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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

No meu copo 267 - Domingos Soares Franco Colecção Privada: Verdelho branco 08; Moscatel Roxo rosé 08

Domingos Soares Franco (DSF)tem sido um precursor e um inovador no estudo das castas portuguesas. Nas vinhas plantadas na Quinta de Camarate, que acolhe uma colecção ampelográfica de cerca de 500 castas, o enólogo-chefe e vice-presidente da empresa José Maria da Fonseca – produtora do vinho de mesa mais antigo em Portugal, o Periquita, criado em 1850 – tem levado a cabo amplas experiências na caracterização de inúmeras castas, aproveitando os conhecimentos adquiridos para a modelagem dos seus vinhos.

Foi um dos primeiros a introduzir a minhota Alvarinho no sul do país, introduziu o Verdelho, juntamente com aquela, no Quinta de Camarate branco seco, e recuperou a quase desaparecida Moscatel Roxo. É precisamente de duas destas castas que falamos agora, a propósito dum branco de Verdelho e dum rosé de Moscatel Roxo.

No contra-rótulo das garrafas, Domingos Soares Franco conta em poucas palavras as motivações que o levaram a criar estes dois monocastas que incluiu numa nova linha que baptizou como Colecção Privada. O Verdelho, casta branca até há poucos anos quase só conhecida na Madeira, já chegou à Austrália e foi lá que DSF encontrou o estilo que mais lhe agradou para moldar este excelente branco. Marcadamente seco e aromático, com boa persistência e algumas notas cítricas, revelou-se um excelente companheiro de mesa para pratos requintados de peixe mas também para acompanhar uns acepipes de entrada ou ser bebido a solo.

Quanto ao rosé de Moscatel Roxo, apareceu pela primeira vez na colheita de 2007, causando alguma celeuma pela utilização duma casta quase esquecida e mais habitual no Moscatel de Setúbal para elaboração de um rosé, que como se sabe ainda é um tipo de vinho mal-amado em Portugal. A verdade é que logo no primeiro ano o sucesso foi tal que o vinho desapareceu rapidamente do mercado.

Devo dizer, no entanto, que este não me encheu as medidas como o Verdelho. É um rosé com uma cor salmão desmaiada, leve como gosto num rosé mas achei-lhe falta de mais algum corpo e estrutura. Curiosa a descrição do contra-rótulo, referindo a “fineza e exuberância aromática das flores de jasmim”. É recomendado para refeições ligeiras ou pratos orientais, mas parece ser mais adequado para beber no Verão como aperitivo do que para acompanhar a refeição.

De qualquer modo, com sensações diferentes causadas por estes dois vinhos originais, não deixa de ser uma experiência que vale a pena. E no caso do Verdelho, fiquei fã incondicional.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca

Vinho: Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2008 (B)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 7,95 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Domingos Soares Franco Colecção Privada, Moscatel Roxo 2008 (R)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Moscatel Roxo
Preço: 10,95 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Perdizes por um, perdizes para dez

No meu copo 251 - Veuve Roth, Pinot Gris 2007; Delicato, Chardonnay 2005; Delicato, Zinfandel 2005 rosé; Herdade do Pinheiro 2007 rosé; Herdade do Perdigão Reserva 2005; Quinta da Viçosa 2003; Herdade do Meio Garrafeira 2003; Vieux Magon 2001




