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terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Os vinhos da festa 2007-2008 (1)

No meu copo 159 - Champanhes e espumantes



Na quadra festiva que há pouco terminou, entre jantares de Natal, réveillon e alguns aniversários tivemos oportunidade de provar um conjunto alargado de vinhos que seria fastidioso descrever em detalhe. Assim vamos apresentar algumas notas curtas agrupando-os por tipo de vinho (daqueles que ainda nos lembramos...)
Começamos pelos champanhes e espumantes.

Veuve Clicquot Champagne Brut - Um clássico do champanhe francês que já se tornou tradicional nos meus jantares de Natal. Foi uma das primeiras notas de prova aqui colocadas, precisamente após o fim-de-ano de há dois anos. Apreciação aqui. Nota: 9

Pol Carson Champagne Brut Rosé - Numa variação ao habitual, resolvi experimentar este champanhe rosé e foi uma bela aposta. Bastante aromático, seco, suave, bolha fina e com grande elegância. Excelente acompanhante de quase todo o tipo de iguarias, mas em particular entradas, peixes e mariscos. Uma boa aposta por um preço, apesar de tudo, não muito exagerado para o produto que é. Nota: 8,5

Tapada do Chaves Bruto 2002 - Resolvi experimentar este por estar agora em Portalegre, por ter visitado a Tapada do Chaves e por ainda não ter experimentado um espumante do Alentejo. Foi uma belíssima revelação. Bastante frutado e aromático, ainda com algum toque floral, muito elegante e com bolha fina. Bela combinação do Arinto, a dar uma bela acidez ao conjunto, com o Fernão Pires. Entrou directamente para a lista dos recomendados, até porque tem um preço bastante aceitável. Nota: 8

Cabriz Bruto 2005 - Igualmente equilibrado, aromático e elegante, com muita frescura na boca. A Malvasia Fina a expressar-se muito bem em combinação com a Bical. Nota: 8

Real Senhor Velha Reserva 2001 - Mais um bom exemplo duma feliz combinação de castas, neste caso a Malvasia Fina e o Arinto, duas excelentes castas brancas. Pareceu-me contudo menos suave que os dois anteriores. Nota: 7,5

João Pires Bruto - Este foi o que menos me agradou de todos os provados. Pareceu-me pouco elegante, exactamente ao contrário dos outros. Talvez uma segunda apreciação possa rectificar esta primeira impressão. Nota: 7

Kroniketas, enófilo espumantizado

Vinho: Veuve Clicquot - Champagne Brut (B)
Preço em hipermercado : 32,89 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Pol Carson - Champagne Brut (R)
Região: Champagne (França)
Produtor: Sedi Champagne - Châlons en Champagne - França
Grau alcoólico: 12%
Preço em hipermercado: 19,49 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Tapada do Chaves 2002 - Espumante Bruto (B)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Tapada do Chaves, Sociedade Agrícola e Comercial
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço em hipermercado: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Cabriz 2005 - Espumante Bruto (B)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 12%
Castas: Malvasia Fina, Bical
Preço em feira de vinhos: 6,40 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Real Senhor Velha Reserva 2001 - Espumante Bruto (B)
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Malvasia Fina, Arinto
Preço com a Revista de Vinhos: 6,25 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: João Pires - Espumante Bruto (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (VIII)

Tapada do Chaves


Este é um dos nomes mais prestigiados entre os produtores de vinho do Alentejo, e da região de Portalegre em particular.
A Tapada do Chaves produz desde 1920 e pertenceu à mesma família durante décadas, até que em 1998 a dona Gertrudes Fino vendeu a propriedade à Murganheira, a empresa da região de Lamego conhecida pelos seus excelentes espumantes. A título de curiosidade refira-se que o Banco Português de Negócios detém parte significativa do capital da empresa.
A propriedade é constituída por 45 hectares, dos quais 32 são de vinha. Recentemente foram plantadas algumas novas castas para diversificar a produção. A aposta é mais na qualidade em detrimento da quantidade, pelo que são produzidos anualmente apenas cerca de 100.000 litros de vinho, distribuídos por 5 marcas:
Tapada do Chaves Reserva tinto, Tapada do Chaves Reserva Vinhas Velhas tinto (destinado essencialmente à exportação para o Brasil), Tapada do Chaves Branco, Tapada do Chaves Espumante Bruto e Almojanda tinto (Regional).
A propriedade situa-se na estrada de Portalegre para o Crato, mesmo antes da povoação de Frangoneiro, e espreguiça-se suavemente pela encosta em filas muito bem alinhadas. As várias castas estão muito bem identificadas, sendo visível a parte mais nova onde irão despontar os cachos de Alicante Bouschet.
Na parte mais antiga das instalações, repleta de relíquias associadas ao vinho (e não só), ainda perduram os antigos tanques de fermentação, pelos quais o vinho era introduzido para os depósitos por baixo e durante a fermentação subia por tubos até encher os tanques. Ao chegar ao mesmo nível de outros tanques que estavam ao lado cheios de água era terminada a fermentação. São ainda visíveis as talhas de barro onde o vinho era armazenado. Existe ainda uma sala de provas para os visitantes, que podem marcar uma visita através da rota de vinhos do Alentejo.
No piso inferior encontram-se as cubas de fermentação e a adega com as barricas de carvalho francês, americano e russo e o depósito onde repousam as garrafas. Dada a reduzida produção, a empresa faz apenas um engarrafamento por ano e por esse motivo não dispõe de linha de engarrafamento própria, pois os responsáveis consideram que não justifica o investimento e a manutenção da mesma. Assim, o processo de engarrafamento é entregue a uma empresa contratada para o efeito que disponibiliza o equipamento necessário. O vinho é transportado por mangueiras para a linha de engarrafamento onde depois decorre o resto do processo. Sinais dos novos tempos.

