(continuação)
Finda a prova, rumámos à casa do Politikos. Umas batatas fritas, uns nacos de novilho e uma costeleta do mesmo animal, fritos em azeite, com alho, vinho branco e umas ervas de Provence, à moda do Mancha, que se revelou exímio com a frigideira, foram os comes.
Para os bebes, alinharam dois Cabernet Sauvignon: um Casa Silva los Lingues Gran Reserva 2005 que se revelou muito bom, aromático no nariz, sobressaindo com clareza mas sem excesso o pimento verde característico da casta, e cheio na boca, com frutos vermelhos e no final alguma especiaria. Um puro Cabernet Sauvignon.
Seguiu-se um Quinta de Vale de Fornos Grande Escolha Cabernet Sauvignon 2006, de que francamente gostámos muito menos. Sem estar passado e mostrando um nariz próximo do Casa Silva, defraudou na boca em que se mostrou rústico, com algo de adega e notas herbáceas muito pronunciadas, e porventura já em decadência. Já agradou, sem deslumbrar, em provas anteriores, mas desta vez ficou aquém, possivelmente muito prejudicado por ser servido a seguir ao Casa Silva.
Para sobremesa, um lokum com pistachios, resultado de uma viagem recente do Politikos à Turquia, cujos cubos se revelaram firmes e com todo o seu paladar intacto, resultado da embalagem em vácuo. Finalizámos com um Porto VZ 10 anos, escolha do Kroniketas, que se mostrou fechado e modesto. A escolha do Politikos teria sido um Quinta do Pasadouro Vintage 2000 da Niepoort, com outro perfil, é certo, mas que com certeza teria prestado melhores provas. Depois, ainda estivemos à conversa que esteve boa até quase às 4h00 por entre discos pedidos e recordações em vinil, sobretudo dos anos 80.
E assim, com recordações de tempos antigos, voltámos às lides neste blog após 6 meses exactos de interregno. Não prometemos nada, mas vamos tentar tornar a ser mais regulares, para que o aniversário deste blog, que se aproxima, não venha a ser um obituário...
Politikos e Kroniketas, enófilos monocasta, desta vez com Cabernet Sauvignon
Vinho: Casa Silva Los Lingues Gran Reserva, Cabernet Sauvignon 2005 (T)
Região: Colchagua Valley (Chile)
Produtor: Viña Casa Silva - San Fernando
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Cabernet Sauvignon
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta de Vale de Fornos Grande Escolha, Cabernet Sauvignon 2006 (T)
Região: Ribatejo/Tejo (Azambuja)
Produtor: Soc. Agric. Vale de Fornos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Cabernet Sauvignon
Nota (0 a 10): 6,5
Vinho: Porto VZ 10 anos
Região: Douro/Porto
Produtor: Lemos & Van Zeller
Grau alcoólico: 20%
Nota (0 a 10): 6
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
No meu copo 276 - Casa Silva Los Lingues Gran Reserva, Cabernet Sauvignon 2005; Quinta de Vale de Fornos Grande Escolha, Cabernet Sauvignon 2006
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segunda-feira, 20 de outubro de 2008
No meu copo 206 - Cabriz rosé 2007; Periquita rosé 2007; Quinta da Alorna, Touriga Nacional rosé 2007


As férias de Verão também foram aproveitadas para provar alguns rosés dentre os muitos que têm aparecido. Neste caso foram duas repetições e uma estreia. Já temos falado do crescendo dos rosés entre nós e, tal como os brancos, a sua qualidade tem vindo a crescer o que tem ajudado (e de que maneira) ao aumento da procura por estes dois tipos de vinho ainda há poucos anos tão mal amados, principalmente este de que agora falamos, que alguns nem consideravam vinho. Aliás, parece que para alguns produtores isso ainda é verdade pois ainda fazem os seus rosés a partir de sangrias de cuba. Mas o panorama é, actualmente, francamente animador e dá aos enófilos um bom leque de escolhas variadas.
Começamos pelo Periquita rosé 2007, uma das recentes apostas da José Maria da Fonseca na renovação desta marca secular. É o típico vinho de Verão, de esplanada, com um toque adocicado, bom para entradas ou simplesmente para beber como aperitivo num dia quente.
O Cabriz rosé 2007, uma repetição depois de já ter provado o de 2006, mantém a mesma linha leve e suave, com aroma floral e de frutos vermelhos. Mais personalizado que o Periquita e também um pouco mais versátil porque é mais seco. Igualmente bom para entrada, aperitivo ou para beber a solo mas também com pendor gastronómico.
Finalmente, o Quinta da Alorna rosé, Touriga Nacional 2007, para mim um dos melhores rosés do momento. No Verão do ano passado já me tinha encantado com o de 2006, e agora tive oportunidade de provar o de 2007, que me pareceu ainda melhor. Muito aromático e elegante, com aroma pronunciado a morangos e framboesas, seco e elegante na boca mas bem estruturado, ou seja, tudo no sítio neste belo rosé ribatejano, onde se conjugam nas doses certas o fruto, o álcool, o corpo, a acidez e a frescura. Um rosé para ter sempre na garrafeira.
