeira do anfitrião (Alvor 2007, Quinta de Camarate branco seco 2007, Murganheira 2007) – para acompanharem as entradas, um Esporão Reserva de 2006, um Hexagon de 2000 em formato magnum (o tal vinho das 6 castas e 6 gerações) e um Cartuxa de 2006 que apareceu à última hora pela mão de um dos convivas. Para as sobremesas abriu-se um Porto Taylor’s Vargellas Vintage de 2005.
Coleccionando as reacções dos presentes, poderá dizer-se que o Esporão Reserva, após a recente experiência, re-deslumbrou, depois de uma travessia do deserto em algumas colheitas anteriores, com o Alicante Bouschet a dar-lhe um toque muito especial. Definitivamente um regressado aos mais altos lugares da nossa consideração vínica. O Hexagon, completamente diferente do anterior, mostrou-se um vinho de alto gabarito, com um perfil austero, ainda mais depois da festa que o Esporão tinha provocado no nariz e na boca dos beberrões, mas com uma estrutura extraordinária e a deixar-nos desconfiados de que ainda havia por ali muita coisa escondida. Comprem e bebam, porque é assim que um vinho excelente deve ser (uma das maneiras de o ser, como é óbvio). (Mete aqui a colherada o Kroniketas para ser mais generoso mas sucinto nos encómios. Só uma palavra: extraordinário!).
Ficou o Cartuxa para o final – uma ou outra ordem teria sempre justificação ou recusa – e não se deixou diminuir perante os outros dois. Sendo mais novo que o Hexagon e da mesma colheita que o Esporão, justificou-se plenamente a vivacidade exuberante, mostrando-se mais corpulento, mais fechado e mais robusto que o seu compadre alentejano, disse bem alto que estava ali para lutar: um vinho excelente que seria o centro das atenções se estivesse só. Teve um pouco de azar com os competidores.
Enfim, para não vos causar mais inveja, direi que, embora pessoalmente prefira os Vintage com um perfil como o utilizado pela Ramos Pinto, o Porto Vintage Vargellas cumpriu em pleno. Um festival de aromas a frutos vermelhos, de grande exuberância na boca e no nariz, pleno de vigor e juventude, a mostrar que está ali pronto para altos voos e longa vida na garrafa. O nosso único problema é comprá-lo e esperar uns 10 ou 20 anos até voltar a prová-lo. A verdade é que nem os morangos, nem a mousse de chocolate ou o bolo rançoso se queixaram.
Em resumo, um repasto que se pautou pela delícia gastronómica e pela excelência vínica. Para recordar.
tuguinho, enófilo impenitente e bloguista intermitente
Vinho: Hexagon 2000 (T) (garrafa magnum)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Syrah e Tannat
Preço em supermercado: 53,89 €
Nota (0 a 10): 9,5
Vinho: Cartuxa 2006 (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alfrocheiro, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 13,95 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Porto Taylor’s Vargellas Vintage 2005
Região: Douro/Porto
Produtor: Taylor’s
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: 33,48 €
Nota (0 a 10): 9
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Etiquetas: Alentejo, Alfrocheiro, Alicante Bouschet, Aragonez, Cartuxa, Evora, JM Fonseca, Syrah, Tannat, Taylor's, Terras Sado, Tinto Cao, Tintos, Touriga Franca, Touriga Nacional, Trincadeira, Vinho do Porto, Vintage

A caminho de Vila Viçosa para o Vinum Callipole, parei em Arraiolos para almoçar com a família que me acompanhou. Não levei qualquer referência prévia, pelo que fui à mercê do que encontrasse. Em tempos tinham-me falado num restaurante mas não me lembrava do nome.
Chegado ao centro da vila fui seguindo as placas que indicavam restaurantes, até que num cruzamento havia uma para cada lado. Segui pela da esquerda e encontrei o Alpendre, com a indicação de “restaurante típico” e “cozinha regional” na porta. Depois de espreitada a ementa e trocadas algumas impressões, resolvemos entrar.
