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quinta-feira, 20 de maio de 2010

No meu copo 274 - Douro Sogrape Reserva 2002; Casa de Santar Reserva 2005

(continuação)

Já com o almoço, composto por uns bifinhos de carne Angus à moda do Kroniketas passada no ponto, acompanhados por batatas fritas, tomaram assento à mesa os tintos em prova paralela com os quais fomos acompanhando a carne. O Douro Sogrape Reserva 2002, velho conhecido das nossas lides, cumpriu com brilhantismo a função, como aliás se esperava. É um daqueles jogadores que não sabe jogar mal e uma aposta segura para qualquer treinador. No copo mostrou uma cor granada límpida e no palato apresentou-se encorpado, pujante para a idade que tem e persistente na boca. Simultaneamente, os seus taninos, arredondados pela idade, conferem-lhe elegância e distinção. Bebeu-se agora mas poderia seguramente ficar mais uns anos que iria adquirir charme sem decair. Aliás, vai ficar, porque a garrafeira do Kroniketas tem lá mais de uma dúzia... São os restos desta excelente colecção de Reservas que a Sogrape detinha até há pouco tempo, com produções no Douro, Dão, Bairrada e Alentejo, e que tantas belas provas nos proporcionaram durante muitos anos.
Deixámos para o fim o Casa de Santar Reserva 2005, também um velho conhecido das nossas garrafeiras, que claramente nos convenceu. Apesar de ser um vinho de 2005, apresentou-se no copo com uma cor algo acobreada. Inicialmente fechado no nariz e algo concentrado na boca, foi evoluindo ao longo da refeição. Fomos conversando entre nós mas também com ele, como um velho amigo que se reencontra e com o qual vamos engrenando a conversa. Foi-nos evocando no nariz adegas velhas e vinhos antigos e na boca apresentou-se estruturado e elegante, sem, contudo, perder a personalidade típica do Dão. Um Dão clássico que, pela maior elegância, agradou mais ao Politikos do que um Cabriz Reserva 2006 bebido recentemente. A recuperar e confirmar as impressões de ambos em prova comparada num destes dias, à semelhança de experiências anteriores.
Um gelado de natas coberto com chocolate quente fechou a contenda com chave de ouro.

Politikos e Kroniketas, enófilos em libações intercalares por via da visita papal

Vinho: Douro Sogrape Reserva 2002 (T)
Região: Douro
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço: 10,98 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Casa de Santar Reserva 2005 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade Agrícola de Santar - Dão Sul
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 8,97 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

No meu copo 264 - Cabriz Reserva 2004

Já se tornou um clássico nas nossas escolhas, a par do Casa de Santar Reserva. Este Reserva da Dão Sul é um dos bons exemplos do que pode ser um vinho de qualidade acima da média por um preço que não escalda.

Esta colheita de 2004 foi degustada precisamente em pendant com o exemplar restante do Casa de Santar Reserva 2003, já aqui anteriormente apreciado. É uma prova que vale a pena fazer para comparar o perfil de dois vinhos com algumas semelhanças mas com diferenças evidentes.

Nesta prova comparada o Cabriz mostrou-se um pouco mais robusto, como seria de esperar, mas sem deixar de ser elegante. Muito frutado com predominância de frutos vermelhos e flores silvestres, com final persistente e um toque a especiarias. O Casa de Santar mostrou-se ainda em grande forma mas com mais elegância e um bouquet mais profundo. Foram servidos a acompanhar umas deliciosas costeletas de borrego grelhadas e quer um quer outro saíram-se muito bem da contenda. Vale a pena comprar e recomprar, porque são daqueles vinhos para os quais uso uma frase que gosto de repetir: nunca nos deixam ficar mal.

Kroniketas, fã do Dão e da Dão Sul

Vinho: Cabriz Reserva 2004 (T)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 6,95 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

No meu copo 233 - Conde de Palma 2006

Este vinho foi adquirido com a Revista de Vinhos de Janeiro e desta vez resolvi fazer o que raramente faço: experimentar bebê-lo imediatamente para ver como está.

Depois das duas provas indicadas nos posts anteriores, aqui está o contra-ponto aos vinhos que tiveram tempo para crescer e amadurecer dentro da garrafa: um vinho ainda novo, com apenas dois anos de idade após a colheita. E confirmou-se aquilo que seria previsível: o vinho está muito “cru” para ser bebido, algo agreste, com os taninos ainda agressivos a torná-lo algo adstringente e difícil.

Parece ter potencial para melhorar e talvez daqui a 2, 3 anos o conjunto esteja mais redondo e polido e aí se possa apreciar melhor os aromas.

Assim se prova mais uma vez que esta tendência para beber os vinhos muito novos é extremamente limitativa do prazer que se obtém. Está na mão dos consumidores inverter esta tendência, ou terão de ser os produtores a tomar a iniciativa?

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Conde de Palma 2006 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Herdade Monte da Cal - Dão Sul/Global Wines
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 6,5


PS: Por coincidência o Pingas no Copo também apresentou há dias uma prova deste vinho. A opinião dele é mais favorável que a minha.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

No meu copo 206 - Cabriz rosé 2007; Periquita rosé 2007; Quinta da Alorna, Touriga Nacional rosé 2007

As férias de Verão também foram aproveitadas para provar alguns rosés dentre os muitos que têm aparecido. Neste caso foram duas repetições e uma estreia. Já temos falado do crescendo dos rosés entre nós e, tal como os brancos, a sua qualidade tem vindo a crescer o que tem ajudado (e de que maneira) ao aumento da procura por estes dois tipos de vinho ainda há poucos anos tão mal amados, principalmente este de que agora falamos, que alguns nem consideravam vinho. Aliás, parece que para alguns produtores isso ainda é verdade pois ainda fazem os seus rosés a partir de sangrias de cuba. Mas o panorama é, actualmente, francamente animador e dá aos enófilos um bom leque de escolhas variadas.
Começamos pelo Periquita rosé 2007, uma das recentes apostas da José Maria da Fonseca na renovação desta marca secular. É o típico vinho de Verão, de esplanada, com um toque adocicado, bom para entradas ou simplesmente para beber como aperitivo num dia quente.
O Cabriz rosé 2007, uma repetição depois de já ter provado o de 2006, mantém a mesma linha leve e suave, com aroma floral e de frutos vermelhos. Mais personalizado que o Periquita e também um pouco mais versátil porque é mais seco. Igualmente bom para entrada, aperitivo ou para beber a solo mas também com pendor gastronómico.
Finalmente, o Quinta da Alorna rosé, Touriga Nacional 2007, para mim um dos melhores rosés do momento. No Verão do ano passado já me tinha encantado com o de 2006, e agora tive oportunidade de provar o de 2007, que me pareceu ainda melhor. Muito aromático e elegante, com aroma pronunciado a morangos e framboesas, seco e elegante na boca mas bem estruturado, ou seja, tudo no sítio neste belo rosé ribatejano, onde se conjugam nas doses certas o fruto, o álcool, o corpo, a acidez e a frescura. Um rosé para ter sempre na garrafeira.