Kroniketas, enófilo rosado
Vinho: Cabriz 2007 (R)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 12%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 3,98 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Periquita 2007 (R)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 11,5%
Castas: Castelão, Trincadeira, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 4,25 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Quinta da Alorna, Touriga Nacional 2007 (R)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 8
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quarta-feira, 10 de setembro de 2008
No meu copo 200 - Quinta da Alorna: Reserva 2002; Reserva Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2003

Terminamos a segunda centena de posts dedicados a provas com mais uma abordagem aos vinhos da Quinta da Alorna, um produtor ribatejano de Almeirim por cujos vinhos temos passado com alguma frequência, e nesta segunda centena já o fizemos várias vezes. Desta vez eu e o Mancha provámos, com uns bifes de novilho Angus, dois tintos Reserva que se revelaram completamente diferentes: um Reserva de 2002 e um Reserva de Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon de 2003. Abrimos as duas garrafas ao mesmo tempo e servimos ambos os vinhos, que fomos bebendo alternadamente ao longo da refeição.
Desde logo o Reserva apresentou-se mais aberto, macio e suave. A Tinta Miúda estagiou 9 meses em carvalho americano e o Cabernet em carvalho francês. Na prova apresenta-se redondo na boca, com taninos suaves e grau alcoólico moderado. O aroma é discreto e o final relativamente curto. Um vinho adequado para pratos delicados de carne.
O Reserva de Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon mostrou outra estaleca. Com um aroma muito mais profundo e exuberante, na prova de boca aparece em todo o esplendor com um corpo volumoso, taninos pujantes bem presentes, com aroma a frutos vermelhos e alguma especiaria no início, a madeira resultante do estágio de 12 meses bem integrada no conjunto e um final com boa persistência e complexidade. Mas o mais curioso é que ao fim de uma hora o perfil do vinho muda completamente, surgindo então notas adocicadas de compota e frutos silvestres.
Isto mostra que muitas vezes não temos tempo de apreciar o vinho na totalidade quando a garrafa acaba. Neste caso, como fomos provando os dois vinhos em simultâneo eles duraram mais tempo e houve tempo suficiente para se libertarem na totalidade e desenvolverem todos os aromas escondidos. Este Reserva de Touriga e Cabernet foi realmente uma surpresa. É um vinho que se aguenta perfeitamente com pratos de carne bem temperados e pesados, pois está ali cheio de vigor. Belo vinho para terminar a segunda centena de provas. Hei-de procurá-lo novamente por aí, se possível já nas próximas feiras de vinhos.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Vinho: Quinta da Alorna Reserva 2002 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Tinta Miúda
Preço em feira de vinhos: 5,25 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,68 €
Nota (0 a 10): 8,5
PS: já depois da publicação deste post recebi a Revista de Vinhos deste mês, onde o vinho à venda é precisamente o Quinta da Alorna Reserva, Touriga e Cabernet 2006. Por 5,95 € é imperdível.
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quarta-feira, 2 de julho de 2008
No meu copo 187 - Quinta da Alorna: Reserva, Touriga Nacional 2003; branco 2006

A Touriga Nacional é a casta da moda. Planta-se em todo o lado, de norte a sul, e entra numa parte significativa dos vinhos de quase todas as regiões. A verdade é que, como já várias pessoas disseram, corremos o risco de assistir à “touriguização” do país vinícola, perdendo a tipicidade das várias regiões. Vem isto a propósito deste vinho que tive oportunidade de abrir, um Touriga ribatejano da Quinta da Alorna.
No contra-rótulo reza assim:
“É um bom exemplo da expressão da Touriga Nacional, a mais famosa e mediática casta tinta portuguesa. Um aroma efusivo cheio de resinas e anisados com flores silvestres, rebuçado de groselha e chocolate. Na boca mantém o perfil, resinoso e balsâmico, taninos gordos, fruto maduro, um tanto exuberante apesar da evidente qualidade.”
Na realidade, a mim pareceu-me mais um vinho em que a Touriga Nacional perde as suas características e a região também. Posso não ter compreendido bem o que estava a beber, mas a sensação que ficou é que este Quinta da Alorna Reserva feito com Touriga Nacional acaba por não ser um ribatejano típico nem um Touriga Nacional verdadeiro. Às vezes as combinações saem perfeitas e consegue-se um bom resultado das misturas mais inesperadas, mas neste caso fiquei com uma impressão diversa. Tal como parece acontecer quando se mete a Touriga Nacional nos vinhos da Bairrada (ficámos com essa sensação nos Ensaios Filipa Pato), este ribatejano perdeu as suas características e a Touriga também não me pareceu tão efusiva como dizia o contra-rótulo, nem o floral estava lá. Pode ser que numa próxima tentativa...