Deparámos com um espaço decorado com bastantes referências à tourada e utensílios ligados à agricultura, mas desde logo se percebeu que estávamos num local de gabarito. Pela montra de sobremesas e entradas (uma enorme panóplia de doces conventuais), pela garrafeira recheada de grandes marcas do Alentejo (grande parte dos mais conceituados estavam expostos e até o Barca Velha e o Vale Meão marcavam presença), pela decoração das mesas, pela roupa dos empregados.
Franqueada a porta sentámo-nos a uma mesa bastante provida de entradas, em que acabámos por praticamente não tocar, pois isso iria retirar o espaço para a refeição propriamente dita, e resolvemos desde logo passar aos pratos fortes. E que pratos: migas de espargos com carne do alguidar e presas de porco preto com esparregado.
Ambos os pratos excelentes, com a carne do alguidar tenríssima e as presas extremamente saborosas, tudo acolitado com bons acompanhamentos.
Para as sobremesas, o problema foi escolher, tantas eram as opções. A escolha recaiu num leite-creme e numas migas de ganhões, que eram assim uma espécie de doce de ovos a meio caminho entre a sopa dourada e a barriga de freira. Ambos muito bons.
Serviço excelente, rápido, eficiente, preços não muito exagerados, bom ambiente, em suma, mais um espaço gastronómico de grande qualidade no coração do Alentejo.
Como o resto do dia ia ser dedicado às provas, o almoço foi acompanhado apenas por meia garrafa de Comenda Grande, um produtor ali da zona, que cumpriu razoavelmente a função mas sem razão para grandes encómios. O mais importante ficou para depois.
Kroniketas, gastrónomo em trânsito
Restaurante: O Alpendre
Bairro Serpa Pinto, 22
7040-014 Arraiolos
Telef: 266.419.024
Preço aproximado por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 4,5
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Etiquetas: Alto Alentejo, Restaurantes
À terceira consegui comparecer neste evento organizado pelo Copo de 3 e que decorreu no passado dia 2 em Vila Viçosa. Tive oportunidade de provar os vinhos das Altas Quintas, Granacer (Tapada do Barão), Sociedade Agrícola Vale de Joana (Grou), Gravato, Quinta do Zambujeiro e Casal Figueira. Notadas foram as ausências da Herdade das Servas e da Herdade do Portocarro.
Para o fim ainda houve a possibilidade de degustar mais em recato quatro vinhos velhos: Bairrada Real Vinícola 82, J. P. 88, Portalegre 95 e um Gaeiras já mais morto que vivo. Em grande forma mostrou-se o Portalegre e o Bairrada era daqueles à moda antiga, quase eternos.
Notas de prova? Procurem-nas talvez no Copo de 3 ou no Pingamor, que levou um caderninho de apontamentos. Eu, pessoalmente, já deixei há muito tempo de tentar fazer notas de prova neste tipo de eventos. Prova-se muito em pouco tempo mas não se tem… tempo para apreciar o vinho devidamente, por isso não gosto de formar uma opinião muito elaborada. Fica-se com uma ideia para mais tarde se ter alguma orientação do que poderá interessar.
Apesar da curta permanência, gostei desta participação. Deu para conversar com calma com os produtores presentes, principalmente na mesa das Altas Quintas onde para além dos 7 vinhos provados o produtor João Lourenço estava acompanhado pelo director de vendas, João Cancella de Abreu, primo do conhecido enólogo Nuno Cancella de Abreu. Conversa puxa conversa e quase dava para passar ali toda a tarde. Numa próxima oportunidade tentarei certamente fazer uma estada mais prolongada, não para beber mais mas principalmente para conversar com os outros convivas.
O meu obrigado ao Copo de 3 e, quem sabe, até para o ano.
De caminho ainda tive oportunidade de almoçar em Arraiolos, no restaurante O Alpendre, de que darei conta em próximo post.