Kroniketas, enófilo rosado

Vinho: Cabriz 2007 (R)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 12%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 3,98 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Periquita 2007 (R)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 11,5%
Castas: Castelão, Trincadeira, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 4,25 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Quinta da Alorna, Touriga Nacional 2007 (R)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 22 de junho de 2008

No meu copo 184 - Quinta do Encontro, Preto Branco 2004

A Quinta do Encontro é uma das muitas quintas que a Dão Sul, empresa sedeada em Carregal do Sal, já possui em várias regiões do país (Dão, Douro, Bairrada, Estremadura e Alentejo), numa estratégia de expansão que a torna já uma das principais produtoras a nível nacional. Neste caso falamos da propriedade situada no coração da Bairrada, em S. Lourenço do Bairro, Anadia, que foi recentemente objecto de investimento substancial.
Desta quinta já tínhamos tido a oportunidade de provar o Quinta do Encontro Merlot-Baga e agora provámos este vinho adquirido o ano passado com um dos números da Revista de Vinhos. Apresenta um conceito invulgar, pois é feito com duas castas tintas e uma casta branca. Não sendo um Bairrada clássico, não deixa de surpreender de alguma forma pela pujança que apresenta, a fazer lembrar outros estilos, embora com um perfil mais moderno e frutado sem deixar de se apresentar algo fechado. A Baga faz sempre notar os seus efeitos. Boa estrutura na boca, com taninos firmes mas bem domados, acidez muito equilibrada e boa persistência.Enfim, não sendo de encantar não deixa de ser um vinho capaz de fazer boa figura perante pratos robustos ao mesmo tempo que pode cativar os mais renitentes perante os vinhos bairradinos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Encontro, Preto Branco 2004 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta do Encontro
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Touriga Nacional, Bical
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7,5


PS: outra prova deste vinho no Copo de 3

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (XIII)

No meu copo, na minha mesa 165 - Monte da Cal Reserva 2004; A Gruta (Portalegre)

Outro restaurante que teve direito a repetição, tão boa foi a impressão da primeira visita. A Gruta tem sido o restaurante que representa o norte do Alentejo no festival de gastronomia de Santarém e é um dos incontornáveis da cidade.
Logo na entrada, um corredor profusamente preenchido com livros, revistas e garrafas, tudo relacionado com o vinho. Ao entrar na sala, deparamos com um cenário ainda mais preenchido. Algumas das paredes estão repletas de estantes com dezenas de garrafas, existem várias mesas com entradas e sobremesas, o que nos faz sentir quase como estando num santuário gastronómico. Para o cliente mais interessado, estão ali praticamente todos os vinhos alentejanos que se possa imaginar. Foi numa dessas prateleiras que encontrei o Garrafeira dos Sócios de 96 que começou a acompanhar esta refeição, e que já mereceu um post à parte (se ampliarem a segunda foto e olharem bem para a estante mais à direita, podem encontrar lá a garrafa junto a uns varietais do Esporão...).
Passando aos sólidos, a mesa já estava preenchida com uns pratinhos de presunto Pata Negra. A escolha do prato foi difícil, tão variadas e tentadoras eram as propostas, pelo que nos aconselhámos com o sr. Felício, o dono do local. As opções incidem sobretudo nos pratos regionais, como é óbvio, com alguns toques de requinte.
Acabámos por escolher uma canja de pombo para começar, seguindo-se um polvo à Lagareiro e eu escolhi nacos de porco preto, que estavam tenríssimos e muito bem apaladados. Entre as várias sobremesas optei por um doce Dom Duarte, que é uma espécie de fatia de bolo de doce de ovos com cobertura de amêndoa.
Quando o Garrafeira dos Sócios acabou, mudámos radicalmente e experimentámos o Monte da Cal Reserva 2004. É proveniente da Herdade Monte da Cal, próximo de Fronteira. Sinceramente não me despertou grande simpatia. É mais um vinho hiperalcoólico e hiperfrutado, com grande predominância a especiarias. Enfim, começa a ser “mais do mesmo” sempre que encontro este tipo de vinhos que já cansa. Acho que vou começar a olhar para o grau alcoólico antes de comprar, pois esta profusão de vinhos com 14 graus ou mais já começa a não ter graça. Nos últimos tempos, então, principalmente com as colheitas de 2003 e 2004, tem sido demais. Já começo a estar farto.
A segunda visita à Gruta pautou-se por um jantar diferente, em grupo e com ementa já escolhida mas com um buffet de frios e quentes à disposição. Tivemos uma grelhada mista de porco e a acompanhar vinho da casa, em jarro. Como quase sempre acontece com estes vinhos, era bebível... e só isso. Para terminar, buffet de sobremesas à discrição.
Em suma, um restaurante com um excelente serviço e excelente confecção. Tudo levado muito a sério e com muita qualidade. Um local a repetir se houver oportunidade para isso.

Kroniketas, enófilo itinerante

Restaurante: A Gruta
Bairro do Atalaião Velho, 8-A
7300 Portalegre
Telef: 245.201.402
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Monte da Cal Reserva 2004 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Herdade Monte da Cal
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Syrah, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 22 €
Nota (0 a 10): 6

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Os vinhos da festa 2007-2008 (3)

No meu copo 162 - Brancos



Ao longo da quadra festiva provámos mais uns quantos brancos que apreciámos assim:

Cabriz Colheita Seleccionada 2006 - Um branco despretensioso e agradável, na mesma linha do tinto com o mesmo nome. Bom acompanhante de peixe no forno, apresentando um bom equilíbrio entre corpo e estrutura, por um lado, e aroma e suavidade por outro. Feito com algumas das melhores castas brancas do Dão. Nota: 7

Prova Régia, Arinto 2005 - Do Prova Régia não há muito de novo a dizer. É sempre uma aposta segura, um dos meus brancos preferidos de Portugal. A frescura e acidez típicas do Arinto, com um aroma floral e notas de fruta tropical. Nota: 8

Quinta da Romeira, Chardonnay e Arinto 2005 - Em comparação com o Prova Régia, achei-o algo decepcionante. A mistura com o Chardonnay e a fermentação de 30% em barricas de carvalho dão-lhe aquele travo de que não sou grande fã, ligeiramente agreste para o meu gosto. Nota: 6,5

William Fevre, Sauvignon Blanc 2004 - Uma prova repetida de um excelente branco francês. É outra loiça. Já apreciado aqui. Nota: 8,5

Kroniketas, enófilo branqueado

Vinho: Cabriz, Colheita Seleccionada 2006 (B)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Malvasia Fina, Encruzado, Cerceal Branco, Bical
Preço em feira de vinhos: 2,79 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Prova Régia, Arinto 2005 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Companhia das Quintas - Quinta da Romeira
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 2,97 €

Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta da Romeira, Chardonnay e Arinto 2005 (B)
Região: Regional Estremadura (Bucelas)
Produtor: Companhia das Quintas - Quinta da Romeira
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Chardonnay, Arinto
Preço em feira de vinhos: 5,39 €
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: William Fevre, Sauvignon Blanc 2004 (B)
Região: Saint-Bris (França)
Produtor: William Fevre - Chablis
Grau alcoólico: 12%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em garrafeira: 14,90 €
Nota (0 a 10): 8,5

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Os vinhos da festa 2007-2008 (1)

No meu copo 159 - Champanhes e espumantes



Na quadra festiva que há pouco terminou, entre jantares de Natal, réveillon e alguns aniversários tivemos oportunidade de provar um conjunto alargado de vinhos que seria fastidioso descrever em detalhe. Assim vamos apresentar algumas notas curtas agrupando-os por tipo de vinho (daqueles que ainda nos lembramos...)
Começamos pelos champanhes e espumantes.