E já que estamos com a mão na massa, passamos ao branco. A Quinta da Alorna é uma das casas que têm contribuído para a recuperação da imagem dos vinhos do Ribatejo e já tem no seu portefólio um número significativo de vinhos bastante apreciáveis. Já tivemos oportunidade de provar o tinto normal, um branco Colheita tardia e um rosé de Touriga Nacional, e agora acrescentamos este branco à lista.
Feito a partir de duas das melhores castas brancas do país, a incontornável Arinto e a Fernão Pires, que se destaca entre as brancas no Ribatejo, tem uma cor citrina forte, aroma também marcadamente citrino, boca média e final marcado por uma acidez refrescante. Um branco que pode ser versátil, para pratos leves de peixe ou marisco ou para outros mais elaborados. Uma aposta refrescante e simpática para o Verão, e mais um bom produto desta quinta.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Vinho: Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 6,5
Vinho: Quinta da Alorna 2006 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 2,79 €
Nota (0 a 10): 7
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quarta-feira, 5 de março de 2008
Os vinhos da festa 2007-2008 (5)
No meu copo 167 - Outros tintos

Últimos tintos provados durante as já longínquas festividades de Natal e Ano Novo. Tem demorado terminar o balanço, mas outros afazeres têm tirado o tempo e a disposição para escrever e compor estes posts, assim como as últimas visitas em Portalegre. Cá vai.
Conde de Vimioso Reserva 2000 - Um vinho da Falua, a empresa de João Portugal Ramos no Ribatejo, muito conceituado nos guias de vinhos. Pareceu-nos contudo em perda. Com a cor ainda muito concentrada mas o corpo a esvair-se e os aromas a ficarem algo perdidos no copo. Talvez tenha passado tempo demais antes de ser bebido, mas pelo preço que custou esperava-se muito melhor. Nota: 7
Finca Flichman, Malbec 2003 - De cor rubi e suave de corpo, com aroma marcadamente frutado e final discreto mas com alguma persistência, pareceu-nos vinho que ainda estava ali para se aguentar por mais uns tempos. Uma boa surpresa de uma casta e de um país que deveríamos conhecer melhor. Nota: 7,5
Beaujolais 2004 - Um dos tipos de vinho emblemáticos de França, mas em que este exemplar se fica pela mediania. É preciso notar que se tratou de uma compra a baixo preço, pelo que poderá não se tratar do melhor representante do vinho em causa. Trata-se de um vinho jovem e aberto, com cor mais de clarete que de tinto, adequado para acompanhar queijo ou charcutaria e a beber ligeiramente fresco. Portou-se bem com as entradas da refeição. Sem grandes pretensões, pode ser um bom acompanhante se não se esperar dele mais do que pode dar. Nota: 6,5
Kroniketas, enófilo vagaroso
Vinho: Conde de Vimioso Reserva 2000 (T)
Região: Ribatejo
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 15,95 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Finca Flichman, Malbec 2003 (T)
Região: Mendoza (Argentina)
Produtor: Finca Flichman
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Malbec
Preço em feira de vinhos: 4,99 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Beaujolais 2004 (T)
Região: Beaujolais (França)
Produtor: Pierre Chanau - Rhône
Grau alcoólico: 12%
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 6,5
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sexta-feira, 5 de outubro de 2007
No meu copo, na minha mesa 138 - Quinta da Alorna rosé, Touriga Nacional 2006; Restaurante Al Dente (Alvor)

Os brancos e rosés de férias (V)Uma das incursões de férias, como já vem sendo habitual, foi a um restaurante italiano (também houve uma a um restaurante indiano, mas essa não é para aqui chamada; aliás, não saberia o que dizer...). Já tínhamos ficado de olho nele o ano passado, numa passagem por Alvor, e desta vez fomos mesmo lá.
O espaço é amplo e frondoso, numa espécie de esplanada interior, a dar para uma varanda que pode ser destapada nas noites mais quentes (não foi o caso deste Verão, certamente), salpicada por várias pequenas árvores espalhadas pelo recinto. Como é habitual na época, mesmo com mesa marcada espera-se... e espera-se... e espera-se... até nos podermos sentar e até sermos atendidos e poder começar a refeição. Mas quanto a isso, já percebi que não há nada a fazer. É ir preparado para começar às 10 da noite.
De qualquer modo, acabou por valer a pena a espera. A ementa é bastante variada, com várias carnes para além da enorme profusão de massas e pastas. E assim se pediram coisas tão variadas como macarrão tostado, regina gratinata, bifinhos de porco panados, bife Veneza, involtini e se terminou com tiramisu, crepe com chocolate e crepe com mel e nozes. E toda a gente ficou agradada com a qualidade da confecção.
O atendimento também é simpático e eficiente, descontado o tempo de espera já referido.
E para acompanhar tão variadas iguarias, a pedido de várias famílias fomos para o rosé. Porque era Verão, porque era comida italiana. As opções não eram muitas e resolvi estrear este Quinta da Alorna, que não conhecia. Agora que os rosés estão na moda e que se faz vinho rosé um pouco por todo o país, já quase não há um produtor conceituado que não tenha o seu rosézito. E este saiu muito bem. Bastante aromático, ligeiramente floral e com predominância de frutos vermelhos no aroma e no paladar (sente-se ali um toque a morangos ou framboesa), medianamente encorpado e muito fresco na prova de boca, com alguma persistência a marcar um final suave e seco. Uma boa surpresa para primeiras impressões.