Kroniketas, enófilo em trânsito
Após um período mais ou menos sabático e mais ou menos prolongado, vejo-me impelido a voltar às lides por força dum vinho que me marcou. Falo da colheita 2006 do Esporão Reserva, um ícone do Alentejo, um clássico, um daqueles vinhos que considero incontornáveis. Ainda na minha fase inicial de descoberta, o Esporão era um dos vinhos mais em voga e um que me fez despertar para este mundo. Ficaram-me na memória mais recôndita os aromas frutados que de vez em quando recordo de forma difusa sem saber muito bem onde os encontrava.
Nos últimos anos, tal como acontece com outros vinhos, andei um pouco afastado deste produto. Pareceu-me que a qualidade estava a decair um pouco e que o vinho se estava, de certa forma, a vulgarizar. Comecei a dar preferência aos monocasta e principalmente ao excelente Quatro Castas, que nos últimos anos me pareceu ser claramente melhor que o emblema da casa.
Mas um dia teria de regressar às origens. Foi este mês, por ocasião duma efeméride familiar, comemorada com uma incursão ao Vasku's (outro regresso recorrente às origens) para comer o inigualável fondue do lombo. Olhando para a carta de vinhos e tentando encontrar algo a meio caminho entre o bom e o não muito caro, detive-me na extensa lista de vinhos alentejanos, quase todos entre os 20 e os 30 €. Lá no topo o Esporão constava a 33 €. Pensei “há tanto tempo que não o bebo, e hoje é dia de festa...”. E assim veio para a mesa uma garrafa do dito Reserva 2006, previamente decantado.
Em boa hora o escolhi. Só vos posso dizer que fiquei de novo rendido, perfeitamente encantado com este vinho. Estava lá tudo o que eu tinha nas profundezas da memória. Um vinho extremamente equilibrado em todas as suas componentes: corpo, profundidade aromática com fruto maduro bem evidente mas sem excessos, acidez, macieza, madeira, taninos, persistência e complexidade muito suave, tudo no ponto certo. E os 14,5% de álcool perfeitamente disfarçados pela envolvência do vinho, como é timbre da casa. Um vinho que apetece ir bebendo sempre mais e que não cansa nem enjoa, que se deseja que não acabe. De tal forma que não demorei a adquirir uma garrafa que poucos dias depois foi aberta à mesa com o tuguinho e o Politikos. A opinião foi coincidente entre os três: não conseguimos encontrar nada de menos bom neste vinho. É um regresso em grande e, claro, é para comprar mais e deixar na garrafeira. E um dia destes vou fazer a comparação com o Quatro Castas para tirar as teimas.
Kroniketas, enófilo regressado
Vinho: Esporão Reserva 2006 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em hipermercado: 15,98 €
Nota (0 a 10): 9
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Etiquetas: Alentejo, Alicante Bouschet, Aragonez, Cabernet Sauvignon, Esporao, Reguengos, Tintos, Trincadeira
O número de Março da Revista de Vinhos traz um painel de prova de vinhos tintos com preços situados em média entre os 7 e os 10 euros. São 53 vinhos com pontuações entre os 15 e os 17 valores e uma maioria nos 16, o que é uma bela classificação.
Segundo os autores João Paulo Martins e João Afonso estamos perante um conjunto de vinhos de elevada qualidade e ainda segundo o editorial do director Luís Lopes trata-se de vinhos que estão cada vez melhores e que são tão bons como eram os “primeiros vinhos” há seis ou sete anos. E Luís Lopes realça que em muitos casos os “segundos vinhos” obtêm classificações apenas um ponto ou meio ponto abaixo dos “primeiros vinhos”. E fica a questão: vale a pena, muitas vezes, pagar 3 ou 4 vezes mais pelo “primeiro vinho” por um acréscimo de qualidade às vezes pouco relevante?