Veuve Clicquot Champagne Brut - Um clássico do champanhe francês que já se tornou tradicional nos meus jantares de Natal. Foi uma das primeiras notas de prova aqui colocadas, precisamente após o fim-de-ano de há dois anos. Apreciação aqui. Nota: 9

Pol Carson Champagne Brut Rosé - Numa variação ao habitual, resolvi experimentar este champanhe rosé e foi uma bela aposta. Bastante aromático, seco, suave, bolha fina e com grande elegância. Excelente acompanhante de quase todo o tipo de iguarias, mas em particular entradas, peixes e mariscos. Uma boa aposta por um preço, apesar de tudo, não muito exagerado para o produto que é. Nota: 8,5

Tapada do Chaves Bruto 2002 - Resolvi experimentar este por estar agora em Portalegre, por ter visitado a Tapada do Chaves e por ainda não ter experimentado um espumante do Alentejo. Foi uma belíssima revelação. Bastante frutado e aromático, ainda com algum toque floral, muito elegante e com bolha fina. Bela combinação do Arinto, a dar uma bela acidez ao conjunto, com o Fernão Pires. Entrou directamente para a lista dos recomendados, até porque tem um preço bastante aceitável. Nota: 8

Cabriz Bruto 2005 - Igualmente equilibrado, aromático e elegante, com muita frescura na boca. A Malvasia Fina a expressar-se muito bem em combinação com a Bical. Nota: 8

Real Senhor Velha Reserva 2001 - Mais um bom exemplo duma feliz combinação de castas, neste caso a Malvasia Fina e o Arinto, duas excelentes castas brancas. Pareceu-me contudo menos suave que os dois anteriores. Nota: 7,5

João Pires Bruto - Este foi o que menos me agradou de todos os provados. Pareceu-me pouco elegante, exactamente ao contrário dos outros. Talvez uma segunda apreciação possa rectificar esta primeira impressão. Nota: 7

Kroniketas, enófilo espumantizado

Vinho: Veuve Clicquot - Champagne Brut (B)
Preço em hipermercado : 32,89 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Pol Carson - Champagne Brut (R)
Região: Champagne (França)
Produtor: Sedi Champagne - Châlons en Champagne - França
Grau alcoólico: 12%
Preço em hipermercado: 19,49 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Tapada do Chaves 2002 - Espumante Bruto (B)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Tapada do Chaves, Sociedade Agrícola e Comercial
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço em hipermercado: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Cabriz 2005 - Espumante Bruto (B)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 12%
Castas: Malvasia Fina, Bical
Preço em feira de vinhos: 6,40 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Real Senhor Velha Reserva 2001 - Espumante Bruto (B)
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Malvasia Fina, Arinto
Preço com a Revista de Vinhos: 6,25 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: João Pires - Espumante Bruto (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7

sábado, 10 de novembro de 2007

No meu copo 144 - Casa de Santar Reserva 2003; Quinta de Cabriz Reserva 2003


Já este ano tínhamos provado estes dois vinhos do Dão, referenciados entre os melhores no painel de tintos até 10 € da Revista de Vinhos. Mas um jantar entre amigos proporcionou a oportunidade de prová-los em conjunto, com a curiosidade acrescida de agora serem ambos propriedade da Dão Sul e poder compará-los.
O vinho é um mundo de surpresas, já todos o sabemos, e muitas vezes o que damos por adquirido transforma-se completamente perante uma prova surpreendente que vem abalar de alto a baixo as nossas convicções. Não foi bem o caso, mas foi quase.
De facto, as provas anteriores mostravam-nos claramente um Casa de Santar Reserva uns furos acima do Quinta de Cabriz Reserva. Enquanto aquele tinha mais estrutura, mais corpo, aromas mais complexos e maior persistência, este apresentava-se mais frutado, mais aberto, em suma um vinho um pouco mais fácil. Mas eis senão quando... nesta prova os papéis inverteram-se, para grande surpresa minha. Dentro da garrafa há sempre alterações inesperadas, e desta vez o Cabriz levou a melhor sobre o Santar. Convém referir que as colheitas provadas foram as mesmas da prova anterior, daí a surpresa ser maior. Não sei se foi aquele que melhorou em relação à garrafa provada anteriormente ou se foi este que decresceu, mas a verdade é que o Cabriz mostrou, desta vez, maior complexidade na prova gustativa, um toque levemente especiado e foi desenvolvendo aromas terciários ao longo da refeição. Por sua vez o Santar apareceu mais linear, mais “liso”, digamos assim, sem perder a macieza que o caracteriza mas parecendo que alguma acidez se tinha ido embora.
Nas provas anteriores tinha classificado o Santar com 8 pontos e o Cabriz com 7,5. Se tivesse que fazê-lo de novo, por esta prova, talvez os classificasse ao contrário. Mas vou acreditar que o Santar não perdeu qualidades (até porque ainda há uma garrafa da mesma colheita cá em casa) e, a fazer fé no painel de prova da Revista de Vinhos, é um dos melhores tintos até 10 €. Eu também acho, pelo que espero que as próximas provas e as próximas colheitas confirmem as expectativas que este vinho sempre levanta. E já agora, que confirmem também a melhoria do Cabriz.

Notas de prova da Revista de Vinhos:

Casa de Santar Reserva 2004: Muito bem de aromas, fruta concentrada e densa, com notas anisadas. A boca mostra-se com muito boa estrutura e classe, taninos afinados, fruta final a marcar presença. Nota: 17

Cabriz Reserva 2004: Denso na cor, fruto preto, tudo algo fechado e sem se mostrar muito, ligeiro rebuçado e licorados; muito bem na boca, cheio e com estrutura, ligeiramente doce mas bem proporcionado, é um belo tinto de final prolongado. Nota: 16

Comentário: uma descrição que confirma exactamente o que se espera destes dois vinhos, e que no caso do Cabriz se aproxima da sensação colhida nesta segunda prova. Definitivamente, dois vinhos para nunca faltarem na garrafeira.


Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 30 de julho de 2007

No meu copo 132 - Cabriz Rosé 2006

Neste tempo de calor calha sempre bem aproveitar a versatilidade de um vinho rosé para refrescar o corpo e a alma. Os rosés estão na moda e cada vez há mais marcas no mercado e mais empresas de norte a sul do país a produzir vinho rosé, mesmo aquelas com décadas de história e que até há 2 ou 3 anos só faziam brancos e tintos.
Um dia destes fui à procura de um rosé para acompanhar um lanche ajantarado na casa de um amigo. Actualmente já começa a haver a dificuldade da escolha, dada a proliferação de vinhos rosé nas prateleiras, pelo que resolvi apostar num daqueles produtores que são sempre apostas seguras, e fui para a Quinta de Cabriz.
Agora com o nome vinhos reduzido apenas para Cabriz por questões de marketing (desde que a Dão Sul ficou com a gestão da Casa de Santar, esta passou a ser a grande aposta da empresa em termos de vinhos de quinta), os vinhos da Quinta de Cabriz têm-se tornado uma referência importante na região do Dão, com uma qualidade média bastante aceitável e sem grandes oscilações, pelo que dão sempre alguma garantia de não defraudar o consumidor. E foi o que aconteceu com este rosé, uma aposta recente da casa. É um daqueles rosés como eu gosto, com um perfil leve e suave, sem o excesso de álcool que também já começava a ameaçar estes vinhos, com aroma predominante a frutos vermelhos e algum floral, ligeiramente seco e com um final de grande frescura na boca e com alguma persistência.
Sem dúvida que vou voltar a apostar nele. É uma bela companhia para estes dias quentes, quer à refeição quer como aperitivo ou apenas para entreter na esplanada.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cabriz 2006 (R)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivnícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 12%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro
Preço em hipermercado: 3,90 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 27 de junho de 2007

No meu copo, na minha mesa 124 - Montevalle Reserva 02, Casa de Santar 03, Murganheira Branco Seco 06; Petisqueira do Gould (Paço d'Arcos)




Continuando nos arredores da capital, aproveitámos uma folga para dar um saltinho a Paço d’Arcos. Indo pela Avenida Marginal em direcção a Cascais, sai-se na primeira saída para Paço d’Arcos, desembocando-se logo na Rua Costa Pinto, onde o nº 47 aloja o restaurante Os Arcos e alguns metros à frente, no nº 93, se encontra a Petisqueira do Gould. Na mesma zona, quase em frente, há a Casa Gallega e ainda um restaurante italiano e, num patamar mais abaixo, a Marítima e um restaurante asiático. Há muito por onde escolher.
Depois de espreitarmos à montra d’Os Arcos e da Petisqueira do Gould, ali a 100 metros um do outro, optámos por este último, ficando Os Arcos para próxima oportunidade. Franqueada a porta, encontrámos um espaço reduzido, quase intimista (a sala dispõe apenas de 30 lugares), onde somos conduzidos à mesa pelo anfitrião, o Sr. Amando Carvalho, dono daquele espaço.
Como entretém-de-boca apareceram na mesa umas tirinhas de presunto, pão de alho torrado e um creme à base de sapateira servido na própria concha.
Quando passamos à escolha dos pratos, a oferta, não sendo excessivamente extensa, é bastante variada, o que dificulta a escolha. Nos pratos do dia há arroz de garoupa com gambas, costeletinhas de borrego e posta mirandesa, entre outros. Como somos mais carnívoros, olhámos mais para o lado das carnes e chamou-nos a atenção a alheira de caça, o entrecôte grelhado e o tornedó, e ficámos ali a matutar no que escolher. Perante a nossa indecisão, o dono aproxima-se e sugere-nos a posta mirandesa, de carne certificada. Para fazer parelha acabámos por escolher o tornedó à portuguesa, frito em azeite e alho.
Os pratos foram apresentados num carrinho de servir e pedimos para dividir as doses em partes iguais, de modo partilhar os dois pratos. O dono acabou por servir-nos primeiro a posta mirandesa e guardou o tornedó na estufa. Obviamente, ambos mal passados.
A posta estava muito tenra, salpicada por um tempero original, em que se notaram algumas notas de canela e de ervas não identificadas pelos mastigantes.
Quanto ao tornedó, extremamente suculento e tenro, de carne de Lafões, sobressaiu precisamente pela simplicidade da confecção, que permitiu que a qualidade da carne se exibisse sem peias.
E quanto ao vinho? A decisão tinha sido esta: almoçar num restaurante desconhecido e beber um vinho desconhecido. A carta era extensa, principalmente no Douro e ainda mais no Alentejo. Estávamos de olho num Gouvyas quando o dono nos sugeriu um Montevalle Reserva 2002, da empresa Bago de Touriga, de Luís Soares Duarte e João Roseira. Trata-se de um vinho feito com uvas de vinhas velhas cultivadas em Soutelo, no Cima Corgo, e São João de Lobrigos, no Baixo Corgo. Fermentado 100% em lagar e engarrafado após 24 meses de estágio em barricas usadas, é um vinho de produção limitada, que não é habitual ver no circuito comercial. Em conversa connosco ao longo da refeição, o dono disse-nos que tinha encomendado 80 caixas mas que só lhe vão chegando a pouco e pouco.
O vinho foi servido inicialmente num copo de prova, sendo o resto decantado sem que fosse necessário pedi-lo. Pedimos, sim, um frappé porque o vinho se apresentou com a temperatura um pouco elevada. Após uns 10 minutos com o decanter dentro do balde com gelo, o vinho ficou à temperatura adequada, podendo então ser devidamente apreciado, para o que foram devidamente apresentados copos em forma de tulipa.
Fugindo um pouco ao habitual, este vinho não contém a quase omnipresente Touriga Nacional, ficando-se pelas habituais Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Apresenta uma cor com tonalidades violáceas, aroma frutado e a denotar alguma juventude. Na boca é medianamente encorpado e equilibrado, com uma acidez moderada e grau alcoólico não excessivo. Apesar dos 24 meses de estágio, a madeira não se sobrepõe no conjunto, deixando um fim de boca suave e fresco com um toque apimentado.
Como a garrafa se esgotou, ainda tivemos que recorrer a meia garrafa do que houvesse disponível, e a escolha recaiu num Casa de Santar 2003, que se mostrou bem à altura do desafio. Há cerca de um ano tínhamos provado uma garrafa desta colheita, e devemos dizer que esta meia garrafa nos surpreendeu favoravelmente. Muito equilibrado, muito macio mas suficientemente encorpado e persistente para não ficar perdido nas sobras do vinho anterior. Merece uma revisão da nota apresentada anteriormente.
Pelo meio, foram chegando mais uns reforços de pão torrado, batatas fritas às rodelas muito finas e os copos sempre preenchidos graças à extrema atenção do anfitrião, com quem fomos trocando algumas impressões acerca de outros vinhos, da origem das carnes e de outras sugestões que nos foi apresentando. Para finalizar, pedimos um delicioso e muito macio bolo de chocolate com gelado de nata, que rematou o repasto da melhor forma.
A grande surpresa aconteceu apenas três dias depois. Há coisas que não se preparam antecipadamente, simplesmente acontecem porque calha. Encontrámo-nos nesse fim-de-semana a propósito dum evento cultural ali para os lados de São Domingos de Rana e, já cerca das 21 horas, com os estômagos meio vazios depois de termos enganado a fome com uns croquetes e rissóis, resolvemos ir petiscar qualquer coisa para fechar a noite. Tinha-se pensado num belo bife, mas dado o adiantado da hora achámos melhor ficar por uma coisa mais leve, pensando-se então no peixe. Como já dissemos, não somos grandes piscícolas, pelo que não é fácil escolher o que comer. A hipótese de ir para o peixe grelhado, sugerida pelo tuguinho, foi desde logo liminarmente rejeitada. Queria-se peixe, sim, mas qualquer coisa que soubesse bem. Estando ali pela zona, acabámos por voltar ao local do crime, e fomos outra vez parar a Paço d’Arcos. Toca a fazer a mesma volta do outro dia, e na montra d’Os Arcos os preços do peixe eram algo assustadores. Com alguma renitência do tuguinho, fomos outra vez bater à porta da Petisqueira!
Fomos outra vez magnificamente atendidos, voltando a trocar alguns dedos de conversa com o Sr. Amando Carvalho, aproveitando o facto de termos ficado noutro ponto da sala onde pontificam alguns recortes de jornais para nos inteirarmos da origem daquele espaço. Ficámos a saber que a Petisqueira surgiu depois da ourivesaria que a antecedeu ter sido assaltada e os proprietários despojados dos seus pertences. Para refazerem o negócio montaram um restaurante com um desenho interior que mereceu um prémio da Câmara Municipal de Oeiras.
Quase com as 10 horas da noite a bater, olhámos então, desta vez, para os peixes, e optámos pelos filetes de peixe-galo com arroz mariscado. Estavam soberbos, muito saborosos, assim como o arroz, malandrinho como convém. Desta vez rejeitámos as entradas e ficámos suficientemente preenchidos sem exagerar, que era o que se pretendia.
Para terminar, repetimos a sobremesa. Não havia opção que nos agradasse mais.
Quanto ao vinho, voltámos a seguir a sugestão do Sr. Amando e escolhemos o Murganheira Branco Seco. Confirmou tudo o que se esperava: um vinho de grande elegância, com grande frescura na boca devido a uma acidez correcta e um grau alcoólico adequado (12%), que aumenta o prazer de beber sem nos pesar nem se tornar enjoativo, como muitos brancos fermentados em madeira e cheios de álcool que temos encontrado ultimamente. Este, sim, é mais ao nosso gosto. Frutado quanto baste, com alguma predominância floral que é proporcionada pela Malvasia Fina, uma casta que temos encontrado em brancos muito elegantes.
Quanto ao preço, tratando-se de duas refeições muito diferentes, o dispêndio também acabou por sê-lo. Na primeira pagámos 45 € por cada refeição, com uma garrafa de vinho a 26 € e ainda mais meia, enquanto na segunda, sem entradas, com apenas uma garrafa de vinho a 10 € e sem cafés, ficámo-nos por uns singelos 20 € por cabeça. Donde se conclui facilmente que é precisamente nas entradas e nos vinhos, mais que nos pratos, que se estabelece a diferença de preços. Mas não custa pagar o que pagámos da primeira vez quando se sai dum restaurante com o nível de satisfação que este nos proporcionou.
Perante este serviço de pratos e de vinhos irrepreensível, a qualidade da confecção e a atenção, afabilidade e simpatia do dono, só podemos considerar este restaurante como excelente. No final de duas visitas, prometemos voltar, não com três dias de intervalo, mas este local tornou-se visita obrigatória para nós. Não é preciso grandes poses para se atingir a excelência - apenas simpatia, competência e qualidade.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Restaurante: A Petisqueira do Gould
Rua Costa Pinto, 93
2770-213 Paço de Arcos
Telef: 21.443.33.76
Preço médio por refeição: 35 €
Nota (0 a 5): 5

