Arinto 2008; Fernão Pires 2008; Sauvignon Blanc 2008

Após um interregno de quase dois meses devido a afazeres diversos (cada vez temos menos vida para isto, mas lá vamos tentando manter a chama acesa…), voltamos à Estremadura para falar de 3 brancos da Casa Santos Lima, uma estreia nas nossas provas aqui nas Krónikas.
A Casa Santos Lima, situada na zona de Alenquer, entre Sobral de Monte Agraço e a Merceana é uma das que têm continuado a apostar nos vinhos monocasta mesmo depois do decréscimo da moda deste tipo de vinhos que teve o seu grande incremento na década de 90. Ainda há algumas semanas, no programa “A hora de Baco” (RTP N) um dos seus responsáveis realçava que esta empresa é provavelmente a que tem maior variedade de vinhos monocasta no seu portefólio, quer em brancos quer em tintos, até em castas que não se vêem noutros produtores.
Neste caso tivemos oportunidade de provar o Arinto, o Fernão Pires e o Sauvignon Blanc. Não consigo destacar nenhum deles, pois todos me agradaram, dentro das suas características próprias.
O Arinto mostra aquela secura e acidez tão típicas da casta e que se destacam sobretudo na Estremadura, resultando num vinho de grande frescura. O Fernão Pires apresenta-se um pouco mais estruturado e floral, também com alguma frescura, intensidade aromática e boa acidez. Finalmente, o Sauvignon Blanc mostra a suavidade e elegância habituais e um toque mais adocicado.
No conjunto, três vinhos agradáveis e fáceis de beber, para pratos não muito exigentes em termos de tempero, e que são uma excelente aposta até para o dia-a-dia por um preço praticamente imbatível. Pelo que custam são muito melhores do que se poderia supor.
Kroniketas, enófilo cansado
Região: Estremadura/Lisboa (Alenquer)
Produtor: Casa Santos Lima
Vinho: Casa Santos Lima, Arinto 2008 (B)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Arinto
Preço: 2,65 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Casa Santos Lima, Fernão Pires 2008 (B)
Região: Estremadura/Lisboa (Alenquer)
Produtor: Casa Santos Lima
Grau alcoólico: 13%
Casta: Fernão Pires
Preço: 2,79 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Casa Santos Lima, Sauvignon Blanc 2008 (B)
Região: Estremadura/Lisboa (Alenquer)
Produtor: Casa Santos Lima
Grau alcoólico: 13%
Casta: Arinto
Preço: 2,52 €
Nota (0 a 10): 7,5
domingo, 2 de maio de 2010
No meu copo 272 - Os brancos da Casa Santos Lima
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segunda-feira, 8 de março de 2010
No meu copo 271 - Porta da Ravessa branco 2008
E agora algo completamente diferente. Um branco simples, barato e despretensioso. Não tinha grandes expectativas mas acabou por ser uma surpresa agradável, pois este Porta da Ravessa branco revelou-se bem melhor do que eu estava à espera.
Apresentou cor citrina e algumas notas limonadas a marcarem o aroma, boca leve e fresca e boa acidez a dar equilíbrio ao conjunto, certamente devido à introdução do Arinto no lote. Acompanhou bem um peixe assado no forno. Tendo em conta o preço, até não se saiu nada mal.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Porta da Ravessa 2008 (B)
Região: Alentejo (Redondo)
Produtor: Adega Cooperativa de Redondo
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Roupeiro, Arinto, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 1,98 €
Nota (0 a 10): 6
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quarta-feira, 2 de julho de 2008
No meu copo 187 - Quinta da Alorna: Reserva, Touriga Nacional 2003; branco 2006

A Touriga Nacional é a casta da moda. Planta-se em todo o lado, de norte a sul, e entra numa parte significativa dos vinhos de quase todas as regiões. A verdade é que, como já várias pessoas disseram, corremos o risco de assistir à “touriguização” do país vinícola, perdendo a tipicidade das várias regiões. Vem isto a propósito deste vinho que tive oportunidade de abrir, um Touriga ribatejano da Quinta da Alorna.