Esta questão prende-se com a que levantei nos posts anteriores a propósito das últimas provas. Há vinhos caros preço me levanta muitas dúvidas em relação ao seu real valor. E já tive oportunidade de referir que é muitas vezes neste patamar dos 10 euros que tenho encontrado excelentes relações preço/qualidade, com muito bons vinhos a preços não muito picantes. Só para citar alguns exemplos deste painel, o Casa de Santar Reserva, o Cabriz Reserva, o Herdade do Peso, o Cortes de Cima, o Vinha Grande ou o Vinha da Defesa são vinhos que me parecem merecedores de toda a atenção e que não deixam ninguém ficar mal quando os serve.
Claro que há sempre algumas tendências de snobismo ou novo-riquismo que acham que vinhos destes são apenas medianos, honestos ou bem feitos, e para quem o caro é sempre bom e o bom tem que ser sempre caro. A minha opinião é completamente diferente e, a julgar por estes artigos, não estou sozinho.
Kroniketas, enófilo mais ou menos poupado

Ainda acerca do tema do último post (já lá vão 3 longas semanas, mas outros afazeres às vezes tiram-nos o tempo e a disposição), não resisto a voltar à carga, porque entretanto tive o azar de me cruzar com mais dois vinhos em más condições.
Uma garrafa de José de Sousa Mayor de 2001, que recebi via Revista de Vinhos e acerca do qual alimentava uma grande expectativa, apresentou sinais evidentes de declínio, com os aromas a morrerem. Pior aconteceu com um Bairrada Messias Garrafeira de 1990, adquirido no Corte Inglês por 13 euros, e que se apresentou completamente passado. Não havia hipótese e lá se foram mais uns euros pelo cano. Assim não.
No espaço de 3 meses apanhei 3 garrafas de vinho em más condições, uma ainda bebível mas em queda e duas imbebíveis. Insisto no mesmo: o que se poderá fazer perante situações destas? Levar a garrafa aberta à loja e pedir para trocar ou receber o dinheiro de volta? Como é que o consumidor se pode defender de vinhos vendidos em más condições?
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Etiquetas: Comercializacao
As últimas provas apresentadas suscitaram-me um conjunto de reflexões acerca da comercialização do vinho e dos preços praticados, que muitas vezes estão bastante inflacionados nos locais de venda. Um exemplo claro do que afirmo é o Casa de Alegrete, aqui amplamente referido durante o tempo que passei em Portalegre, e que tive oportunidade de adquirir ao produtor por 7 € a garrafa.
Na última feira de vinhos do Jumbo este vinho apareceu à venda a cerca de 10 €, mas no dia seguinte ao fim da feira passou para 16 €, como ainda se encontra. Assim se vê onde chega a especulação!
Mas para além do exagero nalguns preços praticados, outra questão relevante é em que condições os vinhos são armazenados nas lojas. Se é verdade que cada vez mais existe a preocupação de manter os vinhos em ambiente climatizado a temperaturas relativamente baixas que não acelerem o envelhecimento do líquido, não é menos verdade que também nos deparamos com muitos locais em que os vinhos estão expostos em condições altamente discutíveis. Desde a incidência directa dos focos de luz até salas que mais parecem sauna, há de tudo.
A garrafa de Caladessa, que adquiri numa loja gourmet do Centro Comercial Fonte Nova, em Benfica, estava seguramente a mais de 20 ºC no momento da compra. Aliás, tive oportunidade de referir à pessoa que estava na loja o meu desagrado pela excessiva temperatura ambiente, bem acima dos 20 ºC. Também já me aconteceu, numa noite de Verão, entrar numa garrafeira em Alvor e estar mais calor lá dentro do que na rua, de tal forma que quase se transpirava. E estávamos de manga curta...
No final do ano passado, por ocasião do meu aniversário, foi-me oferecida uma garrafa de litro e meio de Vinha Grande de 1997. Pois bem, no último fim-de-semana resolvi abri-la, precisamente no aniversário de quem ma tinha oferecido. Aconteceu que o vinho estava turvo.