Claro que saindo das mãos do enólogo Nuno Cancella de Abreu só podia ser bom. Não o tenho visto por aí à venda, mas vou ficar atento.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta da Alorna 2006 (R)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço no restaurante: 12 €
Nota (0 a 10): 7,5
Restaurante: Al Dente (italiano)
Quinta da Praia, Lote 4 - Loja 16
8500 Alvor
Telef: 282.457.555
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4
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quinta-feira, 17 de maio de 2007
Prova à Quinta - O sexto
Para este desafio aqui lançado há duas semanas, as Krónikas Vinícolas foram às garrafeiras vasculhar o que havia de Cabernet Sauvignon, escolheram, escolheram, foram às várias regiões, reuniram e provaram não um, não dois, não três, mas quatro vinhos, a saber:
- Cabernet Sauvignon do Esporão 98, do Alentejo
- Quinta do Poço do Lobo 91, da Bairrada
- Fiúza Cabernet Sauvignon 2004, do Ribatejo
- Caves Velhas Cabernet Sauvignon 2000, da Estremadura
Estes vinhos representam as regiões onde têm sido feitos monovarietais de Cabernet com maior regularidade, faltando apenas os de Terras do Sado. Tivemos três vinhos já com alguma idade e um mais recente. De fora ficaram o Casa Cadaval de 99 e o Quinta de Pancas de 2001, por já terem sido feitas provas de exemplares desses vinhos, e para não ficarmos completamente embriagados no final...
Cabernet Sauvignon (Esporão) 1998
Começámos pelo Cabernet Sauvignon do Esporão. Apresentou-se macio, muito bem integrado e com aroma a frutos secos. A madeira estava bem casada no aroma e sem excessos, com um ligeiro fumado. Na boca mostrou um fundo de frutos muito maduros, ainda alguma adstringência e fim de boca prolongado e suave. Não se nota o álcool e a acidez está correcta. Um vinho com bom corpo, sendo já do ano de 1998.
Quinta do Poço do Lobo, Cabernet Sauvignon 1991
Este vinho foi comprado numa das feiras mais recentes, apesar da idade, e com o único intuito de ver como estaria um vinho desta casta com esta idade. Foi decantado cerca de uma hora antes da refeição e vertido para o copo com uns minutos de antecedência, para que pudesse abrir mais. Apesar de denotar a idade, mostrou estrutura e sabor ainda agradável, embora já não no seu auge. De cor granada escura, foi uma boa experiência, embora em circunstâncias normais já se devesse ter bebido.
Fiúza, Cabernet Sauvignon 2004
O Fiúza presenteou-nos com um aroma agressivo no bom sentido (pujante) e um fundo de erva fresca muito agradável. A boca estava no ponto, com alguns taninos e, se bem que curto, o fim de boca mostrou-se saboroso e com um ataque forte.
Ao fim de uma hora, como seria de esperar, estava muito mais macio, sem a tal agressividade inicial. Bom corpo. Bebeu-se o que restou no almoço do dia seguinte (esteve devidamente rolhado com rolha de vácuo) e mostrou-se algo decaído.
Caves Velhas, Cabernet Sauvignon 2000
Para o fim ficou o Caves Velhas de 2000, um dos melhores na prova. Aroma muito fumado, com fundo vegetal omnipresente mas sem subjugar os outros odores e uma cor rubi muito agradável.
Sabor a couro e vegetal, macio na boca mas persistente, com uma adstringência suave. Fim de boca longo com fundo de frutos secos. Mediano de corpo. Ao contrário do Fiúza, no dia seguinte mostrou-se ainda melhor.
Em conclusão, tivemos vinhos com algumas semelhanças devido à casta e até devido à idade algo avançada que lhes retirou alguma vivacidade, mas com perfis um pouco diferentes. Os mais equilibrados foram o do Esporão e o das Caves Velhas, com um bom balanço entre a acidez, o corpo e os aromas. O Poço do Lobo mostrou-se algo cansado e o Fiúza, embora vivo e mais exuberante que os outros, acabou por mostrar algum excesso de álcool, conquanto não chegasse a desequilibrar o vinho.
No conjunto, o do Esporão confirmou aquilo que se esperava dele, com um frutado ainda marcante e um belo corpo, sem dar sinais de exagero na componente vegetal, mais presente no Fiúza. De todo o modo, não se notou qualquer predominância dos famigerados pimentos verdes, que como diz o Copo de 3 parecem ensombrar os vinhos desta casta e parecem também tomar conta do imaginário dos enófilos. Como dissemos num comentário no post onde lançámos o desafio, um vinho bem feito não deve saber a pimentos verdes, senão algo está mal. Nesse aspecto, o Cabernet do Esporão, que entretanto deixou de ser feito, pede meças a qualquer outro, pois sempre teve uma predominância a frutos secos e vermelhos muito bem integrada com a madeira, com uma acidez correcta e um grau alcoólico moderado.