E pronto, para assinalar o fim do ano de trabalho e ajudar a esgotar o stock de perdizes do caçador de serviço, juntando mais uma operação da missão nunca terminada de “desbaste da garrafeira”, o plenário dos Comensais Dionisíacos reuniu-se em versão familiar para o que já começa a ser um “must” na primeira metade do Verão: o “jantar de fim de época”, desta vez em versão caseira com o Politikos e respectiva consorte e descendência a servirem de anfitriões para o repasto. Compareceram à chamada quase todos os membros efectivos, só havendo faltas por impossibilidade justificada.
Enquanto as senhoras se dedicavam à confecção das aves, os homens entretinham-se com a selecção das garrafas. Para começar optou-se por um Veuve Roth, Pinot Gris 2007, um branco francês que tinha provado há algum tempo na Wine O’Clock. Muito macio, delicado e de grande suavidade, ligeiramente adocicado mas com uma excelente acidez que o torna muito fresco e equilibrado, já me tinha conquistado na prova anterior e voltou a fazê-lo. Não é um vinho para grandes refeições mas como aperitivo ou entrada ou com pratos delicados vai francamente bem.
Seguiu-se um Delicato Chardonnay 2005, desta vez um branco californiano que apareceu mais suave do que a maioria dos Chardonnay, mais frutado e sem aquele amanteigado que marca muitos dos vinhos da casta, com aromas tropicais e sem a habitual marca da madeira que o torna demasiado pesado para o meu gosto.
Passou-se depois para os rosés. O anfitrião insistiu em que experimentássemos outro Delicato que não fez o pleno das opiniões. Um verdadeiro rosé de esplanada, adocicado e não muito gastronómico. No entanto algumas das senhoras preferem os mais doces pelo que ainda houve aproveitamento do conteúdo da garrafa. Passou-se imediatamente a outro rosé que já estava preparado, um Herdade do Pinheiro 2007. Mais seco, persistente e com maior acidez, agradou à generalidade dos presentes.
Quando as perdizes vieram para a mesa, confeccionadas em duas variedades já experimentadas com sucesso (estufadas com couve lombarda e com cogumelos em molho de natas de soja) passou-se então ao painel dos tintos, constituído por belos vinhos do Alentejo. A escolha para início das hostilidades recaiu num Herdade do Perdigão Reserva 2005. Foi um sucesso. Alvo dos maiores encómios, mostrou-se um vinho de grande carácter, pujante, persistente, muito vivo mas arredondado, a mostrar que está para durar. Sem dúvida um vinho a repetir.
Seguiu-se um Quinta da Viçosa 2003, um dos vinhos especiais de João Portugal Ramos. É feito com a melhor casta portuguesa e a melhor casta estrangeira da colheita de cada ano. Neste caso temos uma combinação algo “sui generis “de Touriga Nacional e Merlot, tal como já houve outras combinações improváveis como Aragonês e Petit Verdot ou Trincadeira e Syrah. Este 2003 apresentou-se essencialmente elegante e suave, em claro contraste com o Herdade do Perdigão. Um vinho mais aconselhado para pratos delicados e requintados, talvez pouco adequado para a caça que tínhamos no prato mas que também merece outra oportunidade.
Continuando no Alentejo, experimentámos depois um Herdade do Meio Garrafeira 2003, uma promoção da feira de vinhos do Continente de 2008. A prova anterior desta casa não agradou mas este mostrou outro nível. Muito bem estruturado, encorpado e persistente, com taninos firmes mas domados. Uma bela surpresa pelo preço que custou.
Por fim, o anfitrião ainda fez questão de nos brindar com uma garrafa de vinho da Tunísia, produzido na região da antiga Cartago. Contra as expectativas mais pessimistas, não defraudou. Apresentou-se elegante e suave na boca, medianamente encorpado, com boa concentração de cor e alguma persistência de madeira. Não sendo excepcional, não é de menosprezar.
Para fecho da noite, já atirados a uma mousse e a um gelado de chocolate, tivemos o ponto alto com a abertura duma relíquia que o Politikos tinha lá em casa: um Lacrima Christi sem data, mas com uma indicação de 1908 no contra-rótulo! Sublime! Não há palavras para descrevê-lo. E ainda houve tempo para os mais resistentes provarem uma aguardente de figo da Tunísia, Boukha Gold, com 36% de álcool.
Depois ainda se seguiram algumas baforadas de charuto e cachimbo para os mais aficionados, mas isso são outras histórias... Agora vamos a banhos.

Kroniketas, tuguinho, e os outros todos

Vinho: Veuve Roth, Pinot Gris 2007 (B)
Região: Alsácia (França)
Produtor: Les Caves de La Route du Vin
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Pinot Gris
Preço: 9,50 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Delicato, Chardonnay 2005 (B)
Região: Califórnia (EUA)
Produtor: Delicato Family Vineyards - Manteca - Califórnia
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Chardonnay
Preço: 4,22 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Delicato, Zinfandel 2005 (R)
Região: Califórnia (EUA)
Produtor: Delicato Family Vineyards - Manteca - Califórnia
Grau alcoólico: 10%
Casta: White Zinfandel
Preço: 3,96 €
Nota (0 a 10): 5,5

Vinho: Herdade do Pinheiro 2007 (R)
Região: Alentejo (Ferreira)
Produtor: Sociedade Agrícola Silvestre Ferreira
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço: 4,88 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Herdade do Perdigão Reserva 2005 (T)
Região: Alentejo (Monforte)
Produtor: Herdade do Perdigão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço: 12,50 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Quinta da Viçosa 2003 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Merlot
Preço: 22,10 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Herdade do Meio Garrafeira 2003 (T)
Região: Alentejo (Portel)
Produtor: Casa Agrícola João & António Pombo - Herdade do Meio
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Castelão
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vieux Magon 2001 (T)
Região: Mornag (Tunísia)
Produtor: Les Vignerons de Carthage - Tunis
Grau alcoólico: 13%
Preço: 9 €
Nota (0 a 10): 7

