sábado, 14 de novembro de 2009

No meu copo 252 - Poeira 2004; Redoma 2003; Batuta 2004; Portal 30 anos

A propósito dum evento futebolístico, juntou-se o núcleo duro dos Comensais Dionisíacos na casa do Politikos, a jogar em casa nas duas vertentes. Para o evento reservámos umas compras especiais que tinham sido adquiridas em conjunto.
Tivemos perante nós uma plêiade de tintos do Douro de altíssimo nível que resolvemos guardar para ocasião propícia a fim de os desfrutar em confronto com uns bifes à minha moda. A dúvida estava em saber por qual começar. Assim sendo, resolvemos decantá-los com alguma antecedência, depois de os colocar à temperatura adequada, e servimos um pouco de cada para uma primeira aproximação ao modo como cada um iria evoluir.
Acabámos por optar, em primeiro lugar, pelo Poeira 2004, porque foi o que se mostrou desde logo com grande vivacidade. Uma exuberância de aromas frutados e uma estrutura a marcarem a prova, final longo e persistente, a madeira muito discreta e os taninos muito vivos, a conferirem complexidade ao conjunto, foram os traços marcantes deste vinho que já é uma marca de referência nos grandes tintos do Douro, e bem o justificou.
Ficámos então com um duo de tintos Niepoort para o resto da refeição. Depois de eu e o Politikos já termos tido contacto com o portefólio da Niepoort, no fantástico jantar Niepoort promovido pela Wine O’Clock no Jacinto, tínhamos agora a possibilidade de confrontar os vinhos que o integram com os de colheitas já com alguns anos, possivelmente menos marcados pela juventude dos da prova anterior e num patamar de evolução mais favorável à expressão das suas qualidades.
Começámos obviamente pelo Redoma 2003, o do nível intermédio, que acabou por se apresentar com um perfil semelhante ao de 2006, provado anteriormente. Alguma complexidade, macieza e estrutura média, ainda com uma certa frescura na boca. Estava num bom momento para consumir.
Finalmente o Batuta 2004, o topo de gama da casa, que se voltou a mostrar um vinho extraordinário, como já tinha acontecido no jantar da Wine O’Clock, onde se guindou ao primeiro lugar das nossas preferências. Aqui bastante mais domado que o anterior, num patamar de evolução mais tranquilo mas a prometer poder expressar ainda mais qualquer coisa. É um vinho ao mesmo tempo complexo e suave, distinto e elegante. O preço penaliza o consumo, mas esta prova abriu o apetite para voltarmos à carga. A Revista de Vinhos classificou-o, não há muito tempo, como um vinho a caminho da perfeição...
Para finalizar, mais uma surpresa da garrafeira do Politikos na área dos Portos: um 30 anos da Quinta do Portal. Não paro de me surpreender com as provas de vinho do Porto que tive oportunidade de fazer ultimamente, e depois do branco extra-seco de 1939, no jantar Niepoort, e do Lacrima Christi de 1908, no jantar de perdizes antes de férias, este conseguiu subir ainda mais alto e tocar os céus. É provavelmente o melhor vinho do Porto que já bebi. Para fim de noite não podia ter sido melhor. Se o Lacrima Christi foi sublime, este só pode ser celestial! É possivelmente o vinho perfeito.
Feliz noite esta em que tivemos a felicidade de degustar quatro vinhos extraordinários.
Ah, é verdade, também houve um jogo de futebol, que não acabou bem como se desejava. Mas quem se lembrou dele?

tuguinho, Kroniketas, Mancha e Politikos a jogar em casa

Vinho: Poeira 2004 (T)
Região: Douro
Produtor: Jorge Moreira
Grau alcoólico: 14,5%
Preço: 25,90 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Redoma 2003 (T)
Região: Douro
Produtor: Niepoort Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinto Cão
Preço: 26,32 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Batuta 2004 (T)
Região: Douro
Produtor: Niepoort Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional e outras
Preço: 57,50 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Portal 30 anos
Região: Douro/Porto
Produtor: Quinta do Portal
Grau alcoólico: 20%
Nota (0 a 10): 10

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Encontro com o Vinho e com os Sabores 2009


Começou hoje no Centro de Congressos de Lisboa (antiga FIL, na Junqueira), mais uma edição do evento anual organizado pela Revista de Vinhos. Durante este fim-de-semana, como já é tradição, vamos lá.
Se tivermos vontade e pachorra (o que cada vez vai faltando mais), aqui daremos conta de algumas impressões relevantes.

tuguinho (em pré-reforma) e Kroniketas (quase a caminho), os diletantes cada vez mais preguiçosos

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Coisas do Vinho e coisas do vinho: a propósito de Colares



Mais de 3 meses depois do último post, devido a afazeres diversos que não têm permitido alimentar este blog com a frequência desejável, voltamos com uma opinião dum artista convidado, neste caso o nosso mui estimado Politikos do blog Polis&etc e membro do núcleo duro dos Comensais Dionisíacos.