Vinho: Montevalle Reserva 2002 (T)
Região: Douro
Produtor: Bago de Touriga Vinhos Lda.
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço no restaurante: 26 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Casa de Santar 2003 (T) (garrafa de 375 ml)
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Murganheira Branco Seco 2006 (B)
Região: Távora-Varosa
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa
Grau alcoólico: 12%
Castas: Malvasia Fina, Cerceal, Gouveio Real
Preço no restaurante: 10 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 11 de maio de 2007

No meu copo, na minha mesa 112 - Dão Meia Encosta Garrafeira 73, Quinta de Cabriz Reserva 2003; Curral dos Caprinos



Este restaurante é um clássico. Um nome que é sempre de considerar para uma refeição bem preparada mesmo ao pé da serra de Sintra, a pedir um passeio após o repasto. Para além disso há uma enorme garrafeira onde se podem encontrar verdadeiras relíquias, com mais de 30 anos, em bom estado de conservação sem ser a preços obscenos. Rumando a Sintra, há que tomar a estrada em direcção a Colares e à Praia das Maçãs e pouco à frente sair no cruzamento em direcção a Cabriz e Várzea de Sintra.
Há dois pisos com salas, sendo o piso superior bem mais agradável que o térreo, pois é todo rodeado de janelas, ao contrário do outro que é completamente interior e mais acanhado em termos de espaço.
Uma das especialidades da casa é o cabrito no forno, que vem cortado em pequenos pedaços rodeados de batatinhas e regados com molho do assado. Não é o melhor cabrito que já comi mas cai bem. Existem, contudo, muitas outras opções em duas páginas repletas de especialidades e pratos do dia.
Antes de se escolher a refeição somos quase inundados por uma série de entradas quentes, como rissóis e croquetes, para além de outras frias como o queijo fresco e fatias de presunto. Difícil de resistir quando a fome aperta.
Nas sobremesas também há imensas escolhas, com a curiosidade de algumas terem nomes bem sugestivos como “pijama”, pijaminha” e “cuequinha”, que são pratos com misturas de doces, frutas e gelados, com variadas combinações. Pode-se sempre optar pelos mais tradicionais, como o pudim de gemas ou a mousse de chocolate.
Mas a grande atracção é a garrafeira. Para além de se poder pedir uma garrafa de bom vinho por 13 ou 14 euros, bem longe dos 30 ou 40 que se vêem por aí, ainda encontramos vinhos de Reserva e Garrafeira dos anos 70, 80 e 90 pelo mesmo preço. Não resisti à curiosidade de experimentar uma dessas relíquias e pedi um Dão Meia Encosta Garrafeira de 1973. Foi aberto com todos os cuidados (não sem que a rolha se partisse, mas sem cair na garrafa) e posteriormente decantado. Mostrou uma cor ainda a revelar saúde embora com o acastanhado típico de um vinho desta idade. Houve que deixá-lo respirar algum tempo para vê-lo evoluir, mas estava em plena forma, sem qualquer sinal de declínio nem de estar a ficar “passado”. Claro que um vinho destes não é apreciado por toda a gente, há que conhecer as suas características para poder usufruir de tão nobre envelhecimento. Já não vai melhorar, mas pareceu estar num patamar estável de conservação.
Para compensar a velhice deste Meia Encosta pediu-se um mais novo, um Quinta de Cabriz Reserva de 2003. Trinta anos mais novo e a mostrar bem essa juventude. Uma bela cor rubi ainda fechada, com um aroma pronunciado a frutos vermelhos e silvestres, a fazer lembrar amora e cereja, e uma grande frescura na boca, onde o frutado e a acidez se equilibram bem com um teor alcoólico elevado. O mais curioso é que estes vinhos custaram 14 e 13 €, respectivamente, o que deve ser caso único em Portugal.
À saída ainda houve a oportunidade de trazer a garrafa do Dão Meia Encosta e, no remate da conversa, adquiri outro Garrafeira de 1977 pelo preço módico de 10 euros! Disse-me o chefe que prefere vendê-las baratas, se os clientes as quiserem levar, do que tê-las guardadas a estragarem-se sem que ninguém lhes pegue. E acho que faz bem. Quando quiser outra, já sei onde ir buscá-la. Só espero que esta de 77 esteja com tão boa saúde como a de 73 que lá bebi.
Como nota menos positiva realce-se a demora do serviço, principalmente nos pratos pedidos. Parece que ao fim-de-semana dispensam parte do pessoal e ficam com 3 pessoas a atender uma sala para cerca de 130 clientes. Depois o serviço ressente-se...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Curral dos Caprinos
Rua 28 de Setembro, 13
Cabriz - Várzea de Sintra
Telef: 21.923.31.13
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4