terça-feira, 28 de julho de 2009

No meu copo, na minha mesa 250 - Jantar Niepoort no restaurante Jacinto





Realizou-se há duas semanas no restaurante Jacinto, na zona antiga de Telheiras, em Lisboa, o muito aguardado jantar de degustação com vinhos Niepoort, promovido pela Wine O’Clock. Pela quantia de 50 euros os mastigantes e degustantes tiveram direito a uma entrada, um prato de peixe, dois de carne, duas sobremesas, 10 vinhos e uma aguardente, que incidiram basicamente nos que já tinham estado em prova na Wine O’Clock na semana anterior.
As Krónikas Vinícolas fizeram-se representar por este escriba e pelo Politikos, por sinal os primeiros a chegar ao restaurante. Começámos por ser brindados com um vinho do Porto branco Niepoort extra-seco de 1939! Um vinho castanho-cobre, a fazer lembrar um Tawny de 20 ou 30 anos, com uma frescura e intensidade aromática que nunca fariam supor estarmos perante um vinho com a idade do início da 2.ª Guerra Mundial! Notável!
Depois de completo o lote de participantes e já devidamente distribuídos pelas mesas, deu-se início às hostilidades. Tivemos a sorte de ficar na mesa do representante da Niepoort, José Teles, da área comercial, o que foi uma mais-valia, já que além do agradável convívio nos permitiu aprender um pouco mais, tendo mesmo ficado em aberto a visita a uma das quintas da Niepoort por altura das vindimas. A estratégia comercial das marcas passa hoje muito por (in)formar e aproximar os apreciadores/consumidores de vinho, e ainda bem.
Com o prato de entrada foi servido o Redoma rosé 2008, de momento o único rosé da Niepoort. Bastante equilibrado na boca, com aroma predominante a frutos vermelhos, boa estrutura e boa persistência. Fermentou em barricas novas de carvalho francês mas não foi submetido a qualquer estágio. Um vinho concebido para a mesa, mais do que para a esplanada, que casou bem com a salada de queijo de cabra com rúcula, que estava muito fresca e agradável.
Seguiu-se o prato de peixe, bacalhau confitado com pasta de azeitona, com o qual provámos dois vinhos brancos: o Tiara 2008 e o Redoma 2008. O Tiara, mais leve, mais aberto, mais suave e mais elegante, com um perfil mais mineral e cítrico, é um branco para pratos mais frescos e requintados. O Redoma, mais estruturado, resultado da fermentação em barricas de carvalho francês onde estagiou 9 meses, tem a madeira muito bem casada sem se sobrepor aos aromas nem retirar a frescura predominante. Pode ser um branco mais de Inverno que no entanto se enquadra bem no tempo mais quente e que fez boa parceria com os tacos de bacalhau. Em suma, dois brancos de perfis diferentes mas ambos muito agradáveis. Pelos preços anunciados, o Tiara será mais apetecível de comprar...
Finalmente, chegaram as carnes e os tintos, servidos aos pares: um representante da gama mais intermédia da Casa com outro da gama alta. Assim começámos com um Vertente 2007 e um Charme 2007, para acompanhar o mil-folhas de pato com alecrim. Em seguida, para o javali estufado com torta de legumes, uma parelha Redoma 2006 e Batuta 2007 (em garrafa ainda sem rótulo).
Tanto o Vertente como o Redoma são vinhos para um consumo mais imediato, com um perfil mais frutado e encorpado. O Vertente será talvez o mais simples e menos ambicioso, enquanto o Redoma apresenta outra complexidade. Sendo estes dois bons vinhos, não deixam de ser ofuscados pelos dois de topo. O Charme faz inteiro jus ao nome que ostenta: todo ele é charme desde a primeira impressão olfactiva até à prova de boca, marcada por extrema elegância, a pedir pratos plenos de requinte. Foi bem escolhido para o folhado de pato. Já o Batuta apresenta-se mais pujante e complexo, a pedir tempo para se mostrar em plenitude e a prometer longa vida e grandes voos.
Para as sobremesas ainda houve direito a um Porto Vintage de 2007, um Colheita de 98 e uma aguardente vínica. Só provei os Portos que não deixaram os créditos por copos alheios. Um dos primeiros Portos Vintage que me lembro de beber foi um Niepoort de 2003 que estava notável, e este não fugiu à regra. Grande corpo, grande profundidade, um vinho cheio de pujança que nunca mais acaba na boca, apresentando uma exemplar ligação entre a fruta e o álcool. Possivelmente um dos melhores Portos Vintage do país. O Colheita também não se saiu mal da função, com uma predominância a frutos secos e bastante elegante na prova. Já o Politikos, ainda molhou os lábios na aguardente vínica e reputou-a de excelente, aveludada e elegante, com a madeira muito presente mas sem ser agressiva.
Resta falar dos sólidos, onde não é fácil escolher, de tão bem confeccionados estavam. O bacalhau muito bem enquadrado com a pasta de azeitona, o mil-folhas de pato muito saboroso e macio e finalmente o javali, talvez o ponto alto da noite, bastante apetitoso e suculento.
Para as sobremesas veio uma encharcada alentejana em duelo com um pão de rala, irrepreensíveis, e para terminar com o Porto um Petit gâteau com gelado de baunilha que fechou a noite da melhor forma.
Serviço impecável, rápido e eficiente, tanto nos vinhos como nos pratos, não falhou nada nesta refeição magnífica onde todos estão de parabéns. A Wine o’clock porque promoveu, a Niepoort porque forneceu os vinhos, o Jacinto porque serviu, e nós, os felizardos que lá estivemos porque pudemos participar numa refeição notável. Parece que o Jacinto, que atravessou tempos difíceis, está de volta aos melhores dias e a tornar-se um ponto de referência na gastronomia lisboeta.

