Arinto 2008; Fernão Pires 2008; Sauvignon Blanc 2008

Após um interregno de quase dois meses devido a afazeres diversos (cada vez temos menos vida para isto, mas lá vamos tentando manter a chama acesa…), voltamos à Estremadura para falar de 3 brancos da Casa Santos Lima, uma estreia nas nossas provas aqui nas Krónikas.
A Casa Santos Lima, situada na zona de Alenquer, entre Sobral de Monte Agraço e a Merceana é uma das que têm continuado a apostar nos vinhos monocasta mesmo depois do decréscimo da moda deste tipo de vinhos que teve o seu grande incremento na década de 90. Ainda há algumas semanas, no programa “A hora de Baco” (RTP N) um dos seus responsáveis realçava que esta empresa é provavelmente a que tem maior variedade de vinhos monocasta no seu portefólio, quer em brancos quer em tintos, até em castas que não se vêem noutros produtores.
Neste caso tivemos oportunidade de provar o Arinto, o Fernão Pires e o Sauvignon Blanc. Não consigo destacar nenhum deles, pois todos me agradaram, dentro das suas características próprias.
O Arinto mostra aquela secura e acidez tão típicas da casta e que se destacam sobretudo na Estremadura, resultando num vinho de grande frescura. O Fernão Pires apresenta-se um pouco mais estruturado e floral, também com alguma frescura, intensidade aromática e boa acidez. Finalmente, o Sauvignon Blanc mostra a suavidade e elegância habituais e um toque mais adocicado.
No conjunto, três vinhos agradáveis e fáceis de beber, para pratos não muito exigentes em termos de tempero, e que são uma excelente aposta até para o dia-a-dia por um preço praticamente imbatível. Pelo que custam são muito melhores do que se poderia supor.
Kroniketas, enófilo cansado
Região: Estremadura/Lisboa (Alenquer)
Produtor: Casa Santos Lima
Vinho: Casa Santos Lima, Arinto 2008 (B)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Arinto
Preço: 2,65 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Casa Santos Lima, Fernão Pires 2008 (B)
Região: Estremadura/Lisboa (Alenquer)
Produtor: Casa Santos Lima
Grau alcoólico: 13%
Casta: Fernão Pires
Preço: 2,79 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Casa Santos Lima, Sauvignon Blanc 2008 (B)
Região: Estremadura/Lisboa (Alenquer)
Produtor: Casa Santos Lima
Grau alcoólico: 13%
Casta: Arinto
Preço: 2,52 €
Nota (0 a 10): 7,5
domingo, 2 de maio de 2010
No meu copo 272 - Os brancos da Casa Santos Lima
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segunda-feira, 8 de março de 2010
No meu copo 271 - Porta da Ravessa branco 2008
E agora algo completamente diferente. Um branco simples, barato e despretensioso. Não tinha grandes expectativas mas acabou por ser uma surpresa agradável, pois este Porta da Ravessa branco revelou-se bem melhor do que eu estava à espera.
Apresentou cor citrina e algumas notas limonadas a marcarem o aroma, boca leve e fresca e boa acidez a dar equilíbrio ao conjunto, certamente devido à introdução do Arinto no lote. Acompanhou bem um peixe assado no forno. Tendo em conta o preço, até não se saiu nada mal.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Porta da Ravessa 2008 (B)
Região: Alentejo (Redondo)
Produtor: Adega Cooperativa de Redondo
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Roupeiro, Arinto, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 1,98 €
Nota (0 a 10): 6
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
No meu copo 266 - Periquita branco 2008
O Periquita branco, seguindo uma certa linha da casa, é um vinho eminentemente fresco e com boa acidez, uma certa leveza e boa intensidade aromática, resultando num bom casamento do tradicional Moscatel com o indispensável Arinto, com a frescura e acidez deste a equilibrar a maior doçura daquele.
Um bom branco para acompanhar pratos leves de peixe ou entradas, ou mesmo para funcionar como aperitivo. Mais uma boa aposta do enólogo Domingos Soares Franco, na linha de outras de que falaremos proximamente.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Periquita 2008 (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 12%
Castas: Moscatel, Arinto
Preço em feira de vinhos: 3,69 €
Nota (0 a 10): 7
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terça-feira, 28 de julho de 2009
No meu copo, na minha mesa 250 - Jantar Niepoort no restaurante Jacinto




Realizou-se há duas semanas no restaurante Jacinto, na zona antiga de Telheiras, em Lisboa, o muito aguardado jantar de degustação com vinhos Niepoort, promovido pela Wine O’Clock. Pela quantia de 50 euros os mastigantes e degustantes tiveram direito a uma entrada, um prato de peixe, dois de carne, duas sobremesas, 10 vinhos e uma aguardente, que incidiram basicamente nos que já tinham estado em prova na Wine O’Clock na semana anterior.
As Krónikas Vinícolas fizeram-se representar por este escriba e pelo Politikos, por sinal os primeiros a chegar ao restaurante. Começámos por ser brindados com um vinho do Porto branco Niepoort extra-seco de 1939! Um vinho castanho-cobre, a fazer lembrar um Tawny de 20 ou 30 anos, com uma frescura e intensidade aromática que nunca fariam supor estarmos perante um vinho com a idade do início da 2.ª Guerra Mundial! Notável!