É pena que os caríssimos eno-bloguistas já não o possam provar (a não ser que ainda haja à venda nalgum sítio esquecido, ou na Herdade do Esporão), pois aqueles que não gostam desta casta talvez mudassem de ideia. Nós conhecemos este vinho desde o seu lançamento, com a colheita de 91, e acompanhámo-lo até ao fim, já em garrafas de meio-litro. As últimas sete, desta colheita de 98, foram compradas numa garrafeira da Praia da Rocha, em 2003, a 11 € cada uma. Ainda nos restam 2, para saborear os últimos prazeres.
Em conclusão, se esta casta é plantada em todo o mundo por alguma razão há-de ser. E para encontrar bons exemplares, mesmo portugueses, só há que procurá-los.
tuguinho e Kroniketas, enófilos esforçados e esclarecidos
Vinho: Cabernet Sauvignon (Esporão) 98 (T) (garrafa de ½ litro)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 13%
Preço: 11,37 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Caves Velhas, Cabernet Sauvignon 2000 (T)
Região: Estremadura
Produtor: Caves Velhas
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em feira de vinhos: 4,81 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Fiúza, Cabernet Sauvignon 2004 (T)
Região: Ribatejo
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 14,5%
Preço em feira de vinhos: 3,92 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Quinta do Poço do Lobo, Cabernet Sauvignon 91 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13%
Preço em feira de vinhos: 4,35 €
Nota (0 a 10): 6
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Etiquetas: Cabernet Sauvignon, Caves S Joao, Caves Velhas, Esporao, Estremadura, Fiuza, Prova à 5ª, Reguengos, Ribatejo, Tintos
segunda-feira, 14 de maio de 2007
No meu copo 113 - Fiúza, Merlot 2000
Foi a primeira vez que apreciei este vinho extreme da casta Merlot da casa Fiúza. Portou-se bem apesar da idade, apresentando uma cor aberta e limpa e aroma moderado. Foi degustado com um prato leve, visto que a Merlot não é propriamente conhecida por fazer vinhos encorpados e que aguentem com pratos mais consistentes. É precisamente aí que penso que mora o calcanhar de Aquiles destes vinhos – têm pouco corpo! É óbvio que nem só de vinhos encorpados se faz o mundo dos vinhos, mas o corpo demasiado delgado deste Merlot fica-me sempre atravessado, como se lhe faltasse qualquer coisa, o golpe de asa para alcançar voos mais altos. E com o corpo delgado vem também um fim de boca demasiado breve...
Apesar destas considerações, não se pense que é um mau vinho. Aliás, já o referi no início, não se portou nada mal. Mas podia ser melhor.
tuguinho, enófilo esforçado
Vinho: Fiúza, Merlot 2000 (T)
Região: Ribatejo
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 13º
Casta: Merlot
Preço em feira de vinhos: 7,95 €
Nota (0 a 10): 6,5
sexta-feira, 20 de abril de 2007
No meu copo 107 - Quinta da Alorna 2004

No meio de tantos vinhos de gama baixa que não passam da vulgaridade que temos apreciado nas últimas semanas, encontrámos outro no Ribatejo que se destaca da mediana: o Quinta da Alorna 2004. Não é Reserva, não é Colheita Seleccionada, não é monocasta, é simplesmente o Alorna. E é bom.
Tem outro aroma logo na prova, outra estrutura na boca, outra complexidade, outro final, com um leve toque a especiarias e ligeiro frutado, com taninos redondos mas presentes, a pedir uma carne mais bem temperada ou mesmo um prato de caça.
Não sendo excepcional nem deixando de ser um vinho da mesma gama dos anteriores, neste a matéria-prima parece ter sido mais bem tratada, o que confirma a razão pela qual muitas vezes temos preferências pelos vinhos de certas casas. São aquelas em que mesmo os vinhos menos bons... são sempre bons. É o caso desta Quinta da Alorna com esta entrada de gama que não envergonha ninguém.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta da Alorna 2004
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Syrah, Castelão, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 2,68 €
Nota (0 a 10): 7
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terça-feira, 17 de abril de 2007
No meu copo, na minha mesa 106 - Casal da Coelheira Reserva 2003; Chico Elias (Tomar)
Este é um daqueles restaurantes que aparecem em todos os roteiros gastronómicos, tendo granjeado tal fama que só se consegue lá ir marcando mesa com antecedência. Fica situado no lugar de Algarvias, na periferia de Tomar.Fui lá almoçar num domingo e cheguei cedo, quando o restaurante ainda estava vazio. Existe uma primeira sala que dá acesso à sala maior, decorada com alguns motivos alusivos ao Ribatejo. Uma das principais referências da ementa é o coelho na abóbora e foi esse o prato previamente encomendado. O dito animal vem cozinhado dentro duma abóbora, cujo tamanho varia com o tamanho da dose, sendo acompanhado por batatas e grelos cozidos. Para quatro adultos e duas crianças calhou-nos uma abóbora… enorme, donde sobrou quase metade.