Decantei-o, deixei-o repousar, provei-o, mirei e remirei o copo na esperança que com o tempo o turvo desaparecesse. Em vão, naturalmente. Aquele vinho não estava próprio para consumo. O que se pergunta é: como é que um vinho destes é colocado à venda nestas condições? Não é crível que se tenha deteriorado desta forma nos dois meses após a compra, pelo que é provável que já estivesse à venda assim. Eu vi-o em vários locais por altura do Natal e fim-de-ano, dentro duma embalagem toda catita como é hábito nessa quadra. Mas não deveria haver um controlo do produtor sobre o estado do produto antes de o enviar para as prateleiras? Sim, porque depois de aberta a garrafa não se imagina que alguém volte ao local da compra a pedir o dinheiro de volta. Mas devia haver uma forma de responsabilizar os produtores pelo estado em que os vinhos chegam ao consumidor.
De qualquer modo, este assunto ainda vai chegar ao conhecimento da Sogrape. Como maior empresa do sector não pode, nem deve, permitir que situações destas aconteçam.
Kroniketas, enófilo enganado
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Etiquetas: Comercializacao, Preços
Volto a este tema por causa do editorial de Luís Lopes na Revista de Vinhos de Janeiro, a propósito duma prova de vinhos efectuada pela Proteste, revista da DECO.
Diz Luís Lopes que aquela publicação “quando fala de vinhos, em vez de informar, desinforma e induz em erro os consumidores. A Proteste avalia vinhos como avalia máquinas de lavar roupa, ou seja em função do seu desempenho em “banco de ensaios” e da medição de parâmetros como o álcool, acidez total, açúcar, dióxido de enxofre e ácido sórbico. É um pouco como avaliar a qualidade de uma pintura em função da tinta utilizada.
Mais adiante, acerca da prova de vinhos tintos da Bairrada que foi “a gota de água que fez transbordar o copo”, Luís Lopes diz que “a revista começa por indicar ao leitor que entre os chamados VQPRD, o tinto da Bairrada está entre os mais consumidos. Acho que só esta pérola reflecte o grau de conhecimento do mercado de quem escreve a peça”.
E para terminar o explanar da sua indignação, refere que “o que fundamentalmente me choca é o pressuposto que está na base da conclusão final: já que o vinho mais barato custa 1,49 € e é melhor que o mais caro que custa 27 €, então pode comprar 18 garrafas do mais barato pelo preço do mais caro”. (!!!)
De facto, eu também tive, em tempos, oportunidade de ler algumas provas de vinhos feitos na Proteste e nunca percebi muito bem qual era o critério de avaliação. Se um automóvel pode ser medido em termos de performance, consumo, segurança, número de avarias, etc., utilizar critérios semelhantes para uma bebida como esta (em que ainda por cima está em causa uma avaliação tão subjectiva que depende do gosto de cada um) é uma verdadeira aberração. Ainda por cima com critérios aritméticos para aconselhar a compra...
É um facto, como referimos nos posts anteriores, que nem sempre achamos que o vinho merece o que pagámos por ele. Mas se isso se aplica a vinhos caros, por maioria de razão se aplicará, ainda com mais premência, aos mais baratos, porque nalguns casos até 1,49 € poderá ser caro. É verdade que às vezes me choca a facilidade com que se fala de preços a tender para o exorbitante ou se diz, como já li noutro blog, que o preço de uma refeição não interessa (como se pagar 100 euros por uma refeição fosse vulgar e despiciendo). Às vezes fico com a sensação de que, além de corrermos o risco de beber rótulos, também há quem ande a beber preços e compre só porque sendo caro parece bem e sendo caro tem que se dizer que é óptimo.
Mas não é menos verdade que há quem ache que só vale a pena comprar vinhos abaixo dos 3 ou 4 €. Claro que comprar caro pesa no bolso e é para quem pode fazê-lo, mas quem quer ser apreciador e abrir os horizontes a outro nível se subir um patamar nota logo a diferença, e a partir daí cada vez será mais difícil encontrar um vinho a menos de 3 € que ache minimamente satisfatório. Há vinhos bons e caros, há bons e baratos e depois há os baratos que de bons não têm nada, e acabam por se tornar caros de tão imbebíveis que são.