Depois de completo o lote de participantes e já devidamente distribuídos pelas mesas, deu-se início às hostilidades. Tivemos a sorte de ficar na mesa do representante da Niepoort, José Teles, da área comercial, o que foi uma mais-valia, já que além do agradável convívio nos permitiu aprender um pouco mais, tendo mesmo ficado em aberto a visita a uma das quintas da Niepoort por altura das vindimas. A estratégia comercial das marcas passa hoje muito por (in)formar e aproximar os apreciadores/consumidores de vinho, e ainda bem.
Com o prato de entrada foi servido o Redoma rosé 2008, de momento o único rosé da Niepoort. Bastante equilibrado na boca, com aroma predominante a frutos vermelhos, boa estrutura e boa persistência. Fermentou em barricas novas de carvalho francês mas não foi submetido a qualquer estágio. Um vinho concebido para a mesa, mais do que para a esplanada, que casou bem com a salada de queijo de cabra com rúcula, que estava muito fresca e agradável.
Seguiu-se o prato de peixe, bacalhau confitado com pasta de azeitona, com o qual provámos dois vinhos brancos: o Tiara 2008 e o Redoma 2008. O Tiara, mais leve, mais aberto, mais suave e mais elegante, com um perfil mais mineral e cítrico, é um branco para pratos mais frescos e requintados. O Redoma, mais estruturado, resultado da fermentação em barricas de carvalho francês onde estagiou 9 meses, tem a madeira muito bem casada sem se sobrepor aos aromas nem retirar a frescura predominante. Pode ser um branco mais de Inverno que no entanto se enquadra bem no tempo mais quente e que fez boa parceria com os tacos de bacalhau. Em suma, dois brancos de perfis diferentes mas ambos muito agradáveis. Pelos preços anunciados, o Tiara será mais apetecível de comprar...
Finalmente, chegaram as carnes e os tintos, servidos aos pares: um representante da gama mais intermédia da Casa com outro da gama alta. Assim começámos com um Vertente 2007 e um Charme 2007, para acompanhar o mil-folhas de pato com alecrim. Em seguida, para o javali estufado com torta de legumes, uma parelha Redoma 2006 e Batuta 2007 (em garrafa ainda sem rótulo).
Tanto o Vertente como o Redoma são vinhos para um consumo mais imediato, com um perfil mais frutado e encorpado. O Vertente será talvez o mais simples e menos ambicioso, enquanto o Redoma apresenta outra complexidade. Sendo estes dois bons vinhos, não deixam de ser ofuscados pelos dois de topo. O Charme faz inteiro jus ao nome que ostenta: todo ele é charme desde a primeira impressão olfactiva até à prova de boca, marcada por extrema elegância, a pedir pratos plenos de requinte. Foi bem escolhido para o folhado de pato. Já o Batuta apresenta-se mais pujante e complexo, a pedir tempo para se mostrar em plenitude e a prometer longa vida e grandes voos.
Para as sobremesas ainda houve direito a um Porto Vintage de 2007, um Colheita de 98 e uma aguardente vínica. Só provei os Portos que não deixaram os créditos por copos alheios. Um dos primeiros Portos Vintage que me lembro de beber foi um Niepoort de 2003 que estava notável, e este não fugiu à regra. Grande corpo, grande profundidade, um vinho cheio de pujança que nunca mais acaba na boca, apresentando uma exemplar ligação entre a fruta e o álcool. Possivelmente um dos melhores Portos Vintage do país. O Colheita também não se saiu mal da função, com uma predominância a frutos secos e bastante elegante na prova. Já o Politikos, ainda molhou os lábios na aguardente vínica e reputou-a de excelente, aveludada e elegante, com a madeira muito presente mas sem ser agressiva.
Resta falar dos sólidos, onde não é fácil escolher, de tão bem confeccionados estavam. O bacalhau muito bem enquadrado com a pasta de azeitona, o mil-folhas de pato muito saboroso e macio e finalmente o javali, talvez o ponto alto da noite, bastante apetitoso e suculento.
Para as sobremesas veio uma encharcada alentejana em duelo com um pão de rala, irrepreensíveis, e para terminar com o Porto um Petit gâteau com gelado de baunilha que fechou a noite da melhor forma.
Serviço impecável, rápido e eficiente, tanto nos vinhos como nos pratos, não falhou nada nesta refeição magnífica onde todos estão de parabéns. A Wine o’clock porque promoveu, a Niepoort porque forneceu os vinhos, o Jacinto porque serviu, e nós, os felizardos que lá estivemos porque pudemos participar numa refeição notável. Parece que o Jacinto, que atravessou tempos difíceis, está de volta aos melhores dias e a tornar-se um ponto de referência na gastronomia lisboeta.
