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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

No meu copo 268 - Cono Sur, Pinot Noir 2007

Numa incursão à Wine o’Clock de uma pequena delegação da comunidade de eméritos bebedores de Os Comensais Dionisíacos, comprei – comprámos que o Kroniketas também levou uma para ele – um Pinot Noir 2007 da conhecida empresa chilena Cono Sur. Sendo adepto e consumidor frequente de alguns dos vinhos daquela casa, designadamente do Cono Sur Cabernet Sauvignon, cuja relação preço-qualidade reputo de muito boa, a aquisição para prova e primeira experiência do Pinot Noir revelou-se natural. Quando peguei na garrafa, porém, e mesmo perante o vidro escuro, o vinho pareceu-me ter uma tonalidade aclarada de mais, porventura mais perto de um rosé do que de um tinto. Razão pela qual as expectativas ficaram desde logo colocadas numa fasquia baixa. É sobretudo por outras, mas também por estas, que se fazem provas em copos opacos. Sem desvalorizar o facto de que o contacto visual com o vinho nos pode fornecer de imediato uma ideia da limpidez/ausência de turvação, do unto e do corpo do vinho, o facto é que por vezes, como neste caso, nos faz baixar injustamente as expectativas, condicionando a avaliação.


Esforçando-me para pôr de lado este preconceito, posso dizer que, fora disso, o Pinot Noir passou a prova. Na boca revela uma nota predominante a frutos vermelhos, amora e framboesa. O corpo é mediano. A acidez é equilibrada e os taninos estão muito mas mesmo muito arredondados, o que é uma marca distintiva dos vinhos daquelas paragens e uma das razões do seu sucesso. É que de tão redondos, são vinhos que fazem facilmente o pleno de opiniões favoráveis sobretudo em refeições familiares e de amigos mais ou menos apreciadores de vinho. É, pois, um vinho sem arestas, mas longe de ser liso. Tem alguma persistência na boca onde depois da fruta ficam com razoável permanência alguns tostados e algum especiado. A mim agradou-me. Cumpriu plenamente o que dele se exigia em termos de custo-qualidade. É, por isso, a juntar ao Cabernet Sauvignon daquela Casa, uma escolha a repetir para consumo frequente.

Politikos, enófilo amador e apreciador dos vinhos do Novo Mundo

Vinho: Cono Sur Pinot Noir 2007
Região: Central Valley (Chile)
Produtor: Cono Sur Vineyards & Winery - Santiago
Grau alcoólico: 14%
Casta: 100% Pinot Noir
Preço: 4,95€
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 16 de julho de 2009

No meu copo 249 - Brancos do Novo Mundo: Casa Silva Reserva, Sauvignon Blanc 06; Cono Sur, Sauvignon Blanc 08; Swartland Private Bin, Chardonnay 08

A época estival foi pretexto para uma reunião do núcleo dos resistentes dos Comensais Dionisíacos com o objectivo de fugir ao hábito dos tintos e degustar uns brancos. Para isso reunimo-nos na casa do Mancha e levámos alguns brancos do stock para acompanhar um arroz de tamboril com gambas confeccionado à moda da casa, bem temperado e malandrinho.
As garrafas eram mais que os convivas pelo que houve que fazer escolhas. Em destaque estiveram os monocasta do Novo Mundo, adquiridos numa das recentes visitas à Wine O’Clock. Começámos por um chileno que já tinha sido referenciado há alguns meses numa prova, um Casa Silva Reserva de Sauvignon Blanc (da região de Colchagua Valley, situada sensivelmente ao centro do país) e a escolha dificilmente seria melhor para início. Apresentou-se com cor citrina desmaiada com um aspecto límpido e brilhante, muito aromático com predominância de citrinos e com grande frescura, médio de corpo mas com bom fim de boca. Um vinho a repetir.
Continuando no Chile, uma marca também bastante referenciada nas provas da Wine O’Clock: um Cono Sur igualmente de Sauvignon Blanc, proveniente de Central Valley, também na zona central do país. Talvez um pouco menos exuberante nos aromas que o anterior, com um toque ligeiramente mineral, corpo médio e fruta discreta, ainda assim a fazer um bom casamento com o prato.
Da América do Sul demos um salto à África do Sul para terminar com um Swartland feito de Chardonnay (a região de Swartland fica situada na costa oeste da África do Sul, no lado do oceano Atlântico e a norte da Cidade do Cabo). Apesar dos encómios do portador da garrafa, não me convenceu grandemente, mas já é habitual esta minha relação difícil com os brancos de Chardonnay, porque quase sempre chocam com o meu gosto. Há algumas semanas fui a uma prova de Chardonnay para tentar entender-me melhor com esta variedade, mas não me encantaram. Na verdade até agora o único Chardonnay que me agradou verdadeiramente foi um francês de Chablis. Por isso não me vou deter muito em considerações, referindo apenas o habitual perfil encorpado e com alguma estrutura que marca os vinhos desta casta.
Há mais brancos do Novo Mundo para provar e para descobrir, e por estas amostras vale a pena continuar a experimentá-los.

Kroniketas, enófilo refrescado

Vinho: Casa Silva Reserva, Sauvignon Blanc 2006 (B)
Região: Colchagua Valley (Chile)
Produtor: Viña Casa Silva - San Fernando
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço: 4,75 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Cono Sur, Sauvignon Blanc 2008 (B)
Região: Central Valley (Chile)
Produtor: Cono Sur Vineyards & Winery - Santiago
Grau alcoólico: 13%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço: 4,14 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Swartland Private Bin, Chardonnay 2008 (B)
Região: Stellenbosch (África do Sul)
Produtor: Swartland - Malmesbury
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Chardonnay
Preço: 3,65 €
Nota (0 a 10): 7