O coelho vem cozido num molho muito espesso que só é entrecortado pelos legumes do acompanhamento. Come-se, come-se, e aquilo nunca mais acaba. Convém não esquecer que antes do prato propriamente dito, vêm para a mesa uma série de entradas que desde logo enchem metade do estômago se formos atrás do engodo: feijoada de caracóis (picante), morcela de arroz e petingas no forno.
Quando finalmente somos derrotados pela quantidade de comida, abre-se outro leque de escolhas para a sobremesa, onde acabámos por cair no tradicional leite-creme.
E depois deste fartanço, perguntam vocês, qual é o balanço? Pois digo que todos esperávamos... não mais, mas melhor. Tudo em grande quantidade, mas a qualidade não é nada de extraordinário que justifique tanta fama. Estaremos perante um daqueles casos em que se adormece à sombra da fama adquirida, ou será que a fama é mais artificial do que merecida? Já me aconteceram outros casos de grandes famas não corresponderem à realidade encontrada, como foi o caso do Ramalhão, em Montemor-o-Velho. Enfim, vale a pena a experiência, mas fica aquém da expectativa criada por tanta publicidade. O Expresso, por exemplo, deu-lhe “garfo de ouro” em 2004, 2005 e 2006. Vale a pena ir ao site do jornal e ver os comentários dos leitores na secção “Boa cama, boa mesa”.
Quanto ao vinho, as opções não eram muito variadas, e mais uma vez houve alguma dificuldade para encontrar um vinho da região (Ribatejo) de qualidade, como já tinha acontecido no Almourol. Para não cairmos sempre nos alentejanos, escolhemos um tinto Casal da Coelheira Reserva de 2003. Diga-se que não passa da mediania. É um vinho medianamente encorpado, não muito robusto e não muito aromático. Está longe de outros como os Fiúza, os Casa Cadaval ou o Falcoaria, por exemplo, e também não parece querer ir muito mais além.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Restaurante: Chico Elias
Rua Principal, 70 - Algarvias
2300-302 Tomar
Telef: 249.311.067
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 3,5
Vinho: Casal da Coelheira Reserva 2003 (T)
Região: Ribatejo
Produtor: Centro Agrícola de Tramagal
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvigon, Alicante Bouschet
Nota (0 a 10): 5,5
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quarta-feira, 28 de março de 2007
As 100 primeiras provas - Tintos da Estremadura, Ribatejo e Terras do Sado
As nossas apreciações a vinhos tintos da Estremadura, Ribatejo e Terras do Sado:
Estremadura
Caves Velhas, Castelão 2000 - 6,5
Monte Judeu, Aragonês 2002 - 7,5
Quinta do Sanguinhal 98 - 8
Vinha da Nora 2002 - 8
Ribatejo
Casa Cadaval, Cabernet Sauvignon 99 - 7,5
Caves Velhas, Castelão 2000 - 6,5
Conde de Vimioso 2002 - 6
Terras do Sado
Adega de Pegões, Colheita Seleccionada 2001 - 8
Caves Velhas, Castelão 2000 - 6,5
Má Partilha, Merlot 2000 - 7
Palmela Pingo Doce, Colheita Seleccionada 2000 - 7,5
Pinheiro da Cruz 97 - 8
Pinheiro da Cruz 99 - 7
Pinheiro da Cruz 2003 - 7
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quarta-feira, 29 de novembro de 2006
No meu copo 71 - Quinta da Alorna branco, Colheita tardia 2003
Um vinho difícil é a primeira coisa que se pode dizer deste, que segue um pouco a moda actual de fazer vinhos deste género, em que as uvas são colhidas em Outubro ou Novembro, em estado de sobrematuração, normalmente naquilo que se convencionou chamar de podridão nobre.
Estes vinhos resultam muito concentrados de corpo e muito doces, com elevado grau alcoólico, dando-lhes um perfil quase de vinhos generosos, adequados para acompanhar sobremesas. Dada a sua elevada concentração e doçura, normalmente são apresentados em garrafas de meio litro e não de 7,5 dl.
Este Quinta da Alorna segue essa linha, com uma cor quase de mel, a tender para o caramelizado. No nariz, a primeira sensação parece realmente de algo apodrecido, o que estranha quem não está habituado. Depois prova-se e vamos tentando habituar o paladar àqueles sabores adocicados fora do vulgar. Aqui a sensação tende para as compotas ou mais para o mel, mas sempre com um certo travo de fungos ou bolor lá no fundo.