Kroniketas, enófilo e gastrónomo satisfeito, com Politikos
Restaurante: O Jacinto
Av. Ventura Terra, 2 (Telheiras)
1600 Lisboa
Telef: 21.759.17.28
Nota (0 a 5): 4,5
Região: Douro
Produtor: Niepoort Vinhos
Vinho: Redoma 2008 (R)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Amarela, Touriga Franca, 50% outras
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Tiara 2008 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Codega, Rabigato, Donzelinho, Viosinho, Cercial
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Redoma 2008 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Codega, Rabigato, Donzelinho, Viosinho, Arinto
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Vertente 2007 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Amarela, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Redoma 2006 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinto Cão
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Charme 2007 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Batuta 2007 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Porto Niepoort Vintage 2007
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Porto Niepoort Colheita 1998
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz
Nota (0 a 10): 8
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quinta-feira, 23 de outubro de 2008
No meu copo 207 - João Pires 2006; Adega de Pegões, Colheita Seleccionada branco 2006

Continuando na senda dos brancos, voltamos a dois das Terras do Sado da colheita de 2006. Dois clássicos, poderíamos dizer, daqueles que valem sempre a aposta e dos quais sabemos sempre com o que contar.
O João Pires é um dos meus brancos indispensáveis, sempre com aquela leveza e elegância que o caracterizam, muito bem equilibrado em todas as vertentes, de grande frescura e que cai bem com quase tudo e é quase imbatível em tempo quente. Mais uma presença obrigatória na garrafeira.
De Pegões vem o branco Adega de Pegões Colheita Seleccionada, outra aposta segura e com uma relação qualidade/preço absolutamente insuperável. Este, por seu lado, um branco de inverno que neste caso foi consumido ainda com tempo quente mas a acompanhar um prato de bacalhau no forno, com o qual se bateu galhardamente como se esperava. Algumas notas tropicais do Chardonnay e do Antão Vaz apresentam-se bem equilibradas com a acidez que lhe é conferida pelo Arinto. Os seus 14 graus de álcool a par com uma boa estrutura de boca e final persistente e complexo, ajudados pelo estágio de 4 meses em barricas de carvalho americano com batônnage, fazem dele um bom acompanhante de pratos mais arrojados. É igualmente uma aposta segura por um preço irrisório para o produto que está dentro da garrafa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: João Pires 2006 (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 11%
Casta: Moscatel
Preço em feira de vinhos: 4,85 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Adega de Pegões, Colheita Seleccionada 2006 (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: Coop. Agrícola Santo Isidro de Pegões
Grau alcoólico: 14%
Castas: Chardonnay, Arinto, Pinot Blanc, Antão Vaz
Preço em feira de vinhos: 2,95 €
Nota (0 a 10): 7,5
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sexta-feira, 10 de outubro de 2008
No meu copo, na minha mesa 204 - Alvor Singular 2007 branco; Quinta do Barranco Longo Grande Escolha 2007 branco; A Ribeira (Alvor)


O grupo gastrónomo-etilista “Os comensais dionisíacos” teve o jantar de fim de época no Tó do Marisco, em Julho, o jantar de férias em Agosto e o jantar da rentrée em Setembro.
No jantar de Agosto juntaram-se os que estavam de férias no Algarve. Faltaram o tuguinho e o Mancha. Serviu de anfitrião o Politikos em Alvor, onde abancámos, com filhos e tudo (tarde e a más horas, já passava das 10 da noite) no restaurante A Ribeira, junto à ribeira de Alvor e lado-a-lado com o muito citado nos guias Àbabuja.
Dado o adiantado da hora começámos por entreter-nos com umas entradas e umas travessas de amêijoas. Entretanto o dono lá veio mostrar-nos umas postas de peixe enormes, que davam para umas 8 pessoas, e quase todos optaram pelo robalo e a dourada na brasa. Eu e o Politikos resolvemos partilhar uma cataplana de marisco enquanto os mais novos optavam pelo arroz de marisco. Delicioso, por sinal, e em abundância, que ainda deu para provar umas colheradas. A cataplana estava boa mas a do ano passado, em Armação de Pêra, estava melhor, mais apurada.
Para acompanhar os peixes, depois de darmos uma olhadela à carta de vinhos, escolhemos o vinho da terra: um branco de nome Alvor Singular, da Quinta do Morgado da Torre, cuja vinha está ali a 5 quilómetros, junto ao hotel da Penina e entre a estrada nacional 125, o desvio para Alcalar e a A22. Há mais de 10 anos que não bebia um vinho do Algarve e aproveitei para conhecer uma das novas produções que têm aparecido. A verdade é que este Alvor de 2007 foi uma agradável surpresa. Suave, aromático, moderadamente alcoólico, como felizmente se está outra vez a tornar hábito, acompanhou na perfeição os diversos pratos de peixe e marisco que foram chegando à mesa.
A certa altura o dono sugeriu-nos que provássemos outro produto da região, o branco da Quinta do Barranco Longo, ao pé de Algoz. Este não se portou mal mas mostrou aquelas características que não aprecio particularmente nos brancos: muito álcool (14,5%) e fermentado em madeira, torna-se algo áspero para o meu gosto. Claro que um vinho com esta estrutura na boca se aguenta bem neste tipo de refeição, mas depois de acabada esta garrafa… voltámos ao Alvor para encerrar o repasto.
Quase pela meia noite lá abandonámos o restaurante, quando já só os donos e empregados ceavam a uma mesa do canto. No balanço da noite foi uma bela refeição, com as condicionantes próprias da época no Algarve, mas em que apesar do muito movimento e do restaurante cheio fomos alvo de todas as atenções e não se pode apontar nada ao serviço prestado. Grande simpatia e prontidão a responder aos pedidos, recomenda-se preferencialmente em época mais calma.