Aqui fica o relato.

Nas coisas do vinho, como em tudo, há o muito bom e o muito mau. Habituei-me, porém, a ver no sector da comercialização, divulgação e promoção do vinho cada vez mais profissionalismo e até mesmo alguma excelência. Daí já estranhar a ausência de qualidade quando a vejo.

A revista Time Out, da semana de 21 a 27 de Outubro, apresentou um dossier temático sobre o vinho. Numa reportagem sobre o vinho de Colares, intitulada O mistério do vinho de Sintra, assinada por João Cepeda, com fotografias de Ana Luzia, discorreu-se sobre o vinho de Colares, entrevistando-se, entre outros, Vicente Paulo, o presidente da Adega Regional de Colares. A dado passo, diz Vicente Paulo: «a maior parte das pessoas não sabe mas pode visitar-nos». E, acrescenta a revista, «regras: marcar com um dia de antecedência e reunir um grupo com 15 pessoas no máximo. Custa cinco euros por pessoa». Perante isto, propus aos membros do núcleo duro dos Comensais Dionisíacos uma visita à Adega de Colares e prontifiquei-me a fazer os contactos e a acertar datas.

Começa aqui o calvário. Atiro-me ao Google e consigo sem dificuldade de maior o contacto telefónico da Adega Regional de Colares. Do outro lado, atende-me uma funcionária remansosa mas com um mínimo de diligência e simpatia. Explica-me que não há visitas guiadas, nem provas, mas que se lá formos podemos percorrer a Adega por nossa conta e visitar a loja. Digo-lhe que o que pretendíamos era uma visita com algum enquadramento, obter algumas explicações, visitar a Adega, a vinha, e fazer uma prova. Diz-me que são apenas dois funcionários e que isso não é possível mas que há uma empresa, a Coisas do Vinho, que organiza visitas, mas que não sabe mais pormenores. E dá-me o contacto da dita Coisas.

Ligo, então, para as Coisas do Vinho. Do outro lado, uma empregada cuja atitude eu qualificaria como sobranceira e algo snobe. Não foi malcriada, nem incorrecta, mas eu não queria a trabalhar comigo, nem a poria em nenhuma função de atendimento público que coordenasse. Falta-lhe em atitude, simpatia e acolhimento, o que lhe sobra em sobranceria, antipatia e rigidez. É daquelas pessoas que consegue inverter os termos da relação. Ou seja, em que o cliente se transforma em empregado e vice-versa. Diz-me a dita que sim, que organizam visitas mas que o mínimo são 15 pessoas. Disse-lhe que éramos 4, repetiu que o mínimo eram 15. Não me deu nenhuma explicação sobre as visitas e/ou sobre as provas. Falei-lhe na reportagem da Time Out. Disse que não conhecia. Falei-lhe no nome de Vicente Paulo, retorquiu-me que era o Eng.º Vicente Paulo, presidente da Adega. Fiquei a achar que aquele Eng.º soava a remoque. Se calhar, ela acha que a profissão e/ou a formação fazem parte do nome! Por último, mandou-me telefonar para a Adega quando expressamente lhe havia dito que já o tinha feito. Por insistência minha, mandou-me a tabela de provas de 2009, que recebi no mail.

Em resumo:

1.º A Adega Regional de Colares publicita, através de uma revista, visitas a €5, com 15 pessoas no máximo, quando o que parece haver são provas de €6 a €25 – sem IVA – com 15 pessoas no mínimo – o máximo deve ser o infinito!;

2.º A Adega Regional de Colares concessionou as provas – visitas não sei se há e a tabela não esclarece – à empresa Coisas do Vinho, mas nenhuma delas parece saber minimamente o que faz a outra, nem haver nenhum tipo de interligação entre elas; ao visitante/cliente é-lhe indiferente que seja a Adega ou as Coisas do Vinho a organizar as visitas/provas, quer é ligar para um número e obter a informação;

3.º A Adega Regional de Colares, com uma empregada que me parece de linha, ainda procurou responder com alguma diligência às minhas perguntas e acomodar a situação: disse-me que podia visitar a Adega e comprar vinho na loja; a Coisas do Vinho, com uma empregada aparentemente mais profissionalizada, funciona em código binário, 0 ou 1, ou há 15 pessoas ou não há prova; será que à Coisas do Vinho não ocorreu ficar com o meu contacto e quando reunisse mais 11 interessados, contactar-me?! Quantos não terão interesse em fazer esta prova e não farão por causa desta limitação?