Nos eventos entre Natal e fim-de-ano, incluindo um jantar de aniversário, tivemos oportunidade de provar o espumante da Tapada do Chaves, de que daremos conta no respectivo post.

Kroniketas, enófilo itinerante

Tapada do Chaves, Sociedade Agrícola e Comercial
Frangoneiro - Apartado 170
7301-901 Portalegre
Telef: 245.201.973

sábado, 8 de dezembro de 2007

Krónikas do Alto Alentejo (V)

No meu copo, na minha mesa 150 - Altas Quintas Crescendo 2005; O Abrigo (Portalegre)
Uma das incursões gastronómicas em Portalegre incluiu uma visita ao restaurante “O Abrigo,” no centro histórico da cidade. Trata-se de um espaço que fica um piso abaixo do chão, embora com acesso directo para a rua, não muito amplo, de características eminentemente regionais. Descendo as escadas após a entrada, deparamo-nos com um pequeno átrio onde já estão algumas mesas e um balcão de acesso à cozinha. Em exposição encontram-se também algumas garrafas de vinho da região. A sala propriamente dita fica depois duma porta rotativa do tipo saloon.
E quanto aos comes? Seguindo algumas sugestões, houve uns deliciosos miminhos de porco grelhados e uma fantástica costeleta de novilho. Os acompanhamentos são variados, mais ou menos à vontade do freguês, mas o grande destaque vai para a miolada de couve, uma espécie de migas de couve envolvidas em ovo, absolutamente irresistível. É de comer e chorar por mais, tanto assim que teve de se pedir mais do que um reforço.
Nas sobremesas a escolha recaiu noutro doce típico alentejano, a sericaia, acompanhada com a ameixa em calda. Estava boa, apesar de já termos encontrado melhor na origem.
Da oferta vinícola optámos novamente por continuar na região, cujos vinhos se encontram em destaque nos expositores, e escolhemos um dos vinhos da moda: o Altas Quintas Crescendo 2005. Feito com Aragonês e uma pequena percentagem de Trincadeira, fermentou em balseiros de carvalho tendo depois estagiado 12 meses em barricas de carvalho, as mesmas que são primeiro utilizadas para estagiar o Altas Quintas. Encontrei um tinto muito concentrado, bastante frutado e com 14% de álcool, taninos muito presentes, dando-lhe um perfil robusto mas que me pareceu algo agressivo. Não lhe encontrei a frescura que se anuncia para estes tintos alentejanos em altitude. Talvez precise de amaciar algum tempo na garrafa.
No entanto temos de considerar que a garrafa veio para a mesa com uma temperatura algo elevada, pelo que houve que pedir um “frappé” para arrefecer o vinho, o que pode ter prejudicado a prova mesmo depois de se ter baixado a temperatura. Certamente justificará uma segunda prova, pois estou em crer que esta não terá sido conclusiva.
O serviço é simpático e atencioso, fazendo-se com eficácia. O maior senão é a excessiva temperatura do restaurante e a pouca ventilação, o que torna o ambiente um pouco pesado, com o cheiro dos cozinhados a ficar entranhado na roupa. Este restaurante é muito frequentado sobretudo aos almoços, sendo uma aposta simpática para comer bem sem ser por preço excessivo. Poderá, no entanto, ser aconselhável reservar mesa atempadamente.

Kroniketas, enófilo itinerante

Restaurante: O Abrigo
Rua de Elvas, 74
7300-147 Portalegre
Telef: 245.331.658
Preço médio por refeição: 15 €
Nota (0 a 5): 4

Vinho: Altas Quintas Crescendo 2005 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Altas Quintas
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 7,95 €
Nota (0 a 10): 7


Outras provas deste vinho em: A Adega (6,5 em 10), Pingas no Copo (15 em 20) e Vinho da Casa (16 em 20).