Kroniketas, enófilo e gastrónomo satisfeito, com Politikos

Restaurante: O Jacinto
Av. Ventura Terra, 2 (Telheiras)
1600 Lisboa
Telef: 21.759.17.28
Nota (0 a 5): 4,5


Região: Douro
Produtor: Niepoort Vinhos

Vinho: Redoma 2008 (R)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Amarela, Touriga Franca, 50% outras
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Tiara 2008 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Codega, Rabigato, Donzelinho, Viosinho, Cercial
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Redoma 2008 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Codega, Rabigato, Donzelinho, Viosinho, Arinto
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vertente 2007 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Amarela, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Redoma 2006 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinto Cão
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Charme 2007 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Batuta 2007 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Porto Niepoort Vintage 2007
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Porto Niepoort Colheita 1998
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 20 de maio de 2009

No meu copo 240 - Grand’Arte, Touriga Nacional rosé 2007



Como habitualmente por esta época, começam a surgir as oportunidades a pedir
vinhos frescos que substituam os habituais tintos das grandes comezainas. Este rosé foi adquirido o ano passado com a Revista de Vinhos de Julho.

À semelhança do rosé feito de Touriga Nacional da Quinta da Alorna, que me encheu as medidas, este Grand’Arte apresenta um aroma frutado com predominância a morangos e framboesas, complementado com algum floral típico da casta.

Com um grau alcoólico moderado que se saúda neste tempo a caminhar para o quente, o que o torna mais apelativo, apresenta-se muito equilibrado nas suas componentes e muito fresco na prova. Uma boa companhia para dias de verão ou para entradas ou refeições leves. Muito agradável.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Grand’Arte, Touriga Nacional 2007 (R)
Região: Estremadura
Produtor: DFJ Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Casta: Touriga Nacional
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

No meu copo 206 - Cabriz rosé 2007; Periquita rosé 2007; Quinta da Alorna, Touriga Nacional rosé 2007

As férias de Verão também foram aproveitadas para provar alguns rosés dentre os muitos que têm aparecido. Neste caso foram duas repetições e uma estreia. Já temos falado do crescendo dos rosés entre nós e, tal como os brancos, a sua qualidade tem vindo a crescer o que tem ajudado (e de que maneira) ao aumento da procura por estes dois tipos de vinho ainda há poucos anos tão mal amados, principalmente este de que agora falamos, que alguns nem consideravam vinho. Aliás, parece que para alguns produtores isso ainda é verdade pois ainda fazem os seus rosés a partir de sangrias de cuba. Mas o panorama é, actualmente, francamente animador e dá aos enófilos um bom leque de escolhas variadas.
Começamos pelo Periquita rosé 2007, uma das recentes apostas da José Maria da Fonseca na renovação desta marca secular. É o típico vinho de Verão, de esplanada, com um toque adocicado, bom para entradas ou simplesmente para beber como aperitivo num dia quente.
O Cabriz rosé 2007, uma repetição depois de já ter provado o de 2006, mantém a mesma linha leve e suave, com aroma floral e de frutos vermelhos. Mais personalizado que o Periquita e também um pouco mais versátil porque é mais seco. Igualmente bom para entrada, aperitivo ou para beber a solo mas também com pendor gastronómico.
Finalmente, o Quinta da Alorna rosé, Touriga Nacional 2007, para mim um dos melhores rosés do momento. No Verão do ano passado já me tinha encantado com o de 2006, e agora tive oportunidade de provar o de 2007, que me pareceu ainda melhor. Muito aromático e elegante, com aroma pronunciado a morangos e framboesas, seco e elegante na boca mas bem estruturado, ou seja, tudo no sítio neste belo rosé ribatejano, onde se conjugam nas doses certas o fruto, o álcool, o corpo, a acidez e a frescura. Um rosé para ter sempre na garrafeira.

Kroniketas, enófilo rosado

Vinho: Cabriz 2007 (R)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 12%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 3,98 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Periquita 2007 (R)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 11,5%
Castas: Castelão, Trincadeira, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 4,25 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Quinta da Alorna, Touriga Nacional 2007 (R)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 7 de junho de 2008

Na Wine O’Clock 4 - Brancos e rosés





Mais uma prova na Wine O’Clock a um sábado, desta vez subordinada aos vinhos de um distribuidor. Tivemos a presença unicamente de vinhos brancos e rosés, com os produtores Companhia das Quintas, Herdade Grande e Quinta do Casal Branco.
A prova começou pelos rosés da Herdade Grande e da Quinta do Cardo, ambos de 2007. Este mais leve e aromático, proveniente duma quinta situada a 700 metros de altitude em Figueira de Castelo Rodrigo, uma das 7 pertencentes à Companhia das Quintas (as outras são a Quinta da Romeira, em Bucelas; a Quinta de Pancas, em Alenquer; a Quinta de Pegos Claros, em Palmela; a Herdade da Farizoa, em Elvas; a Quinta da Fronteira, no Douro; e as Caves Borlido, na Bairrada); aquele mais encorpado e com mais estrutura, proveniente da planície alentejana, na zona da Vidigueira.
Seguiram-se os brancos, onde tivemos oportunidade de voltar a provar o Herdade Grande, o Falcoaria, da Quinta do Casal Branco, e três brancos fermentados em madeira da Companhia das Quintas: o Quinta de Pancas Chardonnay Reserva, o Quinta do Cardo Síria Reserva e o Morgado de Sta. Catherina Reserva, todos de 2006. Estes brancos reserva têm a curiosidade de terem os seus rótulos homogeneizados para transmitir a imagem que daquilo a que a Companhia das Quintas chamou “The Quinta Collection”.
Pessoalmente não sou grande fã dos brancos fermentados em madeira pelo que o que mais me agradou foi o Falcoaria, muito suave e aromático e não fermentado em madeira, feito à base da casta Fernão Pires. Não deixa de ser interessante o Quinta do Cardo Síria, o mesmo nome da casta Roupeiro no Alentejo, um branco com a frescura da altitude. O Morgado de Sta. Catherina tem aquela força da acidez do Arinto de Bucelas e esta nova versão do Quinta de Pancas Chardonnay tem aquela untuosidade habitual no Chardonnay mas mantém uma certa frescura, talvez mais do que o de 2005 que tinha provado no Hotel da Penha Longa, tal como o Herdade Grande. Este último foi, assim, uma repetição, pelo que não trouxe novidades.
Em conjunto foi um painel interessante que nos trouxe alguns produtos que vale a pena conhecer e que de certa forma representam a retoma dos brancos em Portugal e o crescente apelo que os rosés têm vindo a transmitir. Pelo meio algumas conversas com os produtores presentes (o próprio António Manuel Lança esteve lá e falou-nos da sua Herdade Grande na Vidigueira) e com o director comercial da Companhia das Quintas, que ainda nos apresentou uma comparação entre o panorama dos vinhos nos anos 80 e agora a partir dum documento que encontrou com a referência aos vinhos vendidos há cerca de 25 anos. Como as coisas mudaram...