Neste aspecto, os senhores da Proteste deviam, realmente, fazer um curso de prova acelerado para que começassem a avaliar os vinhos de forma que faça sentido, e não os misturem com máquinas de lavar, torradeiras ou secadores de cabelo.
Kroniketas, enófilo às vezes um pouco gastador
Caladessa 2003; Herdade das Servas, Touriga Nacional 2003; Mouchão 2003

Falemos então um pouco dos vinhos que motivaram os dois posts anteriores. Estes três vinhos foram servidos com todos os cuidados, para que nada pudesse influenciar negativamente a prova. Tinham em comum vários factores: eram todos do Alentejo, todos de 2003, todos com 14,5% de álcool. Feito o balanço não se pode dizer, de forma alguma, que não são bons vinhos, mas voltamos ao mesmo: esperávamos efectivamente um pouco mais de cada um deles.
O primeiro a ser provado foi o Mouchão, o tal que o tuguinho achou que talvez não valesse a pena comprar pelo preço que custava. Apresentou-se de cor muito concentrada, encorpado e robusto mas ao mesmo tempo elegante. Inicialmente os aromas apresentaram-se fechados, evoluindo para algumas notas de compotas. Ficámos sem perceber se ainda evoluirá positivamente em garrafa ou se já chegou até onde é possível chegar. Pelo que custou, esperávamos algo mais, nomeadamente uma maior persistência na boca. Resumindo, caro para o que mostrou.
O Caladessa e o Herdade das Servas Touriga Nacional foram provados em conjunto. Arrefecidos até à temperatura adequada, abertos e vertidos para os copos com alguma antecipação, fomo-los deixando evoluir para ver como se comportavam.
O Herdade das Servas Touriga Nacional passou por várias fases ao longo da prova. Começou por apresentar um ligeiro gasoso e alguma aspereza. Só depois começou a libertar aromas e a amaciar, mas apresentou-se sempre algo linear. Ficámos com a impressão de faltar ali qualquer coisa adicional para lhe dar outro brilho. Até pode ter sido daquela garrafa específica, mas esteve longe de encantar.
O Caladessa mostrou uma estrutura mais firme (íamos chamar-lhe sólida, mas era capaz de soar mal chamar isso a um líquido...), boa persistência e uma complexidade que se foi desenvolvendo ao longo da refeição, depois duma primeira impressão discreta no nariz. Mostrou que estava ali para durar. Foi talvez o mais equilibrado dos três e aquele que melhor justificou o preço. Mas no conjunto, foi muito dinheiro para o prazer obtido.
tuguinho e Kroniketas, enófilos descapitalizados
Vinho: Caladessa 2003 (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Herdade da Calada
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Alfrocheiro, Touriga Nacional
Preço em garrafeira: 22,55 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Herdade das Servas, Touriga Nacional 2003 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Herdade das Servas
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 16,85 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Mouchão 2003 (T)
Região: Alentejo (Sousel)
Produtor: Vinhos da Cavaca Dourada - Herdade do Mouchão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Trincadeira
Preço em hipermercado: 28,99 €
Nota (0 a 10): 8
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Krónikas Vinícolas
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00:23
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Etiquetas: Alentejo, Alfrocheiro, Alicante Bouschet, Borba, Cavaca, Estremoz, Evora, Herdade Calada, Servas, Tintos, Touriga Nacional, Trincadeira
Recentemente tivemos oportunidade de provar, no espaço de poucos dias, 3 vinhos que no conjunto nos fizeram sair da carteira quase 70 € (nada de confusões, são 14 contos na moeda antiga, o que dá uma média de quase 5 contos por garrafa), e de que falaremos mais em detalhe no próximo post. Eram vinhos acerca dos quais tínhamos alguma curiosidade e depois de ponderada a vontade de prová-los (de certa forma induzida pelo nome dos mesmos) com o custo que iriam acarretar, acabámos por abrir os cordões à bolsa e distribuir os gastos.