Kroniketas (enófilo refrescado) mais os outros bandalhos todos e os bandalhos que não estiveram lá e deviam ter estado
Restaurante: A Ribeira
Ribeira de Alvor
Preço por refeição: 35 €
Nota (0 a 5): 4,5
Vinho: Alvor Singular 2007 (B)
Região: Algarve
Produtor: Quinta do Morgado da Torre
Grau alcoólico: 12%
Preço em garrafeira: 4,19 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Quinta do Barranco Longo Grande Escolha 2007 (B)
Região: Algarve
Produtor: Rui Virgínia
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Arinto, Chardonnay
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 6,5
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quinta-feira, 4 de setembro de 2008
No meu copo 198 - Prova Régia 2006; Bucellas Caves Velhas 2006

Dois brancos que são obrigatórios na minha garrafeira todos os anos. Agora com uma imagem renovada, o Prova Régia de 2006 quase esgotou o ano passado nas feiras de vinhos, tal a procura devido a um preço imbatível.
O que dizer deste campeão de vendas da Quinta da Romeira? Que está mais ou menos sempre como se espera, com aquela acidez refrescante do Arinto, com um toque floral e com notas de fruta tropical juntamente com algum citrino, bom para a piscina ou a esplanada mas também para uns bons petiscos de peixe ou marisco. No entanto, talvez surpreenda ao dizer que me pareceu esta colheita algo inferior às anteriores. Costuma ser um vinho que consegue ser estimulante na prova de boca sem deixar de ser leve, mas ou eu não estava nos melhores dias ou faltou-lhe ali qualquer coisa.
Sem deixar de ser uma boa aposta, porque nunca nos deixa ficar mal ao mesmo tempo que tem um preço bastante atractivo, pareceu-me faltar ali alguma frescura. Não sei se terei oportunidade de voltar a esta colheita, até porque já está no mercado a de 2007, mas para já vou deixar esta apreciação sob alguma reserva, acreditando que pode ter sido apenas uma baixa de forma passageira.
Já o Bucellas Caves Velhas 2006 (que agora pertence à Enoport) parece estar cada vez melhor. Enquanto o Prova Régia pareceu descer, o Bucellas pareceu subir. Uma frescura notável na boca, com notas citrinas bem marcadas com final floral, a par com uma acidez muito equilibrada, tudo envolto num amarelo brilhante e ligeiramente esverdeado. A sua frescura permite-lhe servir tanto para acompanhar peixes e mariscos como para ser bebido como aperitivo ou até mesmo apenas como bebida refrescante num dia de Verão. Neste caso acompanhou na perfeição uma salada de marisco. Um excelente branco para todas as ocasiões, cada vez mais incontornável e indiscutível no meu “top 5” dos brancos nacionais.
Kroniketas, enófilo refrescado
Vinho: Prova Régia, Arinto 2006 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Companhia das Quintas - Quinta da Romeira
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 2,97 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Bucellas Caves Velhas 2006 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Caves Velhas
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto (90%), Rabo-de-Ovelha
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 8,5
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quarta-feira, 2 de julho de 2008
No meu copo 187 - Quinta da Alorna: Reserva, Touriga Nacional 2003; branco 2006

A Touriga Nacional é a casta da moda. Planta-se em todo o lado, de norte a sul, e entra numa parte significativa dos vinhos de quase todas as regiões. A verdade é que, como já várias pessoas disseram, corremos o risco de assistir à “touriguização” do país vinícola, perdendo a tipicidade das várias regiões. Vem isto a propósito deste vinho que tive oportunidade de abrir, um Touriga ribatejano da Quinta da Alorna.
No contra-rótulo reza assim:
“É um bom exemplo da expressão da Touriga Nacional, a mais famosa e mediática casta tinta portuguesa. Um aroma efusivo cheio de resinas e anisados com flores silvestres, rebuçado de groselha e chocolate. Na boca mantém o perfil, resinoso e balsâmico, taninos gordos, fruto maduro, um tanto exuberante apesar da evidente qualidade.”
Na realidade, a mim pareceu-me mais um vinho em que a Touriga Nacional perde as suas características e a região também. Posso não ter compreendido bem o que estava a beber, mas a sensação que ficou é que este Quinta da Alorna Reserva feito com Touriga Nacional acaba por não ser um ribatejano típico nem um Touriga Nacional verdadeiro. Às vezes as combinações saem perfeitas e consegue-se um bom resultado das misturas mais inesperadas, mas neste caso fiquei com uma impressão diversa. Tal como parece acontecer quando se mete a Touriga Nacional nos vinhos da Bairrada (ficámos com essa sensação nos Ensaios Filipa Pato), este ribatejano perdeu as suas características e a Touriga também não me pareceu tão efusiva como dizia o contra-rótulo, nem o floral estava lá. Pode ser que numa próxima tentativa...
E já que estamos com a mão na massa, passamos ao branco. A Quinta da Alorna é uma das casas que têm contribuído para a recuperação da imagem dos vinhos do Ribatejo e já tem no seu portefólio um número significativo de vinhos bastante apreciáveis. Já tivemos oportunidade de provar o tinto normal, um branco Colheita tardia e um rosé de Touriga Nacional, e agora acrescentamos este branco à lista.