No contra-rótulo reza assim:
“É um bom exemplo da expressão da Touriga Nacional, a mais famosa e mediática casta tinta portuguesa. Um aroma efusivo cheio de resinas e anisados com flores silvestres, rebuçado de groselha e chocolate. Na boca mantém o perfil, resinoso e balsâmico, taninos gordos, fruto maduro, um tanto exuberante apesar da evidente qualidade.”
Na realidade, a mim pareceu-me mais um vinho em que a Touriga Nacional perde as suas características e a região também. Posso não ter compreendido bem o que estava a beber, mas a sensação que ficou é que este Quinta da Alorna Reserva feito com Touriga Nacional acaba por não ser um ribatejano típico nem um Touriga Nacional verdadeiro. Às vezes as combinações saem perfeitas e consegue-se um bom resultado das misturas mais inesperadas, mas neste caso fiquei com uma impressão diversa. Tal como parece acontecer quando se mete a Touriga Nacional nos vinhos da Bairrada (ficámos com essa sensação nos Ensaios Filipa Pato), este ribatejano perdeu as suas características e a Touriga também não me pareceu tão efusiva como dizia o contra-rótulo, nem o floral estava lá. Pode ser que numa próxima tentativa...
E já que estamos com a mão na massa, passamos ao branco. A Quinta da Alorna é uma das casas que têm contribuído para a recuperação da imagem dos vinhos do Ribatejo e já tem no seu portefólio um número significativo de vinhos bastante apreciáveis. Já tivemos oportunidade de provar o tinto normal, um branco Colheita tardia e um rosé de Touriga Nacional, e agora acrescentamos este branco à lista.
Feito a partir de duas das melhores castas brancas do país, a incontornável Arinto e a Fernão Pires, que se destaca entre as brancas no Ribatejo, tem uma cor citrina forte, aroma também marcadamente citrino, boca média e final marcado por uma acidez refrescante. Um branco que pode ser versátil, para pratos leves de peixe ou marisco ou para outros mais elaborados. Uma aposta refrescante e simpática para o Verão, e mais um bom produto desta quinta.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Vinho: Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 6,5
Vinho: Quinta da Alorna 2006 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 2,79 €
Nota (0 a 10): 7
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domingo, 27 de abril de 2008
No meu copo 175 - Quinta de São Francisco branco 2005
Os vinhos da Estremadura eram até aos anos 90 sinónimo de vinho a granel, de muita produção e pouca qualidade. Quando comecei a apreciar vinhos com mais atenção rapidamente me apercebi que era uma região a evitar.
Com a alteração das denominações de origem nos últimos anos dessa década, em que foi criada uma quantidade significativa de novas regiões com Indicação de Proveniência Regulamentada (IPR) e as regiões demarcadas já instituídas, como o Douro, o Dão, a Bairrada, Colares, Bucelas, entre outras, passaram a ter Denominação de Origem Controlada (DOC), diversas sub-regiões na Estremadura, no Ribatejo e no Alentejo adquiriram um novo estatuto para a produção de VQPRD (Vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada), passando por um período de afirmação de qualidade após o qual poderiam aspirar a ascender ao estatuto de DOC. E foi assim que, a par com um aumento significativo da área de vinha plantada em várias regiões, se assistiu ao aparecimento duma nova fornada de vinhos certificados que fizeram subir gradualmente (e significativamente) a qualidade dos produtos lançados para o mercado. As regiões onde, porventura, mais se assistiu a uma viragem na imagem do produto foram precisamente o Ribatejo (mais conotado com o carrascão dos garrafões de 5 litros) e a Estremadura.
Embora ainda haja algum caminho a percorrer para afirmar definitivamente o prestígio destas regiões junto do consumidor, é possível encontrar algumas marcas já com garantia de qualidade. É o caso da Casa Cadaval, da Fiúza e da Quinta da Alorna, no Ribatejo, ou da Quinta do Monte d’Oiro e da Quinta de Pancas, na Estremadura, e esta de que agora falamos, a Companhia Agrícola do Sanguinhal, com sede no concelho de Bombarral.