A compra de vinhos muito acima dos 10 euros deixa-nos sempre de pé um pouco atrás, porque independentemente da fama que os acompanha existe sempre a retracção inerente ao elevado custo, por um lado, e a dúvida acerca do prazer que nos irão proporcionar. E aqui é que a porca torce o rabo.
Quando damos 15, 20, 30 euros por uma garrafa de vinho, aquilo que esperamos obter do mesmo é um prazer muito acima do “normal”, que seria impossível encontrar nos vinhos da gama média ou mesmo nos que andam ali pelos 10-12 euros, e a decepção acontece muitas vezes quanto o vinho em causa não corresponde às expectativas. É da relação qualidade/preço que estamos a falar. Já temos gasto bom dinheiro em muito bons vinhos e demo-lo por bem empregue (33 € pelo Hexagon, e tivemos comentários no blog que achavam que também ele não era assim tão bom e que era possível encontar bem melhor por muito menos).
Nas últimas feiras de vinhos vimos à venda o Mouchão de 2003 a cerca de 27 euros. Falámos na hipótese de comprá-lo a meias mas acabámos por não o fazer, achando que o risco talvez fosse demasiado. Mas recentemente, a propósito de um encontro familiar, o dito vinho acabou por nos vir parar à mesa, por 28,99 €. Depois deste resolvemos experimentar o Caladessa de 2003, agora que a Herdade da Calada anda em fase de remodelação do seu portefólio, e lá foram mais 22,55 €. E por fim juntámos ao rol um Herdade das Servas Touriga Nacional, igualmente de 2003, que o tuguinho já tinha comprado por 16,95 €.
Feito o balanço, a sensação que ficou foi de dinheiro gasto em excesso para o prazer que os ditos vinhos nos proporcionaram. Havia razão para as dúvidas. Para valer a pena gastar tanto dinheiro temos que estar perante vinhos quase excepcionais. Não que não fossem bons vinhos, longe disso, só que tínhamos a legítima expectativa de que fossem bem melhores!
A verdade é que temos retirado muito mais prazer de alguns vinhos a metade do preço destes do que destes três na generalidade. Desde há algum tempo que temos neste blog uma ligação para outra página onde listamos os vinhos que para nós valem a pena pelo preço que custam. Independentemente de serem melhores ou piores (e se não os acharmos bons, obviamente não os aconselhamos a ninguém), o importante aqui é sabermos que estamos a dar um valor que consideramos justo pelo vinho em causa. E assim já sabemos à partida com o que é que podemos contar. O problema é quando damos 20 ou 30 € por um produto que não está à altura do que custou. Tomando como exemplo o Duas Quintas, que conhecemos desde o seu lançamento e que costuma andar pelos 8 a 10 euros, embora isto não seja uma equação matemática não será pertinente questionar se o Duas Quintas Reserva, que custa o dobro, nos irá proporcionar um prazer a dobrar? E quanto ao Duas Quintas Reserva Especial, será que vale a pena pagar por ele 4 a 5 vezes mais?
tuguinho e Kroniketas, enófilos descapitalizados
Vamos então falar do Ganhão, local de peregrinação do núcleo duro dos Comensais Dionisíacos e um dos vários restaurantes alentejanos bem referenciados na zona da capital.
Eu já lá tinha passado um dia ao almoço para conhecer o espaço. Deparei com uma sala quase “forrada” a aguardentes, conhaques e whiskies, além de uma enorme garrafeira descrita numa extensa carta de vinhos com bastantes raridades e alguns restos de colecção que por ali estão à espera que alguém repare neles. Foi nessa ocasião que reparei, numa prateleira elevada a um canto da sala, numa garrafa de litro e meio de Reguengos Garrafeira dos Sócios de 97 que desde logo ficou marcada para a primeira oportunidade.