Enfim, há, como se vê, ainda bastante caminho a percorrer nas coisas do vinho e mais ainda nas Coisas do Vinho… Bem pode quem planta, trata, colhe e fabrica o vinho de Colares fazer tudo bem… mas falhando esta última linha, falha tudo… O vinho de Colares pode ser excelente, diferente, singular e único, mas com esta promoção não vai longe…

Ficará para uma próxima, se calhar nunca, uma visita/prova às vinhas e aos vinhos produzidos em chão de areia de Colares…

Politikos, enófilo mais-que-amador, no caso chateado com Colares

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Correcção de preço - Herdade do Perdigão Reserva 05

O preço referido no post abaixo para o Herdade do Perdigão Reserva está errado. De facto o preço do vinho situa-se na casa dos 18 € em feira de vinhos.
Por motivos de ordem técnica relacionados com a limitação ao número de etiquetas utilizadas no post, já não é possível emendar este valor sem retirar grande parte das etiquetas que lá estão, pelo que fica aqui a rectificação.

Perdizes por um, perdizes para dez

No meu copo 251 - Veuve Roth, Pinot Gris 2007; Delicato, Chardonnay 2005; Delicato, Zinfandel 2005 rosé; Herdade do Pinheiro 2007 rosé; Herdade do Perdigão Reserva 2005; Quinta da Viçosa 2003; Herdade do Meio Garrafeira 2003; Vieux Magon 2001




E pronto, para assinalar o fim do ano de trabalho e ajudar a esgotar o stock de perdizes do caçador de serviço, juntando mais uma operação da missão nunca terminada de “desbaste da garrafeira”, o plenário dos Comensais Dionisíacos reuniu-se em versão familiar para o que já começa a ser um “must” na primeira metade do Verão: o “jantar de fim de época”, desta vez em versão caseira com o Politikos e respectiva consorte e descendência a servirem de anfitriões para o repasto. Compareceram à chamada quase todos os membros efectivos, só havendo faltas por impossibilidade justificada.
Enquanto as senhoras se dedicavam à confecção das aves, os homens entretinham-se com a selecção das garrafas. Para começar optou-se por um Veuve Roth, Pinot Gris 2007, um branco francês que tinha provado há algum tempo na Wine O’Clock. Muito macio, delicado e de grande suavidade, ligeiramente adocicado mas com uma excelente acidez que o torna muito fresco e equilibrado, já me tinha conquistado na prova anterior e voltou a fazê-lo. Não é um vinho para grandes refeições mas como aperitivo ou entrada ou com pratos delicados vai francamente bem.
Seguiu-se um Delicato Chardonnay 2005, desta vez um branco californiano que apareceu mais suave do que a maioria dos Chardonnay, mais frutado e sem aquele amanteigado que marca muitos dos vinhos da casta, com aromas tropicais e sem a habitual marca da madeira que o torna demasiado pesado para o meu gosto.
Passou-se depois para os rosés. O anfitrião insistiu em que experimentássemos outro Delicato que não fez o pleno das opiniões. Um verdadeiro rosé de esplanada, adocicado e não muito gastronómico. No entanto algumas das senhoras preferem os mais doces pelo que ainda houve aproveitamento do conteúdo da garrafa. Passou-se imediatamente a outro rosé que já estava preparado, um Herdade do Pinheiro 2007. Mais seco, persistente e com maior acidez, agradou à generalidade dos presentes.
Quando as perdizes vieram para a mesa, confeccionadas em duas variedades já experimentadas com sucesso (estufadas com couve lombarda e com cogumelos em molho de natas de soja) passou-se então ao painel dos tintos, constituído por belos vinhos do Alentejo. A escolha para início das hostilidades recaiu num Herdade do Perdigão Reserva 2005. Foi um sucesso. Alvo dos maiores encómios, mostrou-se um vinho de grande carácter, pujante, persistente, muito vivo mas arredondado, a mostrar que está para durar. Sem dúvida um vinho a repetir.
Seguiu-se um Quinta da Viçosa 2003, um dos vinhos especiais de João Portugal Ramos. É feito com a melhor casta portuguesa e a melhor casta estrangeira da colheita de cada ano. Neste caso temos uma combinação algo “sui generis “de Touriga Nacional e Merlot, tal como já houve outras combinações improváveis como Aragonês e Petit Verdot ou Trincadeira e Syrah. Este 2003 apresentou-se essencialmente elegante e suave, em claro contraste com o Herdade do Perdigão. Um vinho mais aconselhado para pratos delicados e requintados, talvez pouco adequado para a caça que tínhamos no prato mas que também merece outra oportunidade.
Continuando no Alentejo, experimentámos depois um Herdade do Meio Garrafeira 2003, uma promoção da feira de vinhos do Continente de 2008. A prova anterior desta casa não agradou mas este mostrou outro nível. Muito bem estruturado, encorpado e persistente, com taninos firmes mas domados. Uma bela surpresa pelo preço que custou.
Por fim, o anfitrião ainda fez questão de nos brindar com uma garrafa de vinho da Tunísia, produzido na região da antiga Cartago. Contra as expectativas mais pessimistas, não defraudou. Apresentou-se elegante e suave na boca, medianamente encorpado, com boa concentração de cor e alguma persistência de madeira. Não sendo excepcional, não é de menosprezar.
Para fecho da noite, já atirados a uma mousse e a um gelado de chocolate, tivemos o ponto alto com a abertura duma relíquia que o Politikos tinha lá em casa: um Lacrima Christi sem data, mas com uma indicação de 1908 no contra-rótulo! Sublime! Não há palavras para descrevê-lo. E ainda houve tempo para os mais resistentes provarem uma aguardente de figo da Tunísia, Boukha Gold, com 36% de álcool.
Depois ainda se seguiram algumas baforadas de charuto e cachimbo para os mais aficionados, mas isso são outras histórias... Agora vamos a banhos.