Feito a partir de duas das melhores castas brancas do país, a incontornável Arinto e a Fernão Pires, que se destaca entre as brancas no Ribatejo, tem uma cor citrina forte, aroma também marcadamente citrino, boca média e final marcado por uma acidez refrescante. Um branco que pode ser versátil, para pratos leves de peixe ou marisco ou para outros mais elaborados. Uma aposta refrescante e simpática para o Verão, e mais um bom produto desta quinta.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Vinho: Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 6,5
Vinho: Quinta da Alorna 2006 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 2,79 €
Nota (0 a 10): 7
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domingo, 25 de maio de 2008
No meu copo, na minha mesa 179 - Kopke branco 2006; Os Arcos (Paço d’Arcos)

Por ocasião desta última ponte, o núcleo duríssimo dos Comensais Dionisíacos (leia-se os autores das Krónikas Vinícolas) resolveu ter um almoço mais saudável do que uma dose cavalar de entrecôte ou filet mignon. Com esse objectivo demandou novamente Paço de Arcos, desta vez para penetrar no quase homónimo Os Arcos, porventura o decano dos restaurantes da zona, mas continuando no topo, como se comprova pelas salas sempre cheias e pelos Mercedes à porta.Ultrapassada a luta com um parquímetro que não dava trocos (isso aqui há uns tempos chamava-se roubo, mas agora deve ser arredondamento que se diz), lá descemos a rua Costa Pinto em direcção ao escolhido.
Depois da consulta necessária ao cardápio, secção do peixe - e de se ter evitado uma recaída do Kroniketas para o lado das carnes - optámos por um robalo de mar no capote, devidamente acolitado por feijão verde salteado e batatas a murro. O capote mais não é que uma envoltura em massa de pão que permite manter os sucos do animalejo enquanto é cozido, resultando numa preparação assaz suculenta quando comparada com algumas grelhaduras que o deixam firme e hirto como uma barra de ferro.
Não nos arrependemos da escolha, e até o envoltório de pão se finou pela garganta abaixo dos mastigantes, com evidente satisfação (dos mastigantes, não do pão).
Para beber com o nadador compulsivo escolhemos um branco relativamente recente no mercado, da casa Kopke, anteriormente produtora exclusiva de vinhos do Porto. Com um discreto aroma floral e uma magnífica cor amarelo-citrino, mostrou-se na boca suave, com um fundo mineral que complementou muito bem as notas florais que em primeiro se mostraram, tudo muito bem envolvido por uma acidez tão equilibrada quanto discreta. Álcool muito bem integrado com uma graduação certíssima (e raríssima nos tempos mais recentes), temperatura de serviço ideal e mais um branco do Douro a ter em conta quando formos às compras, até porque é barato (no mercado deverá andar por baixo dos 4 €).
Para compensar o pecado do peixe (muito mais grave a nosso ver que o pecado da carne!), escolhemos para sobremesa uma surpresa de chocolate, fatia com base de bolo de chocolate húmido e recheio estilo mousse de chocolate, que apesar desta constituição não se mostrou enjoativa.
Pode dizer-se que esta primeira arremetida contra Os Arcos se saldou por nota muito positiva, em que teremos de incluir o serviço atencioso e esmerado, que trata clientes e produtos servidos muito bem. Havemos de voltar para atacar uma posta à mirandesa da qual nos foram tecidas loas muito atraentes. Ou então um valente bife... O preço é bem puxado, mas vale aquilo que custa.
tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos
Restaurante: Os Arcos
Rua Costa Pinto, 47
2780-582 Paço de Arcos
Telef: 21.443.33.74
Preço por refeição: 40 €
Nota (0 a 5): 5
Vinho: Kopke 2006 (B)
Região: Douro
Produtor: Kopke
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Gouveio
Preço no restaurante: 12 €
Nota (0 a 10): 7,5
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sábado, 9 de fevereiro de 2008
No meu copo 164 - Albis 2006
Experimentei-o pela primeira vez há dias num restaurante perto de Setúbal com uma caldeirada, e quase me atreveria a dizer que caiu que nem... ginjas! Ou seria, neste caso, que nem uvas?
Pois este Albis, um branco da José Maria da Fonseca mais recente que o conhecidíssimo BSE, foi uma agradável surpresa. Elaborado a partir das castas Moscatel e Arinto, obteve-se aqui um produto muito bem acabado em que se consegue tirar o melhor de cada uma delas: a doçura e suavidade do Moscatel equilibrada com a acidez e secura do Arinto, de que resulta um vinho equilibrado, muito fresco e aromático, com alguns aromas florais e uma certa predominância gustativa a citrinos, com alguma acidez a marcar o final.
O grau alcoólico moderado ajuda a torná-lo um vinho muito fácil de beber, que parece calhado para o tempo quente mas não deslustrou num dia de Inverno marcado pela chuva e bateu-se muito bem com a caldeirada.