Como experiência é interessante, mas confesso que não fiquei fã do género. É necessária bastante habituação a estes aromas, o que, dada a pouca frequência com que se prova um vinho destes, não deve ser fácil de conseguir.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta da Alorna, Colheita tardia 2003 (B)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Casta: Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 8,5 €
Nota (0 a 10): 6,5
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sexta-feira, 3 de novembro de 2006
No meu copo 65 - Caves Velhas, 3 “terroirs”; Caves São João Reserva 85

O FC Porto-Benfica de sábado serviu de pretexto para dar um primeiro passo na operação “O desbaste da garrafeira - fase 1”. Perante o excesso de stock que de momento se verifica nas nossas garrafeiras após as compras das feiras, as Krónikas Vinícolas empenham-se no fornecimento dos líquidos para os repastos que se querem frequentes.
Compareceram à chamada o tuguinho (escreve-se sempre com minúscula), o Kroniketas, o Mancha na qualidade de anfitrião, o Pirata e ainda o Politikos na qualidade de artista convidado. Faltou o Caçador, que anda entretido com a caça (vamos ver se dali sai algum material para mais um repasto).
Não tendo havido acordo prévio acerca dos vinhos a servir, decidimos escolher, cada um, dois grupos de 3 garrafas de uma região, para depois submeter à votação.
O tuguinho apresentou 3 varietais do Douro:
- 1 Quinta da Urze Touriga Nacional
- 1 Quinta do Cachão Tinta Roriz
- 1 Quinta do Cachão Tinto Cão
A estes juntaram-se 3 vinhos de Castelão feitos pelas Caves Velhas em 3 regiões diferentes:
- 1 no Ribatejo
- 1 na Estremadura
- 1 em Palmela
O Kroniketas optou por 3 varietais da Casa Cadaval:
- 1 Trincadeira Preta
- 1 Merlot
- 1 Pinot Noir
Como segundo grupo apresentou 3 relíquias da Bairrada:
- 1 Messias Garrafeira de 83
- 1 Vilarinho do Bairro Garrafeira de 83
- 1 Caves São João Reserva de 85
Apareceram ainda um Reserva do Esporão de 1990, levado pelo Pirata, e um Herdade do Pinheiro levado pelo Politikos. O aspecto geral do painel era o que se pode ver no post introdutório a este.
Apesar da insistência do tuguinho, os varietais do Douro foram desde logo rejeitados, porque ninguém estava para aí virado, até porque era inoportuno. Levar vinho do Douro em dia de Porto-Benfica só podia dar azar.
Acabámos por escolher os 3 Caves Velhas, uma compra partilhada de há alguns anos que nos despertou a atenção por terem sido elaborados com a casta Castelão cultivada em 3 regiões diferentes, daí o conjunto ser conhecido como 3 “terroirs”. Deixou-se a respirar o Caves São João, depois de devidamente decantado, para apreciar lá mais para o fim.
Para o repasto compraram-se uns bifes de vazia do Brasil, bem assessorados por uma dose extra de medalhões do lombo da raça Angus. Para a cozinha avançou o Kroniketas, tendo os ditos sido temperados com sal e pimenta e fritos em margarina a que se juntou limão, mostarda, natas e ervas de Provence, que deram um toque aromático excelente. Depois de fritos no ponto certo para deixar a carne tenra e ainda bem rosada, juntaram-se umas gotas de whisky ao molho que ferveu um pouco para engrossar. Regaram-se os bifes com o molho e serviram-se acompanhados por uma dose generosa de batatas fritas.
Passou-se então à degustação dos vinhos.
Começou-se a contenda pelo Caves Velhas do Ribatejo, que pela análise do aroma nos pareceu ser o “mais pronto” para ser bebido. O dito aroma era a frutos vermelhos maduros, o corpo era médio e na boca também se mostrou meão.
Seguiu-se o da Estremadura: o aroma estava um bocado sujo e na boca surgiu com um ligeiro gás a torná-lo desagradável. Parecia demasiado evoluído, mas como muita coisa na vida, nem tudo o que parece é - depois de estagiar por minutos nos copos esse gasoso foi-se e mostrou-se um vinho que, embora não sendo um portento de corpo, revelou sabores que só se apanham num vinho com alguns anos e acabou por ultrapassar o do Ribatejo nas opiniões dos convivas.
A versão Palmela mostrou o que já esperávamos: um Castelão típico, com o sabor a caramelo característico da casta quando criada na suas região de eleição, um corpo razoável e um fim de boca médio.
Mais do que a qualidade intrínseca de cada vinho, que não era nada de extraordinário, o que foi mais interessante nesta prova foi mesmo ver como a mesma casta, em regiões relativamente próximas e com um tratamento idêntico, deu origem a vinhos tão diferentes.
Deixámos o Bairrada para o fim, por respeito aos mais velhos. Mostrou-se saudável, com bons aromas e algo delgado de corpo, embora já não estivesse no seu auge - um Bairrada à moda antiga, daqueles que já se fazem pouco hoje em dia mas que dão muita satisfação a quem sabe esperar para os beber.