Kroniketas, tuguinho, e os outros todos

Vinho: Veuve Roth, Pinot Gris 2007 (B)
Região: Alsácia (França)
Produtor: Les Caves de La Route du Vin
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Pinot Gris
Preço: 9,50 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Delicato, Chardonnay 2005 (B)
Região: Califórnia (EUA)
Produtor: Delicato Family Vineyards - Manteca - Califórnia
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Chardonnay
Preço: 4,22 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Delicato, Zinfandel 2005 (R)
Região: Califórnia (EUA)
Produtor: Delicato Family Vineyards - Manteca - Califórnia
Grau alcoólico: 10%
Casta: White Zinfandel
Preço: 3,96 €
Nota (0 a 10): 5,5

Vinho: Herdade do Pinheiro 2007 (R)
Região: Alentejo (Ferreira)
Produtor: Sociedade Agrícola Silvestre Ferreira
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço: 4,88 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Herdade do Perdigão Reserva 2005 (T)
Região: Alentejo (Monforte)
Produtor: Herdade do Perdigão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço: 12,50 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Quinta da Viçosa 2003 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Merlot
Preço: 22,10 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Herdade do Meio Garrafeira 2003 (T)
Região: Alentejo (Portel)
Produtor: Casa Agrícola João & António Pombo - Herdade do Meio
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Castelão
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vieux Magon 2001 (T)
Região: Mornag (Tunísia)
Produtor: Les Vignerons de Carthage - Tunis
Grau alcoólico: 13%
Preço: 9 €
Nota (0 a 10): 7