Sendo barato, é um daqueles que podem ser recomendados para o dia-a-dia mas também não deve ficar mal com pratos mais elaborados e requintados, pois apresenta alguma elegância. Quanto a mim uma aposta muito bem conseguida de Domingos Soares Franco. Vai para a nossa lista de recomendáveis.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Albis 2006 (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 11,5%
Castas: Moscatel (82%), Arinto (18%)
Preço em hipermercado: cerca de 3,90 €
Nota (0 a 10): 7,5
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Os vinhos da festa 2007-2008 (3)
No meu copo 162 - Brancos

Ao longo da quadra festiva provámos mais uns quantos brancos que apreciámos assim:
Cabriz Colheita Seleccionada 2006 - Um branco despretensioso e agradável, na mesma linha do tinto com o mesmo nome. Bom acompanhante de peixe no forno, apresentando um bom equilíbrio entre corpo e estrutura, por um lado, e aroma e suavidade por outro. Feito com algumas das melhores castas brancas do Dão. Nota: 7
Prova Régia, Arinto 2005 - Do Prova Régia não há muito de novo a dizer. É sempre uma aposta segura, um dos meus brancos preferidos de Portugal. A frescura e acidez típicas do Arinto, com um aroma floral e notas de fruta tropical. Nota: 8
Quinta da Romeira, Chardonnay e Arinto 2005 - Em comparação com o Prova Régia, achei-o algo decepcionante. A mistura com o Chardonnay e a fermentação de 30% em barricas de carvalho dão-lhe aquele travo de que não sou grande fã, ligeiramente agreste para o meu gosto. Nota: 6,5
William Fevre, Sauvignon Blanc 2004 - Uma prova repetida de um excelente branco francês. É outra loiça. Já apreciado aqui. Nota: 8,5
Kroniketas, enófilo branqueado
Vinho: Cabriz, Colheita Seleccionada 2006 (B)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Malvasia Fina, Encruzado, Cerceal Branco, Bical
Preço em feira de vinhos: 2,79 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Prova Régia, Arinto 2005 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Companhia das Quintas - Quinta da Romeira
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 2,97 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta da Romeira, Chardonnay e Arinto 2005 (B)
Região: Regional Estremadura (Bucelas)
Produtor: Companhia das Quintas - Quinta da Romeira
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Chardonnay, Arinto
Preço em feira de vinhos: 5,39 €
Nota (0 a 10): 6,5
Vinho: William Fevre, Sauvignon Blanc 2004 (B)
Região: Saint-Bris (França)
Produtor: William Fevre - Chablis
Grau alcoólico: 12%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em garrafeira: 14,90 €
Nota (0 a 10): 8,5
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terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Os vinhos da festa 2007-2008 (1)
No meu copo 159 - Champanhes e espumantes

Na quadra festiva que há pouco terminou, entre jantares de Natal, réveillon e alguns aniversários tivemos oportunidade de provar um conjunto alargado de vinhos que seria fastidioso descrever em detalhe. Assim vamos apresentar algumas notas curtas agrupando-os por tipo de vinho (daqueles que ainda nos lembramos...)
Começamos pelos champanhes e espumantes.
Veuve Clicquot Champagne Brut - Um clássico do champanhe francês que já se tornou tradicional nos meus jantares de Natal. Foi uma das primeiras notas de prova aqui colocadas, precisamente após o fim-de-ano de há dois anos. Apreciação aqui. Nota: 9
Pol Carson Champagne Brut Rosé - Numa variação ao habitual, resolvi experimentar este champanhe rosé e foi uma bela aposta. Bastante aromático, seco, suave, bolha fina e com grande elegância. Excelente acompanhante de quase todo o tipo de iguarias, mas em particular entradas, peixes e mariscos. Uma boa aposta por um preço, apesar de tudo, não muito exagerado para o produto que é. Nota: 8,5
Tapada do Chaves Bruto 2002 - Resolvi experimentar este por estar agora em Portalegre, por ter visitado a Tapada do Chaves e por ainda não ter experimentado um espumante do Alentejo. Foi uma belíssima revelação. Bastante frutado e aromático, ainda com algum toque floral, muito elegante e com bolha fina. Bela combinação do Arinto, a dar uma bela acidez ao conjunto, com o Fernão Pires. Entrou directamente para a lista dos recomendados, até porque tem um preço bastante aceitável. Nota: 8
Cabriz Bruto 2005 - Igualmente equilibrado, aromático e elegante, com muita frescura na boca. A Malvasia Fina a expressar-se muito bem em combinação com a Bical. Nota: 8
Real Senhor Velha Reserva 2001 - Mais um bom exemplo duma feliz combinação de castas, neste caso a Malvasia Fina e o Arinto, duas excelentes castas brancas. Pareceu-me contudo menos suave que os dois anteriores. Nota: 7,5
João Pires Bruto - Este foi o que menos me agradou de todos os provados. Pareceu-me pouco elegante, exactamente ao contrário dos outros. Talvez uma segunda apreciação possa rectificar esta primeira impressão. Nota: 7
Kroniketas, enófilo espumantizado
Vinho: Veuve Clicquot - Champagne Brut (B)
Preço em hipermercado : 32,89 €
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Pol Carson - Champagne Brut (R)
Região: Champagne (França)
Produtor: Sedi Champagne - Châlons en Champagne - França
Grau alcoólico: 12%
Preço em hipermercado: 19,49 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Tapada do Chaves 2002 - Espumante Bruto (B)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Tapada do Chaves, Sociedade Agrícola e Comercial
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço em hipermercado: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Cabriz 2005 - Espumante Bruto (B)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 12%
Castas: Malvasia Fina, Bical
Preço em feira de vinhos: 6,40 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Real Senhor Velha Reserva 2001 - Espumante Bruto (B)
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Malvasia Fina, Arinto
Preço com a Revista de Vinhos: 6,25 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: João Pires - Espumante Bruto (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7
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sábado, 15 de setembro de 2007
No meu copo 134 - Bucellas Caves Velhas 2005

Os brancos e rosés de férias
Nos brancos bebidos nas férias, outro destaque vai para o Bucellas Caves Velhas, outro dos meus preferidos. Aliás, já o disse aqui, os brancos de Bucelas são os meus preferidos do mercado nacional.