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Krónikas do Alto Alentejo (IV)

Adega Cooperativa de Portalegre



A Adega Cooperativa de Portalegre foi fundada em 1955, tendo assim comemorado há pouco tempo os seus 50 anos. As uvas que recebe pertencem aos viticultores seus associados, sendo destinadas aos diversos tipos de vinho de acordo com a sua qualidade e características segundo o cadastro constante na Adega Cooperativa.
Em 2005 a Adega Cooperativa adquiriu a Adega da Cabaça, nos arredores de Portalegre, para onde futuramente passarão as instalações e que acrescenta 20 hectares de vinha à produção. Actualmente a Adega Cooperativa recebe por ano cerca de 3 milhões de quilos para processamento, a partir dos quais produz cerca de 2 milhões de litros. O enólogo residente é Rui Vieira, tendo Rui Reguinga como enólogo consultor.
As instalações são de média dimensão, assim como a cave de envelhecimento em barricas e a linha de engarrafamento e rotulagem, contígua às mesmas. Algumas garrafas, contudo, são rotuladas à mão, nomeadamente algumas edições especiais, havendo ainda outras que requerem um cuidado especial para aposição dum selo de lacre no rótulo, como o Meio Século 50, cujo contingente se encontra em destaque nalguns caixotes ali à mão de semear. Toda a zona com as cubas de desengace, prensagem e fermentação fica situada no exterior, ficando o edifício coberto destinado às caves, laboratório, sala de provas e zona de encaixotamento e carga.
A produção de vinhos da Adega Cooperativa de Portalegre distribui-se pelas marcas Aramenha branco e tinto (vinho bag-in-box), Terras de Baco branco e tinto (vinho de mesa, a menos de 2 €), Conventual e Conventual Reserva branco e tinto (vinho regional, de 3 a 6 €), Portalegre branco e tinto (vinho DOC, a cerca de 12 €) e Meio Século 50, vinho tinto DOC comemorativo dos 50 anos da Adega, a cerca de 30 €. Actualmente a Adega tem uma promoção de Natal de caixas com várias combinações dos seus vinhos a preços substancialmente mais baixos. As encomendas poderão ser feitas para a morada da Adega ou por mail, disponíveis no site da Adega.

Kroniketas, enófilo viajante

Adega Cooperativa de Portalegre
Apartado 126
Tebaida, Ribeira do Baco
7301-901 Portalegre
Telef: 245.300.530

sexta-feira, 21 de julho de 2006

No meu copo 52 - Conventual 2005

Eis um vinho que não me encanta nem desencanta. Apesar de todos os encómios que são feitos aos vinhos de Portalegre, ainda não encontrei um que me enchesse verdadeiramente as medidas.
Este Conventual de 2005, da Adega Cooperativa de Portalegre, apresenta-se com uma cor granada, bastante fechada, aroma pouco exuberante para as castas que utiliza (Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet), final de prova pouco vincado. Pode ser da tenra idade, pois é um vinho ainda muito jovem, e precisar de repousar mais algum tempo em garrafa, mas é daqueles que não me deixam grandes recordações, apesar do esforço.
É um vinho da gama média-baixa e não vale realmente mais do que aquilo que custa. Certamente que a Adega Cooperativa de Portalegre fará vinhos muito melhores que este, e eu fico à espera de descobri-los.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Conventual 2005 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Adega Cooperativa de Portalegre
Grau alcoólico: 13%

Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 2,19 €
Nota (0 a 10): 5,5

sábado, 1 de abril de 2006

No meu copo 37 - Montado 2002

Uma boa surpresa. Sabendo que os vinhos alentejanos por princípio não devem ser guardados por muito tempo, e tratando-se dum vinho da gama média-baixa, foi com alguma curiosidade que abri esta garrafa duma colheita quase com 4 anos.
O Montado é produzido pela José Maria da Fonseca a partir de vinhas situadas em duas regiões distintas do Alentejo, Reguengos e Portalegre, com predominância das castas Castelão, Aragonês e Trincadeira.
Pensando que já poderia ter deixado passar tempo de mais, foi com algum espanto que verifiquei estar o vinho em excelente forma. Um bom aroma, ainda jovem, e uma prova extremamente macia, coisa que começa a rarear em muitos vinhos devido a graus alcoólicos exageradamente elevados, num conjunto bastante agradável. Dentro destes preços, diria mesmo que é difícil encontrar melhor, uma vez que se consegue comprar por menos de 3 euros. Uma marca talvez menos conhecida que outras congéneres, como o Monte Velho e o Monsaraz, mas que não lhes fica atrás. Óptima aposta para um consumo frequente a baixo preço.
Já constava das nossas escolhas e justificou a permanência.

Nota: esta garrafa foi aberta para acompanhar o famoso Bife à café, e saiu-se muito bem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Montado 2002 (T)
Região: Alentejo (Reguengos e Portalegre)
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 12,5%

Castas: Castelão, Aragonês, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 2,79 €
Nota (0 a 10): 6,5