terça-feira, 28 de julho de 2009

No meu copo, na minha mesa 250 - Jantar Niepoort no restaurante Jacinto





Realizou-se há duas semanas no restaurante Jacinto, na zona antiga de Telheiras, em Lisboa, o muito aguardado jantar de degustação com vinhos Niepoort, promovido pela Wine O’Clock. Pela quantia de 50 euros os mastigantes e degustantes tiveram direito a uma entrada, um prato de peixe, dois de carne, duas sobremesas, 10 vinhos e uma aguardente, que incidiram basicamente nos que já tinham estado em prova na Wine O’Clock na semana anterior.
As Krónikas Vinícolas fizeram-se representar por este escriba e pelo Politikos, por sinal os primeiros a chegar ao restaurante. Começámos por ser brindados com um vinho do Porto branco Niepoort extra-seco de 1939! Um vinho castanho-cobre, a fazer lembrar um Tawny de 20 ou 30 anos, com uma frescura e intensidade aromática que nunca fariam supor estarmos perante um vinho com a idade do início da 2.ª Guerra Mundial! Notável!
Depois de completo o lote de participantes e já devidamente distribuídos pelas mesas, deu-se início às hostilidades. Tivemos a sorte de ficar na mesa do representante da Niepoort, José Teles, da área comercial, o que foi uma mais-valia, já que além do agradável convívio nos permitiu aprender um pouco mais, tendo mesmo ficado em aberto a visita a uma das quintas da Niepoort por altura das vindimas. A estratégia comercial das marcas passa hoje muito por (in)formar e aproximar os apreciadores/consumidores de vinho, e ainda bem.
Com o prato de entrada foi servido o Redoma rosé 2008, de momento o único rosé da Niepoort. Bastante equilibrado na boca, com aroma predominante a frutos vermelhos, boa estrutura e boa persistência. Fermentou em barricas novas de carvalho francês mas não foi submetido a qualquer estágio. Um vinho concebido para a mesa, mais do que para a esplanada, que casou bem com a salada de queijo de cabra com rúcula, que estava muito fresca e agradável.
Seguiu-se o prato de peixe, bacalhau confitado com pasta de azeitona, com o qual provámos dois vinhos brancos: o Tiara 2008 e o Redoma 2008. O Tiara, mais leve, mais aberto, mais suave e mais elegante, com um perfil mais mineral e cítrico, é um branco para pratos mais frescos e requintados. O Redoma, mais estruturado, resultado da fermentação em barricas de carvalho francês onde estagiou 9 meses, tem a madeira muito bem casada sem se sobrepor aos aromas nem retirar a frescura predominante. Pode ser um branco mais de Inverno que no entanto se enquadra bem no tempo mais quente e que fez boa parceria com os tacos de bacalhau. Em suma, dois brancos de perfis diferentes mas ambos muito agradáveis. Pelos preços anunciados, o Tiara será mais apetecível de comprar...
Finalmente, chegaram as carnes e os tintos, servidos aos pares: um representante da gama mais intermédia da Casa com outro da gama alta. Assim começámos com um Vertente 2007 e um Charme 2007, para acompanhar o mil-folhas de pato com alecrim. Em seguida, para o javali estufado com torta de legumes, uma parelha Redoma 2006 e Batuta 2007 (em garrafa ainda sem rótulo).
Tanto o Vertente como o Redoma são vinhos para um consumo mais imediato, com um perfil mais frutado e encorpado. O Vertente será talvez o mais simples e menos ambicioso, enquanto o Redoma apresenta outra complexidade. Sendo estes dois bons vinhos, não deixam de ser ofuscados pelos dois de topo. O Charme faz inteiro jus ao nome que ostenta: todo ele é charme desde a primeira impressão olfactiva até à prova de boca, marcada por extrema elegância, a pedir pratos plenos de requinte. Foi bem escolhido para o folhado de pato. Já o Batuta apresenta-se mais pujante e complexo, a pedir tempo para se mostrar em plenitude e a prometer longa vida e grandes voos.
Para as sobremesas ainda houve direito a um Porto Vintage de 2007, um Colheita de 98 e uma aguardente vínica. Só provei os Portos que não deixaram os créditos por copos alheios. Um dos primeiros Portos Vintage que me lembro de beber foi um Niepoort de 2003 que estava notável, e este não fugiu à regra. Grande corpo, grande profundidade, um vinho cheio de pujança que nunca mais acaba na boca, apresentando uma exemplar ligação entre a fruta e o álcool. Possivelmente um dos melhores Portos Vintage do país. O Colheita também não se saiu mal da função, com uma predominância a frutos secos e bastante elegante na prova. Já o Politikos, ainda molhou os lábios na aguardente vínica e reputou-a de excelente, aveludada e elegante, com a madeira muito presente mas sem ser agressiva.
Resta falar dos sólidos, onde não é fácil escolher, de tão bem confeccionados estavam. O bacalhau muito bem enquadrado com a pasta de azeitona, o mil-folhas de pato muito saboroso e macio e finalmente o javali, talvez o ponto alto da noite, bastante apetitoso e suculento.
Para as sobremesas veio uma encharcada alentejana em duelo com um pão de rala, irrepreensíveis, e para terminar com o Porto um Petit gâteau com gelado de baunilha que fechou a noite da melhor forma.
Serviço impecável, rápido e eficiente, tanto nos vinhos como nos pratos, não falhou nada nesta refeição magnífica onde todos estão de parabéns. A Wine o’clock porque promoveu, a Niepoort porque forneceu os vinhos, o Jacinto porque serviu, e nós, os felizardos que lá estivemos porque pudemos participar numa refeição notável. Parece que o Jacinto, que atravessou tempos difíceis, está de volta aos melhores dias e a tornar-se um ponto de referência na gastronomia lisboeta.