Vinho: Dão Meia Encosta Garrafeira 73 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12%
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Quinta de Cabriz Reserva 2003 (T)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alfrocheiro, Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 6,98 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 14 de abril de 2007

No meu copo 105 - Quinta Sá de Baixo 2003

Outro vinho do Douro da gama média-baixa com um perfil correspondente. Não difere muito do anterior, em estrutura, em aroma, em acidez, em fim de boca.

Mediano de corpo, fácil de beber, pouco exuberante nos aromas, é outro exemplo de vinho do Douro da gama média-baixa que perde claramente para outras regiões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta Sá de Baixo 2003 (T)
Região: Douro
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Encostas do Douro
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 2,88 €
Nota (0 a 10): 6

sexta-feira, 9 de março de 2007

No meu copo 95 - Quinta do Encontro, Merlot-Baga 2001

Se fosse agora este vinho seria certamente um Bairrada. Como é de 2001, apesar de ser duma empresa da Anadia, que fica em pleno coração da Bairrada, é um Regional Beiras porque tem Merlot.
Eis aqui uma combinação interessante. Neste vinho a casta Merlot desempenha um papel semelhante àquele que tem nas combinações com Cabernet Sauvignon. Amacia a aspereza da casta mais adstringente. Neste Quinta do Encontro nota-se o frutado e a macieza do Merlot sem deixar de se sentir a pujança da Baga, embora já um pouco diluída.
Resultou um vinho equilibrado, com bom corpo e uma boa estrutura, mas suave. Para aqueles que não são apreciadores do Bairrada clássico devido precisamente à adstringência característica dos vinhos de Baga enquanto jovens, este casamento entre Merlot e Baga permite uma abordagem diferente e mais suave. A idade do vinho também ajuda, pois já repousou algum tempo na garrafa, mas ainda mostra uma grande vivacidade, sem sinais de cansaço nem evolução excessiva.
Foi comprado na feira de vinhos do Pingo Doce de 2002 e, por aquilo que custou, apresenta uma boa relação preço-qualidade.

Kroniketas, enófilo esclarecido

PS: Este vinho, na colheita de 2004, já aqui tinha sido comentado num post do desafio "Prova à Quinta" sobre vinhos feitos com Baga.

Vinho: Quinta do Encontro, Merlot-Baga 2001 (T)
Região: Beiras
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta do Encontro
Grau alcoólico: 13%
Castas: Baga, Merlot

Preço em feira de vinhos: 6,25 €
Nota (0 a 10): 7

segunda-feira, 5 de março de 2007

No meu copo 94 - Casa de Santar Reserva 2003

Continuamos no Dão para falar de um vinho que já é um clássico e uma das marcas mais prestigiadas da região: o Casa de Santar Reserva, neste caso a colheita de 2003.

A Casa de Santar passou recentemente para a gestão da Dão Sul, que se tornou a empresa mais representativa da região e tem-se pautado pela produção de bons vinhos que têm ajudado a recuperar o prestígio da região. Espera-se que na Casa de Santar prossiga essa política e não descaracterize os vinhos da marca.

No caso deste Reserva de 2003, trata-se dum vinho com aquela elegância típica e inigualável do Dão. Já em tempos falámos do Casa de Santar normal, que é um vinho bastante agradável, mas este, sendo um Reserva, naturalmente está noutro patamar.

Tem uma boa estrutura na boca, sem deixar de ser macio, aberto e suave. Uma bela cor rubi, brilhante, com um frutado não muito pronunciado e um bom equilíbrio entre o álcool e a acidez. Tem sido uma aposta segura e um daqueles vinhos que nunca desiludem. Uma presença garantida nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa de Santar Reserva 2003 (T)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Soc. Agrícola de Santar
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro

Preço em feira de vinhos: 8,27 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 13 de janeiro de 2007