Com as características típicas dos brancos de Bucellas, acidez bem marcada pela predominância do Arinto, aroma frutado intenso com um ligeiro toque floral, num todo muito fresco e agradável. É outro que nunca engana, por um preço excelente.
E segundo a Revista de Vinhos, a colheita de 2006 é uma das melhores dos últimos 20 anos. Estou só à espera das feiras de vinhos para ir buscá-lo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Bucellas Caves Velhas 2005 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Caves Velhas
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto (75%), Esgana Cão, Rabo de Ovelha
Preço em feira de vinhos: 3,25 €
Nota (0 a 10): 7,5
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quinta-feira, 31 de maio de 2007
Prova à Quinta - O sétimo
Para este desafio lançado em tempo oportuno pelo Vinho da Casa, para encontrar vinhos produzidos por casas com mais de 20 anos, resolvemos seleccionar dois vinhos, a exemplo do que já fizemos nos dois desafios anteriores, em que apresentámos 4 na prova de Cabernet Sauvignon e 2 na prova de brancos varietais. Escolhemos um branco e um tinto com tradição secular: o Pera-Manca e o Periquita.
No caso do Pera-Manca, estamos perante um dos vinhos brancos mais famosos (e caros) do país. Já existe desde o século XV e obteve medalhas de ouro em Bordéus nos já longínquos anos de 1897 e 1898. Contudo, andei anos (não desde o século XV...) para me decidir a comprá-lo por duvidar que valesse o elevado preço que custa, até pela minha desconfiança em relação aos brancos alentejanos, que já tive oportunidade de referir em mais que uma ocasião. Mas como a vida também é feita de alguns mitos, por vezes é preciso ir ao seu encontro para sabermos da razão ou não da sua existência. No caso dos vinhos trata-se, tão-somente e na maior parte dos casos, de abrir os cordões à bolsa.
Este foi comprado numa feira de vinhos em 2004 e ficou à espera de uma oportunidade que justificasse abri-lo. Foi num almoço de família à volta dum pargo assado no forno, tendo havido o cuidado de o refrescar de véspera, para garantir que à hora de bebê-lo não íamos encontrar um vinho meio morno.
Perante tão grande expectativa, o mínimo que posso dizer é que o vinho não defraudou. De facto, apresenta alguma elegância que é raro encontrar nos brancos alentejanos, sem deixar de fazer prevalecer um corpo com alguma pujança, um aroma frutado e complexo em equilíbrio com uma boa acidez, que resultam num fim de boca fresco e prolongado. Sem dúvida um vinho adequado para pratos de peixe elaborados, como o pargo ou o bacalhau no forno. Feito com 85% de Antão Vaz e 15% de Arinto, a sua boa estrutura e acidez permitem uma boa ligação com os sabores intensos e a gordura destes pratos. Como ainda não o tinha provado, não sei se mudou o perfil ou não, mas não é, seguramente, um vinho da moda.
Continuo, contudo, a ser mais fã de outro tipo de brancos, mas não rejeito a hipótese de voltar a este Pera-Manca, porque estes brancos também fazem falta. E também podemos deliciar-nos com a arte do rótulo, que é uma coisa rara. Como entretanto mudaram o rótulo, esta garrafa ficou como recordação.
No caso do Periquita, é apenas a marca de vinho mais antiga comercializada em Portugal, desde 1850, daí a razão da nossa escolha. Segundo a José Maria da Fonseca, é também o vinho tinto português mais vendido no estrangeiro. Também há algum tempo que não o consumia, mas o vinho modernizou-se um pouco, seguindo agora o perfil dos vinhos com muito álcool (embora sem exagero, apesar de tudo), com algum frutado. Na boca é medianamente encorpado com taninos suaves e bem integrados com um toque discreto de madeira e apresenta um fim prolongado, com bastante especiaria. É um vinho que pede pratos grelhados ou assados com algum condimento, embora sem exageros.
A garrafa também se modernizou, passando da tradicional borgonhesa que durante décadas marcou a imagem do vinho para a bordalesa que ostenta agora. Sendo agora um vinho mais moderno, não sei, contudo, se é melhor do que era. Se calhar tornou-se igual a muitos outros.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Pera-Manca 2003 (B)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 14%
Castas: Antão Vaz, Arinto
Preço em feira de vinhos: 12,89 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Periquita 2004 (T)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 13%
Castas: Castelão, Aragonês, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 3,29 €
Nota (0 a 10): 6
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quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
No meu copo 84 - Adega de Pegões, Colheita Seleccionada branco 2005
Na região da península de Setúbal, cujos vinhos têm a denominação habitual de Terras do Sado, para além dos monstros José Maria da Fonseca e Bacalhôa, nos últimos anos tem-se vindo a impor a Cooperativa Agrícola de Santo Isidro Pegões, com vinhos de boa qualidade a baixo preço, que têm ganho espaço junto dos consumidores por se apresentarem bastante apelativos pois aparentemente valem bem mais do que aquilo que custam.