Fundada nos anos vinte por Abel Pereira da Fonseca, que em 1937 transformou a empresa em sociedade por quotas e propriedade actual dos seus descendentes, a Companhia Agrícola do Sanguinhal produz 60 milhões de litros por ano e explora três quintas na região DOC de Óbidos, num total de 8 mil hectares: a Quinta do Sanguinhal, a Quinta das Cerejeiras e a Quinta de São Francisco (informação disponível no site da empresa).
Foi da Quinta de São Francisco, com 50 hectares de vinha situada no concelho de Cadaval, que tive oportunidade de provar um branco (a minha memória de brancos desta região remonta a um Gaeiras), depois de há precisamente um ano ter provado o tinto e de já ter provado também um tinto da Quinta do Sanguinhal. Este branco de 2005 revelou-se com uma cor citrina e aroma entre o floral e o frutado, sendo suave na prova de boca e medianamente encorpado. Não sendo muito exuberante nos aromas, é um vinho que se bebe com muito agrado e que fará muito boa companhia a pratos delicados de peixe, um vinho guloso que se bebe sem dar por isso, no que é ajudado pelo seu grau alcoólico moderado.
Fiquei convencido com este Quinta de São Francisco branco, que a juntar às provas anteriores me desperta a atenção para provar mais vinhos desta casa.
Teve entrada directa para as nossas escolhas.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de São Francisco 2005 (B)
Região: Estremadura (Óbidos)
Produtor: Companhia Agrícola do Sanguinhal
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Vital, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 2,45 €
Nota (0 a 10): 7,5
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terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Os vinhos da festa 2007-2008 (1)
No meu copo 159 - Champanhes e espumantes

Na quadra festiva que há pouco terminou, entre jantares de Natal, réveillon e alguns aniversários tivemos oportunidade de provar um conjunto alargado de vinhos que seria fastidioso descrever em detalhe. Assim vamos apresentar algumas notas curtas agrupando-os por tipo de vinho (daqueles que ainda nos lembramos...)
Começamos pelos champanhes e espumantes.
Veuve Clicquot Champagne Brut - Um clássico do champanhe francês que já se tornou tradicional nos meus jantares de Natal. Foi uma das primeiras notas de prova aqui colocadas, precisamente após o fim-de-ano de há dois anos. Apreciação aqui. Nota: 9
Pol Carson Champagne Brut Rosé - Numa variação ao habitual, resolvi experimentar este champanhe rosé e foi uma bela aposta. Bastante aromático, seco, suave, bolha fina e com grande elegância. Excelente acompanhante de quase todo o tipo de iguarias, mas em particular entradas, peixes e mariscos. Uma boa aposta por um preço, apesar de tudo, não muito exagerado para o produto que é. Nota: 8,5
Tapada do Chaves Bruto 2002 - Resolvi experimentar este por estar agora em Portalegre, por ter visitado a Tapada do Chaves e por ainda não ter experimentado um espumante do Alentejo. Foi uma belíssima revelação. Bastante frutado e aromático, ainda com algum toque floral, muito elegante e com bolha fina. Bela combinação do Arinto, a dar uma bela acidez ao conjunto, com o Fernão Pires. Entrou directamente para a lista dos recomendados, até porque tem um preço bastante aceitável. Nota: 8
Cabriz Bruto 2005 - Igualmente equilibrado, aromático e elegante, com muita frescura na boca. A Malvasia Fina a expressar-se muito bem em combinação com a Bical. Nota: 8
Real Senhor Velha Reserva 2001 - Mais um bom exemplo duma feliz combinação de castas, neste caso a Malvasia Fina e o Arinto, duas excelentes castas brancas. Pareceu-me contudo menos suave que os dois anteriores. Nota: 7,5
João Pires Bruto - Este foi o que menos me agradou de todos os provados. Pareceu-me pouco elegante, exactamente ao contrário dos outros. Talvez uma segunda apreciação possa rectificar esta primeira impressão. Nota: 7
Kroniketas, enófilo espumantizado
Vinho: Veuve Clicquot - Champagne Brut (B)
Preço em hipermercado : 32,89 €
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Pol Carson - Champagne Brut (R)
Região: Champagne (França)