Kroniketas, enófilo esbranquiçado

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

No meu copo, na minha mesa 138 - Quinta da Alorna rosé, Touriga Nacional 2006; Restaurante Al Dente (Alvor)




Os brancos e rosés de férias (V)

Uma das incursões de férias, como já vem sendo habitual, foi a um restaurante italiano (também houve uma a um restaurante indiano, mas essa não é para aqui chamada; aliás, não saberia o que dizer...). Já tínhamos ficado de olho nele o ano passado, numa passagem por Alvor, e desta vez fomos mesmo lá.
O espaço é amplo e frondoso, numa espécie de esplanada interior, a dar para uma varanda que pode ser destapada nas noites mais quentes (não foi o caso deste Verão, certamente), salpicada por várias pequenas árvores espalhadas pelo recinto. Como é habitual na época, mesmo com mesa marcada espera-se... e espera-se... e espera-se... até nos podermos sentar e até sermos atendidos e poder começar a refeição. Mas quanto a isso, já percebi que não há nada a fazer. É ir preparado para começar às 10 da noite.
De qualquer modo, acabou por valer a pena a espera. A ementa é bastante variada, com várias carnes para além da enorme profusão de massas e pastas. E assim se pediram coisas tão variadas como macarrão tostado, regina gratinata, bifinhos de porco panados, bife Veneza, involtini e se terminou com tiramisu, crepe com chocolate e crepe com mel e nozes. E toda a gente ficou agradada com a qualidade da confecção.
O atendimento também é simpático e eficiente, descontado o tempo de espera já referido.
E para acompanhar tão variadas iguarias, a pedido de várias famílias fomos para o rosé. Porque era Verão, porque era comida italiana. As opções não eram muitas e resolvi estrear este Quinta da Alorna, que não conhecia. Agora que os rosés estão na moda e que se faz vinho rosé um pouco por todo o país, já quase não há um produtor conceituado que não tenha o seu rosézito. E este saiu muito bem. Bastante aromático, ligeiramente floral e com predominância de frutos vermelhos no aroma e no paladar (sente-se ali um toque a morangos ou framboesa), medianamente encorpado e muito fresco na prova de boca, com alguma persistência a marcar um final suave e seco. Uma boa surpresa para primeiras impressões.
Claro que saindo das mãos do enólogo Nuno Cancella de Abreu só podia ser bom. Não o tenho visto por aí à venda, mas vou ficar atento.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Alorna 2006 (R)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço no restaurante: 12 €
Nota (0 a 10): 7,5

Restaurante: Al Dente (italiano)
Quinta da Praia, Lote 4 - Loja 16
8500 Alvor
Telef: 282.457.555
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4

sábado, 29 de setembro de 2007

No meu copo 137 - Terra Franca rosé 2005

Os brancos e rosés de férias (IV)

Este também foi aberto numa tarde de Verão com grelhados. Embora não seja desagradável, apresentou um aroma algo discreto e paladar ligeiramente frutado e seco. Não pareceu capaz de grandes voos. Mesmo pelo pouco preço que custou, acaba por não merecer o gasto e realmente parece não ter tido grande investimento por parte da empresa.
Enfim, não deixou memórias.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Terra Franca 2005 (R)
Região: Regional Beiras
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 12%
Castas: Baga, Rufete, Tinta Barroca, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 1,88 €
Nota (0 a 10): 5