Tendo-se juntado quatro comensais, lá rumámos à Venda Nova para uma refeição em regra. O Ganhão fica logo a seguir às portas de Benfica, junto aos laboratórios Vitória. O estacionamento é relativamente fácil de encontrar do outro lado da rua, junto aos prédios aí existentes.
A garrafa já estava à nossa espera e à temperatura adequada e veio para a mesa enquanto nos entretínhamos com os primeiros acepipes. Perante as sugestivas propostas que nos foram apresentadas, resolvemos fazer uma vaquinha e pedir três pratos para dividir por todos: bacalhau à Ganhão, no forno, ensopado em azeite com cobertura de alho e batatas fritas às rodelas; grelhada mista de secretos e vitela; e lombinhos de porco com migas de espargos. Qual deles o mais apetitoso. O bacalhau naturalmente comeu-se primeiro e foi um bom início das hostilidades, enquanto o Garrafeira dos Sócios se começava a mostrar nos copos. Em seguida vieram as carnes que se foram intercalando uma com a outra e chegaram para as despesas. Excelentes lombinhos e migas e muito bons grelhados.
Para as sobremesas escolheu-se a inevitável encharcada, a que aderiram três dos comensais, mais uma torta de canela. No final ainda houve direito à prova de duas aguardentes (oferta da casa).
Com o prolongar do serão, as nossas conversas foram-se cruzando com as dos donos, que entretanto se sentavam noutra mesa para cear. Já só restávamos nós na sala e já bem para lá da meia-noite falava-se de provas de vinhos, de lojas e restaurantes, de críticos e revistas, de vinhos caros e baratos. Enfim, o serão podia-se prolongar pela noite dentro.
Ficaram os contactos para futuras divulgações e a promessa de lá voltarmos. Para além da boa qualidade da confecção e da simpatia do serviço, o destaque foi o fim da noite em amena cavaqueira, coisa que não é vulgar acontecer. Assim vale a pena lá estar e nem dá vontade de vir embora. Um local a revisitar com frequência, até porque a casa dispõe ao lado de uma loja e também faz apresentações de vinhos, pelo que há mais motivos para outras visitas.
tuguinho e Kroniketas com Politikos e Mancha, os Comensais Dionisíacos
Restaurante: O Ganhão
Rua Elias Garcia, 24/26
Venda Nova
2700-327 Amadora
Telef: 21.474.62.26
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5
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Krónikas Vinícolas
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00:33
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Etiquetas: Lisboa, Restaurantes
Este vinho foi adquirido com a Revista de Vinhos de Janeiro e desta vez resolvi fazer o que raramente faço: experimentar bebê-lo imediatamente para ver como está.
Depois das duas provas indicadas nos posts anteriores, aqui está o contra-ponto aos vinhos que tiveram tempo para crescer e amadurecer dentro da garrafa: um vinho ainda novo, com apenas dois anos de idade após a colheita. E confirmou-se aquilo que seria previsível: o vinho está muito “cru” para ser bebido, algo agreste, com os taninos ainda agressivos a torná-lo algo adstringente e difícil.
Parece ter potencial para melhorar e talvez daqui a 2, 3 anos o conjunto esteja mais redondo e polido e aí se possa apreciar melhor os aromas.
Assim se prova mais uma vez que esta tendência para beber os vinhos muito novos é extremamente limitativa do prazer que se obtém. Está na mão dos consumidores inverter esta tendência, ou terão de ser os produtores a tomar a iniciativa?
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Conde de Palma 2006 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Herdade Monte da Cal - Dão Sul/Global Wines
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 6,5
PS: Por coincidência o Pingas no Copo também apresentou há dias uma prova deste vinho. A opinião dele é mais favorável que a minha.
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Krónikas Vinícolas
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00:24
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Etiquetas: Alentejo, Alicante Bouschet, Aragonez, Dao Sul, Monte Cal, Portalegre, Tintos, Trincadeira