Produtor: Sedi Champagne - Châlons en Champagne - França
Grau alcoólico: 12%
Preço em hipermercado: 19,49 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Tapada do Chaves 2002 - Espumante Bruto (B)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Tapada do Chaves, Sociedade Agrícola e Comercial
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço em hipermercado: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Cabriz 2005 - Espumante Bruto (B)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola - Quinta de Cabriz
Grau alcoólico: 12%
Castas: Malvasia Fina, Bical
Preço em feira de vinhos: 6,40 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Real Senhor Velha Reserva 2001 - Espumante Bruto (B)
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Malvasia Fina, Arinto
Preço com a Revista de Vinhos: 6,25 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: João Pires - Espumante Bruto (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7
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segunda-feira, 9 de abril de 2007
No meu copo 103 - Catarina 2005
Um dos vinhos brancos mais conceituados da península de Setúbal tem este nome singelo, simplesmente Catarina, em homenagem a D. Catarina de Bragança.
Produzido na Quinta da Bacalhôa com as castas Fernão Pires e Chardonnay e fermentado parcialmente em barricas de carvalho, apresenta aquela acidez tão típica do Chardonnay combinada com a madeira que nos vinhos portugueses os torna por vezes um pouco difíceis de beber, perdendo um pouco a elegância.
Já aqui apreciei vários exemplares de Chardonnay portugueses e franceses e tenho sempre esta dificuldade com os Chardonnay portugueses. Em conversa com o tuguinho, comentava ele “tu e o Chardonnay…”. De facto, ainda não encontrei nenhum que me agradasse plenamente. Neste caso, a combinação com o Fernão Pires torna-o mais frutado e macio, mantendo-se uma boa estrutura na boca e um final prolongado.
Pelo que fica dito, não é dos meus brancos de eleição mas pode ser uma boa aposta com pratos de peixe algo complexos, entradas, patés, não tanto com comidas leves. No entanto, o preço justifica a compra.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Catarina 2005 (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: Bacalhôa Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Fernão Pires, Chardonnay
Preço em feira de vinhos: 3,18 €
Nota (0 a 10): 7
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quarta-feira, 29 de novembro de 2006
No meu copo 71 - Quinta da Alorna branco, Colheita tardia 2003
Um vinho difícil é a primeira coisa que se pode dizer deste, que segue um pouco a moda actual de fazer vinhos deste género, em que as uvas são colhidas em Outubro ou Novembro, em estado de sobrematuração, normalmente naquilo que se convencionou chamar de podridão nobre.
Estes vinhos resultam muito concentrados de corpo e muito doces, com elevado grau alcoólico, dando-lhes um perfil quase de vinhos generosos, adequados para acompanhar sobremesas. Dada a sua elevada concentração e doçura, normalmente são apresentados em garrafas de meio litro e não de 7,5 dl.
Este Quinta da Alorna segue essa linha, com uma cor quase de mel, a tender para o caramelizado. No nariz, a primeira sensação parece realmente de algo apodrecido, o que estranha quem não está habituado. Depois prova-se e vamos tentando habituar o paladar àqueles sabores adocicados fora do vulgar. Aqui a sensação tende para as compotas ou mais para o mel, mas sempre com um certo travo de fungos ou bolor lá no fundo.
Como experiência é interessante, mas confesso que não fiquei fã do género. É necessária bastante habituação a estes aromas, o que, dada a pouca frequência com que se prova um vinho destes, não deve ser fácil de conseguir.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta da Alorna, Colheita tardia 2003 (B)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Casta: Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 8,5 €
Nota (0 a 10): 6,5
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Krónikas Vinícolas
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