Kroniketas, enófilo e gastrónomo satisfeito, com Politikos

Restaurante: O Jacinto
Av. Ventura Terra, 2 (Telheiras)
1600 Lisboa
Telef: 21.759.17.28
Nota (0 a 5): 4,5


Região: Douro
Produtor: Niepoort Vinhos

Vinho: Redoma 2008 (R)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Amarela, Touriga Franca, 50% outras
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Tiara 2008 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Codega, Rabigato, Donzelinho, Viosinho, Cercial
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Redoma 2008 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Codega, Rabigato, Donzelinho, Viosinho, Arinto
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vertente 2007 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Amarela, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Redoma 2006 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinto Cão
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Charme 2007 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Batuta 2007 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Porto Niepoort Vintage 2007
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Porto Niepoort Colheita 1998
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 16 de julho de 2009

No meu copo 249 - Brancos do Novo Mundo: Casa Silva Reserva, Sauvignon Blanc 06; Cono Sur, Sauvignon Blanc 08; Swartland Private Bin, Chardonnay 08

A época estival foi pretexto para uma reunião do núcleo dos resistentes dos Comensais Dionisíacos com o objectivo de fugir ao hábito dos tintos e degustar uns brancos. Para isso reunimo-nos na casa do Mancha e levámos alguns brancos do stock para acompanhar um arroz de tamboril com gambas confeccionado à moda da casa, bem temperado e malandrinho.
As garrafas eram mais que os convivas pelo que houve que fazer escolhas. Em destaque estiveram os monocasta do Novo Mundo, adquiridos numa das recentes visitas à Wine O’Clock. Começámos por um chileno que já tinha sido referenciado há alguns meses numa prova, um Casa Silva Reserva de Sauvignon Blanc (da região de Colchagua Valley, situada sensivelmente ao centro do país) e a escolha dificilmente seria melhor para início. Apresentou-se com cor citrina desmaiada com um aspecto límpido e brilhante, muito aromático com predominância de citrinos e com grande frescura, médio de corpo mas com bom fim de boca. Um vinho a repetir.
Continuando no Chile, uma marca também bastante referenciada nas provas da Wine O’Clock: um Cono Sur igualmente de Sauvignon Blanc, proveniente de Central Valley, também na zona central do país. Talvez um pouco menos exuberante nos aromas que o anterior, com um toque ligeiramente mineral, corpo médio e fruta discreta, ainda assim a fazer um bom casamento com o prato.
Da América do Sul demos um salto à África do Sul para terminar com um Swartland feito de Chardonnay (a região de Swartland fica situada na costa oeste da África do Sul, no lado do oceano Atlântico e a norte da Cidade do Cabo). Apesar dos encómios do portador da garrafa, não me convenceu grandemente, mas já é habitual esta minha relação difícil com os brancos de Chardonnay, porque quase sempre chocam com o meu gosto. Há algumas semanas fui a uma prova de Chardonnay para tentar entender-me melhor com esta variedade, mas não me encantaram. Na verdade até agora o único Chardonnay que me agradou verdadeiramente foi um francês de Chablis. Por isso não me vou deter muito em considerações, referindo apenas o habitual perfil encorpado e com alguma estrutura que marca os vinhos desta casta.
Há mais brancos do Novo Mundo para provar e para descobrir, e por estas amostras vale a pena continuar a experimentá-los.

Kroniketas, enófilo refrescado

Vinho: Casa Silva Reserva, Sauvignon Blanc 2006 (B)
Região: Colchagua Valley (Chile)
Produtor: Viña Casa Silva - San Fernando
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço: 4,75 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Cono Sur, Sauvignon Blanc 2008 (B)
Região: Central Valley (Chile)
Produtor: Cono Sur Vineyards & Winery - Santiago
Grau alcoólico: 13%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço: 4,14 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Swartland Private Bin, Chardonnay 2008 (B)
Região: Stellenbosch (África do Sul)
Produtor: Swartland - Malmesbury
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Chardonnay
Preço: 3,65 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 10 de julho de 2009

No meu copo 248 - Quinta do Vallado, Moscatel Galego, branco 2006; Muxagat branco 2007

Um almoço caseiro de filetes de garoupa com arroz de tomate foi um pretexto para abrirmos umas garrafas de branco para refrescar. Como estávamos nos domínios do tuguinho ele é que forneceu o material para beber. Acabámos por abrir duas garrafas do Douro para comparar.

Começámos por um Moscatel Galego da Quinta do Vallado. Muito fresco e aromático, excelente carácter e estrutura sem ser pesado não obstante os 14% de álcool, frutado sem excesso e com um fim de boca delicado e algo exótico. O Muxagat apresentou-se um pouco mais leve mas igualmente bem estruturado, de travo seco e mineral, bela cor palha e fim de boca curto mas gostoso.