Pela primeira vez vamos falar dum vinho desta casa, um branco com algumas semelhanças com o anterior que analisámos (o Vinha Grande), embora de região totalmente diferente, e bem mais barato que o anterior. Também com estágio em madeira, também com grau alcoólico elevado. No entanto, parece-me claramente um vinho mais equilibrado que o Vinha Grande branco.
Este Adega de Pegões branco, Colheita Seleccionada de 2005, apresenta-se com uma cor citrina e forte estrutura na boca bem equilibrada com uma boa acidez, que compensa os 14º de álcool. É tipicamente um branco de Inverno, que casa muito bem com peixes assados no forno, com molho, ou com pratos de bacalhau bem regados com azeite. A sua equilibrada acidez, conjugada com o corpo e o álcool vão bater-se muito bem com o paladar marcante e intenso destes pratos.
Uma referência que já tínhamos fixado e que tem lugar nas nossas escolhas, e que se apresenta como um dos bons representantes da Região de Terras do Sado, embora com um perfil bastante diferente dos mais elegantes e aromáticos João Pires ou BSE, mas que é uma escolha acertada por um preço extremamente convidativo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Adega de Pegões, Colheita Seleccionada 2005 (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: Cooperativa Agrícola Santo Isidro de Pegões
Grau alcoólico: 14%
Castas: Chardonnay, Arinto, Pinot Blanc, Antão Vaz
Preço em feira de vinhos: 2,87 €
Nota (0 a 10): 7,5
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domingo, 19 de março de 2006
No meu copo 31 - Bucellas Caves Velhas 2003

Continuamos na senda dos brancos para falar de mais um branco de Bucelas,
primo de outro que apresentámos há alguns dias. O anterior era exclusivamente da casta Arinto, este é um vinho de lote com 3 castas: 75% de Arinto, Esgana Cão e Rabo de Ovelha. Curiosamente, sendo eu um apreciador dos vinhos de Arinto, como o Prova Régia, neste caso gostei mais do Bucellas Caves Velhas de lote do que do varietal, que como referi no outro post achei um pouco áspero.
Este Bucellas Caves Velhas, já de 2003, portanto a caminhar para o limite do prazo de consumo num branco, apresentou-se ainda com a característica cor citrina, frutado, levemente acídulo e com aquela frescura que torna os brancos de Bucelas apetecíveis. Acompanhou excelentemente uma deliciosa açorda de marisco. Coloco-o quase ao mesmo nível do Prova Régia e do João Pires, talvez só uns pozinhos mais abaixo, mas é também um dos meus preferidos. Além de que também é barato.
Outra marca a fixar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Bucellas Caves Velhas 2003 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Caves Velhas
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto (75%), Esgana Cão, Rabo de Ovelha
Preço em feira de vinhos: 3,95 €
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terça-feira, 14 de março de 2006
No meu copo 29 - Bucellas Arinto 2004; Prova Régia Arinto 2004
Apresentamos dois vinhos brancos de Bucelas. A região de Bucelas só tem Denominação de Origem autorizada para castas brancas, mas as empresas locais produzem vinhos tintos com a denominação de Vinho Regional Estremadura.
Sou fã desta região, considero mesmo que aqui se produzem os melhores vinhos brancos do país. São frescos, aromáticos, muito frutados e normalmente com uma característica que aprecio nos brancos: são vinhos normalmente “secos” (para quem não conheça a terminologia, é a característica oposta ao “doce”), característica que lhes é dada pela principal casta da região: o Arinto, que também é usado noutras regiões do país, até nos vinhos verdes. Vinificada em estreme ou em conjunto com outras, dá vinhos muito frescos e com boa acidez, enquanto se for conjugada com outras permite dar ao vinho essa acidez e o toque mais aromático que outras castas com características menos marcadas não conferem.
Estes vinhos de que aqui falamos, embora sendo ambos da casta Arinto, apresentam algumas diferenças. O Bucellas, das Caves Velhas, é menos elegante e um pouco mais áspero. O Prova Régia, da Quinta da Romeira, é um dos meus vinhos brancos preferidos: é mais seco, frutado e também com um marcado aroma a flores, e ao mesmo tempo é mais suave. É daqueles vinhos brancos que gosto de ter sempre na minha garrafeira, pois dá para acompanhar quase todos os pratos de peixe, entradas e mariscos, comportando-se sempre muito bem em todas as ocasiões. Uma aposta segura por muito bom preço. Por tudo isto, também tem lugar nas nossas escolhas.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Bucelas
Vinho: Bucellas, Arinto 2004 (B)
Produtor: Caves Velhas
Grau alcoólico: 12%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 5,85 €
Nota (0 a 10): 6,5
Vinho: Prova Régia, Arinto 2004 (B)
Produtor: Companhia das Quintas - Quinta da Romeira
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 3,07 €
Nota (0 a 10): 8
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