segunda-feira, 30 de julho de 2007

No meu copo 132 - Cabriz Rosé 2006

Neste tempo de calor calha sempre bem aproveitar a versatilidade de um vinho rosé para refrescar o corpo e a alma. Os rosés estão na moda e cada vez há mais marcas no mercado e mais empresas de norte a sul do país a produzir vinho rosé, mesmo aquelas com décadas de história e que até há 2 ou 3 anos só faziam brancos e tintos.
Um dia destes fui à procura de um rosé para acompanhar um lanche ajantarado na casa de um amigo. Actualmente já começa a haver a dificuldade da escolha, dada a proliferação de vinhos rosé nas prateleiras, pelo que resolvi apostar num daqueles produtores que são sempre apostas seguras, e fui para a Quinta de Cabriz.
Agora com o nome vinhos reduzido apenas para Cabriz por questões de marketing (desde que a Dão Sul ficou com a gestão da Casa de Santar, esta passou a ser a grande aposta da empresa em termos de vinhos de quinta), os vinhos da Quinta de Cabriz têm-se tornado uma referência importante na região do Dão, com uma qualidade média bastante aceitável e sem grandes oscilações, pelo que dão sempre alguma garantia de não defraudar o consumidor. E foi o que aconteceu com este rosé, uma aposta recente da casa. É um daqueles rosés como eu gosto, com um perfil leve e suave, sem o excesso de álcool que também já começava a ameaçar estes vinhos, com aroma predominante a frutos vermelhos e algum floral, ligeiramente seco e com um final de grande frescura na boca e com alguma persistência.
Sem dúvida que vou voltar a apostar nele. É uma bela companhia para estes dias quentes, quer à refeição quer como aperitivo ou apenas para entreter na esplanada.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cabriz 2006 (R)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivnícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 12%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro
Preço em hipermercado: 3,90 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Prova à Quinta - O oitavo


Montebérin, Lambrusco di Modena Rosato

Este desafio proposto pelo Copo de 3 foi o mais difícil para mim até agora, simplesmente porque sardinhas fazem parte do meu cardápio uma ou duas vezes por ano, no máximo, e com alguma relutância.
Curiosamente, calhou no passado fim-de-semana prolongado estar no Algarve num encontro de amigos que se realiza todos os anos por esta altura, aproveitando um dos feriados, e um dos almoços acaba sempre por ser uma sardinhada. Então lá faço um pouco de sacrifício para comer 3 ou 4 sardinhas bem disfarçadas por muita salada de tomate.
E qual foi o vinho usado para a prova? No meio de algumas cervejas e dum verde sem rótulo que por lá apareceu, socorri-me de um rosé italiano que comprei na feira de vinhos do Jumbo em 2006: leve, aberto, aromático quanto baste, ligeiramente frisante, com grau alcoólico muito baixo e muita frescura, um vinho de verão que se mostrou adequado para a época e até ligou muito bem com as sardinhas, de tal forma que o conteúdo da garrafa desapareceu rapidamente. Curiosamente foram as senhoras presentes que mais depressa o consumiram, enquanto alguns dos homens se mantiveram na cerveja até ao fim.
E pronto, assim cumpri a dupla função duma só vez: comi a minha sardinhada anual e arranjei um vinho para esta Prova à Quinta. Só não cumpri um dos requisitos do desafio, que era não ser um vinho de entrada de gama. Tenho muita pena, mas foi o que se pôde arranjar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Monteberín, Lambrusco di Modena (frisante) (R)
Região: Emilia Romagna (Itália)
Produtor: Monteberín - Modena
Grau alcoólico: 9%
Preço em feira de vinhos: 1,99 €
Nota (0 a 10): 7

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

No meu copo 74 - Lancers Rosé 2005


Aproveitando algumas refeições com entradas ou comidas mais leves para provar vinhos também mais leves, voltamos agora a um rosé, o Lancers, este verdadeiramente leve, com pouco álcool (apenas 10%). Foi provado com patés, tostas e coisas do género.

É um vinho com uma boa frescura, que se bebe com agrado e sem ter o peso do álcool excessivo que também se está a tornar moda noutros rosés. Tem um discreto aroma floral e um paladar frutado muito suave, ligeiramente adocicado, com o senão de um final de boca um pouco curto.

Como entrada, aperitivo ou simplesmente para enganar o calor numa esplanada, está perfeitamente adequado. Beba-se bem fresquinho, de preferência no Verão.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Lancers (R) - Vinho de mesa sem data de colheita
Região: Terras do Sado (sem denominação de origem)
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 10%
Preço em feira de vinhos: 2,56 €
Nota (0 a 10): 6,5