São dois vinhos para se baterem bem com pratos não demasiado leves mas sem pedirem grandes comezainas. Agradáveis e refrescantes para o tempo quente mas com capacidade para o ano todo. Em suma, duas apostas interessantes que não deixam o consumidor ficar nada mal.

tuguinho e Kroniketas, enófilos refrescados

Vinho: Quinta do Vallado, Moscatel Galego 2006 (B)
Região: Douro
Produtor: Quinta do Vallado
Grau alcoólico: 14%
Casta: Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 6,25 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Muxagat 2007 (B)
Região: Douro
Produtor: Muxagat Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Preço em feira de vinhos: 8,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 7 de julho de 2009

Na Wine O'Clock 7 - Vinhos Niepoort




Mais um ano de provas na Wine O'Clock, cujos relatos não temos aqui trazido, culminou há dias com uma prova alargada de vinhos Niepoort. Não esteve presente o próprio Dirk mas a casa esteve bem representada por Luís Seabra, enólogo e responsável pelas vinhas na Quinta de Nápoles. Houve direito a provar vários brancos (Redoma, Redoma Reserva e Tiara), um Redoma rosé, vários tintos de duas colheitas (Vertente, Redoma, Batuta, Charme e ainda um Doda extra-programa), um Porto Vintage, um Colheita e ainda um moscatel.
No final ainda conseguimos de lá sair mais ou menos lúcidos e com grande expectativa para o jantar Niepoort que se vai realizar no próximo dia 16. Este foi um bom aperitivo.

Kroniketas, enófilo expectante

terça-feira, 30 de junho de 2009

Quinta da Bacalhôa





Junto à estrada nacional 10, que atravessa Vila Fresca, Vila Nogueira e Brejos de Azeitão, entre o Casal do Marco e Setúbal, situam-se as instalações de dois dos maiores produtores nacionais do sector vinícola: a José Maria da Fonseca e a Bacalhôa Vinhos. Foi a esta última que me desloquei há algumas semanas a convite dum amigo para passarmos uma tarde juntos.
Ao contrário do que se possa pensar, a quinta que se vê em destaque à entrada de Vila Nogueira de Azeitão não é a Quinta da Bacalhôa mas a Quinta da Bassaqueira. É aqui que estão situadas as cubas de fermentação, a adega de armazenamento e envelhecimento dos vinhos de mesa e do moscatel, a loja de vinhos e uma boa porção de vinha. A Quinta da Bacalhôa propriamente dita, onde se situa o Palácio que serve de morada de férias à família Berardo, fica já em Vila Fresca, paredes meias com a José Maria da Fonseca, na zona em que a estrada começa a subir a Arrábida em direcção a Setúbal. Aí se situa a vinha donde saem as uvas para o vinho mais emblemático da empresa, o Quinta da Bacalhôa, assim como uma enorme galeria de azulejos da colecção de Joe Berardo, além do jardim adjacente ao palácio.
Após a compra das Caves Aliança e da Quinta do Carmo o grupo Bacalhôa tornou-se o 2º maior produtor nacional, com cerca de 20 milhões de litros anuais. Para além destas instalações, a Bacalhôa detém ainda a Herdade das Ânforas, perto de Arraiolos, e a Quinta dos Loridos, perto do Cadaval.
A produção dos vinhos oriundos da Bacalhôa é obtida a partir das uvas da Quinta da Bassaqueira, da Quinta da Bacalhôa e ainda de outras uvas provenientes da serra da Arrábida.
No espaço exterior da Quinta da Bassaqueira podemos passear pelo jardim, passar junto ao lago, descansar debaixo de algumas oliveiras, ver o desenvolvimento das uvas Merlot ou Cabernet Sauvignon, ou admirar os painéis de azulejos que contam a história do vinho nas paredes da adega de envelhecimento dos moscatéis, onde a temperatura interior chega a atingir os 40 graus. Na loja pode-se ainda encontrar à venda todo o portefólio de vinhos das várias empresas do grupo, incluindo um vinho dedicado ao centenário do Benfica, e realizar algumas provas enquanto se descansa do passeio.
E assim ficamos a conhecer uma pequena parte do imenso património do comendador Berardo. Talvez a continuação se faça um dia no jardim japonês da Quinta dos Loridos.

Kroniketas, enófilo viajante

Bacalhôa Vinhos de Portugal
Estrada Nacional 10
Vila Nogueira de Azeitão
2925-901 Azeitão
Telef: 21.219.80.60
Fax: 21.219.80.66

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A adega de design da Quinta do Encontro