I Encontro de Eno-blogs - O evento

E esta noite deu-se o grande acontecimento. Na York House, às Janelas Verdes, encontraram-se os autores de vários blogs vinícolas mais respectivos convidados e alguns independentes que se quiseram associar à iniciativa (e muito bem), o que proporcionou momentos de animado convívio e trocas de opiniões, a prova de algumas boas pingas e um jantar repleto de deliciosas iguarias.
Se não me falham as contas, registámos a presença do Copo de 3, do Saca-a-rolha, de Os vinhos, do Vinho a copo, além do promotor da iniciativa, o Pingas no Copo e os independentes Chapim, AJS, Pedro Sousa (PT) e Chicão (peço desculpa se me faltou alguém, mas no primeiro encontro é difícil fixar os nomes e as caras de toda a gente e associá-los desde logo aos pseudónimos usados nos blogs). O comparsa madeirense do Elixir de Baco também quis associar-se através de duas garrafitas de Verdelho da Madeira, que marcharam logo na prova, provocando algumas opiniões divergentes devido à discrepância entre o agrado da prova de boca e o seu final quase instantâneo. Mas valeu a pena a prova. Uma saúde para ti, companheiro. E que a próxima nos permita contar com a tua presença.
As Krónikas Vinícolas fizeram-se representar em peso, pois levaram 3 convidados que participam habitualmente nos repastos do Grupo Gastrónomo-Etilista “Os Comensais Dionisíacos” (entre eles o Politikos, do Polis&Etc), pelo que, juntamente com o Vinho a Copo, fomos o blog mais representado.
No meio de tantos vinhos degustados antes e durante o jantar, como não tirámos notas é difícil sistematizar tudo o que foi provado, mas salvaguardados os diferentes gostos e preferências de cada um, para mim houve um claro vencedor da noite: o Hexagon, da José Maria da Fonseca, numa garrafa de litro e meio, que me encheu as medidas mais que qualquer outro (devo dizer que esta opinião não é sequer unânime entre o grupo das Krónikas Vinícolas, é puramente pessoal). Grande corpo, grande estrutura, excelente exuberância aromática, este topo de gama criado, como sempre, sob a batuta de Domingos Soares Franco, que deve ter um preço proibitivo aí no mercado. Não me lembro quem levou o vinho, mas em boa hora o fez e tiro-lhe o meu chapéu.
Do lado contrário, a decepção da noite foi um Dão Casa de Santar Tinto Superior, de 2001. Dado o patamar de qualidade a que esta casa nos habituou, esperava-se que este Tinto Superior, que suponho estar situado num patamar acima do Reserva (que já é um vinho de superior qualidade), estivesse próximo do sublime, mas afinal acabou por revelar-se vulgar, sem encantar, ao que me pareceu, nenhum dos presentes. O meu comentário na hora foi que lhe faltava corpo... e alma, e está tudo dito.
No final da refeição houve dois vinhos do Porto para comparar, um Colheita de 91 (da Niepoort) e um LBV (da Warre's), e o meu veredicto é... X. Gostei de ambos, cada um com o seu perfil., embora não sejam comparáveis, mas não consigo pender para qualquer dos lados. Para mais pormenores, aconselho a leitura dos outros blogs presentes, onde certamente haverá uma descrição mais detalhada das muitas provas realizadas.
Quanto ao repasto, a entrada de folhado de pato estava saborosíssima, os filetes de linguado excelentes (marcharam enquanto o diabo esfrega um olho), e as presas de porco (que substituíram as costeletas de borrego devido a imponderáveis de última hora) também se comeram bem, embora fossem o prato mais vulgar dos três. Também a tarte estava muito boa, com um gelado e um toque de canela bastante agradáveis.
No final de tudo, o regresso processou-se de táxi, tal como a ida, para não arriscar, mas afinal não estávamos tão afectados como seria de supor, pois bebeu-se com moderação e sem exageros. Afinal, somos todos amantes dos néctares de Baco mas não alcoólicos.
Só me resta agradecer ao anfitrião da York House, José Tomaz de Mello Breyner, pela disponibilidade demonstrada para acolher esta iniciativa, ao Pingus Vinicus por ter dinamizado a coisa e concentrado a informação para os preparativos do acto, e a todos os comparsas que escrevem, lêem e comentam os nossos blogs, e que tive o prazer de conhecer neste encontro e com os quais troquei opiniões bastante interessantes, enriquecendo mais um pouco os meus conhecimentos sobre este mundo tão fascinante que é o do vinho. Faço votos para que esta tenha sido apenas a primeira de muitas iniciativas do género que se repitam pelo tempo fora. Um brinde a vocês todos.
À nossa!

Kroniketas, enófilo esclarecido e ainda sóbrio

sábado, 28 de outubro de 2006

No meu copo 63 - Quinta de Cabriz, Experiência VL-1 1999



Odeio pargo! Convém especificar que é apenas quando cozido, porque adoro um bom pargo legítimo assado no forno! E foi precisamente esse o prato que acompanhou o vinho de que aqui vou falar. Bem assadinho, coberto de cebola às rodelas e com batatinhas aos cubos bem embebidas no molho que, como não podia deixar de ser, também leva vinho.
Esta experiência da Quinta do Cabriz foi uma espécie de vinho em sentido contrário ao que se devia fazer. Como diz no contra-rótulo: “Em vez de mosto de gota usámos mosto de prensa; em vez de corrigir a acidez optámos por manter o desequilíbrio dos ácidos; em vez de fermentar abaixo de 20°, fermentou bem acima; em vez de 3 meses de madeira, teve exactamente um ano! É um vinho difícil, mas estimula-nos os sentidos.” - Virgílio Loureiro, o seu criador, dixit!*
Esta garrafa foi-me oferecida pelo Continente (Obrigado Doutor Belmiro! E ainda dizem que é forreta, veja lá!), no âmbito do seu Clube de Vinhos, já nos idos de 2002. A cor era dourada, a denunciar o prolongado contacto com a madeira. O aroma era discreto e não muito atractivo, mas sem odores estranhos, bastante limpo.
Na boca revelou-se excelente, com os 13 graus de álcool discretos e elegantemente casados com a madeira, também ela nada impositiva. Um fim de boca que muitos tintos não possuem concluiu as manifestações deste bom vinho nos meus sentidos.
É actuando assim que se evita que todos os vinhos fiquem iguais. Podem não se conquistar os clientes que procuram sempre o mesmo, mas de certeza que se vão ganhar outros que se tornarão fiéis.
A moda por vezes pode ser uma ditadura. E as ditaduras têm de ser contrariadas. Quase sempre dá bons resultados.

tuguinho, enófilo esforçado

Vinho: Quinta do Cabriz Experiência VL-1 1999 (B)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 13%
Preço: não foi comercializado
Nota (0 a 10): 7


* Virgílio Loureiro é um dos enólogos mais reputados do país. Professor no ISA, doutorado em Microbiologia Alimentar e especialista em Análise Sensorial, tem uma paixão pelo Dão, donde é originário, e pelos vinhos brancos, de que resulta esta experiência que baptizou com as suas iniciais. Colabora no Clube de Vinhos do Continente e na selecção dos vinhos para a Feira de Vinhos.

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Krónikas duma viagem ao Douro - 6

No meu copo, na minha mesa 45 - Paço dos Cunhas de Santar 2004; O Cortiço




















Na parte final da viagem, um local que desde o início foi definido como paragem obrigatória. Referenciado por pessoas amigas e por todos os guias de restaurantes, rumámos a Viseu para visitar o Cortiço. Fica situado no centro histórico da cidade, numa rua estreita que sai da praça onde está a estátua de D. Duarte.
Telefonou-se a reservar mesa, e ainda bem, porque à hora marcada para o jantar (20 h) a sala não está cheia mas começa rapidamente a ficar lotada, porque o espaço não é muito amplo, e facilmente nos apercebemos de que a procura é grande. Nas paredes, decoradas de forma a puxar para o rústico, algumas fotografias de visitantes conhecidos e, sobretudo, recortes e escritos de gente que por lá passou. Percorrendo algumas encontramos assinaturas do grupo Vozes da Rádio, dos UHF, do Rio Grande, para citar apenas alguns. Há até uns versos de Jorge Palma com muita graça.
Sob a supervisão sisuda do que parece ser o gerente da casa, uma equipa de empregados de mesa jovens atende de forma solícita e eficiente. Comenta-se que aqueles rapazes parecem ter feito uma formação em hotelaria, porque cumprem todos os preceitos de quem está devidamente instruído, longe do amadorismo que se vê por aí.
A oferta é vasta, o que dificulta a escolha. Pedimos conselho ao jovem que vem à mesa, acabando por optar por meia-dose de coelho bêbado estufado e meia-dose de vitela assada, porque as doses são generosas. Vieram acompanhadas pelas tradicionais batatinhas assadas além de legumes salteados. O coelho estava delicioso, com um molho espesso que fazia lembrar o do javali do Vallecula, enquanto a vitela, em fatias, era extremamente tenra e também com um molho apetitoso.
Para sobremesa um doce também referenciado na casa: o doce das formigas, que actualmente tem réplicas conhecidas em todo o país. É o doce em camadas com leite-creme, bolacha e natas, com granulado de chocolate por cima. Mas este estava mais cremoso do que é habitual.
Para regar tão requintada refeição, um vinho do Dão como se impunha na região. Provou-se primeiro um pequeno jarro de vinho da casa, que não agradou por ser muito agreste. Pediu-se então meia garrafa de Paço dos Cunhas de Santar, de 2004, que revelou a elegância e suavidade tão características dos bons vinhos do Dão. Não é o melhor que já bebemos, mas faz jus a uma qualidade média que não envergonha ninguém. O preço também não foi exorbitante para a bitola habitual em restaurantes: 6 €.
Ponderados todos os parâmetros de avaliação, ficamos indecisos acerca da nota que havemos de dar. Não há defeitos a apontar em nenhum item, mas ainda temos na memória o jantar memorável do Vallecula, pelo que parece inevitável tirar uns pozinhos a este. Foi excelente, mas não tão exuberante, pelo que vamos dar-lhe meio ponto a menos. Mas é, sem dúvida, um local a voltar quando se passar por Viseu.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: O Cortiço
Rua Augusto Hilário, 45
3500-089 Viseu
Telef: 232.423.211
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Paço dos Cunhas de Santar 2004 (T)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola

Grau alcoólico: 13%
Preço em restaurante: 6 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 28 de abril de 2006

Krónikas duma viagem ao Douro - 2

Na minha mesa, no meu copo 41 - Vallecula; Quinta de Cabriz Colheita Seleccionada 2003, Quinta de Saes 2003





Algures no sopé da Serra da Estrela, entre a Covilhã, Guarda e Manteigas, existe um local paradisíaco onde corre o Zêzere e onde o tempo parece não passar. Chama-se Valhelhas e é daqueles locais onde se consegue ouvir o silêncio, os pássaros, o rio... E existe ali, naquele local recôndito, um restaurante de nome Vallecula, numa casa feita em pedra.
Só de propósito é que alguém lá vai parar, mas vale bem a viagem. Uma sala que alberga umas 30 pessoas, um único funcionário (que por sinal é o dono) a atender os clientes e a dar conselhos. Ele mostra a lista mas explica o que há. Para comilões e em especial amantes de carne, é um maná.
Javali de montaria na carqueja, filete de vitela, borrego grelhado, peixinhos do rio para entrada, queijo fresco de cabra, alheira de caça, arroz doce com leite de cabra, cocktail de frutos secos, as iguarias são de fazer crescer água na boca, do princípio ao fim da refeição. Os comensais renderam-se a um magnífico prato de borrego, grelhado no ponto ainda rosado, tenro de quase se desfazer na boca, e um não menos magnífico javali estufado com molho espesso que parecia sempre pouco no prato. Tudo acompanhado por arroz e umas excelentes migas e não menos excelente esparregado. Nas sobremesas o arroz doce fez sucesso, assim como o cocktail de frutos secos.
Os vinhos listados são exclusivamente da região da Serra da Estrela, fazendo jus à característica de restaurante regional. Dão e Cova da Beira estão bem representados numa lista com cerca de 60 nomes. Infelizmente um dos vinhos pedidos não existia, pelo que optou-se primeiro por um Dão Quinta de Cabriz Colheita Seleccionada, que cumpriu o seu papel dentro daquilo que se esperava: é um vinho fácil de beber, aberto e macio, com uma bela cor rubi característica dos tintos do Dão, e que acompanha bem praticamente todos os pratos de carne. Em seguida pediu-se um Quinta de Saes, que mostrou um sabor algo estranho, resultante de qualquer componente desconhecido que os presentes não conseguiram identificar. Um defeito do vinho, ou uma característica a que não estamos habituados? Fica a dúvida para uma próxima oportunidade, mas a verdade é que, apesar do aroma mais pronunciado e profundo e dum corpo mais cheio, parecendo que era “mais vinho” que o anterior, acabámos por não ficar a ganhar com a troca. A culminar a opípara refeição ainda foi oferecido (só um dos presentes aceitou) um cálice de aguardente, mais um produto da região. Até a água gaseificada era da região.
O dono é de uma simpatia extrema, desdobrando-se em atenções pelas várias mesas da sala, tentando sempre que nada falte a ninguém. Enquanto vai atendendo os nossos pedidos vai conversando com os clientes, criando um ambiente que, embora sossegado, é descontraído e acolhedor e faz-nos esquecer o passar das horas. Neste caso, o grupo entrou às 8 da noite e abandonou quase às 10 e meia, sem grande pressa para sair. Mas ficou a vontade de voltar. A não perder na próxima passagem pela Serra da Estrela.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Vallecula
Praça Dr. José de Castro
6300-235 Valhelhas
Telef: 275.487.123
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 5

Vinho: Quinta de Cabriz, Colheita Seleccionada 2003 (T)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 13%
Preço em feira de vinhos: 2,72 €
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: Quinta de Saes 2003 (T)
Região: Dão
Produtor: Álvaro Castro
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Alfrocheiro, Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 3,35 €
Nota (0 a 10): 5

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

No meu copo 22 - Casa de Santar tinto 2003; Casa de Santar branco 2004

Uma prova interessante: quase coincidentes no tempo, um Dão Casa de Santar tinto e um branco. Nem um nem outro são vinhos de topo, mas são ambos muito fáceis de beber.
O branco é aberto, macio, de cor citrina, com um toque floral no aroma, adequado para pratos delicados de peixe (óptimo com peixe no forno, pouco adequado para bacalhau). É um vinho que apetece beber e que se vai consumindo quase sem dar por isso. Os seus 12,5% de álcool não se sentem. Penso que pode fazer boa figura numa tarde verão a acompanhar umas entradas não muito condimentadas. O tinto tem um perfil semelhante. Sente-se macio na boca, com um final médio, aromático e encorpado quanto baste, sem ser agressivo. 13% de álcool bem diluídos. Nos tempos que correm, esta graduação não é nada de extraordinário, pois a tendência é para termos vinhos cada vez mais alcoólicos. Também vai bem com pratos delicados de carne, sem serem muito condimentados, pois corre-se o risco de os aromas do vinho ficarem abafados pelos temperos. Moderação, é o que se recomenda.
Dado o nível de preços, são vinhos perfeitamente acessíveis para um consumo corrente oferecendo uma qualidade bastante aceitável. Por isso justificam claramente a sua presença nas nossas sugestões. Dentro destes preços verá que não é fácil encontrar muito melhor.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Soc. Agrícola de Santar

Vinho: Casa de Santar 2003 (T)
Grau alcoólico: 13%

Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 3,86 €
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: Casa de Santar 2004 (B)
Grau alcoólico: 12,5%

Castas: Encruzado, Cerceal, Bical
Preço em feira de vinhos: 3,29 €
Nota (0 a 10): 6,5