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

No meu copo 67 - Vinha da Defesa Rosé 2005

Uma refeição diferente levou-me, um destes fins-de-semana, a fazer uma prova diferente com o núcleo duro dos “Comensais dionisíacos”. Planeada a confecção dos saborosos filetes de robalo com agrião, para fugir à “ditadura” das carnes, decidi aproveitar a ocasião para fugir também à “ditadura” dos tintos e provar uns rosés que comprei nas feiras de vinhos.
Compareceram à ocasião um Clarete da Quinta do Monte d’Oiro, que o tuguinho já analisou em tempos, e um Vinha da Defesa, rosé, da Herdade do Esporão.
O tempo ainda estava quente e o arrefecimento dos líquidos não se processou como era desejável, apesar das várias horas que as garrafas estiveram no frigorífico e de ainda terem passado pelo congelador. Já estou a ver algumas pessoas a arrepelarem-se com esta heresia. Pois é, às vezes o recurso ao congelador, mau grado o que dizem os cânones expressos nos livros, é inevitável e a única solução para arrefecer um vinho até ao ponto desejado (mesmo os tintos no Verão, que normalmente estão mornos). E olhem que alguns críticos menos dogmáticos já o escreveram: um bocado de congelador não traz mal nenhum ao mundo nem ao vinho, desde que não nos esqueçamos dele lá...
Utilizado o termómetro de vinho no Clarete, este acusava 16 graus, que é uma boa temperatura para os tintos. Nem mesmo a manga de refrigeração chegou a tempo. Desta forma, apesar de apresentar uma suavidade assinalável, o Clarete não fez as delícias dos presentes.
A seguir experimentou-se o Vinha da Defesa, que tinha ficado no frio mais algum tempo e já se conseguiu baixar até aos 12 graus (embora o contra-rótulo aconselhasse entre os 8 e os 10). Depois do Clarete, mais seco, este Vinha da Defesa, mais adocicado, feito com as castas Aragonês e Syrah, também não fez o consenso à mesa, parecendo um pouco deslocado naquele filme. O próprio contra-rótulo o indica como bom aperitivo, mas valia a pena ver como se comportava com um prato de peixe, com agrião, ovo cozido, natas e pimenta. Apesar de também não ter brilhado, a metade que sobrou voltou para o frigorífico e no dia seguinte, mais fria, foi consumida com uma tarte de bacalhau com espinafres, e a sensação foi substancialmente diferente. Sem a pimenta e o ovo cozido a baralhar os sabores, o Vinha da Defesa pôde mostrar ali a sua verdadeira face, com outra frescura e os aromas muito mais exuberantes, notando-se algum frutado e um toque a frutos vermelhos.
É de facto um bom vinho para aperitivo, dada a sua delicadeza, pelo que poderá ser convenientemente apreciado com entradas não muito condimentadas, mas que merecerá, certamente, uma segunda prova para tirar as dúvidas. Sobretudo depois de devidamente refrescado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha da Defesa 2005 (R)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Aragonês, Syrah

Preço em feira de vinhos: 4,58 €
Nota (0 a 10): 6,5

sexta-feira, 7 de abril de 2006

No meu copo 38 - Mateus Rosé

Eis-nos finalmente chegados à prova do famoso Mateus Rosé, o vinho português mais vendido no estrangeiro e principal receita da Sogrape, a empresa produtora.
Consta que até Saddam Hussein bebia Mateus Rosé, que é um vinho pouco apreciado em Portugal. Talvez por estar a meio caminho entre o branco e o tinto, o rosé é muitas vezes desconsiderado entre nós.
Pessoalmente gosto de beber rosé da mesma forma que branco ou tinto, desde que a ocasião seja adequada. No caso do Mateus, sendo um vinho leve e com pouca graduação alcoólica (apenas 11%), serve tanto como aperitivo, como acompanhante de entradas ou para refeições leves, ficando igualmente muito bem a acompanhar comida italiana ou chinesa. Pode mesmo dizer-se que é um vinho mais versátil que o branco e o tinto, pois não choca com quase nada. E como se bebe fresco ainda pode servir para beber calmamente como refresco numa esplanada.
A última prova foi com um prato de bacalhau no forno com azeite e cebola acompanhado de batatas às rodelas. Como já tive ocasião de referir, não sou grande apreciador de vinho tinto com bacalhau e pensei que me ia arrepender da escolha dum rosé, pois estava mais inclinado para um verde. Mas a verdade é que o Mateus se saiu muito bem da prova, tão bem que ainda foi pedida uma segunda garrafa para apenas duas pessoas. A sua leveza e frescura tornam-no adequado praticamente para qualquer circunstância.
Nós próprios nos esquecemos dos rosés nas nossas sugestões, mas este merece lá estar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Mateus (R) - Vinho de mesa sem data de colheita
Região: Trás-os-Montes (sem denominação de origem)
Produtor: Sogrape
Grau alcoólico: 11%

Castas: Baga, Rufete, Tinta Barroca, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 2,40 €
Nota (0 a 10): 6,5

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Aviso às leitoras

Em boa verdade vos digo que poderão sempre classificar os vinhos como o Kroniketas afirma, mas em termos práticos a única diferença será na saturação da cor, porque o método de produção é quase sempre semelhante e os produtores usam os dois termos indiferenciadamente. Não estou nada preocupado em que o vinho referido fosse clarete ou rosé - morreu na mesma!
Vejam o exemplo do Conde de Vimioso Rosé, analisado anteriormente, e que tem cor mais escura do que o Quinta do Monte D'Oiro Clarete.
Um conselho: marimbem-se para o nome e bebam-nos a todos!