Num sábado destes, quatro dos Comensais Dionisíacos – Kroniketas, tuguinho, Mancha e Politikos – rumaram à Anadia para visitar a Quinta do Encontro. O Mancha tinha um convite e o encontro foi prévia e convenientemente agendado para meio da tarde, a fim de antes os comensais poderem fazer jus ao título. Após recolha dos convivas, a partida de Lisboa aconteceu pelas 11h00. O carro era confortável e veloz e a auto-estrada venceu-se em menos de nada. Por volta das 13h30 estávamos já refastelados no Pedro dos Leitões, na Mealhada, frente a uma travessa com pedaços dos mesmos, acompanhada de batata frita e salada. A refeição foi regada primeiro com um espumante branco a que logo se seguiu, por sugestão da casa, um espumante tinto da região. O dia estava quente, aquele néctar fresco é guloso e o leitão pedia. O bicho estava no ponto, com a pele estaladiça, como convém. O serviço também foi competente, com alguma proximidade mas sem nunca ser intrusivo. Dois dos convivas ainda se bateram com duas sobremesas sem história, outro com uma aguardente velha e o restante ficou a zeros. Todos alinharam nos cafés.
Mais uns quilómetros, sem GPS mas com mapa e algumas indicações que trazíamos, e demos com facilidade com a Quinta do Encontro. A dita fica situada em S. Lourenço do Bairro, em pleno coração da Bairrada, e deve o seu nome à chamada Cruz do Encontro, espécie de pelourinho que deve ter sido em tempos um ponto de encontro e que o Portugal modernaço logo transformou em rotunda, quase em frente à entrada da Quinta.
Embora até agora se tenha falado na Quinta do Encontro, na verdade o que os Comensais foram ver foi a adega de design da Dão Sul, situada naquela propriedade. No meio dos vinhedos, e sobre um pequeno outeiro, surge um edifício cilíndrico, imponente e com design moderno a fazer lembrar uma secção de uma barrica. O amplo espaço circundante permite o recuo necessário à apreciação da arquitectura do edifício. Este estranha-se na ruralidade circundante mas, percebendo-se as ligações ao vinho presentes nos mais pequenos detalhes, no exterior e no interior, admira-se o arrojo do projecto.
A adega tem três pisos. O térreo onde tem a loja e uma pequena sala de estar e o restaurante. A sala de estar, circular, tem um cariz intimista mas moderno e uma lareira ao centro, cuja chaminé se projecta verticalmente até à clarabóia por onde a luz zenital ilumina o espaço.
O piso superior, concebido para área multiusos, pode servir para reuniões e festas. As vidraças em redor da sala permitem-nos apreciar os vinhedos à volta e divisar as Serras do Caramulo e Buçaco. Muitas delas dão acesso às varandas onde podemos, ao abrigo da estrutura em madeira a lembrar as aduelas de uma pipa, degustar um vinho, utilizando uma espécie de balcão de apoio que circunda o amplo varandim.
O piso inferior, para o qual se desce por uma rampa espiralada cujas luzes, ao nível do chão, se vão acendendo à nossa passagem, é a adega propriamente dita. À medida que vamos imergindo nesta, vamos sentindo a temperatura a baixar. Segundo nos disseram, a adega tem climatização natural, para o que ajuda a estrutura em betão armado revestida no exterior por paredes de pedra e o facto de em parte se situar abaixo do solo. Está equipada com moderna tecnologia de vinificação em que as temperaturas, a fermentação e outros parâmetros são monitorizados por um programa informático. O monitor do PC que gere o programa é, aliás, a fonte de luz mais forte da adega. Ao centro, cubas de inox de vários tamanhos e no corredor que as circunda barricas de madeira onde os néctares estagiam. Podemos apreciar, ainda que à distância, a «zona suja» onde é descarregada, prensada e desengaçada a uva que para ali entra por esteiras rolantes. Notável é a limpeza imaculada de tudo aquilo. Como se costuma dizer, podia lamber-se o chão...
Como remate da visita e para mais tarde degustar, a comunidade mais restrita dos Comensais Dionisíacos adquiriu na loja alguns dos néctares da Quinta e não só, sobre cujas provas a seu tempo falaremos. E ainda tivemos direito à oferta de um espumante branco Quinta do Encontro!
A visita foi agradável, para o que contribuiu a recepção simultaneamente profissional e calorosa da nossa anfitriã.
Resta dizer que a Quinta do Encontro possui 20 hectares, sendo 10 de vinha. Os solos argilo-calcários têm plantadas as castas tintas Baga, Touriga Nacional, Merlot, Cabernet Sauvignon, Tinta Roriz e Castelão e as brancas Bical, Maria Gomes e Arinto.
Foi pena que a visita à Quinta tenha afinal sido só à Adega. Com alguma imaginação, podia-se fazer uma visita a alguns pontos da propriedade. Um vídeo ilustrando o processo de fabrico e o acesso à «zona suja» da adega seriam também aspectos a ter em conta.
Mas foi sem dúvida um dia bem passado a repetir nesta e noutras rotas.

Politikos, no papel de eno-escriba convidado, com Kroniketas e tuguinho, diletantes e desta vez ainda mais preguiçosos

Quinta do Encontro - Sociedade Vitivinícola, Lda.
Apartado 246
S. Lourenço do Bairro
3781-907 Anadia
Tel: 231.527.155
Fax: 232.961.203