sexta-feira, 14 de novembro de 2008

No meu copo 212 - Evel Grande Escolha 2003; Grantom 2001

Continuamos nos domínios da Real Companhia Velha, com mais dois tintos. Um é uma versão nova de um vinho antigo, o Evel, o outro, o Grantom, é um regional Trás-os-Montes.
Este Evel Grande Escolha, existente há menos de 10 anos e que pretende ser o topo de gama da casa, pôs-me algumas dúvidas quanto ao momento de consumo. Adquirido com a Revista de Vinhos em 2006, portanto ainda relativamente novo, decidi esperar algum tempo, seguindo aliás o conselho que a revista dava, mas a dúvida era sempre a mesma, uma vez que não conhecia o vinho: até quando?
A verdade é que quando eu e o tuguinho resolvemos abri-lo, com menos de 5 anos de idade, revelou-se algo decepcionante. Estávamos à espera dum vinho pujante e com alguma exuberância aromática, mas não foi nada disso que encontrámos. Apareceu com os aromas algo escondidos e muito redondo e linear na boca. É, aliás, uma situação algo recorrente em certos vinhos do Douro, possivelmente terá acontecido o mesmo com a prova do Quinta dos Aciprestes Reserva 2003, referido no post anterior, ou então já passou a melhor fase, o que é duvidoso dada a sua idade.
Como havia mais vinhos em prova acabou por ficar ainda uma boa parte na garrafa. A surpresa veio no dia seguinte, em que o vinho estava muito melhor. Aí sim, mostrou maior complexidade e maior persistência, com a fruta bem integrada na madeira. Dito isto, e voltando a comparar as minhas impressões com as provas de outros blogues (Saca-a-rolha, prova de Setembro de 2006 e Pingas no Copo, colheita de 2001 provada em Maio de 2006), fico com a sensação de que estou com azar no momento das provas ou nas garrafas que me calham. E tendo em conta que não fiz nenhuma das provas sozinho (o problema podia ser só meu), a sensação foi partilhada. Portanto, fico a pensar porque é que dois vinhos adquiridos com a Revista de Vinhos e bastante elogiados pelos comparsas eno-bloguistas me passaram mais ou menos ao lado. Será que os deveria ter provado mais cedo? Deveria tê-los decantado uma ou duas horas antes? Neste caso do Evel Grande Escolha 2003, tendo em conta que só passadas 24 horas é que o vinho se revelou, como prepará-lo para a prova sem saber o que ia encontrar? Sendo assim, a nota que atribuímos é sob reserva.
Já o Grantom 2001 mostrou logo o que era. Este sim, mais pujante, mais exuberante nos aromas e mais complexo, com boa estrutura na boca e final longo, taninos presentes a dar firmeza ao conjunto mas sem ofuscarem o perfil aromático e o equilíbrio da prova. Muito bom para o preço que custa e adequado para acompanhar pratos fortes de carne.
Dito isto, fica a pergunta: o que é que me está aqui a faltar para usufruir na plenitude do que supostamente seriam dois belos vinhos, tendo em conta que a temperatura de serviço, os copos e até os pratos servidos à refeição estavam adequados? Alguém quer dar um palpite? Será que faltou decantar uma hora ou duas antes? Mas como saber sem conhecer o vinho? O produtor não deveria dar essa indicação no contra-rótulo quando tal se justifica? São raríssimos (menos de 1%, diria eu) os casos em que isso acontece.

Kroniketas, enófilo desconfiado

Produtor: Real Companhia Velha

Vinho: Evel Grande Escolha 2003 (T)
Região: Douro
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinto Cão
Preço em feira de vinhos: 12,38 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Grantom 2001 (T)
Região: Trás-os-Montes
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 4,75 €
Nota (0 a 10): 8