tuguinho, enófilo esforçado

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Aviso aos leitores

O post anterior gerou uma discordância interna nas Krónikas Vinícolas. Na minha opinião o Tuguinho misturou dois termos que designam produtos diferentes, e como neste blog ninguém muda o texto escrito por outro sem a sua prévia concordância (senão já tinha alterado o que ele escreveu), quero avisar que considero que clarete e rosé não são uma e a mesma coisa. O vinho em apreciação foi chamado clarete pelo seu produtor, certamente por boas razões. Logo, não se deve chamar-lhe rosé.
Rosé é um vinho de cor marcadamente rosada, enquanto o clarete é um vinho tinto mais leve e de cor muito mais aberta que um tinto normal. Mas em todo o caso, ainda próximo do tinto. Daí a ser rosé ainda vai alguma diferença.
Após algumas trocas de galhardetes via Messenger, acabámos ambos por chegar à conclusão que pode haver alguma confusão na nomenclatura usada, pois parece que existem vinhos designados como clarete e como rosé cujas características não permitem distingui-los, o que no meu entender é errado. Eu já bebi alguns claretes anteriormente (lembro-me dum das Caves Velhas) e não tinham qualquer característica que permitisse confundi-los com um vinho rosé. Para mim rosé é o Mateus Rosé, que é mesmo cor-de-rosa. Sendo assim, foi decidido superiormente (por ambos) entrar em contacto com a Quinta do Monte d’Oiro via e-mail para tentar esclarecer este quiproquó.
Bem hajam.

Kroniketas, enófilo esclarecido

domingo, 12 de fevereiro de 2006

Reincidências - No meu copo 19 - Quinta do Monte D'Oiro Clarete 2003

Nem todos se recordarão do que vou referir a seguir: em tempos que já lá vão, as tabernas (espécie de antecessor do Café como ponto de encontro do povo, em que o mais servido era o copo três de vinho e não a bica) vendiam também carvão e petróleo. Este último alimentava máquinas manuais a vácuo, que serviam para cozinhar quando os fogões a gás não eram tão prosaicos como nos dias de hoje.
Perguntar-se-ão: e porquê este arrazoado aqui, nas Krónikas Vinícolas, que deviam tratar apenas de gargantas e estômagos e sua estimulação? Ora bem, tudo isto se deve ao facto de vos querer ilustrar correctamente a cor do vinho que foi vítima ao almoço deste dia nobre: o dito cujo era da cor do referido petróleo para consumo doméstico, uma cor vermelha aguada, mas de grande impacto visual.
O vinho em causa era nem mais nem menos do que o magnífico clarete da Quinta do Monte D’Oiro, situada na Estremadura, e produtora de alguns dos melhores vinhos de Portugal, incluindo o Homenagem a António Carqueijeiro 1999, a quem já teceram loas que cheguem do outro lado do Atlântico.
Este clarete, da colheita de 2003, referia no contra-rótulo que devia ser consumido de preferência nos 2 primeiros anos, o que significaria que eu já estaria atrasado um ano! Mas não. O vinho mostrou-se em plena pujança, com a magnífica cor já referida, uma ligeira sugestão gasosa e um sabor fresco, livre de taninos, mais do que adequado para o prato com que o consumi: a quase célebre cataplana de robalo e gambas!
Este vinho é proveniente da casta francesa Cinsaut, e foi sujeito a uma curta maceração de forma a manter a tal cor adequada a um rosé. Mas não se iludam! O néctar possui 13,5º e uma estrutura de fazer inveja a muitos tintos!
Em conclusão, “caiu que nem ginjas” com a tal cataplana, não abafando os sabores do prato e jogando muito bem com a sua leveza condimentada.
Fechou-se o repasto com uns morangos ao natural acompanhados por um LBV filtrado da Graham’s, de 1998, servido nos estupendos cálices desenhados por Siza Vieira (vá lá, deixem-me ser “gabarolas” só por um momento!).
O final verdadeiro tinha de ser executado por um café expresso, com açúcar, obviamente – aos puristas que só bebem café sem qualquer adoçante só digo uma coisa: não sabem o que perdem! –, secundado por um magnífico chocolate puro Solitaire da Guylian. Depois disto aquela história do paraíso e até as suas variações que incluem virgens e assim deixam de fazer muito sentido…
Tenham uma boa vida.

tuguinho, enófilo esforçado

Vinho: Quinta do Monte D'Oiro - Clarete 2003 (Rosé)
Região: Estremadura (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte D'Oiro
Grau alcoólico: 13,5%

Castas: Cinsault
Preço em feira de vinhos: cerca de 6 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

No meu copo 11 - Conde de Vimioso Rosé 2004

Experimentei este vinho com um prato massa com carne picada, do tipo italiano, e com bacalhau à Zé do Pipo. Gostei mais com o bacalhau. Trata-se dum vinho rosé com algum corpo e um grau alcoólico acentuado (13,5%), o que o torna apropriado para pratos um pouco mais pesados do que é habitual nos vinhos rosé, como por exemplo o famoso Mateus.

Este Conde de Vimioso é um vinho regional ribatejano, produzido por Falua, a empresa de João Portugal Ramos (de cujos vinhos já falámos noutro post) em Almeirim. Feito a partir de três castas tintas famosas: Tinta Roriz, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon. São excelentes castas para fazer tintos, mas neste caso parece-me que usá-las para fazer um rosé é um pouco de desperdício. Pessoalmente gosto (talvez por hábito) de vinhos rosé mais leves e suaves. Não sou daqueles que acham que rosé não é vinho, mas dada a sua especificidade acho que é um tipo de vinho mais adequado a entradas, massas ou comida chinesa.

Para quem gostar deste tipo de rosé pode ser uma compra interessante, mas prefiro outros dentro do género.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Conde de Vimioso 2004 (R)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%

Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço com a Revista de Vinhos: 4,50 €
Nota (0 a 10): 5