Enfim, foi melhor o repasto do que o resultado do futebol.
tuguinho e Kroniketas, enófilos e tudo
Vinhos: Castelão 2000 (T)
Regiões: Ribatejo, Estremadura e Palmela
Produtor: Caves Velhas
Grau alcoólico: 12%
Preço: não disponível
Nota (0 a 10): 6,5
Vinho: Caves São João Reserva 85
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12,5%
Preço: cerca de 1600 $
Nota (0 a 10): 7
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terça-feira, 18 de julho de 2006
No meu copo 51 - Conde de Vimioso 2002
Este é um vinho regional ribatejano da empresa de João Portugal Ramos em Almeirim, a Falua, que se posiciona na gama abaixo dos 5 euros, portanto na zona média-baixa. João Portugal Ramos é um nome bem conhecido a cujos vinhos já aqui fizemos referência em diversas ocasiões, nomeadamente aqueles que produz em Estremoz.
Da Falua já provámos o Conde de Vimioso Rosé e para uma próxima ocasião ficará o Conde de Vimioso Reserva.
O Conde de Vimioso tinto de 2002, comprado em 2004, é um vinho com alguma robustez, como é característico dos vinhos do Ribatejo, sem contudo ser agressivo. Bom corpo e aroma algo discreto, adequa-se a pratos de carne bem temperados, mas não excessivamente. Um borrego no forno é uma boa combinação.
Não sendo um vinho de encantar, também não desagrada e pode ser uma boa aposta para vinho do dia-a-dia, que se bebe com agrado, especialmente para os apreciadores de vinhos bastante encorpados. Beba-se desde já.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Conde de Vimioso 2002 (T)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 3,20 €
Nota (0 a 10): 6
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006
No meu copo 23 - Casa Cadaval, Cabernet Sauvignon 1999
A Herdade de Muge, situada na margem esquerda do rio Tejo e não muito distante de Lisboa, é uma propriedade muito antiga, estando na posse da família Álvares Pereira de Mello (Cadaval) há quase 400 anos.
Com uma longa tradição na produção vinícola, este Cabernet Sauvignon da Casa Cadaval depois de vinificado estagiou em meias pipas de carvalho americano e francês. O vinho apreciado era da colheita de 1999 e foi com algum receio que se abriu a botelha, comprada nos idos de Setembro de 2001, na Feira de Vinhos do Continente desse ano. Os receios revelaram-se infundados pois o vinho estava ali para durar, com uma estrutura impressionante. Sendo um vinho estreme de cabernet, após estes anos as notas vegetais já tinham desaparecido, como é óbvio, mas o que as substituiu foi uma profundidade de sabor que não se encontra nos vinhos novos desta casta.
De cor profunda e opaca, pouco exuberante de aroma mas espesso na boca, de sabores mais ligados ao couro que à fruta, revelou um surpreendente fim de boca e uma ligeira adstringência quando circulado na boca, o que indica que a sua vida ainda estava longe do fim. Apesar disso, esta é uma óptima altura para o beber, se por sorte ainda tiver umas garrafitas desta colheita.
Foi consumido com umas singelas bifanas de porco preto grelhado, que em nada obstaram à fruição do fermentado, bem pelo contrário.
Aconselha-se o arejamento atempado deste vinho antes do seu consumo – esta garrafa foi consumida em duas etapas, recorrendo a uma rolha de vácuo, e mostrou-se muito mais aberto na segunda ronda.
Em conclusão, este Regional Ribatejano recomenda-se, sendo um dos vinhos que convém manter sempre na nossa garrafeira – com rodagem frequente, claro!
tuguinho, enófilo esforçado
Vinho: Casa Cadaval Cabernet Sauvignon 1999 (T)
Região: Ribatejo (Regional)
Produtor: Casa Cadaval - Muge
Grau alcoólico: 13%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 8,47 €
Nota (0 a 10): 7,5
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2006
No meu copo 11 - Conde de Vimioso Rosé 2004
Experimentei este vinho com um prato massa com carne picada, do tipo italiano, e com bacalhau à Zé do Pipo. Gostei mais com o bacalhau. Trata-se dum vinho rosé com algum corpo e um grau alcoólico acentuado (13,5%), o que o torna apropriado para pratos um pouco mais pesados do que é habitual nos vinhos rosé, como por exemplo o famoso Mateus.
Este Conde de Vimioso é um vinho regional ribatejano, produzido por Falua, a empresa de João Portugal Ramos (de cujos vinhos já falámos noutro post) em Almeirim. Feito a partir de três castas tintas famosas: Tinta Roriz, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon. São excelentes castas para fazer tintos, mas neste caso parece-me que usá-las para fazer um rosé é um pouco de desperdício. Pessoalmente gosto (talvez por hábito) de vinhos rosé mais leves e suaves. Não sou daqueles que acham que rosé não é vinho, mas dada a sua especificidade acho que é um tipo de vinho mais adequado a entradas, massas ou comida chinesa.
Para quem gostar deste tipo de rosé pode ser uma compra interessante, mas prefiro outros dentro do género.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Conde de Vimioso 2004 (R)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço com a Revista de Vinhos: 4,50 €
Nota (0 a 10): 5
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23:58
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